A tempestade já passou?

As tempestades oceânicas são eventos bruscos que acontecem em diferentes regiões do planeta. É uma mistura de ventos, pressão atmosférica e muita umidade que resulta em fortes movimentos nas águas. Na maioria das vezes, dão sinais que podem se formar, nuvens mais escuras, ventos e chuvas leves.

Depois, se transformam em algo poderoso, agitado e energético. Podem dar uma trégua e ganhar energia novamente, ou acabar de vez e perder força no horizonte azul e calmo marítimo.

Os marinheiros mais experientes ousam dizer que enfrentam esses momentos de frente para ganhar velocidade, aproveitar os ventos fortes e usar a força do oceano a seu favor.

O que aconteceu no mundo nestes últimos meses foi uma das piores e mais intensas tempestades já vistas no campo econômico, social e tecnológico da história.

A tempestade chamada COVID-19

Seus primeiros sinais se manifestam com a virada do ano. Um novo vírus de contaminação rápida se espalha pelo país asiático mais populoso do mundo indica uma tempestade chegando.

Parecia uma típica chuva de verão, algo que assusta, mas depois passa. Pelo contrário, a tempestade toma uma dimensão enorme, avança no Iraque, Itália e Coreia do Sul. 

O que era chuva, juntou com vento e escureceu. Vidas se perderam e o mundo inundou de um vazio enorme nas ruas. A casa virou um navio imerso em um mar individual, onde cada família e toda a tripulação ficou restrita a sua embarcação.

O medo, a confusão, a incerteza dos acontecimentos, as opiniões divergentes de líderes transformaram a tempestade mais parecida em um furacão, um tsunami, ou uma simples chuva. Alguns líderes se perderam no meio da tempestade… Que tempestade é essa? 

Ajudas humanitárias ganham destaques e alguns recursos são enviados aos marinheiros. A humanidade ganha estímulos trilionários de solidariedade e para salvamento de empregos, empresas, estados e municípios.

Políticas fiscais e monetárias são acionadas em seus extremos, faixas de juros reduzem e as projeções de gastos públicos são revisados, no sentido de salvar municípios, estados e países.

A insegurança cresceu muito. Moedas desvalorizadas e um fluxo de capitais em torno das economias mais seguras do mundo foi intensificado. Bolsas despencaram em apenas 2 semanas, e no contexto brasileiro marcou um dos piores desempenhos. 

Empresas revisaram seus modelos de negócio, inovaram em projetos digitais e buscaram mecanismos para garantir o fluxo de caixa para as próximas semanas. Um senso de priorização versus importância nunca visto antes. O desemprego aumentou no mundo, e nos EUA começa a dar mostras de recuperação.

O paradigma da área da saúde inicia uma nova fase, com adoção da telemedicina e novos modelos de atenção à saúde ao redor do mundo. Hospitais foram construídos em semanas. As estratégias em saúde em todos os setores não ficaram ausentes ao enfrentamento da COVID-19. O vírus atingiu quase 100% dos municípios brasileiros.

Meses se passaram, de 3 a 4, em extensão tão longa que as pessoas nem se lembram mais quando foi o “start”. O barco balançou e enfrentou pedras no caminho.

Os tripulantes ficaram atordoados e molhados, porém estão mirando novos horizontes, munidos de suas proteções como capas de chuva, luvas, e botas. “Vai que começa chover de novo…”

A trégua aparente…

As águas estão mais calmas. O céu ainda meio cinzento e uma chuva fina está caindo. Um raio de sol escapa entre as nuvens em alguns momentos. Alguns tripulantes voltam aos postos de trabalho com as adaptações efetuadas em suas embarcações.

As embarcações são diferentes e se organizam com planos extensos e detalhados para vislumbrar um horizonte azul e alcançar a terra firme. 

O mundo parece melhorar. Os contágios e as vidas perdidas estão em fase de maior controle em alguns países, e as atividades econômicas estão retomando. O esforço econômico e social enfrentado até o momento, aparentemente, valeu a pena.

A área educacional está reabrindo na Europa, assim como, o comércio de forma geral. O Brasil segue com essas medidas, alguns shoppings já estão abertos, e nos EUA agrega-se à reivindicações de direitos sociais, por meio de protestos de garantia de direito e igualdade social.

Dados de atividade industrial estão mostrando a retomada das indústrias ao redor do mundo. Projeções do Produto Interno Brutos dos países mais afetados mostram diferentes visões do que esperar para o segundo trimestre e para o ano completo. 

