Blue3 e SpaceMoney anunciam parceria e lançam novos canais de informação

Um dos ativos mais valiosos do século 21 é a informação. Diariamente, fatos econômicos, políticos e sociais interferem no nosso cotidiano e, para quem investe e pensa no futuro, estar por dentro desses acontecimentos no momento certo pode significar a diferença entre lucro e prejuízo. 

Informar com agilidade e trazer análises de qualidade é a missão dos novos canais Bolsa de Valores e Proteção e Futuro, focados no cotidiano da B3 – a bolsa de valores brasileira – e nos mercados de seguros e previdência.

O portal SpaceMoney, especializado na cobertura do mercado de capitais e em produção de conteúdo com foco em educação financeira, é o responsável pela organização editorial e hospedagem do projeto, que tem patrocínio da Blue3. A empresa, escolhida pela XP Investimentos como melhor escritório de agentes autônomos do Brasil em 2021, colabora também com conteúdo analítico baseado nas recomendações e relatórios da corretora.

“Esses novos canais especiais de informação nascem em linha com os princípios que norteiam o negócio da Blue3, de valorizar a informação de qualidade e fomentar a educação financeira. Quem respira o mercado financeiro precisa estar sempre ligado no mundo ao redor e, para nós, é uma grande satisfação poder oferecer essa conexão”, destaca Wagner Vieira, CEO da Blue3.

“A Blue3 é o parceiro ideal para o início da nossa área de projetos especiais, que está desenvolvendo novos canais temáticos sobre segmentos importantes do mercado de capitais e da economia, como criptomoedas, investimentos no exterior, agronegócio e saúde, entre outros, sempre em parceria com empresas que são referência em seus ramos de atuação. Vem muita coisa boa por aí”, adianta Fabio Murad, CEO da SpaceMoney

Mais informação sobre a bolsa

Segundo dados divulgados pela B3 no início de agosto, atualmente 3,9 milhões de pessoas físicas têm conta para investimentos em renda variável. Para quem faz parte desse grupo — ou tem interesse em conhecer e acompanhar o mercado acionário —,  o canal Bolsa de Valores é um passaporte para os pregões.

Dessa forma, é possível acompanhar as cotações dos papéis pela ferramenta SpaceNow, se informar sobre os principais fatos relevantes no universo das empresas listadas e conferir o desempenho do Ibovespa e dos principais índices internacionais. Tudo acompanhado pela contextualização dos profissionais da Rede Blue3.

Portanto, além de notas rápidas, a página trará também conteúdos de fôlego, como reportagens, lives e entrevistas em diferentes formatos, incluindo texto, infográficos e vídeos.

Clique aqui e acesse o canal Bolsa de Valores.

Seu futuro está garantido?

Sabemos que não é possível prever o futuro, mas você pode sim, construir o seu! Por isso, se planejar financeiramente, investir em previdência privada e contar com produtos de seguro são medidas indispensáveis para alcançar esse objetivo. 

Porém, infelizmente, essa não é a realidade da maioria dos brasileiros. Segundo o “Raio-X do Investidor”, pesquisa realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) em julho deste ano, apenas 9% dos brasileiros investem em previdência privada. A maioria (71%) respondeu que dependerá da previdência social (INSS) ou do próprio salário, ou seja: não pretendem parar de trabalhar.

Foi pensando nisso que nasceu o canal Proteção e Futuro, cujo o objetivo é ajudar esse público a ter uma nova consciência financeira, trazendo reportagens sobre educação e planejamento do orçamento pessoal.

Entre os temas estão dicas de como economizar, além das opções de planos de previdência que estão em evidência no mercado e de produtos de seguro que atendam às necessidades dos diferentes perfis de famílias.

Clique aqui para conhecer o canal Proteção e Futuro.

Qual é o seu próximo sonho? Você já definiu as suas metas?

Traçar um planejamento financeiro é essencial para conquistar seus objetivos, e claro, a Blue3 pode te ajudar a alcançá-los.

Procure um assessor Blue3 agora, e comece a investir com excelência!

Vieses e armadilhas mentais nos investimentos

Pode parecer estranho quando ouvimos pela primeira vez, mas uma boa parte do sucesso nos investimentos não está no conhecimento sobre matemática ou economia. A psicologia tem papel fundamental no processo de construção do nosso patrimônio.

Por isso que um acadêmico da área do campo ganhou um prêmio Nobel de economia. Daniel Kahneman foi reconhecido por seus estudos no campo das finanças comportamentais, identificando vieses e armadilhas mentais que caímos ao lidar com dinheiro.

Os estudos estão detalhados no livro Pensando Rápido e Devagar e vale muito a pena ler.

Ainda não conheci nenhuma maneira de aprender como identificar se estamos caindo ou não em nossas armadilhas mentais sem sentir na pele, mas conhecendo alguns conceitos, podemos nos policiar para cair o mínimo possível.

Vou resumir a seguir alguns dos principais, mas não deixe de ler o Kahneman e sobre comportamento:

Viés da confirmação
Quando temos uma conclusão e queremos buscar evidências que confirmem a nossa visão, estamos com esse viés. O desafio aqui é não cair na tentação de justificar nossas teorias, mas sim fazer o contrário, formular as teses a partir das informações que estão disponíveis.

