Como a Cogna pretende revolucionar a educação básica

A Cogna passou recentemente por uma reestruturação organizacional onde passou a dividir a empresa em quatro linhas de frente. 

Conhecida anteriormente como Kroton, a companhia surgiu em Belo Horizonte como um cursinho pré-vestibular e evoluiu para ser o maior player de educação no país. O foco deixou de ser educação básica e passou a ser educação superior, onde a empresa adquiriu concorrentes estratégicos e utilizou de sua excelência operacional para ser a empresa mais relevante do setor na bolsa. 

No final de 2019 houve a dita reorganização, onde a Kroton passou a se chamar Cogna, abrigando sob o seu guarda chuva quatro diferentes linhas de negócios. O nome Kroton foi mantido para a operação B2C de ensino superior. 

A plataforma B2B de ensino superior passou a se chamar Platos. Enquanto isso, a empresa se utilizou da aquisição da Somos Educação para criar linhas específicas que cuidariam da educação básica, onde a Saber cuidará do B2C, linha com escolas próprias, e a Vasta cuidará do B2B, que fornecerá sistemas para escolas. 

Esta última empresa dentro da Cogna é o foco de hoje. Particularmente, é a unidade que mais tem potencial para fazer com que o grupo volte a valer o que um dia valeu na bolsa. 

O ensino básico privado no Brasil

O panorama de escolas privadas no Brasil é bem parecido na média. Em geral, elas são empresas de menor porte e com administração familiar. Diferentemente de outros setores da economia, a escola K12, que cobre desde o jardim de infância até o último ano do ensino médio, parou na história. 

O gestor da escola, por exemplo, tem que conversar com inúmeros integrantes de sua cadeia, como fornecedores de livros didáticos, uniformes, professores, pais de alunos etc. Com tudo isso, lhe sobra pouco tempo para se preocupar com atividades extremamente importantes, como a qualidade do ensino, o desenvolvimento dos alunos e os aspectos financeiros da empresa. 

Outro fator é que em um mundo cada vez mais digitalizado e gerador de dados, incomoda o fato de que eles não sejam utilizados para maximizar o desempenho dos alunos. As escolas ainda são pouquíssimo digitalizadas e quase não geram dados que podem virar informações sobre os alunos. 

Além disso, ainda é muito incipiente o movimento das escolas para abranger serviços secundários na educação básica, como os conceitos de soft skills, tão comentados no novo ambiente da geração dos millennials. Não existe, por exemplo, a cobertura por parte das escolas de atividades de ensino específicas em períodos extra, como reforço escolar, ensino de tecnologia, ciências ou engenharia. 

Há de se notar também o fato de que houve nos últimos 20 anos uma mudança nos hábitos de uma família tradicional, que passou de uma mãe que por vezes não trabalhava e tinha tempo para levar e buscar os filhos na escola, bem como levá-los às atividades no período da tarde, como judô, violão e natação. 

Hoje em dia ambos os pais tendem a passar o dia todo no trabalho, o que dificulta seu deslocamento para atender às demandas dos filhos. 

Junte todos os problemas apresentados ao fato de que o Brasil ainda é um país onde um curso superior é diferencial e garante ao graduado uma média salarial substancialmente maior do que do indivíduo sem um diploma de curso superior. 

A diferença é ainda mais latente quando são considerados os cursos superiores em universidades públicas de ponta, onde os vestibulares são extremamente concorridos e fortunas são gastas pelos pais em cursinhos pré-vestibular. 

Isso tudo mostra que o sistema de ensino básico privado necessita de um reboot. Existe um mercado endereçável gigante neste segmento. Os cinco maiores players de educação básica no país representam menos de 10% desse mercado. 

Um dado mostra que 8 em cada 10 famílias consideram que educação de qualidade é o melhor investimento que os pais podem fazer por seus filhos. A mesma pesquisa ainda mostra que as famílias tendem a preferir escolas que ofereçam habilidade do século 21 em sua grade de ensino. 

Público alvo

A educação básica privada, nos moldes do que a Vasta busca oferecer, é destinada às famílias de classe A e B. Existe um argumento que fala que o investimento em ensino básico não faz tanto sentido, uma vez que as famílias estão tendo cada vez menos filhos. 

A afirmação acima é parcialmente verdadeira, uma vez que as famílias estão tendo menos filhos realmente. No entanto, a diminuição de filhos per capita vem sendo observada nas classes D e E, ao passo que as classes A e B continuam tendo filhos da mesma forma. 

No geral, as pessoas não querem mais ter muitos filhos, mas ainda assim querem ter ao menos um ou dois. Como o público à que se destina o sistema oferecido pela Vasta é focado nas classes A e B, não deve existir um problema de demanda. 

Um sinal disso, é que segundo o Censo Escolar do Inep, o número de estudantes de ensino básico caiu no Brasil, mas o número de estudantes do ensino básico privado aumentou 10% nos últimos oito anos. 

O argumento se torna uma falácia ao vermos perspectivas do IBGE para a evolução da população brasileira nas classes econômicas. Claro que se tratam de previsões, pode ser que o IBGE esteja errado por um, dois, cinco anos. Mas a tendência da economia é sempre de crescimento, então imaginamos que seja um cenário plausível. 

Enquanto hoje em dia as classes alvo da Vasta representam aproximadamente 40% da população, em 10 anos ela representará quase 60%.

A Vasta Educação

A Vasta surge com o propósito de ser uma plataforma one stop provider para as escolas K12 privadas. Os serviços da Vasta podem ser divididos em dois grandes grupos: onde o primeiro tem o objetivo de ajudar a escola a prover uma educação de qualidade, e o segundo grupo busca auxiliar a escola a ser melhor gerida. 

A Vasta basicamente fornece um sistema para que a escola possa se tornar um negócio rentável, sustentável e com boas perspectivas de médio/longo prazo. 

Ao abordar um cliente, a Vasta oferece ao parceiro duas opções metodológicas: sistema de ensino ou livro didático. No primeiro, a Vasta instala no parceiro uma de suas bandeiras de ensino, que conta com marcas extremamente renomadas, como Anglo, Pitágoras e pH. 

