EXPERT XP | Liderança em tempo de crise

Guilherme Benchimol, CEO da XP Inc. comentou sobre a 2ª onda do Covid. O desafio foi grande para trazer proteção a toda equipe, trazendo junto uma nova forma de trabalho para o modelo de negócio.

Além disso, houve um lado social importante, com a causa de ajudar as pessoas na miséria, engajando os clientes a trazer cada vez mais esse sentimento de ajudar o próximo.

Segundo José Galló, CEO das Lojas Renner, numa situação como esta da pandemia, é fundamental que a companhia desse todo o suporte aos colaboradores, com um constante contato com líderes após migração para o home office, tentando manter o máximo da normalidade possível com mais de 600 lojas fechadas.

Carlos Brito, CEO da AB InBev, reforçou que a empresa em breve terá pontos de venda especiais para melhor acessibilidade ao cliente.

Segundo ele, ficou claro que, para resolver um problema como a pandemia, é preciso muita colobração, partindo de várias frentes – iniciativa pública e privada, ONGs, etc.

Brito questionou ao Benchimol sobre o aprendizado que a pandemia deixou. O CEO da XP Inc. respondeu que o maior legado foi que o mercado precisa muito menos de espaço físico do que o necessário, trazendo uma nova forma de trabalho, mais eficaz, agenda mais efetiva, além do aumento da qualidade de vida,.

Com as pessoas mais conectadas e o comprometimento com a companhia por parte dos colaboradores por meio do home office. Todo o ecossistema ficou muito melhor.

Brito reforçou que o pânico e o medo têm seu lado positivo, fazendo com que o trabalho em casa traga mais liberdade e empoderamento para as pessoas, e consequentemente mais eficiência e menos burocracia e disrupções internas.

Galló reforçou que o estilo de gestão também mudou. Foi preciso se adaptar à realidade da inovação.

Os treinamentos internos levavam para a complexidade, e hoje devem levar para a leveza. Isso também ajuda a trazer talentos inovadores e que respirem a empresa e seus clientes. Também reforça que é importante a empresa preparar os colaboradores para a resiliência e para a imprevisibilidade.

Benchimol finalizou que o maior segredo é sonhar grande e começar pequeno. Mas não deixar de parar a corrente do bem.

A crise não acabou e é importante cada um fazer sua parte. Brito também finalizou que continua otimista com o Brasil e que a empresa continuará acreditando em novos talentos e na “dor de dono” que cada um precisa ter.

E Galló conclui que o grande valor do país nos próximos anos serão as empresas. Ele comparou a crise com um furacão, que possui sua parte destrutiva, mas nunca deixa de ter energia. Isso fez com que as pessoas se redescobrissem no novo modelo que vivemos.

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Vieses e armadilhas mentais nos investimentos

Pode parecer estranho quando ouvimos pela primeira vez, mas uma boa parte do sucesso nos investimentos não está no conhecimento sobre matemática ou economia. A psicologia tem papel fundamental no processo de construção do nosso patrimônio.

Por isso que um acadêmico da área do campo ganhou um prêmio Nobel de economia. Daniel Kahneman foi reconhecido por seus estudos no campo das finanças comportamentais, identificando vieses e armadilhas mentais que caímos ao lidar com dinheiro.

Os estudos estão detalhados no livro Pensando Rápido e Devagar e vale muito a pena ler.

Ainda não conheci nenhuma maneira de aprender como identificar se estamos caindo ou não em nossas armadilhas mentais sem sentir na pele, mas conhecendo alguns conceitos, podemos nos policiar para cair o mínimo possível.

Vou resumir a seguir alguns dos principais, mas não deixe de ler o Kahneman e sobre comportamento:

Viés da confirmação
Quando temos uma conclusão e queremos buscar evidências que confirmem a nossa visão, estamos com esse viés. O desafio aqui é não cair na tentação de justificar nossas teorias, mas sim fazer o contrário, formular as teses a partir das informações que estão disponíveis.

Viés da disponibilidade
Ocorre quando nossa decisão é afetada por uma informação que esteja recente na nossa cabeça, ou seja, a mais disponível. Podemos ficar mais pessimistas ou otimistas conforme o tom do fluxo de notícias que recebemos, assim não distinguindo corretamente o que pode afetar ou não os preços do que temos.

