A hora dos fundos imobiliários

Em um tom saudosista, por vezes encontramos investidores discursando sobre como o mercado imobiliário brasileiro surfou uma grande onda no período pré-crise. 

Desde então, a escalada das taxas de juros e a deterioração da economia fez com que os investimentos neste setor diminuíssem drasticamente. 

A eleição de um governo comprometido com as reformas fiscais e o início, mesmo que lento, de um novo ciclo de alta, fez com que o mercado imobiliário se tornasse atrativo novamente. As taxas de juros nas mínimas históricas chancelam a volta do interesse de investimento no setor.

Existem diversas formas de nos expor ao setor imobiliário, como comprar imóveis diretamente, comprar cotas de fundos imobiliários, comprar ações de incorporadoras na bolsa de valores e até de forma indireta, comprando participações em empresas de siderurgia e acabamentos. 

A questão é: por qual destes meios devo me expor ao novo ciclo de alta do setor?

O efeito taxa de juros

Falar que a baixa das taxas de juros impacta positivamente o setor imobiliário é quase que um fato estilizado.

Os juros baixos impactam nos imóveis de duas formas principais. O primeiro efeito é nos financiamentos imobiliários e o segundo é no custo de oportunidade com investimentos financeiros.

Tratando sobre o primeiro caso, sabemos que a compra de um imóvel residencial pode ser um marco na vida de uma família, bem como por muitas vezes, esta família terá de recorrer a alguma linha de financiamento, visto que o valor de um imóvel é relativamente alto. 

Se pegarmos biênio de topo da última crise brasileira, nos anos de 2014-15, tínhamos uma taxa Selic a 14,25% ao ano. Isso significa que o custo de captação dos bancos era algo próximo a isso. 

Se o banco captava dinheiro a 14,25%, ele teria que emprestar esse dinheiro a uma taxa demasiadamente maior, para que pudesse ter lucro com a operação. Note que financiamentos imobiliários são de longo prazo, o que faz com que o banco tenha uma propensão a cobrar mais para que possa emprestar o dinheiro por mais tempo. 

Essa dinâmica de captação e empréstimo do banco não mudou muito para o que vemos hoje. A diferença está na taxa Selic, que se encontra em 5% ao ano. É uma diferença brutal de quase 10% ao ano.

Relembrando, o financiamento imobiliário é de longo prazo, podendo chegar a 20 anos. Se colocarmos na ponta do lápis, 10% ao ano, durante 20 anos via juros compostos, temos uma diferença colossal.

Isso fez com que muitos potenciais compradores de imóveis se afastassem do setor e adiassem o plano de compra. A realidade mudou nos últimos anos e agora vemos novamente os imóveis se tornarem atrativos, por conta do custo menor do dinheiro. 

O segundo ponto no qual a taxa de juros baixa impacta positivamente o setor, é o custo de oportunidade imóveis vs títulos de renda fixa. 

Ora, se voltássemos alguns poucos anos atrás e pudéssemos investir em tesouro Selic pagando 14,25% ao ano, praticamente sem risco a não ser o risco soberano, por qual motivo iríamos investir em um imóvel, que dificilmente iria pagar algo parecido com isso?

Além disso, os imóveis ainda estão sujeitos a riscos de vacância e de mercado, por exemplo. 

Neste novo cenário de taxas de juros nas mínimas históricas e um juro real bem deprimido, tentando a zero, investir em um imóvel que pode render por volta de 8% ao ano, se tornou mais interessante. 

Desta forma, devemos enxergar uma migração de uma parte do dinheiro parado na renda fixa, para a compra participações no mercado imobiliário. 

O boom dos FIIs

A B3 divulgou em seu último relatório mensal sobre FIIs um salto para 470.098 investidores, uma alta de 8,99% em relação ao último mês (agosto). 

Coincidência ou não, foi justamente nos últimos três meses que passamos a ter uma visão mais clara das medidas tomadas pelo governo, o que deu o aval ao Banco Central para que continuasse no ciclo de corte de juros. 

Já foram realizadas em 2019 42 ofertas públicas de fundos imobiliários, ultrapassando ainda em setembro o total de 2018, quando foram realizadas 40 emissões. 

Os dados corroboram com a visão que já tínhamos de que, a melhor forma de se expor ao mercado imobiliário é através dos fundos imobiliários. Na comparação direta com os imóveis físicos, enxergamos taxas de retorno de aluguéis bem parecidas. 

