Como investir em Renda Fixa de forma inteligente.

Você provavelmente deve estar acompanhando nos noticiários a taxa de juros em mínimas históricas no país, hoje a 2% ano.

Se por um lado isso faz com que o custo das dívidas diminua – o que movimenta a economia, por outro os juros baixos derrubam a rentabilidade dos investimentos, principalmente os de renda fixa, como a poupança.

Para você ter uma ideia, a poupança não teve ganho real nos últimos meses e perdeu para a inflação. Isso quer dizer que:

Você jogou dinheiro pelo ralo caso tenha deixado suas economias nesse tipo de aplicação!

E esse cenário deve continuar no longo prazo, então você precisa conhecer um pouco mais a fundo sobre renda fixa para encontrar alternativas mais inteligentes e tão seguras quanto a poupança para que seu dinheiro renda mais.

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Conheça os Tipos de Renda Fixa

Se você está começando a investir agora – ou é um investidor moderado, e está buscando aplicações que tragam uma renda recorrente, mas cansou de perder dinheiro com a poupança, não é preciso deixar de lado a Renda Fixa. 

O segredo dos grandes investidores é a diversificação. E sim, até os investidores mais arrojados possuem esse tipo de aplicação em suas carteiras. 

Acredite, existem opções tão seguras quanto a poupança em renda fixa, mas com rendimentos bem melhores e para todo o tipo de perfil de investidor. 

Mas antes de conhecer os tipos de renda fixa, é necessário saber que a rentabilidade desse tipo de investimento geralmente é calculada de duas formas:

  1. Títulos Prefixados:  rentabilidade conhecida antecipadamente, quando o investidor mantém o título até o vencimento;
  2.  Títulos Pós-fixados: a rentabilidade do investimento dependerá do desempenho de um indexador, como a Selic ou o CDI.

Assim, de acordo com o seu perfil, existem diversas opções para diversificar a sua carteira e otimizar os seus rendimentos.

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CDB – Certificado de Depósito Bancário

O CDB é um dos investimentos em renda fixa mais simples e populares do mercado. Além de ser tão seguro quanto a poupança, sua rentabilidade é melhor ainda. 

Em resumo, ele é um título emitido pelos bancos para captar recursos para o financiamento de suas atividades.

Em troca deste empréstimo de recursos, ele devolve ao investidor a quantia aplicada mais o valor dos juros acordado no momento do investimento.

Além de ter uma rentabilidade que pode chegar até o dobro da poupança, o CDB tem outras vantagens:

  • Segurança: segurado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), no caso de investimentos até R$250 mil;
  • Liquidez: se você escolher por um CDB de liquidez diária, poderá recuperar o dinheiro aplicado quando achar necessário; 

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CRA – Certificado de Recebíveis do Agronegócio

Os CRAs são títulos de renda fixa emitidos por empresas ligadas ao agronegócio. Em sua maioria, por produtores rurais ou suas cooperativas, relacionados ao financiamento da atividade agropecuária.

Para isso, a empresa emite um título que representa parte de sua dívida. Os investidores recebem o dinheiro investido somado aos juros, que pode ser predefinido pelo CDI ou o IPCA. Entre os benefícios, destaca-se:

  • Isenção de IR e IOF para a pessoa física, o que significa mais rendimento ao investidor.

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CRI – Certificados De Recebíveis Imobiliário

Os CRIs são títulos de renda fixa privado emitidos por empresas com o objetivo de financiar alguma atividade no ramo de construção civil.

Com os aluguéis recebidos pelos imóveis construídos, a empresa paga os investidores que lhe emprestaram dinheiro.

De forma geral, esse tipo de investimento paga uma taxa prefixada que é conhecida já na compra. Além disso, pode ocorrer também o acréscimo da variação de um índice como a inflação ou o CDI.

Entre os benefícios, destacam-se:

  • Isenção de IR e IOF para pessoa física;
  • Não existe um valor mínimo aplicado aos investimentos em CRI, com apenas R$ 1 mil já é possível iniciar.

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Debêntures – comuns e incentivadas

As debêntures são títulos de renda fixa privada, emitidos por empresas que desejam financiar algum tipo de investimento. 

Elas podem precisar de capital para custear atividades operacionais do dia a dia ou para realizar novos investimentos.

As debêntures incentivadas são exclusivas para empresas que irão realizar investimentos de infraestrutura. Já as debêntures comuns podem ser emitidas por qualquer empresa, seja qual for o objetivo do investimento a ser realizado. 

Entre as principais vantagens, destaca-se:

  • Isenção de IR e IOF (para pessoa física) no rendimento e no ganho de capital, caso estejam enquadradas como debêntures de infraestrutura

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Para concluir, a renda fixa ainda reserva boas oportunidades, com ativos recomendados para todos os perfis de investidores, de conservadores a agressivos. 

O que muda é o tipo de ativo, o indexador, o risco e o prazo. Afinal, diversificação é a chave para o seu sucesso como investidor.

O importante é que você já sabe que deixar o seu dinheiro na poupança não é um bom negócio.

E quanto mais você demorar para tomar uma atitude, mais as suas economias serão engolidas pela inflação. 

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Você não precisa investir sozinho!

Mas se você ainda não sente segurança para tirar o seu dinheiro da poupança, não se preocupe: não é preciso investir sozinho!

A BlueTrade conta com uma assessoria especializada para te ajudar nessa transição. 

Nossos profissionais buscam pelas as melhores oportunidades e produtos alinhados com seus objetivos. 

Vale lembrar que recebemos o prêmio TIER 1 da XP, como um dos escritórios que mais agregaram valor e eficiência às carteiras de renda fixa dos clientes!

Então não perca mais tempo, fale com um assessor BlueTrade e faça o seu dinheiro render mais! 

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Neoeconomia Brasileira

Para entender o motivo pelo qual estamos iniciando uma nova era econômica no país, precisamos exclamar a interessante e conturbada história econômica brasileira, observando a cultura e fatos que se estabeleceram ao longo da mesma.

O começo foi no século XV, quando desbravadores dos mares, equipados com canhões, bússolas, astrolábios e caravelas navegavam pelo mar atlântico em buscar do novo, do desconhecido.

Quando encontraram as Américas e o Portugueses dominaram a antiga Terra de Vera Cruz, que hoje, é o nosso Brasil.

Podemos dizer que o Brasil viveu ciclos econômicos, tendo como primeiro o “Ciclo Econômico do Pau-Brasil”, nessa época, os nativos extraiam essa matéria prima, que eram obtidas pelos europeus através do escambo.

Após o esgotamento da oferta do material que deu início a atividade econômica no brasil os portugueses trouxeram uma plantinha bem conhecida chamada cana-de-açúcar que prosperou nas ricas terras brasileiras, os colonizadores instalaram engenhos para produção de açúcar, usando mão de obra escrava, sustentado pelo tráfico negreiro.

Com toda exploração acontecendo foi inevitável encontrarem matais preciosos, o que gerou um novo ciclo econômico do ouro com seu ápice no século XVIII, esse movimento decrescente em 1989 com a Inconfidência Mineira, que perdurou até 1785.

Enfim chegamos em um dos mais importantes ciclos econômicos do ciclo do café, que foi o grande responsável pelo impulso da economia brasileira, havendo intenso desenvolvimento no país, com expansões de estradas, a industrialização, e atração de imigrantes europeus.

Este movimento favoreceu a modernização de modais de transporte, e com a abolição da escravidão aumentou o número de imigrantes europeus, ocasionando uma superprodução, oferta era maior que a demanda.

De tal modo é marcado o fim do ciclo cafeeiro em consequência do Crash de 1929. Tudo isso trouxe necessidade de diversificação da base econômica, gerando a era da industrialização, o governo de Getúlio Vargas passa a incentivar a instalação da indústria pesada no Brasil como a siderúrgica e petroquímica, ponta pé inicial para as principais empresas listadas em nossa bolsa de valores, Petrobras e Vale.

No governo de Juscelino Kubistchek, em 1902, ouve o plano de metas que tinha como objetivo país crescer em 5 anos o que não cresceu em 50, focalizando no desenvolvimento de setores específicos como energia, transporte e alimentação.

Durante a ditadura militar, os governos abrem o país para investimentos estrangeiros que impulsionam o desenvolvimento estrutural brasileiro e entre 1969 e 1973, nosso pís vive o famoso ˜Milagre Econômico”, frisado com um crescimento do PIB de 12%.