Viés da Ancoragem
Ancorar uma expectativa significa atribuir uma decisão com base em uma informação passada. Exemplo: A ação XYZ estava cotada a R$10,00 há um ano, hoje sua cotação é R$5,00.

Com base somente nessa informação, o investidor conclui que a ação está barata e tende a se apreciar. O preço por si só, entretanto, não quer dizer muita coisa. A empresa pode ter tido uma piora significativa em seus fundamentos e o preço da sua ação continua caindo.

Efeito manada
Quem cai nessa armadilha, simplesmente está seguindo o que todo mundo está fazendo. Comprar porque todo mundo está comprando, ou vender porque todo mundo já vendeu.

Normalmente isso faz com o que o investidor chegue atrasado para um determinado mercado ou investimento e se frustre com a experiência.

Status Quo
Os seres humanos têm uma grande tendência a querer que as coisas permaneçam do jeito que estão, na sua zona de conforto. Investindo não é diferente, muitas pessoas resistem a se abrir para o novo ou desconhecido.

Conclusão

Esse assunto é bastante extenso e tem ganhado cada vez mais relevância entre os investidores.

Existem muitos livros e estudos mostrando que excesso de medo ou ganância, muitas vezes são os grandes responsáveis por perdas e frustrações no mercado financeiro. Se é possível deixar uma dica para evitar se deixar levar por algum dos vieses, seria procurar opiniões e pontos de vista diferentes do seu.

Alguém pode estar enxergando algo que você não viu e vice versa. Não deixe de fora dessa consulta uma visão profissional e idônea, dinheiro é um assunto muito delicado para que a gente não o trate com a importância que merece.

Leia também Economia Comportamental e Nossas Finanças e Sua atitude nos momentos de crise e o reflexo no futuro de suas finanças




Deflação: o que muda na economia e nos títulos de inflação

Nos últimos tempos, a inflação não tem assombrado tanto os brasileiros, mas sim o seu oposto: a deflação. Em abril – primeiro mês completo de quarentena na pandemia – o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IBGE) registrou deflação de -0,31%. Esse número mostrou a maior retração mensal no IPCA desde agosto de 1998. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses também é a menor em mais de 21 anos.

Mas o que é deflação?

Antes de tudo, a deflação consiste numa taxa de inflação abaixo de zero ou negativa. É quando um índice de preços, que reflete uma determinada cesta de consumo, mostra queda na média dos preços coletados.

Para o consumidor, esta queda de preços pode parecer uma notícia positiva em um primeiro momento, a fim de aumentar o poder de compra das pessoas. Porém, se a deflação persistir, pode ser uma ameaça para a economia, pois a queda constante dos preços torna-se um incentivo para que se adie o consumo, podendo até reduzir a demanda de bens e serviços e prejudicando a geração de empregos e renda. A queda no índice de preços também faz com que a taxa de juro real (taxa de juros descontada a inflação) se torne maior.

Qual o cenário neste momento de quarentena?

Durante a pandemia, as pessoas continuaram consumindo alimentos e até aumentaram estoques, porém houve redução no uso de transportes públicos e privados, fazendo com que este segundo puxasse o índice para o lado negativo.

Segundo economistas, é difícil chegar a um quadro de deflação persistente no Brasil em 2020, a não ser que a quarentena se estenda por muito tempo. Porém é notória a retomada da economia em alguns países do mundo, e também em diversas regiões do Brasil.

Além disso, de acordo com as divulgações do Boletim Focus, o IPCA está projetado para o patamar de 1,57% no final de 2020, ficando abaixo das metas do governo. Mesmo havendo esta deflação pontual, ainda fecharemos o ano “com a inflação”.

E quanto aos títulos de inflação do mercado financeiro?

Trazendo para os investimentos de Renda Fixa em crédito privado atrelados a “IPCA + taxa”, haverá uma retração na rentabilidade desses ativos por parte do pagamento IPCA. E dependendo do valor da taxa pré-fixada, pode sim afetar o título como um todo neste mês pontual de inflação.

