3 milhões de CPFs é apenas o começo

Neste mês de setembro a bolsa de valores brasileira, a B3, deve chegar a 3 milhões de investidores. Um grande marco sobre a mudança do cenário e da mentalidade do investidor a respeito de seu patrimônio.

O mercado mudou e demanda maior atenção dos investidores sobre suas oportunidades de rentabilidade. É simples entender esse movimento, quando observamos o contexto.

Com a taxa básica de juros a 2%, a caderneta de poupança e ativos da renda fixa indexados ao CDI, são afetados diretamente pelo Juro Real. Seu dinheiro e patrimônio perdem valor com o tempo, principalmente considerando o movimento da Inflação.

Em 2011, quando o cenário econômico brasileiro era outro, a até então BMF&Bovespa, fez uma campanha publicitária com o intuito de trazer 500 mil investidores para a bolsa.

Um desafio, considerando a taxa Selic de quase 13%, vigente na época e o pouco esforço que o brasileiro precisava fazer para ter rendimentos consistentes em ativos conservadores. O movimento de chegada de novos investidores, no entanto continuou o mesmo.

Mas essa propaganda deixou seu legado. Pois apresentou a muitos brasileiros, de forma simples e até então pouco conhecida, como investir na bolsa de valores não era o bicho de sete cabeça que muitos acreditavam.

Ao comparar as empresas da bolsa com a carreira de um dos jogadores de futebol mais históricos do mundo, era fácil explicar que investir na bolsa era bom pra as empresas, pra BMF&Bovespa e principalmente para o investidor.

A B3, precisou de quase uma década para chegar à 1 milhão de investidores. E marcará os 3 milhões em menos de 2 anos. O que mudou?

A resposta correta é tudo. A economia mudou. O mercado está mais maduro, preparado para receber esse investidor que busca melhor rentabilidade. O nível de educação financeira do investidor também melhorou.

Empresas como a XP Investimentos trouxeram maior visibilidade e acesso ao mercado e à produtos até então restritos, além de utilizar a tecnologia para ajudar quem deseja investir.

Ajudar o brasileiro a investir, aliás, tornou-se o propósito de assessores de investimentos, que se capacitaram para ser a principal fonte de informação sobre as melhores oportunidades de investimentos.

Com tantas mudanças ocorridas e tantas outras para acontecer, é certo que estamos apenas no começo e que 3 milhões de CPFs significa um grande passo para a transformação, mas nem de longe será o último.

Se sua carteira de investimentos, fosse comparada à investimentos na carreira de um atleta, como ela estaria?































EXPERT XP | Gabriel Leal: Um novo olhar para um novo futuro

Temos falado sobre mudanças no mercado financeiro, mas em 2020 a necessidade de assumir uma nova postura frente aos seus investimentos, foi escancarada.

A abertura oficial da Expert XP 2020 foi o momento de Gabriel Leal, sócio da XP Investimentos, apresentar o tema do evento este ano. Um novo olhar para um novo futuro!

Os brasileiros se acostumaram a investir em ativos atrelados no CDI, pois viam como uma opção segura em momentos de crise. Mas a lógica do mercado mudou, pois o CDI não está mais na faixa de 15-13% ao ano.

Com o Juro Real em sua mínima histórica, chegando próximo de zero, fica claro que quem deseja maior rentabilidade deverá mudar a sua forma de investir. Apender a tomar risco e diversificar seu patrimônio.

Diversificação

O brasileiro não precisa inventar a roda. O segredo está em entender bem seus objetivos no longo prazo e diversificar sua carteira para alinhar às suas necessidades.

Um exemplo a ser entendido é de que em diversas economias mundiais com juros baixos, a grande maioria dos investidores possuem cerca de 60 de suas carteiras em renda variável.

Esse investidor, tende a ter uma estratégia clara e que no longo prazo, apesar de variações, acaba trazendo maior rentabilidade.

O fim do CDI

O brasileiro não precisa tomar a mesmas atitudes que a de investidores em outros países. O que a Expert XP 2020 e os conteúdos do evento querem, é que o brasileiro aprenda a investir e não apenas guardar seu dinheiro, esperando e dependendo do CDI.

Os especialistas acreditam em um CDI baixo no longo prazo. Atualmente um ativo atrelado ao CDI poderia ter uma rentabilidade até 50% menor que a de outras épocas, com o juro real por volta dos 8%.