Neste caso, todo o sistema passa a pertencer a esta bandeira, que conta com suas próprias características pedagógicas, programas de ensino e qualificação de docentes. A empresa trabalha com diversas bandeiras justamente para que possa abranger os mais diferentes perfis de escola, com diferentes tickets médios e opcionais. 

Ao adotar um sistema de ensino, a escola também ganha acesso à plataforma de tecnologia aplicada à educação da Vasta, que possibilita a digitalização do ensino, através de tarefas de casa via computador, tablet ou celular, por exemplo. 

Esta funcionalidade automaticamente passa a gerar diversos dados para o professor, que consegue entender se determinado assunto foi um entrave no entendimento dos alunos e mostra que ele deve reforçar aquele conteúdo na próxima aula. 

A plataforma integrada também pode fazer relatórios de cada aluno individualmente, que podem ser acessados pelos pais e pela coordenação da escola, que saberá onde focar com cada aluno, tornando mais eficiente o processo de aulas de reforço em períodos extras para quem realmente precisa. 

Ao mesmo tempo, a escola também recebe acesso à um portal de capacitação de docentes, que são submetidos à programas de educação continuada, para que estejam sempre atentos às novidades de suas respectivas áreas, bem como tendências de ensino que vão sendo desenvolvidas com o passar dos anos. 

O segundo caso é geralmente encontrado em escolas premium, onde não há um embandeiramento do colégio, em geral por questões como tradição histórica da escola. Este modelo é observado em cidades maiores. 

No sistema de livro didático, a Vasta oferece à escola parceira uma personificação do serviço, onde ela monta um sistema pedagógico de acordo com as necessidades do colégio. 

Para isso, a Vasta é detentora das quatro maiores editoras de livros didáticos do país. A plataforma tecnológica também está presente neste modelo, bem com a plataforma de capacitação de professores. 

Vale dizer que para ambos os casos, a plataforma de ensino dos alunos oferece diversas opções. Se um aluno estiver com dificuldade em resolver determinado exercício, é oferecido à ele a oportunidade de assistir uma vídeo aula sobre o assunto. Caso a dificuldade ainda persista, ele poderá acionar um tutor da Vasta, que estará disponível de segunda a sábado das 7h às 23h. Aos domingos existe um suporte das 7h às 13h.

Todos esse ecossistema potencializa a capacidade da escola em prover as mais diferentes oportunidades de ensino aos seus alunos. A qualidade é comprovada com o dado que em mais de 500 cidades, escolas com algum sistema de ensino da Vasta estiveram no Top 3 do município no ENEM. 

A Vasta ainda oferece em seu primeiro bloco de auxílio, atividades ligadas à línguas estrangeiras e à modalidade STEM, acrônimo do inglês que significa Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Todas essas características são ofertadas ou estão em desenvolvimento para auxiliar a escola a prover a melhor solução de ensino possível às famílias e seus filhos. 

O segundo bloco busca ajudar a escola a ser melhor gerida e a gerar mais valor aos seus donos. 

Atualmente a empresa oferece apenas um serviço neste bloco, mas promete entregar diversas outras funcionalidades ao longo do ano. 

A solução oferecida na plataforma de gestão é a de e-commerce. As escolas têm um problema fiscal em comprar livros didáticos para revender aos alunos, uma vez que o cadastro estadual delas é de provedor de serviços. 

A Vasta oferece, através da Livro Fácil, o maior marketplace de ensino básico do país, com mais de 167 mil itens em seu catálogo. Repentinamente a escola se livrou de problemas de organização, logística e fiscal, através de um serviço oferecido pelas Vasta. 

A empresa ainda está desenvolvendo soluções para as frentes de matrícula online, marketplace de bolsas de estudos, marketing digital e CRM, ERP Financeiro e Acadêmico. 

Estas soluções ajudarão as escolas a atrair cada vez mais alunos, oferecê-los uma educação de excelência, não apenas segundo o currículo básico exigido pelo MEC, mas os preparando para os desafios da vida adulta e consequentemente conseguirão um maior grau de retenção de sua base de clientes. 

Modelo de negócios

As escolas que decidem por operar com serviços oferecidos pela Vasta, assinam contratos que vão de três a sete anos, o que garante uma grande previsibilidade de receita pela empresa. 

Hoje, mais de 4 mil escolas são clientes de algum serviço oferecido pela companhia, dentre um universo possível de mais de 17 mil. 

Os serviços oferecidos são customizáveis, então existe uma grande oportunidade de cross-sell, visto que as escolas que são parceiras atualmente, nem sempre adquirem todos os pacotes possíveis. Se o atual cliente está satisfeito com o serviço (conforme os níveis de NPS da empresa), ele tem mais chance de adquirir outras ofertas da Vasta. 

A Cogna acertou em cheio em dividir suas unidades de negócio, pois permite que o mercado precifique de maneira mais adequada a holding como um todo. 

Ao olharmos para a Vasta, temos uma empresa de plataform as a service (paas), que funciona em um modelo de assinaturas, onde o cliente pode montar seu pacote e paga mensalmente para a companhia de acordo com as funcionalidades escolhidas. Estamos diante de um negócio ainda com receitas recorrentes e previsíveis. 

O modelo é todo baseado em tecnologia, como foi possível observar através das novidades apresentadas aqui e serão ainda mais latentes com o passar do tempo e o lançamento de novas features

A Vasta é uma unidade asset light, visto que demanda pouco investimento em capital físico pois ela não tem o custo de criar e administrar uma escola do zero, com o pagamento de salários de professores, etc. 

Ela fornece soluções com viés tecnológico, fazendo com que os investimentos tenham que ser em profissionais da área e em grandes servidores. O custo disso tudo é muito menor e a escalabilidade é alta. 

Desenvolvido o sistema, ele precisa apenas de manutenção e de melhorias contínuas. Mas pouco importa se haverá uma ou mil escolas conectadas a esse sistema. A receita cresce muito mais rápido do que o custo. 

Essas características de asset light e alta escalabilidade, conferem ao negócio um grande potencial de crescimento.