Viés da disponibilidade
Ocorre quando nossa decisão é afetada por uma informação que esteja recente na nossa cabeça, ou seja, a mais disponível. Podemos ficar mais pessimistas ou otimistas conforme o tom do fluxo de notícias que recebemos, assim não distinguindo corretamente o que pode afetar ou não os preços do que temos.

Viés da Ancoragem
Ancorar uma expectativa significa atribuir uma decisão com base em uma informação passada. Exemplo: A ação XYZ estava cotada a R$10,00 há um ano, hoje sua cotação é R$5,00.

Com base somente nessa informação, o investidor conclui que a ação está barata e tende a se apreciar. O preço por si só, entretanto, não quer dizer muita coisa. A empresa pode ter tido uma piora significativa em seus fundamentos e o preço da sua ação continua caindo.

Efeito manada
Quem cai nessa armadilha, simplesmente está seguindo o que todo mundo está fazendo. Comprar porque todo mundo está comprando, ou vender porque todo mundo já vendeu.

Normalmente isso faz com o que o investidor chegue atrasado para um determinado mercado ou investimento e se frustre com a experiência.

Status Quo
Os seres humanos têm uma grande tendência a querer que as coisas permaneçam do jeito que estão, na sua zona de conforto. Investindo não é diferente, muitas pessoas resistem a se abrir para o novo ou desconhecido.

Conclusão

Esse assunto é bastante extenso e tem ganhado cada vez mais relevância entre os investidores.

Existem muitos livros e estudos mostrando que excesso de medo ou ganância, muitas vezes são os grandes responsáveis por perdas e frustrações no mercado financeiro. Se é possível deixar uma dica para evitar se deixar levar por algum dos vieses, seria procurar opiniões e pontos de vista diferentes do seu.

Alguém pode estar enxergando algo que você não viu e vice versa. Não deixe de fora dessa consulta uma visão profissional e idônea, dinheiro é um assunto muito delicado para que a gente não o trate com a importância que merece.

Leia também Economia Comportamental e Nossas Finanças e Sua atitude nos momentos de crise e o reflexo no futuro de suas finanças




A tempestade já passou?

As tempestades oceânicas são eventos bruscos que acontecem em diferentes regiões do planeta. É uma mistura de ventos, pressão atmosférica e muita umidade que resulta em fortes movimentos nas águas. Na maioria das vezes, dão sinais que podem se formar, nuvens mais escuras, ventos e chuvas leves.

Depois, se transformam em algo poderoso, agitado e energético. Podem dar uma trégua e ganhar energia novamente, ou acabar de vez e perder força no horizonte azul e calmo marítimo.

Os marinheiros mais experientes ousam dizer que enfrentam esses momentos de frente para ganhar velocidade, aproveitar os ventos fortes e usar a força do oceano a seu favor.

O que aconteceu no mundo nestes últimos meses foi uma das piores e mais intensas tempestades já vistas no campo econômico, social e tecnológico da história.

A tempestade chamada COVID-19

Seus primeiros sinais se manifestam com a virada do ano. Um novo vírus de contaminação rápida se espalha pelo país asiático mais populoso do mundo indica uma tempestade chegando.

Parecia uma típica chuva de verão, algo que assusta, mas depois passa. Pelo contrário, a tempestade toma uma dimensão enorme, avança no Iraque, Itália e Coreia do Sul. 

O que era chuva, juntou com vento e escureceu. Vidas se perderam e o mundo inundou de um vazio enorme nas ruas. A casa virou um navio imerso em um mar individual, onde cada família e toda a tripulação ficou restrita a sua embarcação.

O medo, a confusão, a incerteza dos acontecimentos, as opiniões divergentes de líderes transformaram a tempestade mais parecida em um furacão, um tsunami, ou uma simples chuva. Alguns líderes se perderam no meio da tempestade… Que tempestade é essa? 

Ajudas humanitárias ganham destaques e alguns recursos são enviados aos marinheiros. A humanidade ganha estímulos trilionários de solidariedade e para salvamento de empregos, empresas, estados e municípios.

Políticas fiscais e monetárias são acionadas em seus extremos, faixas de juros reduzem e as projeções de gastos públicos são revisados, no sentido de salvar municípios, estados e países.

A insegurança cresceu muito. Moedas desvalorizadas e um fluxo de capitais em torno das economias mais seguras do mundo foi intensificado. Bolsas despencaram em apenas 2 semanas, e no contexto brasileiro marcou um dos piores desempenhos. 

Empresas revisaram seus modelos de negócio, inovaram em projetos digitais e buscaram mecanismos para garantir o fluxo de caixa para as próximas semanas. Um senso de priorização versus importância nunca visto antes. O desemprego aumentou no mundo, e nos EUA começa a dar mostras de recuperação.

O paradigma da área da saúde inicia uma nova fase, com adoção da telemedicina e novos modelos de atenção à saúde ao redor do mundo. Hospitais foram construídos em semanas. As estratégias em saúde em todos os setores não ficaram ausentes ao enfrentamento da COVID-19. O vírus atingiu quase 100% dos municípios brasileiros.

