LIVE: Aceleração Digital, com Roberto Fulcherberguer (CEO Via Varejo) e Fabio Coelho (CEO Google).

• Segundo Roberto (Via Varejo), eles vinham numa transformação forte no 1º tri até serem atingidos pelo Covid. Fecharam todas as lojas e previram perda de 70% do faturamento, mas optaram por inovar a empresa aumentando o meio online, que era apenas 30% do negócio, e agora ja representa 80%. Criaram o “Me Chama no Zap”, atualmente são mais de 7.000 vendedores, fazendo mediação com cliente de forma online.

• Segundo Fábio (Google Brasil), o Google têm tentado trabalhar com todos os tipos de empresas para ajudá-las na aceleração digital. No momento de agora, o e-commerce deixou de ser “canal” e passou a ser o “centro” de vendas. Eles mostram estratégias na aquisição de mais clientes via on-line e auxiliam na exploração da base de dados de forma correta.

• Fábio reforça que comportamentos semelhantes que buscam determinados produtos, para buscarem a melhor opção para atingir o que o cliente busca, criando um comércio melhor em conhecer o seu usuário.

• Roberto relata que a Via Varejo usava o Google no momento da decisão da compra, e agora estão mais fortes no topo do funil. Isso fez com que abrisse um leque de oportunidades. A assertividade e eficiência cresceram de forma bastante exponencial. Além disso, na época de lojas abertas, a tecnologia e uso de dados dos clientes internos possibilitam uma grande interação entre vendedor e cliente, humanizando a relação dentre eles.

• Fábio enfatiza que as grandes marcas têm ajudado a trazer diversão por meio das lives, em conjunto com a solidariedade, com as doações disponíveis para serem feitas. Na live da Sandy e Júnior, conseguiram doação de mais de 1.000 toneladas de alimento.

• Roberto relata que as vendas online estavam dando problemas com várias reclamações em black friday do ano passado, por conta de sistema. Nisso, pararam de focar a parte online e ajustaram o sistema, e dali pra frente, o online da empresa só tem crescido.

• Segundo Fábio, digital não é só propaganda, e sim uma série de estratégias, a fim de gerar uma receita individualizada para o parceiro. As empresas serão mais eficientes se entenderem se o CEO estar diretamente envolvido. Também deve-se entender que isso é uma jornada que se evolui com o tempo.

• Fábio ressalta que o Google têm ajudado a XP em várias frentes de negócios também. É preciso ter neste momento empatia e ajudar as pessoas, pois a crise é séria e é preciso ter responsabilidade e cuidado anti-social.

Confira esse bate-papo completo no vídeo abaixo.

WEBINAR VAREJO | Como se preparar para a nova era do varejo, com Magazine Luiza e XP Investimentos

• Segundo Fabrício, em 24 anos nunca se viu algo parecido. Porém a Magalu vêm se preparando com base em 3 pilares: saúde e segurança de clientes e funcionários, continuidade da operação e manutenção dos empregos.

• Os colaboradores da Magalu vêm trabalhando de segunda a domingo, a fim de tomar medidas de curto prazo (manutenção da operação) e médio/longo prazo (ecossistema digital voltado para o varejo).

• Há algum tempo a Magalu vêm com o propósito de digitalizar o Brasil. A empresa têm trabalhado com muita austeridade neste momento, a fim de preservar o caixa da companhia. Como medidas, a renegociação de aluguéis nas 1.148 lojas, compromisso de não haver nenhuma demissão neste momento, através da MP 936, dentre outras práticas.

• A reabertura das lojas Magalu serão de forma gradativa e segura, e a empresa tem se empenhado na segurança e proteção, com envio de kits, termômetro, alcool em gel, sistema de monitoramento, etc.

• Com mais de 20 mil pessoas que fazem parte da Magalu, mais de 2 mil são vendedores. A Magalu desenvolveu o Mobile Remoto, que permite os vendedores trabalharem direto de suas casas. Segundo Fabrício, as vendas surpreenderam as expectativas.

• A filantropia por parte do Magalu foi de 10 milhões por parte dos acionistas, mantendo a política de preservação do caixa.

• Houveram várias medidas de adaptação, como o grande aumento de produtos disponíveis com frete grátis, lojas varejistas tornando-se parceiras através do site e até o parceiro pessoa física, que pode montar sua própria lojinha e vender produtos através do site.

• Segundo Pedro Carraz, as operações atuais têm reabrido de forma gradual, por conta do protocolo de proteção. Hoje há 10% de shoppings abertos.

• Pedro também reforça que não teremos o mesmo patamar de venda do varejo físico que tinhamos antes do COVID-19 em curto prazo. A economia deve sofrer, alguns economistas com expectativa de PIB com retração de -4% a -5%.

• O método agora é se reinventar, se digitalizar e se ajudar, com campanhas promocionais, renegociações, para que o lojista tenha fôlego.

• A grande preocupação têm sido os pequenos varejistas e franqueados, que já possuem uma margem curta num cenário normal. Com a crise, essa camada têm sofrido mais. Nisso, muitos players vem procurando estar próximo do lojista, por meio de palestras e iniciativas de auxílio na profissionalização.

• Segundo Fabrício, a empresa está bem estocada, e grande parte da demanda da loja migrou para o digital. Segundo ele, 38% do que era vendido via e-commerce era retirado na loja, e boa parte passou a ser entregue ao consumidor. Ele não vê problema de falta de produto num médio prazo. Também houve diferença de performance dentre categorias (ex: Notebooks e Vídeo-Games, em que a demanda cresceu por conta do home office).

• Segundo Pedro, todas as mudanças que vem sendo feitas por varejistas nesta crise servirão de aprendizado no futuro. O corte de despesa temporário se tornará permanente, ajudando muito a empresa no longo prazo.

• Segundo Fabrício, após a pandemia teremos uma sociedade mais humana, solidária e colaborativa, e este será o principal legado.

Assista à transmissão completa na BlueTrade TV

A experiência de Luis Stuhlberger e Luiz Parreiras, da Verde Asset, para lidar com as crises

• Sobre o coronavírus, existem diversos testes e inovações em tratamento, ainda não há uma “bala de prata” que resolverá de forma definitiva;

• Nos EUA, há um horizonte para a saída da quarentena após as fases divulgadas por Trump, além do FED injetar US$ 1.7 tri de liquidez na economia.

• A reação política nos governos estão sem precedentes, o estímulo monetário está sendo algo nunca antes visto.

• Segundo Stuhlberger, as empresas americanas foram as que melhor performaram após as crises de 2008. E no início dos anos 2000, Brasil e emergentes performaram melhor com o boom das commodities.

• Ele também afirma que parte significativa do problema será endereçada pelo governo americano, e que na crise atual não há “culpados”, o vírus é um “acidente” da natureza.

• Ele ressalta que a crise do coronavírus vai tirar praticamente toda a economia da reforma da previdência conquistada, tanto em perda de receita, quanto em aumento de gastos.

• Pequenas empresas americanas receberão empréstimos que não precisam ser pagos – se a empresa não demitir ou cortar salários. Nos EUA há 31mm de empresas pequenas, responsáveis por metade dos empregos do país.

• A divida gerada por conta deste estresse de mercado pode ficar impagável ao longo do tempo, mas não por causa do coronavírus – que haverá uma solução e podem até ter outras doenças no futuro – mas por conta do sistema previdênciário, pois com o passar do tempo, o número de aposentados vai se acumular ainda mais de uma maneira global.

• Para Stuhlberger, se levar em conta o que aconteceu no Brasil nos últimos anos com as reformas feitas e juros/inflação baixa, o otimismo era certo. Mas a crise leva o governo a ter desafios fiscais e aumentar a incerteza do futuro do Brasil (se vai voltar a crescer ou não). O que pode ser afirmado é que o desafio aumentou.

• Segundo Stuhlberger, “ficar velho é uma merda. Mas a vantagem são as experiências durante a crise e desenvolver talento nas tomadas de decisões conforme o tempo”.

• Benchimol deixa como mensagem final que os brasileiros sempre esperam atitudes do governo, mas nós também temos que fazer nossa parte em ajudar o próximo.

A importância da disrupção na pandemia do coronavírus

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A tecnologia vem se sobressaindo mais uma vez. Na crise, o Home-Office é apenas uma das realidades e mudanças estruturais que serão levadas adiante e adotadas. E quais são as outras? A cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, a presidente da Microsoft, Tania Consentino e o CEO da TOTVS, Dennis Herszkowicz, vão discutir o assunto.

Resumo:

* História dos participantes:

            Cristina Junqueira: empresa criada em 2013, com ela e mais 2 sócios, através do inconformismo da realidade bancária dentro do contexto brasileiro. Chegaram a 1 milhão de clientes em apenas 2 anos. Hoje o Nubank possui mais de 20 milhões de clientes. Hoje ela fala para os clientes que eles podem certamente cancelar as contas nos bancos tradicionais e ir para o Nu pois ele já tem tudo. A Cristina foi apresentada para os outros dois sócios através de conhecidos.