Porém havia o problema era que com grandes financiaram por empréstimos a juros flutuantes ocasionou uma inflação de 18% ao ano e o crescente endividamento do país.

Nos anos 80, denominada como década perdida, o brasil se afundava em suas contas públicas e via a inflação aumentando de maneira descontrolada.

No final do governo militar, a economia brasileira estava totalmente desgastada devido a altos juros de suas dívidas externas, vimos o PIB despencando de 10,2% em 1980 pra 4,3% negativos em 1981, a solução foi a criação de planos econômicos para estabilizar a moeda e controlar a inflação.

Só entre 1984 e 1994 o país teve 6 moedas diferentes, a primeira foi o plano cruzado onde o governo tentou o controle da inflação através do congelamento de preços, seguido pelos planos Bresser e o Verão, ambos sem sucesso.

Com a eleição de Fernando Collor de Mello, o Brasil começa a adotar ideias neoliberais, priorizando abrir a economia nacional, privatizando empresas públicas, reduzindo funcionalismo público e aumentando participações privada em vários setores econômicos, porém, graças a escândalos de corrupção o presidente sofreu impeachment, custando seu cargo presidencial.

O Brasil com contou com 13 planos de estabilização econômica, tendo como o último, o Plano Real que viabilizou o equilíbrio das contas públicas e o estabelecimento de um novo padrão monetário, atrelando o valor do real ao dólar. Tal estabilização se manteria pelo século XXI. Em dois anos a miséria do Brasil caiu 18%.

Os próximos governos tiveram o início marcado pelo alto crescimento econômico brasileiro, que foi abalado pela recessão econômica de 2014 juntamente com a crise política no governo de Dilma Rousseff, levando o Brasil ao centro das atenções mundiais quando o assunto era corrupção.

Com um breve resumo de nossa história econômica podemos concluir que nosso país nunca conseguiu se consolidar como um país confiável e atrativo para investidores no privado, devido as altas taxas de juros praticadas, questões fiscais e falta de confiabilidade derivada da desestabilidade política e econômica.

Com a nova política econômica que o Banco Central vem adotando, aprovação do teto de gastos e reforma da providência, uma dessas pontas fundamentais para o investimento privado nacional está mudando, mas ainda temos um caminho pela frente com outras reformas necessárias que precisam ser adotadas, como a reforma administrativa e a tributária.

No gráfico abaixo, temos o IPCA e a Selic nos últimos 10 anos, historicamente ficando em patamares altíssimos, acima da inflação. Em 2016 por exemplo, tínhamos Selic a cerca de 14% ao ano e inflação a 10,67% no ano, ganhar quase 4% no ano no Tesouro Selic, sendo o investimento mais seguro do Brasil é mole, não é?

Mas, estamos entrando em uma nova era, em que isso não é possível, a “Neoeconomia Brasileira” como decidi apelida-la, ou era dos juros baixos, que inicialmente gerou fuga de capital de investidores estrangeiros que antes pegavam empréstimos a juros baixíssimos, em alguns países até negativos para colocarem na renda fixa brasileira, isso ocasionou em uma forte desvalorização do real, somado com outros temas.

Hoje, temos a Selic a 2,25% ao ano e um IPCA projetado pelo Banco Central para de 2020 de 1,63%, secundo o Relatório Focus divulgado no dia 26 de junho de 2020, tendo a menor taxa básica de juros da história do Brasil e a poupança rendendo 1,575%, que, descontado o IPCA, fica  – 0,055% ao ano!

É isso mesmo, poupança e alguns títulos de renda fixa fazendo o investidor perder dinheiro ao longo do tempo, isso considerando o IPCA baixo, devidos efeitos econômicos causados pelo corona-vírus, que com o tempo tende a voltar e a diferença ficar ainda maior.

Com constante redução da taxa de juros no Brasil, investidores terão que se reeducar quando o assunto é investimentos e começarem a tomar mais riscos em busca de um melhor rendimento de seu capital, por tal motivo estamos em crescendo migração de pessoas físicas para a bolsa de valores brasileira.

De acordo com dados divulgadores pela B3, em 2018 tínhamos 813.291 investidores pessoa física, em 2019 esse número já subiu para 1.681.033 e em 2020 já chegamos a 2.483.286 CPF’s, uma alta expressiva de 205,34% em 3 anos.

Isso devido os investidores estarem saindo da renda fixa e indo para o mercado de ações, onde apenas o Dividend Yield (dividendos mais os juros sobre capital próprio distribuídos aos investidores sobre o valor da ação) de determinadas empresas já rentabilizam mais do que o próprio CDI, quem dirá quando a referência é a poupança…

Para demonstrar, utilizaremos as 5 empresas maior representadas no índice Ibovespa, são elas: VALE3 (Vale) com 10,412% de representatividade no índice, ITUB4 (Itaú Unibanco) com 7,631%, B3SA (B3) com 5,982%, PETR4 (Petrobras) com 5,564% e BBDC4 (Bradesco) com 5,463%.

Que juntas, somam 35,052% do índice de referência da bolsa de valores brasileira. Pegamos o Dividend Yield dessas 5 empresas e fizemos a média desta rentabilidade, para enfim, compararmos com a rentabilidade do CDI em cada ano, e obtemos o seguinte resultado:

A partir de 2019 os juros sobre capital mais os dividendos das 5 maiores empresas da bolsa já ultrapassa o rendimento do CDI, respectivamente, da poupança e de alguns títulos de renda fixa, mesmo considerando apenas as maiores empresas do índice Ibovespa, pois se puxarmos uma carteira de empresas boas pagadoras de dividendos e JCP essa rentabilidade é ainda mais.

Além do Dividend Yield, temos que considerar também o crescimento das empresas que tem bons fundamentos e consequentemente ocasiona no aumento de seu valor, refletindo no preço de seus papéis negociados no mercado, gerando valorização do patrimônio do investidor no longo prazo.

Contudo, concluímos que temos uma nova era econômica em que pessoas buscam investir na iniciativa privada e tomando mais riscos em busca de melhores remunerações e rentabilidade, já que a renda fixa não traz tanta atratividade como antes.

Disclaimer: Este artigo não é uma recomendação de investimento, e sim apenas uma reflexão sobre o atual cenário do mercado e conclusões pessoais, pequenas diferenças numéricas nos gráficos apresentados são provenientes de cálculos de tabelas e arredondamentos.

Vieses e armadilhas mentais nos investimentos

Pode parecer estranho quando ouvimos pela primeira vez, mas uma boa parte do sucesso nos investimentos não está no conhecimento sobre matemática ou economia. A psicologia tem papel fundamental no processo de construção do nosso patrimônio.

Por isso que um acadêmico da área do campo ganhou um prêmio Nobel de economia. Daniel Kahneman foi reconhecido por seus estudos no campo das finanças comportamentais, identificando vieses e armadilhas mentais que caímos ao lidar com dinheiro.

Os estudos estão detalhados no livro Pensando Rápido e Devagar e vale muito a pena ler.

Ainda não conheci nenhuma maneira de aprender como identificar se estamos caindo ou não em nossas armadilhas mentais sem sentir na pele, mas conhecendo alguns conceitos, podemos nos policiar para cair o mínimo possível.

Vou resumir a seguir alguns dos principais, mas não deixe de ler o Kahneman e sobre comportamento:

Viés da confirmação
Quando temos uma conclusão e queremos buscar evidências que confirmem a nossa visão, estamos com esse viés. O desafio aqui é não cair na tentação de justificar nossas teorias, mas sim fazer o contrário, formular as teses a partir das informações que estão disponíveis.

Viés da disponibilidade
Ocorre quando nossa decisão é afetada por uma informação que esteja recente na nossa cabeça, ou seja, a mais disponível. Podemos ficar mais pessimistas ou otimistas conforme o tom do fluxo de notícias que recebemos, assim não distinguindo corretamente o que pode afetar ou não os preços do que temos.

Viés da Ancoragem
Ancorar uma expectativa significa atribuir uma decisão com base em uma informação passada. Exemplo: A ação XYZ estava cotada a R$10,00 há um ano, hoje sua cotação é R$5,00.

