Deflação: o que muda na economia e nos títulos de inflação

Nos últimos tempos, a inflação não tem assombrado tanto os brasileiros, mas sim o seu oposto: a deflação. Em abril – primeiro mês completo de quarentena na pandemia – o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IBGE) registrou deflação de -0,31%. Esse número mostrou a maior retração mensal no IPCA desde agosto de 1998. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses também é a menor em mais de 21 anos.

Mas o que é deflação?

Antes de tudo, a deflação consiste numa taxa de inflação abaixo de zero ou negativa. É quando um índice de preços, que reflete uma determinada cesta de consumo, mostra queda na média dos preços coletados.

Para o consumidor, esta queda de preços pode parecer uma notícia positiva em um primeiro momento, a fim de aumentar o poder de compra das pessoas. Porém, se a deflação persistir, pode ser uma ameaça para a economia, pois a queda constante dos preços torna-se um incentivo para que se adie o consumo, podendo até reduzir a demanda de bens e serviços e prejudicando a geração de empregos e renda. A queda no índice de preços também faz com que a taxa de juro real (taxa de juros descontada a inflação) se torne maior.

Qual o cenário neste momento de quarentena?

Durante a pandemia, as pessoas continuaram consumindo alimentos e até aumentaram estoques, porém houve redução no uso de transportes públicos e privados, fazendo com que este segundo puxasse o índice para o lado negativo.

Segundo economistas, é difícil chegar a um quadro de deflação persistente no Brasil em 2020, a não ser que a quarentena se estenda por muito tempo. Porém é notória a retomada da economia em alguns países do mundo, e também em diversas regiões do Brasil.

Além disso, de acordo com as divulgações do Boletim Focus, o IPCA está projetado para o patamar de 1,57% no final de 2020, ficando abaixo das metas do governo. Mesmo havendo esta deflação pontual, ainda fecharemos o ano “com a inflação”.

E quanto aos títulos de inflação do mercado financeiro?

Trazendo para os investimentos de Renda Fixa em crédito privado atrelados a “IPCA + taxa”, haverá uma retração na rentabilidade desses ativos por parte do pagamento IPCA. E dependendo do valor da taxa pré-fixada, pode sim afetar o título como um todo neste mês pontual de inflação.

Porém, é imprescindível que haja resiliência por parte dos investidores em relação ao foco de horizonte a longo prazo para estes títulos, visto que a média anual para este tipo de taxa supera imensamente a taxa básica de juros (Selic), que está em seu menor patamar da história do país. O importante é que se tenha em mente que estes títulos garantem o poder de compra no longo prazo, com o pagamento do IPCA na rentabilidade.

Portanto, segundo economistas, a inflação será baixa nos próximos meses. Mas os cenários internos da economia têm mudado de forma muito rápida, dificultando projeções com a curva de juros, mas possivelmente normalizando os dados de inflação com o passar do tempo pós-quarentena, com a reabertura gradativa das economias.


Entenda o mecanismo de leilões da bolsa

O conhecimento sobre o funcionamento dos leilões da bolsa pode ser um dos conhecimentos que muitos investidores já se esbarraram e sentiram a necessidade se capacitarem para melhorar suas operações.

É importante saber a diferença dos termos leilão e pregão. O pregão é o período oficial de negociações de ações das quais acontecem as ordens, as transferências de ativos e recursos. Já o leilão, é um mecanismo da B3 usado durante os pregões para, de maneira geral, equilibrar os preços.

Existem três tipos de leilão que podem acontecer durante o pregão. O leilão de abertura do pregão, o leilão que encerra as atividades do dia e o leilão que ocorre durante o dia de negociação, isto é, durante um pregão normal.

Leilão de Abertura

O leilão de abertura é o período do qual o sistema da bolsa somente acata as ordens de venda e compra dos ativos no começo do dia. Não há execução de negócios e nem fluxo de recursos. Este período corresponde aos 15 minutos antecedentes a abertura do mercado de ações. 

Lembrando que a abertura de mercado e o leilão de abertura podem sofrer alterações durante o ano por causa dos horários de verão brasileiros e americanos. A bolsa brasileira sempre acompanha o mercado norte americano.

Como dito anteriormente, não há negociação efetiva de ativos neste período, mesmo que uma oferta de compra se case com outra de venda. Esse processo é importantíssimo para definir o preço inicial das ações para o começo de negócios.

As ordens colocadas neste período de 15 minutos antes da abertura do mercado não podem ser canceladas. O leilão de abertura, portanto, é essencial para determinar um equilíbrio na formação do preço naquele dia.

