Ciclos Econômicos e sua importância

Você já deve ter reparado que constantemente fazemos menção às políticas monetárias e fiscais nesse site, e isso se deve à sua influência na economia.

Mas afinal, o que as influenciam? É sobre isso que vamos falar hoje, os chamados Ciclos Econômicos.

DEFININDO

Os Ciclos Econômicos, são caracterizados por 4 fases distintas, sendo elas as fases de expansão, boom (pico), contração e recessão. Vamos discorrer um pouco sobre cada uma delas.

O ciclo de expansão pode ser interpretado como o ciclo da prosperidade, onde temos uma alta demanda agregada, os lucros das empresas estão nas alturas, e o investimento das empresas é alto.

Geralmente, as taxas de juros estão em patamares mais baixos.

Já o estágio do Boom é caracterizado como o pico do ciclo de expansão, quando se forma uma pressão inflacionária e temos um excesso na demanda agregada.

O estágio de contração se dá por uma diminuição no consumo, nos lucros e nos preços dos produtos e serviços por parte das empresas, que competem por consumidores.

O estágio de recessão é reconhecido através das altas taxas de desemprego e lucros baixos por parte das empresas.

POLÍTICA MONETÁRIA E FISCAL E SUA ATUAÇÃO NOS CICLOS

Como vimos acima, diferentes ciclos apresentam diferentes problemas e soluções.

Geralmente, as atuações mais contundentes ocorrem nos momentos mais extremos, como nos períodos do boom e da recessão, sendo adotadas medidas contracionistas e expancionistas, respectivamente.

Quando a economia está a todo vapor, para corrigir assimetrias tais como a pressão inflacionária adotam-se medidas contracionistas, com um aumento na taxa de juros, corte nos gastos públicos e aumento nas tributações.

Já em períodos de recessão, adotam-se políticas expancionistas como forma de combate à pressão por desemprego, com redução na taxa de juros, aumento dos gastos públicos e diminuição na tributação.

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EXPERT XP 2020 | Min. Paulo Guedes: Momento econômico brasileiro

O ministro da economia Paulo Guedes afirmou que os últimos 5 meses foram muito intensos para o governo.

No entanto, a crise politica abaixou graças a população que percebe o trabalho que o governo tem feito, como auxilio emergencial, credito para as empresas – estendendo o consumo privado, reforma da previdência, etc.

Durante a pandemia, não faltaram recursos para a saúde. Segundo o ministro, não ha problemas no aumento da divida publica para a saúde na situação de calamidade que vivemos, pois o mundo todo entende isso.

E também entende que isso pode se recuperar por meio das medidas fiscais.

Segundo Guedes, haverá um boom de 10 anos de contrato civil no Brasil. As classes mais baixas alcançarão a casa própria com juros mais baixos, onde a previsão é de 1 a 2 milhões de novos integrantes.

Ele ressaltou sobre o atual compromisso com o controle de gastos. Mas parte disso foi herdado pelo governo anterior, onde o descontrole levou o Brasil ao endividamento em “bola de neve”, derrubando taxa de câmbio e juros altíssimos.

A economia vive de expectativas sobre o futuro. Segundo ele, as três principais despesas foram sanadas em pouco tempo de governo: reforma da previdência, taxa de juros e funcionalismo público.

Despesas estas que estão controladas e que continuarão tendo controle futuramente. Mas o principal agente que vai destravar isso será o investimento privado.

A reforma tributaria pode ser interditada, e segundo ele a CPMF não entra, pois há amplas áreas de tributação ainda não exploradas, como o comércio eletrônico e transações de pagamentos.

E resumiu que haverá sim impostos sobre dividendos. E o imposto PJ vai cair. Os atuais 35% devem cair para média mundial próxima de 20%.

Segundo Guedes, “fizeram o teto (de gastos) mas não as paredes”, para conter os gastos com a previdência e com o funcionalismo.