            Tânia: engenheira elétrica por ensino técnico. Seguiu 35 anos no setor elétrico: 16 Siemens, Polo Nation (automoação), 19 Schneider Eletrics. Ao longo dos anos ela percebeu que o digital iria vir para trazer produtividade para o globo. Hoje ela vê a junção de estruturas físicas com digitais como algo só, e que tudo está conectado (transformação digital). Recebeu um convite da Microsoft pelo Linkedin para ir para Microsoft!

            Dennis: 16 anos de Links, executivo e outros cargos. Recebeu convite do ex-CEO (Laércio) para tocar as operações da TOTVs. Comentou que o encaixe com a TOTVs foi muito forte e em menos de 2 meses já tinha saído de uma e entrado na outra. Comentou sobre o que a TOTVs faz e etc. Eles atendem os olerítes de cerca de 10 milhões de trabalhadores. Cerca de 30% do Brasil! Focado em B2B.

* Pergunta ExplicaAna:

As empresas estão se transformando no contexto, qual o nicho que tem mais dificuldade em implementar essas medidas de transformação digital? O que a TOTVs faz para essa base? O que ela tem enfrentado nos tempos de COVID?

            Dennis: a TOTVs tem o foco de atender o segmento de empresas de 20 até 200 milhões de faturamento. Esse faz parte da maior parte dos clientes da empresa. Ela, então, está muito presente na realidade brasileira e em vários segmentos e consegue muitas informações sobre o contexto empresarial. O que está acontecendo: quando as empresas são mais organizadas, elas estão conseguindo ter mais fôlego dentro desta realidade. Outra coisa são os diferentes segmentos, que estão sofrendo de maneira diferente. Outra dificuldade que eles estão observando: as medidas do governo ainda não conseguiu chegar em todas as pontas possíveis. As manchetes estão ali, mas ainda não foi implantado em todos os lugares. Mensagem final: as empresas estão com dificuldade, e que na medida do possível, as empresas precisam continuar honrando seus contratos e tentar continuar operando levando em conta seu contexto. Senão, o momento será mais profundo.

            Rafael: relacionamentos e contratos de 10 anos não podem serem destruídos em 1 mês. Os franqueados TOTVs, como que a empresa tratou seus parceiros na ponta?

            Dennis: a empresa nunca chegou aonde chegou sozinha e com braços próprios. Os franqueados são uma ponte importante para eles. O que tem feito: acompanhamento muito próximo, capacitação e orientações. Se for o caso, a empresa estará do lado, cada franqueado possui uma realidade.

            Betina Roxo: pergunta focada em transformação digital e o lado humano. Como que eles estão fazendo para liderar as pessoas dentro da empresa? E como que as pessoas/empresas precisam olhar toda essa transformação e momento de hoje? Como que a diversidade atua dentro deste contexto?

            Tânia: a tecnologia é um meio. Ela precisa ser o foco de como devemos fazer e não o fim em si. É muito importante ter em mente, dentro de sistemas e processos, olhar dentro da empresa em seus fornecedores, processos e pessoas. A plataforma precisa ser utilizada para fazer o bem. Além disso, não é só focar em bons resultados financeiros, mas sim gerar impacto social, econômico e ambiental. Não tem como ser líder de mercado só focando dentro do campo financeiro. Dentro da transformação digital, as pessoas querem cada vez mais experiências novas, produtos novos e meios novos para comprar e etc. Atualmente, as empresas estão sofrendo sim em relação com tudo o que está acontecendo. O digital pode ajudar ela a contornar isso. Dentro da empresa, eles estão desenvolvendo produtos de nuvem, medicina digital e outras conectividades/soluções que diminuem os impactos e geram outras oportunidades de negócios. Além disso, a empresa está participando de estudos também. Em relação as pessoas, a empresa está olhando para seus funcionários de forma com que seus funcionários sejam ouvidos, criam rituais baseados nos valore da empresa, tenham equilíbrio mental para conseguir trabalhar e cuidar das vidas.

Em relação a inovação: hoje em dia fica mais difícil para que o ambiente inovador seja criado por tudo com o que está acontecendo. A empresa precisa criar um ambiente tranquilo e seguro para o trabalho continuar. O medo é um dos maiores fatores que inibe a criação de inovação! A falta de emprego, a falta de comida, a saudade e outros…

            Betina: neste momento, as pessoas estão parando para pensar em outros pontos da vida e do mundo mesmo.

            Tânia: neste momento, as pessoas podem pensar que se vencemos somos invencíveis ou ficamos mais humildes e sabemos da nossa significância humana.

            Cristina: comenta sobre um artigo da HBS sobre o comportamento e a mentalidade da população em relação a essa crise. Comenta sobre a dinâmica da preparação antes de um voo decolar. Então, primeiro eles queriam cuidar do time. A empresa não vai parar e vamos cuidar de todos (“vamos colocar máscaras em todos”). Compraram mais de 1000 cadeiras de escritórios para as pessoas trabalhar em casa, investiram em internet e estão realizando treinamento online. “Está todo mundo preocupado com família, vendo notícias, pensando no almoço e tentando trabalhar! Não é home office por home office”. Estão preparando a empresa para conseguir flexibilizar os pagamentos de créditos e oferecer algo a mais para deixar a população mais tranquila. Fizeram uma parceira com uma empresa de psicologia para oferecer suporte psicológico online para as pessoas em casa. É importante entender o que as pessoas estão pensando! Eles criaram um fundo para tele-medicina.

            ExplicaAna: parabéns Cristina. O Nubank está a frente de muita inovação dentro do mundo. Ela comentou que conversou com uma amiga executiva sobre uma conversa sobre fidelidade do cliente. E é realmente este o ponto. A diferença será daqueles clientes que ficarão com você ou voltarão com a empresa depois disso passar. Ela também comenta sobre a virtualização do atendimento, que não é para deixar de ser humano. E a Ana comenta sobre o contexto de inovação dentro do Brasil (A cristina até fez uma palestra em harvard) e todas as oportunidades que o Brasil oferece todos os dias! É possível inovar todos os dias!!

            Cristina: realmente, mas empreender não é para todo mundo. Precisa de muito estômago. Mas é isso, dentro do Brasil, você tropeça em oportunidades de inovação todos os dias. E se você acha um problema que te incomoda e que afeta todo mundo, está ai a sua ideia de negócio. Nesta crise, realmente muitos negócios, e muitos negócios novos vão quebrar, mas saíremos desta crise mais fortes e com mais oportunidades também.

            Tânia: comentando sobre empreendedorismo feminino. O empreendedorismo também se origina através da necessidade. Como que a gente habilita o Brasil para que o empreendedorismo disruptivo e criamos mais unicornios? E alem disso, as mulhers criam mais negócios por necessidades e não conseguem acesso de recursos. Somente 3% de mulheres que conseguem recursos de Venture Capital. A inteligência artifical fará um papel importante dentro disto. Atrai mulheres para o empreendedorismo e inovação é importante. É importante focar em como que os jovens brasileiros irão ter contato com a tech, com a engenharia, com a inovação. A Microsoft criou um fundo para investir em startups criadas por mulheres.

            Rafael: as empresas possuem um impacto social. Além disso, pensa nos pequenos negócios que estão quebrando e que desencoragam os jovens a não inovar (exemplo: pensa no pai que tem padaria e quebra e o filho vê tudo isso). As empresas que estão no bate papo possuem recursos e braços para chegar nos clientes. O papo agora, até nos EUA, está focado dentro das pequenas empresas e como auxiliar todos eles. Como que chegamos nesta realidade? E como que manter a chama da inovação ativa?

            Dennis: essas perguntas são muito válidas mas não possuem respostas prontas. A TOTVs possuem algumas iniciativas que conseguem ajudar os pequenos empreendedores. Entretanto, é importante juntar elos com de empresas-clientes-governo. As responsabilidades podem ser compartilhadas e cada um fazer a sua parte. Para o recurso chegar, é preciso isso. Quanto a chama do empreendedorismo: ele é mais otimista e acredita que o empreendorismo faz parte da existencia humana e que dentro de um ambiente democrátio e diverso as pessoas se perguntam, se questionam e etc. O brasileiro vai sair mais forte.

            Cristina: hoje, temos grandes empresas que nasceram depois de 2008. Isto porque depois de grandes crises algumas oportunidades ficam mais claras. E hoje, quais são as oportunidades que serão acatadas e transformadas em negócios… A esperança é olhar para nossa realidade e torcer para que empreendedores analisam. É imperativo que todos esses recursos das empresas e do governo cheguem logo para a população.

            Tânia: a digitalização de uma grande parte da população é um desafio hoje em dia. Estamos pagando uma conta de longo prazo por ainda não termos projetos neste sentido. Hoje, o governo precisa atuar rápido e confiar dentro do setor privado para que os produtos sejam implementados neste tempo difícil. É necessário juntar os elos.

