Quero investir em ações, mas tenho medo de perder dinheiro; o que fazer?

A renda variável nunca foi tão popular no Brasil. Após alcançar o recorde de 3.229.318 de investidores ao fim de 2020, a B3, a bolsa de valores brasileira já acumulava, até 30 de setembro deste ano, cerca de 3.970.384 contas ativas. 

Embora deixar o conforto da renda fixa possa parecer assustador, os números mostram que cada vez mais pessoas abrem apetite ao risco por mais ganhos em fundos imobiliários, BDRs, fundos de investimentos, ETFs, câmbio e — principalmente — em ações. 

Nós, da Blue3, eleita a melhor mesa de renda variável do país pela XP, vamos mostrar como você pode investir nessa modalidade sem medo de perder dinheiro.

Com regulação há mais segurança

Para garantir mais segurança, transparência e a organização dos ativos para todos os agentes envolvidos no mercado de capitais, os investidores podem contar com a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) e com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Enquanto a B3 se responsabiliza por fornecer uma plataforma para as negociações de compra e venda de ativos, a CVM, uma autarquia federal, funciona como o órgão que fiscaliza e regula esse mercado.

Para acessar esse ambiente de negócios, você primeiramente precisa procurar um banco, corretora ou outras instituições financeiras que estejam habilitadas junto à B3.

Sem medo de investir da forma certa

Agora, estar seguro quanto aos seus investimentos não significa que você deva investir de olhos fechados. Muitas pessoas se traumatizam com a renda variável porque não a encararam com a seriedade que os investimentos dessa modalidade merecem e não por culpa do comportamento da Bolsa, dos ativos ou de uma suposta ‘falta de sorte’.

Antes de se perguntar se você deve investir na Bolsa, você precisa se dedicar e estudar esse mercado, as empresas listadas na B3 e em quais pode ser mais conveniente investir. 

Porque você pode ganhar dinheiro ao investir em ações, mas não deve entrar nesse mercado como o apostador de um jogo de azar, que se confunde com as oscilações, as influências internas e externas e outros fatores que fazem a Bolsa ser um investimento mais volátil.

Por exemplo, toda companhia listada na B3 precisa publicar quatro vezes ao ano, obrigatoriamente, relatórios com os resultados apurados dentro de um período de três meses. Nesses materiais, você encontra dados como liquidez, endividamento, lucros, retorno sobre patrimônio líquido, entre outros, que mostram como a empresa na qual você investe está posicionada em relação ao setor em que está inserida.

Verifique também o histórico da administração e como as companhias são reconhecidas por agentes do mercado financeiro. 

Há empresas que enfrentam sérios problemas judiciais a ponto de desvalorizarem suas ações; outras têm boa reputação perante o mercado já que apresentam resultados consistentes, soluções inovadoras, estão atentas às agendas ambiental, social e de governança (ESG, na sigla em inglês), entre outros fatores.

Não à toa, há empresas cujos papéis custam R$ 0,30, na contramão de outras que vendem ações a quase R$ 150.

Ao investir em ações, pense a longo prazo. Isso não significa que você vai observar o seu investimento somente ao fim de determinado período,  mas quanto mais tempo houver para os seus objetivos serem totalmente alcançados, mais chances de rentabilidade você pode obter.

Leia também o artigo “Tudo o que você precisa saber sobre a Bolsa de Valores”.

Veja se as taxas e os impostos mantêm o investimento atrativo

Agora que já falamos da popularidade e dos pontos positivos de investir em renda variável, mais especificamente em ações, você precisa ficar de olho também na cobrança de taxas e nos impostos que vão dentro desse pacote. 

Assim você pode ver se as cobranças afetam muito ou não a rentabilidade da aplicação. Veja os principais custos:

Taxa de Corretagem – Variável de corretora para corretora, incide toda vez que você faz uma compra ou venda de ações na Bolsa. 

Quanto mais alto for o valor investido, menor vai ser o impacto dessa taxa sobre o investimento.

Imposto sobre Serviço (ISS) – Este tributo incide sobre a taxa de corretagem com alíquota de 9,65% sobre o valor da corretagem.

Taxa de Custódia – Quando a corretora armazena as ações em que você investiu, pode haver uma cobrança em razão desse serviço.

Emolumentos e Taxa de Liquidação – São cobranças feitas pela B3 por cada transação feita na Bolsa. O valor, entretanto, varia conforme a operação (tradicional, day trade, swing trade), tipo de investidor (pessoa física, institucional e clube de investimentos) e o valor aplicado.

Imposto de Renda (IR) – Se você, por acaso, vender suas ações e o valor não ultrapassar R$ 20 mil, há isenção do pagamento desse tributo. 

Agora, caso o valor esteja acima desse patamar será preciso pagar 15% sobre o lucro líquido até o último dia útil do mês seguinte à venda dos papéis.

Diversificar não significa “pulverizar”

Por fim, há uma dica que, apesar de velha conhecida, jamais deixará de ser importante: Não coloque todos os ovos na mesma cesta. Quando traduzido para a linguagem do mercado financeiro, esse ditado quer dizer: não aplique todo o seu dinheiro em apenas uma única maneira de investir. 

