A curva de juros no Brasil e seus investimentos em renda fixa

Hoje vamos falar sobre um assunto que causa muita confusão na cabeça dos investidores. Porém, seu entendimento é de suma importância: a famigerada curva de juros.

Afinal, do que se trata? A curva de juros (ou Yield Curve) é uma relação matemática de tempo/ retorno. Ela representa, graficamente, o retorno de um título, ou títulos, de qualidade de crédito semelhantes ao longo do tempo.

Em finanças, o tempo é associado ao risco, o que, se pararmos para pensar, faz muito sentido! Afinal, um investimento em um título nada mais é que um empréstimo.

O que você acha que tem mais risco? Emprestar seu dinheiro para o seu tio durante um mês, ou 5 anos? Exatamente, a possibilidade de eventos que podem prejudicar a capacidade de pagamento do devedor, em um período mais longo de tempo, é muito maior. Logo, naturalmente, o prêmio exigido é maior.

Banco Central e sua relação com a curva

O Banco Central atua na curva de juros por meio da política monetária. Em cenários de inflação baixa e desaceleração econômica, o BACEN tende a reduzir a taxa básica de juros da economia, como uma forma de estímulo (taxa baixa, preço do dinheiro cai, pessoas e empresas tomam mais crédito, consomem, e a economia volta a crescer).

Da mesma forma, em cenários de pressão inflacionária, o Bacen aumenta a taxa de juros. Na ponta longa da curva, as taxas refletem a expectativa de longo prazo, baseadas nas ações de hoje, por isso, a credibilidade do Banco Central é tão importante.

Afinal, se as taxas de juros estão baixas no curto prazo, a tendência é que elas cresçam ao longo do tempo, até que a pressão inflacionária se forme, e o Bacen volte a cortá-la (é o que chamamos de curva normal).

O mercado tenta antecipar isto através de um aumento na expectativa de juros no longo prazo. Porém, é importante frisar que a curva de juros não reflete somente as ações da política econômica.

A percepção de risco de um país também entra em jogo, afinal, se um país está no meio de uma crise política, a confiança do investidor cai, e isso se reflete em um prêmio pelo risco maior, o que gera uma abertura (muitas vezes irracional) nas taxas.

Curva Pré x DI

Quando ouvimos falar de curva de juros, normalmente faz-se referência à curva Pré x DI. Essa curva é a representação gráfica da expectativa de juros. A sua formação se dá por meio de contratos futuros do DI. Porém, é importante mencionar que a precificação desses contratos futuros leva em consideração fatores como instabilidade política, inflação e risco pelo tempo. 

Portanto, a precificação no longo prazo está muito mais associada à percepção de risco do país do que à expectativa de fato de que a taxa de juros vai representar aquele valor, naquela data. Essa associação, representa bem aquilo que foi discutido anteriormente, quando falamos em aberturas irracionais da curva.

Abertura da curva em diferentes momentos no tempo.



E o que a Renda Fixa tem com isso?

Essas aberturas irracionais representam uma boa oportunidade de alocação em renda fixa, uma vez que a precificação e remuneração desses títulos é baseada na curva de juros. Em um cenário de abertura podemos encontrar taxas extremamente atrativas, em ativos de qualidade de crédito excelente, o que, em retorno, diminui a atratividade em investimentos de renda variável.

Afinal, por que correr risco, se posso ter uma boa rentabilidade na renda fixa, com um risco muito menor? Além disso, essas aberturas geram uma boa oportunidade de ganho para aqueles que não desejam carregar o papel até o vencimento.

A lógica por trás disso é simples: os títulos são marcados a mercado (baseado nas taxas em que aquele título está sendo negociado).

Se possuo um papel com uma taxa IPCA+5%, e o mesmo papel está sendo negociado no mercado a uma taxa de IPCA+4%, naturalmente meu título se torna mais interessante para os outros investidores, o que causa uma apreciação e a possibilidade de negociação com um ganho – é o que chamamos de ágio.

Em linhas gerais, títulos pré-fixados são interessantes se a expectativa é de queda de juros, e pós-fixados, se a expectativa é de alta. Lembrando, a marcação a mercado não é relevante caso você decida carregar seu título até o vencimento.

Conclusão

Como vimos, a renda é fixa mas não tão fixa assim. É possível obter ganhos expressivos caso o investidor se posicione de maneira correta, tanto antes do vencimento, quanto na própria data de vencimento. Porém, é importante frisar, fique sempre atento às suas necessidades como investidor.

Não assuma riscos que não está disposto a correr, e preste sempre atenção ao vencimento do título e à sua necessidade de liquidez, para que não seja surpreendido de forma negativa pelo mercado.

Deflação: o que muda na economia e nos títulos de inflação

Nos últimos tempos, a inflação não tem assombrado tanto os brasileiros, mas sim o seu oposto: a deflação. Em abril – primeiro mês completo de quarentena na pandemia – o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IBGE) registrou deflação de -0,31%. Esse número mostrou a maior retração mensal no IPCA desde agosto de 1998. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses também é a menor em mais de 21 anos.

Mas o que é deflação?

Antes de tudo, a deflação consiste numa taxa de inflação abaixo de zero ou negativa. É quando um índice de preços, que reflete uma determinada cesta de consumo, mostra queda na média dos preços coletados.

Para o consumidor, esta queda de preços pode parecer uma notícia positiva em um primeiro momento, a fim de aumentar o poder de compra das pessoas. Porém, se a deflação persistir, pode ser uma ameaça para a economia, pois a queda constante dos preços torna-se um incentivo para que se adie o consumo, podendo até reduzir a demanda de bens e serviços e prejudicando a geração de empregos e renda. A queda no índice de preços também faz com que a taxa de juro real (taxa de juros descontada a inflação) se torne maior.

Qual o cenário neste momento de quarentena?

Durante a pandemia, as pessoas continuaram consumindo alimentos e até aumentaram estoques, porém houve redução no uso de transportes públicos e privados, fazendo com que este segundo puxasse o índice para o lado negativo.

Segundo economistas, é difícil chegar a um quadro de deflação persistente no Brasil em 2020, a não ser que a quarentena se estenda por muito tempo. Porém é notória a retomada da economia em alguns países do mundo, e também em diversas regiões do Brasil.

Além disso, de acordo com as divulgações do Boletim Focus, o IPCA está projetado para o patamar de 1,57% no final de 2020, ficando abaixo das metas do governo. Mesmo havendo esta deflação pontual, ainda fecharemos o ano “com a inflação”.

E quanto aos títulos de inflação do mercado financeiro?

Trazendo para os investimentos de Renda Fixa em crédito privado atrelados a “IPCA + taxa”, haverá uma retração na rentabilidade desses ativos por parte do pagamento IPCA. E dependendo do valor da taxa pré-fixada, pode sim afetar o título como um todo neste mês pontual de inflação.

