As duas taxas de juros do Brasil e a nova era dos juros baixos

Os juros tiveram sua definição debatida na teoria econômica durante muitos anos, desde os neoclássicos relacionando-os à produtividade marginal do capital até Keynes entendendo juros como uma recompensa pela renúncia a liquidez. Para fins práticos, é satisfatório aqui entender juros como uma remuneração recebida por quem empresta o dinheiro. A definição parece simples, mas os fatores que compõe o cálculo desses juros são bem mais amplos.

Com taxas de juros altíssimas, o Brasil se acostumou a ser alvo do capital especulativo, o chamado carry trade, no qual elementos internacionais captavam recursos em outros países a taxas baixas e os aplicavam nos juros brasileiros a fim de ganhar um spread de juros. É um tipo de capital que pouco coopera com a produtividade interna do país.

O cenário mudou. O Brasil entrou em uma situação econômica de estabilidade de inflação e juros que nunca havia passado antes. A Selic foi paulatinamente sendo cortada dos estratosféricos 14,25% para os atuais 4,5%, seguindo a queda da inflação que chega abaixo dos 4%.

O novo patamar de juros está animando empresários, estimulando o comércio e provocando os poupadores, sugerindo uma revisão de suas carteiras de aplicações financeiras. Mesmo assim, muitos ainda permanecem na dúvida se os baixos juros vieram para ficar ou se a situação econômica do país ainda é instável o suficiente para se fazer afirmações mais assertivas.

Selic

Vamos aos fundamentos. Abaixo é destacado alguns dos principais motivos que mantiveram os juros brasileiros nos altos níveis históricos e as mudanças que vem ocorrendo e impactando na trajetória desses juros inclusive no longo prazo.

Primeiro, temos a conjuntura econômica brasileira com inflação controlada em baixos níveis históricos e com projeções de se manter em baixos níveis nos próximos anos. Segundo o economista Alexandre Schwartsman, que traçou alguns cenários possíveis para câmbio, juros e inflação e a interação entre essas variáveis, parece ainda haver espaço para mais queda na Selic no início de 2020, apesar de poder ter uma leve alta em 2021.

Nessa conjuntura também pode-se destacar a forte desaceleração no aumento dos gastos públicos que também pressionam os juros para cima.

Segundo, temos uma grande concentração bancária no Brasil, e como qualquer mercado com baixa concorrência, a tendência é o aumento de preço (entenda-se aqui, juros) para o consumidor (tomador). Segundo dados da Economatica, a relação entre rentabilidade e patrimônio dos bancos brasileiros nas últimas duas décadas caminhou na faixa dos 20%, enquanto o de bancos americanos iniciaram o mesmo período pouco abaixo dos 20% e mantem-se desde 2007 abaixo dos 8%.

Essa alta lucratividade dos bancos brasileiros tende a desacelerar com a maior abertura da economia e novos concorrentes surgindo no mercado, disponibilizando os serviços bancários de forma mais eficiente e barata.

Taxa média de juros de empréstimos bancários

Fonte: Banco Mundial

Outro fator, são os depósitos compulsórios elevados. Os depósitos compulsórios no Brasil são historicamente altos, muito maior do que os das maiores economias do mundo. Essa medida visa principalmente reduzir a liquidez na economia, e como consequência estimula a alta dos juros bancários, uma vez que os bancos têm grande parte de seus recursos congelados no Banco Central.

Para manter sua lucratividade com os empréstimos e disponibilizando de um menor montante de capital, acabam tendo que elevar os juros aos tomadores. Soma-se a isso também a alta carga tributária auferida aos bancos que a repassam no custo dos juros.


Com a economia caminhando para estabilidade, desde 2017, o Banco Central de Ilan Goldfajn, iniciou a redução dos depósitos compulsórios. Essa tendência vem sendo seguida até hoje com as medidas mais liberais de Guedes, e liberando mais crédito para a economia de forma sustentável.

Em meados de 2019, o BCB soltou a nota: “a redução estrutural dos compulsórios é uma das ações da Agenda BC#, parte do pilar de eficiência de mercado.”  Pretende-se que o aprimoramento do uso dos instrumentos financeiros permita que o BCB trabalhe permanentemente com níveis de compulsórios mais baixos no futuro.

E um dos fatores mais importantes a ser destacado na mudança da tendência dos juros brasileiros é a existência de créditos subsidiados em grande escala.

Temos duas importantes taxas de juros no Brasil, uma é a conhecida Selic e a outra, nem sempre destacada, a taxa do BNDES (TJLP). A importância desta segunda se dá pelo impacto que causou na Selic nos últimos anos. Uma vez que se trata de juros subsidiados que, portanto, beneficiam determinada classe, chamados também de os “amigos do rei (governo)”, acaba por trazer custos que são repassados para o resto da população através do aumento da taxa Selic.

Por isso, ao tentar combater a inflação com o aumento dos juros Selic a eficiência da política monetária fica comprometida e, dentre outros motivos, acabamos tendo alta inflação mesmo com altos juros.

Segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Karel Luketic, se não fosse a taxa subsidiada do BNDES, a Selic que era 14% a.a deveria ter sido, na verdade, em torno dos 9% a.a. É uma diferença gritante que veio onerando a produtividade e o crescimento do país, além de impulsionar a dívida pública. Para se ter uma ideia os juros para financiamento de jatos executivos chegaram a apenas 4% anual.

No histórico comparativo entre a TJLP e Selic, segundo dados do Banco Central, tivemos momentos de grandes diferenças entre estas. Em 2014, a TJLP encerrou o ano nos 5% a.a. e a Selic já avançava para além dos 11%. Hoje, com a Selic bastante reduzida temos a TJLP (atual TLP) em 5,09% a.a. Menos benefícios, significa menos repasses de custos e distorções econômicas. Os benefícios não devem ser totalmente excluídos, mas melhor planejados e bem direcionados.

Por fim, um dos objetivos agora é atrair capital investidor que estimule a produtividade interna. O Estado de São Paulo publicou recentemente que o governo chinês deve voltar a aumentar os investimentos no país, para faixa de US$7 bilhões em 2020, principalmente em infraestrutura, um dos sinais de que o Brasil está mais atrativo para esse tipo capital, seguindo a mudança de perspectiva da agência de rating S&P para o Brasil de estável para positiva, apesar de ainda não termos voltado ao grau de investimento.

Em outubro de 2019, segundo o Banco Central, as despesas do governo com juros da dívida atingiram o menor nível em 5 anos, 4,96% do PIB. Somando a reforma da previdência, redução dos juros e devolução de recursos pelo BNDES, o governo deverá economizar cerca de R$ 96 bilhões de reais em 2020, de acordo com o ministro Paulo Guedes.

Isso é apenas um dos indícios de um novo círculo virtuoso da economia brasileira. A abertura da economia com descentralização estatal e aumento da concorrência, são mudanças estruturais que vieram para ficar, praticamente irreversíveis, que gerarão benefícios ao país e a população por muitos anos. São mudanças que cooperam para manutenção de juros mais baixos.

Quem sempre esteve acostumado com a renda fixa brasileira terá que olhar para horizontes mais amplos e diversos de investimentos. E isso é uma saudável mudança de hábito que ajudará o brasileiro a aproveitar melhores oportunidades além de cooperar mais como capital produtivo em empresas e empreendimentos.

Como a Cogna pretende revolucionar a educação básica

A Cogna passou recentemente por uma reestruturação organizacional onde passou a dividir a empresa em quatro linhas de frente. 