Conclusão

A Vasta Educação é apenas uma das linhas de negócios da Cogna. A empresa também promete entregar um mindset mais voltado à tecnologia em suas outras áreas de negócios, mas certamente a Vasta se mostrou algo sem precedentes, em um mercado altamente fragmentado e com muitas oportunidades de melhorias. São características que gosto muito em uma empresa. 

Ainda precisa ser observado se os desenrolares serão como a empresa espera, mas me parece uma ótima oportunidade de longo prazo.  

Insights: a economia em 2020

Passada a euforia da virada de ano, chegamos ao início, de fato, de 2020. Oficialmente o ano comercial começou na última quinta-feira, mas naquele espírito macunaímico preguiçoso, símbolo destacado por Mário de Andrade, o ano parece dar seu pontapé inicial apenas na segunda-feira que precede a primeira semana completa. O azar parece morar em anos de virada aos finais de semana. Sigamos. 

Como você deve ter ouvido das mais diversas fontes, 2019 foi um ano transformacional e foi responsável pelo alicerce da economia brasileira. Observamos diversas classes de ativos com valorizações expressivas. 

O que aconteceu em 2019

Fazendo uma síntese do que aconteceu, observamos o desenrolar dos fatos em Brasília e ficamos animados com os resultados obtidos. Apesar dos ruídos, a equipe econômica conseguiu endereçar aquela que talvez seja a principal reforma de nossa história republicana, com a aprovação da Reforma da Previdência. 

O tema dominou o noticiário por boa parte do ano e mudanças de cunho microeconômico ficaram para 2020. 

Enquanto isso, o crescimento esperado no início de 2019 não veio. Felizmente, a inflação também ficou ancorada. Tais feitos corroboraram para um corte de 2% na taxa Selic, que terminou o ano em seu menor patamar da história, em 4,5% ao ano. 

Este revisional de Selic para baixo foi outro fator que explicou a alta valorização dos ativos brasileiros. Ibovespa e IFIX, os dois principais índices de renda variável do país, representando as principais ações e fundos imobiliários, respectivamente, apresentaram valorizações superiores a 30% no ano. 

Enquanto isso, ao longo do ano tivemos diversos acontecimentos na disputa comercial entre China e Estados Unidos. As trocas de farpas ocorreram, mas ao que tudo indica, estamos perto da assinatura da fase um do acordo comercial. 

Os temores de recessão global aos poucos vão se afastando, com índices PMIs ainda tímidos, mas no campo positivo. 

Com os temores globais ao longo do ano de 2019, o ouro foi outra classe de investimentos que se beneficiou e teve uma valorização superior a 28%. 

No geral, para os ativos brasileiros, observamos uma valorização massiva, mas muito em função de expectativas dos acontecimentos em Brasília. Ações e fundos imobiliários se beneficiam muito de uma economia aquecida e de juros baixos e a antecipação do futuro guiou as valorizações observadas. 

Mas agora é o momento de olhar para 2020 e tentar entender o que podemos fazer com nossos investimentos. 

Não me entenda mal, não estou tentando fazer previsões sobre o ano. Tenho muita dificuldade em fazer previsões, principalmente sobre o futuro. O objetivo aqui é apenas discorrer sobre fatos que acredito que poderão impactar o mercado financeiro. Se eles vão mesmo acontecer ou se vão impactar de forma positiva ou negativa, só o futuro dirá. 

O segredo para viver em um mundo em que não entendemos já foi dado aqui: diversificação e noção de que entendemos pouco sobre o que ocorre daqui pra frente. 

Economia brasileira

O final de 2019 foi de otimismo com a economia brasileira. Guiado pelos resultados da Black Friday e do Natal, o consumo finalmente voltou a acelerar e o varejo comemorou o resultado destas duas datas de compras. 

O ano começou com as expectativas altas por parte dos agentes econômicos, mas o cenário não se desenhou como o esperado, já que os empresários estavam menos otimistas do que se esperava. Foi um primeiro semestre bem morno, com os desenrolares políticos tomando conta da agenda econômica. 

O segundo semestre foi mais interessante e semanalmente o crescimento do PIB foi sendo revisado para cima. O resultado oficial ainda será divulgado, mas o crescimento deve ser confirmado acima de 1%, algo que parecia difícil em meados de agosto. 

A confiança da indústria e do comércio aumentou e confirmamos isso com a criação de empregos formais, que a partir de setembro passou a aparecer de forma menos tímida. 

Esperamos que o crescimento acima de 2% finalmente apareça em 2020, apoiados nos dados apresentados acima. 

Enquanto isso, algumas reformas ainda devem ser aprovadas pelo governo para colocar o país de vez nos trilhos. Destaco três delas: Reforma Tributária, Pacto Federativo e Reforma Administrativa. 

As duas últimas ajudarão o governo em seu problema fiscal, enquanto a primeira será muito bem recebida pelos empresários. Uma simplificação tributária tornará o ambiente de negócios no país mais fácil, o que ajudará a se criar novos concorrentes, tanto nacionais, quanto internacionais. 

Este ambiente de competição é extremamente benéfico para o povo, uma vez que garante excelência nos produtos e serviços vendidos, sendo cobrado um preço justo. Além disso, gera novos empregos e arrecadação para o governo investir em área de alta necessidade, como educação, saúde e segurança. 

O governo também deve seguir com a privatização de algumas empresas, o que ajudará a limpar ainda mais sua folha de gastos e deixará à iniciativa privada o papel de dirigir empresas – que grande ideia, não?

O BNDES também deve começar a fazer desinvestimentos em suas empresas investidas, o que gerará um fluxo enorme de capital para dentro do banco, que poderá passar a dar crédito subsidiado à quem realmente necessita, que são as pequenas e médias empresas, ao passo que as grandes empresas devem se financiar através do mercado de capitais. 

A inflação assustou um pouco nos últimos meses do ano, mas deve terminar 2020 ainda abaixo da meta de 4,25% estabelecida pelo Banco Central. Vale dizer que o núcleo de inflação, que é uma medida para capturar a inflação, desconsiderando-se os choques de preços temporários, continua intacto e ancorado. 