Este preço é de extrema importância no mercado de ações, pois é ele quem inicia as negociações, comparando com os preços passados e futuros do mesmo dia. Além disso, os preços dos ativos podem ser influenciados por outros mercados já abertos no mundo ou acontecimentos do próprio país. Qualquer investidor e ativo pode participar do leilão de abertura.

Leilão de Ações

Os leilões de ações podem acontecer a qualquer momento durante o pregão. Eles são mecanismos da bolsa que respeitam certas regras:

  • Valorização ou desvalorização a partir de 10% no preço de uma ação em relação ao fechamento do dia anterior, antes da abertura do pregão
  • Valorização ou desvalorização a partir de 10% no preço de uma ação em relação de abertura do dia, no decorrer da sessão
  • Oscilação de preço entre 10% a 20% em relação ao último preço do papel antes de entrar em leilão.

Desta forma, os leilões de ações podem ser ativados a qualquer momento e inúmeras vezes durante o dia, se necessário. Seu principal papel é de evitar grandes oscilações de preços dos ativos em um período de tempo. Seu tempo de duração é de cinco minutos. 

Assim como o de abertura, os ativos param de negociar entre investidores e o sistema volta a acatar somente ordens de compra e venda. Depois de 5 minutos, as negociações voltam. Qualquer ativo e investidor pode participar deste leilão.

Leilão de Fechamento

O leilão de fechamento acontece durante os cinco minutos que antecedem o término do pregão, e isto pode variar também por causa das mesmas situações que o contexto do leilão de abertura. Ele possui as mesmas características que o leilão de abertura, sendo somente uma diferente.

A característica essencial é o fato de somente alguns ativos participarem deste período de negociação. Estes precisam fazer parte de alguma das carteiras de índice da B3, não necessariamente do Ibovespa. Pode ser o Índice Brasil 100, por exemplo.

Assim como o leilão de abertura, o de fechamento representa um momento crítico para o pregão, pois determina o preço do ativo naquele dia e também acata ordens e não executa negociações. Além disso, o crescente volume de negociações na última hora do pregão mostra ainda mais importância para esse mecanismo.

Uma curiosidade é as ofertas de compra e venda feitas pelos investidores delimitadas para serem realizadas com o preço de fechamento. Existe uma opção no home broker para comprarem e venderem ações de acordo com o preço estipulado somente pelo leilão de fechamento.

Assim, logo quando o leilão é finalizado, as ordens são realizadas e o mercado fecha. Este tipo de operação é mais arriscado, pois o investidor não consegue desfazer da posição e fica sujeito ao preço do leilão de abertura do dia seguinte.

Expanda seu conhecimento sobre investimentos em ações. Confira o vídeo abaixo:




Imposto sobre os dividendos!

Talvez ao ler o título desse artigo, logo de cara você pode ter pensado: “Essa pessoa está maluca?” ou “Não existe imposto sobre dividendos.”. De fato, concordo com os pensamentos que alguém possa ter tido ao ler o título da matéria, mas saiba que nem sempre foi desta maneira.

Você sabia que os dividendos recebidos de ações nem sempre foram isentos de imposto? Acredito que se você for um investidor mais velho, e mais experiente, saiba do que estou falando!

Mas para os que não fazem a menor ideia do que estou dizendo, irei explicar. O ano de 1995 foi o marco histórico deste assunto, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso fez a edição da Lei nº 9.249 em 26 de dezembro de 1995, onde dizia que “…os lucros e dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficam sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário.”.

Com isso, a partir de Janeiro de 1996, apenas as Pessoas Jurídicas passaram a ser as únicas não isentas de imposto sobre o lucro obtido. A ideia era evitar uma bitributação. Ou seja, impedir que o imposto de renda fosse cobrado duas vezes sobre o mesmo lucro.

Por curiosidade, vamos voltar um pouco mais no tempo, em 1924, quando foi realizada a primeira declaração de imposto de renda de pessoa física. Os lucros derivados do comércio e indústria eram classificados como ‘Rendimentos de 1° categoria’, ou seja, os rendimentos de trabalho dependente.

Dois anos depois, em 1926, as categorias de imposto foram transformadas em cédulas e os rendimentos de lucros e dividendos fizeram parte da cédula F, classificação que ficou mantida até a extinção dos rendimentos cedulares na declaração do exercício de 1990.