O número de investidores na bolsa de valores vem aumentando exponencialmente nos últimos 2 anos, trazendo pessoas para novas oportunidades de investimentos até então pouco explorada no Brasil.

Grande parte dessa evolução se deve também ao trabalho da XP na educação financeira no país, com eventos como a expert, e no assessor de investimentos por conseguir apresentar as melhores oportunidades nesses momentos.

Quer saber mais sobre esse novo olhar para o futuro?  Acompanhe a cobertura completa da Expert XP 2020. E inscreva-se AQUI para assistir as próximas palestras.

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Neoeconomia Brasileira

Para entender o motivo pelo qual estamos iniciando uma nova era econômica no país, precisamos exclamar a interessante e conturbada história econômica brasileira, observando a cultura e fatos que se estabeleceram ao longo da mesma.

O começo foi no século XV, quando desbravadores dos mares, equipados com canhões, bússolas, astrolábios e caravelas navegavam pelo mar atlântico em buscar do novo, do desconhecido.

Quando encontraram as Américas e o Portugueses dominaram a antiga Terra de Vera Cruz, que hoje, é o nosso Brasil.

Podemos dizer que o Brasil viveu ciclos econômicos, tendo como primeiro o “Ciclo Econômico do Pau-Brasil”, nessa época, os nativos extraiam essa matéria prima, que eram obtidas pelos europeus através do escambo.

Após o esgotamento da oferta do material que deu início a atividade econômica no brasil os portugueses trouxeram uma plantinha bem conhecida chamada cana-de-açúcar que prosperou nas ricas terras brasileiras, os colonizadores instalaram engenhos para produção de açúcar, usando mão de obra escrava, sustentado pelo tráfico negreiro.

Com toda exploração acontecendo foi inevitável encontrarem matais preciosos, o que gerou um novo ciclo econômico do ouro com seu ápice no século XVIII, esse movimento decrescente em 1989 com a Inconfidência Mineira, que perdurou até 1785.

Enfim chegamos em um dos mais importantes ciclos econômicos do ciclo do café, que foi o grande responsável pelo impulso da economia brasileira, havendo intenso desenvolvimento no país, com expansões de estradas, a industrialização, e atração de imigrantes europeus.

Este movimento favoreceu a modernização de modais de transporte, e com a abolição da escravidão aumentou o número de imigrantes europeus, ocasionando uma superprodução, oferta era maior que a demanda.

De tal modo é marcado o fim do ciclo cafeeiro em consequência do Crash de 1929. Tudo isso trouxe necessidade de diversificação da base econômica, gerando a era da industrialização, o governo de Getúlio Vargas passa a incentivar a instalação da indústria pesada no Brasil como a siderúrgica e petroquímica, ponta pé inicial para as principais empresas listadas em nossa bolsa de valores, Petrobras e Vale.

No governo de Juscelino Kubistchek, em 1902, ouve o plano de metas que tinha como objetivo país crescer em 5 anos o que não cresceu em 50, focalizando no desenvolvimento de setores específicos como energia, transporte e alimentação.

Durante a ditadura militar, os governos abrem o país para investimentos estrangeiros que impulsionam o desenvolvimento estrutural brasileiro e entre 1969 e 1973, nosso pís vive o famoso ˜Milagre Econômico”, frisado com um crescimento do PIB de 12%.

Porém havia o problema era que com grandes financiaram por empréstimos a juros flutuantes ocasionou uma inflação de 18% ao ano e o crescente endividamento do país.

Nos anos 80, denominada como década perdida, o brasil se afundava em suas contas públicas e via a inflação aumentando de maneira descontrolada.

No final do governo militar, a economia brasileira estava totalmente desgastada devido a altos juros de suas dívidas externas, vimos o PIB despencando de 10,2% em 1980 pra 4,3% negativos em 1981, a solução foi a criação de planos econômicos para estabilizar a moeda e controlar a inflação.

Só entre 1984 e 1994 o país teve 6 moedas diferentes, a primeira foi o plano cruzado onde o governo tentou o controle da inflação através do congelamento de preços, seguido pelos planos Bresser e o Verão, ambos sem sucesso.

Com a eleição de Fernando Collor de Mello, o Brasil começa a adotar ideias neoliberais, priorizando abrir a economia nacional, privatizando empresas públicas, reduzindo funcionalismo público e aumentando participações privada em vários setores econômicos, porém, graças a escândalos de corrupção o presidente sofreu impeachment, custando seu cargo presidencial.

