Dólar nas Alturas

R$ 5,25. Essa foi a máxima do dólar este ano. A maior da história. 30%. É a porcentagem que a moeda obteve de valorização somente em 2020. FED (banco central americano) estabelece linhas de acordos swap em dólares para dar liquidez às moedas de países como o Brasil. Medida tem objetivo de diminuir tensões nos mercados devido aos impactos do Coronavírus.

A pressão no câmbio brasileiro tem deixado dúvidas para investidores que possuem investimentos no exterior ou pretendem comprar a moeda, e as declarações e comportamentos dos representantes do governo e do banco central colocam a política cambial do país em cheque. 

Quando o dólar verá terra firme neste seu voo pelas alturas?

Entenda

A política cambial, da qual é responsabilidade do Banco Central, é um conjunto de instrumentos e ferramentas que um país utiliza para controlar e definir o valor de sua moeda em relação a outras no mercado mundial. Há mais de séculos que o comércio entre países, importações e exportações, existe como grande integrante da agenda econômica.

Assim, a política cambial tem o objetivo de criar um equilíbrio entre a relação (câmbio) das moedas para ajudar no desenvolvimento econômico do país. Dessa forma, a relação com o dólar, tido como moeda de maior importância no comércio mundial, é a relação do qual os investidores e os governos prestam mais atenção.

O Brasil já passou por inúmeras experiências com diferentes regimes cambiais. Acredito que alguns se lembram dos anos 1990, do real ser igualado ao valor do dólar. Naquela época, o país passava por um momento econômico distinto do de hoje, e utilizava uma ferramenta cambial, a de bandas cambiais, da qual o dólar poderia variar somente entre dois limites, muito próximos. Atualmente, o Brasil possui um regime flutuante, que determina o valor das moedas de acordo com a oferta e demanda.

Porém, em algumas ocasiões, o Banco Central aciona suas reservas oferecendo ou comprando dólar no mercado para evitar baixas e altas da moeda no curto e médio prazo. Portanto, o resultado de uma política cambial é a combinação de ações da equipe de governo juntamente com o contexto mundial e seu fluxo de transações e percepções de risco.

Dilemas dolarizados

Parece que quando o brasileiro está se acostumando com certa relação do câmbio Real com Dólar algo acontece para mudar. Aconteceu isso no final dos anos 90, após eleições de 2002, durante a copa do mundo e agora, pós eleições presidenciais de 2018. Veja abaixo o histórico da cotação dos últimos 25 anos, com alguns acontecimentos importantes.

Há sempre algum estudo comentando sobre a relação equilibrada para o câmbio, seja R$ 4,00 ou R$ 4,20 em termos atuais. Estes consideram o poder de compra de cada moeda e estudam o crescimento do país e a inflação do período para determinar uma relação de equilíbrio no câmbio. Porém, isso é muito diferente do que é praticado no free market, do qual é sujeito às pressões de compra e venda e do qual vemos notícias frequentes.

Muitos pensadores e políticos já se passaram pelos controles do ministério da fazenda e do banco central. Junto a eles, diferentes crenças de como liderar os ciclos econômicos em nosso país de tamanho continental e diferenças regionais gritantes existiram. Cada um com uma visão própria sobre como a política cambial deveria ser administrada. E para adicionar, cada um presente em um contexto econômico mundial diferente.

Os grandes dilemas dos últimos tempos relacionados com o câmbio trouxeram discussões quentes em relação à importância das exportações e importações brasileiras. Muitos acreditam que um câmbio desvalorizado favorece as exportações e assim ajuda no crescimento do PIB brasileiro, além de ajudar as empresas locais a se armarem melhor competitivamente.

Outros dizem que a abertura comercial brasileira deve ser flexibilizada e um câmbio valorizado ajuda o Brasil a importar mais barato e trazer inovações e investimentos para o país. O Brasil é exportador de algumas matérias primas e não de produtos acabados, resultando em mais discussão em torno da importância de exportar caro ou importar barato.

A relação acima pode ser colocada de maneira ainda mais detalhista dentro do dia a dia das empresas. O endividamento das mesmas, principalmente as que compram ou vendem para fora, também é afetado com variações no câmbio. Além disso, o câmbio é um fator que impacta variáveis importantes dentro da demanda agregada como inflação, investimento e consumo das famílias.

Um exemplo: se o câmbio é desvalorizado e as empresas possuem um endividamento de longo prazo em dólares, e importam matéria prima, a produção e a compra ficam mais caras. Isso afetará a inflação e saúde financeira dos negócios, ao mesmo tempo enfraquecendo o poder de compra da população com alguns produtos. Outro ponto importante, caso haja uma variação grande na taxa de câmbio, é a reavaliação de investimentos de empresas internacionais, resultando em possíveis paradas em projetos desta magnitude.

Além disso, o contexto de juros do país pode ajudar a reter dólares. Com juros muito altos em relação aos companheiros mundiais, o Brasil era um grande destino de investidores internacionais procurando investimentos seguros que pagavam um retorno acima da média.

O contexto mundial também é uma variável de grande peso dentro dos dilemas dolarizados.

A partir do momento em que o mundo cresce de maneira desigual, ou passa a sentir sintomas de recessão, ou há destaques de crescimento acima da média em alguns cantos do mundo, o fluxo de dólares em torno do planeta muda. Os focos de investimentos e as trocas de mercadorias mudam de acordo com a dinâmica da economia mundial. O Brasil sempre obteve alguma atenção dos investidores internacionais por vários motivos, sejam eles juros, produção de matéria prima e infraestrutura. 

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, o câmbio brasileiro não conseguiu sustentar a pressão que a crise da Rússia e o calote da Argentina causaram. O resultado foi a mudança de regime cambial e uma disparada do dólar em poucos meses. Durante as eleições de 2002, a desconfiança internacional sobre a eleição do ex-presidente Lula provocou uma retirada de dólares e especulação sobre a moeda que aumentaram o câmbio devido a percepção de risco de um governo contra mercado. Pouco tempo depois, veio a crise de 2008 que questionou a essência do capitalismo. Há alguns anos, vemos uma inconsistência no controle das políticas econômicas e uma perda de confiança do investidor internacional no Brasil.

Além disso, dívidas e reservas internacionais de um país influenciam muito a sua visão em relação aos patamares cambiais. O Brasil, historicamente sempre obteve uma dívida externa, atrelada ao dólar, relativamente alta.