Com base somente nessa informação, o investidor conclui que a ação está barata e tende a se apreciar. O preço por si só, entretanto, não quer dizer muita coisa. A empresa pode ter tido uma piora significativa em seus fundamentos e o preço da sua ação continua caindo.

Efeito manada
Quem cai nessa armadilha, simplesmente está seguindo o que todo mundo está fazendo. Comprar porque todo mundo está comprando, ou vender porque todo mundo já vendeu.

Normalmente isso faz com o que o investidor chegue atrasado para um determinado mercado ou investimento e se frustre com a experiência.

Status Quo
Os seres humanos têm uma grande tendência a querer que as coisas permaneçam do jeito que estão, na sua zona de conforto. Investindo não é diferente, muitas pessoas resistem a se abrir para o novo ou desconhecido.

Conclusão

Esse assunto é bastante extenso e tem ganhado cada vez mais relevância entre os investidores.

Existem muitos livros e estudos mostrando que excesso de medo ou ganância, muitas vezes são os grandes responsáveis por perdas e frustrações no mercado financeiro. Se é possível deixar uma dica para evitar se deixar levar por algum dos vieses, seria procurar opiniões e pontos de vista diferentes do seu.

Alguém pode estar enxergando algo que você não viu e vice versa. Não deixe de fora dessa consulta uma visão profissional e idônea, dinheiro é um assunto muito delicado para que a gente não o trate com a importância que merece.

Leia também Economia Comportamental e Nossas Finanças e Sua atitude nos momentos de crise e o reflexo no futuro de suas finanças




Taxa Selic em 2,25%

Nesta última quarta-feira, 17 de junho, o COPOM – Comitê de Política Monetária – anunciou uma nova queda de 75 bps na taxa básica de juros do país, a SELIC. Com isso, o que antes era 3% a.a hoje está em 2,25% a.a.

No intuito de fomentar ainda mais a economia, praticando a queda dos juros, foi realizado esse corte de 0,75% e com isso, alguns investimentos da renda fixa, que possuem relação com a SELIC, irão sofrer alguns ajustes.

Vale lembrar que com a Selic mais baixa aqui, o diferencial de juros entre os títulos brasileiros e os de países desenvolvidos como os EUA, considerados mais seguros, diminui.

Como resultado, é comum que haja uma saída de capitais para esses países com melhores notas de crédito. Consequentemente, o preço do dólar frente ao real se valoriza.

Talvez seja a hora de diversificar e apostar em mais risco.

Em um ambiente com juros altos ficava muito fácil para os investidores deixarem dinheiro guardado na renda fixa. Há 4 anos, tínhamos uma SELIC no patamar de 14,25% ao ano, e isso implicava em um rendimento maior do que 1% ao mês.

Ou seja, em 4 anos, tivemos uma queda de exatos 12% na SELIC.

Com isso, você precisa assumir que é necessário diversificar os seus investimentos, ou se não, você vai ficar pra trás!

No caso da Poupança, como fica?

A nova regra da poupança diz que ela rende 70% da taxa Selic enquanto, a mesma, estiver abaixo de 8,5% ao ano. Como a Selic hoje está em 2,25%, ou seja, menor do que 8,5%, a poupança está rendendo 1,575% ao ano.

Isso significa uma rentabilidade de aproximadamente 0,13% ao mês.

Vamos fazer uma simulação pra ficar claro, o que realmente está acontecendo com a, talvez sua, poupança. Digamos que você vai aplicar hoje R$ 1.000.000,00 na poupança, o que você irá encontrar em 1 ano?

Você não precisa ser um expert em matemática pra identificar um número negativo, basta encontrar o sinal “-“ que será o suficiente para entender o contexto.

E é exatamente o que está acontecendo com a rentabilidade real da poupança a partir de hoje! Ao investir seu 1 milhão, passado 1 ano, você encontrará menos do que deixou investido.

Imagine você, ter trabalhado durante toda sua vida com muito esforço e dedicação, sempre tendo em mente uma aposentadoria tranquila, com a família, podendo pagar os estudos dos filhos, viver sem passar necessidades, investir o seu dinheiro e quando fosse retirar, tivesse uma quantia menor do que a que você colocou.

Por isso, reafirmo, é o momento de confessarmos que a Poupança não é mais um tipo de investimento.

Você pode contar com a liquidez e segurança que ela possui, porém, a rentabilidade que ela produz, hoje, é falsa.

Então, onde colocar o meu dinheiro da poupança?

Hoje, quem conta com o auxílio de um assessor de investimentos da BlueTrade está sem preocupações com relação a isso. O cliente possui uma carteira muito bem diversificada, e um atendimento de alta qualidade no mercado financeiro.

Entretanto, a pessoa que não possui esse auxílio terá que estudar e procurar por alternativas na renda fixa ou renda variável.

As opções são muitas, porém, você precisa saber como analisar uma boa empresa, a duração de um título, e entender como o mercado financeiro caminha.

Conclusão

Por fim, o fato é, a época de 1% ao mês de rentabilidade acabou! Você precisa sair do conforto para não perder mais dinheiro.

Entre em contato com a BlueTrade, e saiba mais sobre como investir com o auxílio de um assessor de investimentos.

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Webinar – XP Private US

No último Sábado, 13/06, foi realizado o webinar “XP Private: Soluções de Investimento Externo e Portfólio Global” com a presença de Rodolfo Bastos e Ellen Cavacini que representam a XP Private US, e intermediação de Eliseu Hernandez e Arthur Constâncio, da parte de Produtos e Alocação na BlueTrade.

Alguns tópicos foram abordados, como a importância da diversificação do patrimônio dos clientes em alocação internacional.

Para investidores que querem viver de renda no longo prazo, é necessário uma alocação de parte do patrimônio em moeda forte para se proteger da volatilidade de países emergentes (como o Brasil) no longo prazo.

Há também a importância da organização fiscal, tributaria e sucessória, onde a mesa da XP Private US também possui uma constituição dessas estruturas.

Alem disso, a mesa reforça que é imprescindível a diversificação de grandes clientes, possibilitando a eles um acesso a plataforma global de investimentos.

Hoje, para que o patrimônio em investimentos se acumule no longo prazo, é preciso que o investidor aprenda a tomar riscos, passe a lidar com volatilidade e diversifique a carteira de forma geográfica.

Hoje mais de 90% dos clientes são brasileiros, e a mesa institucional da XP Private US é a terceira maior mesa de operações do mundo.

Eles reforçaram também que as oportunidades no mercado exterior são maiores. A nossa Bolsa brasileira representa somente 1,34% da Bolsa mundial.

E a maior parte das oportunidades de investimentos nos principais setores (tecnologia, saúde, etc) se encontram lá fora em maior escala.

Como exemplo, somente o giro diário de ações da Apple no mercado americano já é maior do que o volume negociado por todas as ações da Bovespa durante um pregão regular.

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A tempestade já passou?

As tempestades oceânicas são eventos bruscos que acontecem em diferentes regiões do planeta. É uma mistura de ventos, pressão atmosférica e muita umidade que resulta em fortes movimentos nas águas. Na maioria das vezes, dão sinais que podem se formar, nuvens mais escuras, ventos e chuvas leves.

Depois, se transformam em algo poderoso, agitado e energético. Podem dar uma trégua e ganhar energia novamente, ou acabar de vez e perder força no horizonte azul e calmo marítimo.

Os marinheiros mais experientes ousam dizer que enfrentam esses momentos de frente para ganhar velocidade, aproveitar os ventos fortes e usar a força do oceano a seu favor.

O que aconteceu no mundo nestes últimos meses foi uma das piores e mais intensas tempestades já vistas no campo econômico, social e tecnológico da história.

A tempestade chamada COVID-19

Seus primeiros sinais se manifestam com a virada do ano. Um novo vírus de contaminação rápida se espalha pelo país asiático mais populoso do mundo indica uma tempestade chegando.

Parecia uma típica chuva de verão, algo que assusta, mas depois passa. Pelo contrário, a tempestade toma uma dimensão enorme, avança no Iraque, Itália e Coreia do Sul. 

O que era chuva, juntou com vento e escureceu. Vidas se perderam e o mundo inundou de um vazio enorme nas ruas. A casa virou um navio imerso em um mar individual, onde cada família e toda a tripulação ficou restrita a sua embarcação.