O Brasil com contou com 13 planos de estabilização econômica, tendo como o último, o Plano Real que viabilizou o equilíbrio das contas públicas e o estabelecimento de um novo padrão monetário, atrelando o valor do real ao dólar. Tal estabilização se manteria pelo século XXI. Em dois anos a miséria do Brasil caiu 18%.

Os próximos governos tiveram o início marcado pelo alto crescimento econômico brasileiro, que foi abalado pela recessão econômica de 2014 juntamente com a crise política no governo de Dilma Rousseff, levando o Brasil ao centro das atenções mundiais quando o assunto era corrupção.

Com um breve resumo de nossa história econômica podemos concluir que nosso país nunca conseguiu se consolidar como um país confiável e atrativo para investidores no privado, devido as altas taxas de juros praticadas, questões fiscais e falta de confiabilidade derivada da desestabilidade política e econômica.

Com a nova política econômica que o Banco Central vem adotando, aprovação do teto de gastos e reforma da providência, uma dessas pontas fundamentais para o investimento privado nacional está mudando, mas ainda temos um caminho pela frente com outras reformas necessárias que precisam ser adotadas, como a reforma administrativa e a tributária.

No gráfico abaixo, temos o IPCA e a Selic nos últimos 10 anos, historicamente ficando em patamares altíssimos, acima da inflação. Em 2016 por exemplo, tínhamos Selic a cerca de 14% ao ano e inflação a 10,67% no ano, ganhar quase 4% no ano no Tesouro Selic, sendo o investimento mais seguro do Brasil é mole, não é?

Mas, estamos entrando em uma nova era, em que isso não é possível, a “Neoeconomia Brasileira” como decidi apelida-la, ou era dos juros baixos, que inicialmente gerou fuga de capital de investidores estrangeiros que antes pegavam empréstimos a juros baixíssimos, em alguns países até negativos para colocarem na renda fixa brasileira, isso ocasionou em uma forte desvalorização do real, somado com outros temas.

Hoje, temos a Selic a 2,25% ao ano e um IPCA projetado pelo Banco Central para de 2020 de 1,63%, secundo o Relatório Focus divulgado no dia 26 de junho de 2020, tendo a menor taxa básica de juros da história do Brasil e a poupança rendendo 1,575%, que, descontado o IPCA, fica  – 0,055% ao ano!

É isso mesmo, poupança e alguns títulos de renda fixa fazendo o investidor perder dinheiro ao longo do tempo, isso considerando o IPCA baixo, devidos efeitos econômicos causados pelo corona-vírus, que com o tempo tende a voltar e a diferença ficar ainda maior.

Com constante redução da taxa de juros no Brasil, investidores terão que se reeducar quando o assunto é investimentos e começarem a tomar mais riscos em busca de um melhor rendimento de seu capital, por tal motivo estamos em crescendo migração de pessoas físicas para a bolsa de valores brasileira.

De acordo com dados divulgadores pela B3, em 2018 tínhamos 813.291 investidores pessoa física, em 2019 esse número já subiu para 1.681.033 e em 2020 já chegamos a 2.483.286 CPF’s, uma alta expressiva de 205,34% em 3 anos.

Isso devido os investidores estarem saindo da renda fixa e indo para o mercado de ações, onde apenas o Dividend Yield (dividendos mais os juros sobre capital próprio distribuídos aos investidores sobre o valor da ação) de determinadas empresas já rentabilizam mais do que o próprio CDI, quem dirá quando a referência é a poupança…

Para demonstrar, utilizaremos as 5 empresas maior representadas no índice Ibovespa, são elas: VALE3 (Vale) com 10,412% de representatividade no índice, ITUB4 (Itaú Unibanco) com 7,631%, B3SA (B3) com 5,982%, PETR4 (Petrobras) com 5,564% e BBDC4 (Bradesco) com 5,463%.

Que juntas, somam 35,052% do índice de referência da bolsa de valores brasileira. Pegamos o Dividend Yield dessas 5 empresas e fizemos a média desta rentabilidade, para enfim, compararmos com a rentabilidade do CDI em cada ano, e obtemos o seguinte resultado:

A partir de 2019 os juros sobre capital mais os dividendos das 5 maiores empresas da bolsa já ultrapassa o rendimento do CDI, respectivamente, da poupança e de alguns títulos de renda fixa, mesmo considerando apenas as maiores empresas do índice Ibovespa, pois se puxarmos uma carteira de empresas boas pagadoras de dividendos e JCP essa rentabilidade é ainda mais.