As reservas internacionais também são fatores de peso, sendo que hoje, o Brasil conseguiu acumular reservas. Sendo assim, vender reservas no mercado e ganhar com uma desvalorização do real é uma estratégia de conseguir recursos. Isso mostra que patamares de uma moeda valorizada pode ser benéfico para pagamento de dívidas e criação de reservas nacionais. Atualmente, o país não possui grandes dívidas externas e pouca exposição ao câmbio.

Neblina e nuvens pela frente…

O ano de 2019 foi um ano marcante para recuperação econômica do Brasil. Ao seu final, indicadores e projeções apresentaram resultados otimistas e interessantes para o desenvolvimento do país. As constantes reduções da taxa de juros e o controle da inflação foram importantes passos para chegar em outro patamar. O nível risco-país mudou e a percepção sobre nós também. Além de apresentarmos um leve crescimento econômico.

No entanto, gestores e economistas consideram que o câmbio permanecerá em patamares um pouco mais elevados do que estamos acostumados devido a alguns pontos importantes considerando Brasil e o Mundo. A volatilidade mundial traz incertezas que impactam a percepção de investidores do mundo todo. O ano de 2019 registrou a maior retirada de capital estrangeiro da Bolsa, chegando a R$ 50 bilhões.

Tensões mundiais fazem com que investidores procurem ativos seguros. Para isso, os títulos do governo americano são referências. Assim, o fluxo de recursos internacionais se vira para os EUA. A guerra comercial dos EUA com a China se alastrou por muitos meses e ainda não teve um fechamento claro, deixando todos aflitos em como a ordem do comércio mundial será restaurada após negociações.

Junto à guerra comercial, a grande desaceleração dos grandes centros econômicos, como a Europa, e o corte de juros no mundo todo elevam os níveis de incerteza também. Estímulos econômicos estão sendo a saída para aumentar a liquidez do mercado e estimular investimentos e criação de emprego. Além disso, vemos uma atuação mais “conservadora” dos bancos ao redor do mundo, aprendizado gerado pela crise de 2008.

O Brasil está neste contexto apresentado acima. Enquanto o nosso país não apresentar um crescimento sustentável e notável para os investidores estrangeiros, junto com uma melhora da confiança mundial, a percepção desses ainda será de maior risco.

O Coronavírus está se alastrando pelo mundo e seus impactos ainda são desconhecidos para a economia mundial. Entretanto, um detalhe é certo: sua disseminação “atrasou” grande parte da economia mundial devido ao impacto na cadeia de suprimentos. Portanto, mais um motivo para que o foco do investidor estrangeiro fique fora de investimentos em países em desenvolvimento.

O comportamento da equipe econômica do Brasil já está muito claro para alguns investidores e até exagerada para outros. O câmbio desvalorizado é uma realidade assumida dentro do país e a atuação do Banco Central, apesar de estar ativa nessas últimas semanas, não é de abaixar o câmbio e sim controlar em patamares que acredita ser aceitável.

Dessa forma, a equipe do ministério acredita que o câmbio em patamares mais desvalorizados fará diferença dentro do contexto de crescimento de PIB, focando em exportações e vendas de reservas internacionais. Entretanto, isso é perigoso caso o Brasil não cresça no curto prazo.

O momento é de cautela. A atuação do Banco Central será para conter a alta e manter o controle. O governo e o mundo estão dando estímulos à economia para que nada pare de funcionar. Alguns setores aqui no Brasil irão sofrer mais com a alta do dólar, como a indústria farmacêutica e mecânica, e outros sairão mais contentes como o agropecuário e exportação de minério. A exposição ao dólar deve ser uma estratégia de diversificação e principalmente de proteção, variando entre 5% a 10% de sua carteira.

Por enquanto, poucos balões a mais, poucos balões a menos carregarão o dólar em um céu nublado…

Não coloque todos os seus ovos em uma cesta

“Não coloque todos os seus ovos em uma cesta”. É uma expressão comum, mas você sabia que também é um conselho valioso ao investir? A diversificação – uma estratégia comum na construção de um portfólio – envolve investir em uma variedade de ativos, em vez de uma classe de ativos específica. A diversificação é muito importante para reduzir o risco do portfólio de investimento.

Como a diversificação reduz o risco?  

Colocar todo o seu patrimônio líquido em uma classe de ações ou ativos é um empreendimento arriscado. Se a classe de ações ou ativo não performar ou cair 50% (como nesses dias de COVID-19), isso poderá causar um tremendo dano à sua carteira de investimentos. Ao diversificar seu portfólio, você distribui seu patrimônio líquido por várias classes de ativos que funcionam em diferentes direções, limitando assim as flutuações no seu desempenho.

É possível diversificar seu portfólio em várias classes de ativos e dentro de classe. É possível investir em renda fixa, ações, câmbio, fundos multimercados e fundos imobiliários. Dentro de renda fixa, é possível ter no portfólio, ativos pós fixados, pré fixados e indexados à inflação. Em ação, pode se virar sócio de empresas de consumo, varejo, aviação, tecnologia, etc. E assim por diante.

O que importa é a correlação entre os ativos. Por exemplo, as ações tendem a ser negativamente correlacionadas com o dólar e o ouro. No caso de uma correção no mercado de ações, esses ativos devem fornecer equilíbrio ao seu portfólio e potencialmente compensar perdas. Quando você combina ativos que têm correlações negativas, tende a ser benéfico e reduz o risco final do portfólio.

Por que é importante diversificar os investimentos  

Alguns investidores tendem a comprar ativos que tiveram um bom desempenho; essa é a mentalidade clássica de “perseguir retornos”. No entanto, é importante não se envolver nessa tática, porque os vencedores do ano passado costumam ser perdedores do ano seguinte. Em um ano, as ações internacionais poderiam ser o ativo com melhor desempenho, mas poderiam ser o ativo com pior desempenho no próximo ano. Ou até mesmo a pior classe em determinado período.

A diversificação pode colocá-lo em melhor posição para suportar quedas no desempenho e, portanto, manter o curso enquanto trabalha para alcançar seus objetivos financeiros. Dessa forma, se seu portfólio estiver exposto em um ativo que apresentar um desempenho ruim, você não será obrigado a vender baixo e aceitar grandes perdas.

Resumindo  

A alocação adequada de ativos é vista como fundamental para se tornar um investidor de sucesso. É por isso que diversificar seu portfólio pode ser tão importante: ajuda a compensar ativos com desempenho insatisfatório, para que você não seja obrigado a vender baixo e a sofrer perdas prejudiciais que afetam seus objetivos financeiros. Em vez disso, a diversificação permite absorver melhor quedas razoáveis no desempenho e manter o curso com seus investimentos, para que você tenha uma oportunidade melhor de atingir seus objetivos ao longo do seu horizonte de investimento.

