Como investir em Renda Fixa de forma inteligente.

Você provavelmente deve estar acompanhando nos noticiários a taxa de juros em mínimas históricas no país, hoje a 2% ano.

Se por um lado isso faz com que o custo das dívidas diminua – o que movimenta a economia, por outro os juros baixos derrubam a rentabilidade dos investimentos, principalmente os de renda fixa, como a poupança.

Para você ter uma ideia, a poupança não teve ganho real nos últimos meses e perdeu para a inflação. Isso quer dizer que:

Você jogou dinheiro pelo ralo caso tenha deixado suas economias nesse tipo de aplicação!

E esse cenário deve continuar no longo prazo, então você precisa conhecer um pouco mais a fundo sobre renda fixa para encontrar alternativas mais inteligentes e tão seguras quanto a poupança para que seu dinheiro renda mais.

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Conheça os Tipos de Renda Fixa

Se você está começando a investir agora – ou é um investidor moderado, e está buscando aplicações que tragam uma renda recorrente, mas cansou de perder dinheiro com a poupança, não é preciso deixar de lado a Renda Fixa. 

O segredo dos grandes investidores é a diversificação. E sim, até os investidores mais arrojados possuem esse tipo de aplicação em suas carteiras. 

Acredite, existem opções tão seguras quanto a poupança em renda fixa, mas com rendimentos bem melhores e para todo o tipo de perfil de investidor. 

Mas antes de conhecer os tipos de renda fixa, é necessário saber que a rentabilidade desse tipo de investimento geralmente é calculada de duas formas:

  1. Títulos Prefixados:  rentabilidade conhecida antecipadamente, quando o investidor mantém o título até o vencimento;
  2.  Títulos Pós-fixados: a rentabilidade do investimento dependerá do desempenho de um indexador, como a Selic ou o CDI.

Assim, de acordo com o seu perfil, existem diversas opções para diversificar a sua carteira e otimizar os seus rendimentos.

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CDB – Certificado de Depósito Bancário

O CDB é um dos investimentos em renda fixa mais simples e populares do mercado. Além de ser tão seguro quanto a poupança, sua rentabilidade é melhor ainda. 

Em resumo, ele é um título emitido pelos bancos para captar recursos para o financiamento de suas atividades.

Em troca deste empréstimo de recursos, ele devolve ao investidor a quantia aplicada mais o valor dos juros acordado no momento do investimento.

Além de ter uma rentabilidade que pode chegar até o dobro da poupança, o CDB tem outras vantagens:

  • Segurança: segurado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), no caso de investimentos até R$250 mil;
  • Liquidez: se você escolher por um CDB de liquidez diária, poderá recuperar o dinheiro aplicado quando achar necessário; 

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CRA – Certificado de Recebíveis do Agronegócio

Os CRAs são títulos de renda fixa emitidos por empresas ligadas ao agronegócio. Em sua maioria, por produtores rurais ou suas cooperativas, relacionados ao financiamento da atividade agropecuária.

Para isso, a empresa emite um título que representa parte de sua dívida. Os investidores recebem o dinheiro investido somado aos juros, que pode ser predefinido pelo CDI ou o IPCA. Entre os benefícios, destaca-se:

  • Isenção de IR e IOF para a pessoa física, o que significa mais rendimento ao investidor.

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CRI – Certificados De Recebíveis Imobiliário

Os CRIs são títulos de renda fixa privado emitidos por empresas com o objetivo de financiar alguma atividade no ramo de construção civil.

Com os aluguéis recebidos pelos imóveis construídos, a empresa paga os investidores que lhe emprestaram dinheiro.

De forma geral, esse tipo de investimento paga uma taxa prefixada que é conhecida já na compra. Além disso, pode ocorrer também o acréscimo da variação de um índice como a inflação ou o CDI.

Entre os benefícios, destacam-se:

  • Isenção de IR e IOF para pessoa física;
  • Não existe um valor mínimo aplicado aos investimentos em CRI, com apenas R$ 1 mil já é possível iniciar.

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Debêntures – comuns e incentivadas

As debêntures são títulos de renda fixa privada, emitidos por empresas que desejam financiar algum tipo de investimento. 

Elas podem precisar de capital para custear atividades operacionais do dia a dia ou para realizar novos investimentos.