Meses se passaram, de 3 a 4, em extensão tão longa que as pessoas nem se lembram mais quando foi o “start”. O barco balançou e enfrentou pedras no caminho.

Os tripulantes ficaram atordoados e molhados, porém estão mirando novos horizontes, munidos de suas proteções como capas de chuva, luvas, e botas. “Vai que começa chover de novo…”

A trégua aparente…

As águas estão mais calmas. O céu ainda meio cinzento e uma chuva fina está caindo. Um raio de sol escapa entre as nuvens em alguns momentos. Alguns tripulantes voltam aos postos de trabalho com as adaptações efetuadas em suas embarcações.

As embarcações são diferentes e se organizam com planos extensos e detalhados para vislumbrar um horizonte azul e alcançar a terra firme. 

O mundo parece melhorar. Os contágios e as vidas perdidas estão em fase de maior controle em alguns países, e as atividades econômicas estão retomando. O esforço econômico e social enfrentado até o momento, aparentemente, valeu a pena.

A área educacional está reabrindo na Europa, assim como, o comércio de forma geral. O Brasil segue com essas medidas, alguns shoppings já estão abertos, e nos EUA agrega-se à reivindicações de direitos sociais, por meio de protestos de garantia de direito e igualdade social.

Dados de atividade industrial estão mostrando a retomada das indústrias ao redor do mundo. Projeções do Produto Interno Brutos dos países mais afetados mostram diferentes visões do que esperar para o segundo trimestre e para o ano completo. 

Talvez já enfrentamos o pior…

E agora? A tempestade pode voltar?

Infelizmente, sim. O vírus se provou resistente e uma vacina será uma solução importantíssima, não tem jeito. No entanto, houve uma melhora significativa nas condições do mundo e um aprendizado incrível. É preciso ter em mente alguns pontos para agora adiante: 

  • A chance de termos uma segunda onda de casos de contaminação e mortes é muito provável, mas será em menor escala, e poderá ter mais controle de acordo com medidas de imunização e prevenção;

  • A volta às atividades é algo inevitável. Compreender as demandas e o contexto de cada lugar poderá ajudar em medidas e trazer melhores resultados no campo social e econômico;

  • O controle e monitoramento intenso de indicadores será essencial para os próximos dois anos;

  • O comportamento e senso de comunidade de cada um, são variáveis que podem potencializar à volta das atividades, com sinergia, comprometimento e responsabilidade social enquanto cidadão; 

  • O impacto da quarentena estará presente nos resultados das empresas neste segundo trimestre e impactará os ativos financeiros ao redor do mundo.

O barco ainda pode balançar e a chuva voltar. Trabalho árduo, confiança e  visão de longo prazo serão pontos chave para manter e gerar empregos, ampliar  investimentos e novos projetos.

A tempestade que machucou, mas transformou!

Sem sombra de dúvidas, os últimos meses foram intensos e muito críticos para a humanidade. Vidas foram tiradas, empregos foram perdidos e a situação econômica dos países foi seriamente afetada. 

Entretanto, o enfrentamento de adversidades e de crises pode potencializar aprendizados importantes e gerar inovações. Uma transformação social e tecnológica veio para ficar. A tempestade e seus ventos nos ajudaram a velejar mais rápido e aprender coisas novas sobre as águas que mudam e se moldam no mundo atual. 


Dólar nas Alturas

R$ 5,25. Essa foi a máxima do dólar este ano. A maior da história. 30%. É a porcentagem que a moeda obteve de valorização somente em 2020. FED (banco central americano) estabelece linhas de acordos swap em dólares para dar liquidez às moedas de países como o Brasil. Medida tem objetivo de diminuir tensões nos mercados devido aos impactos do Coronavírus.

A pressão no câmbio brasileiro tem deixado dúvidas para investidores que possuem investimentos no exterior ou pretendem comprar a moeda, e as declarações e comportamentos dos representantes do governo e do banco central colocam a política cambial do país em cheque. 

Quando o dólar verá terra firme neste seu voo pelas alturas?

Entenda

A política cambial, da qual é responsabilidade do Banco Central, é um conjunto de instrumentos e ferramentas que um país utiliza para controlar e definir o valor de sua moeda em relação a outras no mercado mundial. Há mais de séculos que o comércio entre países, importações e exportações, existe como grande integrante da agenda econômica.

Assim, a política cambial tem o objetivo de criar um equilíbrio entre a relação (câmbio) das moedas para ajudar no desenvolvimento econômico do país. Dessa forma, a relação com o dólar, tido como moeda de maior importância no comércio mundial, é a relação do qual os investidores e os governos prestam mais atenção.

O Brasil já passou por inúmeras experiências com diferentes regimes cambiais. Acredito que alguns se lembram dos anos 1990, do real ser igualado ao valor do dólar. Naquela época, o país passava por um momento econômico distinto do de hoje, e utilizava uma ferramenta cambial, a de bandas cambiais, da qual o dólar poderia variar somente entre dois limites, muito próximos. Atualmente, o Brasil possui um regime flutuante, que determina o valor das moedas de acordo com a oferta e demanda.