Porém, é imprescindível que haja resiliência por parte dos investidores em relação ao foco de horizonte a longo prazo para estes títulos, visto que a média anual para este tipo de taxa supera imensamente a taxa básica de juros (Selic), que está em seu menor patamar da história do país. O importante é que se tenha em mente que estes títulos garantem o poder de compra no longo prazo, com o pagamento do IPCA na rentabilidade.

Portanto, segundo economistas, a inflação será baixa nos próximos meses. Mas os cenários internos da economia têm mudado de forma muito rápida, dificultando projeções com a curva de juros, mas possivelmente normalizando os dados de inflação com o passar do tempo pós-quarentena, com a reabertura gradativa das economias.


O famoso Tesouro Direto

A primeira coisa que precisamos entender é que Tesouro Direto não é um investimento e sim uma plataforma on-line. Através dela os investidores podem comprar títulos do governo federal diretamente da secretaria do Tesouro Nacional. O Tesouro Direto vende 3 tipos indexadores (pós-fixado, prefixado e vinculado a inflação) em 3 diferente ativos (LFT, LTN, NTN). Todos suportados pela fé e crédito do governo Brasil e usados para financiar a dívida federal. 

LFT (Letra Financeira do Tesouro) ou Tesouro Selic 

É o ativo mais simples e mais conservador emitido pelo Governo Federal. A rentabilidade dele é pós-fixada e como o nome diz, segue a Taxa Selic. Se essa taxa cai, o rendimento cai e vice-versa. Hoje essa taxa está em 3,00% ao ano, com a previsão de queda ao longo do ano. Excelente alternativa à caderneta de poupança, pois é mais seguro que a poupança, não precisa esperar a data de aniversário e rende mais. Quando falamos de reserva de emergência, faz sentido considerar esse título público como uma alternativa viável, uma vez que deve ser priorizada a liquidez e segurança do papel.

A LTN (Letra do Tesouro Nacional) ou Tesouro Prefixado 

Tem sua rentabilidade prefixada, o que significa que já é conhecida no momento da aplicação. Ela representa uma alternativa interessante de investimento, pois além de ser um ativo altamente líquido, é considerada livre de risco de crédito, uma vez que o emissor é o próprio governo. Você não precisa carregar o papel até o vencimento, porém, ao optar por sair antecipadamente, você estará sujeito ao risco de mercado. Essa oscilação nas taxas pode fazer com que seu papel se torne mais ou menos interessante para o mercado. Caso seu título esteja sendo negociado a uma taxa superior a do mercado, você poderá negociá-lo com um ágio, ou, caso a taxa seja inferior, com um deságio.

NTN (Nota do Tesouro Nacional) 

Essa é a mais complexa, pois pode ser prefixada ou vinculada à inflação. Pode pagar juros semestrais, como também só pagar juros no vencimento. A NTN-F ou Tesouro Prefixado é semelhante à LTN (Letra do Tesouro Nacional) explicada no parágrafo anterior com a diferença de ter um prazo mais longo e pagar juros semestrais.

A NTN-B ou Tesouro IPC-A+ é o título vinculado à inflação. O valor principal aumenta à medida que a inflação aumenta (ou diminui se houver deflação). Esse ativo também paga juros à uma taxa prefixada que pode ser semestral ou apenas no vencimento. Excelente para investimentos de maior prazo. Apenas atenção pois o resgate antecipado, apesar de ser garantido a recompra pelo governo, sofre oscilações de mercado que podem gerar prejuízo.

Para investir nesses ativos garantidos pelo Governo, é necessário ter uma conta bancária ou em uma corretora. É possível fazer direto nessas contas ou através do site do Tesouro Direto em que você escolhe a instituição financeira a qual você deseja que guarde seus ativos. Por fim, vale a observação que apesar de serem excelentes investimentos (principalmente para quem está começando a investir), precisa estar alinhado com seu perfil e com seus objetivos financeiros. Não invista pelo fato de um amigo ter te indicado ou porque você escutou no rádio.

Quer saber mais sobre Tesouro direto assista ao vídeo abaixo:



Diversificação é o “almoço grátis” nas finanças

A expressão “Não existe essa coisa de almoço grátis” foi popularizada pelo economista Milton Friedman. Ela expressa que para ter retornos maiores é necessário riscos e/ou custos maiores. Porém, o economista Harry Markowitz, vencedor do Prêmio Nobel, foi o primeiro a demonstrar que um portfólio diversificado pode oferecer melhor desempenho e menor risco em relação às classes de ativos individuais devido a correlação entre esses ativos.

Livros sobre investimento geralmente sugerem investir no exterior como um método de diversificar seu portfólio. Existem várias razões pelas quais investir no exterior pode ser uma boa ideia.

Se o mercado de um país ou região está indo mal, outro pode estar indo bem. Misturar os retornos de várias regiões ajuda a suavizar o retorno de seus investimentos. Além de não ser muito racional ter 100% do patrimônio em 1% do PIB mundial (Brasil em relação ao mundo).

Alguns países têm perfis econômicos muito diferentes entre si. Países maduros crescem menos, mas com maior tranquilidade. Países emergentes como Brasil, Chile, China e outros mercados emergentes devem crescer muito mais rapidamente, embora a jornada seja acidentada. A alocação de 5 a 15% do seu portfólio em vários mercados permite capturar diferentes crescimentos e suavizar sua carteira de investimentos.

E o fator moeda. Se você é um investidor brasileiro e investe em ações europeias, estará exposto ao desempenho do euro em relação ao real, bem como ao desempenho de suas ações europeias. Diferentes pares de moedas podem divergir uma quantidade enorme ao longo do tempo, diversificando ainda mais o seu portfólio – embora ao custo de um risco extra.

Movimentos de moeda funcionam nos dois sentidos, é claro. É possível ganhar nas ações e perder na moeda e ganhar na moeda e perdas nas ações. Assim como também ganhar nas duas e perder nas duas. Existem maneiras de travar o risco cambial, mas essa “trava” tem custo. É necessário ponderar os benefícios

A maioria de nós gastará o dinheiro no próprio país, por isso, o melhor é manter a maior parte do seu portfólio na moeda local. A alocação de uma parcela menor do investimento no exterior pode proporcionar alguma diversificação sem arriscar seu “pote” total. À medida que se aproxima da fase de gastos versus investimentos da sua vida, você pode lentamente trazer mais do seu dinheiro estrangeiro para casa, a fim de reduzir o risco cambial.

Markowitz chamou a diversificação de “o único” almoço grátis “em finanças”. O conceito-chave por trás do “almoço grátis” é a correlação – ou melhor, a falta dela. Normalmente, o desempenho de cada classe de ativo não está perfeitamente correlacionado. Se os valores dos ativos não subirem e descerem em perfeita harmonia, um portfólio diversificado terá menos risco do que o risco médio ponderado de suas partes.

Protegendo sua Carteira

Brasil, Itália, Espanha, Alemanha e França. Seleções campeãs mundiais nas últimas 5 copas do mundo. O que todas tinham em comum? Primeiro, um ataque formidável e talentoso. Segundo, um meio de campo preciso nos passes com o ataque e defesa. E por último, mas não menos importante, uma defesa que fazia seu trabalho incansavelmente.