Mas o que era a cédula F? Ela significava: ‘Capitais aplicados em dívidas públicas.’, ela permitia deduções de despesas relacionadas com a percepção de rendimentos.

Por fim, em 1995 aconteceu o que agora todos já sabemos, a isenção do imposto de renda na fonte, sobre os dividendos. Vale ressaltar que o JCP (Juros sobre capital próprio) não é isento de IR, e o mesmo é retido na fonte (conhecido como o ‘dedo duro’, para a receita federal).

Ao final de todo esse aprendizado, talvez alguns afirmem: ‘Nada mais justo, após tanto imposto pago em tudo neste país’. Em primeiro lugar, quero deixar claro que meu ponto não é dizer o que é justo ou não, mas é importante mencionar que essas regras de tributação são aplicadas apenas no Brasil.

O que eu quero dizer com isso? Cada país, enquanto Estado Soberano, tem suas próprias formas de realizar a tributação sobre os dividendos. Veja abaixo alguns exemplos de tributações sobre dividendos em outros países, de Pessoa física e jurídica:

Conclusão

Como podem perceber, os únicos três países no mundo que não cobram impostos sobre os dividendos para pessoa física são: Brasil, Estônia e a Letônia.

Até quando continuaremos assim? É uma boa pergunta, que pode ser respondida em um próximo artigo, caso algum dia essa Lei 9.249 seja alterada.

Quer saber mais sobre dividendos ? assista ao vídeo abaixo.



O famoso Tesouro Direto

A primeira coisa que precisamos entender é que Tesouro Direto não é um investimento e sim uma plataforma on-line. Através dela os investidores podem comprar títulos do governo federal diretamente da secretaria do Tesouro Nacional. O Tesouro Direto vende 3 tipos indexadores (pós-fixado, prefixado e vinculado a inflação) em 3 diferente ativos (LFT, LTN, NTN). Todos suportados pela fé e crédito do governo Brasil e usados para financiar a dívida federal. 

LFT (Letra Financeira do Tesouro) ou Tesouro Selic 

É o ativo mais simples e mais conservador emitido pelo Governo Federal. A rentabilidade dele é pós-fixada e como o nome diz, segue a Taxa Selic. Se essa taxa cai, o rendimento cai e vice-versa. Hoje essa taxa está em 3,00% ao ano, com a previsão de queda ao longo do ano. Excelente alternativa à caderneta de poupança, pois é mais seguro que a poupança, não precisa esperar a data de aniversário e rende mais. Quando falamos de reserva de emergência, faz sentido considerar esse título público como uma alternativa viável, uma vez que deve ser priorizada a liquidez e segurança do papel.

A LTN (Letra do Tesouro Nacional) ou Tesouro Prefixado 

Tem sua rentabilidade prefixada, o que significa que já é conhecida no momento da aplicação. Ela representa uma alternativa interessante de investimento, pois além de ser um ativo altamente líquido, é considerada livre de risco de crédito, uma vez que o emissor é o próprio governo. Você não precisa carregar o papel até o vencimento, porém, ao optar por sair antecipadamente, você estará sujeito ao risco de mercado. Essa oscilação nas taxas pode fazer com que seu papel se torne mais ou menos interessante para o mercado. Caso seu título esteja sendo negociado a uma taxa superior a do mercado, você poderá negociá-lo com um ágio, ou, caso a taxa seja inferior, com um deságio.

NTN (Nota do Tesouro Nacional) 

Essa é a mais complexa, pois pode ser prefixada ou vinculada à inflação. Pode pagar juros semestrais, como também só pagar juros no vencimento. A NTN-F ou Tesouro Prefixado é semelhante à LTN (Letra do Tesouro Nacional) explicada no parágrafo anterior com a diferença de ter um prazo mais longo e pagar juros semestrais.

A NTN-B ou Tesouro IPC-A+ é o título vinculado à inflação. O valor principal aumenta à medida que a inflação aumenta (ou diminui se houver deflação). Esse ativo também paga juros à uma taxa prefixada que pode ser semestral ou apenas no vencimento. Excelente para investimentos de maior prazo. Apenas atenção pois o resgate antecipado, apesar de ser garantido a recompra pelo governo, sofre oscilações de mercado que podem gerar prejuízo.

Para investir nesses ativos garantidos pelo Governo, é necessário ter uma conta bancária ou em uma corretora. É possível fazer direto nessas contas ou através do site do Tesouro Direto em que você escolhe a instituição financeira a qual você deseja que guarde seus ativos. Por fim, vale a observação que apesar de serem excelentes investimentos (principalmente para quem está começando a investir), precisa estar alinhado com seu perfil e com seus objetivos financeiros. Não invista pelo fato de um amigo ter te indicado ou porque você escutou no rádio.