Volatilidade e seus Investimentos

Volatilidade do coronavírus ainda não atinge mercado de câmbio” (Exame, 05 de Fevereiro de 2020)
“Dólar recupera-se de mínimas de 2 semanas; volatilidade do euro sobe” (Money Times, 26 de Fevereiro de 2020)
“Estrangeiro já retirou R$ 23,4 bilhões da Bolsa, e volatilidade assusta pessoa física” (Estadão, 11 de fevereiro de 2020)

Acima estão algumas manchetes de notícias que tomaram as frentes dos meios de comunicação do país. Todos trazem o termo de volatilidade em seus títulos, cada um com uma abordagem diferente. Mas afinal, seja você um investidor iniciante ou mais experiente, quem nunca ouviu o termo volatilidade dentro do contexto financeiro?

O uso da palavra “volatilidade” apresenta uma amplitude e um significado muito grande. Portanto, este texto ajudará você, leitor e investidor a entender mais sobre o conceito dentro do mercado financeiro. Além disso, é de extrema importância entender como que a volatilidade impacta as carteiras de investimento. 

O que é, então, volatilidade?

A volatilidade é um dos indicadores mais importantes dentro do ambiente de investimentos. As aplicações financeiras são influenciadas por variáveis intrínsecas (características dos próprios ativos) e variáveis extrínsecas (características do ambiente externo/mercado). Portanto, a volatilidade é um dos indicadores que ajudam a mensurar impactos que essas variáveis provocam nos valores dos ativos.

O que esse indicador mede?

A volatilidade é um indicador que mede a frequência e intensidade da variação do valor (preço) de um ativo. A forma mais comum de determinar esse número é através do cálculo do desvio padrão histórico do valor do ativo. Esta fórmula consiste em calcular a diferença dos valores observados com o valor médio do período, dividido pela quantidade de observações. Por curiosidade, a fórmula está indicada abaixo:

Além disso, é comum também encontrar a volatilidade de um ativo relacionado com um ativo do mercado, por exemplo o IBOVESPA ou o próprio CDI. Nesta forma, a variação do valor de um ativo é comparada com a oscilação desta referência do mercado. 

Mas, o que isso significa na prática?

Ao se deparar com o conceito de volatilidade nas notícias, na reunião com seu assessor ou estudando sobre o mercado, é necessário ter em mente, de forma simples, a seguinte relação: o quanto e como que o valor deste ativo varia, tanto para cima, tanto para baixo em um determinado período de tempo. Considere o exemplo: um ativo possui um preço médio de R$100 e sua volatilidade naquele momento é de 20%. Portanto, este ativo tem a probabilidade de valer R$80 a R$120, no período dado.

A volatilidade tem em sua essência a noção de variação. Ter em mente que os ativos variam de diferentes formas e reconhecer isso dentro de seu perfil e investimentos é uma maneira inteligente de trazer mais valor para sua carteira. Considerando a essência de variação, a volatilidade é também uma medida de conhecer o risco de uma carteira de investimentos.

Assim como qualquer situação no mercado, ao analisar e controlar a volatilidade dos seus investimentos, é possível encontrar oportunidades e ameaças que impactam seus ativos. Estudando a fundo como que os preços dos ativos variam, a hora de realizar ganhos e limitar prejuízos é algo administrável. Junto com um profissional dedicado ao seu lado, como um assessor de investimentos, é possível potencializar essas oportunidades e minimizar as ameaças que uma variação negativa de preços pode trazer para sua carteira.

E, quais são as causas da volatilidade?

A volatilidade do valor de um ativo existe decorrente de inúmeras variáveis internas e externas dos mesmos. Elas são pautas de discussões de diferentes tipos de analistas, sejam eles técnicos (baseados em gráficos) e fundamentalistas (baseados em demonstrativos financeiros e projeções de mercado). 

O valor de um ativo varia por pressões de oferta (venda) e demanda (compra), por projeções macro e microeconômicas, por notícias diretamente ou indiretamente relacionadas ao ativo, por análises passadas do valor do próprio ativo e projeções de como o gráfico do preço do ativo irá se comportar. Tudo se envolve ao redor da expectativa que aquele preço realmente pode ou não alcançar.

O contexto mais comum de vermos a volatilidade em pauta é nos preços das ações listadas na bolsa. Todos nós sabemos que o preço de uma ação de uma empresa sobe e desce todos os dias. Algumas vezes de forma mais amena, outras vezes de forma intensa.

Observe um exemplo real abaixo, do qual comparamos duas ações e suas volatilidade anuais.

Neste caso, as ações preferenciais da Petrobrás apresentaram uma volatilidade de cerca de 25% a mais do que as ações preferenciais do Itaú. Ou seja, o preço das ações da Petrobrás variaram muito mais para cima e para baixo do que os preços das ações do banco. 

Como a volatilidade impacta minha carteira?

O entendimento da variação é de extrema importância pois dará ao investidor uma gestão de risco mais completa. Ao administrar a volatilidade de sua carteira, o investidor consegue ter um controle maior sobre as altas e, principalmente, sobre as baixas dos ativos de seu portfólio de investimentos.

Prestar atenção nesses aspectos pode ajudar na rentabilidade tanto de curto quanto de longo prazo do seu portfólio. É importante ressaltar também que a volatilidade depende das diferentes classes ativos que estão alocados na carteira, do horizonte de tempo de investimento e do perfil do cliente.

A imagem abaixo mostra a volatilidade de duas carteiras, ambas com as mesmas características. Entretanto, uma foi montada com fundos somente de renda fixa, e outra foi montada com somente fundos de ações. Ou seja, a primeira possui menor volatilidade e risco, a segunda apresenta uma maior variação e risco.

Preste atenção na diferença das duas carteiras. O eixo vertical está muito diferente entre as duas. Enquanto a primeira carteira possui uma volatilidade média de 0,20%, a segunda possui uma volatilidade média de 20%. A simulação traz uma aplicação de R$ 100.000,00. Na primeira carteira, no período simulado, o ganho foi de R$ 25.000,00, já na segunda carteira, o ganho foi de R$ 55.000,00. 

Enquanto o investidor da carteira 1 não viu seu patrimônio subir e descer tanto, somente uma pequena subida e às vezes uma descida, o investidor da carteira 2 ficou muito mais exposto à variação, sendo sujeito à uma montanha russa de preços. No entanto, os dois tiveram investimentos rentáveis. Vai de cada perfil estar sujeito e aguentar diferentes níveis de variação.