Porém, é imprescindível que haja resiliência por parte dos investidores em relação ao foco de horizonte a longo prazo para estes títulos, visto que a média anual para este tipo de taxa supera imensamente a taxa básica de juros (Selic), que está em seu menor patamar da história do país. O importante é que se tenha em mente que estes títulos garantem o poder de compra no longo prazo, com o pagamento do IPCA na rentabilidade.

Portanto, segundo economistas, a inflação será baixa nos próximos meses. Mas os cenários internos da economia têm mudado de forma muito rápida, dificultando projeções com a curva de juros, mas possivelmente normalizando os dados de inflação com o passar do tempo pós-quarentena, com a reabertura gradativa das economias.


Sua atitude nos momentos de crise e o reflexo no futuro de suas finanças

Estamos no meio de uma crise econômica mundial, uma das mais críticas da história, e que pode se tornar a pior delas pois ainda não acabou!

Mas neste artigo não vamos falar sobre cenário, política, COVID-19… vamos tratar apenas do comportamento dos investidores diante as tempestades no mercado.

Antes de ir direto ao ponto quero contar um pouco do que aprendi com as pessoas de maior sucesso financeiro que eu tive o prazer de conhecer, e observe que eu disse sucesso financeiro, pois nem sempre este vem acompanhado do sucesso profissional ou pessoal.

Assim como as pessoas de sucesso profissional ou pessoal não necessariamente alcançaram o seu sucesso financeiro, portanto é fato que ele não está relacionado aos demais, por isso as atitudes que esses “seres iluminados” tiveram com relação as suas finanças ao longo de suas vidas fizeram deles pessoas com grandes patrimônios.

Na maioria dos casos são de pessoas com mais de 50 anos e que iniciaram sua trajetória financeira de forma bem simples mas sempre com muita disciplina, objetivos bem definidos, certas vezes aprendendo com os tombos que a vida lhes deram, mas que hoje tratam os investimentos financeiros com muita maturidade. E isso me chamou muito a atenção.

Eles vivenciaram uma época em que o principal investimento financeiro era a poupança, e a poupança mesmo no auge de sua rentabilidade jamais deixou qualquer poupador no mínimo rico. Então eles somente conseguiram construir seus patrimônios através da aquisição de ativos que pudessem lhes trazer um melhor retorno, apurado entre o valor que os compraram e o valor da venda.

E é exatamente nesse tema que vamos focar nesse artigo: compra e venda.

O que podemos aprender com o sucesso deles?

Observei que todos tiveram a disciplina de poupar parte da sua renda ao longo de suas vidas, e somente após certa quantia acumulada começaram a diversificar parte desse recurso comprando ativos que pudessem valorizar mais do que o a caderneta de poupança. Já foi possível identificar nesse exemplo que todos 1- Sempre mantiveram uma reserva para imprevistos, a tão falada (e importantíssima) reserva de emergência dos dias atuais.

O próximo ponto foi a tomada de decisão em relação ao que comprar. Observei pelas histórias que nenhum deles comprou nada por impulso, 2-estavam capitalizados e poderiam comprar no momento mais oportuno; e 3-tinham um mínimo de conhecimento dos riscos que corriam, estavam com objetivos definidos e principalmente 4-não tinham prazo para se desfazerem de suas aquisições, afinal de contas em cada novo negócio estavam investindo anos e anos de reservas, aquilo tinha que dar certo!

Em nenhum caso as fortunas foram construídas em menos de 20 anos, e em nenhum deles os investidores se desfizeram de suas aquisições antes de 5 anos, a não ser para dar um salto ainda maior.

Agora trazendo para os dias atuais, em meio a toda essa turbulência de mercado que estamos vivendo, se você possui a sua reserva de emergência, tem uma parcela do seu capital que está arriscando em outros ativos para obter um melhor retorno, conhece os riscos desse mercado (como exemplo um investimento que pode render +10% em um único mês também pode ficar negativo em -10% no outro), não tem prazo definido para utilizar esse recurso, você não tem motivos para ficar sem dormir!

Falando especificamente de bolsa de valores, ela nada mais é do que um comércio onde de forma organizada compramos partes de grandes empresas, e como todo comércio a regra é clara: precisa dar lucro, senão quebra! E o lucro nesse caso, para o investidor, é simplesmente a diferença entre o valor que você comprou e o valor que você venderá. Simples assim!