Conhecida anteriormente como Kroton, a companhia surgiu em Belo Horizonte como um cursinho pré-vestibular e evoluiu para ser o maior player de educação no país. O foco deixou de ser educação básica e passou a ser educação superior, onde a empresa adquiriu concorrentes estratégicos e utilizou de sua excelência operacional para ser a empresa mais relevante do setor na bolsa. 

No final de 2019 houve a dita reorganização, onde a Kroton passou a se chamar Cogna, abrigando sob o seu guarda chuva quatro diferentes linhas de negócios. O nome Kroton foi mantido para a operação B2C de ensino superior. 

A plataforma B2B de ensino superior passou a se chamar Platos. Enquanto isso, a empresa se utilizou da aquisição da Somos Educação para criar linhas específicas que cuidariam da educação básica, onde a Saber cuidará do B2C, linha com escolas próprias, e a Vasta cuidará do B2B, que fornecerá sistemas para escolas. 

Esta última empresa dentro da Cogna é o foco de hoje. Particularmente, é a unidade que mais tem potencial para fazer com que o grupo volte a valer o que um dia valeu na bolsa. 

O ensino básico privado no Brasil

O panorama de escolas privadas no Brasil é bem parecido na média. Em geral, elas são empresas de menor porte e com administração familiar. Diferentemente de outros setores da economia, a escola K12, que cobre desde o jardim de infância até o último ano do ensino médio, parou na história. 

O gestor da escola, por exemplo, tem que conversar com inúmeros integrantes de sua cadeia, como fornecedores de livros didáticos, uniformes, professores, pais de alunos etc. Com tudo isso, lhe sobra pouco tempo para se preocupar com atividades extremamente importantes, como a qualidade do ensino, o desenvolvimento dos alunos e os aspectos financeiros da empresa. 

Outro fator é que em um mundo cada vez mais digitalizado e gerador de dados, incomoda o fato de que eles não sejam utilizados para maximizar o desempenho dos alunos. As escolas ainda são pouquíssimo digitalizadas e quase não geram dados que podem virar informações sobre os alunos. 

Além disso, ainda é muito incipiente o movimento das escolas para abranger serviços secundários na educação básica, como os conceitos de soft skills, tão comentados no novo ambiente da geração dos millennials. Não existe, por exemplo, a cobertura por parte das escolas de atividades de ensino específicas em períodos extra, como reforço escolar, ensino de tecnologia, ciências ou engenharia. 

Há de se notar também o fato de que houve nos últimos 20 anos uma mudança nos hábitos de uma família tradicional, que passou de uma mãe que por vezes não trabalhava e tinha tempo para levar e buscar os filhos na escola, bem como levá-los às atividades no período da tarde, como judô, violão e natação. 

Hoje em dia ambos os pais tendem a passar o dia todo no trabalho, o que dificulta seu deslocamento para atender às demandas dos filhos. 

Junte todos os problemas apresentados ao fato de que o Brasil ainda é um país onde um curso superior é diferencial e garante ao graduado uma média salarial substancialmente maior do que do indivíduo sem um diploma de curso superior. 

A diferença é ainda mais latente quando são considerados os cursos superiores em universidades públicas de ponta, onde os vestibulares são extremamente concorridos e fortunas são gastas pelos pais em cursinhos pré-vestibular. 

Isso tudo mostra que o sistema de ensino básico privado necessita de um reboot. Existe um mercado endereçável gigante neste segmento. Os cinco maiores players de educação básica no país representam menos de 10% desse mercado. 

Um dado mostra que 8 em cada 10 famílias consideram que educação de qualidade é o melhor investimento que os pais podem fazer por seus filhos. A mesma pesquisa ainda mostra que as famílias tendem a preferir escolas que ofereçam habilidade do século 21 em sua grade de ensino. 

Público alvo

A educação básica privada, nos moldes do que a Vasta busca oferecer, é destinada às famílias de classe A e B. Existe um argumento que fala que o investimento em ensino básico não faz tanto sentido, uma vez que as famílias estão tendo cada vez menos filhos. 

A afirmação acima é parcialmente verdadeira, uma vez que as famílias estão tendo menos filhos realmente. No entanto, a diminuição de filhos per capita vem sendo observada nas classes D e E, ao passo que as classes A e B continuam tendo filhos da mesma forma. 

No geral, as pessoas não querem mais ter muitos filhos, mas ainda assim querem ter ao menos um ou dois. Como o público à que se destina o sistema oferecido pela Vasta é focado nas classes A e B, não deve existir um problema de demanda. 

Um sinal disso, é que segundo o Censo Escolar do Inep, o número de estudantes de ensino básico caiu no Brasil, mas o número de estudantes do ensino básico privado aumentou 10% nos últimos oito anos. 

O argumento se torna uma falácia ao vermos perspectivas do IBGE para a evolução da população brasileira nas classes econômicas. Claro que se tratam de previsões, pode ser que o IBGE esteja errado por um, dois, cinco anos. Mas a tendência da economia é sempre de crescimento, então imaginamos que seja um cenário plausível. 

Enquanto hoje em dia as classes alvo da Vasta representam aproximadamente 40% da população, em 10 anos ela representará quase 60%.

A Vasta Educação

A Vasta surge com o propósito de ser uma plataforma one stop provider para as escolas K12 privadas. Os serviços da Vasta podem ser divididos em dois grandes grupos: onde o primeiro tem o objetivo de ajudar a escola a prover uma educação de qualidade, e o segundo grupo busca auxiliar a escola a ser melhor gerida. 

A Vasta basicamente fornece um sistema para que a escola possa se tornar um negócio rentável, sustentável e com boas perspectivas de médio/longo prazo. 

Ao abordar um cliente, a Vasta oferece ao parceiro duas opções metodológicas: sistema de ensino ou livro didático. No primeiro, a Vasta instala no parceiro uma de suas bandeiras de ensino, que conta com marcas extremamente renomadas, como Anglo, Pitágoras e pH. 

Neste caso, todo o sistema passa a pertencer a esta bandeira, que conta com suas próprias características pedagógicas, programas de ensino e qualificação de docentes. A empresa trabalha com diversas bandeiras justamente para que possa abranger os mais diferentes perfis de escola, com diferentes tickets médios e opcionais. 

Ao adotar um sistema de ensino, a escola também ganha acesso à plataforma de tecnologia aplicada à educação da Vasta, que possibilita a digitalização do ensino, através de tarefas de casa via computador, tablet ou celular, por exemplo. 

Esta funcionalidade automaticamente passa a gerar diversos dados para o professor, que consegue entender se determinado assunto foi um entrave no entendimento dos alunos e mostra que ele deve reforçar aquele conteúdo na próxima aula. 

A plataforma integrada também pode fazer relatórios de cada aluno individualmente, que podem ser acessados pelos pais e pela coordenação da escola, que saberá onde focar com cada aluno, tornando mais eficiente o processo de aulas de reforço em períodos extras para quem realmente precisa. 

Ao mesmo tempo, a escola também recebe acesso à um portal de capacitação de docentes, que são submetidos à programas de educação continuada, para que estejam sempre atentos às novidades de suas respectivas áreas, bem como tendências de ensino que vão sendo desenvolvidas com o passar dos anos. 

O segundo caso é geralmente encontrado em escolas premium, onde não há um embandeiramento do colégio, em geral por questões como tradição histórica da escola. Este modelo é observado em cidades maiores. 

