A importância da disrupção na pandemia do coronavírus

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A tecnologia vem se sobressaindo mais uma vez. Na crise, o Home-Office é apenas uma das realidades e mudanças estruturais que serão levadas adiante e adotadas. E quais são as outras? A cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, a presidente da Microsoft, Tania Consentino e o CEO da TOTVS, Dennis Herszkowicz, vão discutir o assunto.

Resumo:

* História dos participantes:

            Cristina Junqueira: empresa criada em 2013, com ela e mais 2 sócios, através do inconformismo da realidade bancária dentro do contexto brasileiro. Chegaram a 1 milhão de clientes em apenas 2 anos. Hoje o Nubank possui mais de 20 milhões de clientes. Hoje ela fala para os clientes que eles podem certamente cancelar as contas nos bancos tradicionais e ir para o Nu pois ele já tem tudo. A Cristina foi apresentada para os outros dois sócios através de conhecidos.

            Tânia: engenheira elétrica por ensino técnico. Seguiu 35 anos no setor elétrico: 16 Siemens, Polo Nation (automoação), 19 Schneider Eletrics. Ao longo dos anos ela percebeu que o digital iria vir para trazer produtividade para o globo. Hoje ela vê a junção de estruturas físicas com digitais como algo só, e que tudo está conectado (transformação digital). Recebeu um convite da Microsoft pelo Linkedin para ir para Microsoft!

            Dennis: 16 anos de Links, executivo e outros cargos. Recebeu convite do ex-CEO (Laércio) para tocar as operações da TOTVs. Comentou que o encaixe com a TOTVs foi muito forte e em menos de 2 meses já tinha saído de uma e entrado na outra. Comentou sobre o que a TOTVs faz e etc. Eles atendem os olerítes de cerca de 10 milhões de trabalhadores. Cerca de 30% do Brasil! Focado em B2B.

* Pergunta ExplicaAna:

As empresas estão se transformando no contexto, qual o nicho que tem mais dificuldade em implementar essas medidas de transformação digital? O que a TOTVs faz para essa base? O que ela tem enfrentado nos tempos de COVID?

            Dennis: a TOTVs tem o foco de atender o segmento de empresas de 20 até 200 milhões de faturamento. Esse faz parte da maior parte dos clientes da empresa. Ela, então, está muito presente na realidade brasileira e em vários segmentos e consegue muitas informações sobre o contexto empresarial. O que está acontecendo: quando as empresas são mais organizadas, elas estão conseguindo ter mais fôlego dentro desta realidade. Outra coisa são os diferentes segmentos, que estão sofrendo de maneira diferente. Outra dificuldade que eles estão observando: as medidas do governo ainda não conseguiu chegar em todas as pontas possíveis. As manchetes estão ali, mas ainda não foi implantado em todos os lugares. Mensagem final: as empresas estão com dificuldade, e que na medida do possível, as empresas precisam continuar honrando seus contratos e tentar continuar operando levando em conta seu contexto. Senão, o momento será mais profundo.

            Rafael: relacionamentos e contratos de 10 anos não podem serem destruídos em 1 mês. Os franqueados TOTVs, como que a empresa tratou seus parceiros na ponta?

            Dennis: a empresa nunca chegou aonde chegou sozinha e com braços próprios. Os franqueados são uma ponte importante para eles. O que tem feito: acompanhamento muito próximo, capacitação e orientações. Se for o caso, a empresa estará do lado, cada franqueado possui uma realidade.

            Betina Roxo: pergunta focada em transformação digital e o lado humano. Como que eles estão fazendo para liderar as pessoas dentro da empresa? E como que as pessoas/empresas precisam olhar toda essa transformação e momento de hoje? Como que a diversidade atua dentro deste contexto?

            Tânia: a tecnologia é um meio. Ela precisa ser o foco de como devemos fazer e não o fim em si. É muito importante ter em mente, dentro de sistemas e processos, olhar dentro da empresa em seus fornecedores, processos e pessoas. A plataforma precisa ser utilizada para fazer o bem. Além disso, não é só focar em bons resultados financeiros, mas sim gerar impacto social, econômico e ambiental. Não tem como ser líder de mercado só focando dentro do campo financeiro. Dentro da transformação digital, as pessoas querem cada vez mais experiências novas, produtos novos e meios novos para comprar e etc. Atualmente, as empresas estão sofrendo sim em relação com tudo o que está acontecendo. O digital pode ajudar ela a contornar isso. Dentro da empresa, eles estão desenvolvendo produtos de nuvem, medicina digital e outras conectividades/soluções que diminuem os impactos e geram outras oportunidades de negócios. Além disso, a empresa está participando de estudos também. Em relação as pessoas, a empresa está olhando para seus funcionários de forma com que seus funcionários sejam ouvidos, criam rituais baseados nos valore da empresa, tenham equilíbrio mental para conseguir trabalhar e cuidar das vidas.

Em relação a inovação: hoje em dia fica mais difícil para que o ambiente inovador seja criado por tudo com o que está acontecendo. A empresa precisa criar um ambiente tranquilo e seguro para o trabalho continuar. O medo é um dos maiores fatores que inibe a criação de inovação! A falta de emprego, a falta de comida, a saudade e outros…

            Betina: neste momento, as pessoas estão parando para pensar em outros pontos da vida e do mundo mesmo.

            Tânia: neste momento, as pessoas podem pensar que se vencemos somos invencíveis ou ficamos mais humildes e sabemos da nossa significância humana.