A predileção pelos FIIs fica por conta de toda a praticidade que ele te proporciona. Não precisamos nos preocupar com inquilinos, os riscos de mercado são diluídos, uma vez que o fundo pode ter diversos imóveis, em diversas localizações diferentes e mais de um inquilino. 

Isso tudo faz com que dificilmente nos veremos em um problema profundo investindo em imóveis através dos FIIs. O contrário não é verdade, uma vez que a diversificação comprando imóveis diretamente fica muito mais limitada. Você dificilmente conseguirá ter 10 imóveis, alugados para inquilinos diferentes e geograficamente espalhados, algo que é muito fácil conseguir nos fundos imobiliários.

Outro forte ponto para o FIIs é a questão da liquidez, que com esse aumento no número de investidores, subiu muito e agora está ainda mais fácil converter suas cotas em dinheiro sem perda de valor. No caso dos imóveis físicos, é praticamente impossível vender seu imóvel pelo preço que ele vale em menos de três meses. 

Deixemos a discussão sobre a exposição ao setor via ações de empresas de siderurgia ou de incorporadoras para um outra hora.

Conclusão

A mensagem final para o investidor é que a atual estrutura da economia praticamente o obriga a mudar sua forma de  pensar e investir. O setor imobiliário é sempre uma boa pedida para sua carteira, restando saber apenas de que forma acessá-lo. 

Pelos motivos citados acima, não acredito haver um único argumento para o investidor optar por adquirir um imóvel físico ao invés de comprar cotas de fundos imobiliários. 

Insights: Bolha pontocom 2.0?

O mercado financeiro é famoso por antever os movimentos da economia. Por essa característica, por vezes formou investidores que foram capazes de antever grandes mudanças na estrutura de negócios e por conta disso foram capazes de angariar grandes retornos.

Também foi comum os investidores que no passado foram capazes de antever grandes bolhas, com as mais recentes sendo as bolha .com e a bolha dos créditos imobiliários nos EUA. Como no mercado financeiro, para ser bem-sucedido você precisa primeiro sobreviver, evitar as grandes perdas é tão ou mais importante do que capturar altos retornos. 

Hoje em dia está em voga a discussão sobre as grandes empresas que utilizam a tecnologia para escalar seus negócios e negociam a um valuation altíssimo, por vezes fora do padrão convencional. 

Seria essa a bolha .com 2.0 ou apenas uma mudança na forma como as pessoas se comportam, fazem negócios e consomem?

Modelo de negócios

O atual modelo de negócios das empresas de tecnologia busca conectar os clientes à internet para então facilitar a vida dos mesmos através de soluções inovadoras e custos mais baixos.

Os avanços nessas empresas até hoje, mostram que o foco está em facilitar a vida das pessoas físicas e micro e pequenas empresas. Esse segmento de clientes é geralmente negligenciado pelos incumbentes, o que faz com que existam grandes oportunidades para as empresas que atuam em melhorar a qualidade de serviços para esta categoria. 

O advento da internet fez com que atingir essa classe se tornasse possível, com custos de distribuição e estrutura mais baixos. 

Podemos tomar o Uber como exemplo, que surgiu para atacar o mercado de taxis, que cobravam preços altíssimos por seus serviços. Através de sua plataforma, foi capaz de conectar motoristas a passageiros, a um custo muito mais baixo do que o convencional.

O motorista não precisaria mais obedecer a todas as leis não escritas do mercado de taxis e o cliente não precisaria mais arcar com os custos elevados das corridas convencionais. O Uber veio como uma plataforma que gera valor para ambos os lados da cadeia. 

As mudanças que a companhia incitou podem fugir aos olhos mais desatentos. Se a pergunta sobre o impacto que o Uber gerou for feita, poderemos receber como resposta que alterou a dinâmica do mercado de taxis. A grande questão, é que ela também alterou o ambiente de negócios de outros segmentos. 

Com a expansão do número de usuários dos aplicativos de transporte, a receita de estacionamentos nos centros das cidades diminuíram. O mesmo fenômeno pôde ser enxergado para os estacionamentos de shoppings. 

Além disso, as compras de veículos caíram, visto os avanços na questão do compartilhamento. Se no futuro enxergaremos uma compressão no mercado de combustíveis e inclusive de exploração de petróleo, não é possível saber. 

Mas é justamente essa última afirmação que guia o investimento nas empresas de tecnologia. É impossível saber ex ante qual será o impacto da tecnologia nos ambientes de negócios adjacentes. Os que acham que sabem são ainda mais perigosos, pois representam um mapa errado. Nessa situação, é melhor não ter mapa do que ter um mapa errado. 