Quer saber mais sobre Tesouro direto assista ao vídeo abaixo:



Tenha medo do Leão

Neste sábado, 23/05 foi realizado o webinar “Tenha Medo do Leão”, com a presença de David Leite, sócio-fundador da Contabilidade da Bolsa e intermediação de Leonardo Peggau, sócio da BlueTrade Invest.

Alguns principais tópicos foram abordados. Alguns deles foi a famosa “malha fina”. Ela acontece de 3 formas: a malha de pagamento – quando não se efetua pagamento de IR obrigatório, a malha de preenchimento de cadastros – informação de dados incorretos na origem de despesas ou receitas, e a malha fiscal – a principal, para quem investe em Bolsa e simplesmente não declara, pois a receita sabe que foi feito este investimento através do “dedo-duro”.

Há também a possibilidade de declaração retida caso o declarante tenha recebimentos de aluguéis, ou pensão, ou outros rendimentos recebidos de PF ou PJ, e não declara tais rendimentos.

É importante também a declaração da custódia de ações em que você encerra o período. Nisso, é importante lembrar que os preços das ações a serem lançados é por meio do custo médio ponderado de compra de cada ativo, e não o preço atualizado de mercado.

A Receita conhece suas movimentações, sempre por meio do “dedo-duro” ou recebimento de dividendos. Lembrando que o “dedo-duro” refere-se ao IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) que é recolhido obrigatóriamente sobre as vendas de operações comuns ou Day-Trade.

No caso de compensação de prejuízos, existem 3 tipos de saldos, onde os mesmos não podem ser misturados e utilizados um com o outro: Operações Normais (ações, opções, ETFs), Day-Trade (ações, opções, ETFs) e Operações em Fundos Imobiliários (normais ou day-trade).

Veja a live completa no link abaixo e tire suas dúvidas.



Você pode enviar suas dúvidas sobre o tema para o e-mail educacao@investientosblue.com.br.

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E o ouro, como fica?

Quando a economia entra em crise, como a atual que estamos vivendo, os investidores tendem a fugir do risco e buscam um porto seguro para colocar parte dos seus investimentos. E sempre que o ouro parece que está subindo, há uma corrida para comprar, esperando que ele continue a subir. No entanto, antes de decidir comprar ouro imediatamente, é uma boa ideia dar um passo atrás. O ouro é um ativo como qualquer outro – pode subir ou cair devido ao momento de mercado. Embora o ouro tenha uma longa história como dinheiro, isso não significa que é a melhor escolha para seu portfólio. Dito isto, existem algumas boas razões para incluir ouro em seu portfólio, mas nem tanto.

Por que as pessoas gostam tanto de ouro?  

Parte da explicação vem de sua história. Em muitos casos, isso tem a ver com a idéia de que o ouro é, bem, ouro. É valioso há milhares de anos. Ao contrário de muito do nosso dinheiro hoje, que acessamos via cartão ou fazendo transferências, é possível tocar em ouro.

É fácil olhar para o ouro e ver o valor tangível. Porém, lembre-se de que o preço do ouro sobe e desce como outros ativos. Os movimentos de preços nem sempre são baseados em algum tipo de valor intrínseco. A percepção de como os mercados estão indo, a força das moedas (principalmente o dólar americano) e outros fatores influenciam o valor do ouro. 

Proteção contra a Inflação 

Uma das maiores razões para incluir ouro em seu portfólio é proteger-se contra a inflação. Como veículo de armazenamento de valor, o ouro conseguiu se sair muito bem ao longo do tempo. A inflação pode corroer o poder de compra da moeda (já falamos sobre isso aqui), mas o ouro pode ajudá-lo a se proteger contra essa perda de valor. Por isso, mesmo quando o ouro não está subindo rapidamente, ainda é considerado uma maneira bastante decente de não perder a inflação. 

Diversidade de ativos em seu portfólio  

Se você não acha que renda fixa e ações oferecem diversidade suficiente, adicionar um pouco de ouro pode ajudá-lo a se sentir mais confortável. O ouro geralmente se move oposto ao mercado de ações. Portanto, se o mercado de ações cair, o ouro geralmente subirá (ênfase no geralmente). Se você deseja adicionar algum equilíbrio ao seu portfólio, o ouro pode ser uma maneira de fazê-lo, diversificando seus ativos de maneira a protegê-lo parcialmente de um evento no mercado. 