E reforça que sempre ha a vontade econômica de executar, mas não há o auxilio politico necessário. E finalizou que não sairá do governo tão cedo.

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Quantitative Easing e suas aplicações



Se você é familiarizado com o mundo dos investimentos, provavelmente já ouviu falar de Quantitative Easing. Esse artifício consiste na “injeção” artificial de capital.

O Banco Central atua na economia por meio da política monetária, utilizando instrumentos que controlam o “preço” do dinheiro.

As 3 medidas mais conhecidas são o Depósito Compulsório (parte dos depósitos à vista recebidos pelos bancos são transferidos para o Banco Central), Open Market (compra e venda de títulos públicos) e Taxa de Redesconto (taxa de empréstimo para as instituições financeiras).

Porém, em casos em que os meios mais ortodoxos provam – se insuficientes, o Quantitative Easing pode entrar em cena.

Como funciona

Como mencionado anteriormente, esse método baseia-se na transmissão indireta de capital do Banco Central para a economia por meio das instituições financeiras.

Em momentos em que os bancos estão hesitantes em emprestar seu capital, mesmo em que a taxa de juros está em baixa, encontramos uma situação que chamamos de armadilha de liquidez.

Por meio da injeção artificial de capital, o governo gera liquidez no mercado, entrando como comprador de títulos bancários.

Quando isso acontece, as instituições financeiras então encontram-se com um excedente de capital em suas mãos.

A expectativa é que, com isso, essas instituições se tornem mais propensas a conceder crédito mais barato (diversas instituições com capital excedente = competição para empréstimo por meio das taxas de juros) para a ponta final, facilitando assim o acesso a recursos, aumentando o consumo, fazendo a economia girar e os preços subirem, combatendo, então, um cenário deflacionário e de estagnação econômica.

Esse método se diferencia do Open Market pelo volume de capital utilizado, e pelo maior leque de ativos que podem ser adquiridos pelo Banco Central. Outro aspecto interessante é a influência que esse programa tem na política fiscal.

Entrando como comprador de títulos públicos em massa, o preço desses títulos tende a aumentar (lei da oferta e demanda), e o yield (Retorno/Preço) diminuir, caso as taxas permaneçam constantes, gerando a possibilidade de o governo emitir novos títulos a preços e yield´s menores, diminuindo o custo da dívida e aumentando sua capacidade de gasto, o que pode influenciar a economia de forma positiva.

Pontos negativos

Um aumento acima do esperado na inflação pode ocorrer quando não há uma mensuração correta da demanda e oferta.

Nesse caso, como a quantidade de moeda em circulação é muito elevada, a oferta pode não acompanhar a demanda, o que gera um aumento acentuado nos preços, gerando assim, um cenário hiper inflacionário.

A desvalorização cambial também é um risco inerente quando se utiliza o Quantitative Easing. Além disso, o excesso de capital nas mãos dos bancos não necessariamente vai levar a um aumento no capital em circulação caso os bancos não tenham confiança na estabilidade econômica, optando, assim, apenas por reter o recurso.

Conclusão

O Quantitative Easing pode ser um instrumento muito importante em cenários de estagnação econômica, porém, é necessário muita cautela e estudo na sua aplicação para que não ocorra um desvio em seu caráter temporário, sendo utilizado de forma permanente para financiar a dívida pública e privada, nem uma mensuração incorreta do estímulo necessário.

*Em colaboração com Eliseu Hernandez, assessor de investimentos BlueTrade.




A curva de juros no Brasil e seus investimentos em renda fixa

Hoje vamos falar sobre um assunto que causa muita confusão na cabeça dos investidores. Porém, seu entendimento é de suma importância: a famigerada curva de juros.

Afinal, do que se trata? A curva de juros (ou Yield Curve) é uma relação matemática de tempo/ retorno. Ela representa, graficamente, o retorno de um título, ou títulos, de qualidade de crédito semelhantes ao longo do tempo.