O que devo fazer?

Busque informações e entenda: sempre tente aprender ao máximo sobre os produtos que está investindo, como eles se relacionam e o que está por trás das suas decisões. Existem muitas informações completas e simples em diferentes portais para capacitar ainda mais o investidor brasileiro. Caso já tenha um assessor, consulte seus conhecimentos, a pessoa que cuida dos seus investimentos está preparada para explicar como que os produtos funcionam.

Diversifique: tenha ativos de alta qualidade e de diferentes classes dentro de seu portfólio. Isso faz com que sua carteira possua uma constância maior e um controle maior sobre os riscos, e não sofra com momentos de instabilidade.

Paciência: tenha paciência para investir seus recursos. Foque no longo prazo e deixe seus investimentos trabalhar a favor do tempo e trabalhar por você. Muitas vezes o mercado irá passar por momentos de instabilidade e é importante o investidor saber entender isso. Reconhecer o momento, parar e analisar sua carteira e tomar a melhor decisão, junto com um profissional, é algo que, no futuro, fará um diferencial.

Tenha um profissional ao lado: investir sozinho é uma tarefa difícil que necessita de muito tempo e dedicação. Ter um profissional ao lado, como um assessor de investimentos, trará um respaldo, um profissionalismo e fará sua carteira de investimentos a sua cara, de acordo com o seu perfil. Além disso, com um assessor, os melhores produtos financeiros serão alocados e distribuídos para seu acesso.

Por mares nunca dantes navegados

Não sei como se sairiam nesta crise os navegantes portugueses. Por mais heroicos e cheios de coragem que fossem, como brilhantemente narrou Luís Vaz de Camões, acredito que não muito bem. 

Quando Ray Dalio, gestor do maior hedge fund do mundo perde um dinheiro absurdo, justamente por não saber como reagir ao momento, pode apostar que os resultados não serão muito animadores para os meros mortais que estão abaixo dele. 

Se você, assim como eu, perdeu dinheiro nesta crise – ou ao menos viu suas posições sendo marcadas para baixo – paciência, não dá para ganhar sempre. 

A questão é que hoje temos de tomar uma nova decisão permeada por riscos, incertezas e diversos caminhos a tomar. Cada um com seus prós e contras. Cada escolha uma renúncia, como diria o grande Chorão, anos atrás.

Mesmo que a decisão seja fazer nada, essa é uma decisão. Incorra em suas consequências. 

Dado o atual cenário mundial, com lockdown na maior parte do mundo, quais decisões devemos tomar com nossos investimentos a partir de agora?

Os impactos do Covid-19

Certamente teremos o novo Coronavírus impactando a economia mundial em 2020. Isso está dado, não tem o que fazer. A tarefa de gestores, estrategistas e analistas é de encontrar o quanto e por quanto tempo teremos as economias mundiais afetadas. 

A China parece voltar à normalidade depois de ser o epicentro do vírus. Ao governos chinês e demais países vizinhos, uma salva de palmas pelo exemplo de como se deve fazer um shutdown. A postura exemplar fez com que o vírus fosse dizimado por lá. 

O Coronavírus, no entanto, se espalhou rapidamente pelo resto do mundo, assolando de maneira mais séria a Itália. Espanha, Estados Unidos e Brasil estão entre os países que foram fortemente afetados também. 

A situação na Itália demorou a ser levada a sério e quando a população e o governo se tocaram, a situação já era bem crítica. O número de vítimas fatais já ultrapassou o que foi visto na China e faltam leitos de UTI para o país. 

Com todo esse fluxo negativo de notícias, bolsas ao redor do mundo desabaram, o dólar disparou contra outras moedas e os países ligaram um grande sinal de alerta. 

Ao que parece, a situação na Itália foi considerada o cenário base pelos agentes de mercado, que parecem precificar o pior cenário possível. Parece que o mercado não levou em consideração alguns critérios que facilitam a propagação do vírus na terra dos genoveses. 

As políticas públicas na Itália são precárias e o governo, novamente, demorou a tomar medidas necessárias para tratar o caso. O clima na Europa ainda é de bastante frio e um dos fatores mais importantes, a Itália é o segundo país do mundo em número de idosos em relação ao percentual total de habitantes. 

Infelizmente o vírus tem consequências muito sérias em pessoas de mais idade, que já se encontram com o sistema imunológico baixo e em diversos casos, já têm outras doenças que os acompanham. 

Outros países, como Coréia do Sul e Singapura foram rápidos ao agir, ordenando à população que permanecesse em casa e o shutdown comprovadamente é a forma mais eficaz de conter o avanço do Covid-19. 

Ao que parece, a vida segue normal nos países orientais, onde o vírus foi levado a sério desde o início. 

Ações coordenadas

Os bancos centrais ao redor do mundo foram rápidos ao agir. O FED agiu logo no início de março, cortando de forma extraordinária 0,5% de sua taxa de juros. Duas semanas depois, em outra reunião extraordinária, anunciaram o corte dos juros para 0%. 

Além disso, o BC americano reiniciou o quantitative easing, que é um afrouxamento monetário, com a recompra de títulos para injetar mais liquidez nos sistema. 

Além da política monetária, os EUA já se dispuseram a realizar diversos incentivos fiscais para prevenir possíveis quebras nas empresas e uma eventual crise de crédito, que poderia levar os bancos americanos à falência. 

Outros bancos centrais, como Inglaterra e Europeu anunciaram cortes de juros e incentivos fiscais, também buscando salvar a economia do continente de uma recessão mais forte. 

No Brasil, na última quarta-feira tivemos mais um corte na taxa Selic, com o Copom trazendo o juros básicos brasileiro para o patamar de 3,75%. Além disso, o governo brasileiro já anunciou incentivos fiscais e deve tomar novas medidas com o passar dos dias. 

O Brasil conta com um trunfo nesta crise por sua característica contra-cíclica em relação ao resto mundo. Aqui estamos no início do ciclo de recuperação de nossa pior recessão republicana. Existe um hiato do produto muito grande, a economia está estagnada, o desemprego está alto e a inflação está ancorada. 

Com o panorama mostrado acima, o BC não tem motivos para subir a Selic no curto prazo. Para ajudar a conter o dólar, que escalou desde meados de fevereiro, nosso Banco Central conseguiu um contrato de swaps cambiais com o FED. Além disso, contamos com imensas reservas cambiais que o governo pode leiloar caso ache necessário conter o câmbio. 

Teremos ainda uma demanda reprimida na economia brasileira em 2020. As pessoas irão consumir menos por um a três trimestres, o que irá afetar de alguma forma os lucros e margens das empresas.