“Mas a bolsa é extremamente arriscada!”

Quem disse que aquelas pessoas, lá no passado quando compraram um imóvel por exemplo, sempre tiveram ofertas de venda por preços acima do que eles pagaram?

Eles simplesmente esperam a hora certa de vender para depois comprar novos. Sem imediatismo! Pode ser porque não tinham uma tela piscando em sua frente o dia todo mostrando qual o valor do seu imóvel naquele exato momento, caso quisessem vender, oscilando entre “ganhos e perdas”. Reforço aqui que em ambos os casos, imóvel ou bolsa de valores, ganho ou perda só serão concretizados após efetivar a venda. Eles também passaram por algumas crises no passado e quando pergunto o que fizeram no momento 5-todos disseram que sempre surgia uma boa oportunidade e aproveitavam… muita coincidência não? risos

Costumo utilizar um exemplo muito prático nas minhas conversas com investidores. Pergunto a eles: Quanto vale o seu carro? Exemplo 70mil reais…

Eu o compro agora, pago 28mil! A resposta: Você está louco!

Eu insisto: Mas eu te pago a vista! Transfiro o dinheiro nesse momento para sua conta.

Dai escuto o que eu quero ouvir: Mas eu não preciso vender ele agora, muito menos por esse preço.

Então, se com o seu carro você não comete essa loucura, por que cometeria com seus investimentos? Só porque o mercado está oferecendo pouco pelos seus ativos naquele momento? Por que você se desespera a ponto de cometer esse suicídio financeiro?

Estamos direcionando esse artigo para investimentos em bolsa, mas como disse antes, essa regra vale para qualquer negociação. Basta você comprar caro e vender barato por algumas vezes consecutivas que você irá quebrar! Isso é fato. Independente do que esteja comprando e vendendo.

Por último quero usar um exemplo de finanças comportamentais que deixa bem claro que, quando ampliamos o horizonte de nossas decisões elas são muito mais assertivas.

Se oferecermos a um grupo de pessoas, meia caixa de bombom hoje ou uma caixa de bombom daqui uma semana, a maioria dirá que prefere meia caixa de bombom hoje! (atitude imediatista)

Reformulamos a pergunta para o mesmo grupo ampliando o prazo: Vocês preferem meia caixa de bombom daqui um ano ou uma caixa de bombom daqui um ano e uma semana?

Observe que o intervalo de entrega entre as caixas permanece o mesmo, uma semana, mas como o horizonte de decisão passou a ser daqui um ano, a maioria disse preferir a caixa inteira.

Vamos trazer esse comportamento para um exemplo prático do que aconteceu hoje 12 de março de 2020. O preço de fechamento das ações preferenciais das Petrobras S/A nesse pregão foi de R$12,60 (PETR4).

Exatamente um mês atrás, no dia 13 de fevereiro, a mesma ação teve seu preço de fechamento em R$29,72.

Eu te pergunto primeiro: conhece a Petrobras? Dispensa comentários.

Se você comprasse hoje ações dessa empresa, no valor de R$12,60 e essas ações voltassem a subir até R$25,20, teríamos uma valorização de +100%.

Mas quando isso vai acontecer? Quanto tempo vai durar essa crise? Ninguém sabe!

Pode ser que dure um mês? Quase impossível.

Dure uns 06 meses? Pouco provável.

1 ano? Acredito que até lá já tenhamos vencido a guerra contra o COVID-19 mas talvez o mercado não tenha se recuperado.

2 anos? Talvez sim. O histórico de outras crises já nos leva a acreditar nessa possibilidade.

3 anos? Nesse caso as chances do valor da ação voltar para “pelo menos” R$25,20 (bem abaixo do preço justo) já são muito grandes. E observem, quando esticamos o prazo, as chances de termos sucesso aumenta consideravelmente, e lembrem-se, estamos falando de 100% de valorização!

Hoje, qual investimento no Brasil poderá te oferecer um retorno de 100% em 03 anos?