Porém, em algumas ocasiões, o Banco Central aciona suas reservas oferecendo ou comprando dólar no mercado para evitar baixas e altas da moeda no curto e médio prazo. Portanto, o resultado de uma política cambial é a combinação de ações da equipe de governo juntamente com o contexto mundial e seu fluxo de transações e percepções de risco.

Dilemas dolarizados

Parece que quando o brasileiro está se acostumando com certa relação do câmbio Real com Dólar algo acontece para mudar. Aconteceu isso no final dos anos 90, após eleições de 2002, durante a copa do mundo e agora, pós eleições presidenciais de 2018. Veja abaixo o histórico da cotação dos últimos 25 anos, com alguns acontecimentos importantes.

Há sempre algum estudo comentando sobre a relação equilibrada para o câmbio, seja R$ 4,00 ou R$ 4,20 em termos atuais. Estes consideram o poder de compra de cada moeda e estudam o crescimento do país e a inflação do período para determinar uma relação de equilíbrio no câmbio. Porém, isso é muito diferente do que é praticado no free market, do qual é sujeito às pressões de compra e venda e do qual vemos notícias frequentes.

Muitos pensadores e políticos já se passaram pelos controles do ministério da fazenda e do banco central. Junto a eles, diferentes crenças de como liderar os ciclos econômicos em nosso país de tamanho continental e diferenças regionais gritantes existiram. Cada um com uma visão própria sobre como a política cambial deveria ser administrada. E para adicionar, cada um presente em um contexto econômico mundial diferente.

Os grandes dilemas dos últimos tempos relacionados com o câmbio trouxeram discussões quentes em relação à importância das exportações e importações brasileiras. Muitos acreditam que um câmbio desvalorizado favorece as exportações e assim ajuda no crescimento do PIB brasileiro, além de ajudar as empresas locais a se armarem melhor competitivamente.

Outros dizem que a abertura comercial brasileira deve ser flexibilizada e um câmbio valorizado ajuda o Brasil a importar mais barato e trazer inovações e investimentos para o país. O Brasil é exportador de algumas matérias primas e não de produtos acabados, resultando em mais discussão em torno da importância de exportar caro ou importar barato.

A relação acima pode ser colocada de maneira ainda mais detalhista dentro do dia a dia das empresas. O endividamento das mesmas, principalmente as que compram ou vendem para fora, também é afetado com variações no câmbio. Além disso, o câmbio é um fator que impacta variáveis importantes dentro da demanda agregada como inflação, investimento e consumo das famílias.

Um exemplo: se o câmbio é desvalorizado e as empresas possuem um endividamento de longo prazo em dólares, e importam matéria prima, a produção e a compra ficam mais caras. Isso afetará a inflação e saúde financeira dos negócios, ao mesmo tempo enfraquecendo o poder de compra da população com alguns produtos. Outro ponto importante, caso haja uma variação grande na taxa de câmbio, é a reavaliação de investimentos de empresas internacionais, resultando em possíveis paradas em projetos desta magnitude.

Além disso, o contexto de juros do país pode ajudar a reter dólares. Com juros muito altos em relação aos companheiros mundiais, o Brasil era um grande destino de investidores internacionais procurando investimentos seguros que pagavam um retorno acima da média.

O contexto mundial também é uma variável de grande peso dentro dos dilemas dolarizados.

A partir do momento em que o mundo cresce de maneira desigual, ou passa a sentir sintomas de recessão, ou há destaques de crescimento acima da média em alguns cantos do mundo, o fluxo de dólares em torno do planeta muda. Os focos de investimentos e as trocas de mercadorias mudam de acordo com a dinâmica da economia mundial. O Brasil sempre obteve alguma atenção dos investidores internacionais por vários motivos, sejam eles juros, produção de matéria prima e infraestrutura. 

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, o câmbio brasileiro não conseguiu sustentar a pressão que a crise da Rússia e o calote da Argentina causaram. O resultado foi a mudança de regime cambial e uma disparada do dólar em poucos meses. Durante as eleições de 2002, a desconfiança internacional sobre a eleição do ex-presidente Lula provocou uma retirada de dólares e especulação sobre a moeda que aumentaram o câmbio devido a percepção de risco de um governo contra mercado. Pouco tempo depois, veio a crise de 2008 que questionou a essência do capitalismo. Há alguns anos, vemos uma inconsistência no controle das políticas econômicas e uma perda de confiança do investidor internacional no Brasil.

Além disso, dívidas e reservas internacionais de um país influenciam muito a sua visão em relação aos patamares cambiais. O Brasil, historicamente sempre obteve uma dívida externa, atrelada ao dólar, relativamente alta.

As reservas internacionais também são fatores de peso, sendo que hoje, o Brasil conseguiu acumular reservas. Sendo assim, vender reservas no mercado e ganhar com uma desvalorização do real é uma estratégia de conseguir recursos. Isso mostra que patamares de uma moeda valorizada pode ser benéfico para pagamento de dívidas e criação de reservas nacionais. Atualmente, o país não possui grandes dívidas externas e pouca exposição ao câmbio.

Neblina e nuvens pela frente…

O ano de 2019 foi um ano marcante para recuperação econômica do Brasil. Ao seu final, indicadores e projeções apresentaram resultados otimistas e interessantes para o desenvolvimento do país. As constantes reduções da taxa de juros e o controle da inflação foram importantes passos para chegar em outro patamar. O nível risco-país mudou e a percepção sobre nós também. Além de apresentarmos um leve crescimento econômico.

