O que é o Come-Cotas?

Come-Cotas é um termo utilizado para  definir a antecipação do recolhimento  do imposto de renda em algumas modalidades de investimento. Certamente quem investe em  fundos classificados como de longo ou curto prazo, como renda fixa, cambiais e multimercados, já se deparou com esse tributo.

Diferentemente da grande maioria dos investimentos, onde só se paga o imposto relativo ao resgate da aplicação, nesses tipos de de fundos, se paga uma parte do imposto de forma antecipada e uma parte no resgate da aplicação. 

Quando esse imposto incide sobre meus rendimentos?

O funcionamento do come-cotas é simples, sendo deduzido a cada seis meses. Ele sempre é realizado no último dia útil dos meses de maio e novembro. Como ele não depende da interferência do investidor, acompanhando seu extrato nessas datas você poderá verificar a alteração em suas cotas de investimento.

Esse é justamente o motivo pelo qual ele recebe esse nome. No come-cotas o imposto é  deduzido diretamente das cotas do investidor. Assim, quando chega a época do come-cotas, é feito o cálculo de quanto o investidor deveria pagar de IR sobre os ganhos das aplicações naquele período e então isso é proporcionalmente deduzido das suas cotas. 

Fundos sujeitos ao come-cotas

Como já foi dito, o come-cotas não incide sobre todos os tipos de fundos de investimentos. Esse processo acontece apenas com fundos que são classificados como curto prazo ou longo prazo, dessa forma, os fundos de ações estão livres do come-cotas. Por outro lado, nos fundos de renda fixa e multimercados, muito conhecidos por parte dos investidores, existe o come-cotas. 

Alíquotas do Come-cotas

O come-cotas sempre irá incidir sobre a menor alíquota de imposto de renda  de cada tipo de fundo. Por exemplo, para os fundos de curto prazo, a cobrança semestral é de 20% em relação aos rendimentos, já para os de longo prazo o valor a ser considerado será de 15%.

No momento de resgatar o fundo, há o cálculo de compensação referente à diferença de alíquotas de acordo com o período de investimento.

Também vale a pena lembrar que a alíquota incide apenas sobre o rendimento neste  período, dessa maneira apenas a valorização do dinheiro aplicado será atingida, não o total  investido.

 

Saiba mais sobre come-cotas assistindo ao nosso vídeo educacional.

 

O fim do CDI! Uma nova era para os investimentos.

Hoje foi realizada a live “O fim do CDI! Uma nova era para os investimentos” com a presença de Guilherme Abbud, sócio-fundador da Persevera Asset Management, e apresentação de Marco Túlio Schiavinato, sócio e superintendente regional da BlueTrade e Eliseu Hernandez da área de Produtos e Alocação da BlueTrade.

Segundo Abbud, tivemos uma recessão de balanços. Durante anos, o Brasil viveu em investir se baseando em empréstimos, tanto o cidadão quanto os empresários.

Nisso, em 2015 gerou-se uma bolha de consumo, fazendo com que o Banco Central começasse a trabalhar educadamente em direção a meta.

Também reforçou que o CDI não voltará para altos patamares novamente. Na visão da asset, o CDI não deve voltar para acima de 4% a.a. nos próximos 5 anos.

Estamos vivendo um movimento transformacional no Brasil que, como país emergente, está vivendo um movimento de juros baixos semelhante a países desenvolvidos.

Abbud também reforça que pode haver a recuperação em V ou U. Porém, o pequeno e médio empresário não vai sentir isso de forma espontânea.

Nos EUA, quando a Bolsa sofre queda, sua Renda Fixa se contrapõe e tem bons retornos. Porém, isso nunca funcionou Brasil durante as crises, a Bolsa e Renda Fixa sempre vão mal juntas, afetado por conta do câmbio. Isso se deve a alta dependência do investidor estrangeiro que sempre tivemos.

Mas isso tem mudado, pois o Brasil está com mais de R$360 bilhões de reservas internacionais, a maioria das empresas nacionais já transformaram suas dívidas em reais e a própria maioria dos investidores estrangeiros já estão fora do país.

Na visão dele, a correlação entre Bolsa e Renda Fixa começou a funcionar no Brasil, semelhante aos EUA. Também há o sentimento de deslocamento entre o mundo financeiro e a economia real.

A evolução da taxa de juros também foi grande, na redução de 14% a.a. para os atuais 2% a.a. nos últimos anos. O lucro das empresas devem “patinar” por um tempo, mas os investidores farão mais compras em Bolsa, acreditando no lucro futuro.