            Cristina: as fintechs são importantes neste momento também. Elas já são digitais e oferecem serviços ágeis e de baixo custo. E podem ajudar a dar capilaridade a projetos privados e públicos.

            Rafael: falando sobre a campanha da XP. Juntos transformamos. Ultima pergunta: daqui 10 anos, se alguém te perguntar, o que vocês aprenderam desta crise?

            Dennis: você tem que buscar sempre fazendo o seu melhor, e que existem coisas que você realmente não controla. A saúde mental é importantíssima, tenha consciência disto.

            Tânia: se possível, não demita. Compre do seu bairro. Prestigie os pequenos empreendedores. A humildade será o grande aprendizado. A crise poderia ser prevista, conversa do Bill Gates no TED. Crise nuclear, mudanças climáticas, pandemias (doenças), tecnologia são 4 grandes ameaças no futuro. Todos podem ser monitorados e os governos e empresas precisam estar preparados e com responsabilidade.

            Cristina: gratidão e privilégio. Na prática, estamos MUITO PRIVILEGIADOS. Temos empregos, comida, com casa e etc. Manter isso em mente e sempre agradecer.

Dólar nas Alturas

R$ 5,25. Essa foi a máxima do dólar este ano. A maior da história. 30%. É a porcentagem que a moeda obteve de valorização somente em 2020. FED (banco central americano) estabelece linhas de acordos swap em dólares para dar liquidez às moedas de países como o Brasil. Medida tem objetivo de diminuir tensões nos mercados devido aos impactos do Coronavírus.

A pressão no câmbio brasileiro tem deixado dúvidas para investidores que possuem investimentos no exterior ou pretendem comprar a moeda, e as declarações e comportamentos dos representantes do governo e do banco central colocam a política cambial do país em cheque. 

Quando o dólar verá terra firme neste seu voo pelas alturas?

Entenda

A política cambial, da qual é responsabilidade do Banco Central, é um conjunto de instrumentos e ferramentas que um país utiliza para controlar e definir o valor de sua moeda em relação a outras no mercado mundial. Há mais de séculos que o comércio entre países, importações e exportações, existe como grande integrante da agenda econômica.

Assim, a política cambial tem o objetivo de criar um equilíbrio entre a relação (câmbio) das moedas para ajudar no desenvolvimento econômico do país. Dessa forma, a relação com o dólar, tido como moeda de maior importância no comércio mundial, é a relação do qual os investidores e os governos prestam mais atenção.

O Brasil já passou por inúmeras experiências com diferentes regimes cambiais. Acredito que alguns se lembram dos anos 1990, do real ser igualado ao valor do dólar. Naquela época, o país passava por um momento econômico distinto do de hoje, e utilizava uma ferramenta cambial, a de bandas cambiais, da qual o dólar poderia variar somente entre dois limites, muito próximos. Atualmente, o Brasil possui um regime flutuante, que determina o valor das moedas de acordo com a oferta e demanda.

Porém, em algumas ocasiões, o Banco Central aciona suas reservas oferecendo ou comprando dólar no mercado para evitar baixas e altas da moeda no curto e médio prazo. Portanto, o resultado de uma política cambial é a combinação de ações da equipe de governo juntamente com o contexto mundial e seu fluxo de transações e percepções de risco.

Dilemas dolarizados

Parece que quando o brasileiro está se acostumando com certa relação do câmbio Real com Dólar algo acontece para mudar. Aconteceu isso no final dos anos 90, após eleições de 2002, durante a copa do mundo e agora, pós eleições presidenciais de 2018. Veja abaixo o histórico da cotação dos últimos 25 anos, com alguns acontecimentos importantes.

Há sempre algum estudo comentando sobre a relação equilibrada para o câmbio, seja R$ 4,00 ou R$ 4,20 em termos atuais. Estes consideram o poder de compra de cada moeda e estudam o crescimento do país e a inflação do período para determinar uma relação de equilíbrio no câmbio. Porém, isso é muito diferente do que é praticado no free market, do qual é sujeito às pressões de compra e venda e do qual vemos notícias frequentes.

Muitos pensadores e políticos já se passaram pelos controles do ministério da fazenda e do banco central. Junto a eles, diferentes crenças de como liderar os ciclos econômicos em nosso país de tamanho continental e diferenças regionais gritantes existiram. Cada um com uma visão própria sobre como a política cambial deveria ser administrada. E para adicionar, cada um presente em um contexto econômico mundial diferente.

Os grandes dilemas dos últimos tempos relacionados com o câmbio trouxeram discussões quentes em relação à importância das exportações e importações brasileiras. Muitos acreditam que um câmbio desvalorizado favorece as exportações e assim ajuda no crescimento do PIB brasileiro, além de ajudar as empresas locais a se armarem melhor competitivamente.

Outros dizem que a abertura comercial brasileira deve ser flexibilizada e um câmbio valorizado ajuda o Brasil a importar mais barato e trazer inovações e investimentos para o país. O Brasil é exportador de algumas matérias primas e não de produtos acabados, resultando em mais discussão em torno da importância de exportar caro ou importar barato.

A relação acima pode ser colocada de maneira ainda mais detalhista dentro do dia a dia das empresas. O endividamento das mesmas, principalmente as que compram ou vendem para fora, também é afetado com variações no câmbio. Além disso, o câmbio é um fator que impacta variáveis importantes dentro da demanda agregada como inflação, investimento e consumo das famílias.

Um exemplo: se o câmbio é desvalorizado e as empresas possuem um endividamento de longo prazo em dólares, e importam matéria prima, a produção e a compra ficam mais caras. Isso afetará a inflação e saúde financeira dos negócios, ao mesmo tempo enfraquecendo o poder de compra da população com alguns produtos. Outro ponto importante, caso haja uma variação grande na taxa de câmbio, é a reavaliação de investimentos de empresas internacionais, resultando em possíveis paradas em projetos desta magnitude.

Além disso, o contexto de juros do país pode ajudar a reter dólares. Com juros muito altos em relação aos companheiros mundiais, o Brasil era um grande destino de investidores internacionais procurando investimentos seguros que pagavam um retorno acima da média.

O contexto mundial também é uma variável de grande peso dentro dos dilemas dolarizados.

A partir do momento em que o mundo cresce de maneira desigual, ou passa a sentir sintomas de recessão, ou há destaques de crescimento acima da média em alguns cantos do mundo, o fluxo de dólares em torno do planeta muda. Os focos de investimentos e as trocas de mercadorias mudam de acordo com a dinâmica da economia mundial. O Brasil sempre obteve alguma atenção dos investidores internacionais por vários motivos, sejam eles juros, produção de matéria prima e infraestrutura. 

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, o câmbio brasileiro não conseguiu sustentar a pressão que a crise da Rússia e o calote da Argentina causaram. O resultado foi a mudança de regime cambial e uma disparada do dólar em poucos meses. Durante as eleições de 2002, a desconfiança internacional sobre a eleição do ex-presidente Lula provocou uma retirada de dólares e especulação sobre a moeda que aumentaram o câmbio devido a percepção de risco de um governo contra mercado. Pouco tempo depois, veio a crise de 2008 que questionou a essência do capitalismo. Há alguns anos, vemos uma inconsistência no controle das políticas econômicas e uma perda de confiança do investidor internacional no Brasil.

Além disso, dívidas e reservas internacionais de um país influenciam muito a sua visão em relação aos patamares cambiais. O Brasil, historicamente sempre obteve uma dívida externa, atrelada ao dólar, relativamente alta.

As reservas internacionais também são fatores de peso, sendo que hoje, o Brasil conseguiu acumular reservas. Sendo assim, vender reservas no mercado e ganhar com uma desvalorização do real é uma estratégia de conseguir recursos. Isso mostra que patamares de uma moeda valorizada pode ser benéfico para pagamento de dívidas e criação de reservas nacionais. Atualmente, o país não possui grandes dívidas externas e pouca exposição ao câmbio.

Neblina e nuvens pela frente…

O ano de 2019 foi um ano marcante para recuperação econômica do Brasil. Ao seu final, indicadores e projeções apresentaram resultados otimistas e interessantes para o desenvolvimento do país. As constantes reduções da taxa de juros e o controle da inflação foram importantes passos para chegar em outro patamar. O nível risco-país mudou e a percepção sobre nós também. Além de apresentarmos um leve crescimento econômico.

No entanto, gestores e economistas consideram que o câmbio permanecerá em patamares um pouco mais elevados do que estamos acostumados devido a alguns pontos importantes considerando Brasil e o Mundo. A volatilidade mundial traz incertezas que impactam a percepção de investidores do mundo todo. O ano de 2019 registrou a maior retirada de capital estrangeiro da Bolsa, chegando a R$ 50 bilhões.

Tensões mundiais fazem com que investidores procurem ativos seguros. Para isso, os títulos do governo americano são referências. Assim, o fluxo de recursos internacionais se vira para os EUA. A guerra comercial dos EUA com a China se alastrou por muitos meses e ainda não teve um fechamento claro, deixando todos aflitos em como a ordem do comércio mundial será restaurada após negociações.