Em finanças, o tempo é associado ao risco, o que, se pararmos para pensar, faz muito sentido! Afinal, um investimento em um título nada mais é que um empréstimo.

O que você acha que tem mais risco? Emprestar seu dinheiro para o seu tio durante um mês, ou 5 anos? Exatamente, a possibilidade de eventos que podem prejudicar a capacidade de pagamento do devedor, em um período mais longo de tempo, é muito maior. Logo, naturalmente, o prêmio exigido é maior.

Banco Central e sua relação com a curva

O Banco Central atua na curva de juros por meio da política monetária. Em cenários de inflação baixa e desaceleração econômica, o BACEN tende a reduzir a taxa básica de juros da economia, como uma forma de estímulo (taxa baixa, preço do dinheiro cai, pessoas e empresas tomam mais crédito, consomem, e a economia volta a crescer).

Da mesma forma, em cenários de pressão inflacionária, o Bacen aumenta a taxa de juros. Na ponta longa da curva, as taxas refletem a expectativa de longo prazo, baseadas nas ações de hoje, por isso, a credibilidade do Banco Central é tão importante.

Afinal, se as taxas de juros estão baixas no curto prazo, a tendência é que elas cresçam ao longo do tempo, até que a pressão inflacionária se forme, e o Bacen volte a cortá-la (é o que chamamos de curva normal).

O mercado tenta antecipar isto através de um aumento na expectativa de juros no longo prazo. Porém, é importante frisar que a curva de juros não reflete somente as ações da política econômica.

A percepção de risco de um país também entra em jogo, afinal, se um país está no meio de uma crise política, a confiança do investidor cai, e isso se reflete em um prêmio pelo risco maior, o que gera uma abertura (muitas vezes irracional) nas taxas.

Curva Pré x DI

Quando ouvimos falar de curva de juros, normalmente faz-se referência à curva Pré x DI. Essa curva é a representação gráfica da expectativa de juros. A sua formação se dá por meio de contratos futuros do DI. Porém, é importante mencionar que a precificação desses contratos futuros leva em consideração fatores como instabilidade política, inflação e risco pelo tempo. 

Portanto, a precificação no longo prazo está muito mais associada à percepção de risco do país do que à expectativa de fato de que a taxa de juros vai representar aquele valor, naquela data. Essa associação, representa bem aquilo que foi discutido anteriormente, quando falamos em aberturas irracionais da curva.

Abertura da curva em diferentes momentos no tempo.



E o que a Renda Fixa tem com isso?

Essas aberturas irracionais representam uma boa oportunidade de alocação em renda fixa, uma vez que a precificação e remuneração desses títulos é baseada na curva de juros. Em um cenário de abertura podemos encontrar taxas extremamente atrativas, em ativos de qualidade de crédito excelente, o que, em retorno, diminui a atratividade em investimentos de renda variável.

Afinal, por que correr risco, se posso ter uma boa rentabilidade na renda fixa, com um risco muito menor? Além disso, essas aberturas geram uma boa oportunidade de ganho para aqueles que não desejam carregar o papel até o vencimento.

A lógica por trás disso é simples: os títulos são marcados a mercado (baseado nas taxas em que aquele título está sendo negociado).

Se possuo um papel com uma taxa IPCA+5%, e o mesmo papel está sendo negociado no mercado a uma taxa de IPCA+4%, naturalmente meu título se torna mais interessante para os outros investidores, o que causa uma apreciação e a possibilidade de negociação com um ganho – é o que chamamos de ágio.

Em linhas gerais, títulos pré-fixados são interessantes se a expectativa é de queda de juros, e pós-fixados, se a expectativa é de alta. Lembrando, a marcação a mercado não é relevante caso você decida carregar seu título até o vencimento.