Talvez já enfrentamos o pior…

E agora? A tempestade pode voltar?

Infelizmente, sim. O vírus se provou resistente e uma vacina será uma solução importantíssima, não tem jeito. No entanto, houve uma melhora significativa nas condições do mundo e um aprendizado incrível. É preciso ter em mente alguns pontos para agora adiante: 

  • A chance de termos uma segunda onda de casos de contaminação e mortes é muito provável, mas será em menor escala, e poderá ter mais controle de acordo com medidas de imunização e prevenção;

  • A volta às atividades é algo inevitável. Compreender as demandas e o contexto de cada lugar poderá ajudar em medidas e trazer melhores resultados no campo social e econômico;

  • O controle e monitoramento intenso de indicadores será essencial para os próximos dois anos;

  • O comportamento e senso de comunidade de cada um, são variáveis que podem potencializar à volta das atividades, com sinergia, comprometimento e responsabilidade social enquanto cidadão; 

  • O impacto da quarentena estará presente nos resultados das empresas neste segundo trimestre e impactará os ativos financeiros ao redor do mundo.

O barco ainda pode balançar e a chuva voltar. Trabalho árduo, confiança e  visão de longo prazo serão pontos chave para manter e gerar empregos, ampliar  investimentos e novos projetos.

A tempestade que machucou, mas transformou!

Sem sombra de dúvidas, os últimos meses foram intensos e muito críticos para a humanidade. Vidas foram tiradas, empregos foram perdidos e a situação econômica dos países foi seriamente afetada. 

Entretanto, o enfrentamento de adversidades e de crises pode potencializar aprendizados importantes e gerar inovações. Uma transformação social e tecnológica veio para ficar. A tempestade e seus ventos nos ajudaram a velejar mais rápido e aprender coisas novas sobre as águas que mudam e se moldam no mundo atual. 


SELIC E CDI: Conheça as principais taxas do mercado

A taxa Selic e o CDI são duas das principais taxas utilizadas no mundo dos investimentos, sendo os principais índices de remuneração dos títulos renda fixa.

 

Selic

A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia. Ela é definida por um comitê de política monetária, o COPOM, do Banco Central do Brasil. Esse comitê se reúne a cada 45 dias para definir o juros básico da economia local. A Selic é conhecida por ser a taxa básica de juros por conta da sinalização que a maior autoridade monetária da nação passa. O Banco Central basicamente diz: A taxa Selic é o custo do dinheiro na economia.

 

Para definir a Selic, o COPOM leva em consideração diversos aspectos econômicos, como inflação, atividade econômica e desemprego. Como exemplo, com a Selic a 6% ao ano, quer dizer que, em teoria, todas as taxas de juros praticadas na economia devem ser maior do que esse valor.

 

Isso porque os bancos, que são os principais fornecedores de crédito para a economia, irão trocar dinheiro entre si a aproximadamente essa taxa. O governo também faz transações com os bancos a aproximadamente essa taxa. Sendo assim, se o banco capta dinheiro a aproximadamente 6%, ele irá querer algum lucro ao emprestar para o consumidor. Desta forma, ele cobra mais caro que a Selic para ter lucro. É assim que se forma o spread bancário.

 

CDI

O CDI é o Certificado de Depósito Interbancário. Essa taxa é sempre muito próxima à Selic. Isso acontece por conta de o CDI ser a taxa média às quais os bancos trocam dinheiro entre si. Como já foi dito, eles irão querer captar dinheiro ao menor custo possível, que seria a Selic. Sendo assim, o CDI é sempre muito próximo à Selic.

 

O CDI é o principal índice de referência para títulos de renda fixa privada. Ao mesmo tempo, a Selic é um dos indicadores dos títulos de Tesouro Direto. Sendo assim, quando ouvir sobre o Tesouro Selic, você já saberá que esse título irá lhe pagar a Selic atualmente em vigor.

 

Além disso, quando se deparar com um título de renda fixa que promete lhe pagar 115% do CDI, saberá que ele irá lhe pagar aproximadamente 15% a mais do está a Selic atualmente. O CDI também é muito utilizado como benchmark para fundos de investimentos. O motivo do uso do CDI como benchmark é o fato de que como muitos títulos de renda fixa utilizam o CDI como fator de remuneração, os fundos têm como objetivo gerar retornos acima deste índice.

 

O objetivo de retorno acima do CDI serve para que o investidor prefira aplicar no fundo, onde ele poderá ser melhor remunerado, mesmo que tenha de pagar taxas de administração e performance.