Afinal, você gostaria de correr o risco de perder todo o patrimônio em apenas uma jogada errada? Se você quer que seu dinheiro tenha a possibilidade de render mais, adote a estratégia da diversificação.

Quando você diversifica seus investimentos, ao comprar títulos de diferentes características e que se complementam, você minimiza os riscos da sua carteira e busca retornos maiores de forma mais inteligente.

Para isso, tome cuidado. Diversificação não significa pulverização, ou seja, não distribua seus recursos de maneira aleatória em ativos desconhecidos.

E a Blue3 ajuda você nessa tarefa, com profissionais que vão te auxiliar a pensar de forma objetiva sobre como os investimentos da sua carteira se desempenham em conjunto, se eles contribuem para que você atinja seus objetivos de curto, médio e longo prazo e se esses ativos se adequam ao seu perfil e tolerância a perdas. 

Clique aqui para falar com um assessor de investimentos.

Home Broker: o que é e como usar?

Certamente você já ouviu falar no nome Home Broker em algum conteúdo sobre investimentos, mais especificamente quando o assunto é mercado de capitais e renda variável. 

Neste artigo, nós vamos te explicar o que é, para que serve e como ele funciona na prática. Uma coisa é certa e podemos adiantar logo no início: sem o Home Broker é impossível comprar e vender ações. 

Afinal, o que é Home Broker?

Você se lembra dos pregões viva-voz? Era o espaço físico onde os operadores negociavam – compravam e vendiam – os ativos da Bolsa de Mercadorias e Futuro antes de 2005. 

O ambiente era realmente uma “loucura”. Gritos e correrias durante o dia eram extremamente comuns. O processo acontecia sem usar quase nenhum recurso tecnológico, exceto o telefone onde eram feitas as negociações e o registro eletrônico quando ocorria a venda ou a compra. 

Se você não lembra dessa época, provavelmente já viu cenas como essa acontecendo em filmes como O Lobo de Wall Street, por exemplo. 

E por que estamos relembrando esse período? Porque o famoso “pregão viva-voz” também evoluiu com a tecnologia e foi substituído pela plataforma Home Broker. Então, tudo o que antes era negociado pessoalmente, passou a acontecer de forma digital. 

Foi aí que há mais de uma década surgiu esse sistema que é usado nos dias de hoje para negociar ativos, por meio da Bolsa de Valores, de forma ágil, instantânea e de qualquer lugar, sendo preciso apenas o acesso à internet e à plataforma.

Bolsa de Valores 

É na Bolsa de Valores que ficam os ativos negociados no mercado de capitais, como as ações, commodities, fundos de investimentos, derivativos, contratos futuros, entre outros. 

Assim, os ativos ficam disponíveis em um amplo mercado para que os investidores possam comprar ou vender, de acordo com o que for mais oportuno no momento. 

No Brasil, temos a B3, a Bolsa brasileira, fundada oficialmente em 2017. A B3 é formada por aproximadamente 400 empresas de diversos segmentos e toda a sua atividade é regulamentada e fiscalizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Aproveite para saber mais sobre a Bolsa no artigo “Tudo o que você precisa saber sobre a Bolsa de Valores”.

Como funciona o Home Broker?

Primeiramente, para ter acesso e autonomia para operar no Home Broker você precisa ter conta em uma corretora de valores. Isso quer dizer que é a corretora que vai fornecer a plataforma para você.

E no caso dos investimentos em bancos tradicionais, a operação pelo home broker é feita somente pelo responsável – gerente – pelos seus investimentos. 

Diferentemente das corretoras, em que você tem acesso para operar a qualquer momento, desde que seja em horário de funcionamento do mercado. Nas corretoras você tem também uma outra opção: as mesas de operações. 

Nas mesas estão os brokers, que irão fazer as negociações no seu lugar, sendo uma opção para aqueles investidores que não têm tempo de operar no Home Broker, por exemplo. Você pode solicitar esse serviço em sua corretora.

Vale lembrar que essa é uma plataforma segura, desde que você esteja acessando por meio de instituições financeiras de confiança. 

Além de ser o espaço de negociação de ativos, é também o local em que é possível avaliar a performance do mercado, o quanto está valendo cada ação, o desempenho dos índices e tudo mais em tempo real.

Também é possível ver as ações e os ativos que compõem a sua carteira para observar qual está sendo o saldo do investimento. 

Veja o passo a passo de como operar: 

1º passo: escolha uma corretora de sua confiança e abra uma conta;

2º passo: faça o login e acesse o home broker;

3º passo: se a ação que você quer comprar já estiver escolhida, é só selecionar na plataforma a quantidade (se será por lote-padrão ou fracionário) e clicar em “comprar”;

4º passo: confirme a sua assinatura eletrônica para enviar a ordem de compra e validar a operação. 

Para vender, basta fazer o caminho inverso e clicar em “vender”. 

Entretanto, cada corretora tem taxas de corretagem e de operação já definidas. Portanto, certifique-se de todas as informações anteriormente para não ter “surpresas” durante o processo.

Quer investir na Bolsa da forma certa? Agora você pode aprender com os brokers da melhor mesa de renda variável da XP Investimentos. Confira o nosso curso exclusivo “Aprenda a investir na Bolsa”.

O que é preciso saber antes de utilizar um Home Broker?