Exponencialidade

As nossas cabeças são formadas para pensar de forma linear, não exponencial. A questão é que o mundo que vivemos hoje e, consequentemente, as empresas nele inseridas e as pessoas que nele vivem, é exponencial. 

A dificuldade de se prever algo em um mundo exponencial pega até os mais capacitados. Nos anos 80, a McKinsey prestou um projeto de consultoria para uma empresa que gostaria de entender mais sobre o mercado de telefonia móvel. 

A McKinsey previu que nos anos 2000, os usuários de celular não seria maior do que um milhão. Ocorreu que na virada do milênio, mais do que 100 milhões de pessoas já utilizam o celular ao redor do mundo. 

É sob esta ótica de exponencialidade que o investimento em empresas de tecnologia é realizado. Acredita-se que o potencial de crescimento e disrupção que elas têm é gigantesco e impossível de ser mapeado. Assim como o Uber não pôde ser previsto, Airbnb, Apple e Netflix também não o foram. 

Se trouxermos para o mercado brasileiro, os bancos tradicionais assistiram de fora o avanço que a XP Investimentos teve e agora tentam correr atrás do prejuízo. O mesmo aconteceu com Banco Inter, Stone, PagSeguro e Quinto Andar. 

Os incumbentes tiveram dificuldades ou negligenciaram esses segmentos e agora têm em suas mãos um grande problema para administrar. 

Valuation

Existe o argumento de que o preço justo de várias das empresas de tecnologia é muito menor do que elas estão valendo hoje. A afirmação deve ser questionada, uma vez que existem bons e maus exemplos. 

Na década passada, diversas empresas de tecnologia foram criadas no Brasil. Muitas delas não deram certo pelos mais variados motivos, dentre os quais estavam a baixa penetração da internet no Brasil, com problemas de infraestrutura e modelos de negócios não testados que posteriormente se mostraram fracassados. 

Apesar disso, nessa época surgiu o Mercado Livre, que por mais que seja uma companhia Argentina, tem no Brasil o seu maior mercado; Uol e Submarino. 

Pode parecer que foi um movimento fracassado, onde poucas empresas sobreviveram, talvez ao acaso da sorte ou de um modelo de negócios único que jamais poderia ser replicado. 

Mas o caso aqui é o ambiente que essas empresas estão inseridas. O racional de investimentos em diversas empresas de tecnologia se pauta no ambiente de competição vencedor-leva-tudo.

Este modelo diz que uma empresa irá dominar o mercado e ditar a forma como este mercado se comportará, com os poucos concorrentes que sobraram, tendo que seguir as leis que esta empresa ditará. 

Neste ambiente, poucas empresas sobreviveriam, o que explica o motivo de existirem tão poucas empresas após a bolha dos anos 2000. 

Viva o empreendedor

É difícil existir investimento em empresa disruptiva com base em análise quantitativa. Não existe fluxo de caixa descontado para empresas de tecnologia, justamente pelo fato de que esse modelo envolve premissas futuras, como qual será a receita da empresa nos próximos 10 anos.

De que forma iremos prever a receita da empresa daqui a 10 anos se não sabemos nem se ela irá existir? Além disso, o crescimento de receita, caso ela exista, não será linear e sim exponencial. Mas exponencial em qual ritmo? 

Assim sendo, ao investirmos em empresas deste tipo, é necessário acreditar no time de gestão, nos empreendedores daquela empresa, que têm naquilo um estilo de vida e que vivem o negócio todos os dias. Não da para falar em múltiplos realmente. Os múltiplos vão ser altos mesmo. Por vezes nem mesmo existirão múltiplos, pois a empresa nem gera lucro ainda. 

Conclusão

O investimento em empresas de tecnologia no Brasil é demasiadamente complicado. Temos poucas empresas puramente tech listadas em nossa bolsa. A tendência é que esse número aumente no médio – longo prazo. A única empresa que para mim se encaixa nesta categoria é o Banco Inter. 

Podemos citar Banco Pan, BTG e Magalu, mas para mim se encaixam em uma outra categoria. O investidor brasileiro já consegue acessar o mercado americano, onde existem diversos casos com as características aqui citadas. 

Por fim, vale dizer que por mais que o investidor tenha um processo de análise de empresas muito apurado e que consiga identificar casos de sucesso antes do que a massa, o caso não é de concentração. 