No sistema de livro didático, a Vasta oferece à escola parceira uma personificação do serviço, onde ela monta um sistema pedagógico de acordo com as necessidades do colégio. 

Para isso, a Vasta é detentora das quatro maiores editoras de livros didáticos do país. A plataforma tecnológica também está presente neste modelo, bem com a plataforma de capacitação de professores. 

Vale dizer que para ambos os casos, a plataforma de ensino dos alunos oferece diversas opções. Se um aluno estiver com dificuldade em resolver determinado exercício, é oferecido à ele a oportunidade de assistir uma vídeo aula sobre o assunto. Caso a dificuldade ainda persista, ele poderá acionar um tutor da Vasta, que estará disponível de segunda a sábado das 7h às 23h. Aos domingos existe um suporte das 7h às 13h.

Todos esse ecossistema potencializa a capacidade da escola em prover as mais diferentes oportunidades de ensino aos seus alunos. A qualidade é comprovada com o dado que em mais de 500 cidades, escolas com algum sistema de ensino da Vasta estiveram no Top 3 do município no ENEM. 

A Vasta ainda oferece em seu primeiro bloco de auxílio, atividades ligadas à línguas estrangeiras e à modalidade STEM, acrônimo do inglês que significa Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Todas essas características são ofertadas ou estão em desenvolvimento para auxiliar a escola a prover a melhor solução de ensino possível às famílias e seus filhos. 

O segundo bloco busca ajudar a escola a ser melhor gerida e a gerar mais valor aos seus donos. 

Atualmente a empresa oferece apenas um serviço neste bloco, mas promete entregar diversas outras funcionalidades ao longo do ano. 

A solução oferecida na plataforma de gestão é a de e-commerce. As escolas têm um problema fiscal em comprar livros didáticos para revender aos alunos, uma vez que o cadastro estadual delas é de provedor de serviços. 

A Vasta oferece, através da Livro Fácil, o maior marketplace de ensino básico do país, com mais de 167 mil itens em seu catálogo. Repentinamente a escola se livrou de problemas de organização, logística e fiscal, através de um serviço oferecido pelas Vasta. 

A empresa ainda está desenvolvendo soluções para as frentes de matrícula online, marketplace de bolsas de estudos, marketing digital e CRM, ERP Financeiro e Acadêmico. 

Estas soluções ajudarão as escolas a atrair cada vez mais alunos, oferecê-los uma educação de excelência, não apenas segundo o currículo básico exigido pelo MEC, mas os preparando para os desafios da vida adulta e consequentemente conseguirão um maior grau de retenção de sua base de clientes. 

Modelo de negócios

As escolas que decidem por operar com serviços oferecidos pela Vasta, assinam contratos que vão de três a sete anos, o que garante uma grande previsibilidade de receita pela empresa. 

Hoje, mais de 4 mil escolas são clientes de algum serviço oferecido pela companhia, dentre um universo possível de mais de 17 mil. 

Os serviços oferecidos são customizáveis, então existe uma grande oportunidade de cross-sell, visto que as escolas que são parceiras atualmente, nem sempre adquirem todos os pacotes possíveis. Se o atual cliente está satisfeito com o serviço (conforme os níveis de NPS da empresa), ele tem mais chance de adquirir outras ofertas da Vasta. 

A Cogna acertou em cheio em dividir suas unidades de negócio, pois permite que o mercado precifique de maneira mais adequada a holding como um todo. 

Ao olharmos para a Vasta, temos uma empresa de plataform as a service (paas), que funciona em um modelo de assinaturas, onde o cliente pode montar seu pacote e paga mensalmente para a companhia de acordo com as funcionalidades escolhidas. Estamos diante de um negócio ainda com receitas recorrentes e previsíveis. 

O modelo é todo baseado em tecnologia, como foi possível observar através das novidades apresentadas aqui e serão ainda mais latentes com o passar do tempo e o lançamento de novas features

A Vasta é uma unidade asset light, visto que demanda pouco investimento em capital físico pois ela não tem o custo de criar e administrar uma escola do zero, com o pagamento de salários de professores, etc. 

Ela fornece soluções com viés tecnológico, fazendo com que os investimentos tenham que ser em profissionais da área e em grandes servidores. O custo disso tudo é muito menor e a escalabilidade é alta. 

Desenvolvido o sistema, ele precisa apenas de manutenção e de melhorias contínuas. Mas pouco importa se haverá uma ou mil escolas conectadas a esse sistema. A receita cresce muito mais rápido do que o custo. 

Essas características de asset light e alta escalabilidade, conferem ao negócio um grande potencial de crescimento.

Conclusão

A Vasta Educação é apenas uma das linhas de negócios da Cogna. A empresa também promete entregar um mindset mais voltado à tecnologia em suas outras áreas de negócios, mas certamente a Vasta se mostrou algo sem precedentes, em um mercado altamente fragmentado e com muitas oportunidades de melhorias. São características que gosto muito em uma empresa. 

Ainda precisa ser observado se os desenrolares serão como a empresa espera, mas me parece uma ótima oportunidade de longo prazo.  

Entendendo os títulos de crédito privado

Em um ambiente de taxas de juros baixas, os títulos de renda fixa de emissão corporativa ganham um papel importante dentro desta classe de investimentos. Isso é um fato que é observado em países desenvolvidos, onde o histórico de juros baixos é bem mais longo, possibilitando a observação empírica desta tendência. 

Grandes corporações brasileiras historicamente buscaram a emissão de dívida no exterior, visto que as taxas cobradas lá fora eram mais baixas do que em terras tupiniquins. 

A história mudou e diversas empresas estão quitando suas dívidas lá fora e realizando novas emissões no Brasil. Isso é um bom sinal, principalmente para o investidor de renda fixa, que passa a ter um leque de opções muito maior para investir. 

Os principais títulos de crédito privado que existem e chegam ao investidor são as debêntures, CRIs e CRAs. 

Remuneração

O primeiro ponto a se entender nos títulos de crédito privado é a forma de remuneração. 

Ao se investir em títulos soberanos, como o tesouro direto, o investidor mitiga todos os riscos possíveis e aplica na classe de ativos mais segura disponível, que só corre o risco soberano. 

Em pouquíssimas ocasiões na história vimos um país dar calote na dívida interna, então teoricamente o investidor está colocando seu dinheiro em um ativo livre de risco, que oferece uma determinada remuneração, dados os devidos prazos de vencimentos e demais características. 

Em um título de crédito privado, o emissor não é o governo e sim uma empresa não financeira. Essa empresa corre diversos riscos que a união não está submetida, como o risco de crédito (lembre-se que assumimos que o governo não dará calote), risco de mercado, como o surgimento de um novo concorrente para a empresa que emitiu a dívida, dizimando-a e fazendo-a perder diversos clientes; dentre outros riscos. 

Por conta destes riscos que a empresa corre e o governo não, o investidor exige uma remuneração maior do que se fosse emprestar dinheiro ao governo. Isso é algo lógico, visto que os riscos de uma empresa falir é maior do que o risco de o governo falir, por exemplo. 

Esta remuneração adicional que o investidor exige para adquirir um título de dívida privada é chamado de spread de crédito. Você já pode ter ouvido que o spread de crédito está se fechando ou abrindo. 

Se o spread está fechando, isso quer dizer que o mercado está exigindo uma taxa menor e se o spread está abrindo, isso significa que as novas emissões estão vindo com uma taxa maior. 

Vale dizer que “o mercado está aceitando” e “o investidor está exigindo” são sinônimos, visto que toda emissão nada mais é um acordo entre empresa e investidor de que eles concordam com as taxas que estão sendo emitidas. 