O futebol moderno mudou e a forma de administrar os times e os campeonatos também. Por mais que tem pessoas que não gostem, é a realidade. O time precisa ser completo, junto com uma administração séria.

A analogia com seus investimentos é a mesma. A maneira de se investir mudou e o mercado financeiro brasileiro também. Por mais que ainda existem pessoas a procura do 1% ao mês somente com renda fixa, dificilmente isto será realidade. O contexto econômico do país e as taxas de juros baixas vieram para ficar, e outros produtos estão se destacando.

Portanto, hoje, a maneira como sua carteira de investimentos “ataca” e “defende” precisa de mudanças. Ela precisa ser completa, junto com um profissional capacitado ao lado. Afinal, ninguém quer sofrer um contra-ataque e levar um gol aos 45 minutos do segundo tempo, não é mesmo?

Com o objetivo de obter rentabilidades maiores atualmente, é preciso considerar a exposição em uma variedade de ativos diferentes. A bolsa, fundos multimercados e imobiliários fazem parte desta variedade e são altamente procurados pelos investidores.

Entretanto, a mudança no foco dos nossos investimentos, principalmente aquela da qual nos encontramos hoje, com foco grande para renda variável, envolve adoção a uma proporção maior de riscos.

Existem cinco principais riscos que você, investidor, precisa tomar cuidado e se proteger dentro do mercado financeiro:

  • Risco de Mercado: remete-se a variação de preços dos os ativos e entre eles;
  • Risco de Liquidez: denomina-se da facilidade ou dificuldade de conseguir comprar ou vender um ativo no mercado;
  • Risco de Crédito: é a probabilidade do devedor não honrar os compromissos com o credores; 
  • Risco Operacional: o processo de administração, verificação, aplicação dos recursos pode apresentar falhas ou erros inesperados e impactar os investimentos;
  • Risco Legal: envolve a aplicação das legislações vigentes dentro do mercado financeiro.

Para proteger seus ativos dos riscos acima, algumas medidas podem ser feitas para proteger a sua carteira. O objetivo de uma proteção não é aumento de rentabilidade, mas sim amortecer grandes quedas e controlar uma alta sem freio. Portanto, o objetivo não é alocar grandes quantidades de recursos, mas sim uma porcentagem justa para proteção. As melhores maneiras de proteger seus investimentos são:

Respeite seu perfil de risco:

Essa frase pode ser “chover no molhado” para muitos, mas é, se praticado seriamente, fator importantíssimo dentro dos seus investimentos. A economia comportamental se mostrou um campo de estudo valiosíssimo nos últimos anos e entender como se comportar durante diferentes momentos do mercado é importante.

Diversifique seus ativos de forma estratégica:

A diversificação está presente nos investimentos para nos ajudar. Entretanto, diversificação em si não é sinônimo de rentabilidade e gestão de riscos. É necessário uma diversificação em diferentes classes de ativos e também dentro da mesma classe de ativos ter uma diferenciação mais específica. Ela precisa fazer sentido!

A diversificação estratégica fará com que os ativos da sua carteira tenham uma correlação diferente entre eles. Assim, quando um ativo está indo mal, o outro está indo bem, mantendo a volatilidade e o rendimento da sua carteira em níveis aceitáveis. 

Uma carteira com renda variável precisa ter uma reserva em renda fixa. E esta parcela em renda fixa, por exemplo, precisa estar separada em diferentes tipos de ativos, como emissões bancárias, títulos de crédito corporativos, tesouro direto, diferentes remunerações e prazos e outros.

Invista em câmbio:

O investimento em câmbio com o objetivo de rentabilizar seus investimentos não é uma ideia muito aconselhável. É um mercado com muitas imprevisibilidades. Mas usar, por exemplo, a compra de dólares para proteger sua carteira é uma estratégia adotada por muitos investidores, inclusive em tempos de instabilidade política-econômica. Portanto, a quantidade de recursos destinados em câmbio ou ativos expostos a câmbio não deve ser grande.

O dólar ou qualquer outra moeda são ativos já conhecidos por proteção e ajudarão a proteger seus ativos em momentos de instabilidade política e econômicas mundiais e nacionais. Para entender a dinâmica especificamente do dólar, leia este artigo.

Pense no ouro:

O investimento em ouro é um dos meios mais tradicionais para servir como proteção à sua carteira. Ele é um instrumento de hedge comumente usado em diferentes ciclos econômicos e contextos. Historicamente, o ouro é negociado como moeda de troca e possui um valor intrínseco que se mantém até hoje.

Assim seu valor como moeda e reserva de valor fazem ele um ativo muito importante para proteção. Além disso, este ativo traz propriedades químicas, mercadológicas e de escassez que o valorizam dentro do mercado nos dias atuais. São inúmeras maneiras para investir em ouro, através de contratos futuros na bolsa, comprando a matéria prima fisicamente e por meio de fundos de investimentos.

Tenha um dinheiro em caixa:

Algumas pessoas acham que ter dinheiro em caixa, ou seja, disponível para uso rápido, é prejudicial para as carteiras de investimento. A grande verdade é que este recurso pode e deverá ser usado rapidamente para capturar oportunidades e bloquear ameaças temporárias, como uma crise. O recurso, que pode variar de 5% a 15% da carteira, é alocado em investimentos com alta liquidez com o objetivo de conseguir captar movimentos específicos. 

Ele ajudará o investidor a ter poder de ação e decidir com uma maior flexibilidade, sem ter que re-alocar outros ativos já presentes dentro da carteira.

Para concluir, a proteção da sua carteira é uma pauta importante ao decidir e montar um portfólio de investimentos. Ela ajudará a controlar a volatilidade e a administrar os riscos apresentados neste texto. Monte um time completo, com atacantes que voltam para marcar e zagueiros que sabem chutar ao gol e assim, seu time sofrerá menos nos diferentes campeonatos que joga. 

Não coloque todos os seus ovos em uma cesta

“Não coloque todos os seus ovos em uma cesta”. É uma expressão comum, mas você sabia que também é um conselho valioso ao investir? A diversificação – uma estratégia comum na construção de um portfólio – envolve investir em uma variedade de ativos, em vez de uma classe de ativos específica. A diversificação é muito importante para reduzir o risco do portfólio de investimento.

Como a diversificação reduz o risco?  

Colocar todo o seu patrimônio líquido em uma classe de ações ou ativos é um empreendimento arriscado. Se a classe de ações ou ativo não performar ou cair 50% (como nesses dias de COVID-19), isso poderá causar um tremendo dano à sua carteira de investimentos. Ao diversificar seu portfólio, você distribui seu patrimônio líquido por várias classes de ativos que funcionam em diferentes direções, limitando assim as flutuações no seu desempenho.

É possível diversificar seu portfólio em várias classes de ativos e dentro de classe. É possível investir em renda fixa, ações, câmbio, fundos multimercados e fundos imobiliários. Dentro de renda fixa, é possível ter no portfólio, ativos pós fixados, pré fixados e indexados à inflação. Em ação, pode se virar sócio de empresas de consumo, varejo, aviação, tecnologia, etc. E assim por diante.