A alta na inflação de novembro e dezembro de 2019 foi causada por choques nos preços de alimentos e de energia elétrica, que em geral obedecem a ciclos sazonais. Não houve uma mudança fundamental na dinâmica de oferta e demanda e os preços destes bens devem se normalizar ao longo do ano. 

Dito isso, o Banco Central não tem motivos aparentes para subir a Selic ao longo de 2020. Isso também não quer dizer que ela deve cair mais. Um corte adicional de 0,25% até é esperado pelo mercado em algum momento, mas não se surpreenda se ele não vier. 

Por mais que Roberto Campos Neto diga que o BC não olha para o dólar no momento de decidir sobre nossa taxa de juros, os constantes leilões de divisas feitos pelo Banco Central em momentos de alta expressiva da moeda levantam uma bandeira amarela. 

De qualquer forma, palmas para esta equipe do BC que foi capaz de trazer os juros para a mínima histórica. Na ausência de um período parecido em nosso passado, qualquer passo dado por esta turma deverá ser feito com base em muito estudo e de forma cautelosa. Não aguardamos muitas novidades neste campo ao longo de 2020. 

Economia mundial

Aqui a análise começa a ficar mais complicada, dada a quantidade de variáveis que se deve observar. O intuito aqui não será uma análise tão profunda, visto que existem tantos cenários possíveis, que provavelmente erraríamos feio se tentássemos prever algo com exatidão. 

Apesar disso, o Brasil não é uma ilha e os acontecimentos lá fora impactam o nosso país. 

A primeira coisa que devemos ficar de olho é a eleição americana em novembro. Apesar de parecer longe, em março já devemos começar a observar os acontecimentos referentes ao processo eleitoral, afetando os preços dos ativos no Brasil. 

Donald Trump parece ser o favorito para uma reeleição. Enquanto isso, o Partido Democrata deve ter eleições primárias conturbadas para escolher seu candidato. No momento, quatro concorrentes merecem destaque: Bernie Sanders e Elizabeth Warren, senadores e representantes da ala mais radical do partido; Joe Bidden, vice-presidente americano durante o mandato de Barack Obama e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York. 

Os ruídos sem dúvidas irão aparecer. Prever qual presidente o mercado espera que seja eleito e qual o impacto da eleição de cada um é uma tarefa que eu não irei me propor a fazer, com o risco de virar piada com o fiasco dos meus palpites. 

Além disso, dizer que o resultado das eleições irá afetar a trajetória de crescimento brasileira me parece exagerado, ao menos neste momento. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos parece ter dado uma trégua. Era de se esperar. Na iminência de um processo eleitoral e com a necessidade de fazer Wall Street feliz, Donald Trump não poderia levar essa guerra para outro patamar. Não faria sentido algum. 

O FED também parece ter encerrado seu ciclo de corte de juros, visto que a economia americana não para de crescer. Abaixar ainda mais as taxas de juros seria correr muito perigo inflacionário e Jerome Powell parece não estar pronto para correr este risco. 


Na Europa, o crescimento insiste em ficar ancorado, mesmo com o juros no campo negativo – ou o correto seria: principalmente por conta dos juros negativos? – mas os índices de atividades parecem começar a apresentar um tímido crescimento. 

A saúde da economia global como um todo, apesar de não estar viril como esperávamos, não apresenta tantos motivos para preocupação de recessão, como era no início do ano passado. 

Aos poucos a economia vai se levantando da cama. A grande questão é o que ela fará após levantar. Mais do que nunca, existe uma névoa sobre o futuro econômico mundial. Se as pessoas já não estão mais pessimistas, elas estão longe de estarem otimistas. 

Novamente, os acontecimentos impactam sim, mas acredito que seja difícil um fato externo quebrar o atual bull market brasileiro, apesar de que certamente aparecerão manchetes que te farão acreditar que sim. 

O último acontecimento foi a morte de um importante general iraniano pelos EUA. As tensões e ameaças se elevaram e o temor agora se volta para um guerra não comercial, mas sim bélica. 

Como bom especialista em conflitos militares que sou, não irei tentar explicar a você os diversos motivos que podem ou não acarretar em uma guerra. Eu até acredito que possa sim acontecer, mas não apostaria nisso. 

Por mais que o ataque pode ter sido uma manobra eleitoral por parte de Trump, acredito que isto deva sair do noticiário conforme caminharmos ao longo deste ano. 

Mas isso nos lembra mais uma vez da importância de sempre termos proteções à nossa carteira. Na presença de um caos mundial, nada irá se valorizar mais do que o ouro. E não podemos descartar de forma alguma que um caos mundial pode acontecer a qualquer momento. 

No campo dos países emergentes, o Brasil se mostra cada vez mais como líder em potencial de crescimento, com uma robusta plataforma de reformas, mão de obra abundante e capacidade ociosa. 

Apesar disso, o gringo olha o cenário na América Latina e se espanta um pouco. Em diversos países estamos vendo crises nos governos e a população tem se revoltado em nossos países vizinho. 

A Argentina recentemente elegeu novamente um Kirchnerista em Alberto Fernández, indicando a volta da esquerda ao comando do país.

Como já dito, o Brasil não é uma ilha e depois de apanhar tanto nos emergentes nos últimos dois anos, o gringo certamente irá aguardar o desenrolar dos fatos no Brasil antes de voltar a olhar para o país, mesmo que isto signifique que ele irá perder a primeira pernada de valorização dos ativos. 

Outro fato que ainda afasta o estrangeiro do Brasil é a ausência do grau de investimento das agência de classificação de risco. Esta nota de crédito é requisito para muitos investidores institucionais estrangeiros. O panorama é positivo para a recuperação da nota, mas não podemos garantir que será em 2020. 

Conclusão

Conseguimos fazer aqui um resumo do que aconteceu em 2019 e nos preparar para os acontecimento econômicos em 2020. Ao longo do mês teremos um outro artigo explicando como estes acontecimentos poderá atingir cada classe de ativos.

Insights: montando sua carteira para 2020

Com o fim do ano chegando, é comum que as pessoas já estejam com a cabeça na próxima década. Essa também é uma boa hora para você investidor repensar a forma como está investindo e se sua carteira está preparada para os anos vindouros. 