As debêntures incentivadas são exclusivas para empresas que irão realizar investimentos de infraestrutura. Já as debêntures comuns podem ser emitidas por qualquer empresa, seja qual for o objetivo do investimento a ser realizado. 

Entre as principais vantagens, destaca-se:

  • Isenção de IR e IOF (para pessoa física) no rendimento e no ganho de capital, caso estejam enquadradas como debêntures de infraestrutura

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Para concluir, a renda fixa ainda reserva boas oportunidades, com ativos recomendados para todos os perfis de investidores, de conservadores a agressivos. 

O que muda é o tipo de ativo, o indexador, o risco e o prazo. Afinal, diversificação é a chave para o seu sucesso como investidor.

O importante é que você já sabe que deixar o seu dinheiro na poupança não é um bom negócio.

E quanto mais você demorar para tomar uma atitude, mais as suas economias serão engolidas pela inflação. 

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Você não precisa investir sozinho!

Mas se você ainda não sente segurança para tirar o seu dinheiro da poupança, não se preocupe: não é preciso investir sozinho!

A BlueTrade conta com uma assessoria especializada para te ajudar nessa transição. 

Nossos profissionais buscam pelas as melhores oportunidades e produtos alinhados com seus objetivos. 

Vale lembrar que recebemos o prêmio TIER 1 da XP, como um dos escritórios que mais agregaram valor e eficiência às carteiras de renda fixa dos clientes!

Então não perca mais tempo, fale com um assessor BlueTrade e faça o seu dinheiro render mais! 

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Neoeconomia Brasileira

Para entender o motivo pelo qual estamos iniciando uma nova era econômica no país, precisamos exclamar a interessante e conturbada história econômica brasileira, observando a cultura e fatos que se estabeleceram ao longo da mesma.

O começo foi no século XV, quando desbravadores dos mares, equipados com canhões, bússolas, astrolábios e caravelas navegavam pelo mar atlântico em buscar do novo, do desconhecido.

Quando encontraram as Américas e o Portugueses dominaram a antiga Terra de Vera Cruz, que hoje, é o nosso Brasil.

Podemos dizer que o Brasil viveu ciclos econômicos, tendo como primeiro o “Ciclo Econômico do Pau-Brasil”, nessa época, os nativos extraiam essa matéria prima, que eram obtidas pelos europeus através do escambo.

Após o esgotamento da oferta do material que deu início a atividade econômica no brasil os portugueses trouxeram uma plantinha bem conhecida chamada cana-de-açúcar que prosperou nas ricas terras brasileiras, os colonizadores instalaram engenhos para produção de açúcar, usando mão de obra escrava, sustentado pelo tráfico negreiro.

Com toda exploração acontecendo foi inevitável encontrarem matais preciosos, o que gerou um novo ciclo econômico do ouro com seu ápice no século XVIII, esse movimento decrescente em 1989 com a Inconfidência Mineira, que perdurou até 1785.

Enfim chegamos em um dos mais importantes ciclos econômicos do ciclo do café, que foi o grande responsável pelo impulso da economia brasileira, havendo intenso desenvolvimento no país, com expansões de estradas, a industrialização, e atração de imigrantes europeus.

Este movimento favoreceu a modernização de modais de transporte, e com a abolição da escravidão aumentou o número de imigrantes europeus, ocasionando uma superprodução, oferta era maior que a demanda.

De tal modo é marcado o fim do ciclo cafeeiro em consequência do Crash de 1929. Tudo isso trouxe necessidade de diversificação da base econômica, gerando a era da industrialização, o governo de Getúlio Vargas passa a incentivar a instalação da indústria pesada no Brasil como a siderúrgica e petroquímica, ponta pé inicial para as principais empresas listadas em nossa bolsa de valores, Petrobras e Vale.

No governo de Juscelino Kubistchek, em 1902, ouve o plano de metas que tinha como objetivo país crescer em 5 anos o que não cresceu em 50, focalizando no desenvolvimento de setores específicos como energia, transporte e alimentação.

Durante a ditadura militar, os governos abrem o país para investimentos estrangeiros que impulsionam o desenvolvimento estrutural brasileiro e entre 1969 e 1973, nosso pís vive o famoso ˜Milagre Econômico”, frisado com um crescimento do PIB de 12%.