As projeções de crescimento de PIB no Brasil foram revisadas para baixo, com previsões inclusive de PIB negativo. Mais sobre isso à frente. 

O que fazer agora?

É provável que muitos de vocês tenham visto grandes perdas em seus investimentos. Se tratando de investimentos, todo dia temos de tomar alguma decisão. Vender, manter ou comprar? 

Os ativos de riscos, quase que em sua totalidade, apresentam algum tipo de desvalorização. O que está precificado é uma perda de fundamento gigantesca e as revisões de PIB jogaram ainda mais água no chopp dos investidores. 

Devo lembrar, no entanto, que temos um grupo de empresas listadas que são as melhores do seu setor e definitivamente são as melhores empresas do Brasil. Este tipo de negócio é sólido, tem muita liquidez e em geral tem capacidade de atravessar tempos de crise. 

Isso é uma inferência empírica, ao passo que no quadriênio de 2015 a 2018 não tivemos crescimento de PIB. Ainda assim, essas empresas conseguiram entregar crescimento de lucro, ganho de participação no mercado e saíram da crise com uma posição ainda mais dominante frente aos concorrentes. 

O PIB estagnado afasta novos concorrentes. Se o cenário econômico não está satisfatório, as pessoas ficarão com mais ressalvas sobre abrir um novo negócio. O mesmo vale para possíveis concorrentes externos, que ao olhar para o Brasil, já encontram diversas dificuldades no ambiente de negócios. 

Se o cenário não estiver perfeito, eles também ficarão mais reticentes em abrir uma unidade no Brasil. Com isso, o profit pool do setor continua sendo dividido entre as empresas que já estão no mercado. 

A vantagem vai para as empresas com maior porte, caixa e linhas de crédito robustas, que possibilita à companhia atravessar a crise sem precisar cortar produção ou quadro de funcionários. 

Além disso, se a empresa tem uma situação financeira mais favorável, ela consegue conceder descontos mais agressivos, a ponto de enfraquecer os menores concorrentes, o que pode possibilitar uma quebra no concorrente ou até uma aquisição estratégica. 

Com isso, quando a crise for embora e os lucros do setor se normalizarem, as empresas terão uma fatia maior do mercado e um lucro ainda maior do que tinha antes da crise. 

Note, no entanto, que toda essa dinâmica demora algum tempo. Os ciclos empresariais demoram meses para acontecerem e é preciso paciência. 

As empresas estão muito descontadas desde seu último pico. Por mais que possa parecer que não, a crise causada pelo Covid-19, passa. Uma hora ela vai embora. 

Ao investir em renda variável, devemos ter um ambiente temporal de longo prazo. É provável que daqui a três anos vejamos a atual crise apenas como um pequeno lapso nos lucros corporativos. 

Eu não sei onde essa queda irá parar, qual será o real impacto do coronavírus nas economias ao redor do mundo e se estamos próximos de encontrar uma vacina. A questão é que uma hora essa crise passa. 

Se tratando de ativos de riscos, a oportunidade está dada. Se você não tem nada em renda variável, pode ser um ótimo momento para colocar um pé nisso. Para os que têm alguma coisa e viram essa parcela da carteira derreter, pode ser o momento de vender um pouco do que não caiu e recompor a posição perdida nas quedas. 

Sempre com a cabeça no longo prazo. O atual movimento de queda ainda pode se estender. Pode ser interessante ir comprando aos poucos. Como disse Luiz Parreiras em um call com investidores hoje (20/3) pela manhã, se trata de uma oportunidade como 2008 e quando subir, será muito rápido. 

A questão é que existe um fator psicológico. O investidor que quer acertar o fundo do movimento, pode ver o mercado disparar em um dia e esperar voltar, pois viu esse comportamento em momentos anteriores. Se a disparada se estende por uma semana, ele nunca mais compra, pois acredita que ficou caro. 

Não estamos tentando pegar o fundo do movimento. O objetivo aqui é comprar bons ativos, que gerem bons retornos daqui a cinco anos. Tudo e só isso. 

Alocação tática

Além de abrir oportunidade de alocação no Brasil, a recente queda nos mercados mundiais também gerou uma oportunidade nos EUA. 

Por muito tempo, gostamos da alocação em ações exclusivamente no Brasil, visto que as características econômicas aqui apresentadas eram mais interessantes do que no restante do mundo. O Brasil contava com uma história de crescimento muito bacana, início de ciclo e preços das ações ainda comprimidos. 

O S&P 500 trabalhou por 10 anos consecutivos em alta. A recente queda deixou o principal índice da bolsa americana em preços de recessão. Sabemos do poder monetário e fiscal dos EUA, que foi rápido ao tomar medidas para salvar sua economia. 

Donald Trump está em ano de eleição e pode apostar que ele fará de tudo para manter crescimento na economia americana para que consiga se reeleger. 

Quando de uma recuperação global na economia, o mercado acionário americano deve ser o primeiro a reagir, uma vez que existem menos fatores de riscos nos EUA. 

Faz sentido, portanto, uma alocação em bolsa americana para o momento, além de manter também uma alocação em bolsa brasileira. 

Proteções

Com a atual crise, cresceu também a busca por proteções. Vale lembrar que uma carteira bem diversificada entre as classes de ativos já é um ótima proteção. 

Em relação estritamente a ouro, dólar e opções, não faz tanto sentido neste momento. O dólar pode até continuar subindo, mas é interessante esperar mais um pouco para ter esse ativo em carteira. 

O ouro teve quedas recentes na busca dos investidores globais por liquidez. As opções estão caríssimas com a volatilidade nos ativos de risco nas alturas. 

Acredito ser necessário uma mescla desses ativos na sua carteira. No entanto, como não considero a quebra de fundamentos da tese de investimentos no Brasil como um cenário minimamente provável, acredito ser melhor esperar a poeira baixar para entrar nesses ativos. 

Conclusão

O mercado com seu caráter de maníaco depressivo por vezes nos faz acreditar que as coisas não irão melhorar e que o fim do mundo está próximo. Mas acredite, isso passa. 

Também não vale a pena sofrer pelas perdas passadas. Elas são doloridas mas são cicatrizes necessárias para nosso contínuo desenvolvimento como investidores. Ray Dalio perdeu dinheiro nesta crise por não saber o que fazer, segundo palavras dele mesmo. 

Se ajuda ainda mais, a turma do Verde também tomou uma ré em seus principais veículos. Se tem alguém que sabe investir e ganhar dinheiro é a dupla Luis Stulhberger e Luiz Parreiras da Verde. 