O medo, a confusão, a incerteza dos acontecimentos, as opiniões divergentes de líderes transformaram a tempestade mais parecida em um furacão, um tsunami, ou uma simples chuva. Alguns líderes se perderam no meio da tempestade… Que tempestade é essa? 

Ajudas humanitárias ganham destaques e alguns recursos são enviados aos marinheiros. A humanidade ganha estímulos trilionários de solidariedade e para salvamento de empregos, empresas, estados e municípios.

Políticas fiscais e monetárias são acionadas em seus extremos, faixas de juros reduzem e as projeções de gastos públicos são revisados, no sentido de salvar municípios, estados e países.

A insegurança cresceu muito. Moedas desvalorizadas e um fluxo de capitais em torno das economias mais seguras do mundo foi intensificado. Bolsas despencaram em apenas 2 semanas, e no contexto brasileiro marcou um dos piores desempenhos. 

Empresas revisaram seus modelos de negócio, inovaram em projetos digitais e buscaram mecanismos para garantir o fluxo de caixa para as próximas semanas. Um senso de priorização versus importância nunca visto antes. O desemprego aumentou no mundo, e nos EUA começa a dar mostras de recuperação.

O paradigma da área da saúde inicia uma nova fase, com adoção da telemedicina e novos modelos de atenção à saúde ao redor do mundo. Hospitais foram construídos em semanas. As estratégias em saúde em todos os setores não ficaram ausentes ao enfrentamento da COVID-19. O vírus atingiu quase 100% dos municípios brasileiros.

Meses se passaram, de 3 a 4, em extensão tão longa que as pessoas nem se lembram mais quando foi o “start”. O barco balançou e enfrentou pedras no caminho.

Os tripulantes ficaram atordoados e molhados, porém estão mirando novos horizontes, munidos de suas proteções como capas de chuva, luvas, e botas. “Vai que começa chover de novo…”

A trégua aparente…

As águas estão mais calmas. O céu ainda meio cinzento e uma chuva fina está caindo. Um raio de sol escapa entre as nuvens em alguns momentos. Alguns tripulantes voltam aos postos de trabalho com as adaptações efetuadas em suas embarcações.

As embarcações são diferentes e se organizam com planos extensos e detalhados para vislumbrar um horizonte azul e alcançar a terra firme. 

O mundo parece melhorar. Os contágios e as vidas perdidas estão em fase de maior controle em alguns países, e as atividades econômicas estão retomando. O esforço econômico e social enfrentado até o momento, aparentemente, valeu a pena.

A área educacional está reabrindo na Europa, assim como, o comércio de forma geral. O Brasil segue com essas medidas, alguns shoppings já estão abertos, e nos EUA agrega-se à reivindicações de direitos sociais, por meio de protestos de garantia de direito e igualdade social.

Dados de atividade industrial estão mostrando a retomada das indústrias ao redor do mundo. Projeções do Produto Interno Brutos dos países mais afetados mostram diferentes visões do que esperar para o segundo trimestre e para o ano completo. 

Talvez já enfrentamos o pior…

E agora? A tempestade pode voltar?

Infelizmente, sim. O vírus se provou resistente e uma vacina será uma solução importantíssima, não tem jeito. No entanto, houve uma melhora significativa nas condições do mundo e um aprendizado incrível. É preciso ter em mente alguns pontos para agora adiante: 

  • A chance de termos uma segunda onda de casos de contaminação e mortes é muito provável, mas será em menor escala, e poderá ter mais controle de acordo com medidas de imunização e prevenção;

  • A volta às atividades é algo inevitável. Compreender as demandas e o contexto de cada lugar poderá ajudar em medidas e trazer melhores resultados no campo social e econômico;

  • O controle e monitoramento intenso de indicadores será essencial para os próximos dois anos;

  • O comportamento e senso de comunidade de cada um, são variáveis que podem potencializar à volta das atividades, com sinergia, comprometimento e responsabilidade social enquanto cidadão; 

  • O impacto da quarentena estará presente nos resultados das empresas neste segundo trimestre e impactará os ativos financeiros ao redor do mundo.

O barco ainda pode balançar e a chuva voltar. Trabalho árduo, confiança e  visão de longo prazo serão pontos chave para manter e gerar empregos, ampliar  investimentos e novos projetos.

A tempestade que machucou, mas transformou!

Sem sombra de dúvidas, os últimos meses foram intensos e muito críticos para a humanidade. Vidas foram tiradas, empregos foram perdidos e a situação econômica dos países foi seriamente afetada. 

Entretanto, o enfrentamento de adversidades e de crises pode potencializar aprendizados importantes e gerar inovações. Uma transformação social e tecnológica veio para ficar. A tempestade e seus ventos nos ajudaram a velejar mais rápido e aprender coisas novas sobre as águas que mudam e se moldam no mundo atual. 


Dê uma ajuda à sua previdência

Atualmente, os fundos de previdência privada são uma importante parte do portfólio das pessoas físicas no Brasil. Essa é uma ótima notícia, visto que olhada da ótica tributária, essa é uma das, senão a melhor classe de investimentos disponível hoje no mercado. 

A depender do sistema de tributação escolhido, o imposto de renda a ser pago pode chegar a apenas 10% do lucro obtido com o investimento. 

Os bancos comerciais são grandes responsáveis pelo estoque de previdência dos brasileiros, que hoje está de perto de R$1 trilhão. 

Herança maldita

São longínquos os tempos de taxas de juros astronômicas no Brasil. E sinceramente, espero que elas nunca mais voltem. Os juros nas alturas são um bom termômetro de que no horizonte o que está por vir no cenário político e econômico não é muito bom. 

Hoje, com uma Selic em 3%, esse fator é minimizado. Mas como uma espécie de cobertor curto, onde se cobre a cabeça e os pés ficam descobertos, essa queda de juros nos mostra outro problema. 

Herdado de uma regulamentação previdenciária precária, os veículos de previdência antigamente tinham diversas amarras em relação a onde o gestor poderia alocar o capital dos seus cotistas. 

Para ilustrar um pouco o fato, os veículos de previdência podiam ter no máximo 49% do seu capital em ações, com diversas restrições em relação ao emissor, por exemplo. 

Isso não era um problema em um Brasil de juros de 14% ao ano, onde na renda fixa era possível ter um retorno mensal de 1%, sem que fosse necessário incorrer em riscos para isso. É aquela famosa jabuticaba: só no Brasil mesmo…

Se pegarmos um dado de 2019, mais de 80% da previdência do brasileiro está alocada em renda fixa. O gerente do banco, que além de atender você, tem mais três mil clientes. Ele não só te indicará uma previdência, pois também deve bater metas de seguros, cartão de crédito, contas abertas e do famoso título de capitalização. Ele certamente não irá se preocupar em te mostrar que os tempos agora são outros e que uma realocação da sua carteira de investimentos é necessária. 

Pensamento crítico

Eu que não sou gerente de banco nem nada, tenho algum tempo livre para te incitar a fazer um exercício mental comigo. 

Os investimentos de previdência devem ser enxergados para o longo prazo. Não adianta investir em um veículo como este se não estiver pensando lá na frente. As suas características tributárias fazem com que quanto maior o tempo de investimentos, maior será o benefício. E isso virá na forma de juros compostos, logo, de maneira exponencial. 

Isso se dá pela ausência de come-cotas a cada seis meses, que ao longo do tempo, vai ganhando valor e vai rendendo juros. Já que o Leão não come 15% do seu lucro a cada semestre, esse lucro vai crescendo cada vez mais com a mágica da composição de retornos ao longo do tempo. 

Passada a questão do longo prazo, chegamos então a um ponto interessante. Se tratando de investimentos de longo prazo, os ativos de riscos tendem a gerar o maior retorno, visto que se afastando dos ruídos de mercado intradiário, o que temos é o desenvolvimento de empresas ao longo do tempo, que vão ganhando cada vez mais valor. 

Se pegarmos os retornos das classes de ativos, quanto mais arriscado o investimento, maior o retorno potencial. Veja que não estou falando que o retorno vai de fato se mostrar maior, mas ele tem mais potencial para ser maior. 

Assim sendo, faria mais sentido eu assumir mais riscos em minha parcela de previdência, visto que o potencial de retornos seriam maiores.

Olhando desta forma, já não faz sentido ter 80% do estoque de previdência em fundos de renda fixa. Os tempos agora são outros e para se obter um retorno digno, será preciso assumir riscos. Assim como em qualquer lugar do mundo. 