Porém havia o problema era que com grandes financiaram por empréstimos a juros flutuantes ocasionou uma inflação de 18% ao ano e o crescente endividamento do país.

Nos anos 80, denominada como década perdida, o brasil se afundava em suas contas públicas e via a inflação aumentando de maneira descontrolada.

No final do governo militar, a economia brasileira estava totalmente desgastada devido a altos juros de suas dívidas externas, vimos o PIB despencando de 10,2% em 1980 pra 4,3% negativos em 1981, a solução foi a criação de planos econômicos para estabilizar a moeda e controlar a inflação.

Só entre 1984 e 1994 o país teve 6 moedas diferentes, a primeira foi o plano cruzado onde o governo tentou o controle da inflação através do congelamento de preços, seguido pelos planos Bresser e o Verão, ambos sem sucesso.

Com a eleição de Fernando Collor de Mello, o Brasil começa a adotar ideias neoliberais, priorizando abrir a economia nacional, privatizando empresas públicas, reduzindo funcionalismo público e aumentando participações privada em vários setores econômicos, porém, graças a escândalos de corrupção o presidente sofreu impeachment, custando seu cargo presidencial.

O Brasil com contou com 13 planos de estabilização econômica, tendo como o último, o Plano Real que viabilizou o equilíbrio das contas públicas e o estabelecimento de um novo padrão monetário, atrelando o valor do real ao dólar. Tal estabilização se manteria pelo século XXI. Em dois anos a miséria do Brasil caiu 18%.

Os próximos governos tiveram o início marcado pelo alto crescimento econômico brasileiro, que foi abalado pela recessão econômica de 2014 juntamente com a crise política no governo de Dilma Rousseff, levando o Brasil ao centro das atenções mundiais quando o assunto era corrupção.

Com um breve resumo de nossa história econômica podemos concluir que nosso país nunca conseguiu se consolidar como um país confiável e atrativo para investidores no privado, devido as altas taxas de juros praticadas, questões fiscais e falta de confiabilidade derivada da desestabilidade política e econômica.

Com a nova política econômica que o Banco Central vem adotando, aprovação do teto de gastos e reforma da providência, uma dessas pontas fundamentais para o investimento privado nacional está mudando, mas ainda temos um caminho pela frente com outras reformas necessárias que precisam ser adotadas, como a reforma administrativa e a tributária.

No gráfico abaixo, temos o IPCA e a Selic nos últimos 10 anos, historicamente ficando em patamares altíssimos, acima da inflação. Em 2016 por exemplo, tínhamos Selic a cerca de 14% ao ano e inflação a 10,67% no ano, ganhar quase 4% no ano no Tesouro Selic, sendo o investimento mais seguro do Brasil é mole, não é?

Mas, estamos entrando em uma nova era, em que isso não é possível, a “Neoeconomia Brasileira” como decidi apelida-la, ou era dos juros baixos, que inicialmente gerou fuga de capital de investidores estrangeiros que antes pegavam empréstimos a juros baixíssimos, em alguns países até negativos para colocarem na renda fixa brasileira, isso ocasionou em uma forte desvalorização do real, somado com outros temas.

Hoje, temos a Selic a 2,25% ao ano e um IPCA projetado pelo Banco Central para de 2020 de 1,63%, secundo o Relatório Focus divulgado no dia 26 de junho de 2020, tendo a menor taxa básica de juros da história do Brasil e a poupança rendendo 1,575%, que, descontado o IPCA, fica  – 0,055% ao ano!

É isso mesmo, poupança e alguns títulos de renda fixa fazendo o investidor perder dinheiro ao longo do tempo, isso considerando o IPCA baixo, devidos efeitos econômicos causados pelo corona-vírus, que com o tempo tende a voltar e a diferença ficar ainda maior.

Com constante redução da taxa de juros no Brasil, investidores terão que se reeducar quando o assunto é investimentos e começarem a tomar mais riscos em busca de um melhor rendimento de seu capital, por tal motivo estamos em crescendo migração de pessoas físicas para a bolsa de valores brasileira.

De acordo com dados divulgadores pela B3, em 2018 tínhamos 813.291 investidores pessoa física, em 2019 esse número já subiu para 1.681.033 e em 2020 já chegamos a 2.483.286 CPF’s, uma alta expressiva de 205,34% em 3 anos.