Junto à guerra comercial, a grande desaceleração dos grandes centros econômicos, como a Europa, e o corte de juros no mundo todo elevam os níveis de incerteza também. Estímulos econômicos estão sendo a saída para aumentar a liquidez do mercado e estimular investimentos e criação de emprego. Além disso, vemos uma atuação mais “conservadora” dos bancos ao redor do mundo, aprendizado gerado pela crise de 2008.

O Brasil está neste contexto apresentado acima. Enquanto o nosso país não apresentar um crescimento sustentável e notável para os investidores estrangeiros, junto com uma melhora da confiança mundial, a percepção desses ainda será de maior risco.

O Coronavírus está se alastrando pelo mundo e seus impactos ainda são desconhecidos para a economia mundial. Entretanto, um detalhe é certo: sua disseminação “atrasou” grande parte da economia mundial devido ao impacto na cadeia de suprimentos. Portanto, mais um motivo para que o foco do investidor estrangeiro fique fora de investimentos em países em desenvolvimento.

O comportamento da equipe econômica do Brasil já está muito claro para alguns investidores e até exagerada para outros. O câmbio desvalorizado é uma realidade assumida dentro do país e a atuação do Banco Central, apesar de estar ativa nessas últimas semanas, não é de abaixar o câmbio e sim controlar em patamares que acredita ser aceitável.

Dessa forma, a equipe do ministério acredita que o câmbio em patamares mais desvalorizados fará diferença dentro do contexto de crescimento de PIB, focando em exportações e vendas de reservas internacionais. Entretanto, isso é perigoso caso o Brasil não cresça no curto prazo.

O momento é de cautela. A atuação do Banco Central será para conter a alta e manter o controle. O governo e o mundo estão dando estímulos à economia para que nada pare de funcionar. Alguns setores aqui no Brasil irão sofrer mais com a alta do dólar, como a indústria farmacêutica e mecânica, e outros sairão mais contentes como o agropecuário e exportação de minério. A exposição ao dólar deve ser uma estratégia de diversificação e principalmente de proteção, variando entre 5% a 10% de sua carteira.

Por enquanto, poucos balões a mais, poucos balões a menos carregarão o dólar em um céu nublado…

Não coloque todos os seus ovos em uma cesta

“Não coloque todos os seus ovos em uma cesta”. É uma expressão comum, mas você sabia que também é um conselho valioso ao investir? A diversificação – uma estratégia comum na construção de um portfólio – envolve investir em uma variedade de ativos, em vez de uma classe de ativos específica. A diversificação é muito importante para reduzir o risco do portfólio de investimento.

Como a diversificação reduz o risco?  

Colocar todo o seu patrimônio líquido em uma classe de ações ou ativos é um empreendimento arriscado. Se a classe de ações ou ativo não performar ou cair 50% (como nesses dias de COVID-19), isso poderá causar um tremendo dano à sua carteira de investimentos. Ao diversificar seu portfólio, você distribui seu patrimônio líquido por várias classes de ativos que funcionam em diferentes direções, limitando assim as flutuações no seu desempenho.

É possível diversificar seu portfólio em várias classes de ativos e dentro de classe. É possível investir em renda fixa, ações, câmbio, fundos multimercados e fundos imobiliários. Dentro de renda fixa, é possível ter no portfólio, ativos pós fixados, pré fixados e indexados à inflação. Em ação, pode se virar sócio de empresas de consumo, varejo, aviação, tecnologia, etc. E assim por diante.

O que importa é a correlação entre os ativos. Por exemplo, as ações tendem a ser negativamente correlacionadas com o dólar e o ouro. No caso de uma correção no mercado de ações, esses ativos devem fornecer equilíbrio ao seu portfólio e potencialmente compensar perdas. Quando você combina ativos que têm correlações negativas, tende a ser benéfico e reduz o risco final do portfólio.

Por que é importante diversificar os investimentos  

Alguns investidores tendem a comprar ativos que tiveram um bom desempenho; essa é a mentalidade clássica de “perseguir retornos”. No entanto, é importante não se envolver nessa tática, porque os vencedores do ano passado costumam ser perdedores do ano seguinte. Em um ano, as ações internacionais poderiam ser o ativo com melhor desempenho, mas poderiam ser o ativo com pior desempenho no próximo ano. Ou até mesmo a pior classe em determinado período.

A diversificação pode colocá-lo em melhor posição para suportar quedas no desempenho e, portanto, manter o curso enquanto trabalha para alcançar seus objetivos financeiros. Dessa forma, se seu portfólio estiver exposto em um ativo que apresentar um desempenho ruim, você não será obrigado a vender baixo e aceitar grandes perdas.

Resumindo  

A alocação adequada de ativos é vista como fundamental para se tornar um investidor de sucesso. É por isso que diversificar seu portfólio pode ser tão importante: ajuda a compensar ativos com desempenho insatisfatório, para que você não seja obrigado a vender baixo e a sofrer perdas prejudiciais que afetam seus objetivos financeiros. Em vez disso, a diversificação permite absorver melhor quedas razoáveis no desempenho e manter o curso com seus investimentos, para que você tenha uma oportunidade melhor de atingir seus objetivos ao longo do seu horizonte de investimento.

Sua atitude nos momentos de crise e o reflexo no futuro de suas finanças

Estamos no meio de uma crise econômica mundial, uma das mais críticas da história, e que pode se tornar a pior delas pois ainda não acabou!

Mas neste artigo não vamos falar sobre cenário, política, COVID-19… vamos tratar apenas do comportamento dos investidores diante as tempestades no mercado.

Antes de ir direto ao ponto quero contar um pouco do que aprendi com as pessoas de maior sucesso financeiro que eu tive o prazer de conhecer, e observe que eu disse sucesso financeiro, pois nem sempre este vem acompanhado do sucesso profissional ou pessoal.

Assim como as pessoas de sucesso profissional ou pessoal não necessariamente alcançaram o seu sucesso financeiro, portanto é fato que ele não está relacionado aos demais, por isso as atitudes que esses “seres iluminados” tiveram com relação as suas finanças ao longo de suas vidas fizeram deles pessoas com grandes patrimônios.

Na maioria dos casos são de pessoas com mais de 50 anos e que iniciaram sua trajetória financeira de forma bem simples mas sempre com muita disciplina, objetivos bem definidos, certas vezes aprendendo com os tombos que a vida lhes deram, mas que hoje tratam os investimentos financeiros com muita maturidade. E isso me chamou muito a atenção.

Eles vivenciaram uma época em que o principal investimento financeiro era a poupança, e a poupança mesmo no auge de sua rentabilidade jamais deixou qualquer poupador no mínimo rico. Então eles somente conseguiram construir seus patrimônios através da aquisição de ativos que pudessem lhes trazer um melhor retorno, apurado entre o valor que os compraram e o valor da venda.

E é exatamente nesse tema que vamos focar nesse artigo: compra e venda.

O que podemos aprender com o sucesso deles?

Observei que todos tiveram a disciplina de poupar parte da sua renda ao longo de suas vidas, e somente após certa quantia acumulada começaram a diversificar parte desse recurso comprando ativos que pudessem valorizar mais do que o a caderneta de poupança. Já foi possível identificar nesse exemplo que todos 1- Sempre mantiveram uma reserva para imprevistos, a tão falada (e importantíssima) reserva de emergência dos dias atuais.

O próximo ponto foi a tomada de decisão em relação ao que comprar. Observei pelas histórias que nenhum deles comprou nada por impulso, 2-estavam capitalizados e poderiam comprar no momento mais oportuno; e 3-tinham um mínimo de conhecimento dos riscos que corriam, estavam com objetivos definidos e principalmente 4-não tinham prazo para se desfazerem de suas aquisições, afinal de contas em cada novo negócio estavam investindo anos e anos de reservas, aquilo tinha que dar certo!

Em nenhum caso as fortunas foram construídas em menos de 20 anos, e em nenhum deles os investidores se desfizeram de suas aquisições antes de 5 anos, a não ser para dar um salto ainda maior.

Agora trazendo para os dias atuais, em meio a toda essa turbulência de mercado que estamos vivendo, se você possui a sua reserva de emergência, tem uma parcela do seu capital que está arriscando em outros ativos para obter um melhor retorno, conhece os riscos desse mercado (como exemplo um investimento que pode render +10% em um único mês também pode ficar negativo em -10% no outro), não tem prazo definido para utilizar esse recurso, você não tem motivos para ficar sem dormir!

Falando especificamente de bolsa de valores, ela nada mais é do que um comércio onde de forma organizada compramos partes de grandes empresas, e como todo comércio a regra é clara: precisa dar lucro, senão quebra! E o lucro nesse caso, para o investidor, é simplesmente a diferença entre o valor que você comprou e o valor que você venderá. Simples assim!

“Mas a bolsa é extremamente arriscada!”