Investimentos em tecnologia são por natureza mais arriscados. Conforme já mencionado, poucas empresas irão sobreviver e a dificuldade é justamente identificar essas sobreviventes no longo prazo. 

Desta forma, é sempre interessante a diversificação de setores em sua carteira. Vale a pena ter uma participação desta categoria em sua carteira, desde que seja diversificada e adequada ao seu portfólio. 

Previdência aprovada: abrindo caminhos

Na noite de 6 de maio de 1998, a cidade de Brasília estava prestes a prestigiar a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Plano idealizado pelo então presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, a proposta colocava uma idade mínima para a aposentadoria. 

A aprovação dependia de 308 votos dos deputados. A base do governo passou o dia a procura de alianças para que a proposta fosse aprovada. Na apuração, a contagem apurou 307 votos a favor. O deputado Antonio Kandir, do PSDB-SP, mesmo partido do presidente da república e idealizador do plano da reforma, apertou o botão errado e votou pelo não. 

Sim, um voto errado da base aliada fez com que a proposta fosse recusada. 

Passados 19 anos, Michel Temer caminhava para aprovar sua versão da reforma da Previdência. Por mais que o assunto não fosse unanimidade, as probabilidades de a reforma ser aprovada eram grandes. Até que no dia 17 maio de 2017, a delação premiada de Joesley Batista para a operação lava jato entregou que o então presidente Michel Temer, participava de esquemas de corrupção. 

Mais uma vez, a reforma da previdência ficou de lado e não foi aprovada. 

Já se vão 21 anos desde o fiasco de 1998. No período, o Brasil contou com equipes econômicas negligentes, planos mirabolantes como a Nova Matriz Econômica, presidente envolvido em esquema de corrupção e tantas outras coisas que colocaram o país em cheque. 

Sem a reforma da Previdência, a dívida bruta do país ultrapassará o PIB nos próximos anos e a situação econômica brasileira estará em calamidade. 

É estranho imaginar essa situação se pensarmos que por duas vezes estivemos tão perto de alcançar a aprovação. Parece até que os cisnes negros são brasileiros, adoram o clima tropical e frequentam a praia de Copacabana. Quanto azar. 

Truques velhos para cães novos

Dizem por aí que é difícil ensinar truques novos para cães velhos. Pois eu acho que difícil mesmo é ensinar truques velhos para cães novos. Não que eu adore o atual governo, mas economicamente, Paulo Guedes e sua turma estão fazendo o estado da arte. 

O dia 22 de outubro de 2019 mostra a aprovação definitiva da tão esperada reforma da Previdência. Nada de cisnes negros desta vez. Para coroar, o senado botou um ressonante 60 a 19 na votação, afastando qualquer risco de não aprovação. 

Ainda faltam pequenos destaques a serem votados, o que sinceramente pouco influenciará no resultado final. Mais importante do que tudo isso? A sinalização de que estamos no caminho certo. 

O trabalho continua

Guedes se apressou em dizer que o trabalho com as reformas econômicas continua, com o desejo de endereçar principalmente três delas: reforma administrativa, pacto federativo e reforma tributária. 

As duas primeiras têm mais a ver com a situação fiscal do país, com a reforma administrativa buscando minar parte dos privilégios do funcionalismo público. No caso do pacto federativo, o governo busca uma melhor relação para os gastos obrigatórios do governo federal. 

No caso da reforma tributária, ainda há muita polaridade sobre qual proposta deveria ser levada adiante. O timing político vai ser extremamente importante no caso desta reforma e o consenso é que por hora, ela deve ser enviada em partes. 

A reforma tributária é real geradora de valor para as empresas e tem o potencial de jogar o desemprego para baixo e fazer com que a economia ganhe tração, impulsionando o crescimento do PIB. 

O mais interessante disso tudo, é que um dia após a aprovação de uma das mais importantes reformas da nossa história republicana, o mártir do movimento vem ao público dizer a quem quiser ouvir que o trabalho continua e está apenas no início.

Cereja do bolo

Em paralelo ao legislativo, Salim Mattar comanda a secretaria de desestatização do governo. Pela primeira vez temos um presidente a favor da privatização de empresas que não sejam necessárias para o governo. Pela primeira vez temos o consenso de que o livre mercado deve ditar as leis das negociações comerciais, sem intervenção estatal. 

A primeira leva de estatais a serem privatizadas deve incluir um total de 17 empresas, dentre as quais estão Correios, Casa da Moeda e Eletrobras. A tramitação burocrática demora algum tempo, mas irá ocorrer e o parecer deve ser favorável. 