Quanto de ouro você deve ter em seus investimentos? 

Seu portfólio deve ser estruturado de forma a ajudá-lo a alcançar seus objetivos de longo prazo. O ouro pode ter um lugar. No entanto, muitos especialistas alertam que você deve ter cuidado com a quantidade de ouro a incluir em seu portfólio. Uma regra prática é limitar o ouro a não mais que 2,5% a 5% do seu portfólio. Dependendo da sua situação e da sua tolerância ao risco, você pode se sentir mais confortável com uma parcela maior ou menor de ouro em seu portfólio de investimentos. 

Ouro não gera riqueza 

Diferente de investir em uma ação em que a empresa produz, gera receita e te paga lucros, ouro é apenas ouro. Warren Buffett há muito tempo defende que investir em ouro é “estúpido”. Ele disse em 2009: “A única coisa que posso dizer é que o ouro não fará nada entre agora e depois, exceto olhar para você. Considerando que, a Coca-Cola estará ganhando dinheiro, e acho que a Wells Fargo estará ganhando muito dinheiro – é muito melhor ter um ganso que continua botando ovos do que um ganso que fica sentado…”

Portanto, tenha apenas uma pequena parte do seu portfólio de investimentos em ouro em prol da diversificação. No final, o ouro pode ser uma boa adição ao seu portfólio – desde que você saiba porquê o incluiu e por qual motivo isso ajuda a alcançar seus objetivos financeiros a longo prazo.

*Eliseu Hernandez D’Oliveira é assessor de investimento da Blue Trade, formado em economia pelo Instituto Insper e mestre em economia pela Universidade de Brasília

Diversificação é o “almoço grátis” nas finanças

A expressão “Não existe essa coisa de almoço grátis” foi popularizada pelo economista Milton Friedman. Ela expressa que para ter retornos maiores é necessário riscos e/ou custos maiores. Porém, o economista Harry Markowitz, vencedor do Prêmio Nobel, foi o primeiro a demonstrar que um portfólio diversificado pode oferecer melhor desempenho e menor risco em relação às classes de ativos individuais devido a correlação entre esses ativos.

Livros sobre investimento geralmente sugerem investir no exterior como um método de diversificar seu portfólio. Existem várias razões pelas quais investir no exterior pode ser uma boa ideia.

Se o mercado de um país ou região está indo mal, outro pode estar indo bem. Misturar os retornos de várias regiões ajuda a suavizar o retorno de seus investimentos. Além de não ser muito racional ter 100% do patrimônio em 1% do PIB mundial (Brasil em relação ao mundo).

Alguns países têm perfis econômicos muito diferentes entre si. Países maduros crescem menos, mas com maior tranquilidade. Países emergentes como Brasil, Chile, China e outros mercados emergentes devem crescer muito mais rapidamente, embora a jornada seja acidentada. A alocação de 5 a 15% do seu portfólio em vários mercados permite capturar diferentes crescimentos e suavizar sua carteira de investimentos.

E o fator moeda. Se você é um investidor brasileiro e investe em ações europeias, estará exposto ao desempenho do euro em relação ao real, bem como ao desempenho de suas ações europeias. Diferentes pares de moedas podem divergir uma quantidade enorme ao longo do tempo, diversificando ainda mais o seu portfólio – embora ao custo de um risco extra.

Movimentos de moeda funcionam nos dois sentidos, é claro. É possível ganhar nas ações e perder na moeda e ganhar na moeda e perdas nas ações. Assim como também ganhar nas duas e perder nas duas. Existem maneiras de travar o risco cambial, mas essa “trava” tem custo. É necessário ponderar os benefícios

A maioria de nós gastará o dinheiro no próprio país, por isso, o melhor é manter a maior parte do seu portfólio na moeda local. A alocação de uma parcela menor do investimento no exterior pode proporcionar alguma diversificação sem arriscar seu “pote” total. À medida que se aproxima da fase de gastos versus investimentos da sua vida, você pode lentamente trazer mais do seu dinheiro estrangeiro para casa, a fim de reduzir o risco cambial.

Markowitz chamou a diversificação de “o único” almoço grátis “em finanças”. O conceito-chave por trás do “almoço grátis” é a correlação – ou melhor, a falta dela. Normalmente, o desempenho de cada classe de ativo não está perfeitamente correlacionado. Se os valores dos ativos não subirem e descerem em perfeita harmonia, um portfólio diversificado terá menos risco do que o risco médio ponderado de suas partes.