As perdas são normais, não conseguiremos acertar sempre e, principalmente, não iremos conseguir prever quando teremos o próximo cisne negro. Afinal, por definição, eles são imprevisíveis. 

Portugal não ouviu Luis de Camões quando o mesmo alertou em Os Lusíadas sobre um sociedade definhada. Desta vez existe uma dupla Luís/Luiz que nos alerta que a crise passa e que 2008 serve de escola. Cabe a você ouvir ou não.

Sua atitude nos momentos de crise e o reflexo no futuro de suas finanças

Estamos no meio de uma crise econômica mundial, uma das mais críticas da história, e que pode se tornar a pior delas pois ainda não acabou!

Mas neste artigo não vamos falar sobre cenário, política, COVID-19… vamos tratar apenas do comportamento dos investidores diante as tempestades no mercado.

Antes de ir direto ao ponto quero contar um pouco do que aprendi com as pessoas de maior sucesso financeiro que eu tive o prazer de conhecer, e observe que eu disse sucesso financeiro, pois nem sempre este vem acompanhado do sucesso profissional ou pessoal.

Assim como as pessoas de sucesso profissional ou pessoal não necessariamente alcançaram o seu sucesso financeiro, portanto é fato que ele não está relacionado aos demais, por isso as atitudes que esses “seres iluminados” tiveram com relação as suas finanças ao longo de suas vidas fizeram deles pessoas com grandes patrimônios.

Na maioria dos casos são de pessoas com mais de 50 anos e que iniciaram sua trajetória financeira de forma bem simples mas sempre com muita disciplina, objetivos bem definidos, certas vezes aprendendo com os tombos que a vida lhes deram, mas que hoje tratam os investimentos financeiros com muita maturidade. E isso me chamou muito a atenção.

Eles vivenciaram uma época em que o principal investimento financeiro era a poupança, e a poupança mesmo no auge de sua rentabilidade jamais deixou qualquer poupador no mínimo rico. Então eles somente conseguiram construir seus patrimônios através da aquisição de ativos que pudessem lhes trazer um melhor retorno, apurado entre o valor que os compraram e o valor da venda.

E é exatamente nesse tema que vamos focar nesse artigo: compra e venda.

O que podemos aprender com o sucesso deles?

Observei que todos tiveram a disciplina de poupar parte da sua renda ao longo de suas vidas, e somente após certa quantia acumulada começaram a diversificar parte desse recurso comprando ativos que pudessem valorizar mais do que o a caderneta de poupança. Já foi possível identificar nesse exemplo que todos 1- Sempre mantiveram uma reserva para imprevistos, a tão falada (e importantíssima) reserva de emergência dos dias atuais.

O próximo ponto foi a tomada de decisão em relação ao que comprar. Observei pelas histórias que nenhum deles comprou nada por impulso, 2-estavam capitalizados e poderiam comprar no momento mais oportuno; e 3-tinham um mínimo de conhecimento dos riscos que corriam, estavam com objetivos definidos e principalmente 4-não tinham prazo para se desfazerem de suas aquisições, afinal de contas em cada novo negócio estavam investindo anos e anos de reservas, aquilo tinha que dar certo!

Em nenhum caso as fortunas foram construídas em menos de 20 anos, e em nenhum deles os investidores se desfizeram de suas aquisições antes de 5 anos, a não ser para dar um salto ainda maior.

Agora trazendo para os dias atuais, em meio a toda essa turbulência de mercado que estamos vivendo, se você possui a sua reserva de emergência, tem uma parcela do seu capital que está arriscando em outros ativos para obter um melhor retorno, conhece os riscos desse mercado (como exemplo um investimento que pode render +10% em um único mês também pode ficar negativo em -10% no outro), não tem prazo definido para utilizar esse recurso, você não tem motivos para ficar sem dormir!

Falando especificamente de bolsa de valores, ela nada mais é do que um comércio onde de forma organizada compramos partes de grandes empresas, e como todo comércio a regra é clara: precisa dar lucro, senão quebra! E o lucro nesse caso, para o investidor, é simplesmente a diferença entre o valor que você comprou e o valor que você venderá. Simples assim!

“Mas a bolsa é extremamente arriscada!”

Quem disse que aquelas pessoas, lá no passado quando compraram um imóvel por exemplo, sempre tiveram ofertas de venda por preços acima do que eles pagaram?

Eles simplesmente esperam a hora certa de vender para depois comprar novos. Sem imediatismo! Pode ser porque não tinham uma tela piscando em sua frente o dia todo mostrando qual o valor do seu imóvel naquele exato momento, caso quisessem vender, oscilando entre “ganhos e perdas”. Reforço aqui que em ambos os casos, imóvel ou bolsa de valores, ganho ou perda só serão concretizados após efetivar a venda. Eles também passaram por algumas crises no passado e quando pergunto o que fizeram no momento 5-todos disseram que sempre surgia uma boa oportunidade e aproveitavam… muita coincidência não? risos

Costumo utilizar um exemplo muito prático nas minhas conversas com investidores. Pergunto a eles: Quanto vale o seu carro? Exemplo 70mil reais…

Eu o compro agora, pago 28mil! A resposta: Você está louco!

Eu insisto: Mas eu te pago a vista! Transfiro o dinheiro nesse momento para sua conta.

Dai escuto o que eu quero ouvir: Mas eu não preciso vender ele agora, muito menos por esse preço.

Então, se com o seu carro você não comete essa loucura, por que cometeria com seus investimentos? Só porque o mercado está oferecendo pouco pelos seus ativos naquele momento? Por que você se desespera a ponto de cometer esse suicídio financeiro?

Estamos direcionando esse artigo para investimentos em bolsa, mas como disse antes, essa regra vale para qualquer negociação. Basta você comprar caro e vender barato por algumas vezes consecutivas que você irá quebrar! Isso é fato. Independente do que esteja comprando e vendendo.

Por último quero usar um exemplo de finanças comportamentais que deixa bem claro que, quando ampliamos o horizonte de nossas decisões elas são muito mais assertivas.

Se oferecermos a um grupo de pessoas, meia caixa de bombom hoje ou uma caixa de bombom daqui uma semana, a maioria dirá que prefere meia caixa de bombom hoje! (atitude imediatista)

Reformulamos a pergunta para o mesmo grupo ampliando o prazo: Vocês preferem meia caixa de bombom daqui um ano ou uma caixa de bombom daqui um ano e uma semana?