O acesso à plataforma pode passar a falsa impressão de que podemos realizar diversas operações sem antes ter um entendimento maior sobre investimentos. 

Isso é comum, até porque, imagine ter na sua tela ações das maiores e mais influentes empresas do mundo, podendo ser compradas apenas com um clique?

Mas é claro que no caminho não existem só “flores” e por se tratar de mercado financeiro, temos que ter muito cuidado e atenção. Principalmente para operar o Home Broker, onde lidamos com ativos de renda variável. 

Renda variável, como a maioria já sabe, são aqueles investimentos que apresentam um risco maior. E um passo equivocado pode comprometer todos os investimentos realizados ali. 

Por isso, mais uma vez, reforçamos que antes de operar o sistema é preciso saber o que está sendo feito, uma vez que esse mercado apresenta alta volatilidade  e passa, muitas vezes, por crises que podem abalar as suas operações.

E, muito mais do que saber o que está sendo feito, quando falamos de estratégia, é preciso entender sobre as peculiaridades de cada investidor, como os objetivos e o perfil de risco. 

Tanto o entendimento das suas características pessoais, como o estudo macro e micro do mercado, não precisam ser feitos por você. Afinal, a vida é corrida e entendemos que não há tempo para se aprofundar em todos os assuntos. 

Nesse caso, você pode contar com o auxílio de um assessor de investimentos, que é o profissional ideal e extremamente qualificado para te dar suporte de ponta a ponta. 

Se você ainda não tem assessoria de investimentos, é só clicar aqui e conversar diretamente com um profissional da melhor assessoria de investimentos do Brasil. 

Análises fundamentalista e técnica: como podem ajudar seus investimentos?

Cada vez mais, o mercado de ações desperta o interesse dos investidores, especialmente, dos iniciantes. Porém, investir em renda variável demanda dedicação do interessado em desenvolver a capacidade de “ler” índices, balanços financeiros e históricos dos ativos (entre outras variáveis) e assim compreender os cenários e indicativos econômicos, com o objetivo otimizar suas chances de antever variações, no curto, médio e longo prazos.

E para isso, dois métodos de avaliação consolidados costumam ser utilizados: as análises fundamentalista e técnica.

Muitas pessoas tem dúvidas sobre as diferenças entre as duas e, principalmente, como aplicá-las em seus investimentos. Para ajudar a sanar essas questões, a Blue3 está promovendo uma palestra exclusiva em parceria com a DVinvest, “O poder dos gráficos: como uma casa de análises pode potencializar seus investimentos”.

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Confira como funciona cada uma delas e como podem te ajudar a investir melhor.

Análise técnica

A análise técnica consiste na avaliação de gráficos e dados históricos das ações para melhor assimilar as variações ao longo do tempo, como uma maneira de estimar, — com maior precisão — sua oscilação, especialmente no curto e médio prazo.

Sabe aquele clássico gráfico de “barrinhas na vertical”, que oscilam para cima e para baixo em um intervalo de tempo? Pois bem, assim é uma representação gráfica da análise técnica.

Também chamada de análise gráfica, ela se propõe a rastrear o comportamento histórico de um ativo e, deste modo, fornece subsídios para que o investidor entenda se, no presente, o preço da ação pode ser considerado alto ou baixo e se encontra-se numa tendência de valorização ou não.

Portanto, para tomar a decisão de comprar ou vender uma ação, quem utiliza a análise técnica interpreta o histórico do gráfico e se, naquele momento, há tendência de crescimento, estabilidade ou de queda.

Essa a modalidade é bastante utilizada pelos day traders, que são os investidores que buscam o lucro com a compra e venda de ativos muitas vezes no mesmo dia.


Análise fundamentalista

Por sua vez, a análise fundamentalista privilegia a leitura e compressão de dados macroeconômicos (juros, índices de inflação etc), balanços e resultados financeiros da companhia, indicadores do setor no qual a empresa está inserida, além de fatores políticos que possam exercer influência sobre aquele mercado. 

O objetivo é traçar um paralelo entre o volume e o valor das ações da companhia, considerando os resultados obtidos, e a atmosfera econômica que rege o período avaliado. Ao combinar essas inúmeras variáveis, torna-se possível compreender os fatores responsáveis pelas oscilações dos preços nas ações, otimizando assim, as chances de projetar as possíveis variações (de valorização ou desvalorização) no médio e longo prazo.

Como se trata de uma análise que considera diversos fatores distintos, tanto internos quanto externos à companhia, a análise fundamentalista é um exercício que requer mais tempo de estudo do que a técnica. 

Qual das análises é melhor?

Tão importante quanto entender ambos os conceitos é compreender que não é preciso, necessariamente, descartar um deles. Pelo contrário. Muitos especialistas, inclusive, utilizam as metodologias de forma complementar.

Se por um lado a análise técnica é capaz de fornecer bons indícios de padrões de oscilação de valores, especialmente no recorte de curtos períodos de tempo; na outra ponta, uma análise fundamentalista profunda pode indicar se os fatores internos e externos que tendem a impactar os negócios de uma companhia sugerem tendências de compra ou venda daquele ativo em um horizonte de tempo mais longo.

A melhor estratégia é pensar em longo prazo

Em ambos os casos é fundamental compreender que tão importante quanto antever a variação de determinado ativo é possuir uma estratégia de investimento sólida e focada na criação de uma carteira diversificada e projetada para crescimento em longo prazo.