No entanto, gestores e economistas consideram que o câmbio permanecerá em patamares um pouco mais elevados do que estamos acostumados devido a alguns pontos importantes considerando Brasil e o Mundo. A volatilidade mundial traz incertezas que impactam a percepção de investidores do mundo todo. O ano de 2019 registrou a maior retirada de capital estrangeiro da Bolsa, chegando a R$ 50 bilhões.

Tensões mundiais fazem com que investidores procurem ativos seguros. Para isso, os títulos do governo americano são referências. Assim, o fluxo de recursos internacionais se vira para os EUA. A guerra comercial dos EUA com a China se alastrou por muitos meses e ainda não teve um fechamento claro, deixando todos aflitos em como a ordem do comércio mundial será restaurada após negociações.

Junto à guerra comercial, a grande desaceleração dos grandes centros econômicos, como a Europa, e o corte de juros no mundo todo elevam os níveis de incerteza também. Estímulos econômicos estão sendo a saída para aumentar a liquidez do mercado e estimular investimentos e criação de emprego. Além disso, vemos uma atuação mais “conservadora” dos bancos ao redor do mundo, aprendizado gerado pela crise de 2008.

O Brasil está neste contexto apresentado acima. Enquanto o nosso país não apresentar um crescimento sustentável e notável para os investidores estrangeiros, junto com uma melhora da confiança mundial, a percepção desses ainda será de maior risco.

O Coronavírus está se alastrando pelo mundo e seus impactos ainda são desconhecidos para a economia mundial. Entretanto, um detalhe é certo: sua disseminação “atrasou” grande parte da economia mundial devido ao impacto na cadeia de suprimentos. Portanto, mais um motivo para que o foco do investidor estrangeiro fique fora de investimentos em países em desenvolvimento.

O comportamento da equipe econômica do Brasil já está muito claro para alguns investidores e até exagerada para outros. O câmbio desvalorizado é uma realidade assumida dentro do país e a atuação do Banco Central, apesar de estar ativa nessas últimas semanas, não é de abaixar o câmbio e sim controlar em patamares que acredita ser aceitável.

Dessa forma, a equipe do ministério acredita que o câmbio em patamares mais desvalorizados fará diferença dentro do contexto de crescimento de PIB, focando em exportações e vendas de reservas internacionais. Entretanto, isso é perigoso caso o Brasil não cresça no curto prazo.

O momento é de cautela. A atuação do Banco Central será para conter a alta e manter o controle. O governo e o mundo estão dando estímulos à economia para que nada pare de funcionar. Alguns setores aqui no Brasil irão sofrer mais com a alta do dólar, como a indústria farmacêutica e mecânica, e outros sairão mais contentes como o agropecuário e exportação de minério. A exposição ao dólar deve ser uma estratégia de diversificação e principalmente de proteção, variando entre 5% a 10% de sua carteira.

Por enquanto, poucos balões a mais, poucos balões a menos carregarão o dólar em um céu nublado…

Insights: a economia em 2020

Passada a euforia da virada de ano, chegamos ao início, de fato, de 2020. Oficialmente o ano comercial começou na última quinta-feira, mas naquele espírito macunaímico preguiçoso, símbolo destacado por Mário de Andrade, o ano parece dar seu pontapé inicial apenas na segunda-feira que precede a primeira semana completa. O azar parece morar em anos de virada aos finais de semana. Sigamos. 

Como você deve ter ouvido das mais diversas fontes, 2019 foi um ano transformacional e foi responsável pelo alicerce da economia brasileira. Observamos diversas classes de ativos com valorizações expressivas. 

O que aconteceu em 2019

Fazendo uma síntese do que aconteceu, observamos o desenrolar dos fatos em Brasília e ficamos animados com os resultados obtidos. Apesar dos ruídos, a equipe econômica conseguiu endereçar aquela que talvez seja a principal reforma de nossa história republicana, com a aprovação da Reforma da Previdência. 

O tema dominou o noticiário por boa parte do ano e mudanças de cunho microeconômico ficaram para 2020. 

Enquanto isso, o crescimento esperado no início de 2019 não veio. Felizmente, a inflação também ficou ancorada. Tais feitos corroboraram para um corte de 2% na taxa Selic, que terminou o ano em seu menor patamar da história, em 4,5% ao ano. 

Este revisional de Selic para baixo foi outro fator que explicou a alta valorização dos ativos brasileiros. Ibovespa e IFIX, os dois principais índices de renda variável do país, representando as principais ações e fundos imobiliários, respectivamente, apresentaram valorizações superiores a 30% no ano. 

Enquanto isso, ao longo do ano tivemos diversos acontecimentos na disputa comercial entre China e Estados Unidos. As trocas de farpas ocorreram, mas ao que tudo indica, estamos perto da assinatura da fase um do acordo comercial. 

Os temores de recessão global aos poucos vão se afastando, com índices PMIs ainda tímidos, mas no campo positivo. 

Com os temores globais ao longo do ano de 2019, o ouro foi outra classe de investimentos que se beneficiou e teve uma valorização superior a 28%. 