O que importa é a correlação entre os ativos. Por exemplo, as ações tendem a ser negativamente correlacionadas com o dólar e o ouro. No caso de uma correção no mercado de ações, esses ativos devem fornecer equilíbrio ao seu portfólio e potencialmente compensar perdas. Quando você combina ativos que têm correlações negativas, tende a ser benéfico e reduz o risco final do portfólio.

Por que é importante diversificar os investimentos  

Alguns investidores tendem a comprar ativos que tiveram um bom desempenho; essa é a mentalidade clássica de “perseguir retornos”. No entanto, é importante não se envolver nessa tática, porque os vencedores do ano passado costumam ser perdedores do ano seguinte. Em um ano, as ações internacionais poderiam ser o ativo com melhor desempenho, mas poderiam ser o ativo com pior desempenho no próximo ano. Ou até mesmo a pior classe em determinado período.

A diversificação pode colocá-lo em melhor posição para suportar quedas no desempenho e, portanto, manter o curso enquanto trabalha para alcançar seus objetivos financeiros. Dessa forma, se seu portfólio estiver exposto em um ativo que apresentar um desempenho ruim, você não será obrigado a vender baixo e aceitar grandes perdas.

Resumindo  

A alocação adequada de ativos é vista como fundamental para se tornar um investidor de sucesso. É por isso que diversificar seu portfólio pode ser tão importante: ajuda a compensar ativos com desempenho insatisfatório, para que você não seja obrigado a vender baixo e a sofrer perdas prejudiciais que afetam seus objetivos financeiros. Em vez disso, a diversificação permite absorver melhor quedas razoáveis no desempenho e manter o curso com seus investimentos, para que você tenha uma oportunidade melhor de atingir seus objetivos ao longo do seu horizonte de investimento.

Sua atitude nos momentos de crise e o reflexo no futuro de suas finanças

Estamos no meio de uma crise econômica mundial, uma das mais críticas da história, e que pode se tornar a pior delas pois ainda não acabou!

Mas neste artigo não vamos falar sobre cenário, política, COVID-19… vamos tratar apenas do comportamento dos investidores diante as tempestades no mercado.

Antes de ir direto ao ponto quero contar um pouco do que aprendi com as pessoas de maior sucesso financeiro que eu tive o prazer de conhecer, e observe que eu disse sucesso financeiro, pois nem sempre este vem acompanhado do sucesso profissional ou pessoal.

Assim como as pessoas de sucesso profissional ou pessoal não necessariamente alcançaram o seu sucesso financeiro, portanto é fato que ele não está relacionado aos demais, por isso as atitudes que esses “seres iluminados” tiveram com relação as suas finanças ao longo de suas vidas fizeram deles pessoas com grandes patrimônios.

Na maioria dos casos são de pessoas com mais de 50 anos e que iniciaram sua trajetória financeira de forma bem simples mas sempre com muita disciplina, objetivos bem definidos, certas vezes aprendendo com os tombos que a vida lhes deram, mas que hoje tratam os investimentos financeiros com muita maturidade. E isso me chamou muito a atenção.

Eles vivenciaram uma época em que o principal investimento financeiro era a poupança, e a poupança mesmo no auge de sua rentabilidade jamais deixou qualquer poupador no mínimo rico. Então eles somente conseguiram construir seus patrimônios através da aquisição de ativos que pudessem lhes trazer um melhor retorno, apurado entre o valor que os compraram e o valor da venda.

E é exatamente nesse tema que vamos focar nesse artigo: compra e venda.

O que podemos aprender com o sucesso deles?

Observei que todos tiveram a disciplina de poupar parte da sua renda ao longo de suas vidas, e somente após certa quantia acumulada começaram a diversificar parte desse recurso comprando ativos que pudessem valorizar mais do que o a caderneta de poupança. Já foi possível identificar nesse exemplo que todos 1- Sempre mantiveram uma reserva para imprevistos, a tão falada (e importantíssima) reserva de emergência dos dias atuais.

O próximo ponto foi a tomada de decisão em relação ao que comprar. Observei pelas histórias que nenhum deles comprou nada por impulso, 2-estavam capitalizados e poderiam comprar no momento mais oportuno; e 3-tinham um mínimo de conhecimento dos riscos que corriam, estavam com objetivos definidos e principalmente 4-não tinham prazo para se desfazerem de suas aquisições, afinal de contas em cada novo negócio estavam investindo anos e anos de reservas, aquilo tinha que dar certo!

Em nenhum caso as fortunas foram construídas em menos de 20 anos, e em nenhum deles os investidores se desfizeram de suas aquisições antes de 5 anos, a não ser para dar um salto ainda maior.

Agora trazendo para os dias atuais, em meio a toda essa turbulência de mercado que estamos vivendo, se você possui a sua reserva de emergência, tem uma parcela do seu capital que está arriscando em outros ativos para obter um melhor retorno, conhece os riscos desse mercado (como exemplo um investimento que pode render +10% em um único mês também pode ficar negativo em -10% no outro), não tem prazo definido para utilizar esse recurso, você não tem motivos para ficar sem dormir!

Falando especificamente de bolsa de valores, ela nada mais é do que um comércio onde de forma organizada compramos partes de grandes empresas, e como todo comércio a regra é clara: precisa dar lucro, senão quebra! E o lucro nesse caso, para o investidor, é simplesmente a diferença entre o valor que você comprou e o valor que você venderá. Simples assim!

“Mas a bolsa é extremamente arriscada!”

Quem disse que aquelas pessoas, lá no passado quando compraram um imóvel por exemplo, sempre tiveram ofertas de venda por preços acima do que eles pagaram?

Eles simplesmente esperam a hora certa de vender para depois comprar novos. Sem imediatismo! Pode ser porque não tinham uma tela piscando em sua frente o dia todo mostrando qual o valor do seu imóvel naquele exato momento, caso quisessem vender, oscilando entre “ganhos e perdas”. Reforço aqui que em ambos os casos, imóvel ou bolsa de valores, ganho ou perda só serão concretizados após efetivar a venda. Eles também passaram por algumas crises no passado e quando pergunto o que fizeram no momento 5-todos disseram que sempre surgia uma boa oportunidade e aproveitavam… muita coincidência não? risos

Costumo utilizar um exemplo muito prático nas minhas conversas com investidores. Pergunto a eles: Quanto vale o seu carro? Exemplo 70mil reais…

Eu o compro agora, pago 28mil! A resposta: Você está louco!

Eu insisto: Mas eu te pago a vista! Transfiro o dinheiro nesse momento para sua conta.

Dai escuto o que eu quero ouvir: Mas eu não preciso vender ele agora, muito menos por esse preço.

Então, se com o seu carro você não comete essa loucura, por que cometeria com seus investimentos? Só porque o mercado está oferecendo pouco pelos seus ativos naquele momento? Por que você se desespera a ponto de cometer esse suicídio financeiro?