Observe que o intervalo de entrega entre as caixas permanece o mesmo, uma semana, mas como o horizonte de decisão passou a ser daqui um ano, a maioria disse preferir a caixa inteira.

Vamos trazer esse comportamento para um exemplo prático do que aconteceu hoje 12 de março de 2020. O preço de fechamento das ações preferenciais das Petrobras S/A nesse pregão foi de R$12,60 (PETR4).

Exatamente um mês atrás, no dia 13 de fevereiro, a mesma ação teve seu preço de fechamento em R$29,72.

Eu te pergunto primeiro: conhece a Petrobras? Dispensa comentários.

Se você comprasse hoje ações dessa empresa, no valor de R$12,60 e essas ações voltassem a subir até R$25,20, teríamos uma valorização de +100%.

Mas quando isso vai acontecer? Quanto tempo vai durar essa crise? Ninguém sabe!

Pode ser que dure um mês? Quase impossível.

Dure uns 06 meses? Pouco provável.

1 ano? Acredito que até lá já tenhamos vencido a guerra contra o COVID-19 mas talvez o mercado não tenha se recuperado.

2 anos? Talvez sim. O histórico de outras crises já nos leva a acreditar nessa possibilidade.

3 anos? Nesse caso as chances do valor da ação voltar para “pelo menos” R$25,20 (bem abaixo do preço justo) já são muito grandes. E observem, quando esticamos o prazo, as chances de termos sucesso aumenta consideravelmente, e lembrem-se, estamos falando de 100% de valorização!

Hoje, qual investimento no Brasil poderá te oferecer um retorno de 100% em 03 anos?

Ok, mas algo pode dar errado e a ação não se valorizar nesse período. Então te pergunto: Qual a chance da ação da Petrobrás estar valendo em fevereiro de 2023, menos do que o valor atual de R$12,60? Também mínima certo? Mas se mesmo assim isso acontecer até lá, não tem problema, é só não vender! Afinal, não conheci ninguém até hoje que fez fortuna em apenas 03 anos!

Como declarar suas ações no imposto de renda de 2020

foto de um leão com uma cidade ao fundo, com foto de prédios.

Declaração de Imposto de Renda

O Leão acordou! Motivo de pânico? Nunca!

Esta semana a receita federal iniciou o período de Declaração de Imposto de Renda para o ano fechado de 2019. O período vai de 02 de março até dia 30 de abril. A população tem tempo de sobra para conseguir se orientar e realizar a sua declaração da melhor maneira possível. Esta é uma época da qual gera muita dúvida e anseios. Portanto, separe um tempo para organizar suas finanças e se informar sobre aquilo que fez parte de sua renda no ano de 2019, inclusive seus investimentos! Você já pagou tudo, fique tranquilo, agora é só declarar e esperar a verificação da Receita Federal. 

Por que ela existe? A declaração de imposto de renda existe para que o governo federal verifique se, durante o ano passado, cobrou da população a quantidade certa de impostos. A declaração não é um ato de pagamento, e sim um ato de verificação. Muitas vezes, uma pessoa pode declarar uma certa quantidade de recursos que na verdade foi a mais do que deveria ter pago no passado, então o governo restitui o valor calculado. Ou ao contrário, a pessoa pode ter pago menos imposto do que deveria, então, ficará na malha fina e precisará pagar o restante.

O que ela é? Um processo de compartilhamento de informações de renda, bens e rendimentos de um cidadão para o governo federal, com o objetivo de verificar a quantidade certa de imposto a ser cobrada e paga.

Como ela é feita? Ela é feita através de um aplicativo para computador disponibilizado pela própria Receita Federal. Para ter acesso, clique aqui.

Quem precisa declarar? A declaração não é obrigatória para todo mundo, mas ela gera benefícios para quem declara, como a restituição de valores e ficar em dia com o Fisco para poder conseguir vistos para viagens. No entanto, a regra geral para declaração é um salário anual maior do que cerca de R$ 28.000,00 ou um rendimento de mais de R$ 40.000,00 em investimentos. Além disso, as pessoas que têm posse de terras, bens (inclusive ações) e direitos são elegíveis para declarar seu imposto de renda.

Declaração de IR e Investimentos

Como dito acima, quem possui investimentos e rendimentos (aqui inclui lucros e prejuízos!) precisa notificá-los na sua declaração. Abaixo, é possível conferir todos os investimentos que possuem ou não a isenção do pagamento imposto de renda.

Os fundos de investimento possuem o imposto de renda retido na fonte quando há resgate, e quando não há resgate ocorre o come-cotas. As debêntures e os CDBs possuem a tabela regressiva de tributação, então fica mais fácil calcular a taxa de imposto de acordo com o tempo de aplicação e com o resgate. Os ativos que geram mais dúvidas nos investidores são os relacionados à bolsa de valores. O processo de recolhimento de imposto e de declaração das Ações, Juros sobre Capital Próprio e Dividendos geram diferentes tipos de perguntas que solucionaremos neste texto.

Tributação em Ações, Dividendos e Juros Sobre Capital Próprio

Dividendos

Os dividendos são parcelas do lucro de uma empresa em que ela decide distribuir para seus acionistas. Como é a distribuição de uma apuração do lucro da companhia, esse tipo de rendimento não é tributado, mas é preciso declarar. O lucro faz parte de demonstrativos financeiros que ao se descontar diversos custos e despesas, incluindo imposto de renda, se obtém o lucro. Portanto, o imposto não é aplicado neste caso, pois a empresa já o fez durante a apuração de seus resultados.

Juros sobre Capital Próprio (JCP)

O JCP também é uma medida de distribuição de recursos para os acionistas. No entanto, eles tomam como base o patrimônio líquido da empresa e as taxas de juros no longo prazo tomadas pela mesma. Como se trata de uma distribuição de recursos que não passa por uma apuração como os dividendos, os Juros sobre Capital Próprio são tributados.

Sendo assim, o JCP é tributado em 15% pela Receita Federal. Essa tributação é feita diretamente para a empresa que está distribuindo. Portanto, para o investidor, o recurso já vem descontado na fonte, basta declarar.

Ações

A tributação em ações funciona de maneira diferente em relação aos outros investimentos. Por esse fato, apresentaremos um fluxo de informações organizadas para que você não erre ao juntar as informações e calcular os números. É de extrema importância que o investidor tenha as informações prontas e organizadas para conseguir realizar suas declarações.