Não que devamos pensar em 2020 para o ano para fazer a vida e ficar milionário. Pode até ser que aconteça, mas o sucesso nos investimentos não se ganha em apenas um ano. Se trata de boas performances ano após ano, deixando com que a mágica dos juros compostos aconteçam. 

Todos gostariam de escolher uma ação que se valorizará 100% no próximo ano. Mas você já parou para pensar em uma carteira que rende 20% por cinco anos? Com os juros compostos, ao final do período o rendimento terá sido de 249%. Interessante, certo? 

Um rendimento de 20% ao ano é difícil de se conseguir, mas não é impossível. O segredo está na alocação. Se uma carteira estiver bem diversificada nas mais diferentes classes de ativos, além de diversificar também dentro dessas classes – não dá para escolher apenas uma ação e alocar todo seu capital nela – certamente estaremos mais perto de atingir o objetivo. 

A partir de hoje teremos uma série de artigos que te ajudarão a estar mais preparado para revisitar sua mente e a forma como você investe, além de lhe auxiliar a montar uma boa carteira para surfar os próximos anos. Tenha sempre em mente: investir é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. 

Diversificação

A regra número um para uma carteira ser julgada como boa é a diversificação. Ela é nosso único almoço grátis disponível, da qual devemos usar e abusar. 

A diversificação deve ser utilizada como uma forma de mitigar riscos e angariar retornos caso nosso cenário base não se concretize. E acredite, dentro os diversos cenários base que iremos traçar, uma parte considerável deles não irá se materializar. 

Uma carteira pulverizada nos ajuda a dormir tranquilo em um mundo que não entendemos. O futuro é incerto e insiste em ficar no… futuro. Como já dizia um velho sábio: “é difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro”.

Ora, eu mesmo tenho um cenário interessante para 2020. Neste cenário as reformas passariam com alguma resistência no congresso – como sempre acontece -, o crescimento do PIB viria de forma mais surpreendente e a inflação convergiria para o piso da meta do BC. 

Apesar de uma inflação um pouco mais forte, o BC se sentiria confortável para manter os juros baixos, visto que o desemprego ainda continuaria alto e ainda haveria um hiato de produto. 

Neste cenário, as ações e o juro longo seriam novamente grandes vencedores.

Acontece que o nosso presidente pode simplesmente desandar a falar bobagens a ponto de atrapalhar o andamento das reformas no próximo ano. Paulo Guedes pode ficar de saco cheio e se decidir que depois de tudo que já fez na vida, não quer ficar aguentando desaforo e se despede do ministério da economia. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos pode não se resolver a tempo de salvar o mundo de uma recessão, o que prejudicaria muito o Brasil, uma vez que em momentos de recessão, o capital sai dos emergentes em um movimento conhecido como fly to quality, indo para o terreno seguro dos EUA.

Diversas coisas podem acontecer apenas neste próximo ano, sem falar de 2021, 2022… 

O que nos resta, portanto? Diversificar! Se tivermos uma carteira bem diversificada, conseguiremos nos expor aos mais diferentes cenários de retorno. Claro, se estamos mais otimistas com o Brasil e o mundo no próximo ano, iremos nos expor a ativos reais de forma mais contundente. 

Para o caso da renda variável, a diversificação fica ainda mais importante. Além do que já foi citado acima, o preço das ações no curto prazo obedecem a regras aleatórias, algo como o caminhar de um bêbado. Não significa, no entanto, que determinada ação seja boa ou ruim. 

No longo prazo, no entanto, o preço das ações acompanha o lucro das empresas que estão por trás delas. Se uma empresa gera lucro constantemente e tem boas perspectivas para o futuro, é comum que suas ações acompanhem no longo prazo. 

No curto prazo, no entanto, elas são afetadas pelos mais diferentes problemas técnicos e notícias. 

As empresas obedecem a ciclos empresariais, que são mais longos do que gostaríamos que fossem. Não é lógico pensarmos que uma nova direção em determinada companhia irá efetuar as mudanças necessárias e colher os resultados em apenas 3 meses. Essas mudanças demoram anos para terem efetividade. 

Esses são apenas alguns motivos para que você opte por uma carteira diversificada para os próximos anos. Em um futuro incerto, como sempre é, a única forma de conseguirmos enriquecer tranquilos, é diversificando. 

Sua carteira, portanto, deve ter títulos de dívida, ações, fundos imobiliários, fundos multimercados, dólar, opções e ouro. Se tiver a oportunidade, é interessante também ter participação em fundos de private equity. Com o atual patamar de juros, estes veículos passarão a ter mais representatividade e se mostram uma boa forma de angariar retornos. 

O gráfico acima mostra a alocação que julgo a ideal para surfar a onda de recuperação da atividade econômica brasileira. Para mim, essa é a solução ideal de carteira para qualquer que seja seu perfil de investidor. 

Não estou falando que escolhendo estas proporções, você terá um retorno garantido, mas certamente existe mais chance para que sim do que não. 

Para você que se julga com perfil mais agressivo nos investimentos, você pode subir mais sua fatia em ações, diminuindo a exposição em fundos multimercado e renda fixa. No entanto, não tenha menos do que 15% de cada um. Isso significa que você deve alocar no máximo 55% em bolsa, algo que já é bem arrojado e não indicado para a maioria. 

Caso não se sinta tão confortável com a alocação acima, você pode abaixar um pouco a alocação em ações e aumentar em renda fixa e fundos multimercados. Não deixe, no entanto, que seu medo te impeça pegar a grande onda de alta que a bolsa deve ter nos próximos anos. 

Cada classe de ativo presente em nossa carteira será melhor trabalhada ao longo das próximas semanas. Mas antes de finalizarmos, acredito que seja importante destacar um ponto. 

Saudosismo que atrapalha

O investidor um pouco mais velho pode se sentir incomodado com a alocação proposta acima. Ele pode julgar que os riscos sejam muito elevados, com uma alocação em renda variável de 45%. 

Tudo bem, eu não julgo. Esse mesmo investidor viu, por anos, a renda fixa pagar 12% ano ano, sem riscos e sem chacoalhadas de preço. Ao mesmo tempo, viu a bolsa de valores sofrer para bater a renda fixa e ainda contar com marcações a mercado instantâneas. 