Quanto mais arriscada o mercado observar ser essa operação de emissão de dívida, maior será a taxa exigida. Grandes empresas têm seu status de boas pagadores, visto que dificilmente são ameaçadas. Neste caso, chamamos os títulos de High Grade, visto que eles são títulos que são avaliados como grau de investimento pelas agências de risco. 

Os títulos high grade apresentam uma remuneração pouco acima do que é observado no tesouro direto. 

Ao passo que as operações vão ficando mais arriscadas, com um prazo de duração maior, com emissores menores, que são mais suscetíveis aos riscos de mercado, a remuneração vai aumentando. 

As operações com maior risco são classificadas como High Yield, justamente por apresentarem uma remuneração maior. 

Um conceito que é extremamente importante de ser entendido, é que todos os títulos de renda fixa tem um valor de face que em geral é de R$1.000,00. Isso é uma convenção e é utilizado mundialmente. 

Valor de face é o que o investidor receberá no final do investimento. Assim sendo, se o investidor decidir comprar 25 unidades de um determinado título, ele irá receber ao final do seu período de investimento a quantia de R$25.000,00. 

A remuneração é dada a partir de quanto o investidor irá pagar neste título para comprá-lo. Imagine que a Localiza está emitindo uma dívida com prazo de vencimento de um ano, com juros de 10%. 

Se você decidir investir neste título, você estará comprando o mesmo por R$909,09, que aplicados 10%, resultará em um valor de R$1.000,00. 

Portanto, quanto maior o preço a ser pago no título, menor será a remuneração, visto que o montante final será de R$1.000,00. Ao passo que se o preço cai, o rendimento aumenta. 

Esta dinâmica é extremamente importante por conta das operações no mercado secundário. 

Crise em títulos de renda fixa?

No segundo semestre de 2019 observamos um fenômeno novo no mercado. Diversos fundos de investimento de renda fixa em crédito privado apresentavam cotas negativas diariamente. 

Vale dizer que a CVM obriga que os fundos divulguem diariamente as suas cotas, que nada mais seria do que a soma de todos os seus ativos segundo o preço que o mercado está dando. 

Esse fenômeno aconteceu pois muitos fundos detentores destes títulos precisavam vendê-los a qualquer custo, jogando o preço para baixo, no conhecido mecanismo de oferta e demanda. Se a oferta é muito alta, o preço cai. 

Os fundos precisavam se desfazer desses títulos, pois seus cotistas estavam pedindo resgate. Para pagar estes resgates, os gestores venderam estes papéis a qualquer custo para que pudessem devolver o dinheiro. 

Como vimos, quando o preço cai, a remuneração aumenta. Pudemos observar diversos títulos de bons emissores pagando taxas relativamente altas, justamente porque alguém precisou se desfazer deles. 

O motivo de resgates massivos é que com as quedas de juros, diversos investidores passaram a não mais ficar satisfeitos apenas com a renda fixa, que passou a oferecer rendimentos muito baixos comparados ao passado. 

Isso fez com que diversos deles solicitassem resgates. Como os ativos investidos por esses fundos não são tão líquidos, eles tiveram de se desfazer a qualquer custo, jogando os preços para baixo. 

Como o movimento foi muito grande, as cotas passaram a ficar negativas, pois o preço estava abaixo dos preços do dia anterior. O que aconteceu foi uma reação em cadeia que machucou bastante vários fundos de crédito privado. 

Isso causou um segundo movimento, que foi uma onda de cotistas que não estavam necessariamente insatisfeitos com o retorno desses fundos, mas ficaram tão assustados com um fundo de renda fixa rendendo negativo, que decidiram por sacar também, colocando ainda mais pressão nas gestoras para pagar resgates. 

Esse segundo movimento também derrubou muita gente e bilhões de reais foram pagos em resgates. 

Oportunidade

Essa onda de títulos de crédito privado no mercado fez com que seus preços caíssem, fazendo então que a taxa aumentasse. 

Gestoras que tinham dinheiro em caixa puderam aproveitar ótimas oportunidades de se beneficiar com isso e comprar das outras gestoras desesperadas, títulos high grade com um retorno substancialmente acima do normal atualmente. 

É por isso que ouvimos no noticiário nos últimos meses que o spread de crédito se abriu. Como a taxa aumentou, o spread entre título de crédito e o tesouro direto também aumentou. 

Olhando pelo lado técnico, fazia sentido a abertura do spread apenas se a condição geral de bons pagadores dos emissores de títulos tivesse piorado nos últimos seis meses. O que aconteceu, na verdade, foi o contrário. 

Com o país se recuperando da crise e a economia voltando a esquentar, a saúde financeira das empresas melhorou, o que corrobora com um fechamento do spread de crédito e não uma abertura.

Conclusão

É sempre importante também ter atenção ao critério de remuneração do título. Hoje em dia não é mais interessante adquirir títulos que sejam em percentual do CDI. É sempre melhor ter preferência em CDI+ ou IPCA+.

Insights: a você, saúde!

O ano de 2019 foi o momento em que as operadoras de saúde presentes na bolsa de valores caíram na graça dos investidores. Tanto NotreDame Intermédica, quanto Hapvida vivenciaram altas de mais de 100% no ano. 

Depois de ver substancial valorização, o investidor pode se perguntar se ele já perdeu a chance de entrar ou ainda pode investir nessas empresas. 

O modelo de negócios

As duas operadoras são caracterizadas por operarem de forma verticalizada, o que garante a maior vantagem competitiva dela, frente aos outros operadores de saúde. 

Quando dizemos que uma empresa é verticalizada, isso quer dizer que ela detém ao menos dois processos em sua cadeia de produção ou de serviços. 

Uma empresa que produz e vende roupas ao consumidor final é verticalizada, visto que ela recebe a matéria prima, confecciona as peças, tem o trabalho de logística para que os produtos cheguem às suas lojas e as vende aos seus consumidores, elaborando os devidos planos de estratégia de marketing e colocação, por exemplo. 

Hapvida e Intermédica são verticalizadas pois vendem aos seus clientes planos de saúde onde o paciente pode passar por consultas, realizar exames de laboratório e fazer cirurgias através de operações próprias. 

Isso quer dizer que o operador não tem de pagar à clínica ou ao laboratório por um exame pré-operatório, o que reduz o custo e da maior poder à empresa. Além disso, a empresa pode criar protocolos internos que funcionem de maneira ágil, diminuindo o tempo de espera do paciente entre exames e internação. 

Também é possível criar rotinas de exames preventivos, a fim de diminuir o índice de sinistralidade, que é o quanto a empresa gasta com solicitações dos pacientes, comparado ao faturamento com planos de saúde. 

A inflação médica é um grande problema e as operadoras verticalizadas excluem este ponto, uma vez que boa parte de seus médicos são contratados e não conveniados. Médicos e clínicas ganham por complexidade do exame e quantidade de visitas do paciente, enquanto que os mesmos contam com dados limitados sobre o cliente. 

Os hospitais também ganham mais quando os clientes ficam por mais tempo internado, além de verem suas receitas aumentarem quando os procedimentos aos quais os pacientes são submetidos são mais complexos. 

Como o operador consegue ter um maior controle sobre os custos de atendimento, essas empresas podem oferecer planos mais baratos, que ofereçam soluções completas para seus beneficiários. Além disso, a margem de lucro é maior, visto que a maior parte dos custos estão dentro de casa. 