E claro, você também pode procurar a ajuda de profissionais. Contar com o apoio de uma casa de análise é sempre uma ótima opção e pode ajudar muito na otimização dos seus investimentos.

A Blue3 Investimentos possui uma parceria exclusiva com uma casa de análise, a DVinvest, uma das melhores casas de análise do país.

Quem é a DVinvest?

A DVinvest é uma casa de análise parceira da Blue3 e foi fundada pelo analista Dalton Vieira. É uma empresa especializada em oferecer apoio para os investidores, fornecendo informações especificas e descomplicada sobre qual a melhor forma de aplicar o seu dinheiro na Bolsa de Valores.

Entre os principais serviços, estão inclusos relatórios sobre a performance das principais empresas na B3, alocação de ativos e montagem de carteiras.

Inclusive, um dos pontos de destaque da DVinvest é a carteira perspectiva, que ao longo dos anos acumulou mais de 170% de rentabilidade, enquanto a da Ibovespa, não passou dos 63%.

Juntamente com a Blue3, a equipe da DVinvest se dedica integralmente para ajudar os investidores a encontrarem o melhor caminho para os seus investimentos. Por meio de muito estudo e diversas análises, tanto fundamentalista quando técnica, a casa de análise entrega aos seus clientes todas as informações necessárias para alcançar bons rendimentos, tudo isso diretamente no seu celular.

Estamos falando do aplicativo DVinvest. Nele você tem acesso a todos os materiais que a casa de análise produz, como as carteiras recomendadas, análises, relatórios, informação sobre o mercado e muito mais. Os clientes Blue3 podem acessar ao app gratuitamente.

Quer saber mais sobre a DVinvest? Acesse ao site!

Agora que você já sabe o significado de cada análise e conhece o trabalho da DVinvest, inscreva-se para o evento e entenda como aplica-las em seus investimentos. Clique aqui e garanta já a sua vaga!

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A importância de diversificar sua carteira de investimentos

Já ouviu aquela frase “Não coloque todos os ovos na mesma cesta”? Mas você sabe qual é o verdadeiro sentido dessa frase quando falamos de investimentos?

Simples! Se você colocar todos os ovos na mesma cesta, e ela cair, fatalmente todos os ovos irão se quebrar. O mesmo ocorre com os investimentos

Por que diversificar?

Por exemplo, se você comprar apenas ações de empresas que dependem de exportação, e ocorrer alguma crise mundial que afete a exportação de produtos brasileiros, provavelmente você vai ter grandes perdas na sua carteira de investimentos.

Qual é a solução? Divida os “ovos” em várias cestas. Se uma delas cair, ainda teremos “ovos” em outras cestas. E é assim que devemos agir nos investimentos. Ao diversificar sua carteira de investimentos em diversas classes de ativos: renda fixa, ações, fundos imobiliários, câmbio, juros, ouro, etc.

A combinação desses diferentes ativos irá reduzir a fragilidade da sua carteira, oferecendo proteção para momentos de tensão econômica em nível local ou internacional.

Um termo bastante utilizado nos investimentos é a volatilidade. Sendo bem simples e prático, volatilidade representa o grau de oscilação que a rentabilidade da sua carteira pode ter ao longo do tempo.

Óbvio que o objetivo de todos os investidores é buscar o máximo de rentabilidade com segurança. Mas é impossível ter um desempenho acima da média nos investimentos, sem ter o mínimo de exposição a risco.

Quando diversificamos a carteira em diversas classes de ativos, estamos buscando atingir esse objetivo: aumentar a rentabilidade, com volatilidade controlada.

Diversificação para diferentes perfis

O perfil do investidor vai determinar o grau de volatilidade que teremos na carteira.

Investidores de perfil conservador são avessos a riscos. Portanto, devem buscar produtos com baixa volatilidade e menor risco. Geralmente tem a taxa Selic como referência de rentabilidade. 

Se você tem acompanhado as notícias, sabe que a SELIC está em 2% ao ano. Isso significa 0,17% ao mês. A caderneta de poupança atualmente rende 70% do CDI. Isso significa . Ou 0,12% ao mês.

No outro extremo, temos o investidor do perfil agressivo. Este, aceita investir em produtos que tem alta volatilidade. Isso implica ter investimentos na carteira que podem ter rentabilidades negativas em determinados períodos. 

Esses investidores aceitam esse tipo de situação, em troca de rentabilidades bem superiores à Selic no médio e longo prazo.

Independente do seu perfil, a recomendação é que você tenha a sua carteira diversificada

Se você tem perfil conservador, vamos alocar mais em renda fixa e reservar uma parte pequena para produtos de classe mais moderada. 

Se o seu perfil é mais arrojado, vamos alocar mais em renda variável, entretanto, deixando sempre uma parte na renda fixa, com objetivo de trazer um pouco de segurança para a carteira.

A diversificação de investimentos é uma técnica de diluição de risco, que visa a maximização de ganhos. Ela consiste em alocar recursos em diferentes aplicações financeiras, de modo que o desempenho negativo de uma não signifique perdas na carteira como um todo.

Se você “deixar todos os ovos na mesma cesta”, pode acabar tendo grandes perdas.