Ok, mas algo pode dar errado e a ação não se valorizar nesse período. Então te pergunto: Qual a chance da ação da Petrobrás estar valendo em fevereiro de 2023, menos do que o valor atual de R$12,60? Também mínima certo? Mas se mesmo assim isso acontecer até lá, não tem problema, é só não vender! Afinal, não conheci ninguém até hoje que fez fortuna em apenas 03 anos!

O impacto do coronavírus nos seus investimentos

Após um longo feriado de carnaval no Brasil, o mercado financeiro retomou suas atividades no vermelho, com o Ibovespa fechando o pregão nesta quarta-feira de cinzas com queda de 7%. 

Este é o reflexo de dois dias fechados para negociação, enquanto o mundo morria de preocupação com o coronavírus se alastrando por países de ásia e europa. O que começou como uma preocupação apenas chinesa, se tornou um problema mundial em meados de fevereiro e agora o mercado definitivamente entrou em pânico com a doença se alastrando mundialmente. 

O investidor que vê o mercado caindo deste jeito pode acreditar que houve alguma quebra de fundamento e que a tese de investimento agora é outra. Mas calma lá, não é assim que a banda toca…

Impacto na economia

Certamente o coronavírus deverá trazer impactos para a economia mundial. Este fato, que antes era um dúvida, passou a ser praticamente uma certeza. A dúvida agora é estimar qual será o real impacto e se o crescimento mundial está ameaçado durante todo o ano de 2020 ou se isso trará impactos apenas no primeiro trimestre. 

A verdade é que a epidemia já causou estragos na economia chinesa. O tráfego em estações de metrô, aeroportos e shoppings despencou a um patamar inimaginável. A economia chinesa sofrerá bastante ao longo do próximos meses para se recuperar deste tombo. 

Com a China não é uma ilha, apenas o fato de a epidemia ter causado estragos na economia chinesa já seria um ponto de preocupação para o restante do mundo, uma vez que as relações comerciais diminuem em momentos assim. Se a produção chinesa paralisa, o resto do mundo é afetado.

A questão neste momento é que países como Coréia do Sul, Irã e Itália também registraram diversos casos da gripe ao longo dos últimos dias, o que espalhou medo pelo mercado. 

A primeira leitura no surgimento da doença, no final do mês de janeiro, é que o mercado em geral se recupera rápido destes tipos de surtos. E a primeira onda foi justamente isso, uma queda com rápida recuperação dos mercados. 

O principal motivo para isso foi a crença de que as autoridades chinesas se moveriam rapidamente para conter a doença e eliminá-la sem que a mesma pudesse se tornar uma pandemia. 

As coisas caminharam relativamente calmas ao longo de fevereiro, com casos esporádicos ao redor do mundo, mas nada que causasse muito medo. 

O panorama, no entanto, se provou demasiadamente diferente do imaginado. Enquanto o brasileiro pulava carnaval, o mundo se chocava com milhares de casos sendo registrados também fora das fronteiras chinesas. 

O vírus se mostrou forte o suficiente para passar a alarmar também os países ocidentais e quando isso acontece, o mercado para de ignorar e isso causou o grande sell-off que enxergamos nos últimos dias. 

Com tudo isso, diversos voos foram cancelados, hotéis foram isolados e fechados para novas reservas e mais algumas cidades ao redor do mundo passarão a funcionar em modo de emergência, até que seja possível o retorno às atividades normalmente. 

Veja que estou sim considerando que o coronavírus irá impactar a economia global. 

Se um vírus para os países do sudeste asiático e da Europa, ele influencia todo o comércio global. Quem está dizendo isso é o FMI, que já reduziu a projeção de crescimento mundial em 2020 de 3,3% para 3,2%. 

Agora, é importante ressaltar também que as autoridades não ficarão paradas esperando que uma solução apareça de repente. Diversos países já anunciaram estímulos econômicos, seja através de quedas de juros ou injeção direta de dinheiro na economia.

Essas medidas buscam salvar o ano de muitos países ainda no primeiro trimestre. 

Enxergamos recentemente o título público de 10 anos dos EUA caindo de 1,47% para 1,35%, dado o aumento de demanda que houve. Ora, se existe uma crise mundial, o mais racional é realmente partir para o lugar mais seguro do mundo economicamente falando, que é os EUA. 