Estamos direcionando esse artigo para investimentos em bolsa, mas como disse antes, essa regra vale para qualquer negociação. Basta você comprar caro e vender barato por algumas vezes consecutivas que você irá quebrar! Isso é fato. Independente do que esteja comprando e vendendo.

Por último quero usar um exemplo de finanças comportamentais que deixa bem claro que, quando ampliamos o horizonte de nossas decisões elas são muito mais assertivas.

Se oferecermos a um grupo de pessoas, meia caixa de bombom hoje ou uma caixa de bombom daqui uma semana, a maioria dirá que prefere meia caixa de bombom hoje! (atitude imediatista)

Reformulamos a pergunta para o mesmo grupo ampliando o prazo: Vocês preferem meia caixa de bombom daqui um ano ou uma caixa de bombom daqui um ano e uma semana?

Observe que o intervalo de entrega entre as caixas permanece o mesmo, uma semana, mas como o horizonte de decisão passou a ser daqui um ano, a maioria disse preferir a caixa inteira.

Vamos trazer esse comportamento para um exemplo prático do que aconteceu hoje 12 de março de 2020. O preço de fechamento das ações preferenciais das Petrobras S/A nesse pregão foi de R$12,60 (PETR4).

Exatamente um mês atrás, no dia 13 de fevereiro, a mesma ação teve seu preço de fechamento em R$29,72.

Eu te pergunto primeiro: conhece a Petrobras? Dispensa comentários.

Se você comprasse hoje ações dessa empresa, no valor de R$12,60 e essas ações voltassem a subir até R$25,20, teríamos uma valorização de +100%.

Mas quando isso vai acontecer? Quanto tempo vai durar essa crise? Ninguém sabe!

Pode ser que dure um mês? Quase impossível.

Dure uns 06 meses? Pouco provável.

1 ano? Acredito que até lá já tenhamos vencido a guerra contra o COVID-19 mas talvez o mercado não tenha se recuperado.

2 anos? Talvez sim. O histórico de outras crises já nos leva a acreditar nessa possibilidade.

3 anos? Nesse caso as chances do valor da ação voltar para “pelo menos” R$25,20 (bem abaixo do preço justo) já são muito grandes. E observem, quando esticamos o prazo, as chances de termos sucesso aumenta consideravelmente, e lembrem-se, estamos falando de 100% de valorização!

Hoje, qual investimento no Brasil poderá te oferecer um retorno de 100% em 03 anos?

Ok, mas algo pode dar errado e a ação não se valorizar nesse período. Então te pergunto: Qual a chance da ação da Petrobrás estar valendo em fevereiro de 2023, menos do que o valor atual de R$12,60? Também mínima certo? Mas se mesmo assim isso acontecer até lá, não tem problema, é só não vender! Afinal, não conheci ninguém até hoje que fez fortuna em apenas 03 anos!

O impacto do coronavírus nos seus investimentos

Após um longo feriado de carnaval no Brasil, o mercado financeiro retomou suas atividades no vermelho, com o Ibovespa fechando o pregão nesta quarta-feira de cinzas com queda de 7%. 

Este é o reflexo de dois dias fechados para negociação, enquanto o mundo morria de preocupação com o coronavírus se alastrando por países de ásia e europa. O que começou como uma preocupação apenas chinesa, se tornou um problema mundial em meados de fevereiro e agora o mercado definitivamente entrou em pânico com a doença se alastrando mundialmente. 

O investidor que vê o mercado caindo deste jeito pode acreditar que houve alguma quebra de fundamento e que a tese de investimento agora é outra. Mas calma lá, não é assim que a banda toca…

Impacto na economia

Certamente o coronavírus deverá trazer impactos para a economia mundial. Este fato, que antes era um dúvida, passou a ser praticamente uma certeza. A dúvida agora é estimar qual será o real impacto e se o crescimento mundial está ameaçado durante todo o ano de 2020 ou se isso trará impactos apenas no primeiro trimestre. 

A verdade é que a epidemia já causou estragos na economia chinesa. O tráfego em estações de metrô, aeroportos e shoppings despencou a um patamar inimaginável. A economia chinesa sofrerá bastante ao longo do próximos meses para se recuperar deste tombo. 

Com a China não é uma ilha, apenas o fato de a epidemia ter causado estragos na economia chinesa já seria um ponto de preocupação para o restante do mundo, uma vez que as relações comerciais diminuem em momentos assim. Se a produção chinesa paralisa, o resto do mundo é afetado.

A questão neste momento é que países como Coréia do Sul, Irã e Itália também registraram diversos casos da gripe ao longo dos últimos dias, o que espalhou medo pelo mercado. 

A primeira leitura no surgimento da doença, no final do mês de janeiro, é que o mercado em geral se recupera rápido destes tipos de surtos. E a primeira onda foi justamente isso, uma queda com rápida recuperação dos mercados. 

O principal motivo para isso foi a crença de que as autoridades chinesas se moveriam rapidamente para conter a doença e eliminá-la sem que a mesma pudesse se tornar uma pandemia. 

As coisas caminharam relativamente calmas ao longo de fevereiro, com casos esporádicos ao redor do mundo, mas nada que causasse muito medo. 

O panorama, no entanto, se provou demasiadamente diferente do imaginado. Enquanto o brasileiro pulava carnaval, o mundo se chocava com milhares de casos sendo registrados também fora das fronteiras chinesas. 

O vírus se mostrou forte o suficiente para passar a alarmar também os países ocidentais e quando isso acontece, o mercado para de ignorar e isso causou o grande sell-off que enxergamos nos últimos dias. 

Com tudo isso, diversos voos foram cancelados, hotéis foram isolados e fechados para novas reservas e mais algumas cidades ao redor do mundo passarão a funcionar em modo de emergência, até que seja possível o retorno às atividades normalmente. 

Veja que estou sim considerando que o coronavírus irá impactar a economia global. 

Se um vírus para os países do sudeste asiático e da Europa, ele influencia todo o comércio global. Quem está dizendo isso é o FMI, que já reduziu a projeção de crescimento mundial em 2020 de 3,3% para 3,2%. 

Agora, é importante ressaltar também que as autoridades não ficarão paradas esperando que uma solução apareça de repente. Diversos países já anunciaram estímulos econômicos, seja através de quedas de juros ou injeção direta de dinheiro na economia.

Essas medidas buscam salvar o ano de muitos países ainda no primeiro trimestre. 

Enxergamos recentemente o título público de 10 anos dos EUA caindo de 1,47% para 1,35%, dado o aumento de demanda que houve. Ora, se existe uma crise mundial, o mais racional é realmente partir para o lugar mais seguro do mundo economicamente falando, que é os EUA. 

O reflexo do coronavírus

Antes do coronavírus surgir no final do mês de janeiro, existiam algumas narrativas críveis para as situações econômicas de diversos países no mundo. 

Uma dessas narrativas diziam que os EUA haviam encerrado seu corte de juros e o foco passaria a ser somente as eleições presidenciais que ocorrem em novembro. A Europa por sua vez, seguia em sua lenta tentativa de tirar sua economia do buraco. 

