Desafios da maternidade em tempos de home office

Passamos por um momento único na história, nunca imaginado, e com ele temos  improvisado para manter um pouco a rotina no dia a dia. Para nós, mulheres, com uma vida profissional ativa, que já acumulávamos muitas funções, não tem sido fácil conciliar a vida familiar e trabalhar em casa. Tudo é novo, principalmente, em países como o nosso, onde a cultura do home office não estava estabelecida.

Vemos as escolas se reinventando, ao criarem a modalidade EAD para as crianças. As mães se desdobram para conseguir com que os filhos menores se adaptem ao novo formato. Além disso, apesar de algumas profissões propiciarem o trabalho em home office, a cobranças por resultados estão mais incisivas em algumas empresas, um desafio para todos,  principalmente para as mães trabalhadoras!

Nós, mulheres, somos 44% da população formal empregada, segundo dados do Ministério da Economia (2016). Somos maioria quando falamos de profissionais com nível superior completo e ainda damos conta da casa e dos filhos.

Dados divulgados em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que as mulheres realizam serviços domésticos durante 18,5 horas por semana, em comparação com 10,3 horas semanais gastas pelos homens com a mesma atividade.

Atualmente, nós que escrevemos este artigo, trabalhamos no mercado financeiro como AAI – Agente Autônomo de Investimentos e somos privilegiadas. Não sofremos com a desigualdade de salário. Somos minoria em número de profissionais, mas com igualdade de projeção de remuneração.

A meritocracia é um ponto muito forte da nossa profissão. Recebemos de acordo com nosso potencial de relacionamento, planejamento, estratégia, produtividade, brilho nos olhos, enfim, do tamanho do nosso sonho. Vemos que o mesmo serve para os homens da nossa profissão, isso é mágico! Estamos inseridas numa classe que não vive a triste realidade acima citada.

Vemos todos os dias o quanto as mulheres são influentes nas decisões familiares, responsáveis pelo orçamento da casa, só no quesito de chefiar famílias, tivemos um crescimento de 822% num período de 15 anos, onde passamos do número de 339mil para 3,1 milhões no período de 2001 a 2015.

O interesse delas pelos assuntos econômicos, também cresceram muito, 280% no tesouro direto (perfil mais conservador, buscando segurança) e dos 150 mil CPFs na bolsa de valores, esse número dobrou entre os anos de 2018 e 2019, indica relatório da B3.

Ainda no mercado financeiro temos vários nomes na gestão de fundos, como Sara Delfim da Dahlia Capital, grandes economistas como Zeina Latif, traders como Camila Bakari – (um mundo, ainda, extremamente masculino) e à frente de grandes bancos, inclusive aqui na XP, quem não ouviu falar da Betina Roxo – analista de research ou Ana Laura Magalhães, a Explica Ana?

Portanto, o dia das mães nos traz uma reflexão: será que não estamos querendo ser super mulheres? O confinamento colocou uma lente de aumento na desigualdade de gênero e na sobrecarga que atinge a vida das trabalhadoras.

Somos aquelas que se preocupam com tudo a todo o tempo. Isso nos traz muita ansiedade e frustração por estarmos focadas, priorizando a todos, para que se mantenham saudáveis. Nós nos reinventamos visando a felicidade comum. Não damos conta de que esquecemos de nós mesmas, que ninguém consegue fazer tudo sozinho, e  está tudo bem assim!

Manter uma rotina para facilitar o dia a dia para você e sua família é necessário em tempos de pandemia. Assim, todos se programam, sabendo que devem fazer no decorrer do dia.

Apesar de sermos solicitadas pelas crianças de forma diferente, de acordo com a idade, manter o equilíbrio entre trabalho e os filhos pequenos é desafiador. Elas não entendem bem o que está acontecendo, mas… seguimos firmes na rotina!

Para as mulheres que possuem companheiros em casa, revezar os momentos entre a educação e brincadeiras com as crianças é um bom caminho. Assim, todos conseguem trabalhar, mantendo o vínculo mais próximo nesses momentos.

Os afazeres domésticos precisam, e devem, ser compartilhados entre todos os membros da família. Dessa maneira, não sobrecarregaremos ninguém, apesar de sabermos que a maioria dos homens não contribuem muito para as tarefas do lar. Por fim, e não menos importante: não deixe as coisas muito bagunçadas, pois você terá trabalho em dobro depois.

 Respeitemos os nossos limites e tenhamos em mente que cada momento precisa ser vivido em seu tempo e da melhor forma, para conseguirmos aproveitar ao máximo deles. Manter o equilíbrio emocional faz a diferença nesses momentos; ler boas notícias, bons livros, meditar, praticar exercícios físicos, cuidar da aparência, fazer uma prece, amar e receber amor.

Acima de tudo, praticar a “EMPATIA” nesse momento delicado, pois assim como você, todos estão vulneráveis e carentes de boas energias.

Enfim, ser mãe é muito mais que dar vida a alguém; fazer-se presente nos momentos necessários; proporcionar qualidade no relacionamento materno; buscar sabedoria e equilíbrio emocional, pois escolhemos ser mais felizes quando decidimos ser MÃES. Seja mãe de alma, sangue, coração, e até aquelas que decidiram não ser mães.

A felicidade está em nossas mãos. Siga em frente, pare, reflita, observe e reaja, porque depois que tudo passar o dinamismo do mundo será ainda maior que agora.

FELIZ DIA DAS MÃES.

Autoras:

Márcia Lira

Sandra Lourenço

Vanessa Bernardo

Assessoras de investimentos Bluetrade.

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