O reflexo do coronavírus

Antes do coronavírus surgir no final do mês de janeiro, existiam algumas narrativas críveis para as situações econômicas de diversos países no mundo. 

Uma dessas narrativas diziam que os EUA haviam encerrado seu corte de juros e o foco passaria a ser somente as eleições presidenciais que ocorrem em novembro. A Europa por sua vez, seguia em sua lenta tentativa de tirar sua economia do buraco. 

Depois dos fatos que aconteceram, a narrativa passou a ser bem diferente, com pacotes de incentivos sendo oferecidos por governos europeus de forma mais contundente. 

Além disso, já existe gente importante projetando dois cortes adicionais na taxa de juros americana pelo FED. 

Faz sentido. Donald Trump não pode de forma alguma ver sua economia declinando tão próximo à sua reeleição. Não serão poupados esforços de sua parte para que o crescimento continue. Não pode ser descartado, além deste incentivo monetário através dos cortes de juros, também um incentivo fiscal da economia americana. 

Se no futuro próximo tivermos dois cortes na taxa de juros pelo FED, haverá um fluxo de dinheiro saindo dos EUA e indo para a Europa, onde existirão taxas mais atrativas em títulos de dívida privada. Esse fluxo maior de capital para a Europa tem o potencial de reacender sua economia, sem que isso prejudique os EUA, que tem um saldo gigantesco de rentistas internacionais que não o interessa muito. 

Some a isso os estímulos já prometidos pelos governantes europeus, podemos ter uma boa saída para a economia ocidental em 2020. 

Não é motivo de comemorar, não dá para dizer que vai acontecer, mas também não é o fim do mundo. As coisas podem se desenrolar para um lado positivo. 

E o Brasil

Assim como a China não é uma ilha, a característica também se estende ao Brasil. O impacto nas relações comerciais devem sim afetar, mesmo que minimamente, terras tupiniquins. 

Os principais afetados deverão ser as empresas aéreas e as exportadoras, como commodities e frigoríficos. 

Como o coronavírus se tornou um problema global, perto de se tornar uma pandemia, as viagens devem diminuir bastante nas famílias brasileiras. A crise mais séria na China também diminui a atividade industrial, forte importadora de commodities, em especial as mineradoras e siderúrgicas. 

Ademais, mesmo que tenhamos tido hoje (26), a confirmação do primeiro caso de paciente infectado no Brasil, as coisas tendem a não mudar muito, por enquanto. 

O panorama ainda segue tranquilo nas américas e os EUA estão passando relativamente intactos por esta crise. Inclusive, se realmente se materializar as quedas de juros nos EUA, teremos um cenário extremamente positivo para o Brasil, que verá seu diferencial de juros aumentar novamente em relação aos Estados Unidos. 

A tese estrutural permanece intacta por aqui. Ainda gostamos bastante de bolsa e juro longo, que paga um excedente de IPCA bem atrativo em títulos do governo e corporativos. 

O crescimento de lucro corporativo no Brasil pelos próximos dois anos tem potencial para ser algo próximo de 20%, enquanto nossa média é de crescimento de 10% ao ano e no restante do mundo esta medida fica na banda entre 7% e 9%. 

Ainda acreditamos fortemente na recuperação do grau de investimentos até o final de 2021. O selo dado pelas agências de riscos é game changers na relação que o país terá com o investidor estrangeiro e o desenvolvimento do mercado de capital como via de financiamento privado. 

Uma queda de 7% na bolsa assusta, mas não machuca. Já era o esperado. O melhor a se fazer no momento é aguardar. A crise do coronavírus não atrapalha em muita coisa a visão de longo prazo. 

E acredite, há de se acreditar em olhar apenas o longo prazo. Ganhar dinheiro em prazos dilatados já não é a coisa mais fácil do mundo. Fazer isso no curto prazo então, é quase impossível e se reserva apenas a uma porcentagem ínfima da população. 

Conclusão

Dito tudo isso, é importante acalmar os nervos e não apertar o botão de venda no home broker ou mesmo pedir para que seu broker faça isso por você. 

O momento é de ter calma e enxergar acima do curto prazo. Se houver algum novo fato que mude o call estrutural, estaremos aqui para informá-lo. 