O grande segredo

E qual a forma que temos então para maximizar meus retornos? No longo prazo, não queremos estar na ponta perdedora. 

Na verdade, o grande segredo é que não há segredo nenhum. Deve-se ter um portfólio diversificado, com renda fixa sim, mas também com fundos multimercados e fundos de ações. 

Para se escolher as gestoras, temos hoje a maior parte delas com um veículo dedicado a previdência. E o trabalho das gestoras independentes é apenas esse, fazer gestão de investimentos de terceiros. 

Não há a possibilidade de se fazer outra coisa para ganhar dinheiro. É gestão e acabou. Temos hoje Brasil Capital, Constellation e Hix como algumas gestoras de ações com veículo exclusivo de previdência, já com a nova regulamentação, com a possibilidade de se investir até 100% em ações. 

Conclusão

Dito tudo isso, você pode até acreditar que um portfólio diversificado não vai fazer lá tanto diferença no seu bolso. 

Eu poderia me alongar com os mais diversos motivos para dizer que na verdade faz sim diferença estar alocado em bons veículos, com a devida diversificação. 

Mas uma das coisas que aprendi ao longo da vida é que existem coisas que são teóricas e existem coisas que são visuais, palpáveis, práticas. 

Alguém um dia sintetizou isso em uma frase: uma imagem vale mais que mil palavras. 

Então me despeço hoje com uma imagem para lhe fazer pensar. Aqui podemos ver que de fato, 1% a mais de rentabilidade que seja, faz uma diferença absurda nos seus resultados de longo prazo. 

Isso te permitiria se aposentar cinco anos mais cedo ou então colher ao final dos 25 anos, um rendimento 26% maior.

Dólar nas Alturas

R$ 5,25. Essa foi a máxima do dólar este ano. A maior da história. 30%. É a porcentagem que a moeda obteve de valorização somente em 2020. FED (banco central americano) estabelece linhas de acordos swap em dólares para dar liquidez às moedas de países como o Brasil. Medida tem objetivo de diminuir tensões nos mercados devido aos impactos do Coronavírus.

A pressão no câmbio brasileiro tem deixado dúvidas para investidores que possuem investimentos no exterior ou pretendem comprar a moeda, e as declarações e comportamentos dos representantes do governo e do banco central colocam a política cambial do país em cheque. 

Quando o dólar verá terra firme neste seu voo pelas alturas?

Entenda

A política cambial, da qual é responsabilidade do Banco Central, é um conjunto de instrumentos e ferramentas que um país utiliza para controlar e definir o valor de sua moeda em relação a outras no mercado mundial. Há mais de séculos que o comércio entre países, importações e exportações, existe como grande integrante da agenda econômica.

Assim, a política cambial tem o objetivo de criar um equilíbrio entre a relação (câmbio) das moedas para ajudar no desenvolvimento econômico do país. Dessa forma, a relação com o dólar, tido como moeda de maior importância no comércio mundial, é a relação do qual os investidores e os governos prestam mais atenção.

O Brasil já passou por inúmeras experiências com diferentes regimes cambiais. Acredito que alguns se lembram dos anos 1990, do real ser igualado ao valor do dólar. Naquela época, o país passava por um momento econômico distinto do de hoje, e utilizava uma ferramenta cambial, a de bandas cambiais, da qual o dólar poderia variar somente entre dois limites, muito próximos. Atualmente, o Brasil possui um regime flutuante, que determina o valor das moedas de acordo com a oferta e demanda.

Porém, em algumas ocasiões, o Banco Central aciona suas reservas oferecendo ou comprando dólar no mercado para evitar baixas e altas da moeda no curto e médio prazo. Portanto, o resultado de uma política cambial é a combinação de ações da equipe de governo juntamente com o contexto mundial e seu fluxo de transações e percepções de risco.

Dilemas dolarizados

Parece que quando o brasileiro está se acostumando com certa relação do câmbio Real com Dólar algo acontece para mudar. Aconteceu isso no final dos anos 90, após eleições de 2002, durante a copa do mundo e agora, pós eleições presidenciais de 2018. Veja abaixo o histórico da cotação dos últimos 25 anos, com alguns acontecimentos importantes.

Há sempre algum estudo comentando sobre a relação equilibrada para o câmbio, seja R$ 4,00 ou R$ 4,20 em termos atuais. Estes consideram o poder de compra de cada moeda e estudam o crescimento do país e a inflação do período para determinar uma relação de equilíbrio no câmbio. Porém, isso é muito diferente do que é praticado no free market, do qual é sujeito às pressões de compra e venda e do qual vemos notícias frequentes.

Muitos pensadores e políticos já se passaram pelos controles do ministério da fazenda e do banco central. Junto a eles, diferentes crenças de como liderar os ciclos econômicos em nosso país de tamanho continental e diferenças regionais gritantes existiram. Cada um com uma visão própria sobre como a política cambial deveria ser administrada. E para adicionar, cada um presente em um contexto econômico mundial diferente.

Os grandes dilemas dos últimos tempos relacionados com o câmbio trouxeram discussões quentes em relação à importância das exportações e importações brasileiras. Muitos acreditam que um câmbio desvalorizado favorece as exportações e assim ajuda no crescimento do PIB brasileiro, além de ajudar as empresas locais a se armarem melhor competitivamente.

Outros dizem que a abertura comercial brasileira deve ser flexibilizada e um câmbio valorizado ajuda o Brasil a importar mais barato e trazer inovações e investimentos para o país. O Brasil é exportador de algumas matérias primas e não de produtos acabados, resultando em mais discussão em torno da importância de exportar caro ou importar barato.

A relação acima pode ser colocada de maneira ainda mais detalhista dentro do dia a dia das empresas. O endividamento das mesmas, principalmente as que compram ou vendem para fora, também é afetado com variações no câmbio. Além disso, o câmbio é um fator que impacta variáveis importantes dentro da demanda agregada como inflação, investimento e consumo das famílias.

Um exemplo: se o câmbio é desvalorizado e as empresas possuem um endividamento de longo prazo em dólares, e importam matéria prima, a produção e a compra ficam mais caras. Isso afetará a inflação e saúde financeira dos negócios, ao mesmo tempo enfraquecendo o poder de compra da população com alguns produtos. Outro ponto importante, caso haja uma variação grande na taxa de câmbio, é a reavaliação de investimentos de empresas internacionais, resultando em possíveis paradas em projetos desta magnitude.

Além disso, o contexto de juros do país pode ajudar a reter dólares. Com juros muito altos em relação aos companheiros mundiais, o Brasil era um grande destino de investidores internacionais procurando investimentos seguros que pagavam um retorno acima da média.

O contexto mundial também é uma variável de grande peso dentro dos dilemas dolarizados.

A partir do momento em que o mundo cresce de maneira desigual, ou passa a sentir sintomas de recessão, ou há destaques de crescimento acima da média em alguns cantos do mundo, o fluxo de dólares em torno do planeta muda. Os focos de investimentos e as trocas de mercadorias mudam de acordo com a dinâmica da economia mundial. O Brasil sempre obteve alguma atenção dos investidores internacionais por vários motivos, sejam eles juros, produção de matéria prima e infraestrutura. 

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, o câmbio brasileiro não conseguiu sustentar a pressão que a crise da Rússia e o calote da Argentina causaram. O resultado foi a mudança de regime cambial e uma disparada do dólar em poucos meses. Durante as eleições de 2002, a desconfiança internacional sobre a eleição do ex-presidente Lula provocou uma retirada de dólares e especulação sobre a moeda que aumentaram o câmbio devido a percepção de risco de um governo contra mercado. Pouco tempo depois, veio a crise de 2008 que questionou a essência do capitalismo. Há alguns anos, vemos uma inconsistência no controle das políticas econômicas e uma perda de confiança do investidor internacional no Brasil.

Além disso, dívidas e reservas internacionais de um país influenciam muito a sua visão em relação aos patamares cambiais. O Brasil, historicamente sempre obteve uma dívida externa, atrelada ao dólar, relativamente alta.

As reservas internacionais também são fatores de peso, sendo que hoje, o Brasil conseguiu acumular reservas. Sendo assim, vender reservas no mercado e ganhar com uma desvalorização do real é uma estratégia de conseguir recursos. Isso mostra que patamares de uma moeda valorizada pode ser benéfico para pagamento de dívidas e criação de reservas nacionais. Atualmente, o país não possui grandes dívidas externas e pouca exposição ao câmbio.