E a Bolsa sempre antecipa todo esse movimento de retomada.

Assista a live completa no link abaixo:

Sala de Espera (0:00)
Início (15:18)
Para onde vai a taxa Selic? (24:10)
Como ir além do corte de juros? (38:12)
Quais serão as próximas medidas adotadas pelo Banco Central? (45:27)
Recuperação em V ou em U, Qual será a do Brasil? (51:21)
Como investir nesse cenário (55:22)
Criação de uma carteira e Instrumentos de proteção (1:00:56)
Economia X Performance da Bolsa (1:08:10)
Revolução silenciosa da economia brasileira (1:13:29)
Considerações finais: Desapego do CDI e estratégia para sucesso na Bolsa (1:13:29)

Tenha medo do Leão

Neste sábado, 23/05 foi realizado o webinar “Tenha Medo do Leão”, com a presença de David Leite, sócio-fundador da Contabilidade da Bolsa e intermediação de Leonardo Peggau, sócio da BlueTrade Invest.

Alguns principais tópicos foram abordados. Alguns deles foi a famosa “malha fina”. Ela acontece de 3 formas: a malha de pagamento – quando não se efetua pagamento de IR obrigatório, a malha de preenchimento de cadastros – informação de dados incorretos na origem de despesas ou receitas, e a malha fiscal – a principal, para quem investe em Bolsa e simplesmente não declara, pois a receita sabe que foi feito este investimento através do “dedo-duro”.

Há também a possibilidade de declaração retida caso o declarante tenha recebimentos de aluguéis, ou pensão, ou outros rendimentos recebidos de PF ou PJ, e não declara tais rendimentos.

É importante também a declaração da custódia de ações em que você encerra o período. Nisso, é importante lembrar que os preços das ações a serem lançados é por meio do custo médio ponderado de compra de cada ativo, e não o preço atualizado de mercado.

A Receita conhece suas movimentações, sempre por meio do “dedo-duro” ou recebimento de dividendos. Lembrando que o “dedo-duro” refere-se ao IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) que é recolhido obrigatóriamente sobre as vendas de operações comuns ou Day-Trade.

No caso de compensação de prejuízos, existem 3 tipos de saldos, onde os mesmos não podem ser misturados e utilizados um com o outro: Operações Normais (ações, opções, ETFs), Day-Trade (ações, opções, ETFs) e Operações em Fundos Imobiliários (normais ou day-trade).

Veja a live completa no link abaixo e tire suas dúvidas.



Você pode enviar suas dúvidas sobre o tema para o e-mail educacao@investientosblue.com.br.

Abra sua conta na BlueTrade e receba todo suporte necessário para suas aplicações na renda variável.

A ECONOMIA EM TEMPOS DE PANDEMIA

Em tempos de Pandemia, recebemos a todo momento comentários e dados, corretos e incorretos, sobre a o novo Corona Vírus, formas de se prevenir, métodos de cura, velocidade de transmissão, mortalidade e muitas outras informações relacionadas à área da saúde ou mesmo saúde mental.

No entanto, como a única maneira encontrada por especialistas para abrandar o surto é a prática do isolamento social, como forma de barrar ou pelo menos reduzir a velocidade de contaminação, fica claro que esta ação nos conduzirá a um problema econômico de proporções mundiais.

Neste sentido, vimos aqui tecer alguns comentários tomando por base a teoria econômica e o cenário econômico mundial e regional para tentar trazer alguma previsibilidade sobre o futuro, se é que isso é possível.

Em primeiro lugar gostaríamos de deixar claro que diante do cenário atual é praticamente impossível determinar enfaticamente qual o desfecho para a economia desta parada obrigatória, qualquer pessoa que diga o contrário está blefando.

Sim, o mundo já atravessou outros momentos de surtos e pandemias, porém, o nível de complexidade atual da economia e suas atuais características não têm precedentes na história, portanto trabalhar com as variáveis atuais nos coloca um desafio ímpar que aponta para uma infinidade de possíveis cenários.

Por outro lado, é importante salientar que por mais grave que seja a crise decorrente das ações necessárias para o controle desta pandemia, o mundo não irá acabar. Previsões catastróficas, tanto quanto previsões excessivamente otimistas, tendem a estar equivocadas.