O pagamento do imposto em ações ocorre de maneira mensal, quando há venda. Se você não vender nada, não é preciso se preocupar em pagar imposto sobre ações. É preciso realizar a verificação do saldo mensal, e se houver ganhos, emitir e completar a DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais). Para emitir e saber completar este documento, clique aqui. Então, de maneira geral, o investidor opera em um mês, e paga os impostos no próximo. Existem alguns detalhes importantes que trataremos a seguir.

Antes de apresentar um passo-a-passo para declarar seus rendimentos em ações, é importante entender quando que acontece a tributação de ações. A imagem abaixo mostra uma diferença essencial: para as operações do mesmo dia (day trade – compra e venda no mesmo dia de pregão) são tributadas independentemente do valor e quantidade transacionada em 20% dos ganhos. Já as operações ocasionais, compra em um dia e venda em outro dia, são tributadas em 15% dos ganhos a partir do momento em que as suas vendas no mês ultrapassam R$ 20.000,00. Assim, a geração e pagamento da DARF ocorre nesta situação, caso contrário, não é preciso.

Uma observação importante: ao obter ganhos, no momento em que a operação ocorre, a corretora recolhe uma pequena porcentagem do imposto na fonte. Esta característica é chamada de “dedo-duro”. Assim, a receita federal reconhece todas as pessoas que compraram e venderam ações e precisam pagar imposto pela DARF e declarar depois. Isso é possível pois as compras e vendas estão cadastradas nos CPFs das pessoas. No caso de day-trade, o imposto “dedo-duro” recolhido é de 1% do lucro líquido das operações. Já nas operações ocasionais, o imposto é de 0,005% sobre o valor das vendas realizadas.

A seguir, um passo-a-passo é  apresentado para facilitar  o processo de declaração.

1 – Organize suas operações: antes de começar a realizar qualquer atividade relacionada diretamente com a declaração de imposto de renda, organize seus documentos e operações. Tenha em mãos todas suas notas de corretagem de compra e venda. Você, provavelmente, recebeu todas elas por e-mail da sua corretora. Além disso, como já mencionado, as DARFs são de extrema importância na declaração. Separe todas elas e já estará dando um grande passo para declarar suas ações com sucesso.

2 – Planilhe tudo e se prepare: após conseguir todos os documentos e informações possíveis, construa uma planilha ou alguma maneira de conseguir visualizar tudo com clareza. Neste passo, o preço médio de compra das suas operações precisa ser gerado. É este preço que acontecerá a conta se houve ou não prejuízo. Um exemplo: o cliente comprou, em dias diferentes, 1000 ações da ação ACAO3 a R$15 e R$20. O preço médio será de R$17,50. Na hora da venda, vendeu, em outro dia, todas as 2000 ações por R$25. Ou seja, houve um lucro de R$ 15.000,00. Neste caso, será aplicado o imposto de 15% sobre o ganho pois foi uma operação que aconteceu em dias diferentes.

3 – Separe suas operações por tipo de venda e por período mensal: separe suas operações em duas categorias diferentes: operações diárias (day trade) e operações ocasionais. A primeira é a ocasião em que a compra e venda de ações acontece no mesmo dia de pregão. A segunda é a ocasião em que a compra de uma ação acontece em um dia e a venda em outra. Então, organize suas operações de acordo com a data de venda. Separe por meses. O exemplo abaixo mostra como pode ser feito de maneira por operações ocasionais. Perceba que em todos os meses as vendas totalizaram mais de R$ 20.000,00, então, a tributação acontece.

Clique para ampliar a imagem.

4 – Organize seus ganhos e prejuízos mensais: como visto na figura, pode acontecer de algum mês o saldo das transações serem prejuízos. Então, este pode ser transferido para o próximo mês e descontado do saldo. Sempre lembrando de separar por mês e tipo de operação.

5 – Verifique as informações: antes de declarar, verifique todas as suas informações e operações do ano referente. É muito comum, para os investidores mais ativos, esquecer de algum detalhe que pode causar uma pendência na declaração.

6 – Entre no sistema de declaração – na jaula do leão! Agora que você possui todas as informações organizadas, fica mais fácil completar os campos do sistema. Abaixo, indicamos quais campos precisam ser completados com os casos aqui comentados:

  • Declaração dos Rendimentos: aqui destina-se a declaração de ganhos/perdas em relação a ações.
  • Dividendos: lembrando, os dividendos não são tributados, mas é preciso declará-los. Portanto, sua declaração será realizada na sessão: “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” e sob a linha “Lucros e Dividendos recebidos pelo titular e dependentes”. Neste campo, indique a empresa, o beneficiário (você ou o seu dependente) e o valor dos dividendos recebidos.
  • JCP: os juros sobre capital próprio serão declarados na sessão: “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva” e sob a linha “Outros rendimentos recebidos pelo titular”. Aqui você também terá que colocar um por um.
  • Lucro/Prejuízo em ações em que as vendas não totalizaram R$ 20.000,00: como vimos, você pode ter lucro em ações e mesmo assim não ter que pagar o imposto. Basta declarar. Na mesma sessão dos dividendos, você terá que ir para a linha “Ganhos líquidos em operações no mercado à vista de ações negociadas em bolsa de valores nas alienações realizadas até R$ 20.000, em cada mês, para o conjunto de ações”. Aqui, você terá que colocar os saldos conferidos nas suas planilhas.
  • Lucro/Prejuízo em ações em que as vendas totalizaram mais de R$ 20.000,00: esta parte terá um menu próprio. O menu se chama “Renda Variável”. Dentro deste menu, as ações ficaram na sessão de “Mercado a Vista” e no final, que considera o consolidado do mês. Dentro de “Mercado a Vista”, você terá espaço para declarar seus lucros/prejuízos no mercado ocasional e no day-trade. No espaço de “Consolidado do Mês”, você indicará o saldo final do mês em questão e os impostos pagos nas DARFs.

7 – Declaração das Ações: aqui destina-se a declaração do ativo em si. Como ações são participações de empresas, você adquire um bem. Então, é preciso declará-lo. Neste caso, não é preciso declarar mês por mês pois caso você não tem mais a ação de certa companhia, você desfez de seu bem. Então, é preciso declarar todas as ações que você tinha em carteira no dia 31 de dezembro do ano a ser declarado. Portanto, vá no menu de “Bens e Direitos” e clique em “Novo” para declarar a quantia em Reais que você possui daquelas ações das empresas.

Como mencionado, separe um tempo e organize seus documentos para a declaração do imposto de renda. Não é nada assustador e faz parte como dever de um cidadão. Sempre que possua dúvidas, estude, procure um profissional para ajudá-lo(a). A assessoria de investimentos consegue tirar suas dúvidas principais sobre o processo.