Neblina e nuvens pela frente…

O ano de 2019 foi um ano marcante para recuperação econômica do Brasil. Ao seu final, indicadores e projeções apresentaram resultados otimistas e interessantes para o desenvolvimento do país. As constantes reduções da taxa de juros e o controle da inflação foram importantes passos para chegar em outro patamar. O nível risco-país mudou e a percepção sobre nós também. Além de apresentarmos um leve crescimento econômico.

No entanto, gestores e economistas consideram que o câmbio permanecerá em patamares um pouco mais elevados do que estamos acostumados devido a alguns pontos importantes considerando Brasil e o Mundo. A volatilidade mundial traz incertezas que impactam a percepção de investidores do mundo todo. O ano de 2019 registrou a maior retirada de capital estrangeiro da Bolsa, chegando a R$ 50 bilhões.

Tensões mundiais fazem com que investidores procurem ativos seguros. Para isso, os títulos do governo americano são referências. Assim, o fluxo de recursos internacionais se vira para os EUA. A guerra comercial dos EUA com a China se alastrou por muitos meses e ainda não teve um fechamento claro, deixando todos aflitos em como a ordem do comércio mundial será restaurada após negociações.

Junto à guerra comercial, a grande desaceleração dos grandes centros econômicos, como a Europa, e o corte de juros no mundo todo elevam os níveis de incerteza também. Estímulos econômicos estão sendo a saída para aumentar a liquidez do mercado e estimular investimentos e criação de emprego. Além disso, vemos uma atuação mais “conservadora” dos bancos ao redor do mundo, aprendizado gerado pela crise de 2008.

O Brasil está neste contexto apresentado acima. Enquanto o nosso país não apresentar um crescimento sustentável e notável para os investidores estrangeiros, junto com uma melhora da confiança mundial, a percepção desses ainda será de maior risco.

O Coronavírus está se alastrando pelo mundo e seus impactos ainda são desconhecidos para a economia mundial. Entretanto, um detalhe é certo: sua disseminação “atrasou” grande parte da economia mundial devido ao impacto na cadeia de suprimentos. Portanto, mais um motivo para que o foco do investidor estrangeiro fique fora de investimentos em países em desenvolvimento.

O comportamento da equipe econômica do Brasil já está muito claro para alguns investidores e até exagerada para outros. O câmbio desvalorizado é uma realidade assumida dentro do país e a atuação do Banco Central, apesar de estar ativa nessas últimas semanas, não é de abaixar o câmbio e sim controlar em patamares que acredita ser aceitável.

Dessa forma, a equipe do ministério acredita que o câmbio em patamares mais desvalorizados fará diferença dentro do contexto de crescimento de PIB, focando em exportações e vendas de reservas internacionais. Entretanto, isso é perigoso caso o Brasil não cresça no curto prazo.

O momento é de cautela. A atuação do Banco Central será para conter a alta e manter o controle. O governo e o mundo estão dando estímulos à economia para que nada pare de funcionar. Alguns setores aqui no Brasil irão sofrer mais com a alta do dólar, como a indústria farmacêutica e mecânica, e outros sairão mais contentes como o agropecuário e exportação de minério. A exposição ao dólar deve ser uma estratégia de diversificação e principalmente de proteção, variando entre 5% a 10% de sua carteira.

Por enquanto, poucos balões a mais, poucos balões a menos carregarão o dólar em um céu nublado…

Por mares nunca dantes navegados

Não sei como se sairiam nesta crise os navegantes portugueses. Por mais heroicos e cheios de coragem que fossem, como brilhantemente narrou Luís Vaz de Camões, acredito que não muito bem. 

Quando Ray Dalio, gestor do maior hedge fund do mundo perde um dinheiro absurdo, justamente por não saber como reagir ao momento, pode apostar que os resultados não serão muito animadores para os meros mortais que estão abaixo dele. 

Se você, assim como eu, perdeu dinheiro nesta crise – ou ao menos viu suas posições sendo marcadas para baixo – paciência, não dá para ganhar sempre. 

A questão é que hoje temos de tomar uma nova decisão permeada por riscos, incertezas e diversos caminhos a tomar. Cada um com seus prós e contras. Cada escolha uma renúncia, como diria o grande Chorão, anos atrás.

Mesmo que a decisão seja fazer nada, essa é uma decisão. Incorra em suas consequências. 

Dado o atual cenário mundial, com lockdown na maior parte do mundo, quais decisões devemos tomar com nossos investimentos a partir de agora?

Os impactos do Covid-19

Certamente teremos o novo Coronavírus impactando a economia mundial em 2020. Isso está dado, não tem o que fazer. A tarefa de gestores, estrategistas e analistas é de encontrar o quanto e por quanto tempo teremos as economias mundiais afetadas. 

A China parece voltar à normalidade depois de ser o epicentro do vírus. Ao governos chinês e demais países vizinhos, uma salva de palmas pelo exemplo de como se deve fazer um shutdown. A postura exemplar fez com que o vírus fosse dizimado por lá. 

O Coronavírus, no entanto, se espalhou rapidamente pelo resto do mundo, assolando de maneira mais séria a Itália. Espanha, Estados Unidos e Brasil estão entre os países que foram fortemente afetados também. 

A situação na Itália demorou a ser levada a sério e quando a população e o governo se tocaram, a situação já era bem crítica. O número de vítimas fatais já ultrapassou o que foi visto na China e faltam leitos de UTI para o país. 

Com todo esse fluxo negativo de notícias, bolsas ao redor do mundo desabaram, o dólar disparou contra outras moedas e os países ligaram um grande sinal de alerta. 

Ao que parece, a situação na Itália foi considerada o cenário base pelos agentes de mercado, que parecem precificar o pior cenário possível. Parece que o mercado não levou em consideração alguns critérios que facilitam a propagação do vírus na terra dos genoveses. 

As políticas públicas na Itália são precárias e o governo, novamente, demorou a tomar medidas necessárias para tratar o caso. O clima na Europa ainda é de bastante frio e um dos fatores mais importantes, a Itália é o segundo país do mundo em número de idosos em relação ao percentual total de habitantes. 

Infelizmente o vírus tem consequências muito sérias em pessoas de mais idade, que já se encontram com o sistema imunológico baixo e em diversos casos, já têm outras doenças que os acompanham. 

Outros países, como Coréia do Sul e Singapura foram rápidos ao agir, ordenando à população que permanecesse em casa e o shutdown comprovadamente é a forma mais eficaz de conter o avanço do Covid-19. 

Ao que parece, a vida segue normal nos países orientais, onde o vírus foi levado a sério desde o início. 

Ações coordenadas

Os bancos centrais ao redor do mundo foram rápidos ao agir. O FED agiu logo no início de março, cortando de forma extraordinária 0,5% de sua taxa de juros. Duas semanas depois, em outra reunião extraordinária, anunciaram o corte dos juros para 0%. 

Além disso, o BC americano reiniciou o quantitative easing, que é um afrouxamento monetário, com a recompra de títulos para injetar mais liquidez nos sistema. 

Além da política monetária, os EUA já se dispuseram a realizar diversos incentivos fiscais para prevenir possíveis quebras nas empresas e uma eventual crise de crédito, que poderia levar os bancos americanos à falência. 

Outros bancos centrais, como Inglaterra e Europeu anunciaram cortes de juros e incentivos fiscais, também buscando salvar a economia do continente de uma recessão mais forte. 

No Brasil, na última quarta-feira tivemos mais um corte na taxa Selic, com o Copom trazendo o juros básicos brasileiro para o patamar de 3,75%. Além disso, o governo brasileiro já anunciou incentivos fiscais e deve tomar novas medidas com o passar dos dias. 

O Brasil conta com um trunfo nesta crise por sua característica contra-cíclica em relação ao resto mundo. Aqui estamos no início do ciclo de recuperação de nossa pior recessão republicana. Existe um hiato do produto muito grande, a economia está estagnada, o desemprego está alto e a inflação está ancorada. 

Com o panorama mostrado acima, o BC não tem motivos para subir a Selic no curto prazo. Para ajudar a conter o dólar, que escalou desde meados de fevereiro, nosso Banco Central conseguiu um contrato de swaps cambiais com o FED. Além disso, contamos com imensas reservas cambiais que o governo pode leiloar caso ache necessário conter o câmbio. 