Além do Dividend Yield, temos que considerar também o crescimento das empresas que tem bons fundamentos e consequentemente ocasiona no aumento de seu valor, refletindo no preço de seus papéis negociados no mercado, gerando valorização do patrimônio do investidor no longo prazo.

Contudo, concluímos que temos uma nova era econômica em que pessoas buscam investir na iniciativa privada e tomando mais riscos em busca de melhores remunerações e rentabilidade, já que a renda fixa não traz tanta atratividade como antes.

Disclaimer: Este artigo não é uma recomendação de investimento, e sim apenas uma reflexão sobre o atual cenário do mercado e conclusões pessoais, pequenas diferenças numéricas nos gráficos apresentados são provenientes de cálculos de tabelas e arredondamentos.

Economia comportamental e nossas finanças

Hoje vamos falar sobre um tema extremamente relevante para seu dia a dia. Vamos falar sobre alguns conceitos de economia comportamental e como isso pode estar afetando sua capacidade de acumular riqueza.

Contabilidade Mental

A Contabilidade Mental representa o fruto do trabalho de Richard H. Thaler, ganhador do prêmio Nobel de economia em 2017.

A contabilidade mental questiona um conceito muito usado nas teorias econômicas tradicionais, o Homo Economicus, que trata os seres humanos como seres 100% racionais e perfeitamente informados, logo, sabedores de todas as consequências de seus atos e tomadores de suas decisões financeiras sempre baseadas na lógica e na razão.

Em seu estudo, Thaler aponta justamente o contrário- que somos seres irracionais, e que tendemos a tomar a pior decisão quando frente a possibilidades distintas. Isso é explicado pela nossa “preguiça”, falta de tempo e hábitos na tomada de decisão.

De acordo com esse mesmo estudo, tendemos a formar “caixinhas” em nossa mente, em que contabilizamos nossos gastos e alocamos uma certa quantidade de recurso para uma certa necessidade.

Por exemplo, digamos que você esteja a caminho de um concerto e que o ingresso lhe custou 100 reais. Em sua carteira, você tem o ingresso e outra nota de 100 reais.

Caso, ao chegar no concerto, a nota de 100 reais tenha sumido, isso provavelmente não afetará sua decisão de assistir ao show.

Porém, caso o ingresso tenha sido perdido no meio do caminho, é provável que você desista de ir, já que você já havia gasto 100 reais no ingresso, mesmo que no outro cenário, a perda tenha sido a mesma em valor financeiro. Isso mostra nossa incapacidade de interpretar o dinheiro como algo fungível.

Além disso, temos uma tendência a gastar recursos advindos de fontes imprevisíveis, como por exemplo uma restituição do imposto de renda, de maneira diferente da que gastaríamos o mesmo valor advindo de fontes como nosso salário.

Normalmente esses recursos são gastos de maneira impulsiva em bens de consumo, por exemplo.

E porque isso acontece?

Como dito anteriormente, somos tendenciosos na nossa tomada de decisão. Esse fenômeno acontece devido ao que chamamos de Heurísticas e Vieses, estudo feito por Kahneman e Tversky.

Heurísticas são atalhos mentais que utilizamos na tomada de decisão. Existem diversos tipos de Heurísticas, como por exemplo a Heurística de Ancoragem (tendência de manter nosso julgamento inicial e ajustá-lo a novas informações recebidas), ou a Heurística de Representatividade (julgamento de um fato na medida em que ele se assemelha a outro).

Isso não necessariamente é algo ruim, já que nos auxilia na tomada de decisão rápida, e pode fornecer resultados adequados em situação em que agilidade na decisão é necessária. O problema mesmo ocorre quando essas decisões são enviesadas.

Os vieses representam erros sistemáticos na tomada de decisão. Tendência de violar algum tipo de racionalidade. Um viés particularmente relevante ao mundo dos investimentos é o viés de aversão a perdas.

Esse viés trata da atribuição de importância maior à perda do que aos ganhos, levando-nos a assumir mais riscos impulsivamente, no intuito de reparar eventuais prejuízos.

Conclusão

Como vimos acima, o processo de avaliação do dinheiro dentro de nossas mentes é algo extremamente complexo e que envolve diversas variáveis.

Porém, conhecer um pouco mais sobre o que afeta nosso julgamento com relação a isso é de extrema importância para reconhecer possíveis comportamentos e gatilhos na tomada de decisão que podem estar afetando seu julgamento, e te impedindo de tomar a decisão mais adequada.