            Cristina: comenta sobre um artigo da HBS sobre o comportamento e a mentalidade da população em relação a essa crise. Comenta sobre a dinâmica da preparação antes de um voo decolar. Então, primeiro eles queriam cuidar do time. A empresa não vai parar e vamos cuidar de todos (“vamos colocar máscaras em todos”). Compraram mais de 1000 cadeiras de escritórios para as pessoas trabalhar em casa, investiram em internet e estão realizando treinamento online. “Está todo mundo preocupado com família, vendo notícias, pensando no almoço e tentando trabalhar! Não é home office por home office”. Estão preparando a empresa para conseguir flexibilizar os pagamentos de créditos e oferecer algo a mais para deixar a população mais tranquila. Fizeram uma parceira com uma empresa de psicologia para oferecer suporte psicológico online para as pessoas em casa. É importante entender o que as pessoas estão pensando! Eles criaram um fundo para tele-medicina.

            ExplicaAna: parabéns Cristina. O Nubank está a frente de muita inovação dentro do mundo. Ela comentou que conversou com uma amiga executiva sobre uma conversa sobre fidelidade do cliente. E é realmente este o ponto. A diferença será daqueles clientes que ficarão com você ou voltarão com a empresa depois disso passar. Ela também comenta sobre a virtualização do atendimento, que não é para deixar de ser humano. E a Ana comenta sobre o contexto de inovação dentro do Brasil (A cristina até fez uma palestra em harvard) e todas as oportunidades que o Brasil oferece todos os dias! É possível inovar todos os dias!!

            Cristina: realmente, mas empreender não é para todo mundo. Precisa de muito estômago. Mas é isso, dentro do Brasil, você tropeça em oportunidades de inovação todos os dias. E se você acha um problema que te incomoda e que afeta todo mundo, está ai a sua ideia de negócio. Nesta crise, realmente muitos negócios, e muitos negócios novos vão quebrar, mas saíremos desta crise mais fortes e com mais oportunidades também.

            Tânia: comentando sobre empreendedorismo feminino. O empreendedorismo também se origina através da necessidade. Como que a gente habilita o Brasil para que o empreendedorismo disruptivo e criamos mais unicornios? E alem disso, as mulhers criam mais negócios por necessidades e não conseguem acesso de recursos. Somente 3% de mulheres que conseguem recursos de Venture Capital. A inteligência artifical fará um papel importante dentro disto. Atrai mulheres para o empreendedorismo e inovação é importante. É importante focar em como que os jovens brasileiros irão ter contato com a tech, com a engenharia, com a inovação. A Microsoft criou um fundo para investir em startups criadas por mulheres.

            Rafael: as empresas possuem um impacto social. Além disso, pensa nos pequenos negócios que estão quebrando e que desencoragam os jovens a não inovar (exemplo: pensa no pai que tem padaria e quebra e o filho vê tudo isso). As empresas que estão no bate papo possuem recursos e braços para chegar nos clientes. O papo agora, até nos EUA, está focado dentro das pequenas empresas e como auxiliar todos eles. Como que chegamos nesta realidade? E como que manter a chama da inovação ativa?

            Dennis: essas perguntas são muito válidas mas não possuem respostas prontas. A TOTVs possuem algumas iniciativas que conseguem ajudar os pequenos empreendedores. Entretanto, é importante juntar elos com de empresas-clientes-governo. As responsabilidades podem ser compartilhadas e cada um fazer a sua parte. Para o recurso chegar, é preciso isso. Quanto a chama do empreendedorismo: ele é mais otimista e acredita que o empreendorismo faz parte da existencia humana e que dentro de um ambiente democrátio e diverso as pessoas se perguntam, se questionam e etc. O brasileiro vai sair mais forte.

            Cristina: hoje, temos grandes empresas que nasceram depois de 2008. Isto porque depois de grandes crises algumas oportunidades ficam mais claras. E hoje, quais são as oportunidades que serão acatadas e transformadas em negócios… A esperança é olhar para nossa realidade e torcer para que empreendedores analisam. É imperativo que todos esses recursos das empresas e do governo cheguem logo para a população.

            Tânia: a digitalização de uma grande parte da população é um desafio hoje em dia. Estamos pagando uma conta de longo prazo por ainda não termos projetos neste sentido. Hoje, o governo precisa atuar rápido e confiar dentro do setor privado para que os produtos sejam implementados neste tempo difícil. É necessário juntar os elos.

            Cristina: as fintechs são importantes neste momento também. Elas já são digitais e oferecem serviços ágeis e de baixo custo. E podem ajudar a dar capilaridade a projetos privados e públicos.

            Rafael: falando sobre a campanha da XP. Juntos transformamos. Ultima pergunta: daqui 10 anos, se alguém te perguntar, o que vocês aprenderam desta crise?

            Dennis: você tem que buscar sempre fazendo o seu melhor, e que existem coisas que você realmente não controla. A saúde mental é importantíssima, tenha consciência disto.

            Tânia: se possível, não demita. Compre do seu bairro. Prestigie os pequenos empreendedores. A humildade será o grande aprendizado. A crise poderia ser prevista, conversa do Bill Gates no TED. Crise nuclear, mudanças climáticas, pandemias (doenças), tecnologia são 4 grandes ameaças no futuro. Todos podem ser monitorados e os governos e empresas precisam estar preparados e com responsabilidade.

            Cristina: gratidão e privilégio. Na prática, estamos MUITO PRIVILEGIADOS. Temos empregos, comida, com casa e etc. Manter isso em mente e sempre agradecer.

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