Quem disse que aquelas pessoas, lá no passado quando compraram um imóvel por exemplo, sempre tiveram ofertas de venda por preços acima do que eles pagaram?

Eles simplesmente esperam a hora certa de vender para depois comprar novos. Sem imediatismo! Pode ser porque não tinham uma tela piscando em sua frente o dia todo mostrando qual o valor do seu imóvel naquele exato momento, caso quisessem vender, oscilando entre “ganhos e perdas”. Reforço aqui que em ambos os casos, imóvel ou bolsa de valores, ganho ou perda só serão concretizados após efetivar a venda. Eles também passaram por algumas crises no passado e quando pergunto o que fizeram no momento 5-todos disseram que sempre surgia uma boa oportunidade e aproveitavam… muita coincidência não? risos

Costumo utilizar um exemplo muito prático nas minhas conversas com investidores. Pergunto a eles: Quanto vale o seu carro? Exemplo 70mil reais…

Eu o compro agora, pago 28mil! A resposta: Você está louco!

Eu insisto: Mas eu te pago a vista! Transfiro o dinheiro nesse momento para sua conta.

Dai escuto o que eu quero ouvir: Mas eu não preciso vender ele agora, muito menos por esse preço.

Então, se com o seu carro você não comete essa loucura, por que cometeria com seus investimentos? Só porque o mercado está oferecendo pouco pelos seus ativos naquele momento? Por que você se desespera a ponto de cometer esse suicídio financeiro?

Estamos direcionando esse artigo para investimentos em bolsa, mas como disse antes, essa regra vale para qualquer negociação. Basta você comprar caro e vender barato por algumas vezes consecutivas que você irá quebrar! Isso é fato. Independente do que esteja comprando e vendendo.

Por último quero usar um exemplo de finanças comportamentais que deixa bem claro que, quando ampliamos o horizonte de nossas decisões elas são muito mais assertivas.

Se oferecermos a um grupo de pessoas, meia caixa de bombom hoje ou uma caixa de bombom daqui uma semana, a maioria dirá que prefere meia caixa de bombom hoje! (atitude imediatista)

Reformulamos a pergunta para o mesmo grupo ampliando o prazo: Vocês preferem meia caixa de bombom daqui um ano ou uma caixa de bombom daqui um ano e uma semana?

Observe que o intervalo de entrega entre as caixas permanece o mesmo, uma semana, mas como o horizonte de decisão passou a ser daqui um ano, a maioria disse preferir a caixa inteira.

Vamos trazer esse comportamento para um exemplo prático do que aconteceu hoje 12 de março de 2020. O preço de fechamento das ações preferenciais das Petrobras S/A nesse pregão foi de R$12,60 (PETR4).

Exatamente um mês atrás, no dia 13 de fevereiro, a mesma ação teve seu preço de fechamento em R$29,72.

Eu te pergunto primeiro: conhece a Petrobras? Dispensa comentários.

Se você comprasse hoje ações dessa empresa, no valor de R$12,60 e essas ações voltassem a subir até R$25,20, teríamos uma valorização de +100%.

Mas quando isso vai acontecer? Quanto tempo vai durar essa crise? Ninguém sabe!

Pode ser que dure um mês? Quase impossível.

Dure uns 06 meses? Pouco provável.

1 ano? Acredito que até lá já tenhamos vencido a guerra contra o COVID-19 mas talvez o mercado não tenha se recuperado.

2 anos? Talvez sim. O histórico de outras crises já nos leva a acreditar nessa possibilidade.

3 anos? Nesse caso as chances do valor da ação voltar para “pelo menos” R$25,20 (bem abaixo do preço justo) já são muito grandes. E observem, quando esticamos o prazo, as chances de termos sucesso aumenta consideravelmente, e lembrem-se, estamos falando de 100% de valorização!

Hoje, qual investimento no Brasil poderá te oferecer um retorno de 100% em 03 anos?

Ok, mas algo pode dar errado e a ação não se valorizar nesse período. Então te pergunto: Qual a chance da ação da Petrobrás estar valendo em fevereiro de 2023, menos do que o valor atual de R$12,60? Também mínima certo? Mas se mesmo assim isso acontecer até lá, não tem problema, é só não vender! Afinal, não conheci ninguém até hoje que fez fortuna em apenas 03 anos!

O impacto do coronavírus nos seus investimentos

Após um longo feriado de carnaval no Brasil, o mercado financeiro retomou suas atividades no vermelho, com o Ibovespa fechando o pregão nesta quarta-feira de cinzas com queda de 7%. 

Este é o reflexo de dois dias fechados para negociação, enquanto o mundo morria de preocupação com o coronavírus se alastrando por países de ásia e europa. O que começou como uma preocupação apenas chinesa, se tornou um problema mundial em meados de fevereiro e agora o mercado definitivamente entrou em pânico com a doença se alastrando mundialmente. 

O investidor que vê o mercado caindo deste jeito pode acreditar que houve alguma quebra de fundamento e que a tese de investimento agora é outra. Mas calma lá, não é assim que a banda toca…

Impacto na economia

Certamente o coronavírus deverá trazer impactos para a economia mundial. Este fato, que antes era um dúvida, passou a ser praticamente uma certeza. A dúvida agora é estimar qual será o real impacto e se o crescimento mundial está ameaçado durante todo o ano de 2020 ou se isso trará impactos apenas no primeiro trimestre. 

A verdade é que a epidemia já causou estragos na economia chinesa. O tráfego em estações de metrô, aeroportos e shoppings despencou a um patamar inimaginável. A economia chinesa sofrerá bastante ao longo do próximos meses para se recuperar deste tombo. 

Com a China não é uma ilha, apenas o fato de a epidemia ter causado estragos na economia chinesa já seria um ponto de preocupação para o restante do mundo, uma vez que as relações comerciais diminuem em momentos assim. Se a produção chinesa paralisa, o resto do mundo é afetado.

A questão neste momento é que países como Coréia do Sul, Irã e Itália também registraram diversos casos da gripe ao longo dos últimos dias, o que espalhou medo pelo mercado. 

A primeira leitura no surgimento da doença, no final do mês de janeiro, é que o mercado em geral se recupera rápido destes tipos de surtos. E a primeira onda foi justamente isso, uma queda com rápida recuperação dos mercados. 

O principal motivo para isso foi a crença de que as autoridades chinesas se moveriam rapidamente para conter a doença e eliminá-la sem que a mesma pudesse se tornar uma pandemia. 

As coisas caminharam relativamente calmas ao longo de fevereiro, com casos esporádicos ao redor do mundo, mas nada que causasse muito medo. 

O panorama, no entanto, se provou demasiadamente diferente do imaginado. Enquanto o brasileiro pulava carnaval, o mundo se chocava com milhares de casos sendo registrados também fora das fronteiras chinesas. 

O vírus se mostrou forte o suficiente para passar a alarmar também os países ocidentais e quando isso acontece, o mercado para de ignorar e isso causou o grande sell-off que enxergamos nos últimos dias. 

Com tudo isso, diversos voos foram cancelados, hotéis foram isolados e fechados para novas reservas e mais algumas cidades ao redor do mundo passarão a funcionar em modo de emergência, até que seja possível o retorno às atividades normalmente. 

Veja que estou sim considerando que o coronavírus irá impactar a economia global. 

Se um vírus para os países do sudeste asiático e da Europa, ele influencia todo o comércio global. Quem está dizendo isso é o FMI, que já reduziu a projeção de crescimento mundial em 2020 de 3,3% para 3,2%. 

Agora, é importante ressaltar também que as autoridades não ficarão paradas esperando que uma solução apareça de repente. Diversos países já anunciaram estímulos econômicos, seja através de quedas de juros ou injeção direta de dinheiro na economia.

Essas medidas buscam salvar o ano de muitos países ainda no primeiro trimestre. 

Enxergamos recentemente o título público de 10 anos dos EUA caindo de 1,47% para 1,35%, dado o aumento de demanda que houve. Ora, se existe uma crise mundial, o mais racional é realmente partir para o lugar mais seguro do mundo economicamente falando, que é os EUA. 

O reflexo do coronavírus

Antes do coronavírus surgir no final do mês de janeiro, existiam algumas narrativas críveis para as situações econômicas de diversos países no mundo. 

Uma dessas narrativas diziam que os EUA haviam encerrado seu corte de juros e o foco passaria a ser somente as eleições presidenciais que ocorrem em novembro. A Europa por sua vez, seguia em sua lenta tentativa de tirar sua economia do buraco. 

Depois dos fatos que aconteceram, a narrativa passou a ser bem diferente, com pacotes de incentivos sendo oferecidos por governos europeus de forma mais contundente. 

Além disso, já existe gente importante projetando dois cortes adicionais na taxa de juros americana pelo FED. 

Faz sentido. Donald Trump não pode de forma alguma ver sua economia declinando tão próximo à sua reeleição. Não serão poupados esforços de sua parte para que o crescimento continue. Não pode ser descartado, além deste incentivo monetário através dos cortes de juros, também um incentivo fiscal da economia americana. 