Imposto sobre os dividendos!

Talvez ao ler o título desse artigo, logo de cara você pode ter pensado: “Essa pessoa está maluca?” ou “Não existe imposto sobre dividendos.”. De fato, concordo com os pensamentos que alguém possa ter tido ao ler o título da matéria, mas saiba que nem sempre foi desta maneira.

Você sabia que os dividendos recebidos de ações nem sempre foram isentos de imposto? Acredito que se você for um investidor mais velho, e mais experiente, saiba do que estou falando!

Mas para os que não fazem a menor ideia do que estou dizendo, irei explicar. O ano de 1995 foi o marco histórico deste assunto, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso fez a edição da Lei nº 9.249 em 26 de dezembro de 1995, onde dizia que “…os lucros e dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficam sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integram a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário.”.

Com isso, a partir de Janeiro de 1996, apenas as Pessoas Jurídicas passaram a ser as únicas não isentas de imposto sobre o lucro obtido. A ideia era evitar uma bitributação. Ou seja, impedir que o imposto de renda fosse cobrado duas vezes sobre o mesmo lucro.

Por curiosidade, vamos voltar um pouco mais no tempo, em 1924, quando foi realizada a primeira declaração de imposto de renda de pessoa física. Os lucros derivados do comércio e indústria eram classificados como ‘Rendimentos de 1° categoria’, ou seja, os rendimentos de trabalho dependente.

Dois anos depois, em 1926, as categorias de imposto foram transformadas em cédulas e os rendimentos de lucros e dividendos fizeram parte da cédula F, classificação que ficou mantida até a extinção dos rendimentos cedulares na declaração do exercício de 1990.

Mas o que era a cédula F? Ela significava: ‘Capitais aplicados em dívidas públicas.’, ela permitia deduções de despesas relacionadas com a percepção de rendimentos.

Por fim, em 1995 aconteceu o que agora todos já sabemos, a isenção do imposto de renda na fonte, sobre os dividendos. Vale ressaltar que o JCP (Juros sobre capital próprio) não é isento de IR, e o mesmo é retido na fonte (conhecido como o ‘dedo duro’, para a receita federal).

Ao final de todo esse aprendizado, talvez alguns afirmem: ‘Nada mais justo, após tanto imposto pago em tudo neste país’. Em primeiro lugar, quero deixar claro que meu ponto não é dizer o que é justo ou não, mas é importante mencionar que essas regras de tributação são aplicadas apenas no Brasil.

O que eu quero dizer com isso? Cada país, enquanto Estado Soberano, tem suas próprias formas de realizar a tributação sobre os dividendos. Veja abaixo alguns exemplos de tributações sobre dividendos em outros países, de Pessoa física e jurídica:

Conclusão

Como podem perceber, os únicos três países no mundo que não cobram impostos sobre os dividendos para pessoa física são: Brasil, Estônia e a Letônia.

Até quando continuaremos assim? É uma boa pergunta, que pode ser respondida em um próximo artigo, caso algum dia essa Lei 9.249 seja alterada.

Quer saber mais sobre dividendos ? assista ao vídeo abaixo.



O que são FIPs?

Os fundos de investimentos (FIPs) em participações podem soar como um instrumento de investimentos estranho para os investidores em geral, mas é um veículo de alocação bem conhecido entre os investidores institucionais. 

Os FIPs são uma classe de investimentos alternativos, que participam de investimentos não tradicionais, como imóveis, infraestrutura e capital privado. Este tipo de veículo também é comumente conhecido como private equity

Como funcionam?

Basicamente, os FIPs compram uma participação relevante em uma ou mais empresas, empreendimentos e projetos, para que possam participar ativamente do planejamento e execução das atividades operacionais destes investimentos. 

Usemos como exemplo um FIP que compra participações em empresas privadas. Ao contrário dos fundos de ações, que compram participações em empresas negociadas na bolsa de valores e geralmente detêm participações pequenas nestas empresas, o FIP compra uma participação relevante, capaz de torná-lo parte do bloco de controle dessas empresas. 

Ao fazer parte do grupo controlador, o fundo então terá poder de decisão na empresa e poderá indicar membros para a diretoria executiva, como CEO, diretor financeiro e diretor de operações, por exemplo. 

Desta forma, o fundo consegue mudar os rumos da empresa que investe, melhorando a operação da mesma a fim de gerar mais lucro para a companhia. Ao gerar mais lucro, a empresa distribuirá seu lucro para seus acionistas. O fundo como um grande acionista da empresa terá uma boa parte deste lucro distribuído. Após isso, dividirá seus rendimentos entre seus cotistas.

