Investimentos: Mais uma vez, diversifique

Semana passada, escrevi sobre a diferença entre risco sistemático (não diversificável) e o risco não sistemático ou diversificável (relembre aqui).

Esse nome se baseia no fato de que a diversificação pode reduzir e muito o risco do seu portfólio de investimentos.

Esse risco pode ser decomposto em risco de mercado, risco de crédito, risco de liquidez e risco setorial (existem outros, mas esses são considerados os principais).

Observe que o risco aqui se refere à incerteza do resultado, não à probabilidade de um resultado ruim.

Claro que normalmente associamos risco à possibilidade de perda, entretanto na definição de incerteza de resultado, o risco também pode ser a nosso favor se o resultado for positivo.

Apenas não era possível saber no início do investimento se seria um ganho ou uma perda. O risco de mercado é o risco de perdas em investimentos financeiros causadas por movimentos adversos de preços.

Exemplos de risco de mercado são: mudanças nos preços de ações ou de commodities, movimentos nas taxas de juros ou flutuações cambiais. Esse risco se refere à volatilidade do preço do ativo (é, geralmente, calculada pelo desvio padrão).

Quanto maior a volatilidade, maior o risco de mercado desse ativo. É possível diminuir esse risco diversificando em várias classes de ativos. Por exemplo, ações, renda fixa e ouro. Quanto mais descorrelacionados os ativos da sua carteira, mais a volatilidade estará controlada.

Já o risco de crédito é a possibilidade de uma perda resultante da falha do devedor em pagar um empréstimo ou cumprir obrigações contratuais. Isso é medido pelo Rating do ativo. Se tiver uma classificação baixa (<BBB) o emissor tem um risco de inadimplência relativamente alto.

Por outro lado, se tiver uma classificação boa (AA ou AAA), o risco de inadimplência será progressivamente diminuído. Ao diversificar em vários ativos de renda fixa, é possível diminuir consideravelmente o risco de crédito. É muito mais difícil várias empresas darem calote do que uma só.

Liquidez é um termo usado para se referir à facilidade com que um ativo ou título pode ser comprado ou vendido no mercado. Basicamente, descreve a rapidez com que algo pode ser convertido em dinheiro. Isso pode ser um risco, por exemplo, ao comprar um imóvel.

Caso precise se desfazer rapidamente, será necessário oferecer um grande desconto. Quanto maior a liquidez do ativo, menor será o desconto na hora de sair.

Para reduzir esse risco, tenha em seu portfólio ativos altamente líquidos para que possa acessá-los em caso de emergência.

A diversificação setorial é sobre não ter muita exposição a nenhum setor. Pois existem riscos inerentes ao setor, que por mais diversificado que esteja dentro dessa fatia do mercado, ainda sim estaria exposto ao mesmo resultado.

Por exemplo, é possível ter ações de várias empresas aéreas, porém todas estão com aviões parados sem conseguir fazer receita, pois os voos ainda estão muito restritos. Diversificar (sim, mais uma vez) em papéis de vários setores é a solução.

Existem outros riscos como, por exemplo, o risco de inflação, mas você já sabe a resposta. A diversificação vai reduzir ao máximo esse risco.

Um portfólio de investimentos com uma grande variedade de ativos é capaz de diluir de forma significativa o risco não sistemático.

Muitas vezes por impulso consumimos mais do que deveríamos

Existem várias regras sobre como ter uma vida financeira estável e outras tantas de como investir o patrimônio financeiro. Nesta coluna já discorri sobre várias delas, pois são de extrema importância.

Entretanto nem sempre conseguimos segui-las. Nem sempre acompanhamos nosso orçamento contabilizando todas as entradas e saídas. E muitas vezes por impulso consumimos mais do que deveríamos ou na tentativa de ganhar dinheiro rápido, tomamos riscos muito maiores e acabamos no prejuízo.

Culpar a si mesmo e chamar-se de idiota não vai adiantar. Enfrentar o problema de frente é muito mais produtivo.

Perdoe-se  

No livro “Idiotices Que Pessoas Inteligentes Fazem Com O Próprio Dinheiro” JILL SCHLESINGER enfatiza a importância de perdoar-se. Todos cometemos erros nos relacionamentos, carreiras e com dinheiro. Isso significa que não precisa de xingamentos pessoais, o que é tanto injusto quanto improdutivo.