Por ser um crise aguda e estarmos no meio da tempestade, também não é a hora de aproveitar a queda para comprar mais. É um momento de mais cautela, de saber que a bolsa ainda pode esticar mais para baixo, antes de voltar a subir. 

Por fim, gostaria de retomar aqui um trecho de uma publicação do dia 19 de dezembro: 

“Olha, é muito otimismo, inclusive para mim. É até provável que de tudo que falei acima, algumas coisas não se mostrem verdadeiras, mas nada que atrapalhe a tese. 

Mas se algo inesperado ocorrer a ponto de anular a tese de investimentos, é necessário que estejamos preparados. Por conta disso sugiro uma alocação de 5% em ativos que nos protegem em um cenário que as coisas saiam dos trilhos.”

Na ocasião, eu falava sobre a importância de se ter 5% da carteira em proteções como ouro, dólar e opções de venda. Os três serviriam igualmente, de modo que o melhor seria ter um pouco de cada. 

Na época ainda não havíamos tido crise entre EUA e Irã ou Coronavírus. E não estou vindo aqui falar para me gabar de ter acertado tais eventos. Até porque seria impossível acertar isso, visto que foram cisnes negros. Os especialistas em conflitos geopolíticos e os melhores cientistas do mundo não teriam acertado também. 

Cisnes negros, por definição, são impossíveis de se prever. E eu não consigo te dizer se teremos outro até o final de 2020. Mas e se tivermos? 

Quem seguiu a risca e alocou 5% do portfólio em dólar, ouro e puts de Ibovespa, certamente sofreu menos em um dia como hoje. 

E quem garante que não teremos outros dias como hoje ao longo do ano? As proteções são muito importantes para um portfólio equilibrado. Mas não adianta pegar o telefone amanhã pela manhã e pedir para que seu assessor ou private banker compre proteções para você. 

A oportunidade, dessa vez já passou. O ouro e o dólar tiveram altas gigantescas ao longo da últimas semanas, a ponto de não mais justificar alocação nestes ativos no curtíssimo prazo. 

Mas pode acreditar que novos problemas globais acontecerão. Quando menos esperarmos, acordaremos com alguma manchete bombástica que irá nos fazer assistir a uma queda vertiginosa da bolsa. Da próxima vez, você também estará preparado?

Previdência aprovada: abrindo caminhos

Na noite de 6 de maio de 1998, a cidade de Brasília estava prestes a prestigiar a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Plano idealizado pelo então presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, a proposta colocava uma idade mínima para a aposentadoria. 

A aprovação dependia de 308 votos dos deputados. A base do governo passou o dia a procura de alianças para que a proposta fosse aprovada. Na apuração, a contagem apurou 307 votos a favor. O deputado Antonio Kandir, do PSDB-SP, mesmo partido do presidente da república e idealizador do plano da reforma, apertou o botão errado e votou pelo não. 

Sim, um voto errado da base aliada fez com que a proposta fosse recusada. 

Passados 19 anos, Michel Temer caminhava para aprovar sua versão da reforma da Previdência. Por mais que o assunto não fosse unanimidade, as probabilidades de a reforma ser aprovada eram grandes. Até que no dia 17 maio de 2017, a delação premiada de Joesley Batista para a operação lava jato entregou que o então presidente Michel Temer, participava de esquemas de corrupção. 

Mais uma vez, a reforma da previdência ficou de lado e não foi aprovada. 

Já se vão 21 anos desde o fiasco de 1998. No período, o Brasil contou com equipes econômicas negligentes, planos mirabolantes como a Nova Matriz Econômica, presidente envolvido em esquema de corrupção e tantas outras coisas que colocaram o país em cheque. 

Sem a reforma da Previdência, a dívida bruta do país ultrapassará o PIB nos próximos anos e a situação econômica brasileira estará em calamidade. 

É estranho imaginar essa situação se pensarmos que por duas vezes estivemos tão perto de alcançar a aprovação. Parece até que os cisnes negros são brasileiros, adoram o clima tropical e frequentam a praia de Copacabana. Quanto azar. 