Um novo momento para a humanidade

A capacidade do ser humano de se reinventar e reagir a situações adversas também tem sido potencializada com o passar dos anos. Portanto, a única certeza que temos é que a reação será rápida e trará novas soluções para os problemas que estão sendo postos à mesa, porém os efeitos desta reação deverão ser sentidos ao longo do tempo, transformando de forma definitiva a maneira como vivemos.

Voltando ao aspecto econômico, o que se coloca à frente é uma crise de demanda e de oferta provocada por uma paralisia voluntária da atividade econômica. No entanto, quando ambos os lados do mercado paralisam, ocorre um descompasso, pois as reduções não acontecem em concomitância e isso causa aumento de preços quando a demanda supera a oferta e queda nos preços no caso contrário.

Assim, o que já pode ser observado são variações assimétricas nos preços de algumas mercadorias e esse fenômeno deve se intensificar à medida que ingressamos na fase mais aguda da contaminação.

Crises de oferta ou de demanda são velhas conhecidas dos economistas, mas o chamado lockdown ou parada obrigatória nos conduz a um cenário onde oferta e demanda estão sendo reduzidas e, em alguns casos, paralisadas, gerando sérias distorções e condenando algumas empresas ao fechamento e muitas pessoas ao desemprego  e consequente perda de renda.

Quais os setores mais impactados?

Os setores da economia estão sendo impactados pelos efeitos da pandemia de maneira desigual. Alguns simplesmente congelaram suas atividades, como companhias aéreas e prestadores de serviços de turismo e eventos, outros, por outro lado, até perceberam suas atividades se intensificar, como é o caso de algumas empresas de comércio eletrônico, indústrias de equipamentos médicos específicos ou aquelas empresas com foco em delivery.

Entre esses dois extremos teremos uma gama enorme de ramos da economia que, para sobreviver e voltar a crescer, precisarão se reinventar e repensar a maneira como irão se relacionar com seus clientes daqui para frente. Uma frase de grande impacto comum de se ouvir dita por pessoas da área de saúde e epidemiologistas envolvidos na condução do processo de redução da velocidade de contaminação pelo vírus é a seguinte: “O mundo que conhecíamos mudou, não voltaremos mais à realidade que existia antes da pandemia”.

Ora, se o mundo mudou, como essa mudança irá afetar o comportamento das empresas daqui para frente? A resposta para essa pergunta determinará o sucesso ou fracasso das empresas pós COVID-19.

De maneira simplificada, em economia temos várias linhas de pensamento econômico que podem ser divididas em dois grandes grupos, o primeiro dos liberais ou ortodoxos que defendem a mínima intervenção do Estado na economia e o segundo dos intervencionistas ou heterodoxos, que pregam uma maior atuação do Estado na economia.

Um dos maiores expoentes deste segundo grupo foi o economista John Maynard Keynes, que ganhou notoriedade após a grande depressão de 1929, defendendo que se os Governos não intervissem na economia para minimizar a crise econômica ocorrida naquele momento, os efeitos causados por ela poderiam ser ainda mais devastadores.

Dito isto, a partir do ponto que estamos, o que se pode esperar dos governos e dos Bancos Centrais por todo o mundo, são inúmeras decisões de políticas voltadas para minimizar os efeitos negativos da crise e estimular a atividade econômica. São as chamadas medidas contracíclicas, que de maneira geral culminam com o aumento da quantidade de moeda em circulação e a elevação dos gastos governamentais.

O que podemos esperar para o pós-pandemia?

A maior preocupação advinda destas medidas é o fato de que seus efeitos podem levar a novas distorções como aumento de preços, desequilíbrio na concorrência e aumento do tamanho do Estado.

Especialmente no Brasil, que se esforçava para retomar o controle dos gastos públicos, uma situação como a que estamos vivendo pode jogar por terra boa parte do esforço realizada até o momento, além de aumentar sobremaneira o risco de desvios de dinheiro público, uma vez que essas políticas acabam suspendendo ou abrandando medidas legais de fiscalização e controle dos gastos governamentais.

Mas o que podemos fazer em momentos como esse? A sensação de impotência é enorme e o medo do desconhecido toma conta dos agentes econômicos, inclusive os mais experientes. Algumas dicas são cruciais.

A primeira delas é não tentar adivinhar o futuro, adotando uma postura agressiva quanto a investimentos ou grandes decisões que impactem de maneira definitiva sua renda, assuma que você pode estar certo, mas também pode estar errado e atitudes radicais na direção errada podem condená-lo ao fracasso definitivo.

