Juros negativos: como eles podem impactar os investimentos

Já pensou na possibilidade do valor em dinheiro que está na sua carteira hoje valer mais amanhã, apenas deixando ele parado na sua carteira?! Pois é, em um primeiro momento isso aparenta ser algo muito bom, porém a verdade é que na realidade esta situação pode não ser tão boa assim. 

Mas antes de entrarmos no tema de juros negativos é importante relembrarmos o que eles significam. 

O que é a taxa de juros? 

É importante saber que cada país tem uma taxa básica de juros. No caso do Brasil estamos falando da Selic, também conhecida como “o custo primário do dinheiro”. Isso porque todos os outros juros de alguma forma derivam dela, o que significa dizer que as instituições financeiras levam em consideração o valor da Selic na estimativa de quanto de juros eles irão cobrar em um determinado empréstimo ou pagamento a prazo.

Portanto, a Selic é chamada de taxa “nominal”. Outra taxa que deve ser considerada é a de juros “real”, que calcula o rendimento da operação, subtraindo a inflação, demonstrando o ganho real do investidor. 

A taxa de juros é uma ferramenta que os bancos centrais utilizam para “controlar” a inflação ou “fomentar” o consumo. Em um primeiro momento isso parece muito simples, porém a teoria acaba divergindo da prática em algumas situações.

Nos últimos anos tem ocorrido um movimento de baixas das taxas de juros no mundo, inicialmente motivado por uma expectativa de aumento do consumo. No entanto, é aqui que retomamos a situação que foi imposta no começo deste texto. Para exemplificar com mais clareza, vamos estudar o caso da Dinamarca, que atualmente tem uma taxa de -0,5%. O resultado disto pode levar à deflação, o que ainda não é o caso atual da Dinamarca.

Acontece que a deflação pode acabar provocando um desincentivo do consumo. O que gerará um efeito contrário ao esperado inicialmente, com a redução dos juros, induzindo as pessoas a consumirem menos, interessante não é mesmo? 

Isto pode ser algo mais perigoso, porque diferente do cenário de inflação, os bancos centrais perdem autonomia sobre este parâmetro, pois é como se eles ficassem “sem munição”, uma vez que a taxa de juros chega a zero. 

Quais os efeitos da taxa de juros negativa? 

O resultado disto pode ser uma estagnação ou declínio econômico. Além disso, fatores como a queda da taxa de natalidade, longevidade, substituição do tipo de mão de obra em função do desenvolvimento tecnológico, e competição com outros países em melhores momentos econômicos podem contribuir ainda mais para esse cenário de deflação. 

Um exemplo prático sobre esta situação seria o caso da “Amanda”, uma cidadã dinamarquesa hipotética que trabalhou sua vida toda visando acumular uma reserva em uma conta de poupança com a expectativa de, em um futuro não muito distante, aproveitar a aposentadoria. 

Inicialmente, Amanda estimou que seria necessário trabalhar por 40 anos, considerando uma taxa média de juros igual à 2,0%, com a finalidade de acumular renda suficiente para aproveitar a tão sonhada aposentadoria. 

Porém, caso a taxa de juros durante o período seja -0,5% isto significa que não será mais possível para a Amanda alcançar seu objetivo inicial. Já que a premissa de juros negativos implica em um pagamento para a instituição reter o depósito a prazo. 

Isso mesmo, a Amanda deverá pagar para investir em sua poupança. 

Como a taxa de juros negativa afeta o investidor? 

A partir do momento em que a taxa de juros se tornar negativa, o investidor começará a perder tal reserva para o banco em que fez sua poupança. Isto ocorre, pois, juros negativos implicam na valorização do dinheiro “não aplicado a juros” em relação ao dinheiro “aplicado em juros negativos”. 

O banco não pagará mais juros para ter o dinheiro do cliente em custódia, mas sim cobrará para receber esse dinheiro.

Este é um exemplo de situações reais que já estão acontecendo em alguns países da Europa e no Japão.

E a pergunta que não quer calar é “o que eu posso fazer com o meu dinheiro nesta situação?” 

Uma solução simples para a pessoa física é justamente colocá-lo debaixo do colchão. Mas para as instituições isto não é possível, afinal de contas, faltaria colchões, não é mesmo? 

Um movimento natural para este tipo de situação é justamente a busca por investimentos mais arriscados e uma eventual migração para títulos públicos. Uma vez que a dívida pública tenderá a ficar mais cara a cada dia, caso a taxa de juros adentre ainda mais no campo negativo. Ou seja, o estado poderá se endividar ainda mais. 

Uma motivação que leva instituições financeiras a comprarem títulos a juros negativos hoje em dia é justamente a expectativa de que os juros fiquem ainda mais negativos, levando a um ganho de capital com o título que inicialmente foi emitido a uma taxa de juros “menos negativa” em relação ao que está sendo emitido a uma taxa menor. 

Mas, claro, nada do que foi comentado neste último parágrafo é necessariamente um presságio de um futuro certo, porque afinal de contas a economia em si é uma ciência humana de variáveis inimagináveis e de resultados de iguais proporções. 

A resposta para algumas das questões levantadas neste texto podem ser comprovadas, ou não, com a passagem do tempo e os desdobramentos de eventos futuros.

Mas como se proteger diante desse cenário? 

Como dissemos anteriormente, a melhor forma de se proteger dos juros baixos/negativos é investindo em ativos que não sejam atrelados a ele, como por exemplo investimentos de renda variável. 

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