Conclusão

Como vimos, a renda é fixa mas não tão fixa assim. É possível obter ganhos expressivos caso o investidor se posicione de maneira correta, tanto antes do vencimento, quanto na própria data de vencimento. Porém, é importante frisar, fique sempre atento às suas necessidades como investidor.

Não assuma riscos que não está disposto a correr, e preste sempre atenção ao vencimento do título e à sua necessidade de liquidez, para que não seja surpreendido de forma negativa pelo mercado.

Como declarar suas ações no imposto de renda de 2020

foto de um leão com uma cidade ao fundo, com foto de prédios.

Declaração de Imposto de Renda

O Leão acordou! Motivo de pânico? Nunca!

Esta semana a receita federal iniciou o período de Declaração de Imposto de Renda para o ano fechado de 2019. O período vai de 02 de março até dia 30 de abril. A população tem tempo de sobra para conseguir se orientar e realizar a sua declaração da melhor maneira possível. Esta é uma época da qual gera muita dúvida e anseios. Portanto, separe um tempo para organizar suas finanças e se informar sobre aquilo que fez parte de sua renda no ano de 2019, inclusive seus investimentos! Você já pagou tudo, fique tranquilo, agora é só declarar e esperar a verificação da Receita Federal. 

Por que ela existe? A declaração de imposto de renda existe para que o governo federal verifique se, durante o ano passado, cobrou da população a quantidade certa de impostos. A declaração não é um ato de pagamento, e sim um ato de verificação. Muitas vezes, uma pessoa pode declarar uma certa quantidade de recursos que na verdade foi a mais do que deveria ter pago no passado, então o governo restitui o valor calculado. Ou ao contrário, a pessoa pode ter pago menos imposto do que deveria, então, ficará na malha fina e precisará pagar o restante.

O que ela é? Um processo de compartilhamento de informações de renda, bens e rendimentos de um cidadão para o governo federal, com o objetivo de verificar a quantidade certa de imposto a ser cobrada e paga.

Como ela é feita? Ela é feita através de um aplicativo para computador disponibilizado pela própria Receita Federal. Para ter acesso, clique aqui.

Quem precisa declarar? A declaração não é obrigatória para todo mundo, mas ela gera benefícios para quem declara, como a restituição de valores e ficar em dia com o Fisco para poder conseguir vistos para viagens. No entanto, a regra geral para declaração é um salário anual maior do que cerca de R$ 28.000,00 ou um rendimento de mais de R$ 40.000,00 em investimentos. Além disso, as pessoas que têm posse de terras, bens (inclusive ações) e direitos são elegíveis para declarar seu imposto de renda.

Declaração de IR e Investimentos

Como dito acima, quem possui investimentos e rendimentos (aqui inclui lucros e prejuízos!) precisa notificá-los na sua declaração. Abaixo, é possível conferir todos os investimentos que possuem ou não a isenção do pagamento imposto de renda.

Os fundos de investimento possuem o imposto de renda retido na fonte quando há resgate, e quando não há resgate ocorre o come-cotas. As debêntures e os CDBs possuem a tabela regressiva de tributação, então fica mais fácil calcular a taxa de imposto de acordo com o tempo de aplicação e com o resgate. Os ativos que geram mais dúvidas nos investidores são os relacionados à bolsa de valores. O processo de recolhimento de imposto e de declaração das Ações, Juros sobre Capital Próprio e Dividendos geram diferentes tipos de perguntas que solucionaremos neste texto.

Tributação em Ações, Dividendos e Juros Sobre Capital Próprio

Dividendos

Os dividendos são parcelas do lucro de uma empresa em que ela decide distribuir para seus acionistas. Como é a distribuição de uma apuração do lucro da companhia, esse tipo de rendimento não é tributado, mas é preciso declarar. O lucro faz parte de demonstrativos financeiros que ao se descontar diversos custos e despesas, incluindo imposto de renda, se obtém o lucro. Portanto, o imposto não é aplicado neste caso, pois a empresa já o fez durante a apuração de seus resultados.