Saúde no Brasil

O Brasil é o terceiro país que mais gasta no mundo com saúde, atrás apenas de EUA e China. Apesar disso, apenas 24% da população brasileira têm acesso à planos de saúde. 

O primeiro ponto que quero destacar, é que o sistema de saúde pública em nosso país é precário e está fadado ao fracasso. O governo já aprovou diversos planos de contenção de gastos e simplesmente não conseguirá arcar com toda a demanda de saúde que ocorrerá nos próximos anos. 

As filas de espera são enormes, não há agilidade nos atendimentos e pessoas com demandas urgentes não são atendidas. Infelizmente esta é a situação que mais de ¾ da população está submetida. 

O alto desemprego no país corrobora para a situação. Apesar de ser um gasto importante para as famílias, o custo com plano de saúde é alto e é muitas vezes cortado do orçamento em momento de crise. 

Além disso, diversas famílias só utilizam planos de saúde por conta do empregador, que muitas vezes concede o benefício aos seus funcionários. Quando o sujeito perde o emprego, perde também o plano de saúde e acaba não fazendo um novo plano individual ou familiar. 

Acontece que estamos no início de um ciclo de recuperação forte da economia. Com a recuperação da economia, diversos empregos serão gerados, como os dados recentes já estão mostrando. 

A recuperação dos empregos faz com que diversos planos corporativos passem a ser gerados novamente. Intermédica e Hapvida oferecem a solução para os planos corporativos, com a amenização da inflação médica. O empregador não tem mais que se preocupar com funcionários insatisfeitos com um plano de saúde ruim. 

E acredite, isso faz toda a diferença dentro de uma empresa. Oferecer o melhor suporte aos seus funcionários faz com que uma empresa saia de boa para excelente. Além disso, os melhores benefício atraem os melhores talentos. Como já diria André Ribeiro, da Brasil Capital: gente boa faz diferença. E gente ruim também faz. 

Some a isso o fato de que mesmo que as empresas não ofereçam o benefício, o cidadão que sai do desemprego e passa a ter renda, pode novamente fazer a aquisição de um plano de saúde individual ou familiar, o que gera um fluxo de receita para dentro da empresa. 

Novo panorama etário do brasileiro

A tendência demográfica brasileira tem mudado cada vez mais para um padrão mais próximo do observado nos países desenvolvidos, onde a população acima de 60 anos ganhou maior volume. 

Além disso, observamos nas últimas décadas um aumento substancial na expectativa do brasileiro, que ao viver mais, gastará mais com saúde. 

No geral, essa categoria é a que mais gasta com saúde. Ou seja, o mercado potencial está em expansão para as operadoras de saúde. A demanda será cada vez maior e vencerá a disputa as empresas de excelência que estiverem melhor preparadas. 

Oportunidade de consolidação

O setor de saúde é extremamente fragmentado no Brasil, com mais de 700 operadores espalhados por todo o país. De todo o mercado, Hapvida tem uma participação de 7,1%, sendo a segunda maior empresa em market share e Intermédica tem uma participação de 6,8%, na quarta colocação. 

Como já foi apresentado, o modelo de negócios das duas empresas é o vencedor neste mercado com inflação médica controlada, estrutura de incentivos alinhada e qualidade no atendimento. E elas já saíram na frente dos concorrentes, ganhando uma grandiosa escala sobre o restante. 

Tanto Hapvida, quanto NotreDame já saíram às compras em diversas vezes. A excelência operacional aparece também neste momento. Depois de fazer uma aquisição, a empresa deve realizar um trabalhoso processo de integração a fim de capturar sinergias. 

Podemos dizer que ambas as empresas fazem o estado da arte neste processo. Os processos de integração guiados por elas foram capazes de capturar sinergias em tempo recorde. 

A NotreDame foi uma empresa que surgiu dentro de um fundo de Private Equity da Bain&Co, uma das três maiores empresas de consultoria estratégica do mundo. Sabe aquela história da gente boa? 

Quando você tem ao seu lado os melhores consultores do mundo, pessoas que já passaram por diversos processos empresariais e já ajudaram as maiores empresas do país com suas demandas, essas integrações ficam mais fáceis e nisso a NotreDame tem vantagem frente à Hapvida. 

Isso não é, no entanto, uma crítica à Hapvida, que também tem um processo muito bem estruturado e consegue capturar sinergias de forma ágil. Apesar de um background de empresa familiar, a companhia tem diversos conselheiros independentes, além de um time de gestão altamente capacitado. 

Mas qual comprar?

Não é incomum encontrarmos ambas as empresas juntas nos portfólios dos mais renomados gestores de ações do Brasil. Então por que não as duas?

A Hapvida tem uma presença mais forte no nordeste, apesar de, através de seu processo de expansão, ter colocados os pés já nas cinco regiões do país. 

Além disso, o posicionamento de mercado da empresa tem um foco maior em vender planos de saúde baratos, acessíveis a qualquer um, o que configura à empresa um dos menores ticket médio do setor. Além disso, a empresa também tem força nos planos corporativos. 

Por oferecer planos mais acessíveis, a empresa tem um crescimento endereçável gigantesco, visto que a renda per capita do brasileiro ainda é baixa. Por ter sua operação verticalizada, a Hapvida consegue mitigar custos e por conta disso oferecer soluções mais baratas. 

A NotreDame por sua vez tem um foco de expansão em cinturões, fazendo aquisições ao seu redor e ir aumentando cada vez mais o raio deste cinturão. A empresa surgiu no estado de São Paulo e está ganhando cada vez mais relevância no sudeste. 

A empresa tem um foco muito forte nos planos corporativos, que oferecem uma fonte de receita mais previsível, o que ajuda no planejamento para outras aquisições, por exemplo. Atualmente, mais de 85% dos planos da empresa são corporativos. 

Os planos individuais ou familiares da Intermédica são mais caros, o que é possível pela presença massiva no sul/sudeste. Isso, no entanto, diminui o mercado potencial da empresa. 

Agora trago uma opcionalidade longuíssimo prazo. Em diversos conversas com gestores, já me foi ventilado a possibilidade de uma fusão entre as duas empresas. O smart money diz fazer sentido a fusão, visto que as empresas seriam complementares e teriam sinergias gigantescas a serem capturas. 

Se vai acontecer ou não, não tenho a capacidade de te dizer. É uma opcionalidade justamente por ser algo difícil de se prever e, consequentemente, a expectativa não está no preço de nenhuma das duas ações. 

O que já sabemos de antemão, é que saúde continuará a ser um serviço essencial. 

Insights: seus investimentos em 2020

Feita a introdução na semana passada, onde discorri sobre os principais fatos econômicos e políticos que devem acontecer ao longo de 2020, chegamos hoje a um maior nível de detalhe sobre as influências nas principais classes de ativos. 

É importante fazer novamente o disclaimer de que não quero aqui acessar o futuro e tentar adivinhar o que irá acontecer nos seus investimentos em 2020. O futuro é por definição física e mitológica, inacessível. Não se trata também de um exercício de adivinhação, visto que como já disse aqui, sou péssimo em fazer previsões, principalmente sobre o futuro. 

O que quero nas próximas linhas, é dar a minha opinião sobre o que acho mais provável que aconteça neste ano, sempre com a ciência de que na verdade, não temos certeza de nada e que por mais belo que possa parecer os acontecimentos abaixo narrados, eles podem simplesmente não acontecer e devemos estar preparados também para este cenário. 