Mattar vem fazendo um trabalho formidável, limpando a folha de estatais não core para o governo brasileiro e deixando com que essas empresas passem para a iniciativa privada. Consequentemente, tendem a ser mais bem geridas e ter maior potência de gerar valor à sociedade. 

Outro ponto é que o BNDES deverá dar início no futuro próximo à venda de suas participações em empresas privadas. A ação irá gerar um fluxo de capital para dentro do banco, que parece finalmente estar empenhado em auxiliar no desenvolvimento da indústria média, que não tem acesso ao mercado de capitais, mas que também precisa de dinheiro para executar seu projetos. 

O impacto no mercado financeiro

É impossível não dizer que a classe de ativo que mais se beneficia de todo esse arcabouço de trabalho de política econômica é a classe de ativos reais. Assim sendo, empresas e imóveis deverão surfar muito bem esse ciclo que está apenas no início. 

Os juros estão estruturalmente baixos e assim ficarão por bastante tempo. A renda fixa corre um sério risco de ter taxas reais negativas em alguns investimentos. Parecia loucura dizer isso em janeiro, mas aqui estamos e isso é cada vez mais realidade. 

A alternativa será migrar para as ações, fundos de private equity e fundos imobiliários. O Ibovespa apresenta uma valorização de mais de 20% no ano. E ela é apenas uma metonímia dos ativos reais.

Estamos falando de apenas 10 meses de governo. Eu quase nada sei, mas desconfio de muita coisa. Veremos bolsa a 200 mil, 300 mil pontos? Parece loucura agora. Mas sempre parece…

O mais importante de tudo isso: estamos apenas no início do trabalho. Muita água vai passar por debaixo desta ponte. Haverá volatilidade, haverá momento em que o precipício parecerá estar na calçada de casa. Mas no longo prazo isso passa e o movimento que estamos vivendo agora é histórico e inédito. Uma boa viagem a todos nós!

O que são FIPs?

Os fundos de investimentos (FIPs) em participações podem soar como um instrumento de investimentos estranho para os investidores em geral, mas é um veículo de alocação bem conhecido entre os investidores institucionais. 

Os FIPs são uma classe de investimentos alternativos, que participam de investimentos não tradicionais, como imóveis, infraestrutura e capital privado. Este tipo de veículo também é comumente conhecido como private equity

Como funcionam?

Basicamente, os FIPs compram uma participação relevante em uma ou mais empresas, empreendimentos e projetos, para que possam participar ativamente do planejamento e execução das atividades operacionais destes investimentos. 

Usemos como exemplo um FIP que compra participações em empresas privadas. Ao contrário dos fundos de ações, que compram participações em empresas negociadas na bolsa de valores e geralmente detêm participações pequenas nestas empresas, o FIP compra uma participação relevante, capaz de torná-lo parte do bloco de controle dessas empresas. 

Ao fazer parte do grupo controlador, o fundo então terá poder de decisão na empresa e poderá indicar membros para a diretoria executiva, como CEO, diretor financeiro e diretor de operações, por exemplo. 

Desta forma, o fundo consegue mudar os rumos da empresa que investe, melhorando a operação da mesma a fim de gerar mais lucro para a companhia. Ao gerar mais lucro, a empresa distribuirá seu lucro para seus acionistas. O fundo como um grande acionista da empresa terá uma boa parte deste lucro distribuído. Após isso, dividirá seus rendimentos entre seus cotistas.

Note que mesmo que a empresa seja de capital fechado, ela têm ações. A única diferença é que essas ações não são negociadas em bolsa de valores e geralmente estão nas mãos de poucos controladores. Por isso dizemos que um FIP é acionista da empresa. 

Tipos de FIPs

Os fundos de participações são classificados em quatro tipos: 

  • FIP – Capital Semente: Essa classe investe em empresas que tenham faturamento anual de até R$16 milhões. 
  • FIP – Empresas Emergente: Essa classe pode investir em empresas que tenham faturamento anual de até R$300 milhões. 
  • FIP – IE / FIP – PD&I: Essa classe é destinada a fundos que invistam em projetos de infraestrutura ou pesquisa, desenvolvimento e inovação no setores de energia, água e saneamento básico, transporte etc.
  • FIP – Multiestratégia: Essa classe se destina a fundos que não se enquadram em nenhuma das classes descritas acima. 

Período de investimentos

Os fundos de investimentos em participações são, por natureza, de longo prazo. Isso porque a participação na gestão de empreendimentos, com a execução de mudanças e com novos projetos, pode demorar a demonstrar resultados.  