Depois dos fatos que aconteceram, a narrativa passou a ser bem diferente, com pacotes de incentivos sendo oferecidos por governos europeus de forma mais contundente. 

Além disso, já existe gente importante projetando dois cortes adicionais na taxa de juros americana pelo FED. 

Faz sentido. Donald Trump não pode de forma alguma ver sua economia declinando tão próximo à sua reeleição. Não serão poupados esforços de sua parte para que o crescimento continue. Não pode ser descartado, além deste incentivo monetário através dos cortes de juros, também um incentivo fiscal da economia americana. 

Se no futuro próximo tivermos dois cortes na taxa de juros pelo FED, haverá um fluxo de dinheiro saindo dos EUA e indo para a Europa, onde existirão taxas mais atrativas em títulos de dívida privada. Esse fluxo maior de capital para a Europa tem o potencial de reacender sua economia, sem que isso prejudique os EUA, que tem um saldo gigantesco de rentistas internacionais que não o interessa muito. 

Some a isso os estímulos já prometidos pelos governantes europeus, podemos ter uma boa saída para a economia ocidental em 2020. 

Não é motivo de comemorar, não dá para dizer que vai acontecer, mas também não é o fim do mundo. As coisas podem se desenrolar para um lado positivo. 

E o Brasil

Assim como a China não é uma ilha, a característica também se estende ao Brasil. O impacto nas relações comerciais devem sim afetar, mesmo que minimamente, terras tupiniquins. 

Os principais afetados deverão ser as empresas aéreas e as exportadoras, como commodities e frigoríficos. 

Como o coronavírus se tornou um problema global, perto de se tornar uma pandemia, as viagens devem diminuir bastante nas famílias brasileiras. A crise mais séria na China também diminui a atividade industrial, forte importadora de commodities, em especial as mineradoras e siderúrgicas. 

Ademais, mesmo que tenhamos tido hoje (26), a confirmação do primeiro caso de paciente infectado no Brasil, as coisas tendem a não mudar muito, por enquanto. 

O panorama ainda segue tranquilo nas américas e os EUA estão passando relativamente intactos por esta crise. Inclusive, se realmente se materializar as quedas de juros nos EUA, teremos um cenário extremamente positivo para o Brasil, que verá seu diferencial de juros aumentar novamente em relação aos Estados Unidos. 

A tese estrutural permanece intacta por aqui. Ainda gostamos bastante de bolsa e juro longo, que paga um excedente de IPCA bem atrativo em títulos do governo e corporativos. 

O crescimento de lucro corporativo no Brasil pelos próximos dois anos tem potencial para ser algo próximo de 20%, enquanto nossa média é de crescimento de 10% ao ano e no restante do mundo esta medida fica na banda entre 7% e 9%. 

Ainda acreditamos fortemente na recuperação do grau de investimentos até o final de 2021. O selo dado pelas agências de riscos é game changers na relação que o país terá com o investidor estrangeiro e o desenvolvimento do mercado de capital como via de financiamento privado. 

Uma queda de 7% na bolsa assusta, mas não machuca. Já era o esperado. O melhor a se fazer no momento é aguardar. A crise do coronavírus não atrapalha em muita coisa a visão de longo prazo. 

E acredite, há de se acreditar em olhar apenas o longo prazo. Ganhar dinheiro em prazos dilatados já não é a coisa mais fácil do mundo. Fazer isso no curto prazo então, é quase impossível e se reserva apenas a uma porcentagem ínfima da população. 

Conclusão

Dito tudo isso, é importante acalmar os nervos e não apertar o botão de venda no home broker ou mesmo pedir para que seu broker faça isso por você. 

O momento é de ter calma e enxergar acima do curto prazo. Se houver algum novo fato que mude o call estrutural, estaremos aqui para informá-lo. 

Por ser um crise aguda e estarmos no meio da tempestade, também não é a hora de aproveitar a queda para comprar mais. É um momento de mais cautela, de saber que a bolsa ainda pode esticar mais para baixo, antes de voltar a subir. 

Por fim, gostaria de retomar aqui um trecho de uma publicação do dia 19 de dezembro: 

“Olha, é muito otimismo, inclusive para mim. É até provável que de tudo que falei acima, algumas coisas não se mostrem verdadeiras, mas nada que atrapalhe a tese. 

Mas se algo inesperado ocorrer a ponto de anular a tese de investimentos, é necessário que estejamos preparados. Por conta disso sugiro uma alocação de 5% em ativos que nos protegem em um cenário que as coisas saiam dos trilhos.”

Na ocasião, eu falava sobre a importância de se ter 5% da carteira em proteções como ouro, dólar e opções de venda. Os três serviriam igualmente, de modo que o melhor seria ter um pouco de cada. 

Na época ainda não havíamos tido crise entre EUA e Irã ou Coronavírus. E não estou vindo aqui falar para me gabar de ter acertado tais eventos. Até porque seria impossível acertar isso, visto que foram cisnes negros. Os especialistas em conflitos geopolíticos e os melhores cientistas do mundo não teriam acertado também. 

Cisnes negros, por definição, são impossíveis de se prever. E eu não consigo te dizer se teremos outro até o final de 2020. Mas e se tivermos? 

Quem seguiu a risca e alocou 5% do portfólio em dólar, ouro e puts de Ibovespa, certamente sofreu menos em um dia como hoje. 

E quem garante que não teremos outros dias como hoje ao longo do ano? As proteções são muito importantes para um portfólio equilibrado. Mas não adianta pegar o telefone amanhã pela manhã e pedir para que seu assessor ou private banker compre proteções para você. 

A oportunidade, dessa vez já passou. O ouro e o dólar tiveram altas gigantescas ao longo da últimas semanas, a ponto de não mais justificar alocação nestes ativos no curtíssimo prazo. 

Mas pode acreditar que novos problemas globais acontecerão. Quando menos esperarmos, acordaremos com alguma manchete bombástica que irá nos fazer assistir a uma queda vertiginosa da bolsa. Da próxima vez, você também estará preparado?

As duas taxas de juros do Brasil e a nova era dos juros baixos

Os juros tiveram sua definição debatida na teoria econômica durante muitos anos, desde os neoclássicos relacionando-os à produtividade marginal do capital até Keynes entendendo juros como uma recompensa pela renúncia a liquidez. Para fins práticos, é satisfatório aqui entender juros como uma remuneração recebida por quem empresta o dinheiro. A definição parece simples, mas os fatores que compõe o cálculo desses juros são bem mais amplos.

Com taxas de juros altíssimas, o Brasil se acostumou a ser alvo do capital especulativo, o chamado carry trade, no qual elementos internacionais captavam recursos em outros países a taxas baixas e os aplicavam nos juros brasileiros a fim de ganhar um spread de juros. É um tipo de capital que pouco coopera com a produtividade interna do país.