No geral, para os ativos brasileiros, observamos uma valorização massiva, mas muito em função de expectativas dos acontecimentos em Brasília. Ações e fundos imobiliários se beneficiam muito de uma economia aquecida e de juros baixos e a antecipação do futuro guiou as valorizações observadas. 

Mas agora é o momento de olhar para 2020 e tentar entender o que podemos fazer com nossos investimentos. 

Não me entenda mal, não estou tentando fazer previsões sobre o ano. Tenho muita dificuldade em fazer previsões, principalmente sobre o futuro. O objetivo aqui é apenas discorrer sobre fatos que acredito que poderão impactar o mercado financeiro. Se eles vão mesmo acontecer ou se vão impactar de forma positiva ou negativa, só o futuro dirá. 

O segredo para viver em um mundo em que não entendemos já foi dado aqui: diversificação e noção de que entendemos pouco sobre o que ocorre daqui pra frente. 

Economia brasileira

O final de 2019 foi de otimismo com a economia brasileira. Guiado pelos resultados da Black Friday e do Natal, o consumo finalmente voltou a acelerar e o varejo comemorou o resultado destas duas datas de compras. 

O ano começou com as expectativas altas por parte dos agentes econômicos, mas o cenário não se desenhou como o esperado, já que os empresários estavam menos otimistas do que se esperava. Foi um primeiro semestre bem morno, com os desenrolares políticos tomando conta da agenda econômica. 

O segundo semestre foi mais interessante e semanalmente o crescimento do PIB foi sendo revisado para cima. O resultado oficial ainda será divulgado, mas o crescimento deve ser confirmado acima de 1%, algo que parecia difícil em meados de agosto. 

A confiança da indústria e do comércio aumentou e confirmamos isso com a criação de empregos formais, que a partir de setembro passou a aparecer de forma menos tímida. 

Esperamos que o crescimento acima de 2% finalmente apareça em 2020, apoiados nos dados apresentados acima. 

Enquanto isso, algumas reformas ainda devem ser aprovadas pelo governo para colocar o país de vez nos trilhos. Destaco três delas: Reforma Tributária, Pacto Federativo e Reforma Administrativa. 

As duas últimas ajudarão o governo em seu problema fiscal, enquanto a primeira será muito bem recebida pelos empresários. Uma simplificação tributária tornará o ambiente de negócios no país mais fácil, o que ajudará a se criar novos concorrentes, tanto nacionais, quanto internacionais. 

Este ambiente de competição é extremamente benéfico para o povo, uma vez que garante excelência nos produtos e serviços vendidos, sendo cobrado um preço justo. Além disso, gera novos empregos e arrecadação para o governo investir em área de alta necessidade, como educação, saúde e segurança. 

O governo também deve seguir com a privatização de algumas empresas, o que ajudará a limpar ainda mais sua folha de gastos e deixará à iniciativa privada o papel de dirigir empresas – que grande ideia, não?

O BNDES também deve começar a fazer desinvestimentos em suas empresas investidas, o que gerará um fluxo enorme de capital para dentro do banco, que poderá passar a dar crédito subsidiado à quem realmente necessita, que são as pequenas e médias empresas, ao passo que as grandes empresas devem se financiar através do mercado de capitais. 

A inflação assustou um pouco nos últimos meses do ano, mas deve terminar 2020 ainda abaixo da meta de 4,25% estabelecida pelo Banco Central. Vale dizer que o núcleo de inflação, que é uma medida para capturar a inflação, desconsiderando-se os choques de preços temporários, continua intacto e ancorado. 

A alta na inflação de novembro e dezembro de 2019 foi causada por choques nos preços de alimentos e de energia elétrica, que em geral obedecem a ciclos sazonais. Não houve uma mudança fundamental na dinâmica de oferta e demanda e os preços destes bens devem se normalizar ao longo do ano. 

Dito isso, o Banco Central não tem motivos aparentes para subir a Selic ao longo de 2020. Isso também não quer dizer que ela deve cair mais. Um corte adicional de 0,25% até é esperado pelo mercado em algum momento, mas não se surpreenda se ele não vier. 

Por mais que Roberto Campos Neto diga que o BC não olha para o dólar no momento de decidir sobre nossa taxa de juros, os constantes leilões de divisas feitos pelo Banco Central em momentos de alta expressiva da moeda levantam uma bandeira amarela. 

De qualquer forma, palmas para esta equipe do BC que foi capaz de trazer os juros para a mínima histórica. Na ausência de um período parecido em nosso passado, qualquer passo dado por esta turma deverá ser feito com base em muito estudo e de forma cautelosa. Não aguardamos muitas novidades neste campo ao longo de 2020. 

Economia mundial

Aqui a análise começa a ficar mais complicada, dada a quantidade de variáveis que se deve observar. O intuito aqui não será uma análise tão profunda, visto que existem tantos cenários possíveis, que provavelmente erraríamos feio se tentássemos prever algo com exatidão. 

Apesar disso, o Brasil não é uma ilha e os acontecimentos lá fora impactam o nosso país. 

A primeira coisa que devemos ficar de olho é a eleição americana em novembro. Apesar de parecer longe, em março já devemos começar a observar os acontecimentos referentes ao processo eleitoral, afetando os preços dos ativos no Brasil. 

