Novo corte na taxa de juros: O que você deve fazer com seus investimentos?

Nesta última quarta-feira, dia 18, o Copom decidiu por dar seguimento aos cortes na taxa Selic e a trouxe para o patamar de 5,5% ao ano. O corte já era esperado pelo mercado e apenas confirmou o compromisso do Banco Central para com os interesses da nossa economia.

Roberto Campos Neto e cia concordaram por unanimidade que a taxa básica de juros deveria sofrer um novo corte de 50 pontos base e as perspectivas para os juros futuros foram revisadas ainda mais para baixo. 

O burburinho sobre juros abaixo de 5% no final do ano começou a tomar forma nos últimos 45 dias, quando o copom decidiu por trazer a taxa de juros para a casa dos 6%, interrompendo um ciclo sem alterações de 16 meses. 

Com uma enxurrada de dados que mostram uma economia anêmica, os analistas agora já se dividem entre os que acreditam fielmente em uma selic por volta dos 4,5% ao ano após a última reunião de 2019 do Copom e os mais conservadores que ainda apostam nos 5%. 

Independentemente do grupo que se mostrará vencedor após o mês de dezembro, fato é que os juros reais no Brasil estão com os dias contados.

Imaginemos que o conservadorismo vença e a Selic termine o ano em 5%. Se as projeções de inflação estiverem corretas – e elas geralmente costumam estar – estamos falando de um juros real na casa de 1,5% no ano. 

Com esse patamar, a multiplicação de capital através do CDI se torna um conto de fadas, daqueles que só existirão nos livros de histórias. 

Sejam todos bem-vindos aos novos tempos no mundo dos investimentos. A partir de agora será assim que a banda tocará. Imaginamos e torcemos que seja por um bom tempo.

E os meus investimentos?

A renda fixa se torna cada vez mais um lugar para preservação de capital. Está cada vez mais difícil extrair algo extraordinário dessa classe de ativos. Não que não devemos nos expor a ela. Uma parcela do patrimônio em terras seguras não faz mal a ninguém. 

Acredito que a essa altura do campeonato, já tenhamos descartado a poupança como um investimento. Essa classe tem um juro real próximo a zero. Isso mesmo, você deixa seu dinheiro lá e 10 anos depois você não terá tido nenhum ganho. O pouco que seu dinheiro render, será para cobrir as altas dos preços que também ocorreram. 

Para o caso dos títulos públicos, me parece haver pouco a se ganhar. O investidor terá então que se arriscar nos títulos de crédito privado, onde o rendimento será um pouco maior, mas nada muito expressivo.

O ideal em relação aos títulos, seria se expor aos prefixados longos, que projetam um taxa de juros maior no médio-longo prazo. A grande questão, que ainda não parece estar precificada, é que os juros permanecerão estruturalmente baixos por algum tempo. Assim sendo, esses títulos podem oferecer bons rendimentos no mercado secundário. 

Um pouco de exposição a títulos indexados à inflação é uma boa opção também, para se proteger de uma eventual recaída em nossa economia. 

Então qual a solução?

Existe um lugar onde podemos nos beneficiar da queda da taxa de juros, que ainda é pouco explorado no Brasil e que pode parecer diferente num primeiro momento: a Bolsa de Valores. 

Essa queda na Selic ajuda as empresas a tornarem seu custo de dívida mais baixo. Com as empresas pagando menos juros, os lucros aumentam. 

Como ao comprar uma ação de uma empresa nos tornamos sócios da mesma, queremos então que seus lucro aumentem, para que o mesmo venha para o nosso bolso em forma de dividendos. 

Além disso, conclusões empíricas mostram que, no longo prazo, o preço das ações acompanha lucro da empresa. Desta forma, lucro das empresas para cima, indicam preço das ações para cima também. 

Hoje já acredito que a bolsa seja o melhor ativo para se capturar a retomada do ciclo econômico brasileiro. Devemos observar a Selic sofrer cortes adicionais nas duas próximas reuniões do Copom e isso faz com que o custo da dívida fique ainda mais baixo, fazendo com que o lucro das empresas aumente. Já sabemos o que acontece com o preço das ações quando o lucro da empresa sobe. 