O impacto das mudanças operacionais que existem nas empresas obedece a ciclos empresariais, os quais são bem longos, podendo chegar a até 10 anos. Desta forma, o investidor até pode vender sua participação no fundos em um curto espaço de tempo, uma vez que as cotas dos FIPs são negociadas em bolsa. No entanto, o investidor não deve participar deste modelo de investimentos se não estiver apto a esperar para que os frutos da boa gestão apareçam. 

A cota do fundo sendo negociada em bolsa de valores pode assustar, mas o preço da cota não deve oscilar muito e o investidor não deve se prender a isso. O mindset neste caso deve estar nas operações das empresas investidas pelo fundo. 

Desinvestimento

Os FIPs geralmente compram participações em empresas e projetos ainda em sua fase inicial, com muitas mudanças a serem feitas e muitas estratégias a serem desenvolvidas. Após fazer todo este trabalho, é comum que os FIPs vendam uma parte ou a totalidade de suas participações nas empresas.

Após o desinvestimento, o fundo pode distribuir o dinheiro a seus cotistas ou então partir para um novo ciclo de investimentos, onde tentará encontrar novamente boas oportunidades de investimentos a longo prazo. 

A venda da participação do fundo nas companhias pode ser feita de forma direta para um comprador interessado ou então pode ser feita via IPO, vendendo a sua parte da empresa na bolsa de valores, tornando a empresa uma companhia de capital aberto.

Vantagens de se investir nos FIPs

No atual ciclo econômico brasileiro, com taxas de juros estruturalmente baixas e historicamente nas mínimas, passa a ser cada vez mais necessário o investimento em ativos reais, como participações em imóveis, empresas e projetos de infraestrutura. 

A primeira grande vantagem desta modalidade de investimentos é que no caso dos ativos reais, eles geram mais resultados com um ambiente de juros baixos. Os projetos ficam mais viáveis, as empresas têm mais aptidão para investir em expansão de parques fabris e o mercado imobiliário fica mais aquecido. Tudo isso em um ciclo virtuoso que é retroalimentado pelas relações econômicas. 

Assim sendo, a expectativa de retorno de ações e participações em geral são maiores em tempos de juros baixos. Como o cenário deve permanecer assim por um bom tempo, o investimentos nos FIPs se mostram uma ótima forma de capturar mais retorno. 

Uma outra grande vantagem é que nos casos dos FIPs de Infraestrutura, os cotistas contam com um incentivo do governo, que não tributa as pessoas físicas no recebimento de dividendos e nem no ganho de capital no caso de venda da cota. 

Vale dizer que o investidor geralmente recebe proventos regularmente nos FIPs e como eles não são tributados no caso dos FIP – IE, todo o rendimento chega líquido ao cotista. O cotista pessoa física também não precisa pagar IR caso venda as suas cotas na bolsa de valores.

Por fim, os fundos de participações são conhecidos por fazer investimentos em empresas e setores que ainda estão em seus estágios iniciais, precisando de bastante desenvolvimento. Isto faz com que os retornos possam ser bem maiores, uma vez que os rendimentos demorarão mais tempo para amadurecerem, mas por conta do forte trabalho de gestão, são melhores.

A recuperação do ciclo de crédito corporativo

Com a retomada da economia, notamos um aumento das emissões de crédito privado, quando as grandes empresas emitem títulos para captar dinheiro no mercado. 

Você pode estar se perguntando: Qual o motivo do aumento do apetite das empresas por capital?

O investimento das empresas

Quando as empresas estão começando a investir novamente, é importante entender que investimentos das empresas são diferentes das pessoas físicas. Este último geralmente empresta seu dinheiro a um terceiro ou então compra alguma participação esperando uma recompensa financeira no futuro. 

As empresas investem em bens de capital físico, como máquinas e fábricas, para que possam aumentar sua capacidade produtiva e atender uma maior demanda por seus bens produzidos. 

O capital advindo da emissão também pode ser utilizado para financiar um ambicioso plano de expansão, que inclui a abertura de diversos pontos de negócios por todo o país.

Além disso, pode servir para as necessidades de capital de giro da companhia. Com a melhora na situação econômica, as empresas se veem na obrigação de girar mais seus estoques, pois as compras dos clientes aumentaram. 

Retomada de ciclo

Considerando o atual cenário brasileiro de taxa de juros e inflação extremamente baixas, reformas estruturais, controle de gastos fiscais e gradual abertura da economia, as empresas finalmente começam a ter mais confiança para investir. 