Juros sobre Capital Próprio (JCP)

O JCP também é uma medida de distribuição de recursos para os acionistas. No entanto, eles tomam como base o patrimônio líquido da empresa e as taxas de juros no longo prazo tomadas pela mesma. Como se trata de uma distribuição de recursos que não passa por uma apuração como os dividendos, os Juros sobre Capital Próprio são tributados.

Sendo assim, o JCP é tributado em 15% pela Receita Federal. Essa tributação é feita diretamente para a empresa que está distribuindo. Portanto, para o investidor, o recurso já vem descontado na fonte, basta declarar.

Ações

A tributação em ações funciona de maneira diferente em relação aos outros investimentos. Por esse fato, apresentaremos um fluxo de informações organizadas para que você não erre ao juntar as informações e calcular os números. É de extrema importância que o investidor tenha as informações prontas e organizadas para conseguir realizar suas declarações.

O pagamento do imposto em ações ocorre de maneira mensal, quando há venda. Se você não vender nada, não é preciso se preocupar em pagar imposto sobre ações. É preciso realizar a verificação do saldo mensal, e se houver ganhos, emitir e completar a DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais). Para emitir e saber completar este documento, clique aqui. Então, de maneira geral, o investidor opera em um mês, e paga os impostos no próximo. Existem alguns detalhes importantes que trataremos a seguir.

Antes de apresentar um passo-a-passo para declarar seus rendimentos em ações, é importante entender quando que acontece a tributação de ações. A imagem abaixo mostra uma diferença essencial: para as operações do mesmo dia (day trade – compra e venda no mesmo dia de pregão) são tributadas independentemente do valor e quantidade transacionada em 20% dos ganhos. Já as operações ocasionais, compra em um dia e venda em outro dia, são tributadas em 15% dos ganhos a partir do momento em que as suas vendas no mês ultrapassam R$ 20.000,00. Assim, a geração e pagamento da DARF ocorre nesta situação, caso contrário, não é preciso.

Uma observação importante: ao obter ganhos, no momento em que a operação ocorre, a corretora recolhe uma pequena porcentagem do imposto na fonte. Esta característica é chamada de “dedo-duro”. Assim, a receita federal reconhece todas as pessoas que compraram e venderam ações e precisam pagar imposto pela DARF e declarar depois. Isso é possível pois as compras e vendas estão cadastradas nos CPFs das pessoas. No caso de day-trade, o imposto “dedo-duro” recolhido é de 1% do lucro líquido das operações. Já nas operações ocasionais, o imposto é de 0,005% sobre o valor das vendas realizadas.

A seguir, um passo-a-passo é  apresentado para facilitar  o processo de declaração.

1 – Organize suas operações: antes de começar a realizar qualquer atividade relacionada diretamente com a declaração de imposto de renda, organize seus documentos e operações. Tenha em mãos todas suas notas de corretagem de compra e venda. Você, provavelmente, recebeu todas elas por e-mail da sua corretora. Além disso, como já mencionado, as DARFs são de extrema importância na declaração. Separe todas elas e já estará dando um grande passo para declarar suas ações com sucesso.

2 – Planilhe tudo e se prepare: após conseguir todos os documentos e informações possíveis, construa uma planilha ou alguma maneira de conseguir visualizar tudo com clareza. Neste passo, o preço médio de compra das suas operações precisa ser gerado. É este preço que acontecerá a conta se houve ou não prejuízo. Um exemplo: o cliente comprou, em dias diferentes, 1000 ações da ação ACAO3 a R$15 e R$20. O preço médio será de R$17,50. Na hora da venda, vendeu, em outro dia, todas as 2000 ações por R$25. Ou seja, houve um lucro de R$ 15.000,00. Neste caso, será aplicado o imposto de 15% sobre o ganho pois foi uma operação que aconteceu em dias diferentes.