Renda Fixa

O ano de 2019 foi atípico para os investimentos de renda fixa. A mais famosa classe de ativos de um país que sempre conviveu com juros nas alturas, foi definhando ao longo do ano e parece finalmente estar condizente com o resto do mundo. Explico. 

O histórico de juros alto no Brasil sempre fez com que o investidor pudesse ter ganhos da ordem de até 15% ao ano, basicamente sem correr nenhum risco, comprando títulos do governo através da plataforma do Tesouro Direto. 

Acredite você ou não, 15% sem qualquer forma de risco, é algo surreal e demasiadamente difícil de se alcançar, mesmo quando partimos para os investimentos com um pouco mais de risco. 

Não é difícil se deparar com um gráfico em que o CDI bate o Ibovespa ao longo da história. O Brasil era o país onde o investidor que não corria riscos, na média ganhava mais do que o investidor que corria os riscos da bolsa de valores. 

A literatura de finanças diz que quanto mais arriscado um investimento, maior deve ser o retorno esperado. No Brasil, o investidor que optava por mais risco, pagava ao invés de receber. 

A normalização da taxa de juros, aliado a uma extensa plataforma de reformas estruturais, fez com que a renda fixa, em especial as emitidas pelo governo, voltassem ao seu lugar normal, pagando nada mais do que retornos marginalmente acima da inflação, como deve ser. 

O Banco Central trouxe a Selic para seu menor patamar na história, aos 4,5%. Ao longo de 2020, pode haver um outra queda de 0,25%, o que encerraria o ciclo de quedas e deixaria o mercado esperando para um novo ciclo de alta, que não deve ocorrer este ano. 

Dito isso, para obter retornos que façam a diferença na sua rentabilidade final, o investidor terá de alongar os prazos e correr mais riscos. Em especial os vencimentos intermediários e longos ainda apresentam um gordurinha que pode fazer a diferença no final do ano. 

Prefira títulos com vencimento a partir de 2024. Existem diversas oportunidade de títulos prefixados e indexados à inflação a partir deste vencimento que apresentam um bom retorno.

A exposição ao risco em renda fixa pode ser feita a partir dos títulos de crédito privado, desde que de forma pulverizada, em diversos títulos. Além disso, é importante a exposição à bons emissores, que estão emitindo dívida para crescimento e não simplesmente para pagar outras dívidas. 

Ainda existem boas opções de títulos prefixados e indexados à inflação que estão mal precificados pelo mercado. Além de boa rentabilidade, caso sejam carregados até o vencimento, estes títulos podem apresentar uma boa oportunidade de lucro antes do vencimento, através do mercado secundário. 

Em certo momento do ano, a NTB-B50, título de inflação do governo em 2050, apresentava valorização superior a 50% no ano. Isso não acontecerá novamente, visto que o ciclo de corte de juros está próximo do fim e diversas opcionalidades já estão incorporadas no preço. 

A questão é que o mercado parece ter ficado relativamente pessimista com a inflação nos últimos meses de 2019. Isso fez com que o mercado passasse a enxergar altas nos juros ainda em 2020. 

Mas o que levou a inflação a acelerar no final do ano foram os choques de preços, os quais o Banco Central não está incomodado, visto que eles está de olho nos núcleos de inflação, que não consideram choques e ainda estão ancorados, corroborando para uma taxa Selic baixa. 

Multimercados

A classe que é representada por fundos de investimentos, é caracterizada por poder investir em qualquer ativo. 

Desde o início do milênio, estes fundos ganharam muita relevância, com ganhos vertiginosos no primeiro governo Lula, onde houve um grande queda de juros e os fundos puderam aproveitar isso através de apostas macro. 

Isso fez com que a fama dos Multimercados fosse de que eles só conseguem ganhar dinheiro em cenário de queda de juros, salvo raras exceções, como o Verde de Luis Stuhlberger, que também tinha maestria quando o assunto era câmbio. 

A verdade é que o cenário não é esse atualmente e os multimercados passaram a aproveitar cada vez mais o desenvolvimento da bolsa de valores para compor seus retornos. 

Vale dizer ainda que muitos fundos também sabem aproveitar a globalização e investem em diferentes países, principalmente em juros e moedas. 

Como estes veículos são livres para investir nas mais variadas classes de ativos, é importante que o investidor conheça o estilo de gestão no momento em que for investir em um destes. 

Não será difícil encontrar fundos com retorno excelente e pouca volatilidade nos últimos dois anos. O problema é que o cenário do último biênio foi de queda de juros e valorização massiva de ativos. 

Os juros não irão cair vertiginosamente a partir de agora e a valorização de ativos reais deve acontecer, mas deve ser feita a devida diligência para escolher os melhores cavalos. 

Não adianta, portanto, investir naquele fundo que apresentou um ótimo retorno nos últimos anos, investindo apenas na reprecificação dos títulos de renda fixa. Isso não irá mais acontecer e se o gestor não mudar sua alocação, o retorno do fundo será medíocre. 

O momento é de apostar em fundos multimercados com um viés maior de bolsa. Procure saber o background dos gestores e prefira os veículos que apresentam mais transparência. Se o fundo teve um retorno passado bacana, mas não apresentou de que forma isso aconteceu, então é melhor ficar de fora pois podem haver milhares de riscos escondidos. 

Prefira também os fundos com mandato para maior volatilidade, visto que os veículos que não têm este mandato, ficam muito amarrados e não podem colocar a estratégia para trabalhar a pleno vapor. 

Renda Variável

Esta é a classe que julgo ser a mais provável ganhadora de dinheiro dos próximos anos, através de ações e fundos imobiliários. 

Os ativos reais ganham muito valor quando os juros estão baixo e o governo deixa de por a mão onde não deve. Este é justamente o cenário atualmente. 

Em 2019 o Ibovespa apresentou uma bela valorização, mas ela foi causada totalmente pelos acontecimento de Brasília e a queda de juros. A partir de agora, devemos observar as ações se valorizando pelo crescimento de lucros das empresas, que deve vir de forma menos tímida a partir deste ano. 

Nos anos de crise, as empresas fizeram seu dever de casa e se tornaram mais enxutas e eficientes. Elas agora saem deste período ruim melhores do que entraram, uma vez que diversos concorrentes ficaram pelo caminho ou então foram incorporados. 

Isso faz com que o lucro potencial seja gigantesco. O país está na cabeceira da pista para decolar em 2020, o desemprego começa a diminuir, o consumo voltou de forma contundente após a Black Friday e o governo deve continuar fazendo sua parte em deixar a economia andar com as próprias pernas. 

Com este cenário, cada vez mais empregos serão gerados, os empresários irão tirar do papel os planos de investimentos das empresas e a roda da economia como um todo irá girar. Isso gera mais consumo, que aumenta o lucro das companhias e assim sucessivamente. 

O que é diferente de outras recuperações de crise, é que o principal motor da economia será justamente a economia privada. Com o governo fora da jogada, nenhuma demanda artificial será criada e o país pode crescer em seu ritmo adequado. 

Os juros baixos farão com que as pessoas possam ter acesso ao crédito, o que impulsiona o consumo e faz as empresas terem mais confiança para investir em projetos de expansão. 

Se em 2019 Brasília foi a responsável pela alta da bolsa, agora ela será coadjuvante. Se o governo ajudar e conseguir endereçar outras reformas em 2020, isso funcionará como catalisador para o crescimento e para a valorização dos ativos reais, como é o caso das ações e dos fundos imobiliários. 

Para o caso dos FIIs, também houve uma grande valorização em 2019, motivada por boas expectativas e queda de juros. Mas a procura por imóveis começará de verdade em 2020. 