Para entender melhor o motivo do aumento das emissões de crédito privado, precisamos entender o que faz com que captar dinheiro hoje esteja mais barato do que no passado. 

Imagine que o investidor até alguns poucos anos atrás, tinha a opção de comprar títulos do Tesouro Selic a uma taxa de 14,25% ao ano. Com isso, para que ele comprasse um título de dívida privada, este título precisaria remunerar ele acima do que esses 14,25%, caso contrário ele continuaria na segurança do Tesouro. 

As empresas se encontravam em uma situação complicada, pois por mais que elas tivessem projetos interessantes, o custo de captar o dinheiro para colocar o projeto em prática inviabilizava qualquer investimento. 

Com a mudança no patamar de juros no Brasil, hoje esse mesmo investidor ganha apenas 5,5% ao ano com a Selic. Desta forma, a empresa continua tendo que pagar acima do Tesouro, mas não se trata mais de uma quantia exorbitante, fazendo com que o custo de implementar um novo projeto tenha ficado muito mais baixo.

Conclusão

Como ficou mais atraente para as empresas investirem com o novo cenário brasileiro, elas decidem ir ao mercado captar dinheiro com novos investidores e é por conta disso que notamos um aumento das emissões de debêntures, CRIs e CRAs. 

Ainda é possível ganhar dinheiro com a renda fixa, mas para isso o investidor precisará assumir mais riscos e alongar seus prazos de investimentos. Os títulos de crédito privado conferem essas duas características e este parece ser o momento certo para se investir neles. 


Taxa de Juros Reais: Tudo o que você precisa saber

Nos dias atuais, estamos vivendo uma nítida queda da taxa de juros no mercado financeiro. E a maioria dos investidores praticamente desconhecem um importante cálculo utilizado para os investimentos: o juro real.

Antes de discutirmos a importância, precisamos entender essa diferença entre taxa de juros nominal e taxa de juros real.

Taxa de juros nominal

É aquela que obrigatoriamente deve ser indicada pelas instituições financeiras quando você faz um empréstimo, financiamento ou algum investimento. Não considera os efeitos da inflação (perda do poder de compra da moeda).

Taxa de juros real

É a diferença entra a taxa nominal e a inflação do período. Ou seja, é a taxa que realmente mostra o quanto nosso dinheiro ganhou em valor.

A conta técnica é essa:
Juros Reais = ((1+Juros Nominais)/(1+Inflação)) -1

Os investidores devem obrigatoriamente olhar os ganhos reais de seus investimentos, ou seja, sempre olhar o quanto ganhou acima da inflação. Imagine três situações:

Situação 1:
CDI: 13,24% em 12 meses.
Inflação (IPC-A): 10,67% em 12 meses

Situação 2:
CDI: 9,93% em 12 meses
Inflação (IPC-A): 2,95% em 12 meses

Situação 3:
CDI: 4,9% a. a
Inflação (IPCA-A): 3,45% em 12 meses

Em qual situação o investidor estaria melhor se investisse em um retorno de 100% do CDI?

Olhando apenas para os juros nominais tenderíamos a dizer que a primeira situação é um “melhor negócio”. Afinal, 13,24% é um rendimento melhor que 9,93% e muito melhor que 4,9%.

Porém ao considerarmos a inflação, analisamos os ganhos reais e percebemos que a situação dois é mais vantajosa para o investidor. Como podemos ver abaixo:

Situação 1: Taxa de juros reais de 3,09% a.a.
Situação 2: Taxa de juros reais de 4,91% a. a.
Situação 3: Taxa de juros reais de 1,40% a. a.

A primeira situação ocorreu em dezembro de 2015, a segunda em dezembro de 2017 e a terceira está prevista para acontecer em dezembro 2019. De nada adianta um investimento que renda uma taxa alta se a inflação também for alta.

E o que fazer quando a taxa de juros está tão baixa que é “consumida” pela inflação igualmente baixa?

Se seus investimentos estão em poupança (que rende 70% do CDI) ou CDB/LCA/LCI ou fundos de renda fixa, então é bem provável que a taxa de juros reais dos seus investimentos esteja sendo acabrunhada pela inflação.

Nesse cenário, a poupança passa a render uma taxa real 0,03% ao mês. LCA 100% do CDI, 0,16% de taxa real mensal. Ser muito conservador com seus investimentos hoje, é correr um risco altíssimo de ter seu capital desvalorizado no longo prazo.