Se você é conservador e quer mais rentabilidade, considere aumentar sua alocação em produtos de mais exposição a risco (ações e fundos multimercados), e não se sinta desconfortável ou incomodado com perdas em determinados momentos. Isso significa um deslocamento do perfil conservador rumo a um perfil mais agressivo.

Se você é agressivo e quer mais estabilidade, considere aumentar sua alocação em produtos de renda fixa e não espere rentabilidades muito acima da Selic. Isso significa um deslocamento do perfil agressivo rumo a um perfil mais conservador.

A seguir temos uma sugestão de alocação de recursos, conforme o perfil de investidor.


RF = Renda Fixa

Por fim, independente do seu perfil de investimentos, seja disciplinado. Siga sua estratégia. Mudar a cada solavanco da carteira significa perder as referências e perder oportunidades.

Diversificação e longo prazo são palavras-chave para o sucesso dos seus investimentos.

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O Que São e Por que Investir em Fundos ESGs?

Durante a pandemia, os Fundos ESG chamaram bastante atenção da mídia e do mercado financeiro. Seu bom desempenho em meio à pandemia não passou despercebido.

Mas você sabe o que são eles?

O que são os Fundos ESG?

Basicamente, são fundos baseados em princípios Ambientais (Environmental), Sociais (Social) e de Governança (Governance). Apesar de hoje, a B3 possuir somente quatro índices que seguem tais critérios, nos próximos dois anos deve haver um aumento nessa quantidade.

Mas o que significa, na prática, ESG? E por que a B3 e as gestoras estão cada vez mais interessados em criar opções de investimentos nesse ativo?

Os investidores estão cada vez mais preocupados em aliar boa rentabilidade com princípios éticos sustentáveis, e os índices ESG são ótimas opções para isso.

Os fundos acionários sustentáveis acumularam alta superior a qualquer outro tipo de fundo, e queda inferior a todos, com exceção dos fundos de ações livres. 

Fundos ESG apresentam maior performance

Além disso, pensando em cenário global, a BlackRock, divulgou um levantamento que indica que os produtos de investimento com princípios ESG tiveram performance superior aos seus pares em vários momentos recessivos dos últimos anos, desde a crise do petróleo de 2015.

Ser norteado por práticas “Environmental, Social and Governance” gera valor para a empresa ao longo prazo, além de mitigar riscos, através da integração entre ESG e estratégias corporativas. Como resultado tem-se um aumento da cotação de mercado da empresa.

 O Longo Prazo é um dos principais fatores para se optar por índices ESG, visto que estes se mostraram mais resilientes, principalmente durante a pandemia do COVID-19. Empresas que focam em governança, por exemplo, não pensam somente no lucro do trimestre, mas em responsabilidade para com o futuro.

 Os princípios ambientais, apesar de serem mais difíceis de quantificar, possuem sua importância quando se prioriza o futuro. Empresas que não possuem cuidados ambientais, podem sofrer com risco regulatório, através de taxas e impostos mais altos.

Atenção para os principios sociais

Por fim, a importância de princípios sociais, cujo impacto acontece também por risco regulatório, abrange segurança de dados, segurança do trabalho, diversidade, compensação, benefícios, entre outros. Este princípio está ganhando muita relevância, visto que os custos humanos estão impactando cada vez mais as empresas.

Apesar destas práticas irem de encontro à maximização de resultados no curto prazo, os fatores mencionados devem ser levados em consideração pelas companhias.

O receio do investidor nacional no longo prazo, deriva de uma cultura imediatista e receio de incertezas econômicas. Porém, com a popularização de investimentos alternativos, opções como Fundos ESG estão cada vez mais em destaque, tanto pela rentabilidade, quanto pela crescente onda green.

Fontes: Maisretorno, investnews, B3, morningstar.

Insights: porque você também deveria investir em ações

Existe uma sina no universo do mercado financeiro de que, pessoas com perfil conservador não deveriam investir em renda variável.

Esta regra parece ser marcada na pedra, visto que dificilmente encontramos pessoas que se dizem conservadoras com algum percentual da carteira em ações.

Não que eu concorde com tal afirmação, inclusive acho justamente o contrário. Mas vivemos no Brasil e sabe, tudo bem não ter renda variável na carteira quando se consegue uma rentabilidade de 15% ao ano em renda fixa. Com isso, dobramos nosso capital a cada cinco anos, nada mal!

Quis o destino, no entanto, que os ventos daqui passassem a soprar em outra direção. Em 2017 tivemos o início de um Brasil reformista, que busca cortar gastos públicos e acabar com os privilégios dos grupos mais favorecidos, como uma taxa de juros de longo prazo a custo de banana para as grandes corporações, enquanto o pequeno empresariado tinha de captar recursos a uma taxa de 20% ao ano no mercado.

As reformas que já foram postas em prática, juntamente à uma mudança de mindset nos principais órgãos econômicos do país, como Ministério da Economia, Banco Central e BNDES, possibilitaram que a Taxa Selic caísse ao seu patamar mais baixo da história, aos 4,25% ao ano.

E acredite, eu também não sou do time do “a renda fixa morreu”. Se eu acho que um portfólio inteligente e bem montado deve ter renda fixa? Sem dúvidas. Se eu acho que essa parcela tem de cair, no entanto? Sem sombra de dúvidas.