A questão é que os projetos imobiliários são longos, a ponto que a demanda chega muito mais rápida que a oferta. Se a oferta permanece a mesma e a demanda aumenta, os preços irão subir. 

As vacâncias irão cair ainda mais e os aluguéis serão revisados para cima, aumentando o fluxo de aluguéis para o fundo e, consequentemente, para os cotistas. 

Dólar

Existe um ditado que diz que as previsões do câmbio foram criadas para humilhar os economistas. Se isso é verdade ou não, não nos cabe a discussão neste espaço. Fato é que previsões sobre o dólar são as mais difíceis e sem sentido de se fazer. 

O que quero oferecer a você, é uma das muitas explicações para um câmbio mais valorizado do que foi visto nos governos do PT. 

Como o Brasil sempre teve um juros muito alto, o investidor estrangeiro captava dinheiro lá fora e investia aqui para ter um alto ganho, sem riscos. Aquele mesmo cenário que foi discorrido na seção de renda fixa. 

Se o gringo capta lá fora e investe aqui, ele precisa trazer o dinheiro para o Brasil, onde ele irá vender seus dólares em troca de reais. Se há uma grande oferta de dólares no mercado, o preço dele cai e isso faz com que o câmbio brasileiro fique mais apreciado. 

Hoje o diferencial de juros entre Brasil e EUA é baixíssimo, ao ponto em que não compensa mais captar lá fora e investir aqui apenas para pegar este ganho sem risco. O real deixou de ser uma moeda de carrego, pois os ganhos sem riscos não existem mais por aqui. 

Outro fator que explica o dólar mais valorizado é o diferencial de crescimento. A economia dos EUA vai de vento em popa há 10 anos e ainda não mostrou sinais de que irá parar. Enquanto isso, a década perdida de 2010-19 apresentou crescimento real próximo a zero. 

Em um país com crescimento, os investimentos em ativos reais, como ações, por exemplo, costumam andar melhor, visto que o mercado acionário fica altista em períodos de expansão do produto. 

Por fim, o mundo anda meio nebuloso, com tensões geopolíticas espalhadas pelo globo terrestre. Os países emergentes estão sofrendo com guerras civis e situações econômicas críticas. O gringo tenta uma vez e toma porrada, tenta a segunda e toma outra porrada. Depois disso, ele quer um pouco de paz e volta para os países desenvolvidos, onde não há altos retornos, mas também não há risco de quebra. 

Quando o investidor estrangeiro tira dinheiro dos emergentes, ocorre o que é chamado de flight to quality, onde o investidor passa a alocar apenas em países de alta qualidade, ainda que tenha baixo retorno. 

Essas são três das milhares de explicações para um câmbio brasileiro mais depreciado. Dito isso, a taxa de câmbio de equilíbrio deve variar entre 3,90 e 4,20 realmente. 

Note que é uma banda relativamente alta e não estou nem dizendo que o câmbio terminará 2020 dentro deste intervalo. Como disse, as previsões para o dólar só nos fazem passar vergonha e o que devemos tentar fazer é apenas entender o que causa isso. 

O dólar funciona como uma boa proteção para sua carteira, visto que em momentos de estresse nos mercados, ele costuma se valorizar. Além disso, dólar é uma moeda forte e se tudo der errado, dólar ainda continua sendo dólar. E acredite, tudo pode dar errado. O que nos resta é estar devidamente protegidos. 

Insights: a economia em 2020

Passada a euforia da virada de ano, chegamos ao início, de fato, de 2020. Oficialmente o ano comercial começou na última quinta-feira, mas naquele espírito macunaímico preguiçoso, símbolo destacado por Mário de Andrade, o ano parece dar seu pontapé inicial apenas na segunda-feira que precede a primeira semana completa. O azar parece morar em anos de virada aos finais de semana. Sigamos. 

Como você deve ter ouvido das mais diversas fontes, 2019 foi um ano transformacional e foi responsável pelo alicerce da economia brasileira. Observamos diversas classes de ativos com valorizações expressivas. 

O que aconteceu em 2019

Fazendo uma síntese do que aconteceu, observamos o desenrolar dos fatos em Brasília e ficamos animados com os resultados obtidos. Apesar dos ruídos, a equipe econômica conseguiu endereçar aquela que talvez seja a principal reforma de nossa história republicana, com a aprovação da Reforma da Previdência. 

O tema dominou o noticiário por boa parte do ano e mudanças de cunho microeconômico ficaram para 2020. 

Enquanto isso, o crescimento esperado no início de 2019 não veio. Felizmente, a inflação também ficou ancorada. Tais feitos corroboraram para um corte de 2% na taxa Selic, que terminou o ano em seu menor patamar da história, em 4,5% ao ano. 

Este revisional de Selic para baixo foi outro fator que explicou a alta valorização dos ativos brasileiros. Ibovespa e IFIX, os dois principais índices de renda variável do país, representando as principais ações e fundos imobiliários, respectivamente, apresentaram valorizações superiores a 30% no ano. 

Enquanto isso, ao longo do ano tivemos diversos acontecimentos na disputa comercial entre China e Estados Unidos. As trocas de farpas ocorreram, mas ao que tudo indica, estamos perto da assinatura da fase um do acordo comercial. 

Os temores de recessão global aos poucos vão se afastando, com índices PMIs ainda tímidos, mas no campo positivo. 

Com os temores globais ao longo do ano de 2019, o ouro foi outra classe de investimentos que se beneficiou e teve uma valorização superior a 28%. 

No geral, para os ativos brasileiros, observamos uma valorização massiva, mas muito em função de expectativas dos acontecimentos em Brasília. Ações e fundos imobiliários se beneficiam muito de uma economia aquecida e de juros baixos e a antecipação do futuro guiou as valorizações observadas. 

Mas agora é o momento de olhar para 2020 e tentar entender o que podemos fazer com nossos investimentos. 

Não me entenda mal, não estou tentando fazer previsões sobre o ano. Tenho muita dificuldade em fazer previsões, principalmente sobre o futuro. O objetivo aqui é apenas discorrer sobre fatos que acredito que poderão impactar o mercado financeiro. Se eles vão mesmo acontecer ou se vão impactar de forma positiva ou negativa, só o futuro dirá. 

O segredo para viver em um mundo em que não entendemos já foi dado aqui: diversificação e noção de que entendemos pouco sobre o que ocorre daqui pra frente. 

Economia brasileira

O final de 2019 foi de otimismo com a economia brasileira. Guiado pelos resultados da Black Friday e do Natal, o consumo finalmente voltou a acelerar e o varejo comemorou o resultado destas duas datas de compras. 

O ano começou com as expectativas altas por parte dos agentes econômicos, mas o cenário não se desenhou como o esperado, já que os empresários estavam menos otimistas do que se esperava. Foi um primeiro semestre bem morno, com os desenrolares políticos tomando conta da agenda econômica. 

O segundo semestre foi mais interessante e semanalmente o crescimento do PIB foi sendo revisado para cima. O resultado oficial ainda será divulgado, mas o crescimento deve ser confirmado acima de 1%, algo que parecia difícil em meados de agosto. 

A confiança da indústria e do comércio aumentou e confirmamos isso com a criação de empregos formais, que a partir de setembro passou a aparecer de forma menos tímida. 

Esperamos que o crescimento acima de 2% finalmente apareça em 2020, apoiados nos dados apresentados acima. 