O cenário mudou. O Brasil entrou em uma situação econômica de estabilidade de inflação e juros que nunca havia passado antes. A Selic foi paulatinamente sendo cortada dos estratosféricos 14,25% para os atuais 4,5%, seguindo a queda da inflação que chega abaixo dos 4%.

O novo patamar de juros está animando empresários, estimulando o comércio e provocando os poupadores, sugerindo uma revisão de suas carteiras de aplicações financeiras. Mesmo assim, muitos ainda permanecem na dúvida se os baixos juros vieram para ficar ou se a situação econômica do país ainda é instável o suficiente para se fazer afirmações mais assertivas.

Selic

Vamos aos fundamentos. Abaixo é destacado alguns dos principais motivos que mantiveram os juros brasileiros nos altos níveis históricos e as mudanças que vem ocorrendo e impactando na trajetória desses juros inclusive no longo prazo.

Primeiro, temos a conjuntura econômica brasileira com inflação controlada em baixos níveis históricos e com projeções de se manter em baixos níveis nos próximos anos. Segundo o economista Alexandre Schwartsman, que traçou alguns cenários possíveis para câmbio, juros e inflação e a interação entre essas variáveis, parece ainda haver espaço para mais queda na Selic no início de 2020, apesar de poder ter uma leve alta em 2021.

Nessa conjuntura também pode-se destacar a forte desaceleração no aumento dos gastos públicos que também pressionam os juros para cima.

Segundo, temos uma grande concentração bancária no Brasil, e como qualquer mercado com baixa concorrência, a tendência é o aumento de preço (entenda-se aqui, juros) para o consumidor (tomador). Segundo dados da Economatica, a relação entre rentabilidade e patrimônio dos bancos brasileiros nas últimas duas décadas caminhou na faixa dos 20%, enquanto o de bancos americanos iniciaram o mesmo período pouco abaixo dos 20% e mantem-se desde 2007 abaixo dos 8%.

Essa alta lucratividade dos bancos brasileiros tende a desacelerar com a maior abertura da economia e novos concorrentes surgindo no mercado, disponibilizando os serviços bancários de forma mais eficiente e barata.

Taxa média de juros de empréstimos bancários

Fonte: Banco Mundial

Outro fator, são os depósitos compulsórios elevados. Os depósitos compulsórios no Brasil são historicamente altos, muito maior do que os das maiores economias do mundo. Essa medida visa principalmente reduzir a liquidez na economia, e como consequência estimula a alta dos juros bancários, uma vez que os bancos têm grande parte de seus recursos congelados no Banco Central.

Para manter sua lucratividade com os empréstimos e disponibilizando de um menor montante de capital, acabam tendo que elevar os juros aos tomadores. Soma-se a isso também a alta carga tributária auferida aos bancos que a repassam no custo dos juros.


Com a economia caminhando para estabilidade, desde 2017, o Banco Central de Ilan Goldfajn, iniciou a redução dos depósitos compulsórios. Essa tendência vem sendo seguida até hoje com as medidas mais liberais de Guedes, e liberando mais crédito para a economia de forma sustentável.

Em meados de 2019, o BCB soltou a nota: “a redução estrutural dos compulsórios é uma das ações da Agenda BC#, parte do pilar de eficiência de mercado.”  Pretende-se que o aprimoramento do uso dos instrumentos financeiros permita que o BCB trabalhe permanentemente com níveis de compulsórios mais baixos no futuro.

E um dos fatores mais importantes a ser destacado na mudança da tendência dos juros brasileiros é a existência de créditos subsidiados em grande escala.

Temos duas importantes taxas de juros no Brasil, uma é a conhecida Selic e a outra, nem sempre destacada, a taxa do BNDES (TJLP). A importância desta segunda se dá pelo impacto que causou na Selic nos últimos anos. Uma vez que se trata de juros subsidiados que, portanto, beneficiam determinada classe, chamados também de os “amigos do rei (governo)”, acaba por trazer custos que são repassados para o resto da população através do aumento da taxa Selic.

Por isso, ao tentar combater a inflação com o aumento dos juros Selic a eficiência da política monetária fica comprometida e, dentre outros motivos, acabamos tendo alta inflação mesmo com altos juros.

Segundo o estrategista-chefe da XP Investimentos, Karel Luketic, se não fosse a taxa subsidiada do BNDES, a Selic que era 14% a.a deveria ter sido, na verdade, em torno dos 9% a.a. É uma diferença gritante que veio onerando a produtividade e o crescimento do país, além de impulsionar a dívida pública. Para se ter uma ideia os juros para financiamento de jatos executivos chegaram a apenas 4% anual.

No histórico comparativo entre a TJLP e Selic, segundo dados do Banco Central, tivemos momentos de grandes diferenças entre estas. Em 2014, a TJLP encerrou o ano nos 5% a.a. e a Selic já avançava para além dos 11%. Hoje, com a Selic bastante reduzida temos a TJLP (atual TLP) em 5,09% a.a. Menos benefícios, significa menos repasses de custos e distorções econômicas. Os benefícios não devem ser totalmente excluídos, mas melhor planejados e bem direcionados.

Por fim, um dos objetivos agora é atrair capital investidor que estimule a produtividade interna. O Estado de São Paulo publicou recentemente que o governo chinês deve voltar a aumentar os investimentos no país, para faixa de US$7 bilhões em 2020, principalmente em infraestrutura, um dos sinais de que o Brasil está mais atrativo para esse tipo capital, seguindo a mudança de perspectiva da agência de rating S&P para o Brasil de estável para positiva, apesar de ainda não termos voltado ao grau de investimento.

Em outubro de 2019, segundo o Banco Central, as despesas do governo com juros da dívida atingiram o menor nível em 5 anos, 4,96% do PIB. Somando a reforma da previdência, redução dos juros e devolução de recursos pelo BNDES, o governo deverá economizar cerca de R$ 96 bilhões de reais em 2020, de acordo com o ministro Paulo Guedes.

Isso é apenas um dos indícios de um novo círculo virtuoso da economia brasileira. A abertura da economia com descentralização estatal e aumento da concorrência, são mudanças estruturais que vieram para ficar, praticamente irreversíveis, que gerarão benefícios ao país e a população por muitos anos. São mudanças que cooperam para manutenção de juros mais baixos.

Quem sempre esteve acostumado com a renda fixa brasileira terá que olhar para horizontes mais amplos e diversos de investimentos. E isso é uma saudável mudança de hábito que ajudará o brasileiro a aproveitar melhores oportunidades além de cooperar mais como capital produtivo em empresas e empreendimentos.

Entendendo os títulos de crédito privado

Em um ambiente de taxas de juros baixas, os títulos de renda fixa de emissão corporativa ganham um papel importante dentro desta classe de investimentos. Isso é um fato que é observado em países desenvolvidos, onde o histórico de juros baixos é bem mais longo, possibilitando a observação empírica desta tendência. 

Grandes corporações brasileiras historicamente buscaram a emissão de dívida no exterior, visto que as taxas cobradas lá fora eram mais baixas do que em terras tupiniquins. 