Isso devido os investidores estarem saindo da renda fixa e indo para o mercado de ações, onde apenas o Dividend Yield (dividendos mais os juros sobre capital próprio distribuídos aos investidores sobre o valor da ação) de determinadas empresas já rentabilizam mais do que o próprio CDI, quem dirá quando a referência é a poupança…

Para demonstrar, utilizaremos as 5 empresas maior representadas no índice Ibovespa, são elas: VALE3 (Vale) com 10,412% de representatividade no índice, ITUB4 (Itaú Unibanco) com 7,631%, B3SA (B3) com 5,982%, PETR4 (Petrobras) com 5,564% e BBDC4 (Bradesco) com 5,463%.

Que juntas, somam 35,052% do índice de referência da bolsa de valores brasileira. Pegamos o Dividend Yield dessas 5 empresas e fizemos a média desta rentabilidade, para enfim, compararmos com a rentabilidade do CDI em cada ano, e obtemos o seguinte resultado:

A partir de 2019 os juros sobre capital mais os dividendos das 5 maiores empresas da bolsa já ultrapassa o rendimento do CDI, respectivamente, da poupança e de alguns títulos de renda fixa, mesmo considerando apenas as maiores empresas do índice Ibovespa, pois se puxarmos uma carteira de empresas boas pagadoras de dividendos e JCP essa rentabilidade é ainda mais.

Além do Dividend Yield, temos que considerar também o crescimento das empresas que tem bons fundamentos e consequentemente ocasiona no aumento de seu valor, refletindo no preço de seus papéis negociados no mercado, gerando valorização do patrimônio do investidor no longo prazo.

Contudo, concluímos que temos uma nova era econômica em que pessoas buscam investir na iniciativa privada e tomando mais riscos em busca de melhores remunerações e rentabilidade, já que a renda fixa não traz tanta atratividade como antes.

Disclaimer: Este artigo não é uma recomendação de investimento, e sim apenas uma reflexão sobre o atual cenário do mercado e conclusões pessoais, pequenas diferenças numéricas nos gráficos apresentados são provenientes de cálculos de tabelas e arredondamentos.

Taxa Selic em 2,25%

Nesta última quarta-feira, 17 de junho, o COPOM – Comitê de Política Monetária – anunciou uma nova queda de 75 bps na taxa básica de juros do país, a SELIC. Com isso, o que antes era 3% a.a hoje está em 2,25% a.a.

No intuito de fomentar ainda mais a economia, praticando a queda dos juros, foi realizado esse corte de 0,75% e com isso, alguns investimentos da renda fixa, que possuem relação com a SELIC, irão sofrer alguns ajustes.

Vale lembrar que com a Selic mais baixa aqui, o diferencial de juros entre os títulos brasileiros e os de países desenvolvidos como os EUA, considerados mais seguros, diminui.

Como resultado, é comum que haja uma saída de capitais para esses países com melhores notas de crédito. Consequentemente, o preço do dólar frente ao real se valoriza.

Talvez seja a hora de diversificar e apostar em mais risco.

Em um ambiente com juros altos ficava muito fácil para os investidores deixarem dinheiro guardado na renda fixa. Há 4 anos, tínhamos uma SELIC no patamar de 14,25% ao ano, e isso implicava em um rendimento maior do que 1% ao mês.

Ou seja, em 4 anos, tivemos uma queda de exatos 12% na SELIC.

Com isso, você precisa assumir que é necessário diversificar os seus investimentos, ou se não, você vai ficar pra trás!

No caso da Poupança, como fica?

A nova regra da poupança diz que ela rende 70% da taxa Selic enquanto, a mesma, estiver abaixo de 8,5% ao ano. Como a Selic hoje está em 2,25%, ou seja, menor do que 8,5%, a poupança está rendendo 1,575% ao ano.

Isso significa uma rentabilidade de aproximadamente 0,13% ao mês.

Vamos fazer uma simulação pra ficar claro, o que realmente está acontecendo com a, talvez sua, poupança. Digamos que você vai aplicar hoje R$ 1.000.000,00 na poupança, o que você irá encontrar em 1 ano?