Algumas direções para os negócios tornaram-se bastante óbvias, pois já representavam uma tendência antes da pandemia e agora devem se consolidar de maneira mais definitiva. É o caso do comércio eletrônico, prestação de serviços on line, delivery e logística.

Dediquem-se a entender e se aprofundar em como colocar o seu negócio ou vida cada vez mais voltado para essa realidade. As mudanças nos perfis de consumo das pessoas serão enormes, fique atento, existirão armadilhas, mas também surgirão inúmeras oportunidades.

E por fim, é fundamental que percebamos que nada disso é por acaso, vivemos cada vez mais uma busca material em nossas vidas, falamos da boca para fora que valorizamos nossa saúde, mas de fato nos envenenamos todos os dias com substâncias, emoções e sentimentos, se não tivermos saúde, física e mental, nada do que fizermos terá qualquer propósito, pois não estaremos aqui para desfrutar.

Autores:
Ms. Marcelo Bosi Rodrigues
Delegado Regional de Ribeirão Preto CORECON/SP

Márcia Lira
Assessora de investimentos BlueTrade

LIVE: Aceleração Digital, com Roberto Fulcherberguer (CEO Via Varejo) e Fabio Coelho (CEO Google).

• Segundo Roberto (Via Varejo), eles vinham numa transformação forte no 1º tri até serem atingidos pelo Covid. Fecharam todas as lojas e previram perda de 70% do faturamento, mas optaram por inovar a empresa aumentando o meio online, que era apenas 30% do negócio, e agora ja representa 80%. Criaram o “Me Chama no Zap”, atualmente são mais de 7.000 vendedores, fazendo mediação com cliente de forma online.

• Segundo Fábio (Google Brasil), o Google têm tentado trabalhar com todos os tipos de empresas para ajudá-las na aceleração digital. No momento de agora, o e-commerce deixou de ser “canal” e passou a ser o “centro” de vendas. Eles mostram estratégias na aquisição de mais clientes via on-line e auxiliam na exploração da base de dados de forma correta.

• Fábio reforça que comportamentos semelhantes que buscam determinados produtos, para buscarem a melhor opção para atingir o que o cliente busca, criando um comércio melhor em conhecer o seu usuário.

• Roberto relata que a Via Varejo usava o Google no momento da decisão da compra, e agora estão mais fortes no topo do funil. Isso fez com que abrisse um leque de oportunidades. A assertividade e eficiência cresceram de forma bastante exponencial. Além disso, na época de lojas abertas, a tecnologia e uso de dados dos clientes internos possibilitam uma grande interação entre vendedor e cliente, humanizando a relação dentre eles.

• Fábio enfatiza que as grandes marcas têm ajudado a trazer diversão por meio das lives, em conjunto com a solidariedade, com as doações disponíveis para serem feitas. Na live da Sandy e Júnior, conseguiram doação de mais de 1.000 toneladas de alimento.

• Roberto relata que as vendas online estavam dando problemas com várias reclamações em black friday do ano passado, por conta de sistema. Nisso, pararam de focar a parte online e ajustaram o sistema, e dali pra frente, o online da empresa só tem crescido.

• Segundo Fábio, digital não é só propaganda, e sim uma série de estratégias, a fim de gerar uma receita individualizada para o parceiro. As empresas serão mais eficientes se entenderem se o CEO estar diretamente envolvido. Também deve-se entender que isso é uma jornada que se evolui com o tempo.

• Fábio ressalta que o Google têm ajudado a XP em várias frentes de negócios também. É preciso ter neste momento empatia e ajudar as pessoas, pois a crise é séria e é preciso ter responsabilidade e cuidado anti-social.

Confira esse bate-papo completo no vídeo abaixo.

Não coloque todos os seus ovos em uma cesta

“Não coloque todos os seus ovos em uma cesta”. É uma expressão comum, mas você sabia que também é um conselho valioso ao investir? A diversificação – uma estratégia comum na construção de um portfólio – envolve investir em uma variedade de ativos, em vez de uma classe de ativos específica. A diversificação é muito importante para reduzir o risco do portfólio de investimento.

Como a diversificação reduz o risco?  

Colocar todo o seu patrimônio líquido em uma classe de ações ou ativos é um empreendimento arriscado. Se a classe de ações ou ativo não performar ou cair 50% (como nesses dias de COVID-19), isso poderá causar um tremendo dano à sua carteira de investimentos. Ao diversificar seu portfólio, você distribui seu patrimônio líquido por várias classes de ativos que funcionam em diferentes direções, limitando assim as flutuações no seu desempenho.