A questão é que o que acontecia no Brasil, era, na verdade, uma anomalia de mercado. O correto segundo a teoria econômica é a renda variável pagar mais, justamente porque ela tem mais riscos. 

O movimento que aconteceu nos últimos meses veio justamente para corrigir esta falha. Ao mesmo tempo, a reforma da previdência foi aprovada e pelo menos mais três reformas estão engatilhadas para o próximo ano.

Estas reformas tiram do governo uma centena de gastos obrigatórios e dão mais liberdade orçamentária para colocar as dívidas em dia. A onda de privatizações também colabora para o fim dos gastos do governo em empresas. 

Tudo isso corrobora para uma maior abertura econômica e melhora muito o ambiente de negócios no Brasil. Com as engrenagens azeitadas, a taxa básica de juros pode permanecer em patamares baixos por um período prolongado de tempo. 

Com os juros baixos, a renda fixa irá pagar menos, visto que os títulos do governos estarão pagando muito pouco. Já foi falado aqui que alguns fundos de renda fixa apresentarão rendimentos reais negativos. 

Além disso, um menor patamar de juros torna diversos projetos mais viáveis, visto que o crédito estará disponível de forma mais barata. Isso impulsiona o consumo das famílias e beneficia, por exemplo, o setor de construção civil, que deve se aquecer nos próximos meses, junto com uma revisão para cima dos aluguéis. 

Com o cenário acima, os rendimentos de 1% ao mês sem riscos, se tornam inviáveis. A partir de agora, o investidor terá que se tornar menos avesso a riscos, assim como já é na vida. Cada escolha uma renúncia. 

Se na vida temos de arriscar para conquistarmos mais, nos investimentos é estritamente a mesma regra. 

Além disso, voltamos àquela velha máxima que prego aqui de que risco não é volatilidade. Utilizando o mesmo exemplo, uma debênture da Rumo tem exatamente o mesmo risco de perda de capital que uma ação da Rumo, apesar de a segunda ter uma volatilidade muito maior. 

Volatilidade é apenas um conceito técnico que é usado, de forma errada, como uma medida para risco. Não é porque não se mexe que não que é arriscado. 

Portanto, meu caro investidor, se acostume à assunção de risco. O que acontecia com a renda fixa no Brasil era um almoço grátis e na grande maioria das vezes, eles não estão disponíveis. 

Esta solução definitiva de carteira é diversificada justamente para a mitigação de riscos. 

Quando finalmente virarmos a chave de que o 1% ao mês está enterrado, poderemos dar o próximo passo rumo à uma melhor forma de se investir. 

Investir pode até parecer difícil e diversas vezes irão te fazer acreditar que realmente o é. Apesar disso, é mais ou menos como a vida. Se você realmente tiver vontade de fazer acontecer, estudar e saber fugir das grandes encrencas, o crescimento virá.

Previdência aprovada: abrindo caminhos

Na noite de 6 de maio de 1998, a cidade de Brasília estava prestes a prestigiar a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Plano idealizado pelo então presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, a proposta colocava uma idade mínima para a aposentadoria. 

A aprovação dependia de 308 votos dos deputados. A base do governo passou o dia a procura de alianças para que a proposta fosse aprovada. Na apuração, a contagem apurou 307 votos a favor. O deputado Antonio Kandir, do PSDB-SP, mesmo partido do presidente da república e idealizador do plano da reforma, apertou o botão errado e votou pelo não. 

Sim, um voto errado da base aliada fez com que a proposta fosse recusada. 

Passados 19 anos, Michel Temer caminhava para aprovar sua versão da reforma da Previdência. Por mais que o assunto não fosse unanimidade, as probabilidades de a reforma ser aprovada eram grandes. Até que no dia 17 maio de 2017, a delação premiada de Joesley Batista para a operação lava jato entregou que o então presidente Michel Temer, participava de esquemas de corrupção. 

Mais uma vez, a reforma da previdência ficou de lado e não foi aprovada. 

Já se vão 21 anos desde o fiasco de 1998. No período, o Brasil contou com equipes econômicas negligentes, planos mirabolantes como a Nova Matriz Econômica, presidente envolvido em esquema de corrupção e tantas outras coisas que colocaram o país em cheque. 

Sem a reforma da Previdência, a dívida bruta do país ultrapassará o PIB nos próximos anos e a situação econômica brasileira estará em calamidade. 

É estranho imaginar essa situação se pensarmos que por duas vezes estivemos tão perto de alcançar a aprovação. Parece até que os cisnes negros são brasileiros, adoram o clima tropical e frequentam a praia de Copacabana. Quanto azar. 

Truques velhos para cães novos

Dizem por aí que é difícil ensinar truques novos para cães velhos. Pois eu acho que difícil mesmo é ensinar truques velhos para cães novos. Não que eu adore o atual governo, mas economicamente, Paulo Guedes e sua turma estão fazendo o estado da arte. 

O dia 22 de outubro de 2019 mostra a aprovação definitiva da tão esperada reforma da Previdência. Nada de cisnes negros desta vez. Para coroar, o senado botou um ressonante 60 a 19 na votação, afastando qualquer risco de não aprovação. 

Ainda faltam pequenos destaques a serem votados, o que sinceramente pouco influenciará no resultado final. Mais importante do que tudo isso? A sinalização de que estamos no caminho certo. 

O trabalho continua

Guedes se apressou em dizer que o trabalho com as reformas econômicas continua, com o desejo de endereçar principalmente três delas: reforma administrativa, pacto federativo e reforma tributária. 

As duas primeiras têm mais a ver com a situação fiscal do país, com a reforma administrativa buscando minar parte dos privilégios do funcionalismo público. No caso do pacto federativo, o governo busca uma melhor relação para os gastos obrigatórios do governo federal. 

No caso da reforma tributária, ainda há muita polaridade sobre qual proposta deveria ser levada adiante. O timing político vai ser extremamente importante no caso desta reforma e o consenso é que por hora, ela deve ser enviada em partes. 

