China x EUA: será que estamos vivendo uma nova guerra fria?

Atualmente, a incessante busca por hegemonia é o que vem tornando as nações mais competitivas e, consequentemente, cada vez melhores naquilo que são especialistas em produzir. 

Ocorre que, nestes últimos tempos, as duas maiores potências mundiais – China e EUA – mesmo com políticas completamente opostas, vêm dominando esta nova “guerra” para saber qual delas se tornará a potência hegemônica do século. 

Antigas previsões realizadas por economistas estimaram que o PIB Chinês iria ultrapassar o PIB americano, em termos absolutos, durante os próximos anos. No entanto, alguns fatores vêm alterando este cenário, trazendo aos EUA à frente desta provável conquista. 

Quais são os fatores que tornam um país, como a China e os EUA, uma grande potência? 

Antes de tudo, vamos dar uma passada nos principais quesitos que influenciam o crescimento de uma nação. 

O primeiro deles é o capital, que nada mais é do que o número de trabalhadores daquele país. Quanto mais pessoas trabalhando, maior a riqueza produzida. 

O segundo principal quesito é a produtividade, que diz respeito à eficiência destes trabalhadores em produzir o que precisa ser entregue. Por exemplo: no País 1, cerca de 10 trabalhadores utilizam o tempo de 5 minutos para produzir uma calça. 

Por outro lado, o País 2, não tão populoso, porém muito tecnológico, utiliza uma máquina (produtividade) para produzir a mesma calça nos mesmos 5 minutos. 

Mesmo que os países produzam a mesma calça no mesmo período de tempo, o País 2 teve que se adaptar às suas condições de baixo nível populacional, enquanto o País 1 se utiliza do alto nível populacional em substituição de uma eficiência tecnológica.

Assim, fica intuitivo entender que, se um país possui mão de obra e tecnologia, o mesmo se destaca dentre os demais. 

O pode deixar os EUA à frente da China nesta guerra comercial?

O fato é que, na China, o fluxo de informações é sempre muito duvidoso, uma vez que se trata de uma economia fechada. Além disso, atualmente, sabemos que a China é o país mais populoso do mundo, com cerca de 1,4 bilhões de habitantes. 

Porém, nestes últimos tempos, houve uma sobrevalorização deste número populacional. Como consequência, a população jovem passará a ser menor do que se estimava, e por fim, haverá uma redução da quantidade de mão de obra no futuro. 

Acho que deu para entender um pouco do impacto, certo?

Vamos aos exemplos do País 1 novamente, supondo que ocorreu uma redução populacional nesta nação. Assim, se antes os 10 trabalhadores demoravam 5 minutos para produzir uma calça, a escassez de mão de obra obriga os 4 trabalhadores a realizarem esta produção, fazendo com que os mesmos demorem cerca de 10 minutos, ao invés de 5. 

Neste caso, o País 1 passou a produzir com menor eficiência quando comparado ao País 2.

Voltando à China, de maneira geral, esperava-se que as taxas de natalidade estivessem maiores do que o patamar atual, uma vez que estas evidenciam um declínio dessa população.

Ademais, vale relembrar que, em meados da década de 70, foi implantada na China a Política do filho único, já que, o que ocorria na verdade era um crescimento populacional muito acelerado. 

No entanto, no ano de 2015, esta política foi erradicada, tendo em vista uma redução do número de habitantes existentes no País. Mesmo assim, casais chineses ainda optam por possuir poucos filhos, uma vez que tal ocorrência tornou-se cultural.

Incontestavelmente, o impacto disso para a competitividade Chinesa frente aos EUA e aos demais Países do mundo é visto por meio de uma redução da mão de obra, já que adultos se tornarão idosos no futuro, e haverá poucas crianças para suprir um aumento na produção, dada a diminuição nas taxas de natalidade.

Além disso, a escassez na mão de obra chinesa virá acompanhada do custo que os idosos produzem à uma nação, devendo ser planejado previamente. No entanto, o país atentou-se a este declínio populacional de forma tardia, de modo que este é o primeiro registro de diminuição dos habitantes após 5 décadas.

Por fim, é possível observar que, países como Brasil e EUA possuem taxas de natalidade próximas às atuais da China.

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Os EUA podem perder a guerra comercial pelos mesmos motivos que a China?

Atualmente, não há tendência para que estes Países (Brasil e EUA) sofram desvantagens na competitividade por conta do fator natalidade, uma vez que, como já dissemos, a China explorou o problema de declínio populacional de forma tardia. 

Enquanto isso, os EUA recebem muitos imigrantes, de forma que o baixo nível de natalidade é compensado pela entrada de novos habitantes, que migram constantemente aos Estados Unidos em busca de oportunidades no mercado de trabalho. 

Dessa forma, mesmo que esta taxa seja baixa, o número de imigrantes preenche a lacuna que pode faltar para completar a mão de obra. 

Por outro lado, o Brasil, assim como a China, não recebe grande fluxo de imigrantes. Mas, por tratarmos de uma economia aberta, nossos dados possuem maior transparência, fator que permitiu ao País um alerta e também um planejamento prévio das possíveis consequências, bem como, a reforma da Previdência, e outros programas sociais.

Quais são as consequências para a China nesta competição?

Em suma, o que vêm ocorrendo na China é na verdade reflexo de um longo período no passado, mas que está começando a surtir os efeitos no presente. Estes devem fazer com que previsões, que estimavam uma ultrapassagem por parte da China, em termos de PIB absoluto, aos EUA, sejam revisadas. 

Além disso, a China terá que lidar com um planejamento previdenciário e social mais elaborado do que aquele aplicado até então, além de uma escassez de mão de obra, que forçará a mesma a buscar outros meios de produção.

As consequências deste cenário só saberemos com o passar do tempo.

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