É possível diversificar seu portfólio em várias classes de ativos e dentro de classe. É possível investir em renda fixa, ações, câmbio, fundos multimercados e fundos imobiliários. Dentro de renda fixa, é possível ter no portfólio, ativos pós fixados, pré fixados e indexados à inflação. Em ação, pode se virar sócio de empresas de consumo, varejo, aviação, tecnologia, etc. E assim por diante.

O que importa é a correlação entre os ativos. Por exemplo, as ações tendem a ser negativamente correlacionadas com o dólar e o ouro. No caso de uma correção no mercado de ações, esses ativos devem fornecer equilíbrio ao seu portfólio e potencialmente compensar perdas. Quando você combina ativos que têm correlações negativas, tende a ser benéfico e reduz o risco final do portfólio.

Por que é importante diversificar os investimentos  

Alguns investidores tendem a comprar ativos que tiveram um bom desempenho; essa é a mentalidade clássica de “perseguir retornos”. No entanto, é importante não se envolver nessa tática, porque os vencedores do ano passado costumam ser perdedores do ano seguinte. Em um ano, as ações internacionais poderiam ser o ativo com melhor desempenho, mas poderiam ser o ativo com pior desempenho no próximo ano. Ou até mesmo a pior classe em determinado período.

A diversificação pode colocá-lo em melhor posição para suportar quedas no desempenho e, portanto, manter o curso enquanto trabalha para alcançar seus objetivos financeiros. Dessa forma, se seu portfólio estiver exposto em um ativo que apresentar um desempenho ruim, você não será obrigado a vender baixo e aceitar grandes perdas.

Resumindo  

A alocação adequada de ativos é vista como fundamental para se tornar um investidor de sucesso. É por isso que diversificar seu portfólio pode ser tão importante: ajuda a compensar ativos com desempenho insatisfatório, para que você não seja obrigado a vender baixo e a sofrer perdas prejudiciais que afetam seus objetivos financeiros. Em vez disso, a diversificação permite absorver melhor quedas razoáveis no desempenho e manter o curso com seus investimentos, para que você tenha uma oportunidade melhor de atingir seus objetivos ao longo do seu horizonte de investimento.

Volatilidade e seus Investimentos

Volatilidade do coronavírus ainda não atinge mercado de câmbio” (Exame, 05 de Fevereiro de 2020)
“Dólar recupera-se de mínimas de 2 semanas; volatilidade do euro sobe” (Money Times, 26 de Fevereiro de 2020)
“Estrangeiro já retirou R$ 23,4 bilhões da Bolsa, e volatilidade assusta pessoa física” (Estadão, 11 de fevereiro de 2020)

Acima estão algumas manchetes de notícias que tomaram as frentes dos meios de comunicação do país. Todos trazem o termo de volatilidade em seus títulos, cada um com uma abordagem diferente. Mas afinal, seja você um investidor iniciante ou mais experiente, quem nunca ouviu o termo volatilidade dentro do contexto financeiro?

O uso da palavra “volatilidade” apresenta uma amplitude e um significado muito grande. Portanto, este texto ajudará você, leitor e investidor a entender mais sobre o conceito dentro do mercado financeiro. Além disso, é de extrema importância entender como que a volatilidade impacta as carteiras de investimento. 

O que é, então, volatilidade?

A volatilidade é um dos indicadores mais importantes dentro do ambiente de investimentos. As aplicações financeiras são influenciadas por variáveis intrínsecas (características dos próprios ativos) e variáveis extrínsecas (características do ambiente externo/mercado). Portanto, a volatilidade é um dos indicadores que ajudam a mensurar impactos que essas variáveis provocam nos valores dos ativos.

O que esse indicador mede?

A volatilidade é um indicador que mede a frequência e intensidade da variação do valor (preço) de um ativo. A forma mais comum de determinar esse número é através do cálculo do desvio padrão histórico do valor do ativo. Esta fórmula consiste em calcular a diferença dos valores observados com o valor médio do período, dividido pela quantidade de observações. Por curiosidade, a fórmula está indicada abaixo:

Além disso, é comum também encontrar a volatilidade de um ativo relacionado com um ativo do mercado, por exemplo o IBOVESPA ou o próprio CDI. Nesta forma, a variação do valor de um ativo é comparada com a oscilação desta referência do mercado. 