Assim, é muito importante sair da inércia e encontrar nesse novo cenário uma carteira que se adeque ao seu perfil, considerando diversificação e alternativas de investimentos que rendam boas taxas de juros reais e dessa forma otimizar seus investimentos

Quer saber mais sobre a forma inteligente de investir no cenário de juros atual? Leia também Novo corte na taxa de juros: O que você deve fazer com seus investimentos?

 

Previdência Privada: Pontos essenciais para escolher o seu plano

A palavra previdência nunca esteve tão em alta, você pode ligar em qualquer noticiário e lá estará ela. Com a reforma aprovada  em julho 2019 o termo ganhou notoriedade e passou a fazer parte do cotidiano das pessoas.

Mas você sabia que a previdência vai muito além da Previdência Social?

Hoje vamos falar sobre o que é previdência privada e por que ela pode ser um bom investimento para garantir uma aposentadoria mais tranquila e também garantia de segurança para o futuro de sua família.

A Previdência Privada nada mais é do que a possibilidade de investir em fundos com foco no longo prazo, assim você investe em um auxílio para sua aposentadoria no futuro.

Escolher um plano de previdência requer muita atenção e planejamento. Além de haver vários fundos disponíveis no mercado, você ainda precisa escolher o modelo, entre PGBL e VGBL e calcular o período que deseja aplicar.

Por esse motivo, separamos os sete pontos principais, que poderão te ajudar na escolha do plano ideal para seu perfil e seus objetivos.

1 – Taxa zero

Como esse investimento é pensado para garantir que você possa usufruí-lo no futuro, é importante que você procure planos com ZERO de taxa de carregamento de entrada e saída. Assim, você não precisará se preocupar em pagar por taxas ao decidir entrar no plano, sendo que não irá usufruir de seus rendimentos por um longo período, nem quando for sair e ter parte do seu investimento

2 – Taxa de Administração abaixo de 1%

É importante você saber que Fundos de Renda Fixa conservadores não devem cobrar acima de 1% ao ano para a administração. Sendo assim, entrar em fundos que apresentem uma taxa acima deste valor podem comprometer seus investimentos.

3 – Diversificação

É muito importante lembrar que diversificação também pode ser aplicada à Previdência Privada, já que ela não é apenas um investimento de Renda Fixa. Além disso, também existem diversos fundos específicos, criados para atender perfis específicos de investidores, e que podem lhe trazer maiores possibilidades de rentabilidade.

4 – Evite atendimento reativo

Como em qualquer investimento, contar com uma assessoria completa para sua Previdência é muito importante, portanto, não aceite um atendimento que só procura você no momento em que decide fazer a portabilidade para um fundo melhor de outra instituição.

5 – Busque quem realmente entende

Com o mercado em alta e com muita gente interessada em investir, sempre aparecem empresas que decidem seguir a onda sem realmente possuir as credenciais para um atendimento seguro e conhecimento. Procure gestores que realmente possam te orientar quando as diferenças de investimento em todas as categorias: renda fixa, multimercado, inflação e balanceados. Você também pode checar se o profissional  e a instituição que lhe oferece assessoria está devidamente credenciado na CVM (Comissão de valores mobiliários). 

6 – Busque quem seleciona o melhor produto para o seu perfil

Conhecer seu perfil de investidor é muito importante para que vocês saiba onde e como deve investir seu patrimônio. Na hora que de decidir entre PGBL E VGBL, lembre-se que os planos PGBL são vantajosos apenas para quem faz declaração completa de Imposto de Renda. Caso não tenha certeza qual tipo de IR você declara, contrate um VGBL.

7 – Atendimento e relacionamento

Contar com uma assessoria qualificada faz toda diferença para seus investimentos. Para aproveitar as melhores oportunidades do mercado, é essencial ter um  atendimento que esteja constantemente em contato com você, e consiga apresentar as melhores opções de investimentos.

Conclusão

Sempre que investimos nosso patrimônio estamos em busca de segurança e rentabilidade, pois isso é tão importante contar nesse processo com empresas e profissionais sérios e competentes. Investir com quem se preocupa com o seu capital além de evitar dores de cabeça, garante que seus investimentos não sejam comprometidos. Com as dicas que passamos neste post acreditamos que seu primeiro investimento na Previdência Privada ou sua portabilidade serão muito mais tranquilos.

 

Veja nosso vídeo com dicas para ajudar você a escolher a melhor opção em Previdência Privada.