Chamar-nos de idiota, por exemplo, é uma desculpa. Sabemos que isso não é verdade. Esse tipo de atitude geralmente interrompe o processo de reflexão rapidamente e de reação ao erro.

Não ignore problemas  

É bastante comum postergar lidar com os problemas. Mesmo porque às vezes temos vergonha do erro cometido que nos leva a mentir inclusive para o cônjuge. E quem quer lidar com algo que nos faz sentir estúpidos?

Mas esses problemas tendem a se agravar. Por exemplo, alguns pagamentos de contas perdidos podem gerar multas, juros dívidas, cobranças, crédito danificado e assim por diante.

Muito dinheiro perdido em um investimento errado pode comprometer um plano familiar futuro que, se ignorado, pode virar um problema ainda maior. 

Reflita sobre o erro  

Parece um clichê (pois é mesmo), mas de fato refletir o erro pode evitar cometê-lo novamente.

Quando não aprendemos com nossos erros, infligimos estresse desnecessário a nós mesmos e aos outros, e corremos o risco de perder a confiança das pessoas e a confiança em nós.

Um amigo ou cônjuge sem julgamento é inestimável ao gerenciar erros financeiros. Se você puder ter essa pessoa em sua vida, isso proporciona muito alívio psicológico e uma experiência positiva.

E, extremamente importante, a reflexão revela que o erro não foi catastrófico, apenas mais um.

Que nos leva ao último ponto:

Não fique preso  

Se você é como eu, então você tem a tendência de ficar preso na autocrítica paralisante. Isso não é nada legal.

Existem várias maneiras que psicólogos recomendam para lidar com isso. Abordar esses assuntos foge da minha área de especialidade e do tópico do texto.

Entretanto, desenvolver um relacionamento saudável com dinheiro e com nós mesmos é um processo contínuo, duradouro e de longo prazo.

No caso do dinheiro, é só permanecer nas regras amplamente divulgadas.

Saiba como investir seu dinheiro:








Investimento: A importância do câmbio

Por que você deveria se importar com quantos Reais (BRL) são necessários para comprar um euro ou um dólar, uma libra (libra esterlina) ou iene? Se você planeja viajar para algum desses lugares, precisará saber para avaliar os preços. 1.000 é um bom preço para um quarto de hotel?

O símbolo do euro, a moeda da União Europeia, é . O símbolo para o iene japonês é ¥. Mas mesmo que você permaneça a vida inteira sem viajar, o valor do Real afetará profundamente sua vida, quer você saiba ou não.

Câmbio é a negociação de diferentes moedas ou unidades de conta nacionais. É importante porque a taxa de câmbio, o preço de uma moeda em termos de outra, ajuda a determinar a saúde econômica de uma nação e, portanto, o bem-estar de todas as pessoas que nela residem.

Todas as nações do mundo negociam com outras nações. Alguns negociam mais do que outros (pequenas ilhas como Islândia, Maurício e Irlanda lideram o caminho, em termos percentuais do produto interno bruto [PIB] de qualquer maneira), mas todos o fazem. A condução do comércio por troca não é prática na maioria das circunstâncias. Então, usamos dinheiro.

Mas o que acontece quando as pessoas que desejam negociar usam tipos diferentes de dinheiro, quando suas unidades de conta não são as mesmas? A solução mais óbvia e, claro, mais frequentemente usada é trocar o dinheiro do seu país pelo dinheiro do país do vendedor e consumir a transação.

Como isso afeta você? Quando a unidade de conta do país é forte, é possível comprar mais unidades de uma moeda estrangeira e os produtos desse país ficam mais baratos. E todos sabemos o que acontece quando os produtos são baratos. Em vez de comprar produtos feitos no país, compramos produtos produzidos fora (importados).

O ponto é que nós importamos mais produtos e serviços de outros países quando nossa moeda é forte. Ficamos mais ricos em relação ao mundo. O inverso também é válido. Quando o câmbio desvaloriza, ficamos mais pobres em relação ao resto do mundo.

A taxa de câmbio também é importante porque pode ajudar ou prejudicar interesses específicos dentro de um país: os exportadores tendem a ser ajudados (prejudicados) por uma moeda doméstica fraca (forte) porque vendem mais (menos) no exterior, enquanto os consumidores são prejudicados (ajudados ) por uma moeda forte porque os bens importados serão mais (menos) caros para eles.

É uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo que irá afetar nossa balança comercial, pois importaremos mais que exportaremos caso o câmbio valorize, também fará com que possamos comprar máquina e equipamentos (tecnologia em geral) mais baratos e nos tornarmos mais produtivos no futuro.

Não existe consenso entre os economistas qual impacto é maior. Existem evidências científicas para ambos os argumentos. Porém hoje o mais aceito é que o câmbio desvalorizado é bom para economia como um todo.




O famoso Tesouro Direto

A primeira coisa que precisamos entender é que Tesouro Direto não é um investimento e sim uma plataforma on-line. Através dela os investidores podem comprar títulos do governo federal diretamente da secretaria do Tesouro Nacional. O Tesouro Direto vende 3 tipos indexadores (pós-fixado, prefixado e vinculado a inflação) em 3 diferente ativos (LFT, LTN, NTN). Todos suportados pela fé e crédito do governo Brasil e usados para financiar a dívida federal. 

LFT (Letra Financeira do Tesouro) ou Tesouro Selic 

É o ativo mais simples e mais conservador emitido pelo Governo Federal. A rentabilidade dele é pós-fixada e como o nome diz, segue a Taxa Selic. Se essa taxa cai, o rendimento cai e vice-versa. Hoje essa taxa está em 3,00% ao ano, com a previsão de queda ao longo do ano. Excelente alternativa à caderneta de poupança, pois é mais seguro que a poupança, não precisa esperar a data de aniversário e rende mais. Quando falamos de reserva de emergência, faz sentido considerar esse título público como uma alternativa viável, uma vez que deve ser priorizada a liquidez e segurança do papel.

A LTN (Letra do Tesouro Nacional) ou Tesouro Prefixado 

Tem sua rentabilidade prefixada, o que significa que já é conhecida no momento da aplicação. Ela representa uma alternativa interessante de investimento, pois além de ser um ativo altamente líquido, é considerada livre de risco de crédito, uma vez que o emissor é o próprio governo. Você não precisa carregar o papel até o vencimento, porém, ao optar por sair antecipadamente, você estará sujeito ao risco de mercado. Essa oscilação nas taxas pode fazer com que seu papel se torne mais ou menos interessante para o mercado. Caso seu título esteja sendo negociado a uma taxa superior a do mercado, você poderá negociá-lo com um ágio, ou, caso a taxa seja inferior, com um deságio.

NTN (Nota do Tesouro Nacional) 

Essa é a mais complexa, pois pode ser prefixada ou vinculada à inflação. Pode pagar juros semestrais, como também só pagar juros no vencimento. A NTN-F ou Tesouro Prefixado é semelhante à LTN (Letra do Tesouro Nacional) explicada no parágrafo anterior com a diferença de ter um prazo mais longo e pagar juros semestrais.

A NTN-B ou Tesouro IPC-A+ é o título vinculado à inflação. O valor principal aumenta à medida que a inflação aumenta (ou diminui se houver deflação). Esse ativo também paga juros à uma taxa prefixada que pode ser semestral ou apenas no vencimento. Excelente para investimentos de maior prazo. Apenas atenção pois o resgate antecipado, apesar de ser garantido a recompra pelo governo, sofre oscilações de mercado que podem gerar prejuízo.

Para investir nesses ativos garantidos pelo Governo, é necessário ter uma conta bancária ou em uma corretora. É possível fazer direto nessas contas ou através do site do Tesouro Direto em que você escolhe a instituição financeira a qual você deseja que guarde seus ativos. Por fim, vale a observação que apesar de serem excelentes investimentos (principalmente para quem está começando a investir), precisa estar alinhado com seu perfil e com seus objetivos financeiros. Não invista pelo fato de um amigo ter te indicado ou porque você escutou no rádio.

Quer saber mais sobre Tesouro direto assista ao vídeo abaixo:



E o ouro, como fica?

Quando a economia entra em crise, como a atual que estamos vivendo, os investidores tendem a fugir do risco e buscam um porto seguro para colocar parte dos seus investimentos. E sempre que o ouro parece que está subindo, há uma corrida para comprar, esperando que ele continue a subir. No entanto, antes de decidir comprar ouro imediatamente, é uma boa ideia dar um passo atrás. O ouro é um ativo como qualquer outro – pode subir ou cair devido ao momento de mercado. Embora o ouro tenha uma longa história como dinheiro, isso não significa que é a melhor escolha para seu portfólio. Dito isto, existem algumas boas razões para incluir ouro em seu portfólio, mas nem tanto.