A pandemia na visão de grandes nomes do mercado

Nas últimas semanas, a BlueTrade tem realizado um trabalho exemplar de levar informação aos clientes, investidores e pessoas em geral por meio de lives diárias via Instagram e lives semanais via Zoom, com presença exclusiva de grandes nomes do mercado financeiro e setor empresarial no Brasil. E cada um deles trouxe sua visão a respeito da atual crise de pandemia do coronavírus que estamos enfrentando, e suas consequências no âmbito econômico.

Uma delas foi a presença de Henrique Bredda, co-fundador do Alaska Asset Management. Segundo ele, a diferença desta crise para as outras é a queda rápida em pouco tempo. Os motivos da crise sempre são diferentes, porém os efeitos são sempre os mesmos, como queda de ativos, onda de pessimismo, horizonte nebuloso no longo prazo, e falta de esperança.

Tivemos a participação ilustre de Ana Laura Magalhães, a “@explicaana” das redes sociais e sócia da XP Inc. Segundo ela, o coronavírus está fazendo uma grande transformação nas pessoas, e as empresas também precisam se reinventar. Mas sempre temos que nos lembrar do pequeno e médio empresário, que estão passando por dificuldades e que precisam de técnicas e ideias de apoio para que possam se sustentar.

Outra participação foi de Gustavo Aranha, gestor da GEO Capital. Segundo ele, dentro deste cenário incerto, é importante que o investidor faça uma diversificação “geográfica” dos seus investimentos, melhorando a relação risco/retorno e diminuindo a volatilidade.

Segundo João Simões, chefe da mesa de Estruturados da XP, esta crise é mais humanitária do que econômica. O número de desemprego nos EUA é assustador, muitas empresas fechadas e pessoas forçosamente em casa. E que, além da crise, também nos encontramos no meio de um processo de eleição, e que enquanto não se resolver o problema do vírus, continuraremos a ter volatilidade.

Alexandre Silvério, CIO da asset Az Quest, também mencionou que a parada da atividade é muito grande, e o exercício da análise é como se dará a reabertura da economia que está estacionada, e como serão as mudanças de hábito daqui pra frente.

Adeodato Volpe Netto, sócio-fundador da Eleven Financial, projetou que o mercado deve ficar incerto até o 3º trimestre do ano, mas que pode haver leve recuperação no 4º trimestre. Devemos voltar ao patamar anterior da crise somente em 2021. Segundo ele, o mercado passou a ser altamente seletivo diante de todas as incertezas que surgiram com a crise. A volatilidade está muito alta, mas a formação dos preços se dará gradativamente.

Lucas Feitosa, especialista em Renda Variável na XP, a crise de saúde que estamos vivendo projeta uma retomada mais difícil, por estarmos dependentes de uma solução paliativa. Segundo ele, a crise é diferente a de 2008, onde a conta era sobre valores. Hoje a crise é totalmente dependente da situação do vírus no mundo.

Tivemos a presença de Fabrício Garcia, VP Comercial e Operações de Lojas Físicas do Magazine Luiza. Segundo ele, a empresa tem se sobressaído com a crise por meio do e-commerce, e que o processo de digitalização que já vem sendo feito há algum tempo por eles têm beneficiado muito os vendedores, lojistas, empresários, e até pessoas físicas que podem vender por meio da loja online. Os acionistas fizeram uma filantropia de 10 milhões para auxiliar na recuperação econômica e, segundo ele, após a pandemia, teremos uma sociedade mais humana, solidária e colaborativa, e este será o principal legado.

A última participação foi de Beto Zampini, vice-presidente do Grupo Imediato, empresa de logística de diversos segmentos. Segundo ele, alguns setores específicos (como agronegócio, farmácias, supermercados, e-commerce, dentre outros) que não tiveram restrição na crise conseguiram forte crescimento, fazendo com que grande parte do setor logístico fosse beneficiado.

Continue acompanhando as redes sociais da BlueTrade e não perca nossas próximas lives. Este trabalho magnífico tem cumprido o intuito de trazer informações de qualidade de grandes nomes do mercado brasileiro, para nossos clientes e investidores em geral.

Você Precisa de Logística!

• Beto Zampini é o vice-presidente do Grupo Imediato, empresa de logística com vários segmentos, hoje possui 3.000 funcionários e mais de 1.000 veículos de transporte em operações.