Se no futuro próximo tivermos dois cortes na taxa de juros pelo FED, haverá um fluxo de dinheiro saindo dos EUA e indo para a Europa, onde existirão taxas mais atrativas em títulos de dívida privada. Esse fluxo maior de capital para a Europa tem o potencial de reacender sua economia, sem que isso prejudique os EUA, que tem um saldo gigantesco de rentistas internacionais que não o interessa muito. 

Some a isso os estímulos já prometidos pelos governantes europeus, podemos ter uma boa saída para a economia ocidental em 2020. 

Não é motivo de comemorar, não dá para dizer que vai acontecer, mas também não é o fim do mundo. As coisas podem se desenrolar para um lado positivo. 

E o Brasil

Assim como a China não é uma ilha, a característica também se estende ao Brasil. O impacto nas relações comerciais devem sim afetar, mesmo que minimamente, terras tupiniquins. 

Os principais afetados deverão ser as empresas aéreas e as exportadoras, como commodities e frigoríficos. 

Como o coronavírus se tornou um problema global, perto de se tornar uma pandemia, as viagens devem diminuir bastante nas famílias brasileiras. A crise mais séria na China também diminui a atividade industrial, forte importadora de commodities, em especial as mineradoras e siderúrgicas. 

Ademais, mesmo que tenhamos tido hoje (26), a confirmação do primeiro caso de paciente infectado no Brasil, as coisas tendem a não mudar muito, por enquanto. 

O panorama ainda segue tranquilo nas américas e os EUA estão passando relativamente intactos por esta crise. Inclusive, se realmente se materializar as quedas de juros nos EUA, teremos um cenário extremamente positivo para o Brasil, que verá seu diferencial de juros aumentar novamente em relação aos Estados Unidos. 

A tese estrutural permanece intacta por aqui. Ainda gostamos bastante de bolsa e juro longo, que paga um excedente de IPCA bem atrativo em títulos do governo e corporativos. 

O crescimento de lucro corporativo no Brasil pelos próximos dois anos tem potencial para ser algo próximo de 20%, enquanto nossa média é de crescimento de 10% ao ano e no restante do mundo esta medida fica na banda entre 7% e 9%. 

Ainda acreditamos fortemente na recuperação do grau de investimentos até o final de 2021. O selo dado pelas agências de riscos é game changers na relação que o país terá com o investidor estrangeiro e o desenvolvimento do mercado de capital como via de financiamento privado. 

Uma queda de 7% na bolsa assusta, mas não machuca. Já era o esperado. O melhor a se fazer no momento é aguardar. A crise do coronavírus não atrapalha em muita coisa a visão de longo prazo. 

E acredite, há de se acreditar em olhar apenas o longo prazo. Ganhar dinheiro em prazos dilatados já não é a coisa mais fácil do mundo. Fazer isso no curto prazo então, é quase impossível e se reserva apenas a uma porcentagem ínfima da população. 

Conclusão

Dito tudo isso, é importante acalmar os nervos e não apertar o botão de venda no home broker ou mesmo pedir para que seu broker faça isso por você. 

O momento é de ter calma e enxergar acima do curto prazo. Se houver algum novo fato que mude o call estrutural, estaremos aqui para informá-lo. 

Por ser um crise aguda e estarmos no meio da tempestade, também não é a hora de aproveitar a queda para comprar mais. É um momento de mais cautela, de saber que a bolsa ainda pode esticar mais para baixo, antes de voltar a subir. 

Por fim, gostaria de retomar aqui um trecho de uma publicação do dia 19 de dezembro: 

“Olha, é muito otimismo, inclusive para mim. É até provável que de tudo que falei acima, algumas coisas não se mostrem verdadeiras, mas nada que atrapalhe a tese. 

Mas se algo inesperado ocorrer a ponto de anular a tese de investimentos, é necessário que estejamos preparados. Por conta disso sugiro uma alocação de 5% em ativos que nos protegem em um cenário que as coisas saiam dos trilhos.”

Na ocasião, eu falava sobre a importância de se ter 5% da carteira em proteções como ouro, dólar e opções de venda. Os três serviriam igualmente, de modo que o melhor seria ter um pouco de cada. 

Na época ainda não havíamos tido crise entre EUA e Irã ou Coronavírus. E não estou vindo aqui falar para me gabar de ter acertado tais eventos. Até porque seria impossível acertar isso, visto que foram cisnes negros. Os especialistas em conflitos geopolíticos e os melhores cientistas do mundo não teriam acertado também. 

Cisnes negros, por definição, são impossíveis de se prever. E eu não consigo te dizer se teremos outro até o final de 2020. Mas e se tivermos? 

Quem seguiu a risca e alocou 5% do portfólio em dólar, ouro e puts de Ibovespa, certamente sofreu menos em um dia como hoje. 

E quem garante que não teremos outros dias como hoje ao longo do ano? As proteções são muito importantes para um portfólio equilibrado. Mas não adianta pegar o telefone amanhã pela manhã e pedir para que seu assessor ou private banker compre proteções para você. 

A oportunidade, dessa vez já passou. O ouro e o dólar tiveram altas gigantescas ao longo da últimas semanas, a ponto de não mais justificar alocação nestes ativos no curtíssimo prazo. 

Mas pode acreditar que novos problemas globais acontecerão. Quando menos esperarmos, acordaremos com alguma manchete bombástica que irá nos fazer assistir a uma queda vertiginosa da bolsa. Da próxima vez, você também estará preparado?

Insights: a economia em 2020

Passada a euforia da virada de ano, chegamos ao início, de fato, de 2020. Oficialmente o ano comercial começou na última quinta-feira, mas naquele espírito macunaímico preguiçoso, símbolo destacado por Mário de Andrade, o ano parece dar seu pontapé inicial apenas na segunda-feira que precede a primeira semana completa. O azar parece morar em anos de virada aos finais de semana. Sigamos. 

Como você deve ter ouvido das mais diversas fontes, 2019 foi um ano transformacional e foi responsável pelo alicerce da economia brasileira. Observamos diversas classes de ativos com valorizações expressivas. 

O que aconteceu em 2019

Fazendo uma síntese do que aconteceu, observamos o desenrolar dos fatos em Brasília e ficamos animados com os resultados obtidos. Apesar dos ruídos, a equipe econômica conseguiu endereçar aquela que talvez seja a principal reforma de nossa história republicana, com a aprovação da Reforma da Previdência. 

O tema dominou o noticiário por boa parte do ano e mudanças de cunho microeconômico ficaram para 2020. 

Enquanto isso, o crescimento esperado no início de 2019 não veio. Felizmente, a inflação também ficou ancorada. Tais feitos corroboraram para um corte de 2% na taxa Selic, que terminou o ano em seu menor patamar da história, em 4,5% ao ano. 

Este revisional de Selic para baixo foi outro fator que explicou a alta valorização dos ativos brasileiros. Ibovespa e IFIX, os dois principais índices de renda variável do país, representando as principais ações e fundos imobiliários, respectivamente, apresentaram valorizações superiores a 30% no ano. 

Enquanto isso, ao longo do ano tivemos diversos acontecimentos na disputa comercial entre China e Estados Unidos. As trocas de farpas ocorreram, mas ao que tudo indica, estamos perto da assinatura da fase um do acordo comercial. 

Os temores de recessão global aos poucos vão se afastando, com índices PMIs ainda tímidos, mas no campo positivo. 

Com os temores globais ao longo do ano de 2019, o ouro foi outra classe de investimentos que se beneficiou e teve uma valorização superior a 28%. 

No geral, para os ativos brasileiros, observamos uma valorização massiva, mas muito em função de expectativas dos acontecimentos em Brasília. Ações e fundos imobiliários se beneficiam muito de uma economia aquecida e de juros baixos e a antecipação do futuro guiou as valorizações observadas. 

Mas agora é o momento de olhar para 2020 e tentar entender o que podemos fazer com nossos investimentos. 

Não me entenda mal, não estou tentando fazer previsões sobre o ano. Tenho muita dificuldade em fazer previsões, principalmente sobre o futuro. O objetivo aqui é apenas discorrer sobre fatos que acredito que poderão impactar o mercado financeiro. Se eles vão mesmo acontecer ou se vão impactar de forma positiva ou negativa, só o futuro dirá. 

O segredo para viver em um mundo em que não entendemos já foi dado aqui: diversificação e noção de que entendemos pouco sobre o que ocorre daqui pra frente. 

Economia brasileira

O final de 2019 foi de otimismo com a economia brasileira. Guiado pelos resultados da Black Friday e do Natal, o consumo finalmente voltou a acelerar e o varejo comemorou o resultado destas duas datas de compras. 

O ano começou com as expectativas altas por parte dos agentes econômicos, mas o cenário não se desenhou como o esperado, já que os empresários estavam menos otimistas do que se esperava. Foi um primeiro semestre bem morno, com os desenrolares políticos tomando conta da agenda econômica. 