Donald Trump parece ser o favorito para uma reeleição. Enquanto isso, o Partido Democrata deve ter eleições primárias conturbadas para escolher seu candidato. No momento, quatro concorrentes merecem destaque: Bernie Sanders e Elizabeth Warren, senadores e representantes da ala mais radical do partido; Joe Bidden, vice-presidente americano durante o mandato de Barack Obama e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York. 

Os ruídos sem dúvidas irão aparecer. Prever qual presidente o mercado espera que seja eleito e qual o impacto da eleição de cada um é uma tarefa que eu não irei me propor a fazer, com o risco de virar piada com o fiasco dos meus palpites. 

Além disso, dizer que o resultado das eleições irá afetar a trajetória de crescimento brasileira me parece exagerado, ao menos neste momento. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos parece ter dado uma trégua. Era de se esperar. Na iminência de um processo eleitoral e com a necessidade de fazer Wall Street feliz, Donald Trump não poderia levar essa guerra para outro patamar. Não faria sentido algum. 

O FED também parece ter encerrado seu ciclo de corte de juros, visto que a economia americana não para de crescer. Abaixar ainda mais as taxas de juros seria correr muito perigo inflacionário e Jerome Powell parece não estar pronto para correr este risco. 


Na Europa, o crescimento insiste em ficar ancorado, mesmo com o juros no campo negativo – ou o correto seria: principalmente por conta dos juros negativos? – mas os índices de atividades parecem começar a apresentar um tímido crescimento. 

A saúde da economia global como um todo, apesar de não estar viril como esperávamos, não apresenta tantos motivos para preocupação de recessão, como era no início do ano passado. 

Aos poucos a economia vai se levantando da cama. A grande questão é o que ela fará após levantar. Mais do que nunca, existe uma névoa sobre o futuro econômico mundial. Se as pessoas já não estão mais pessimistas, elas estão longe de estarem otimistas. 

Novamente, os acontecimentos impactam sim, mas acredito que seja difícil um fato externo quebrar o atual bull market brasileiro, apesar de que certamente aparecerão manchetes que te farão acreditar que sim. 

O último acontecimento foi a morte de um importante general iraniano pelos EUA. As tensões e ameaças se elevaram e o temor agora se volta para um guerra não comercial, mas sim bélica. 

Como bom especialista em conflitos militares que sou, não irei tentar explicar a você os diversos motivos que podem ou não acarretar em uma guerra. Eu até acredito que possa sim acontecer, mas não apostaria nisso. 

Por mais que o ataque pode ter sido uma manobra eleitoral por parte de Trump, acredito que isto deva sair do noticiário conforme caminharmos ao longo deste ano. 

Mas isso nos lembra mais uma vez da importância de sempre termos proteções à nossa carteira. Na presença de um caos mundial, nada irá se valorizar mais do que o ouro. E não podemos descartar de forma alguma que um caos mundial pode acontecer a qualquer momento. 

No campo dos países emergentes, o Brasil se mostra cada vez mais como líder em potencial de crescimento, com uma robusta plataforma de reformas, mão de obra abundante e capacidade ociosa. 

Apesar disso, o gringo olha o cenário na América Latina e se espanta um pouco. Em diversos países estamos vendo crises nos governos e a população tem se revoltado em nossos países vizinho. 

A Argentina recentemente elegeu novamente um Kirchnerista em Alberto Fernández, indicando a volta da esquerda ao comando do país.

Como já dito, o Brasil não é uma ilha e depois de apanhar tanto nos emergentes nos últimos dois anos, o gringo certamente irá aguardar o desenrolar dos fatos no Brasil antes de voltar a olhar para o país, mesmo que isto signifique que ele irá perder a primeira pernada de valorização dos ativos. 

Outro fato que ainda afasta o estrangeiro do Brasil é a ausência do grau de investimento das agência de classificação de risco. Esta nota de crédito é requisito para muitos investidores institucionais estrangeiros. O panorama é positivo para a recuperação da nota, mas não podemos garantir que será em 2020. 

Conclusão

Conseguimos fazer aqui um resumo do que aconteceu em 2019 e nos preparar para os acontecimento econômicos em 2020. Ao longo do mês teremos um outro artigo explicando como estes acontecimentos poderá atingir cada classe de ativos.

Previdência aprovada: abrindo caminhos

Na noite de 6 de maio de 1998, a cidade de Brasília estava prestes a prestigiar a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Plano idealizado pelo então presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, a proposta colocava uma idade mínima para a aposentadoria. 

A aprovação dependia de 308 votos dos deputados. A base do governo passou o dia a procura de alianças para que a proposta fosse aprovada. Na apuração, a contagem apurou 307 votos a favor. O deputado Antonio Kandir, do PSDB-SP, mesmo partido do presidente da república e idealizador do plano da reforma, apertou o botão errado e votou pelo não. 

Sim, um voto errado da base aliada fez com que a proposta fosse recusada. 

Passados 19 anos, Michel Temer caminhava para aprovar sua versão da reforma da Previdência. Por mais que o assunto não fosse unanimidade, as probabilidades de a reforma ser aprovada eram grandes. Até que no dia 17 maio de 2017, a delação premiada de Joesley Batista para a operação lava jato entregou que o então presidente Michel Temer, participava de esquemas de corrupção. 