Teremos ainda uma demanda reprimida na economia brasileira em 2020. As pessoas irão consumir menos por um a três trimestres, o que irá afetar de alguma forma os lucros e margens das empresas.

As projeções de crescimento de PIB no Brasil foram revisadas para baixo, com previsões inclusive de PIB negativo. Mais sobre isso à frente. 

O que fazer agora?

É provável que muitos de vocês tenham visto grandes perdas em seus investimentos. Se tratando de investimentos, todo dia temos de tomar alguma decisão. Vender, manter ou comprar? 

Os ativos de riscos, quase que em sua totalidade, apresentam algum tipo de desvalorização. O que está precificado é uma perda de fundamento gigantesca e as revisões de PIB jogaram ainda mais água no chopp dos investidores. 

Devo lembrar, no entanto, que temos um grupo de empresas listadas que são as melhores do seu setor e definitivamente são as melhores empresas do Brasil. Este tipo de negócio é sólido, tem muita liquidez e em geral tem capacidade de atravessar tempos de crise. 

Isso é uma inferência empírica, ao passo que no quadriênio de 2015 a 2018 não tivemos crescimento de PIB. Ainda assim, essas empresas conseguiram entregar crescimento de lucro, ganho de participação no mercado e saíram da crise com uma posição ainda mais dominante frente aos concorrentes. 

O PIB estagnado afasta novos concorrentes. Se o cenário econômico não está satisfatório, as pessoas ficarão com mais ressalvas sobre abrir um novo negócio. O mesmo vale para possíveis concorrentes externos, que ao olhar para o Brasil, já encontram diversas dificuldades no ambiente de negócios. 

Se o cenário não estiver perfeito, eles também ficarão mais reticentes em abrir uma unidade no Brasil. Com isso, o profit pool do setor continua sendo dividido entre as empresas que já estão no mercado. 

A vantagem vai para as empresas com maior porte, caixa e linhas de crédito robustas, que possibilita à companhia atravessar a crise sem precisar cortar produção ou quadro de funcionários. 

Além disso, se a empresa tem uma situação financeira mais favorável, ela consegue conceder descontos mais agressivos, a ponto de enfraquecer os menores concorrentes, o que pode possibilitar uma quebra no concorrente ou até uma aquisição estratégica. 

Com isso, quando a crise for embora e os lucros do setor se normalizarem, as empresas terão uma fatia maior do mercado e um lucro ainda maior do que tinha antes da crise. 

Note, no entanto, que toda essa dinâmica demora algum tempo. Os ciclos empresariais demoram meses para acontecerem e é preciso paciência. 

As empresas estão muito descontadas desde seu último pico. Por mais que possa parecer que não, a crise causada pelo Covid-19, passa. Uma hora ela vai embora. 

Ao investir em renda variável, devemos ter um ambiente temporal de longo prazo. É provável que daqui a três anos vejamos a atual crise apenas como um pequeno lapso nos lucros corporativos. 

Eu não sei onde essa queda irá parar, qual será o real impacto do coronavírus nas economias ao redor do mundo e se estamos próximos de encontrar uma vacina. A questão é que uma hora essa crise passa. 

Se tratando de ativos de riscos, a oportunidade está dada. Se você não tem nada em renda variável, pode ser um ótimo momento para colocar um pé nisso. Para os que têm alguma coisa e viram essa parcela da carteira derreter, pode ser o momento de vender um pouco do que não caiu e recompor a posição perdida nas quedas. 

Sempre com a cabeça no longo prazo. O atual movimento de queda ainda pode se estender. Pode ser interessante ir comprando aos poucos. Como disse Luiz Parreiras em um call com investidores hoje (20/3) pela manhã, se trata de uma oportunidade como 2008 e quando subir, será muito rápido. 

A questão é que existe um fator psicológico. O investidor que quer acertar o fundo do movimento, pode ver o mercado disparar em um dia e esperar voltar, pois viu esse comportamento em momentos anteriores. Se a disparada se estende por uma semana, ele nunca mais compra, pois acredita que ficou caro. 

Não estamos tentando pegar o fundo do movimento. O objetivo aqui é comprar bons ativos, que gerem bons retornos daqui a cinco anos. Tudo e só isso. 

Alocação tática

Além de abrir oportunidade de alocação no Brasil, a recente queda nos mercados mundiais também gerou uma oportunidade nos EUA. 

Por muito tempo, gostamos da alocação em ações exclusivamente no Brasil, visto que as características econômicas aqui apresentadas eram mais interessantes do que no restante do mundo. O Brasil contava com uma história de crescimento muito bacana, início de ciclo e preços das ações ainda comprimidos. 

O S&P 500 trabalhou por 10 anos consecutivos em alta. A recente queda deixou o principal índice da bolsa americana em preços de recessão. Sabemos do poder monetário e fiscal dos EUA, que foi rápido ao tomar medidas para salvar sua economia. 

Donald Trump está em ano de eleição e pode apostar que ele fará de tudo para manter crescimento na economia americana para que consiga se reeleger. 

Quando de uma recuperação global na economia, o mercado acionário americano deve ser o primeiro a reagir, uma vez que existem menos fatores de riscos nos EUA. 

Faz sentido, portanto, uma alocação em bolsa americana para o momento, além de manter também uma alocação em bolsa brasileira. 

Proteções

Com a atual crise, cresceu também a busca por proteções. Vale lembrar que uma carteira bem diversificada entre as classes de ativos já é um ótima proteção. 

Em relação estritamente a ouro, dólar e opções, não faz tanto sentido neste momento. O dólar pode até continuar subindo, mas é interessante esperar mais um pouco para ter esse ativo em carteira. 

O ouro teve quedas recentes na busca dos investidores globais por liquidez. As opções estão caríssimas com a volatilidade nos ativos de risco nas alturas. 

Acredito ser necessário uma mescla desses ativos na sua carteira. No entanto, como não considero a quebra de fundamentos da tese de investimentos no Brasil como um cenário minimamente provável, acredito ser melhor esperar a poeira baixar para entrar nesses ativos. 

Conclusão

O mercado com seu caráter de maníaco depressivo por vezes nos faz acreditar que as coisas não irão melhorar e que o fim do mundo está próximo. Mas acredite, isso passa. 

Também não vale a pena sofrer pelas perdas passadas. Elas são doloridas mas são cicatrizes necessárias para nosso contínuo desenvolvimento como investidores. Ray Dalio perdeu dinheiro nesta crise por não saber o que fazer, segundo palavras dele mesmo. 

Se ajuda ainda mais, a turma do Verde também tomou uma ré em seus principais veículos. Se tem alguém que sabe investir e ganhar dinheiro é a dupla Luis Stulhberger e Luiz Parreiras da Verde. 

As perdas são normais, não conseguiremos acertar sempre e, principalmente, não iremos conseguir prever quando teremos o próximo cisne negro. Afinal, por definição, eles são imprevisíveis. 

Portugal não ouviu Luis de Camões quando o mesmo alertou em Os Lusíadas sobre um sociedade definhada. Desta vez existe uma dupla Luís/Luiz que nos alerta que a crise passa e que 2008 serve de escola. Cabe a você ouvir ou não.

Insights: porque você também deveria investir em ações

Existe uma sina no universo do mercado financeiro de que, pessoas com perfil conservador não deveriam investir em renda variável.

Esta regra parece ser marcada na pedra, visto que dificilmente encontramos pessoas que se dizem conservadoras com algum percentual da carteira em ações.

Não que eu concorde com tal afirmação, inclusive acho justamente o contrário. Mas vivemos no Brasil e sabe, tudo bem não ter renda variável na carteira quando se consegue uma rentabilidade de 15% ao ano em renda fixa. Com isso, dobramos nosso capital a cada cinco anos, nada mal!

Quis o destino, no entanto, que os ventos daqui passassem a soprar em outra direção. Em 2017 tivemos o início de um Brasil reformista, que busca cortar gastos públicos e acabar com os privilégios dos grupos mais favorecidos, como uma taxa de juros de longo prazo a custo de banana para as grandes corporações, enquanto o pequeno empresariado tinha de captar recursos a uma taxa de 20% ao ano no mercado.