Por que as pessoas gostam tanto de ouro?  

Parte da explicação vem de sua história. Em muitos casos, isso tem a ver com a idéia de que o ouro é, bem, ouro. É valioso há milhares de anos. Ao contrário de muito do nosso dinheiro hoje, que acessamos via cartão ou fazendo transferências, é possível tocar em ouro.

É fácil olhar para o ouro e ver o valor tangível. Porém, lembre-se de que o preço do ouro sobe e desce como outros ativos. Os movimentos de preços nem sempre são baseados em algum tipo de valor intrínseco. A percepção de como os mercados estão indo, a força das moedas (principalmente o dólar americano) e outros fatores influenciam o valor do ouro. 

Proteção contra a Inflação 

Uma das maiores razões para incluir ouro em seu portfólio é proteger-se contra a inflação. Como veículo de armazenamento de valor, o ouro conseguiu se sair muito bem ao longo do tempo. A inflação pode corroer o poder de compra da moeda (já falamos sobre isso aqui), mas o ouro pode ajudá-lo a se proteger contra essa perda de valor. Por isso, mesmo quando o ouro não está subindo rapidamente, ainda é considerado uma maneira bastante decente de não perder a inflação. 

Diversidade de ativos em seu portfólio  

Se você não acha que renda fixa e ações oferecem diversidade suficiente, adicionar um pouco de ouro pode ajudá-lo a se sentir mais confortável. O ouro geralmente se move oposto ao mercado de ações. Portanto, se o mercado de ações cair, o ouro geralmente subirá (ênfase no geralmente). Se você deseja adicionar algum equilíbrio ao seu portfólio, o ouro pode ser uma maneira de fazê-lo, diversificando seus ativos de maneira a protegê-lo parcialmente de um evento no mercado. 

Quanto de ouro você deve ter em seus investimentos? 

Seu portfólio deve ser estruturado de forma a ajudá-lo a alcançar seus objetivos de longo prazo. O ouro pode ter um lugar. No entanto, muitos especialistas alertam que você deve ter cuidado com a quantidade de ouro a incluir em seu portfólio. Uma regra prática é limitar o ouro a não mais que 2,5% a 5% do seu portfólio. Dependendo da sua situação e da sua tolerância ao risco, você pode se sentir mais confortável com uma parcela maior ou menor de ouro em seu portfólio de investimentos. 

Ouro não gera riqueza 

Diferente de investir em uma ação em que a empresa produz, gera receita e te paga lucros, ouro é apenas ouro. Warren Buffett há muito tempo defende que investir em ouro é “estúpido”. Ele disse em 2009: “A única coisa que posso dizer é que o ouro não fará nada entre agora e depois, exceto olhar para você. Considerando que, a Coca-Cola estará ganhando dinheiro, e acho que a Wells Fargo estará ganhando muito dinheiro – é muito melhor ter um ganso que continua botando ovos do que um ganso que fica sentado…”

Portanto, tenha apenas uma pequena parte do seu portfólio de investimentos em ouro em prol da diversificação. No final, o ouro pode ser uma boa adição ao seu portfólio – desde que você saiba porquê o incluiu e por qual motivo isso ajuda a alcançar seus objetivos financeiros a longo prazo.

*Eliseu Hernandez D’Oliveira é assessor de investimento da Blue Trade, formado em economia pelo Instituto Insper e mestre em economia pela Universidade de Brasília

Diversificação é o “almoço grátis” nas finanças

A expressão “Não existe essa coisa de almoço grátis” foi popularizada pelo economista Milton Friedman. Ela expressa que para ter retornos maiores é necessário riscos e/ou custos maiores. Porém, o economista Harry Markowitz, vencedor do Prêmio Nobel, foi o primeiro a demonstrar que um portfólio diversificado pode oferecer melhor desempenho e menor risco em relação às classes de ativos individuais devido a correlação entre esses ativos.

Livros sobre investimento geralmente sugerem investir no exterior como um método de diversificar seu portfólio. Existem várias razões pelas quais investir no exterior pode ser uma boa ideia.