Você não precisa ser um expert em matemática pra identificar um número negativo, basta encontrar o sinal “-“ que será o suficiente para entender o contexto.

E é exatamente o que está acontecendo com a rentabilidade real da poupança a partir de hoje! Ao investir seu 1 milhão, passado 1 ano, você encontrará menos do que deixou investido.

Imagine você, ter trabalhado durante toda sua vida com muito esforço e dedicação, sempre tendo em mente uma aposentadoria tranquila, com a família, podendo pagar os estudos dos filhos, viver sem passar necessidades, investir o seu dinheiro e quando fosse retirar, tivesse uma quantia menor do que a que você colocou.

Por isso, reafirmo, é o momento de confessarmos que a Poupança não é mais um tipo de investimento.

Você pode contar com a liquidez e segurança que ela possui, porém, a rentabilidade que ela produz, hoje, é falsa.

Então, onde colocar o meu dinheiro da poupança?

Hoje, quem conta com o auxílio de um assessor de investimentos da BlueTrade está sem preocupações com relação a isso. O cliente possui uma carteira muito bem diversificada, e um atendimento de alta qualidade no mercado financeiro.

Entretanto, a pessoa que não possui esse auxílio terá que estudar e procurar por alternativas na renda fixa ou renda variável.

As opções são muitas, porém, você precisa saber como analisar uma boa empresa, a duração de um título, e entender como o mercado financeiro caminha.

Conclusão

Por fim, o fato é, a época de 1% ao mês de rentabilidade acabou! Você precisa sair do conforto para não perder mais dinheiro.

Entre em contato com a BlueTrade, e saiba mais sobre como investir com o auxílio de um assessor de investimentos.

Saiba mais sobre o mundo dos investimentos:








Insights: montando sua carteira para 2020

Com o fim do ano chegando, é comum que as pessoas já estejam com a cabeça na próxima década. Essa também é uma boa hora para você investidor repensar a forma como está investindo e se sua carteira está preparada para os anos vindouros. 

Não que devamos pensar em 2020 para o ano para fazer a vida e ficar milionário. Pode até ser que aconteça, mas o sucesso nos investimentos não se ganha em apenas um ano. Se trata de boas performances ano após ano, deixando com que a mágica dos juros compostos aconteçam. 

Todos gostariam de escolher uma ação que se valorizará 100% no próximo ano. Mas você já parou para pensar em uma carteira que rende 20% por cinco anos? Com os juros compostos, ao final do período o rendimento terá sido de 249%. Interessante, certo? 

Um rendimento de 20% ao ano é difícil de se conseguir, mas não é impossível. O segredo está na alocação. Se uma carteira estiver bem diversificada nas mais diferentes classes de ativos, além de diversificar também dentro dessas classes – não dá para escolher apenas uma ação e alocar todo seu capital nela – certamente estaremos mais perto de atingir o objetivo. 

A partir de hoje teremos uma série de artigos que te ajudarão a estar mais preparado para revisitar sua mente e a forma como você investe, além de lhe auxiliar a montar uma boa carteira para surfar os próximos anos. Tenha sempre em mente: investir é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. 

Diversificação

A regra número um para uma carteira ser julgada como boa é a diversificação. Ela é nosso único almoço grátis disponível, da qual devemos usar e abusar. 

A diversificação deve ser utilizada como uma forma de mitigar riscos e angariar retornos caso nosso cenário base não se concretize. E acredite, dentro os diversos cenários base que iremos traçar, uma parte considerável deles não irá se materializar. 

Uma carteira pulverizada nos ajuda a dormir tranquilo em um mundo que não entendemos. O futuro é incerto e insiste em ficar no… futuro. Como já dizia um velho sábio: “é difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro”.

Ora, eu mesmo tenho um cenário interessante para 2020. Neste cenário as reformas passariam com alguma resistência no congresso – como sempre acontece -, o crescimento do PIB viria de forma mais surpreendente e a inflação convergiria para o piso da meta do BC. 

Apesar de uma inflação um pouco mais forte, o BC se sentiria confortável para manter os juros baixos, visto que o desemprego ainda continuaria alto e ainda haveria um hiato de produto. 

Neste cenário, as ações e o juro longo seriam novamente grandes vencedores.