As reformas que já foram postas em prática, juntamente à uma mudança de mindset nos principais órgãos econômicos do país, como Ministério da Economia, Banco Central e BNDES, possibilitaram que a Taxa Selic caísse ao seu patamar mais baixo da história, aos 4,25% ao ano.

E acredite, eu também não sou do time do “a renda fixa morreu”. Se eu acho que um portfólio inteligente e bem montado deve ter renda fixa? Sem dúvidas. Se eu acho que essa parcela tem de cair, no entanto? Sem sombra de dúvidas.

O Brasil rentista acabou! E pode apostar que ele se foi para talvez nunca mais voltar. A taxa de juros básica deve voltar a subir em 2021, mas nada que a leve muito acima da faixa de 6% ao ano. 

Se antes era comum investir unicamente em títulos de renda fixa com rentabilidades acima de 15% ao ano, atualmente isso não deve passar dos 4,5% bruto ao ano, e descontada a inflação você terá aproximadamente 1,25%aa de juro real. 

A questão é que, mesmo com este cenário atual, o “investidor conservador” continua com aversão à renda variável. O principal culpado nesta situação é o próprio investidor, que por diversos motivos, ainda não percebeu que aquele 1% ao mês na renda fixa se foi juntamente com a dona Dilma.

Com isso, ele simplesmente se fecha para qualquer apetite a risco, não se preocupando nem em entender como funciona minimamente a renda variável. 

Ora, se você trabalhou para juntar seu capital, o seu desejo será que você tenha uma aposentadoria tranquila, aproveitando as férias eternas e merecidas que têm, após se dedicar anos ao trabalho. No entanto, se você tiver um rendimento real pouco acima de 1% ao ano, receio em te dizer que na verdade, você vai apenas sobreviver. 

Um adendo, a poupança não entra nem em consideração neste momento. Com um juros real negativo, se você tem o dinheiro na poupança é melhor que você nunca deixe de trabalhar, visto que terá menos dinheiro quando mais precisar. 

Também não estou dizendo que todos devem ter o mesmo percentual de renda variável na carteira. Mas se você tem menos de 30 anos e nenhuma posição arrojada em sua carteira, é melhor abrir os olhos!

É comum encontrar os mesmos argumentos para essa aversão à renda variável: “é muito arriscado, não é para mim”. 

Na verdade, o que realmente incomoda é a marcação de preço instantânea. Para o investidor acostumado apenas com renda fixa, é catastrófico acordar com suas posições tendo uma queda diária de 4%.

Risco

A Teoria Moderna das Finanças diz que: quanto mais riscos você correr, maior será seu retorno potencial. Isso teoricamente explicaria um rendimento potencial baixo da renda fixa, onde você sabe que receberá, ao final do investimento, uma quantia maior do que investiu. 

Nas renda variável você abdica de saber ex-ante se receberá um valor maior ou menor do que o investimento, para que possa obter ganhos potenciais infinitos.

O risco, em geral, tem o papel assumido pela volatilidade que é o quanto determinado ativo financeiro oscila ao longo do tempo. As ações possuem marcação de preços em tempo real, e qualquer notícia sobre o ambiente macro ou micro afeta o preço desses papéis listados. 

A marcação à mercado dos títulos de renda fixa é bem mais ineficiente, visto que não existe um mercado organizado de bolsa para cotações em tempo real. Assim sendo, o investidor só saberá quanto o título dele está valendo, se ele quiser vendê-lo antes do prazo. 

Como em geral esses títulos são carregados até o vencimento, as oscilações de preço não afetam o investidor, visto que ele não observa a variação diária do papel, a não ser que precise liquidar antes do vencimento. 

É comum vermos uma empresa de capital aberto emitir títulos de dívida (como exemplo as debêntures). Os investidores conservadores adoram, visto que essas emissões chegam com taxas de retorno bem interessantes. 

Como exemplo atual, uma empresa do setor elétrico está emitindo um título (debênture incentivada) que pagará IPCA + 4,25% ao longo dos próximos 10 anos, isento de imposto de renda. Considerando o atual cenário de juros, é uma barganha, inclusive irei participar desta oferta, visto que, um retorno real de 4,25% ao ano não se encontra em qualquer esquina.

Fico ainda mais confiante quando olho para a empresa em si, que tem uma saúde financeira muito boa, e além disso é uma das empresas mais eficientes no seu setor, tem um modelo de negócios que garante muita economia no processo de exploração e produção de energia. Enfim, uma empresa excelente, que gera muito caixa e vai conseguir pagar essa dívida que está emitindo com um alto grau de certeza.

Agora, eu tenho noção de que receberei somente a taxa indicativa, nem um centavo a mais.

E se eu olhar para esta mesma empresa, sob a ótica do investimento em ações? Relembrando, ela é uma das melhores empresas do setor de energia, altamente eficiente e com um modelo de negócios bem montado. Sua receita é protegida por contratos de longo prazo com o governo federal e que até onde eu sei, ainda não encontraram nenhuma alternativa à energia elétrica.

Desde o início de janeiro de 2019, ela já apresentou uma alta superior a 175%. É exatamente a mesma empresa, mas são investimentos de classes diferentes. Não estou dizendo que a partir de agora, ela ainda subirá os mesmos 175%. 

Mas o preço das ações, no longo prazo, acompanham o lucro das empresas que estão por trás daqueles tickers que piscam o dia todo no home broker. 

Em qual situação eu não receberei o meu dinheiro de volta no título de renda fixa? Bom, se ao longo destes 10 anos, a empresa quebrar, eu perco todo o meu dinheiro. 

E nas ações desta mesma empresa? Ora, se a empresa quebrar ao longo do tempo em que tenho dinheiro nela, eu perderei todo o meu capital. 

Veja que simplificadamente, o risco é, na verdade, o mesmo. Este é um modelo simplificado, visto que no processo de falência da empresa, o primeiro a receber o valor residual é o governo, depois os credores e só depois os acionistas. 

Mas acredite, isso na verdade pouco importa, pois em geral não sobrará nada pra contar  história. E tudo isso acontece da mesma forma em um títulos de renda fixa ou em uma ação. Se trata da mesma empresa, ela tem o mesmo modelo de negócio, atua no mesmo setor. É tudo a mesma coisa. 

Mas e as oscilações diárias nas ações?

Existe uma frase no mercado financeiro que diz: “somente os vendedores de ações deveriam se preocupar com as quedas de curto prazo”. 

Eu, por exemplo, sou consumidor de cerveja. Se acontecer algo que faça o preço da cerveja caia, eu aproveito para comprar mais, não para vender as que já tenho guardadas em casa. 

Eu sei que a tendência é que o preço se normalize dentro de algumas semanas ou meses, então eu aproveito para comprar mais enquanto o preço está baixo. 

Com as ações deveria ser exatamente assim. Desde que investimos em cias de alto grau de qualidade, em geral não há o que temer com as quedas diárias. Elas, na verdade, são ótimas oportunidades para comprar mais de um ativo que você sabe que é bom, a um preço mais barato. 

Não existe sucesso de curto prazo. Tenha em sua carteira ações de extrema qualidade, com lucros recorrentes. Seu retorno virá dos dividendos no médio prazo e da apreciação das ações no longo prazo. 

E é só no longo prazo mesmo. Empresas obedecem a ciclos empresariais, que são longos e demorados. Não dá para cobrar nada no curto prazo. Ademais, no curto prazo o caminhar do preço das ações se assemelha a um caminhar de um bêbado, não sendo possível prever para onde o preço vai. 

No longo prazo, no entanto, o preço das ações acompanha o lucro das empresas. Então se temos empresas fortes, geradoras de lucro, não devemos ter problemas. 

Se você não tem tempo para olhar uma a uma cada ação que você deveria ter, entregue a gestão para um profissional através de um fundo de ações. 


E não precisa ser 100% da sua carteira. Comece com pouco, vá ganhando mais confiança conforme o tempo for passando e aumentando cada vez mais. 

Se você não olha todos os dias o rendimento do seu título de renda fixa, por que tem que olhar o da sua carteira de ações? As coisas não acontecem da noite para o dia. Elas demandam tempo. 

O que não podemos mais esperar é uma alocação de carteira ineficiente com nada ou quase nada em renda variável. O mercado mudou e se você não mudar junto, ficará para trás, e talvez daqui um tempo seja tarde demais para aceitar essa mudança.