O segundo semestre foi mais interessante e semanalmente o crescimento do PIB foi sendo revisado para cima. O resultado oficial ainda será divulgado, mas o crescimento deve ser confirmado acima de 1%, algo que parecia difícil em meados de agosto. 

A confiança da indústria e do comércio aumentou e confirmamos isso com a criação de empregos formais, que a partir de setembro passou a aparecer de forma menos tímida. 

Esperamos que o crescimento acima de 2% finalmente apareça em 2020, apoiados nos dados apresentados acima. 

Enquanto isso, algumas reformas ainda devem ser aprovadas pelo governo para colocar o país de vez nos trilhos. Destaco três delas: Reforma Tributária, Pacto Federativo e Reforma Administrativa. 

As duas últimas ajudarão o governo em seu problema fiscal, enquanto a primeira será muito bem recebida pelos empresários. Uma simplificação tributária tornará o ambiente de negócios no país mais fácil, o que ajudará a se criar novos concorrentes, tanto nacionais, quanto internacionais. 

Este ambiente de competição é extremamente benéfico para o povo, uma vez que garante excelência nos produtos e serviços vendidos, sendo cobrado um preço justo. Além disso, gera novos empregos e arrecadação para o governo investir em área de alta necessidade, como educação, saúde e segurança. 

O governo também deve seguir com a privatização de algumas empresas, o que ajudará a limpar ainda mais sua folha de gastos e deixará à iniciativa privada o papel de dirigir empresas – que grande ideia, não?

O BNDES também deve começar a fazer desinvestimentos em suas empresas investidas, o que gerará um fluxo enorme de capital para dentro do banco, que poderá passar a dar crédito subsidiado à quem realmente necessita, que são as pequenas e médias empresas, ao passo que as grandes empresas devem se financiar através do mercado de capitais. 

A inflação assustou um pouco nos últimos meses do ano, mas deve terminar 2020 ainda abaixo da meta de 4,25% estabelecida pelo Banco Central. Vale dizer que o núcleo de inflação, que é uma medida para capturar a inflação, desconsiderando-se os choques de preços temporários, continua intacto e ancorado. 

A alta na inflação de novembro e dezembro de 2019 foi causada por choques nos preços de alimentos e de energia elétrica, que em geral obedecem a ciclos sazonais. Não houve uma mudança fundamental na dinâmica de oferta e demanda e os preços destes bens devem se normalizar ao longo do ano. 

Dito isso, o Banco Central não tem motivos aparentes para subir a Selic ao longo de 2020. Isso também não quer dizer que ela deve cair mais. Um corte adicional de 0,25% até é esperado pelo mercado em algum momento, mas não se surpreenda se ele não vier. 

Por mais que Roberto Campos Neto diga que o BC não olha para o dólar no momento de decidir sobre nossa taxa de juros, os constantes leilões de divisas feitos pelo Banco Central em momentos de alta expressiva da moeda levantam uma bandeira amarela. 

De qualquer forma, palmas para esta equipe do BC que foi capaz de trazer os juros para a mínima histórica. Na ausência de um período parecido em nosso passado, qualquer passo dado por esta turma deverá ser feito com base em muito estudo e de forma cautelosa. Não aguardamos muitas novidades neste campo ao longo de 2020. 

Economia mundial

Aqui a análise começa a ficar mais complicada, dada a quantidade de variáveis que se deve observar. O intuito aqui não será uma análise tão profunda, visto que existem tantos cenários possíveis, que provavelmente erraríamos feio se tentássemos prever algo com exatidão. 

Apesar disso, o Brasil não é uma ilha e os acontecimentos lá fora impactam o nosso país. 

A primeira coisa que devemos ficar de olho é a eleição americana em novembro. Apesar de parecer longe, em março já devemos começar a observar os acontecimentos referentes ao processo eleitoral, afetando os preços dos ativos no Brasil. 

Donald Trump parece ser o favorito para uma reeleição. Enquanto isso, o Partido Democrata deve ter eleições primárias conturbadas para escolher seu candidato. No momento, quatro concorrentes merecem destaque: Bernie Sanders e Elizabeth Warren, senadores e representantes da ala mais radical do partido; Joe Bidden, vice-presidente americano durante o mandato de Barack Obama e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York. 

Os ruídos sem dúvidas irão aparecer. Prever qual presidente o mercado espera que seja eleito e qual o impacto da eleição de cada um é uma tarefa que eu não irei me propor a fazer, com o risco de virar piada com o fiasco dos meus palpites. 

Além disso, dizer que o resultado das eleições irá afetar a trajetória de crescimento brasileira me parece exagerado, ao menos neste momento. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos parece ter dado uma trégua. Era de se esperar. Na iminência de um processo eleitoral e com a necessidade de fazer Wall Street feliz, Donald Trump não poderia levar essa guerra para outro patamar. Não faria sentido algum. 

O FED também parece ter encerrado seu ciclo de corte de juros, visto que a economia americana não para de crescer. Abaixar ainda mais as taxas de juros seria correr muito perigo inflacionário e Jerome Powell parece não estar pronto para correr este risco. 


Na Europa, o crescimento insiste em ficar ancorado, mesmo com o juros no campo negativo – ou o correto seria: principalmente por conta dos juros negativos? – mas os índices de atividades parecem começar a apresentar um tímido crescimento. 

A saúde da economia global como um todo, apesar de não estar viril como esperávamos, não apresenta tantos motivos para preocupação de recessão, como era no início do ano passado. 

Aos poucos a economia vai se levantando da cama. A grande questão é o que ela fará após levantar. Mais do que nunca, existe uma névoa sobre o futuro econômico mundial. Se as pessoas já não estão mais pessimistas, elas estão longe de estarem otimistas. 

Novamente, os acontecimentos impactam sim, mas acredito que seja difícil um fato externo quebrar o atual bull market brasileiro, apesar de que certamente aparecerão manchetes que te farão acreditar que sim. 

O último acontecimento foi a morte de um importante general iraniano pelos EUA. As tensões e ameaças se elevaram e o temor agora se volta para um guerra não comercial, mas sim bélica. 

Como bom especialista em conflitos militares que sou, não irei tentar explicar a você os diversos motivos que podem ou não acarretar em uma guerra. Eu até acredito que possa sim acontecer, mas não apostaria nisso. 

Por mais que o ataque pode ter sido uma manobra eleitoral por parte de Trump, acredito que isto deva sair do noticiário conforme caminharmos ao longo deste ano. 

Mas isso nos lembra mais uma vez da importância de sempre termos proteções à nossa carteira. Na presença de um caos mundial, nada irá se valorizar mais do que o ouro. E não podemos descartar de forma alguma que um caos mundial pode acontecer a qualquer momento. 

No campo dos países emergentes, o Brasil se mostra cada vez mais como líder em potencial de crescimento, com uma robusta plataforma de reformas, mão de obra abundante e capacidade ociosa. 

Apesar disso, o gringo olha o cenário na América Latina e se espanta um pouco. Em diversos países estamos vendo crises nos governos e a população tem se revoltado em nossos países vizinho. 

A Argentina recentemente elegeu novamente um Kirchnerista em Alberto Fernández, indicando a volta da esquerda ao comando do país.

Como já dito, o Brasil não é uma ilha e depois de apanhar tanto nos emergentes nos últimos dois anos, o gringo certamente irá aguardar o desenrolar dos fatos no Brasil antes de voltar a olhar para o país, mesmo que isto signifique que ele irá perder a primeira pernada de valorização dos ativos. 

Outro fato que ainda afasta o estrangeiro do Brasil é a ausência do grau de investimento das agência de classificação de risco. Esta nota de crédito é requisito para muitos investidores institucionais estrangeiros. O panorama é positivo para a recuperação da nota, mas não podemos garantir que será em 2020. 

Conclusão

Conseguimos fazer aqui um resumo do que aconteceu em 2019 e nos preparar para os acontecimento econômicos em 2020. Ao longo do mês teremos um outro artigo explicando como estes acontecimentos poderá atingir cada classe de ativos.

Insights: juros negativos

Certamente o fenômeno de juros negativos desafia a lógica econômica. O comum é que ganhemos juros ao emprestar nosso dinheiro a alguém. Essa é uma lição que os economistas aprendem em seu primeiro ano de graduação. 

Em um cenário de juros negativos, na verdade pagamos para que possamos emprestar nosso dinheiro. Sim, contraintuitivo. 

Apesar de estranho, o fenômeno tem acontecido em alguns países desenvolvidos, com o Japão e a Europa liderando a turma. Após a crise de 2008, na sede de recuperar suas economias, os países desenvolvidos passaram aplicar as mais diferentes formas de estímulo econômico. 

A principal arma para um país que está se recuperando de uma crise, é a política monetária a partir da taxa básica de juros. Em geral, os bancos centrais sobem a taxa de juros em momentos de economia aquecida para que consigam manter a inflação em patamares razoáveis. 

Uma alta das taxas de juros faz com que as pessoas e as empresas gastem menos, o que diminui o estímulo à inflação. 