3 – Separe suas operações por tipo de venda e por período mensal: separe suas operações em duas categorias diferentes: operações diárias (day trade) e operações ocasionais. A primeira é a ocasião em que a compra e venda de ações acontece no mesmo dia de pregão. A segunda é a ocasião em que a compra de uma ação acontece em um dia e a venda em outra. Então, organize suas operações de acordo com a data de venda. Separe por meses. O exemplo abaixo mostra como pode ser feito de maneira por operações ocasionais. Perceba que em todos os meses as vendas totalizaram mais de R$ 20.000,00, então, a tributação acontece.

Clique para ampliar a imagem.

4 – Organize seus ganhos e prejuízos mensais: como visto na figura, pode acontecer de algum mês o saldo das transações serem prejuízos. Então, este pode ser transferido para o próximo mês e descontado do saldo. Sempre lembrando de separar por mês e tipo de operação.

5 – Verifique as informações: antes de declarar, verifique todas as suas informações e operações do ano referente. É muito comum, para os investidores mais ativos, esquecer de algum detalhe que pode causar uma pendência na declaração.

6 – Entre no sistema de declaração – na jaula do leão! Agora que você possui todas as informações organizadas, fica mais fácil completar os campos do sistema. Abaixo, indicamos quais campos precisam ser completados com os casos aqui comentados:

  • Declaração dos Rendimentos: aqui destina-se a declaração de ganhos/perdas em relação a ações.
  • Dividendos: lembrando, os dividendos não são tributados, mas é preciso declará-los. Portanto, sua declaração será realizada na sessão: “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” e sob a linha “Lucros e Dividendos recebidos pelo titular e dependentes”. Neste campo, indique a empresa, o beneficiário (você ou o seu dependente) e o valor dos dividendos recebidos.
  • JCP: os juros sobre capital próprio serão declarados na sessão: “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva” e sob a linha “Outros rendimentos recebidos pelo titular”. Aqui você também terá que colocar um por um.
  • Lucro/Prejuízo em ações em que as vendas não totalizaram R$ 20.000,00: como vimos, você pode ter lucro em ações e mesmo assim não ter que pagar o imposto. Basta declarar. Na mesma sessão dos dividendos, você terá que ir para a linha “Ganhos líquidos em operações no mercado à vista de ações negociadas em bolsa de valores nas alienações realizadas até R$ 20.000, em cada mês, para o conjunto de ações”. Aqui, você terá que colocar os saldos conferidos nas suas planilhas.
  • Lucro/Prejuízo em ações em que as vendas totalizaram mais de R$ 20.000,00: esta parte terá um menu próprio. O menu se chama “Renda Variável”. Dentro deste menu, as ações ficaram na sessão de “Mercado a Vista” e no final, que considera o consolidado do mês. Dentro de “Mercado a Vista”, você terá espaço para declarar seus lucros/prejuízos no mercado ocasional e no day-trade. No espaço de “Consolidado do Mês”, você indicará o saldo final do mês em questão e os impostos pagos nas DARFs.

7 – Declaração das Ações: aqui destina-se a declaração do ativo em si. Como ações são participações de empresas, você adquire um bem. Então, é preciso declará-lo. Neste caso, não é preciso declarar mês por mês pois caso você não tem mais a ação de certa companhia, você desfez de seu bem. Então, é preciso declarar todas as ações que você tinha em carteira no dia 31 de dezembro do ano a ser declarado. Portanto, vá no menu de “Bens e Direitos” e clique em “Novo” para declarar a quantia em Reais que você possui daquelas ações das empresas.

Como mencionado, separe um tempo e organize seus documentos para a declaração do imposto de renda. Não é nada assustador e faz parte como dever de um cidadão. Sempre que possua dúvidas, estude, procure um profissional para ajudá-lo(a). A assessoria de investimentos consegue tirar suas dúvidas principais sobre o processo.

Insights: Bolha pontocom 2.0?