Mais uma vez, a reforma da previdência ficou de lado e não foi aprovada. 

Já se vão 21 anos desde o fiasco de 1998. No período, o Brasil contou com equipes econômicas negligentes, planos mirabolantes como a Nova Matriz Econômica, presidente envolvido em esquema de corrupção e tantas outras coisas que colocaram o país em cheque. 

Sem a reforma da Previdência, a dívida bruta do país ultrapassará o PIB nos próximos anos e a situação econômica brasileira estará em calamidade. 

É estranho imaginar essa situação se pensarmos que por duas vezes estivemos tão perto de alcançar a aprovação. Parece até que os cisnes negros são brasileiros, adoram o clima tropical e frequentam a praia de Copacabana. Quanto azar. 

Truques velhos para cães novos

Dizem por aí que é difícil ensinar truques novos para cães velhos. Pois eu acho que difícil mesmo é ensinar truques velhos para cães novos. Não que eu adore o atual governo, mas economicamente, Paulo Guedes e sua turma estão fazendo o estado da arte. 

O dia 22 de outubro de 2019 mostra a aprovação definitiva da tão esperada reforma da Previdência. Nada de cisnes negros desta vez. Para coroar, o senado botou um ressonante 60 a 19 na votação, afastando qualquer risco de não aprovação. 

Ainda faltam pequenos destaques a serem votados, o que sinceramente pouco influenciará no resultado final. Mais importante do que tudo isso? A sinalização de que estamos no caminho certo. 

O trabalho continua

Guedes se apressou em dizer que o trabalho com as reformas econômicas continua, com o desejo de endereçar principalmente três delas: reforma administrativa, pacto federativo e reforma tributária. 

As duas primeiras têm mais a ver com a situação fiscal do país, com a reforma administrativa buscando minar parte dos privilégios do funcionalismo público. No caso do pacto federativo, o governo busca uma melhor relação para os gastos obrigatórios do governo federal. 

No caso da reforma tributária, ainda há muita polaridade sobre qual proposta deveria ser levada adiante. O timing político vai ser extremamente importante no caso desta reforma e o consenso é que por hora, ela deve ser enviada em partes. 

A reforma tributária é real geradora de valor para as empresas e tem o potencial de jogar o desemprego para baixo e fazer com que a economia ganhe tração, impulsionando o crescimento do PIB. 

O mais interessante disso tudo, é que um dia após a aprovação de uma das mais importantes reformas da nossa história republicana, o mártir do movimento vem ao público dizer a quem quiser ouvir que o trabalho continua e está apenas no início.

Cereja do bolo

Em paralelo ao legislativo, Salim Mattar comanda a secretaria de desestatização do governo. Pela primeira vez temos um presidente a favor da privatização de empresas que não sejam necessárias para o governo. Pela primeira vez temos o consenso de que o livre mercado deve ditar as leis das negociações comerciais, sem intervenção estatal. 

A primeira leva de estatais a serem privatizadas deve incluir um total de 17 empresas, dentre as quais estão Correios, Casa da Moeda e Eletrobras. A tramitação burocrática demora algum tempo, mas irá ocorrer e o parecer deve ser favorável. 

Mattar vem fazendo um trabalho formidável, limpando a folha de estatais não core para o governo brasileiro e deixando com que essas empresas passem para a iniciativa privada. Consequentemente, tendem a ser mais bem geridas e ter maior potência de gerar valor à sociedade. 

Outro ponto é que o BNDES deverá dar início no futuro próximo à venda de suas participações em empresas privadas. A ação irá gerar um fluxo de capital para dentro do banco, que parece finalmente estar empenhado em auxiliar no desenvolvimento da indústria média, que não tem acesso ao mercado de capitais, mas que também precisa de dinheiro para executar seu projetos. 

O impacto no mercado financeiro

É impossível não dizer que a classe de ativo que mais se beneficia de todo esse arcabouço de trabalho de política econômica é a classe de ativos reais. Assim sendo, empresas e imóveis deverão surfar muito bem esse ciclo que está apenas no início. 

Os juros estão estruturalmente baixos e assim ficarão por bastante tempo. A renda fixa corre um sério risco de ter taxas reais negativas em alguns investimentos. Parecia loucura dizer isso em janeiro, mas aqui estamos e isso é cada vez mais realidade. 

A alternativa será migrar para as ações, fundos de private equity e fundos imobiliários. O Ibovespa apresenta uma valorização de mais de 20% no ano. E ela é apenas uma metonímia dos ativos reais.

Estamos falando de apenas 10 meses de governo. Eu quase nada sei, mas desconfio de muita coisa. Veremos bolsa a 200 mil, 300 mil pontos? Parece loucura agora. Mas sempre parece…

O mais importante de tudo isso: estamos apenas no início do trabalho. Muita água vai passar por debaixo desta ponte. Haverá volatilidade, haverá momento em que o precipício parecerá estar na calçada de casa. Mas no longo prazo isso passa e o movimento que estamos vivendo agora é histórico e inédito. Uma boa viagem a todos nós!