Note que mesmo que a empresa seja de capital fechado, ela têm ações. A única diferença é que essas ações não são negociadas em bolsa de valores e geralmente estão nas mãos de poucos controladores. Por isso dizemos que um FIP é acionista da empresa. 

Tipos de FIPs

Os fundos de participações são classificados em quatro tipos: 

  • FIP – Capital Semente: Essa classe investe em empresas que tenham faturamento anual de até R$16 milhões. 
  • FIP – Empresas Emergente: Essa classe pode investir em empresas que tenham faturamento anual de até R$300 milhões. 
  • FIP – IE / FIP – PD&I: Essa classe é destinada a fundos que invistam em projetos de infraestrutura ou pesquisa, desenvolvimento e inovação no setores de energia, água e saneamento básico, transporte etc.
  • FIP – Multiestratégia: Essa classe se destina a fundos que não se enquadram em nenhuma das classes descritas acima. 

Período de investimentos

Os fundos de investimentos em participações são, por natureza, de longo prazo. Isso porque a participação na gestão de empreendimentos, com a execução de mudanças e com novos projetos, pode demorar a demonstrar resultados.  

O impacto das mudanças operacionais que existem nas empresas obedece a ciclos empresariais, os quais são bem longos, podendo chegar a até 10 anos. Desta forma, o investidor até pode vender sua participação no fundos em um curto espaço de tempo, uma vez que as cotas dos FIPs são negociadas em bolsa. No entanto, o investidor não deve participar deste modelo de investimentos se não estiver apto a esperar para que os frutos da boa gestão apareçam. 

A cota do fundo sendo negociada em bolsa de valores pode assustar, mas o preço da cota não deve oscilar muito e o investidor não deve se prender a isso. O mindset neste caso deve estar nas operações das empresas investidas pelo fundo. 

Desinvestimento

Os FIPs geralmente compram participações em empresas e projetos ainda em sua fase inicial, com muitas mudanças a serem feitas e muitas estratégias a serem desenvolvidas. Após fazer todo este trabalho, é comum que os FIPs vendam uma parte ou a totalidade de suas participações nas empresas.

Após o desinvestimento, o fundo pode distribuir o dinheiro a seus cotistas ou então partir para um novo ciclo de investimentos, onde tentará encontrar novamente boas oportunidades de investimentos a longo prazo. 

A venda da participação do fundo nas companhias pode ser feita de forma direta para um comprador interessado ou então pode ser feita via IPO, vendendo a sua parte da empresa na bolsa de valores, tornando a empresa uma companhia de capital aberto.

Vantagens de se investir nos FIPs

No atual ciclo econômico brasileiro, com taxas de juros estruturalmente baixas e historicamente nas mínimas, passa a ser cada vez mais necessário o investimento em ativos reais, como participações em imóveis, empresas e projetos de infraestrutura. 

A primeira grande vantagem desta modalidade de investimentos é que no caso dos ativos reais, eles geram mais resultados com um ambiente de juros baixos. Os projetos ficam mais viáveis, as empresas têm mais aptidão para investir em expansão de parques fabris e o mercado imobiliário fica mais aquecido. Tudo isso em um ciclo virtuoso que é retroalimentado pelas relações econômicas. 

Assim sendo, a expectativa de retorno de ações e participações em geral são maiores em tempos de juros baixos. Como o cenário deve permanecer assim por um bom tempo, o investimentos nos FIPs se mostram uma ótima forma de capturar mais retorno. 

Uma outra grande vantagem é que nos casos dos FIPs de Infraestrutura, os cotistas contam com um incentivo do governo, que não tributa as pessoas físicas no recebimento de dividendos e nem no ganho de capital no caso de venda da cota. 

Vale dizer que o investidor geralmente recebe proventos regularmente nos FIPs e como eles não são tributados no caso dos FIP – IE, todo o rendimento chega líquido ao cotista. O cotista pessoa física também não precisa pagar IR caso venda as suas cotas na bolsa de valores.

Por fim, os fundos de participações são conhecidos por fazer investimentos em empresas e setores que ainda estão em seus estágios iniciais, precisando de bastante desenvolvimento. Isto faz com que os retornos possam ser bem maiores, uma vez que os rendimentos demorarão mais tempo para amadurecerem, mas por conta do forte trabalho de gestão, são melhores.