A reforma tributária é real geradora de valor para as empresas e tem o potencial de jogar o desemprego para baixo e fazer com que a economia ganhe tração, impulsionando o crescimento do PIB. 

O mais interessante disso tudo, é que um dia após a aprovação de uma das mais importantes reformas da nossa história republicana, o mártir do movimento vem ao público dizer a quem quiser ouvir que o trabalho continua e está apenas no início.

Cereja do bolo

Em paralelo ao legislativo, Salim Mattar comanda a secretaria de desestatização do governo. Pela primeira vez temos um presidente a favor da privatização de empresas que não sejam necessárias para o governo. Pela primeira vez temos o consenso de que o livre mercado deve ditar as leis das negociações comerciais, sem intervenção estatal. 

A primeira leva de estatais a serem privatizadas deve incluir um total de 17 empresas, dentre as quais estão Correios, Casa da Moeda e Eletrobras. A tramitação burocrática demora algum tempo, mas irá ocorrer e o parecer deve ser favorável. 

Mattar vem fazendo um trabalho formidável, limpando a folha de estatais não core para o governo brasileiro e deixando com que essas empresas passem para a iniciativa privada. Consequentemente, tendem a ser mais bem geridas e ter maior potência de gerar valor à sociedade. 

Outro ponto é que o BNDES deverá dar início no futuro próximo à venda de suas participações em empresas privadas. A ação irá gerar um fluxo de capital para dentro do banco, que parece finalmente estar empenhado em auxiliar no desenvolvimento da indústria média, que não tem acesso ao mercado de capitais, mas que também precisa de dinheiro para executar seu projetos. 

O impacto no mercado financeiro

É impossível não dizer que a classe de ativo que mais se beneficia de todo esse arcabouço de trabalho de política econômica é a classe de ativos reais. Assim sendo, empresas e imóveis deverão surfar muito bem esse ciclo que está apenas no início. 

Os juros estão estruturalmente baixos e assim ficarão por bastante tempo. A renda fixa corre um sério risco de ter taxas reais negativas em alguns investimentos. Parecia loucura dizer isso em janeiro, mas aqui estamos e isso é cada vez mais realidade. 

A alternativa será migrar para as ações, fundos de private equity e fundos imobiliários. O Ibovespa apresenta uma valorização de mais de 20% no ano. E ela é apenas uma metonímia dos ativos reais.

Estamos falando de apenas 10 meses de governo. Eu quase nada sei, mas desconfio de muita coisa. Veremos bolsa a 200 mil, 300 mil pontos? Parece loucura agora. Mas sempre parece…

O mais importante de tudo isso: estamos apenas no início do trabalho. Muita água vai passar por debaixo desta ponte. Haverá volatilidade, haverá momento em que o precipício parecerá estar na calçada de casa. Mas no longo prazo isso passa e o movimento que estamos vivendo agora é histórico e inédito. Uma boa viagem a todos nós!

O fim do 1% ao mês

Tempos ainda não longínquos parecem ter chegado às nossas taxas de juros. O Brasil passa por um momento transformacional em sua sua economia, onde as coisas parecem caminhar, ainda que lentamente, para tempos de crescimento.

O Brasil sempre foi o país do CDI, que tinha uma taxa de juros extremamente alta e inflação descontrolada. A eleição de uma equipe do governo mais voltada para o liberalismo e disposta a fazer com que a economia ande de forma ortodoxa fez com que as coisas caminhassem na direção correta.

O governo dá sinais

Desde que a então presidente Dilma sofreu impeachment, vimos uma caminhada para a aprovação de reformas. Vimos reforma trabalhista e teto dos gastos e a Reforma da Previdência caminha para uma aprovação.

Assim que a previdência estiver totalmente endereçada, mudaremos o foco para a reforma tributária, essa sim, real geradora de valor para os empresários brasileiros e inclusive estrangeiros. Isto porque a simplificação dos tributos faz com que o capital do exterior possa vir para o Brasil na forma de mais empresas.

A abertura dos mercados brasileiros beneficia a todos, visto que gera mais empregos, aumenta o PIB e faz com que os preços caiam. Resumindo, a globalização aumenta o bem estar social.

O mais importante de tudo isso são os sinais que se passa para o povo. O empresário tem mais aptidão a voltar a investir, o consumidor tem mais confiança para tomar crédito e os bancos têm mais possibilidades de baixarem o spread bancário.

Some tudo isso a uma onda de privatizações que o ministro Paulo Guedes diz ter em sua lista e o estado fica com uma folha muito mais limpa, podendo investir em setores não triviais como saúde, educação e segurança pública.

A implicação na economia

Roberto Campos Neto integra o time de estrelas que comanda a economia brasileira. O atual presidente do Banco Central foi o responsável por trazer a Taxa Selic para os atuais 5,5% ao ano e já sinalizou que cortes adicionais acontecerão até o final de 2019.

O mercado acredita em Selic a 5% como presente de natal e os mais otimistas dizem ver espaço para queda abaixo disso.

A grandiosidade que isso tem pode nos fugir aos olhos se não observarmos atentamente. Com uma inflação dentro da meta, isso quer dizer juros real ao redor de 2%. Se considerarmos que no passado recente tivemos Selic a 14,25% e juros real acima de 7% ao ano, talvez tenhamos noção da dimensão que isso tudo tem.

A grande questão é que essa situação parece ter vindo para ficar. Note que o desemprego está em níveis extremamente elevados e os juros ao redor do mundo se encontram em níveis baixíssimos, por vezes abaixo de zero.

Desta forma, abaixamos o temor por inflação. De forma análoga, a capacidade produtiva está totalmente subutilizada e o consumo baixíssimo.

Os gastos do governo estarão mais controlados, com a desestatização de empresas não eficientes e controle dos gastos previdenciários. Novamente, perigo de inflação permanece afastado.

Não existe espaço para as taxas de juros subirem. A economia está parada e mesmo quando ela voltar a andar, a crise que passamos foi tão grande, que a pressão inflacionária demorará a aparecer.

Os seus investimentos

Taxas de juros de longo prazo estruturalmente mais baixas, implicam no fim do 1% ao mês sem risco e com alta liquidez. Sim, está no passado. Não deve voltar.