Se o mercado de um país ou região está indo mal, outro pode estar indo bem. Misturar os retornos de várias regiões ajuda a suavizar o retorno de seus investimentos. Além de não ser muito racional ter 100% do patrimônio em 1% do PIB mundial (Brasil em relação ao mundo).

Alguns países têm perfis econômicos muito diferentes entre si. Países maduros crescem menos, mas com maior tranquilidade. Países emergentes como Brasil, Chile, China e outros mercados emergentes devem crescer muito mais rapidamente, embora a jornada seja acidentada. A alocação de 5 a 15% do seu portfólio em vários mercados permite capturar diferentes crescimentos e suavizar sua carteira de investimentos.

E o fator moeda. Se você é um investidor brasileiro e investe em ações europeias, estará exposto ao desempenho do euro em relação ao real, bem como ao desempenho de suas ações europeias. Diferentes pares de moedas podem divergir uma quantidade enorme ao longo do tempo, diversificando ainda mais o seu portfólio – embora ao custo de um risco extra.

Movimentos de moeda funcionam nos dois sentidos, é claro. É possível ganhar nas ações e perder na moeda e ganhar na moeda e perdas nas ações. Assim como também ganhar nas duas e perder nas duas. Existem maneiras de travar o risco cambial, mas essa “trava” tem custo. É necessário ponderar os benefícios

A maioria de nós gastará o dinheiro no próprio país, por isso, o melhor é manter a maior parte do seu portfólio na moeda local. A alocação de uma parcela menor do investimento no exterior pode proporcionar alguma diversificação sem arriscar seu “pote” total. À medida que se aproxima da fase de gastos versus investimentos da sua vida, você pode lentamente trazer mais do seu dinheiro estrangeiro para casa, a fim de reduzir o risco cambial.

Markowitz chamou a diversificação de “o único” almoço grátis “em finanças”. O conceito-chave por trás do “almoço grátis” é a correlação – ou melhor, a falta dela. Normalmente, o desempenho de cada classe de ativo não está perfeitamente correlacionado. Se os valores dos ativos não subirem e descerem em perfeita harmonia, um portfólio diversificado terá menos risco do que o risco médio ponderado de suas partes.

Não coloque todos os seus ovos em uma cesta

“Não coloque todos os seus ovos em uma cesta”. É uma expressão comum, mas você sabia que também é um conselho valioso ao investir? A diversificação – uma estratégia comum na construção de um portfólio – envolve investir em uma variedade de ativos, em vez de uma classe de ativos específica. A diversificação é muito importante para reduzir o risco do portfólio de investimento.

Como a diversificação reduz o risco?  

Colocar todo o seu patrimônio líquido em uma classe de ações ou ativos é um empreendimento arriscado. Se a classe de ações ou ativo não performar ou cair 50% (como nesses dias de COVID-19), isso poderá causar um tremendo dano à sua carteira de investimentos. Ao diversificar seu portfólio, você distribui seu patrimônio líquido por várias classes de ativos que funcionam em diferentes direções, limitando assim as flutuações no seu desempenho.

É possível diversificar seu portfólio em várias classes de ativos e dentro de classe. É possível investir em renda fixa, ações, câmbio, fundos multimercados e fundos imobiliários. Dentro de renda fixa, é possível ter no portfólio, ativos pós fixados, pré fixados e indexados à inflação. Em ação, pode se virar sócio de empresas de consumo, varejo, aviação, tecnologia, etc. E assim por diante.

O que importa é a correlação entre os ativos. Por exemplo, as ações tendem a ser negativamente correlacionadas com o dólar e o ouro. No caso de uma correção no mercado de ações, esses ativos devem fornecer equilíbrio ao seu portfólio e potencialmente compensar perdas. Quando você combina ativos que têm correlações negativas, tende a ser benéfico e reduz o risco final do portfólio.

Por que é importante diversificar os investimentos  

Alguns investidores tendem a comprar ativos que tiveram um bom desempenho; essa é a mentalidade clássica de “perseguir retornos”. No entanto, é importante não se envolver nessa tática, porque os vencedores do ano passado costumam ser perdedores do ano seguinte. Em um ano, as ações internacionais poderiam ser o ativo com melhor desempenho, mas poderiam ser o ativo com pior desempenho no próximo ano. Ou até mesmo a pior classe em determinado período.