O Brasil rentista acabou! E pode apostar que ele se foi para talvez nunca mais voltar. A taxa de juros básica deve voltar a subir em 2021, mas nada que a leve muito acima da faixa de 6% ao ano. 

Se antes era comum investir unicamente em títulos de renda fixa com rentabilidades acima de 15% ao ano, atualmente isso não deve passar dos 4,5% bruto ao ano, e descontada a inflação você terá aproximadamente 1,25%aa de juro real. 

A questão é que, mesmo com este cenário atual, o “investidor conservador” continua com aversão à renda variável. O principal culpado nesta situação é o próprio investidor, que por diversos motivos, ainda não percebeu que aquele 1% ao mês na renda fixa se foi juntamente com a dona Dilma.

Com isso, ele simplesmente se fecha para qualquer apetite a risco, não se preocupando nem em entender como funciona minimamente a renda variável. 

Ora, se você trabalhou para juntar seu capital, o seu desejo será que você tenha uma aposentadoria tranquila, aproveitando as férias eternas e merecidas que têm, após se dedicar anos ao trabalho. No entanto, se você tiver um rendimento real pouco acima de 1% ao ano, receio em te dizer que na verdade, você vai apenas sobreviver. 

Um adendo, a poupança não entra nem em consideração neste momento. Com um juros real negativo, se você tem o dinheiro na poupança é melhor que você nunca deixe de trabalhar, visto que terá menos dinheiro quando mais precisar. 

Também não estou dizendo que todos devem ter o mesmo percentual de renda variável na carteira. Mas se você tem menos de 30 anos e nenhuma posição arrojada em sua carteira, é melhor abrir os olhos!

É comum encontrar os mesmos argumentos para essa aversão à renda variável: “é muito arriscado, não é para mim”. 

Na verdade, o que realmente incomoda é a marcação de preço instantânea. Para o investidor acostumado apenas com renda fixa, é catastrófico acordar com suas posições tendo uma queda diária de 4%.

Risco

A Teoria Moderna das Finanças diz que: quanto mais riscos você correr, maior será seu retorno potencial. Isso teoricamente explicaria um rendimento potencial baixo da renda fixa, onde você sabe que receberá, ao final do investimento, uma quantia maior do que investiu. 

Nas renda variável você abdica de saber ex-ante se receberá um valor maior ou menor do que o investimento, para que possa obter ganhos potenciais infinitos.

O risco, em geral, tem o papel assumido pela volatilidade que é o quanto determinado ativo financeiro oscila ao longo do tempo. As ações possuem marcação de preços em tempo real, e qualquer notícia sobre o ambiente macro ou micro afeta o preço desses papéis listados. 

A marcação à mercado dos títulos de renda fixa é bem mais ineficiente, visto que não existe um mercado organizado de bolsa para cotações em tempo real. Assim sendo, o investidor só saberá quanto o título dele está valendo, se ele quiser vendê-lo antes do prazo. 

Como em geral esses títulos são carregados até o vencimento, as oscilações de preço não afetam o investidor, visto que ele não observa a variação diária do papel, a não ser que precise liquidar antes do vencimento. 

É comum vermos uma empresa de capital aberto emitir títulos de dívida (como exemplo as debêntures). Os investidores conservadores adoram, visto que essas emissões chegam com taxas de retorno bem interessantes. 

Como exemplo atual, uma empresa do setor elétrico está emitindo um título (debênture incentivada) que pagará IPCA + 4,25% ao longo dos próximos 10 anos, isento de imposto de renda. Considerando o atual cenário de juros, é uma barganha, inclusive irei participar desta oferta, visto que, um retorno real de 4,25% ao ano não se encontra em qualquer esquina.

Fico ainda mais confiante quando olho para a empresa em si, que tem uma saúde financeira muito boa, e além disso é uma das empresas mais eficientes no seu setor, tem um modelo de negócios que garante muita economia no processo de exploração e produção de energia. Enfim, uma empresa excelente, que gera muito caixa e vai conseguir pagar essa dívida que está emitindo com um alto grau de certeza.

Agora, eu tenho noção de que receberei somente a taxa indicativa, nem um centavo a mais.

E se eu olhar para esta mesma empresa, sob a ótica do investimento em ações? Relembrando, ela é uma das melhores empresas do setor de energia, altamente eficiente e com um modelo de negócios bem montado. Sua receita é protegida por contratos de longo prazo com o governo federal e que até onde eu sei, ainda não encontraram nenhuma alternativa à energia elétrica.

Desde o início de janeiro de 2019, ela já apresentou uma alta superior a 175%. É exatamente a mesma empresa, mas são investimentos de classes diferentes. Não estou dizendo que a partir de agora, ela ainda subirá os mesmos 175%. 

Mas o preço das ações, no longo prazo, acompanham o lucro das empresas que estão por trás daqueles tickers que piscam o dia todo no home broker. 

Em qual situação eu não receberei o meu dinheiro de volta no título de renda fixa? Bom, se ao longo destes 10 anos, a empresa quebrar, eu perco todo o meu dinheiro. 

E nas ações desta mesma empresa? Ora, se a empresa quebrar ao longo do tempo em que tenho dinheiro nela, eu perderei todo o meu capital. 