O mercado financeiro é famoso por antever os movimentos da economia. Por essa característica, por vezes formou investidores que foram capazes de antever grandes mudanças na estrutura de negócios e por conta disso foram capazes de angariar grandes retornos.

Também foi comum os investidores que no passado foram capazes de antever grandes bolhas, com as mais recentes sendo as bolha .com e a bolha dos créditos imobiliários nos EUA. Como no mercado financeiro, para ser bem-sucedido você precisa primeiro sobreviver, evitar as grandes perdas é tão ou mais importante do que capturar altos retornos. 

Hoje em dia está em voga a discussão sobre as grandes empresas que utilizam a tecnologia para escalar seus negócios e negociam a um valuation altíssimo, por vezes fora do padrão convencional. 

Seria essa a bolha .com 2.0 ou apenas uma mudança na forma como as pessoas se comportam, fazem negócios e consomem?

Modelo de negócios

O atual modelo de negócios das empresas de tecnologia busca conectar os clientes à internet para então facilitar a vida dos mesmos através de soluções inovadoras e custos mais baixos.

Os avanços nessas empresas até hoje, mostram que o foco está em facilitar a vida das pessoas físicas e micro e pequenas empresas. Esse segmento de clientes é geralmente negligenciado pelos incumbentes, o que faz com que existam grandes oportunidades para as empresas que atuam em melhorar a qualidade de serviços para esta categoria. 

O advento da internet fez com que atingir essa classe se tornasse possível, com custos de distribuição e estrutura mais baixos. 

Podemos tomar o Uber como exemplo, que surgiu para atacar o mercado de taxis, que cobravam preços altíssimos por seus serviços. Através de sua plataforma, foi capaz de conectar motoristas a passageiros, a um custo muito mais baixo do que o convencional.

O motorista não precisaria mais obedecer a todas as leis não escritas do mercado de taxis e o cliente não precisaria mais arcar com os custos elevados das corridas convencionais. O Uber veio como uma plataforma que gera valor para ambos os lados da cadeia. 

As mudanças que a companhia incitou podem fugir aos olhos mais desatentos. Se a pergunta sobre o impacto que o Uber gerou for feita, poderemos receber como resposta que alterou a dinâmica do mercado de taxis. A grande questão, é que ela também alterou o ambiente de negócios de outros segmentos. 

Com a expansão do número de usuários dos aplicativos de transporte, a receita de estacionamentos nos centros das cidades diminuíram. O mesmo fenômeno pôde ser enxergado para os estacionamentos de shoppings. 

Além disso, as compras de veículos caíram, visto os avanços na questão do compartilhamento. Se no futuro enxergaremos uma compressão no mercado de combustíveis e inclusive de exploração de petróleo, não é possível saber. 

Mas é justamente essa última afirmação que guia o investimento nas empresas de tecnologia. É impossível saber ex ante qual será o impacto da tecnologia nos ambientes de negócios adjacentes. Os que acham que sabem são ainda mais perigosos, pois representam um mapa errado. Nessa situação, é melhor não ter mapa do que ter um mapa errado. 

Exponencialidade

As nossas cabeças são formadas para pensar de forma linear, não exponencial. A questão é que o mundo que vivemos hoje e, consequentemente, as empresas nele inseridas e as pessoas que nele vivem, é exponencial. 

A dificuldade de se prever algo em um mundo exponencial pega até os mais capacitados. Nos anos 80, a McKinsey prestou um projeto de consultoria para uma empresa que gostaria de entender mais sobre o mercado de telefonia móvel. 

A McKinsey previu que nos anos 2000, os usuários de celular não seria maior do que um milhão. Ocorreu que na virada do milênio, mais do que 100 milhões de pessoas já utilizam o celular ao redor do mundo. 

É sob esta ótica de exponencialidade que o investimento em empresas de tecnologia é realizado. Acredita-se que o potencial de crescimento e disrupção que elas têm é gigantesco e impossível de ser mapeado. Assim como o Uber não pôde ser previsto, Airbnb, Apple e Netflix também não o foram. 