Truques velhos para cães novos

Dizem por aí que é difícil ensinar truques novos para cães velhos. Pois eu acho que difícil mesmo é ensinar truques velhos para cães novos. Não que eu adore o atual governo, mas economicamente, Paulo Guedes e sua turma estão fazendo o estado da arte. 

O dia 22 de outubro de 2019 mostra a aprovação definitiva da tão esperada reforma da Previdência. Nada de cisnes negros desta vez. Para coroar, o senado botou um ressonante 60 a 19 na votação, afastando qualquer risco de não aprovação. 

Ainda faltam pequenos destaques a serem votados, o que sinceramente pouco influenciará no resultado final. Mais importante do que tudo isso? A sinalização de que estamos no caminho certo. 

O trabalho continua

Guedes se apressou em dizer que o trabalho com as reformas econômicas continua, com o desejo de endereçar principalmente três delas: reforma administrativa, pacto federativo e reforma tributária. 

As duas primeiras têm mais a ver com a situação fiscal do país, com a reforma administrativa buscando minar parte dos privilégios do funcionalismo público. No caso do pacto federativo, o governo busca uma melhor relação para os gastos obrigatórios do governo federal. 

No caso da reforma tributária, ainda há muita polaridade sobre qual proposta deveria ser levada adiante. O timing político vai ser extremamente importante no caso desta reforma e o consenso é que por hora, ela deve ser enviada em partes. 

A reforma tributária é real geradora de valor para as empresas e tem o potencial de jogar o desemprego para baixo e fazer com que a economia ganhe tração, impulsionando o crescimento do PIB. 

O mais interessante disso tudo, é que um dia após a aprovação de uma das mais importantes reformas da nossa história republicana, o mártir do movimento vem ao público dizer a quem quiser ouvir que o trabalho continua e está apenas no início.

Cereja do bolo

Em paralelo ao legislativo, Salim Mattar comanda a secretaria de desestatização do governo. Pela primeira vez temos um presidente a favor da privatização de empresas que não sejam necessárias para o governo. Pela primeira vez temos o consenso de que o livre mercado deve ditar as leis das negociações comerciais, sem intervenção estatal. 

A primeira leva de estatais a serem privatizadas deve incluir um total de 17 empresas, dentre as quais estão Correios, Casa da Moeda e Eletrobras. A tramitação burocrática demora algum tempo, mas irá ocorrer e o parecer deve ser favorável. 

Mattar vem fazendo um trabalho formidável, limpando a folha de estatais não core para o governo brasileiro e deixando com que essas empresas passem para a iniciativa privada. Consequentemente, tendem a ser mais bem geridas e ter maior potência de gerar valor à sociedade. 

Outro ponto é que o BNDES deverá dar início no futuro próximo à venda de suas participações em empresas privadas. A ação irá gerar um fluxo de capital para dentro do banco, que parece finalmente estar empenhado em auxiliar no desenvolvimento da indústria média, que não tem acesso ao mercado de capitais, mas que também precisa de dinheiro para executar seu projetos. 

O impacto no mercado financeiro

É impossível não dizer que a classe de ativo que mais se beneficia de todo esse arcabouço de trabalho de política econômica é a classe de ativos reais. Assim sendo, empresas e imóveis deverão surfar muito bem esse ciclo que está apenas no início. 

Os juros estão estruturalmente baixos e assim ficarão por bastante tempo. A renda fixa corre um sério risco de ter taxas reais negativas em alguns investimentos. Parecia loucura dizer isso em janeiro, mas aqui estamos e isso é cada vez mais realidade. 

A alternativa será migrar para as ações, fundos de private equity e fundos imobiliários. O Ibovespa apresenta uma valorização de mais de 20% no ano. E ela é apenas uma metonímia dos ativos reais.

Estamos falando de apenas 10 meses de governo. Eu quase nada sei, mas desconfio de muita coisa. Veremos bolsa a 200 mil, 300 mil pontos? Parece loucura agora. Mas sempre parece…

O mais importante de tudo isso: estamos apenas no início do trabalho. Muita água vai passar por debaixo desta ponte. Haverá volatilidade, haverá momento em que o precipício parecerá estar na calçada de casa. Mas no longo prazo isso passa e o movimento que estamos vivendo agora é histórico e inédito. Uma boa viagem a todos nós!