Mas, o que isso significa na prática?

Ao se deparar com o conceito de volatilidade nas notícias, na reunião com seu assessor ou estudando sobre o mercado, é necessário ter em mente, de forma simples, a seguinte relação: o quanto e como que o valor deste ativo varia, tanto para cima, tanto para baixo em um determinado período de tempo. Considere o exemplo: um ativo possui um preço médio de R$100 e sua volatilidade naquele momento é de 20%. Portanto, este ativo tem a probabilidade de valer R$80 a R$120, no período dado.

A volatilidade tem em sua essência a noção de variação. Ter em mente que os ativos variam de diferentes formas e reconhecer isso dentro de seu perfil e investimentos é uma maneira inteligente de trazer mais valor para sua carteira. Considerando a essência de variação, a volatilidade é também uma medida de conhecer o risco de uma carteira de investimentos.

Assim como qualquer situação no mercado, ao analisar e controlar a volatilidade dos seus investimentos, é possível encontrar oportunidades e ameaças que impactam seus ativos. Estudando a fundo como que os preços dos ativos variam, a hora de realizar ganhos e limitar prejuízos é algo administrável. Junto com um profissional dedicado ao seu lado, como um assessor de investimentos, é possível potencializar essas oportunidades e minimizar as ameaças que uma variação negativa de preços pode trazer para sua carteira.

E, quais são as causas da volatilidade?

A volatilidade do valor de um ativo existe decorrente de inúmeras variáveis internas e externas dos mesmos. Elas são pautas de discussões de diferentes tipos de analistas, sejam eles técnicos (baseados em gráficos) e fundamentalistas (baseados em demonstrativos financeiros e projeções de mercado). 

O valor de um ativo varia por pressões de oferta (venda) e demanda (compra), por projeções macro e microeconômicas, por notícias diretamente ou indiretamente relacionadas ao ativo, por análises passadas do valor do próprio ativo e projeções de como o gráfico do preço do ativo irá se comportar. Tudo se envolve ao redor da expectativa que aquele preço realmente pode ou não alcançar.

O contexto mais comum de vermos a volatilidade em pauta é nos preços das ações listadas na bolsa. Todos nós sabemos que o preço de uma ação de uma empresa sobe e desce todos os dias. Algumas vezes de forma mais amena, outras vezes de forma intensa.

Observe um exemplo real abaixo, do qual comparamos duas ações e suas volatilidade anuais.

Neste caso, as ações preferenciais da Petrobrás apresentaram uma volatilidade de cerca de 25% a mais do que as ações preferenciais do Itaú. Ou seja, o preço das ações da Petrobrás variaram muito mais para cima e para baixo do que os preços das ações do banco. 

Como a volatilidade impacta minha carteira?

O entendimento da variação é de extrema importância pois dará ao investidor uma gestão de risco mais completa. Ao administrar a volatilidade de sua carteira, o investidor consegue ter um controle maior sobre as altas e, principalmente, sobre as baixas dos ativos de seu portfólio de investimentos.

Prestar atenção nesses aspectos pode ajudar na rentabilidade tanto de curto quanto de longo prazo do seu portfólio. É importante ressaltar também que a volatilidade depende das diferentes classes ativos que estão alocados na carteira, do horizonte de tempo de investimento e do perfil do cliente.

A imagem abaixo mostra a volatilidade de duas carteiras, ambas com as mesmas características. Entretanto, uma foi montada com fundos somente de renda fixa, e outra foi montada com somente fundos de ações. Ou seja, a primeira possui menor volatilidade e risco, a segunda apresenta uma maior variação e risco.

Preste atenção na diferença das duas carteiras. O eixo vertical está muito diferente entre as duas. Enquanto a primeira carteira possui uma volatilidade média de 0,20%, a segunda possui uma volatilidade média de 20%. A simulação traz uma aplicação de R$ 100.000,00. Na primeira carteira, no período simulado, o ganho foi de R$ 25.000,00, já na segunda carteira, o ganho foi de R$ 55.000,00. 

Enquanto o investidor da carteira 1 não viu seu patrimônio subir e descer tanto, somente uma pequena subida e às vezes uma descida, o investidor da carteira 2 ficou muito mais exposto à variação, sendo sujeito à uma montanha russa de preços. No entanto, os dois tiveram investimentos rentáveis. Vai de cada perfil estar sujeito e aguentar diferentes níveis de variação.