Bem-vindo ao mundo real. Agora chegou a hora de jogar champions league. Aberrações macroeconômicas devem ficar no passado e agora o parquinho dá lugar ao trabalho duro.

Nada de se lamentar. A infância foi legal, mas não que a vida adulta faça mal a alguém.

Isso significa que a partir de agora, se você quiser ter rendimentos maiores, com chance de multiplicação de capital, terá de abrir mão de um dos dois: baixa volatilidade ou liquidez. Se as oscilações são demais para os seus olhos, você pode optar por abandonar a liquidez e optar pela baixa volatilidade dos fundos de private equity.

Se você faz questão da liquidez, terá de conviver com o vai-vem diário das ações, a fim de angariar retornos maiores.

Sobre o que nos é possível enxergar do futuro – se é que existe essa possibilidade – é que o CDI passará a ser a nova poupança, que lhe proporciona nada mais que rendimentos marginais. Não que tenhamos que jogá-lo fora, devemos apenas redimensionar nossa exposição ao mesmo.

Chegou a hora de jogar o campeonato

Considere que o 1% ao mês “de graça” foi o treino. Agora é a hora do campeonato. Para nossa alegria, o mundo dos investimentos é vasto o bastante para que tenhamos opções para alocar nosso capital e observá-lo crescer a taxas que nos deixam satisfeitos.

Nada de pirâmides, alavancagem ou concentração. O que queremos que você faça é diversificar em diferentes classes de ativos, que te exponham a diferentes cenários. Não adianta focar só no crédito privado ou só nas ações, deve-se diversificar.

Como já diria Ray Dalio, gestor do maior hedge fund do mundo, você deve ter um All Weather Portfolio, ou seja, uma carteira que está preparada para qualquer coisa, independentemente do que o futuro nos reserve.

Saiba que o 1% ao mês ainda é possível, mas para isso você precisará transferir gradualmente o seu pêndulo para o lado da renda variável, onde a volatilidade pode lhe assustar no primeiro momento, mas não morde.

Com o tempo aprendemos a conviver com o sobe e desce das ações e aprenderemos os benefícios que elas podem nos trazer.

De que forma então nos preparar para o novo futuro?

Carteira diversificada, com renda fixa pré e pós fixada, fundos imobiliários e ações. Um pouco de proteção também é bem-vinda através de ouro, dólar e opções. Se vai realizar tudo isso por conta própria ou através de fundos de investimentos, o critério é todo seu.

Você também pode buscar o auxílio de uma assessoria de investimentos, onde um profissional o irá ajudar a montar uma carteira completa e bem diversificada.

 

 

Entenda sobre Previdência Privada e a importância para sua aposentadoria no futuro

Viver uma vida sem grandes preocupações financeiras é o sonho de muita gente. Esse sonho é ainda maior quando pensamos em nosso futuro, quando estamos mais velhos e chegou a hora de aproveitar o que nos resta de vida. O que muita gente se esquece é que para se obter um futuro tranquilo, com independência financeira é necessário planejamento e o início deve ser imediato. 

Quanto mais cedo você começar a se programar para essa fase da vida, mais possibilidade você terá de chegar até ela com um patrimônio garantido e segurança para você e sua família.

Como no Brasil a educação financeira é algo que o Brasileiro quase não tem contato muitas pessoas acabam adiando suas aplicações e assim sabotando sua aposentadoria. Isso acontece pois muitos acreditam que está cedo de mais para se pensar nisso, já que a aposentadoria só ocorre entre os 50 ou 60 anos. Outros já acreditam que é muito tarde para se investir melhor na previdência.

Segundo dados do Banco Mundial, apenas 4% da população brasileira poupa algum dinheiro com o objetivo de complementar sua aposentadoria, além do INSS. O que coloca o Brasil como um dos piores países no mundo nesse quesito.

Quando observamos a constante mudança do cenário econômico e a nova realidade imposta a investidores, o fatio de apenas 4 brasileiros em cada 100 terem algum tipo de reserva para o futuro fica ainda mais preocupante.

Faça da previdência privada sua ferramenta para um futuro tranquilo.

A previdência privada é uma forma segura de investir com pensamento no longo prazo. Com diversos ativos disponíveis para esse investimento, é uma maneira fácil de aplicação do seu patrimônio.  Apesar de ser pensada para complementar sua aposentadoria, a previdência privada não está ligada ao INSS. 

O grande diferencial da previdência privada é a possibilidade de proteger seu patrimônio de maneira que ele renda até a data de você usufruí-lo. Mas antes de decidir a quantia que você irá investir é importante considerar alguns fatores que poderão potencializar seus rendimentos, e ir de encontro com seus objetivos reais como investidor.  

Um desses fatores importantes para iniciar seu planejamento é saber quando deseja obter de renda no futuro, e assim equiparar suas aplicações da renda ou patrimônio atual para conseguir chegar aos valores desejados. Mas essa parte mais estratégica deve também estar sempre alinhada com disciplina e persistência, pois o ideal é realizar suas aplicações mensalmente e com foco no longo prazo.

Por que investir na Previdência Privada.

As vantagens de se investir na previdência privada são muitas, principalmente quando comparada com a aposentadoria pública. O ideal é não depender da aposentadoria pelo INSS já que o teto é de apenas R$ 4.663. Então a previdência privada te dá a possibilidade de escolher o valor que você irá investir mensalmente  e os prazos dessa aplicação. Além disso é possível escolher como deseja receber sua renda entre vitalício ou determinado período, considerando os anos que você irá usufruir do benefício. Além de permitir um planejamento sucessório com a possibilidade de que filhos e cônjuges possam receber o benefício após um possível falecimento.

Conclusão 

Como pudemos ver, a previdência privada pode e deve ser utilizada de maneira eficaz para garantir um futuro tranquilo e sem grandes preocupações financeira. Os investimentos na previdência privada são fáceis, seguros e garantem bons rendimentos a quem deseja complementar sua aposentadoria e garantir uma boa renda no futuro. Além de possibilitar a segurança de sua família, pois no caso de um eventual falecimento filhos e cônjuges poderão receber os benefícios de sua Previdência Privada.