Acontece que o nosso presidente pode simplesmente desandar a falar bobagens a ponto de atrapalhar o andamento das reformas no próximo ano. Paulo Guedes pode ficar de saco cheio e se decidir que depois de tudo que já fez na vida, não quer ficar aguentando desaforo e se despede do ministério da economia. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos pode não se resolver a tempo de salvar o mundo de uma recessão, o que prejudicaria muito o Brasil, uma vez que em momentos de recessão, o capital sai dos emergentes em um movimento conhecido como fly to quality, indo para o terreno seguro dos EUA.

Diversas coisas podem acontecer apenas neste próximo ano, sem falar de 2021, 2022… 

O que nos resta, portanto? Diversificar! Se tivermos uma carteira bem diversificada, conseguiremos nos expor aos mais diferentes cenários de retorno. Claro, se estamos mais otimistas com o Brasil e o mundo no próximo ano, iremos nos expor a ativos reais de forma mais contundente. 

Para o caso da renda variável, a diversificação fica ainda mais importante. Além do que já foi citado acima, o preço das ações no curto prazo obedecem a regras aleatórias, algo como o caminhar de um bêbado. Não significa, no entanto, que determinada ação seja boa ou ruim. 

No longo prazo, no entanto, o preço das ações acompanha o lucro das empresas que estão por trás delas. Se uma empresa gera lucro constantemente e tem boas perspectivas para o futuro, é comum que suas ações acompanhem no longo prazo. 

No curto prazo, no entanto, elas são afetadas pelos mais diferentes problemas técnicos e notícias. 

As empresas obedecem a ciclos empresariais, que são mais longos do que gostaríamos que fossem. Não é lógico pensarmos que uma nova direção em determinada companhia irá efetuar as mudanças necessárias e colher os resultados em apenas 3 meses. Essas mudanças demoram anos para terem efetividade. 

Esses são apenas alguns motivos para que você opte por uma carteira diversificada para os próximos anos. Em um futuro incerto, como sempre é, a única forma de conseguirmos enriquecer tranquilos, é diversificando. 

Sua carteira, portanto, deve ter títulos de dívida, ações, fundos imobiliários, fundos multimercados, dólar, opções e ouro. Se tiver a oportunidade, é interessante também ter participação em fundos de private equity. Com o atual patamar de juros, estes veículos passarão a ter mais representatividade e se mostram uma boa forma de angariar retornos. 

O gráfico acima mostra a alocação que julgo a ideal para surfar a onda de recuperação da atividade econômica brasileira. Para mim, essa é a solução ideal de carteira para qualquer que seja seu perfil de investidor. 

Não estou falando que escolhendo estas proporções, você terá um retorno garantido, mas certamente existe mais chance para que sim do que não. 

Para você que se julga com perfil mais agressivo nos investimentos, você pode subir mais sua fatia em ações, diminuindo a exposição em fundos multimercado e renda fixa. No entanto, não tenha menos do que 15% de cada um. Isso significa que você deve alocar no máximo 55% em bolsa, algo que já é bem arrojado e não indicado para a maioria. 

Caso não se sinta tão confortável com a alocação acima, você pode abaixar um pouco a alocação em ações e aumentar em renda fixa e fundos multimercados. Não deixe, no entanto, que seu medo te impeça pegar a grande onda de alta que a bolsa deve ter nos próximos anos. 

Cada classe de ativo presente em nossa carteira será melhor trabalhada ao longo das próximas semanas. Mas antes de finalizarmos, acredito que seja importante destacar um ponto. 

Saudosismo que atrapalha

O investidor um pouco mais velho pode se sentir incomodado com a alocação proposta acima. Ele pode julgar que os riscos sejam muito elevados, com uma alocação em renda variável de 45%. 

Tudo bem, eu não julgo. Esse mesmo investidor viu, por anos, a renda fixa pagar 12% ano ano, sem riscos e sem chacoalhadas de preço. Ao mesmo tempo, viu a bolsa de valores sofrer para bater a renda fixa e ainda contar com marcações a mercado instantâneas. 

A questão é que o que acontecia no Brasil, era, na verdade, uma anomalia de mercado. O correto segundo a teoria econômica é a renda variável pagar mais, justamente porque ela tem mais riscos. 