O que devo fazer?

Busque informações e entenda: sempre tente aprender ao máximo sobre os produtos que está investindo, como eles se relacionam e o que está por trás das suas decisões. Existem muitas informações completas e simples em diferentes portais para capacitar ainda mais o investidor brasileiro. Caso já tenha um assessor, consulte seus conhecimentos, a pessoa que cuida dos seus investimentos está preparada para explicar como que os produtos funcionam.

Diversifique: tenha ativos de alta qualidade e de diferentes classes dentro de seu portfólio. Isso faz com que sua carteira possua uma constância maior e um controle maior sobre os riscos, e não sofra com momentos de instabilidade.

Paciência: tenha paciência para investir seus recursos. Foque no longo prazo e deixe seus investimentos trabalhar a favor do tempo e trabalhar por você. Muitas vezes o mercado irá passar por momentos de instabilidade e é importante o investidor saber entender isso. Reconhecer o momento, parar e analisar sua carteira e tomar a melhor decisão, junto com um profissional, é algo que, no futuro, fará um diferencial.

Tenha um profissional ao lado: investir sozinho é uma tarefa difícil que necessita de muito tempo e dedicação. Ter um profissional ao lado, como um assessor de investimentos, trará um respaldo, um profissionalismo e fará sua carteira de investimentos a sua cara, de acordo com o seu perfil. Além disso, com um assessor, os melhores produtos financeiros serão alocados e distribuídos para seu acesso.

As duas taxas de juros do Brasil e a nova era dos juros baixos

Os juros tiveram sua definição debatida na teoria econômica durante muitos anos, desde os neoclássicos relacionando-os à produtividade marginal do capital até Keynes entendendo juros como uma recompensa pela renúncia a liquidez. Para fins práticos, é satisfatório aqui entender juros como uma remuneração recebida por quem empresta o dinheiro. A definição parece simples, mas os fatores que compõe o cálculo desses juros são bem mais amplos.

Com taxas de juros altíssimas, o Brasil se acostumou a ser alvo do capital especulativo, o chamado carry trade, no qual elementos internacionais captavam recursos em outros países a taxas baixas e os aplicavam nos juros brasileiros a fim de ganhar um spread de juros. É um tipo de capital que pouco coopera com a produtividade interna do país.

O cenário mudou. O Brasil entrou em uma situação econômica de estabilidade de inflação e juros que nunca havia passado antes. A Selic foi paulatinamente sendo cortada dos estratosféricos 14,25% para os atuais 4,5%, seguindo a queda da inflação que chega abaixo dos 4%.

O novo patamar de juros está animando empresários, estimulando o comércio e provocando os poupadores, sugerindo uma revisão de suas carteiras de aplicações financeiras. Mesmo assim, muitos ainda permanecem na dúvida se os baixos juros vieram para ficar ou se a situação econômica do país ainda é instável o suficiente para se fazer afirmações mais assertivas.

Selic

Vamos aos fundamentos. Abaixo é destacado alguns dos principais motivos que mantiveram os juros brasileiros nos altos níveis históricos e as mudanças que vem ocorrendo e impactando na trajetória desses juros inclusive no longo prazo.

Primeiro, temos a conjuntura econômica brasileira com inflação controlada em baixos níveis históricos e com projeções de se manter em baixos níveis nos próximos anos. Segundo o economista Alexandre Schwartsman, que traçou alguns cenários possíveis para câmbio, juros e inflação e a interação entre essas variáveis, parece ainda haver espaço para mais queda na Selic no início de 2020, apesar de poder ter uma leve alta em 2021.

Nessa conjuntura também pode-se destacar a forte desaceleração no aumento dos gastos públicos que também pressionam os juros para cima.

Segundo, temos uma grande concentração bancária no Brasil, e como qualquer mercado com baixa concorrência, a tendência é o aumento de preço (entenda-se aqui, juros) para o consumidor (tomador). Segundo dados da Economatica, a relação entre rentabilidade e patrimônio dos bancos brasileiros nas últimas duas décadas caminhou na faixa dos 20%, enquanto o de bancos americanos iniciaram o mesmo período pouco abaixo dos 20% e mantem-se desde 2007 abaixo dos 8%.

Essa alta lucratividade dos bancos brasileiros tende a desacelerar com a maior abertura da economia e novos concorrentes surgindo no mercado, disponibilizando os serviços bancários de forma mais eficiente e barata.