• Segundo Beto, alguns grupos sem restrição (agronegócio, farmácia, supermercados, e-commerce) acabaram beneficiando grande parte do setor logístico, muito pelo contrário, estes grupos obtiveram forte crescimento no período.

• Ilan Nigri é sócio e especialista na Vinci Partners, está na empresa desde a fundação, sendo a Vinci uma gestora com forte estratégia em fundos imobiliários de vários setores (shoppings, logística, fundo de fundos), com mais de 36bi sob gestão.

• Segundo Ilan, em março houve alvoroço por parte dos locatários com possível toque de recolher anunciado, mas os galpões continuam funcionando normalmente. O fundo se defendeu muito bem durante a crise e continua recebendo oportunidades de demanda.

• Ilan mencionou uma matéria que informa as maiores vendas desse período em e-commerce, que foram instrumentos musicais e brinquedos. O e-commerce teve forte aceleração, empresas que pensavam em implementar o setor agora foram obrigados a ter.

• Segundo Beto, o consumidor de forma isolada passa a adquirir mais produtos atráves da internet, e toda a estrutura logística deve ser bem organizada. Hoje temos pequenos centros de distribuição mais espalhados para atender o consumidor de forma mais rápida, e até o próprio consumidor pode ir até o local buscar o produto.

• Beto reforça que a crise ofereceu oportunidades, ele cita a Ambev como exemplo, que se adaptou também as plataformas digitais. O consumo de bares e restaurantes foi totalmente migrado para internet. O nível de exigência do serviço é importante, mas para ele o e-commerce já está consolidado nesta nova realidade.

• Segundo Ilan, o setor logístico na crise têm sido muito resiliente, pois houve uma transformação de qualidade de serviços que veio pra ficar. Na visão do consumidor, “se eu não puder voltar ao supermercado, será ótimo”.

• Beto reforça que estamos numa recessão e temos que acompanhar como isso será conduzido dentro do governo, mas as empresas privadas conseguem se adaptar. Empresas que já vinham com dificuldades, este é o momento que ela sai do mercado, dando espaço a novas empresas que se adaptaram mais rápido.

• Segundo Beto, a infraestrutura brasileira acaba atrapalhando o processo de logística. Num país onde não há um transporte público de qualidade, acumula-se onibus e carros nas ruas, inviabilizando a logística. Segundo ele, as empresas de transporte de carga sofreram 46% de queda no faturamento.

• Beto prioriza no Grupo Imediato a garantia de emprego e saúde do time, eles se relacionaram com clientes, fizeram reuniões diárias alimentando informações, e em meio a tudo isso, fizeram várias ações para priorizar os empregos e a saúde dos funcionários. E principalmente ações de prevenção contra o coronavírus aos colaboradores.

• Ilan voltou para dezembro do ano passado, onde todas as cotas de todos os fundos imobiliários valorizaram e se ajustaram, até chegar março. Na época, eles perceberam uma irracionalidade nestes preços de cotas. Mesmo com a crise, segundo Ilan, é importante que os investidores sempre se informem quanto ao ativos que ele aloca. E os assessores de investimento têm ajudado muito neste quesito.

• Os fundos imobiliários de setor logístico são os que tiveram menor volatilidade, alguns com as cotas se recuperando. Mas os investidores precisam ter consciência de que cotas de fundos imobiliários podem sim, ter queda na cota. Mas foi comprovado a resiliência do índice IFIX (Índice de Fundos Imobilários) dentro da crise, onde há uma diversificação de setores e empresas e as ofertas serem mais controladas.

Dê uma ajuda à sua previdência

Atualmente, os fundos de previdência privada são uma importante parte do portfólio das pessoas físicas no Brasil. Essa é uma ótima notícia, visto que olhada da ótica tributária, essa é uma das, senão a melhor classe de investimentos disponível hoje no mercado. 

A depender do sistema de tributação escolhido, o imposto de renda a ser pago pode chegar a apenas 10% do lucro obtido com o investimento. 

Os bancos comerciais são grandes responsáveis pelo estoque de previdência dos brasileiros, que hoje está de perto de R$1 trilhão. 

Herança maldita

São longínquos os tempos de taxas de juros astronômicas no Brasil. E sinceramente, espero que elas nunca mais voltem. Os juros nas alturas são um bom termômetro de que no horizonte o que está por vir no cenário político e econômico não é muito bom. 

Hoje, com uma Selic em 3%, esse fator é minimizado. Mas como uma espécie de cobertor curto, onde se cobre a cabeça e os pés ficam descobertos, essa queda de juros nos mostra outro problema. 