Veja que simplificadamente, o risco é, na verdade, o mesmo. Este é um modelo simplificado, visto que no processo de falência da empresa, o primeiro a receber o valor residual é o governo, depois os credores e só depois os acionistas. 

Mas acredite, isso na verdade pouco importa, pois em geral não sobrará nada pra contar  história. E tudo isso acontece da mesma forma em um títulos de renda fixa ou em uma ação. Se trata da mesma empresa, ela tem o mesmo modelo de negócio, atua no mesmo setor. É tudo a mesma coisa. 

Mas e as oscilações diárias nas ações?

Existe uma frase no mercado financeiro que diz: “somente os vendedores de ações deveriam se preocupar com as quedas de curto prazo”. 

Eu, por exemplo, sou consumidor de cerveja. Se acontecer algo que faça o preço da cerveja caia, eu aproveito para comprar mais, não para vender as que já tenho guardadas em casa. 

Eu sei que a tendência é que o preço se normalize dentro de algumas semanas ou meses, então eu aproveito para comprar mais enquanto o preço está baixo. 

Com as ações deveria ser exatamente assim. Desde que investimos em cias de alto grau de qualidade, em geral não há o que temer com as quedas diárias. Elas, na verdade, são ótimas oportunidades para comprar mais de um ativo que você sabe que é bom, a um preço mais barato. 

Não existe sucesso de curto prazo. Tenha em sua carteira ações de extrema qualidade, com lucros recorrentes. Seu retorno virá dos dividendos no médio prazo e da apreciação das ações no longo prazo. 

E é só no longo prazo mesmo. Empresas obedecem a ciclos empresariais, que são longos e demorados. Não dá para cobrar nada no curto prazo. Ademais, no curto prazo o caminhar do preço das ações se assemelha a um caminhar de um bêbado, não sendo possível prever para onde o preço vai. 

No longo prazo, no entanto, o preço das ações acompanha o lucro das empresas. Então se temos empresas fortes, geradoras de lucro, não devemos ter problemas. 

Se você não tem tempo para olhar uma a uma cada ação que você deveria ter, entregue a gestão para um profissional através de um fundo de ações. 


E não precisa ser 100% da sua carteira. Comece com pouco, vá ganhando mais confiança conforme o tempo for passando e aumentando cada vez mais. 

Se você não olha todos os dias o rendimento do seu título de renda fixa, por que tem que olhar o da sua carteira de ações? As coisas não acontecem da noite para o dia. Elas demandam tempo. 

O que não podemos mais esperar é uma alocação de carteira ineficiente com nada ou quase nada em renda variável. O mercado mudou e se você não mudar junto, ficará para trás, e talvez daqui um tempo seja tarde demais para aceitar essa mudança.

Como a Cogna pretende revolucionar a educação básica

A Cogna passou recentemente por uma reestruturação organizacional onde passou a dividir a empresa em quatro linhas de frente. 

Conhecida anteriormente como Kroton, a companhia surgiu em Belo Horizonte como um cursinho pré-vestibular e evoluiu para ser o maior player de educação no país. O foco deixou de ser educação básica e passou a ser educação superior, onde a empresa adquiriu concorrentes estratégicos e utilizou de sua excelência operacional para ser a empresa mais relevante do setor na bolsa. 

No final de 2019 houve a dita reorganização, onde a Kroton passou a se chamar Cogna, abrigando sob o seu guarda chuva quatro diferentes linhas de negócios. O nome Kroton foi mantido para a operação B2C de ensino superior. 

A plataforma B2B de ensino superior passou a se chamar Platos. Enquanto isso, a empresa se utilizou da aquisição da Somos Educação para criar linhas específicas que cuidariam da educação básica, onde a Saber cuidará do B2C, linha com escolas próprias, e a Vasta cuidará do B2B, que fornecerá sistemas para escolas. 

Esta última empresa dentro da Cogna é o foco de hoje. Particularmente, é a unidade que mais tem potencial para fazer com que o grupo volte a valer o que um dia valeu na bolsa. 

O ensino básico privado no Brasil

O panorama de escolas privadas no Brasil é bem parecido na média. Em geral, elas são empresas de menor porte e com administração familiar. Diferentemente de outros setores da economia, a escola K12, que cobre desde o jardim de infância até o último ano do ensino médio, parou na história. 

O gestor da escola, por exemplo, tem que conversar com inúmeros integrantes de sua cadeia, como fornecedores de livros didáticos, uniformes, professores, pais de alunos etc. Com tudo isso, lhe sobra pouco tempo para se preocupar com atividades extremamente importantes, como a qualidade do ensino, o desenvolvimento dos alunos e os aspectos financeiros da empresa. 

Outro fator é que em um mundo cada vez mais digitalizado e gerador de dados, incomoda o fato de que eles não sejam utilizados para maximizar o desempenho dos alunos. As escolas ainda são pouquíssimo digitalizadas e quase não geram dados que podem virar informações sobre os alunos. 

Além disso, ainda é muito incipiente o movimento das escolas para abranger serviços secundários na educação básica, como os conceitos de soft skills, tão comentados no novo ambiente da geração dos millennials. Não existe, por exemplo, a cobertura por parte das escolas de atividades de ensino específicas em períodos extra, como reforço escolar, ensino de tecnologia, ciências ou engenharia. 