O contrário também é verdadeiro, já que em momentos em que a atividade econômica está baixa, os bancos centrais baixam suas taxas de juros, a fim de que as pessoas e as empresas gastem mais, gerando mais empregos e aumentando um pouco a inflação. 

Em um mundo de juros negativos, os investidores de títulos de dívida, investem tendo a certeza de que no futuro, no momento do resgate, terão menos dinheiro do que hoje. 

Com o banco central definindo uma taxa básica negativa, isso guia todas as outras classes de dívidas a tender também para o campo abaixo de 0.

Só para se ter uma noção, segundo a Bloomberg, mais de 17 trilhões de dólares do mercado de crédito estão em títulos com juros negativos. O montante aumenta para US$35,7 trilhões quando falamos de juros reais negativos, quando já descontamos a inflação. 

Por que alguém iria comprar um título com juros negativos?

Os motivos são vários, mas abaixo listarei alguns.

As pessoas podem ter medo do futuro da economia no que diz respeito a recessões, crises no mercado de crédito, quedas adicionais no juros básico, dentre outros. Isso faz com que eles prefiram títulos de alta qualidade, o que garante uma perda, mas seguros de que apenas perderão uma pequena quantia. 

Outro motivo que pode guiar os investidores a adquirir títulos de dívida com juros negativos é uma crença de que os juros cairão ainda mais, o que apreciaria seus títulos que foram comprados quando a taxa estava negativa, mas maior. 

Outro ponto que justifica a compra de títulos com juros negativos são as expectativas de inflação. Desta forma, se o investidor define que deseja um retorno real de 3% ao ano, e a expectativa de inflação for de 2%, isso faz com que um título deva pagar 5% ao investidor. 

No entanto, em um cenário de expectativa de deflação de 4%, o título deveria pagar -1% e o investidor teria seu objetivo garantido, preservando seu poder de compra. 

Por fim, o investidor também pode acreditar que a moeda do título irá se apreciar mais do que o juros negativo, o que garantiria um lucro a ele na operação. 

Quais os motivos dos juros negativos

Neste campo, surgirão as mais variadas explicações, mas a verdade mesmo é que ninguém sabe ao certo o que causa este fenômeno nos países desenvolvidos. O motivo para a incerteza é óbvio: isso nunca aconteceu na história. 

Ora, se algo nunca aconteceu no passado, como podemos ter a certeza do motivo que o causou agora?

Apesar disso, acredita-se que existam algumas explicações mais plausíveis que outras. 

A primeira e mais óbvia, é que os bancos centrais querem estimular a economia, o que não foi alcançado com os juros próximos a zero. A solução então seria abaixar ainda mais e entrar no campo negativo. 

O objetivo é que as empresas passassem a colocar em prática seus planos de investimentos, uma vez que se o dinheiro ficasse parado no banco, ele teria um rendimento negativo. O mesmo vale para as pessoas, que teriam de consumir para não perder dinheiro. 

Ainda é muito difícil dizer se a medida surtiu efeito, nos forçando a esperar para assistir ao desfecho da história. 

Nesta mesma linha de estímulo à economia, os bancos centrais ao redor do mundo têm um plano em andamento chamado de quantitative easing, que consiste na recompra de títulos por parte dos BCs. Isso tem jogado dinheiro na economia e feito com que o preço dos títulos suba, o que diminui seu rendimento.

Outro motivo que pode ser possível é que com a economia de vários países patinando, investidores simplesmente não estão querendo investir em qualquer tipo de ativo com riscos. Este fato aumenta a procura por ativos livre de risco, jogando os preços para cima e diminuindo o rendimento futuro. 

Além disso, o pessimismo que ronda tais países pode estar afastando os investidores dos ativos reais, com medo de desdobramentos piores no futuro. 

Estariam os bancos centrais reféns?

Um ponto muito importante, que talvez mostre que a tendência é de um mundo inteiro de juros baixos e até negativos, diz respeito às configurações tecnológicas e demográficas. 

Uma verdade econômica é que a tecnologia torna o mundo mais deflacionado. Isso acontece porque a tecnologia consegue substituir diversos postos de trabalho, a um custo muito menor. Se a empresa consegue substituir 10 trabalhadores que ganhariam R$5 mil reais cada, por uma tecnologia que lhe custa apenas R$1 mil por mês para manter, ela acaba de destruir 10 postos de trabalho e tira de circulação R$50 mil reais por mês. 

Se estes trabalhadores perdem seu emprego, eles não conseguem consumir, a demanda diminui e a pressão nos preços é menor também. Ou seja, a empresa está tirando dinheiro da economia, o que está fazendo com que o consumo também diminua.

Outro fator, é que com a tecnologia, diversos produtos e serviços tiveram seus custos de produção diminuídos, uma vez que se um produto precisa de 5 trabalhadores para que ficasse pronto, hoje é necessário apenas um, para acompanhar o funcionamento das máquinas. 

Se os custos diminuem, os preços geralmente acompanham. Com isso, o profit pool de diversos setores não acompanhou a inflação e continuou estagnado, o que tira pressão inflacionária do mercado. 

Com uma taxa de juros alta, as empresas têm mais receio de projetos e investimentos de longo prazo, o que também diminui a atividade e não cria novos empregos. Sendo assim, os trabalhadores que foram demitidos da empresa que adotou um robô, terão muito mais dificuldade em conseguir outro emprego e voltarem a consumir e girar a roda da economia. 

Desta forma, se os BCs decidem por deixar a taxa de juros elevada, a economia não anda. Mas agora, este estímulo deve ser ainda maior, o que pode estar trazendo as taxas de juros para patamares muito próximo a zero, tanto no campo positivo, quanto no campo negativo. 

A demografia também tem um papel importante na explicação dos juros baixos. Devemos considerar que a expectativa de vida de um cidadão hoje é muito maior do que 50 anos atrás. 

Apesar disso, a vida de trabalhador do cidadão geralmente dura o mesmo tempo ou teve uma melhora pequena quando comparada com o passado. Ora, se hoje eu vivo mais tempo, mas trabalho o mesmo tanto do que no passado, isso significa que eu devo guardar mais dinheiro, para que consiga ter uma aposentadoria boa por um longo período de tempo. 

Antes eu precisava guardar dinheiro apenas para aproximadamente 10 anos, já que eu pararia de trabalhar aos 60 e morreria por volta dos 70. Hoje eu irei parar de trabalhar aos 65 anos, mas viverei até os 90. Isso significa que eu devo guardar dinheiro para 25 anos de aposentadoria. 

Se analisarmos o fato, isso mostra que a tendência de consumo pode ser menor por conta disso. 

Agora um questionamento interessante: considerando que devo guardar dinheiro para uma aposentadoria de 25 anos. Sei que o cenário é nebuloso e que não tenho certeza de nada economicamente falando. 

A minha decisão deverá ser de consumir e fazer a economia girar ou guardar dinheiro em casa (já que os títulos do governo pagam juros negativos)? 


Note que não há nada que faça este cidadão consumir, já que o que está em jogo é o bem estar dele durante a aposentadoria. Neste caso, o BC pode trabalhar o juros da forma que for, ela não conseguirá estimular este cidadão a consumir. 

Os juros negativos chegarão ao Brasil?

Pode até ser que sim, mas não deve ser algo que iremos presenciar vivos. Se um país emergente colocar seus juros no campo negativo, isso pode ter duas explicações: o mundo entrou em um colapso produtivo e os juros negativos reinam em todo o mundo ou o Banco Central perdeu a cabeça e deixou de lado sua política cambial. 

Nenhuma das duas alternativas me parece razoável atualmente, portanto acredito que não acontecerá. 

Além disso, o Brasil vem se recuperando de uma crise muito forte e já está com juros nas mínimas históricas, no patamar de 5%. Neste ciclo o juros deve chegar até 4% no máximo, o que ainda é muito longe do negativo. 

Também não existe perigo de deflação, o que talvez forçasse os juros a irem para o patamar negativo. Mesmo o desemprego altíssimo não fez com que houvesse perigo de deflação. 

Mas algo que estamos presenciando de forma inédita no Brasil são os juros reais negativos. Algumas formas de investimento já apresentam essa característica. Isso significa que o investimento até tem um rendimento positivo, portanto o investidor vê sua conta aumentar. 

O que por muitas vezes o investidor não vê, é que na verdade ele está perdendo poder de compra, já que a inflação foi maior do que o rendimento dele. 

Conclusão

Entender os juros negativos ajuda a entender o atual cenário da economia mundial. Como dito, não acredito que o fenômeno chegue ao Brasil no médio-longo prazo. Talvez um dia ele chegue, mas é muito além do que nossos olhos podem ver. 

O assunto também é de difícil resolução e divide inclusive especialistas. O nosso papel de investidores é estarmos informados sobre o fenômeno. Além disso, vale a pena checar nossos investimentos para entendermos se estamos ficando com um poder de compra maior ou menor.