Herdado de uma regulamentação previdenciária precária, os veículos de previdência antigamente tinham diversas amarras em relação a onde o gestor poderia alocar o capital dos seus cotistas. 

Para ilustrar um pouco o fato, os veículos de previdência podiam ter no máximo 49% do seu capital em ações, com diversas restrições em relação ao emissor, por exemplo. 

Isso não era um problema em um Brasil de juros de 14% ao ano, onde na renda fixa era possível ter um retorno mensal de 1%, sem que fosse necessário incorrer em riscos para isso. É aquela famosa jabuticaba: só no Brasil mesmo…

Se pegarmos um dado de 2019, mais de 80% da previdência do brasileiro está alocada em renda fixa. O gerente do banco, que além de atender você, tem mais três mil clientes. Ele não só te indicará uma previdência, pois também deve bater metas de seguros, cartão de crédito, contas abertas e do famoso título de capitalização. Ele certamente não irá se preocupar em te mostrar que os tempos agora são outros e que uma realocação da sua carteira de investimentos é necessária. 

Pensamento crítico

Eu que não sou gerente de banco nem nada, tenho algum tempo livre para te incitar a fazer um exercício mental comigo. 

Os investimentos de previdência devem ser enxergados para o longo prazo. Não adianta investir em um veículo como este se não estiver pensando lá na frente. As suas características tributárias fazem com que quanto maior o tempo de investimentos, maior será o benefício. E isso virá na forma de juros compostos, logo, de maneira exponencial. 

Isso se dá pela ausência de come-cotas a cada seis meses, que ao longo do tempo, vai ganhando valor e vai rendendo juros. Já que o Leão não come 15% do seu lucro a cada semestre, esse lucro vai crescendo cada vez mais com a mágica da composição de retornos ao longo do tempo. 

Passada a questão do longo prazo, chegamos então a um ponto interessante. Se tratando de investimentos de longo prazo, os ativos de riscos tendem a gerar o maior retorno, visto que se afastando dos ruídos de mercado intradiário, o que temos é o desenvolvimento de empresas ao longo do tempo, que vão ganhando cada vez mais valor. 

Se pegarmos os retornos das classes de ativos, quanto mais arriscado o investimento, maior o retorno potencial. Veja que não estou falando que o retorno vai de fato se mostrar maior, mas ele tem mais potencial para ser maior. 

Assim sendo, faria mais sentido eu assumir mais riscos em minha parcela de previdência, visto que o potencial de retornos seriam maiores.

Olhando desta forma, já não faz sentido ter 80% do estoque de previdência em fundos de renda fixa. Os tempos agora são outros e para se obter um retorno digno, será preciso assumir riscos. Assim como em qualquer lugar do mundo. 

O grande segredo

E qual a forma que temos então para maximizar meus retornos? No longo prazo, não queremos estar na ponta perdedora. 

Na verdade, o grande segredo é que não há segredo nenhum. Deve-se ter um portfólio diversificado, com renda fixa sim, mas também com fundos multimercados e fundos de ações. 

Para se escolher as gestoras, temos hoje a maior parte delas com um veículo dedicado a previdência. E o trabalho das gestoras independentes é apenas esse, fazer gestão de investimentos de terceiros. 

Não há a possibilidade de se fazer outra coisa para ganhar dinheiro. É gestão e acabou. Temos hoje Brasil Capital, Constellation e Hix como algumas gestoras de ações com veículo exclusivo de previdência, já com a nova regulamentação, com a possibilidade de se investir até 100% em ações. 

Conclusão

Dito tudo isso, você pode até acreditar que um portfólio diversificado não vai fazer lá tanto diferença no seu bolso. 

Eu poderia me alongar com os mais diversos motivos para dizer que na verdade faz sim diferença estar alocado em bons veículos, com a devida diversificação. 

Mas uma das coisas que aprendi ao longo da vida é que existem coisas que são teóricas e existem coisas que são visuais, palpáveis, práticas. 

Alguém um dia sintetizou isso em uma frase: uma imagem vale mais que mil palavras. 

Então me despeço hoje com uma imagem para lhe fazer pensar. Aqui podemos ver que de fato, 1% a mais de rentabilidade que seja, faz uma diferença absurda nos seus resultados de longo prazo. 

Isso te permitiria se aposentar cinco anos mais cedo ou então colher ao final dos 25 anos, um rendimento 26% maior.