A história mudou e diversas empresas estão quitando suas dívidas lá fora e realizando novas emissões no Brasil. Isso é um bom sinal, principalmente para o investidor de renda fixa, que passa a ter um leque de opções muito maior para investir. 

Os principais títulos de crédito privado que existem e chegam ao investidor são as debêntures, CRIs e CRAs. 

Remuneração

O primeiro ponto a se entender nos títulos de crédito privado é a forma de remuneração. 

Ao se investir em títulos soberanos, como o tesouro direto, o investidor mitiga todos os riscos possíveis e aplica na classe de ativos mais segura disponível, que só corre o risco soberano. 

Em pouquíssimas ocasiões na história vimos um país dar calote na dívida interna, então teoricamente o investidor está colocando seu dinheiro em um ativo livre de risco, que oferece uma determinada remuneração, dados os devidos prazos de vencimentos e demais características. 

Em um título de crédito privado, o emissor não é o governo e sim uma empresa não financeira. Essa empresa corre diversos riscos que a união não está submetida, como o risco de crédito (lembre-se que assumimos que o governo não dará calote), risco de mercado, como o surgimento de um novo concorrente para a empresa que emitiu a dívida, dizimando-a e fazendo-a perder diversos clientes; dentre outros riscos. 

Por conta destes riscos que a empresa corre e o governo não, o investidor exige uma remuneração maior do que se fosse emprestar dinheiro ao governo. Isso é algo lógico, visto que os riscos de uma empresa falir é maior do que o risco de o governo falir, por exemplo. 

Esta remuneração adicional que o investidor exige para adquirir um título de dívida privada é chamado de spread de crédito. Você já pode ter ouvido que o spread de crédito está se fechando ou abrindo. 

Se o spread está fechando, isso quer dizer que o mercado está exigindo uma taxa menor e se o spread está abrindo, isso significa que as novas emissões estão vindo com uma taxa maior. 

Vale dizer que “o mercado está aceitando” e “o investidor está exigindo” são sinônimos, visto que toda emissão nada mais é um acordo entre empresa e investidor de que eles concordam com as taxas que estão sendo emitidas. 

Quanto mais arriscada o mercado observar ser essa operação de emissão de dívida, maior será a taxa exigida. Grandes empresas têm seu status de boas pagadores, visto que dificilmente são ameaçadas. Neste caso, chamamos os títulos de High Grade, visto que eles são títulos que são avaliados como grau de investimento pelas agências de risco. 

Os títulos high grade apresentam uma remuneração pouco acima do que é observado no tesouro direto. 

Ao passo que as operações vão ficando mais arriscadas, com um prazo de duração maior, com emissores menores, que são mais suscetíveis aos riscos de mercado, a remuneração vai aumentando. 

As operações com maior risco são classificadas como High Yield, justamente por apresentarem uma remuneração maior. 

Um conceito que é extremamente importante de ser entendido, é que todos os títulos de renda fixa tem um valor de face que em geral é de R$1.000,00. Isso é uma convenção e é utilizado mundialmente. 

Valor de face é o que o investidor receberá no final do investimento. Assim sendo, se o investidor decidir comprar 25 unidades de um determinado título, ele irá receber ao final do seu período de investimento a quantia de R$25.000,00. 

A remuneração é dada a partir de quanto o investidor irá pagar neste título para comprá-lo. Imagine que a Localiza está emitindo uma dívida com prazo de vencimento de um ano, com juros de 10%. 

Se você decidir investir neste título, você estará comprando o mesmo por R$909,09, que aplicados 10%, resultará em um valor de R$1.000,00. 

Portanto, quanto maior o preço a ser pago no título, menor será a remuneração, visto que o montante final será de R$1.000,00. Ao passo que se o preço cai, o rendimento aumenta. 

Esta dinâmica é extremamente importante por conta das operações no mercado secundário. 

Crise em títulos de renda fixa?

No segundo semestre de 2019 observamos um fenômeno novo no mercado. Diversos fundos de investimento de renda fixa em crédito privado apresentavam cotas negativas diariamente. 

Vale dizer que a CVM obriga que os fundos divulguem diariamente as suas cotas, que nada mais seria do que a soma de todos os seus ativos segundo o preço que o mercado está dando. 

Esse fenômeno aconteceu pois muitos fundos detentores destes títulos precisavam vendê-los a qualquer custo, jogando o preço para baixo, no conhecido mecanismo de oferta e demanda. Se a oferta é muito alta, o preço cai. 

Os fundos precisavam se desfazer desses títulos, pois seus cotistas estavam pedindo resgate. Para pagar estes resgates, os gestores venderam estes papéis a qualquer custo para que pudessem devolver o dinheiro. 

Como vimos, quando o preço cai, a remuneração aumenta. Pudemos observar diversos títulos de bons emissores pagando taxas relativamente altas, justamente porque alguém precisou se desfazer deles. 

O motivo de resgates massivos é que com as quedas de juros, diversos investidores passaram a não mais ficar satisfeitos apenas com a renda fixa, que passou a oferecer rendimentos muito baixos comparados ao passado. 

Isso fez com que diversos deles solicitassem resgates. Como os ativos investidos por esses fundos não são tão líquidos, eles tiveram de se desfazer a qualquer custo, jogando os preços para baixo. 

Como o movimento foi muito grande, as cotas passaram a ficar negativas, pois o preço estava abaixo dos preços do dia anterior. O que aconteceu foi uma reação em cadeia que machucou bastante vários fundos de crédito privado. 

Isso causou um segundo movimento, que foi uma onda de cotistas que não estavam necessariamente insatisfeitos com o retorno desses fundos, mas ficaram tão assustados com um fundo de renda fixa rendendo negativo, que decidiram por sacar também, colocando ainda mais pressão nas gestoras para pagar resgates. 

Esse segundo movimento também derrubou muita gente e bilhões de reais foram pagos em resgates. 

Oportunidade

Essa onda de títulos de crédito privado no mercado fez com que seus preços caíssem, fazendo então que a taxa aumentasse. 

Gestoras que tinham dinheiro em caixa puderam aproveitar ótimas oportunidades de se beneficiar com isso e comprar das outras gestoras desesperadas, títulos high grade com um retorno substancialmente acima do normal atualmente. 

É por isso que ouvimos no noticiário nos últimos meses que o spread de crédito se abriu. Como a taxa aumentou, o spread entre título de crédito e o tesouro direto também aumentou. 

Olhando pelo lado técnico, fazia sentido a abertura do spread apenas se a condição geral de bons pagadores dos emissores de títulos tivesse piorado nos últimos seis meses. O que aconteceu, na verdade, foi o contrário. 

Com o país se recuperando da crise e a economia voltando a esquentar, a saúde financeira das empresas melhorou, o que corrobora com um fechamento do spread de crédito e não uma abertura.

Conclusão

É sempre importante também ter atenção ao critério de remuneração do título. Hoje em dia não é mais interessante adquirir títulos que sejam em percentual do CDI. É sempre melhor ter preferência em CDI+ ou IPCA+.