O movimento que aconteceu nos últimos meses veio justamente para corrigir esta falha. Ao mesmo tempo, a reforma da previdência foi aprovada e pelo menos mais três reformas estão engatilhadas para o próximo ano.

Estas reformas tiram do governo uma centena de gastos obrigatórios e dão mais liberdade orçamentária para colocar as dívidas em dia. A onda de privatizações também colabora para o fim dos gastos do governo em empresas. 

Tudo isso corrobora para uma maior abertura econômica e melhora muito o ambiente de negócios no Brasil. Com as engrenagens azeitadas, a taxa básica de juros pode permanecer em patamares baixos por um período prolongado de tempo. 

Com os juros baixos, a renda fixa irá pagar menos, visto que os títulos do governos estarão pagando muito pouco. Já foi falado aqui que alguns fundos de renda fixa apresentarão rendimentos reais negativos. 

Além disso, um menor patamar de juros torna diversos projetos mais viáveis, visto que o crédito estará disponível de forma mais barata. Isso impulsiona o consumo das famílias e beneficia, por exemplo, o setor de construção civil, que deve se aquecer nos próximos meses, junto com uma revisão para cima dos aluguéis. 

Com o cenário acima, os rendimentos de 1% ao mês sem riscos, se tornam inviáveis. A partir de agora, o investidor terá que se tornar menos avesso a riscos, assim como já é na vida. Cada escolha uma renúncia. 

Se na vida temos de arriscar para conquistarmos mais, nos investimentos é estritamente a mesma regra. 

Além disso, voltamos àquela velha máxima que prego aqui de que risco não é volatilidade. Utilizando o mesmo exemplo, uma debênture da Rumo tem exatamente o mesmo risco de perda de capital que uma ação da Rumo, apesar de a segunda ter uma volatilidade muito maior. 

Volatilidade é apenas um conceito técnico que é usado, de forma errada, como uma medida para risco. Não é porque não se mexe que não que é arriscado. 

Portanto, meu caro investidor, se acostume à assunção de risco. O que acontecia com a renda fixa no Brasil era um almoço grátis e na grande maioria das vezes, eles não estão disponíveis. 

Esta solução definitiva de carteira é diversificada justamente para a mitigação de riscos. 

Quando finalmente virarmos a chave de que o 1% ao mês está enterrado, poderemos dar o próximo passo rumo à uma melhor forma de se investir. 

Investir pode até parecer difícil e diversas vezes irão te fazer acreditar que realmente o é. Apesar disso, é mais ou menos como a vida. Se você realmente tiver vontade de fazer acontecer, estudar e saber fugir das grandes encrencas, o crescimento virá.

O fim do 1% ao mês

Tempos ainda não longínquos parecem ter chegado às nossas taxas de juros. O Brasil passa por um momento transformacional em sua sua economia, onde as coisas parecem caminhar, ainda que lentamente, para tempos de crescimento.

O Brasil sempre foi o país do CDI, que tinha uma taxa de juros extremamente alta e inflação descontrolada. A eleição de uma equipe do governo mais voltada para o liberalismo e disposta a fazer com que a economia ande de forma ortodoxa fez com que as coisas caminhassem na direção correta.

O governo dá sinais

Desde que a então presidente Dilma sofreu impeachment, vimos uma caminhada para a aprovação de reformas. Vimos reforma trabalhista e teto dos gastos e a Reforma da Previdência caminha para uma aprovação.

Assim que a previdência estiver totalmente endereçada, mudaremos o foco para a reforma tributária, essa sim, real geradora de valor para os empresários brasileiros e inclusive estrangeiros. Isto porque a simplificação dos tributos faz com que o capital do exterior possa vir para o Brasil na forma de mais empresas.

A abertura dos mercados brasileiros beneficia a todos, visto que gera mais empregos, aumenta o PIB e faz com que os preços caiam. Resumindo, a globalização aumenta o bem estar social.

O mais importante de tudo isso são os sinais que se passa para o povo. O empresário tem mais aptidão a voltar a investir, o consumidor tem mais confiança para tomar crédito e os bancos têm mais possibilidades de baixarem o spread bancário.

Some tudo isso a uma onda de privatizações que o ministro Paulo Guedes diz ter em sua lista e o estado fica com uma folha muito mais limpa, podendo investir em setores não triviais como saúde, educação e segurança pública.