Taxa média de juros de empréstimos bancários

Fonte: Banco Mundial

Outro fator, são os depósitos compulsórios elevados. Os depósitos compulsórios no Brasil são historicamente altos, muito maior do que os das maiores economias do mundo. Essa medida visa principalmente reduzir a liquidez na economia, e como consequência estimula a alta dos juros bancários, uma vez que os bancos têm grande parte de seus recursos congelados no Banco Central.

Para manter sua lucratividade com os empréstimos e disponibilizando de um menor montante de capital, acabam tendo que elevar os juros aos tomadores. Soma-se a isso também a alta carga tributária auferida aos bancos que a repassam no custo dos juros.


Com a economia caminhando para estabilidade, desde 2017, o Banco Central de Ilan Goldfajn, iniciou a redução dos depósitos compulsórios. Essa tendência vem sendo seguida até hoje com as medidas mais liberais de Guedes, e liberando mais crédito para a economia de forma sustentável.

Em meados de 2019, o BCB soltou a nota: “a redução estrutural dos compulsórios é uma das ações da Agenda BC#, parte do pilar de eficiência de mercado.”  Pretende-se que o aprimoramento do uso dos instrumentos financeiros permita que o BCB trabalhe permanentemente com níveis de compulsórios mais baixos no futuro.

E um dos fatores mais importantes a ser destacado na mudança da tendência dos juros brasileiros é a existência de créditos subsidiados em grande escala.

Temos duas importantes taxas de juros no Brasil, uma é a conhecida Selic e a outra, nem sempre destacada, a taxa do BNDES (TJLP). A importância desta segunda se dá pelo impacto que causou na Selic nos últimos anos. Uma vez que se trata de juros subsidiados que, portanto, beneficiam determinada classe, chamados também de os “amigos do rei (governo)”, acaba por trazer custos que são repassados para o resto da população através do aumento da taxa Selic.

Por isso, ao tentar combater a inflação com o aumento dos juros Selic a eficiência da política monetária fica comprometida e, dentre outros motivos, acabamos tendo alta inflação mesmo com altos juros.

Segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Karel Luketic, se não fosse a taxa subsidiada do BNDES, a Selic que era 14% a.a deveria ter sido, na verdade, em torno dos 9% a.a. É uma diferença gritante que veio onerando a produtividade e o crescimento do país, além de impulsionar a dívida pública. Para se ter uma ideia os juros para financiamento de jatos executivos chegaram a apenas 4% anual.

No histórico comparativo entre a TJLP e Selic, segundo dados do Banco Central, tivemos momentos de grandes diferenças entre estas. Em 2014, a TJLP encerrou o ano nos 5% a.a. e a Selic já avançava para além dos 11%. Hoje, com a Selic bastante reduzida temos a TJLP (atual TLP) em 5,09% a.a. Menos benefícios, significa menos repasses de custos e distorções econômicas. Os benefícios não devem ser totalmente excluídos, mas melhor planejados e bem direcionados.

Por fim, um dos objetivos agora é atrair capital investidor que estimule a produtividade interna. O Estado de São Paulo publicou recentemente que o governo chinês deve voltar a aumentar os investimentos no país, para faixa de US$7 bilhões em 2020, principalmente em infraestrutura, um dos sinais de que o Brasil está mais atrativo para esse tipo capital, seguindo a mudança de perspectiva da agência de rating S&P para o Brasil de estável para positiva, apesar de ainda não termos voltado ao grau de investimento.

Em outubro de 2019, segundo o Banco Central, as despesas do governo com juros da dívida atingiram o menor nível em 5 anos, 4,96% do PIB. Somando a reforma da previdência, redução dos juros e devolução de recursos pelo BNDES, o governo deverá economizar cerca de R$ 96 bilhões de reais em 2020, de acordo com o ministro Paulo Guedes.

Isso é apenas um dos indícios de um novo círculo virtuoso da economia brasileira. A abertura da economia com descentralização estatal e aumento da concorrência, são mudanças estruturais que vieram para ficar, praticamente irreversíveis, que gerarão benefícios ao país e a população por muitos anos. São mudanças que cooperam para manutenção de juros mais baixos.

Quem sempre esteve acostumado com a renda fixa brasileira terá que olhar para horizontes mais amplos e diversos de investimentos. E isso é uma saudável mudança de hábito que ajudará o brasileiro a aproveitar melhores oportunidades além de cooperar mais como capital produtivo em empresas e empreendimentos.