Enquanto isso, algumas reformas ainda devem ser aprovadas pelo governo para colocar o país de vez nos trilhos. Destaco três delas: Reforma Tributária, Pacto Federativo e Reforma Administrativa. 

As duas últimas ajudarão o governo em seu problema fiscal, enquanto a primeira será muito bem recebida pelos empresários. Uma simplificação tributária tornará o ambiente de negócios no país mais fácil, o que ajudará a se criar novos concorrentes, tanto nacionais, quanto internacionais. 

Este ambiente de competição é extremamente benéfico para o povo, uma vez que garante excelência nos produtos e serviços vendidos, sendo cobrado um preço justo. Além disso, gera novos empregos e arrecadação para o governo investir em área de alta necessidade, como educação, saúde e segurança. 

O governo também deve seguir com a privatização de algumas empresas, o que ajudará a limpar ainda mais sua folha de gastos e deixará à iniciativa privada o papel de dirigir empresas – que grande ideia, não?

O BNDES também deve começar a fazer desinvestimentos em suas empresas investidas, o que gerará um fluxo enorme de capital para dentro do banco, que poderá passar a dar crédito subsidiado à quem realmente necessita, que são as pequenas e médias empresas, ao passo que as grandes empresas devem se financiar através do mercado de capitais. 

A inflação assustou um pouco nos últimos meses do ano, mas deve terminar 2020 ainda abaixo da meta de 4,25% estabelecida pelo Banco Central. Vale dizer que o núcleo de inflação, que é uma medida para capturar a inflação, desconsiderando-se os choques de preços temporários, continua intacto e ancorado. 

A alta na inflação de novembro e dezembro de 2019 foi causada por choques nos preços de alimentos e de energia elétrica, que em geral obedecem a ciclos sazonais. Não houve uma mudança fundamental na dinâmica de oferta e demanda e os preços destes bens devem se normalizar ao longo do ano. 

Dito isso, o Banco Central não tem motivos aparentes para subir a Selic ao longo de 2020. Isso também não quer dizer que ela deve cair mais. Um corte adicional de 0,25% até é esperado pelo mercado em algum momento, mas não se surpreenda se ele não vier. 

Por mais que Roberto Campos Neto diga que o BC não olha para o dólar no momento de decidir sobre nossa taxa de juros, os constantes leilões de divisas feitos pelo Banco Central em momentos de alta expressiva da moeda levantam uma bandeira amarela. 

De qualquer forma, palmas para esta equipe do BC que foi capaz de trazer os juros para a mínima histórica. Na ausência de um período parecido em nosso passado, qualquer passo dado por esta turma deverá ser feito com base em muito estudo e de forma cautelosa. Não aguardamos muitas novidades neste campo ao longo de 2020. 

Economia mundial

Aqui a análise começa a ficar mais complicada, dada a quantidade de variáveis que se deve observar. O intuito aqui não será uma análise tão profunda, visto que existem tantos cenários possíveis, que provavelmente erraríamos feio se tentássemos prever algo com exatidão. 

Apesar disso, o Brasil não é uma ilha e os acontecimentos lá fora impactam o nosso país. 

A primeira coisa que devemos ficar de olho é a eleição americana em novembro. Apesar de parecer longe, em março já devemos começar a observar os acontecimentos referentes ao processo eleitoral, afetando os preços dos ativos no Brasil. 

Donald Trump parece ser o favorito para uma reeleição. Enquanto isso, o Partido Democrata deve ter eleições primárias conturbadas para escolher seu candidato. No momento, quatro concorrentes merecem destaque: Bernie Sanders e Elizabeth Warren, senadores e representantes da ala mais radical do partido; Joe Bidden, vice-presidente americano durante o mandato de Barack Obama e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York. 

Os ruídos sem dúvidas irão aparecer. Prever qual presidente o mercado espera que seja eleito e qual o impacto da eleição de cada um é uma tarefa que eu não irei me propor a fazer, com o risco de virar piada com o fiasco dos meus palpites. 

Além disso, dizer que o resultado das eleições irá afetar a trajetória de crescimento brasileira me parece exagerado, ao menos neste momento. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos parece ter dado uma trégua. Era de se esperar. Na iminência de um processo eleitoral e com a necessidade de fazer Wall Street feliz, Donald Trump não poderia levar essa guerra para outro patamar. Não faria sentido algum. 

O FED também parece ter encerrado seu ciclo de corte de juros, visto que a economia americana não para de crescer. Abaixar ainda mais as taxas de juros seria correr muito perigo inflacionário e Jerome Powell parece não estar pronto para correr este risco. 


Na Europa, o crescimento insiste em ficar ancorado, mesmo com o juros no campo negativo – ou o correto seria: principalmente por conta dos juros negativos? – mas os índices de atividades parecem começar a apresentar um tímido crescimento. 

A saúde da economia global como um todo, apesar de não estar viril como esperávamos, não apresenta tantos motivos para preocupação de recessão, como era no início do ano passado. 

Aos poucos a economia vai se levantando da cama. A grande questão é o que ela fará após levantar. Mais do que nunca, existe uma névoa sobre o futuro econômico mundial. Se as pessoas já não estão mais pessimistas, elas estão longe de estarem otimistas. 

Novamente, os acontecimentos impactam sim, mas acredito que seja difícil um fato externo quebrar o atual bull market brasileiro, apesar de que certamente aparecerão manchetes que te farão acreditar que sim. 

O último acontecimento foi a morte de um importante general iraniano pelos EUA. As tensões e ameaças se elevaram e o temor agora se volta para um guerra não comercial, mas sim bélica. 

Como bom especialista em conflitos militares que sou, não irei tentar explicar a você os diversos motivos que podem ou não acarretar em uma guerra. Eu até acredito que possa sim acontecer, mas não apostaria nisso. 

Por mais que o ataque pode ter sido uma manobra eleitoral por parte de Trump, acredito que isto deva sair do noticiário conforme caminharmos ao longo deste ano. 

Mas isso nos lembra mais uma vez da importância de sempre termos proteções à nossa carteira. Na presença de um caos mundial, nada irá se valorizar mais do que o ouro. E não podemos descartar de forma alguma que um caos mundial pode acontecer a qualquer momento. 

No campo dos países emergentes, o Brasil se mostra cada vez mais como líder em potencial de crescimento, com uma robusta plataforma de reformas, mão de obra abundante e capacidade ociosa. 

Apesar disso, o gringo olha o cenário na América Latina e se espanta um pouco. Em diversos países estamos vendo crises nos governos e a população tem se revoltado em nossos países vizinho. 

A Argentina recentemente elegeu novamente um Kirchnerista em Alberto Fernández, indicando a volta da esquerda ao comando do país.

Como já dito, o Brasil não é uma ilha e depois de apanhar tanto nos emergentes nos últimos dois anos, o gringo certamente irá aguardar o desenrolar dos fatos no Brasil antes de voltar a olhar para o país, mesmo que isto signifique que ele irá perder a primeira pernada de valorização dos ativos. 

Outro fato que ainda afasta o estrangeiro do Brasil é a ausência do grau de investimento das agência de classificação de risco. Esta nota de crédito é requisito para muitos investidores institucionais estrangeiros. O panorama é positivo para a recuperação da nota, mas não podemos garantir que será em 2020. 

Conclusão

Conseguimos fazer aqui um resumo do que aconteceu em 2019 e nos preparar para os acontecimento econômicos em 2020. Ao longo do mês teremos um outro artigo explicando como estes acontecimentos poderá atingir cada classe de ativos.