A diversificação pode colocá-lo em melhor posição para suportar quedas no desempenho e, portanto, manter o curso enquanto trabalha para alcançar seus objetivos financeiros. Dessa forma, se seu portfólio estiver exposto em um ativo que apresentar um desempenho ruim, você não será obrigado a vender baixo e aceitar grandes perdas.

Resumindo  

A alocação adequada de ativos é vista como fundamental para se tornar um investidor de sucesso. É por isso que diversificar seu portfólio pode ser tão importante: ajuda a compensar ativos com desempenho insatisfatório, para que você não seja obrigado a vender baixo e a sofrer perdas prejudiciais que afetam seus objetivos financeiros. Em vez disso, a diversificação permite absorver melhor quedas razoáveis no desempenho e manter o curso com seus investimentos, para que você tenha uma oportunidade melhor de atingir seus objetivos ao longo do seu horizonte de investimento.

Taxa de Juros Reais: Tudo o que você precisa saber

Nos dias atuais, estamos vivendo uma nítida queda da taxa de juros no mercado financeiro. E a maioria dos investidores praticamente desconhecem um importante cálculo utilizado para os investimentos: o juro real.

Antes de discutirmos a importância, precisamos entender essa diferença entre taxa de juros nominal e taxa de juros real.

Taxa de juros nominal

É aquela que obrigatoriamente deve ser indicada pelas instituições financeiras quando você faz um empréstimo, financiamento ou algum investimento. Não considera os efeitos da inflação (perda do poder de compra da moeda).

Taxa de juros real

É a diferença entra a taxa nominal e a inflação do período. Ou seja, é a taxa que realmente mostra o quanto nosso dinheiro ganhou em valor.

A conta técnica é essa:
Juros Reais = ((1+Juros Nominais)/(1+Inflação)) -1

Os investidores devem obrigatoriamente olhar os ganhos reais de seus investimentos, ou seja, sempre olhar o quanto ganhou acima da inflação. Imagine três situações:

Situação 1:
CDI: 13,24% em 12 meses.
Inflação (IPC-A): 10,67% em 12 meses

Situação 2:
CDI: 9,93% em 12 meses
Inflação (IPC-A): 2,95% em 12 meses

Situação 3:
CDI: 4,9% a. a
Inflação (IPCA-A): 3,45% em 12 meses

Em qual situação o investidor estaria melhor se investisse em um retorno de 100% do CDI?

Olhando apenas para os juros nominais tenderíamos a dizer que a primeira situação é um “melhor negócio”. Afinal, 13,24% é um rendimento melhor que 9,93% e muito melhor que 4,9%.

Porém ao considerarmos a inflação, analisamos os ganhos reais e percebemos que a situação dois é mais vantajosa para o investidor. Como podemos ver abaixo:

Situação 1: Taxa de juros reais de 3,09% a.a.
Situação 2: Taxa de juros reais de 4,91% a. a.
Situação 3: Taxa de juros reais de 1,40% a. a.

A primeira situação ocorreu em dezembro de 2015, a segunda em dezembro de 2017 e a terceira está prevista para acontecer em dezembro 2019. De nada adianta um investimento que renda uma taxa alta se a inflação também for alta.

E o que fazer quando a taxa de juros está tão baixa que é “consumida” pela inflação igualmente baixa?

Se seus investimentos estão em poupança (que rende 70% do CDI) ou CDB/LCA/LCI ou fundos de renda fixa, então é bem provável que a taxa de juros reais dos seus investimentos esteja sendo acabrunhada pela inflação.

Nesse cenário, a poupança passa a render uma taxa real 0,03% ao mês. LCA 100% do CDI, 0,16% de taxa real mensal. Ser muito conservador com seus investimentos hoje, é correr um risco altíssimo de ter seu capital desvalorizado no longo prazo.

Assim, é muito importante sair da inércia e encontrar nesse novo cenário uma carteira que se adeque ao seu perfil, considerando diversificação e alternativas de investimentos que rendam boas taxas de juros reais e dessa forma otimizar seus investimentos

Quer saber mais sobre a forma inteligente de investir no cenário de juros atual? Leia também Novo corte na taxa de juros: O que você deve fazer com seus investimentos?