Um outro fator no qual as empresas se beneficiam de uma queda na taxa de juros, é a maior atratividade para se realizar investimentos. 

Se a empresa consegue captar recursos de forma mais barata e seus clientes conseguirão crédito de forma mais fácil para consumir, os número de projetos tende a subir. 

A empresa que investe em novos projetos gira a economia, gera empregos e aumenta seus lucros. Com mais lucros, ela investe mais, gera mais empregos e aumenta ainda mais seus lucros. 

O ciclo descrito acima injeta dinheiro na economia como um todo e gera maior bem estar social. 

Conclusão

Se o seu objetivo é angariar retornos substancialmente maiores do que os da renda fixa, o caminho me parece realmente uma maior exposição à renda variável. 

Claro, cuidados devem ser tomados. A criação do portfólio importa muito. A exposição de 100% do capital em ações não é de maneira alguma recomendável. A renda variável expõe o investidor a mais riscos e tais riscos devem ser ponderados pelo perfil do investidor. 

Tome ainda mais cuidado se você nunca teve contato com o mercado de renda variável. Neste caso, pode ser interessante a exposição à essa classe via fundos de investimentos. 

Para concluir, acredito que o investidor deva ter exposição à renda fixa via títulos prefixados de vencimento longo e também títulos indexados à inflação. Esse é aquele dinheiro seguro, que não tem mesmo que ter uma multiplicação. É aquela reserva de emergência. 

A real chance de ganho de capital está na renda variável e, neste momento, uma exposição às ações me parece o meio ideal para surfar a retomada do Brasil, ganhando dinheiro com isso. 

SELIC E CDI: Conheça as principais taxas do mercado

A taxa Selic e o CDI são duas das principais taxas utilizadas no mundo dos investimentos, sendo os principais índices de remuneração dos títulos renda fixa.

 

Selic

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia. Ela é definida por um comitê de política monetária, o COPOM, do Banco Central do Brasil. Esse comitê se reúne a cada 45 dias para definir o juros básico da economia local. A Selic é conhecida por ser a taxa básica de juros por conta da sinalização que a maior autoridade monetária da nação passa. O Banco Central basicamente diz: A taxa Selic é o custo do dinheiro na economia.

 

Para definir a Selic, o COPOM leva em consideração diversos aspectos econômicos, como inflação, atividade econômica e desemprego. Como exemplo, com a Selic a 6% ao ano, quer dizer que, em teoria, todas as taxas de juros praticadas na economia devem ser maior do que esse valor.

 

Isso porque os bancos, que são os principais fornecedores de crédito para a economia, irão trocar dinheiro entre si a aproximadamente essa taxa. O governo também faz transações com os bancos a aproximadamente essa taxa. Sendo assim, se o banco capta dinheiro a aproximadamente 6%, ele irá querer algum lucro ao emprestar para o consumidor. Desta forma, ele cobra mais caro que a Selic para ter lucro. É assim que se forma o spread bancário.

 

CDI

O CDI é o Certificado de Depósito Interbancário. Essa taxa é sempre muito próxima à Selic. Isso acontece por conta de o CDI ser a taxa média às quais os bancos trocam dinheiro entre si. Como já foi dito, eles irão querer captar dinheiro ao menor custo possível, que seria a Selic. Sendo assim, o CDI é sempre muito próximo à Selic.

 

O CDI é o principal índice de referência para títulos de renda fixa privada. Ao mesmo tempo, a Selic é um dos indicadores dos títulos de Tesouro Direto. Sendo assim, quando ouvir sobre o Tesouro Selic, você já saberá que esse título irá lhe pagar a Selic atualmente em vigor.

 

Além disso, quando se deparar com um título de renda fixa que promete lhe pagar 115% do CDI, saberá que ele irá lhe pagar aproximadamente 15% a mais do está a Selic atualmente. O CDI também é muito utilizado como benchmark para fundos de investimentos. O motivo do uso do CDI como benchmark é o fato de que como muitos títulos de renda fixa utilizam o CDI como fator de remuneração, os fundos têm como objetivo gerar retornos acima deste índice.

 

O objetivo de retorno acima do CDI serve para que o investidor prefira aplicar no fundo, onde ele poderá ser melhor remunerado, mesmo que tenha de pagar taxas de administração e performance.

 

 

 

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