Se trouxermos para o mercado brasileiro, os bancos tradicionais assistiram de fora o avanço que a XP Investimentos teve e agora tentam correr atrás do prejuízo. O mesmo aconteceu com Banco Inter, Stone, PagSeguro e Quinto Andar. 

Os incumbentes tiveram dificuldades ou negligenciaram esses segmentos e agora têm em suas mãos um grande problema para administrar. 

Valuation

Existe o argumento de que o preço justo de várias das empresas de tecnologia é muito menor do que elas estão valendo hoje. A afirmação deve ser questionada, uma vez que existem bons e maus exemplos. 

Na década passada, diversas empresas de tecnologia foram criadas no Brasil. Muitas delas não deram certo pelos mais variados motivos, dentre os quais estavam a baixa penetração da internet no Brasil, com problemas de infraestrutura e modelos de negócios não testados que posteriormente se mostraram fracassados. 

Apesar disso, nessa época surgiu o Mercado Livre, que por mais que seja uma companhia Argentina, tem no Brasil o seu maior mercado; Uol e Submarino. 

Pode parecer que foi um movimento fracassado, onde poucas empresas sobreviveram, talvez ao acaso da sorte ou de um modelo de negócios único que jamais poderia ser replicado. 

Mas o caso aqui é o ambiente que essas empresas estão inseridas. O racional de investimentos em diversas empresas de tecnologia se pauta no ambiente de competição vencedor-leva-tudo.

Este modelo diz que uma empresa irá dominar o mercado e ditar a forma como este mercado se comportará, com os poucos concorrentes que sobraram, tendo que seguir as leis que esta empresa ditará. 

Neste ambiente, poucas empresas sobreviveriam, o que explica o motivo de existirem tão poucas empresas após a bolha dos anos 2000. 

Viva o empreendedor

É difícil existir investimento em empresa disruptiva com base em análise quantitativa. Não existe fluxo de caixa descontado para empresas de tecnologia, justamente pelo fato de que esse modelo envolve premissas futuras, como qual será a receita da empresa nos próximos 10 anos.

De que forma iremos prever a receita da empresa daqui a 10 anos se não sabemos nem se ela irá existir? Além disso, o crescimento de receita, caso ela exista, não será linear e sim exponencial. Mas exponencial em qual ritmo? 

Assim sendo, ao investirmos em empresas deste tipo, é necessário acreditar no time de gestão, nos empreendedores daquela empresa, que têm naquilo um estilo de vida e que vivem o negócio todos os dias. Não da para falar em múltiplos realmente. Os múltiplos vão ser altos mesmo. Por vezes nem mesmo existirão múltiplos, pois a empresa nem gera lucro ainda. 

Conclusão

O investimento em empresas de tecnologia no Brasil é demasiadamente complicado. Temos poucas empresas puramente tech listadas em nossa bolsa. A tendência é que esse número aumente no médio – longo prazo. A única empresa que para mim se encaixa nesta categoria é o Banco Inter. 

Podemos citar Banco Pan, BTG e Magalu, mas para mim se encaixam em uma outra categoria. O investidor brasileiro já consegue acessar o mercado americano, onde existem diversos casos com as características aqui citadas. 

Por fim, vale dizer que por mais que o investidor tenha um processo de análise de empresas muito apurado e que consiga identificar casos de sucesso antes do que a massa, o caso não é de concentração. 

Investimentos em tecnologia são por natureza mais arriscados. Conforme já mencionado, poucas empresas irão sobreviver e a dificuldade é justamente identificar essas sobreviventes no longo prazo. 

Desta forma, é sempre interessante a diversificação de setores em sua carteira. Vale a pena ter uma participação desta categoria em sua carteira, desde que seja diversificada e adequada ao seu portfólio.