A implicação na economia

Roberto Campos Neto integra o time de estrelas que comanda a economia brasileira. O atual presidente do Banco Central foi o responsável por trazer a Taxa Selic para os atuais 5,5% ao ano e já sinalizou que cortes adicionais acontecerão até o final de 2019.

O mercado acredita em Selic a 5% como presente de natal e os mais otimistas dizem ver espaço para queda abaixo disso.

A grandiosidade que isso tem pode nos fugir aos olhos se não observarmos atentamente. Com uma inflação dentro da meta, isso quer dizer juros real ao redor de 2%. Se considerarmos que no passado recente tivemos Selic a 14,25% e juros real acima de 7% ao ano, talvez tenhamos noção da dimensão que isso tudo tem.

A grande questão é que essa situação parece ter vindo para ficar. Note que o desemprego está em níveis extremamente elevados e os juros ao redor do mundo se encontram em níveis baixíssimos, por vezes abaixo de zero.

Desta forma, abaixamos o temor por inflação. De forma análoga, a capacidade produtiva está totalmente subutilizada e o consumo baixíssimo.

Os gastos do governo estarão mais controlados, com a desestatização de empresas não eficientes e controle dos gastos previdenciários. Novamente, perigo de inflação permanece afastado.

Não existe espaço para as taxas de juros subirem. A economia está parada e mesmo quando ela voltar a andar, a crise que passamos foi tão grande, que a pressão inflacionária demorará a aparecer.

Os seus investimentos

Taxas de juros de longo prazo estruturalmente mais baixas, implicam no fim do 1% ao mês sem risco e com alta liquidez. Sim, está no passado. Não deve voltar.

Bem-vindo ao mundo real. Agora chegou a hora de jogar champions league. Aberrações macroeconômicas devem ficar no passado e agora o parquinho dá lugar ao trabalho duro.

Nada de se lamentar. A infância foi legal, mas não que a vida adulta faça mal a alguém.

Isso significa que a partir de agora, se você quiser ter rendimentos maiores, com chance de multiplicação de capital, terá de abrir mão de um dos dois: baixa volatilidade ou liquidez. Se as oscilações são demais para os seus olhos, você pode optar por abandonar a liquidez e optar pela baixa volatilidade dos fundos de private equity.

Se você faz questão da liquidez, terá de conviver com o vai-vem diário das ações, a fim de angariar retornos maiores.

Sobre o que nos é possível enxergar do futuro – se é que existe essa possibilidade – é que o CDI passará a ser a nova poupança, que lhe proporciona nada mais que rendimentos marginais. Não que tenhamos que jogá-lo fora, devemos apenas redimensionar nossa exposição ao mesmo.

Chegou a hora de jogar o campeonato

Considere que o 1% ao mês “de graça” foi o treino. Agora é a hora do campeonato. Para nossa alegria, o mundo dos investimentos é vasto o bastante para que tenhamos opções para alocar nosso capital e observá-lo crescer a taxas que nos deixam satisfeitos.

Nada de pirâmides, alavancagem ou concentração. O que queremos que você faça é diversificar em diferentes classes de ativos, que te exponham a diferentes cenários. Não adianta focar só no crédito privado ou só nas ações, deve-se diversificar.

Como já diria Ray Dalio, gestor do maior hedge fund do mundo, você deve ter um All Weather Portfolio, ou seja, uma carteira que está preparada para qualquer coisa, independentemente do que o futuro nos reserve.

Saiba que o 1% ao mês ainda é possível, mas para isso você precisará transferir gradualmente o seu pêndulo para o lado da renda variável, onde a volatilidade pode lhe assustar no primeiro momento, mas não morde.

Com o tempo aprendemos a conviver com o sobe e desce das ações e aprenderemos os benefícios que elas podem nos trazer.

De que forma então nos preparar para o novo futuro?

Carteira diversificada, com renda fixa pré e pós fixada, fundos imobiliários e ações. Um pouco de proteção também é bem-vinda através de ouro, dólar e opções. Se vai realizar tudo isso por conta própria ou através de fundos de investimentos, o critério é todo seu.

Você também pode buscar o auxílio de uma assessoria de investimentos, onde um profissional o irá ajudar a montar uma carteira completa e bem diversificada.