Há de se notar também o fato de que houve nos últimos 20 anos uma mudança nos hábitos de uma família tradicional, que passou de uma mãe que por vezes não trabalhava e tinha tempo para levar e buscar os filhos na escola, bem como levá-los às atividades no período da tarde, como judô, violão e natação. 

Hoje em dia ambos os pais tendem a passar o dia todo no trabalho, o que dificulta seu deslocamento para atender às demandas dos filhos. 

Junte todos os problemas apresentados ao fato de que o Brasil ainda é um país onde um curso superior é diferencial e garante ao graduado uma média salarial substancialmente maior do que do indivíduo sem um diploma de curso superior. 

A diferença é ainda mais latente quando são considerados os cursos superiores em universidades públicas de ponta, onde os vestibulares são extremamente concorridos e fortunas são gastas pelos pais em cursinhos pré-vestibular. 

Isso tudo mostra que o sistema de ensino básico privado necessita de um reboot. Existe um mercado endereçável gigante neste segmento. Os cinco maiores players de educação básica no país representam menos de 10% desse mercado. 

Um dado mostra que 8 em cada 10 famílias consideram que educação de qualidade é o melhor investimento que os pais podem fazer por seus filhos. A mesma pesquisa ainda mostra que as famílias tendem a preferir escolas que ofereçam habilidade do século 21 em sua grade de ensino. 

Público alvo

A educação básica privada, nos moldes do que a Vasta busca oferecer, é destinada às famílias de classe A e B. Existe um argumento que fala que o investimento em ensino básico não faz tanto sentido, uma vez que as famílias estão tendo cada vez menos filhos. 

A afirmação acima é parcialmente verdadeira, uma vez que as famílias estão tendo menos filhos realmente. No entanto, a diminuição de filhos per capita vem sendo observada nas classes D e E, ao passo que as classes A e B continuam tendo filhos da mesma forma. 

No geral, as pessoas não querem mais ter muitos filhos, mas ainda assim querem ter ao menos um ou dois. Como o público à que se destina o sistema oferecido pela Vasta é focado nas classes A e B, não deve existir um problema de demanda. 

Um sinal disso, é que segundo o Censo Escolar do Inep, o número de estudantes de ensino básico caiu no Brasil, mas o número de estudantes do ensino básico privado aumentou 10% nos últimos oito anos. 

O argumento se torna uma falácia ao vermos perspectivas do IBGE para a evolução da população brasileira nas classes econômicas. Claro que se tratam de previsões, pode ser que o IBGE esteja errado por um, dois, cinco anos. Mas a tendência da economia é sempre de crescimento, então imaginamos que seja um cenário plausível. 

Enquanto hoje em dia as classes alvo da Vasta representam aproximadamente 40% da população, em 10 anos ela representará quase 60%.

A Vasta Educação

A Vasta surge com o propósito de ser uma plataforma one stop provider para as escolas K12 privadas. Os serviços da Vasta podem ser divididos em dois grandes grupos: onde o primeiro tem o objetivo de ajudar a escola a prover uma educação de qualidade, e o segundo grupo busca auxiliar a escola a ser melhor gerida. 

A Vasta basicamente fornece um sistema para que a escola possa se tornar um negócio rentável, sustentável e com boas perspectivas de médio/longo prazo. 

Ao abordar um cliente, a Vasta oferece ao parceiro duas opções metodológicas: sistema de ensino ou livro didático. No primeiro, a Vasta instala no parceiro uma de suas bandeiras de ensino, que conta com marcas extremamente renomadas, como Anglo, Pitágoras e pH. 

Neste caso, todo o sistema passa a pertencer a esta bandeira, que conta com suas próprias características pedagógicas, programas de ensino e qualificação de docentes. A empresa trabalha com diversas bandeiras justamente para que possa abranger os mais diferentes perfis de escola, com diferentes tickets médios e opcionais. 

Ao adotar um sistema de ensino, a escola também ganha acesso à plataforma de tecnologia aplicada à educação da Vasta, que possibilita a digitalização do ensino, através de tarefas de casa via computador, tablet ou celular, por exemplo. 

Esta funcionalidade automaticamente passa a gerar diversos dados para o professor, que consegue entender se determinado assunto foi um entrave no entendimento dos alunos e mostra que ele deve reforçar aquele conteúdo na próxima aula. 

A plataforma integrada também pode fazer relatórios de cada aluno individualmente, que podem ser acessados pelos pais e pela coordenação da escola, que saberá onde focar com cada aluno, tornando mais eficiente o processo de aulas de reforço em períodos extras para quem realmente precisa. 

Ao mesmo tempo, a escola também recebe acesso à um portal de capacitação de docentes, que são submetidos à programas de educação continuada, para que estejam sempre atentos às novidades de suas respectivas áreas, bem como tendências de ensino que vão sendo desenvolvidas com o passar dos anos. 

O segundo caso é geralmente encontrado em escolas premium, onde não há um embandeiramento do colégio, em geral por questões como tradição histórica da escola. Este modelo é observado em cidades maiores. 

No sistema de livro didático, a Vasta oferece à escola parceira uma personificação do serviço, onde ela monta um sistema pedagógico de acordo com as necessidades do colégio. 

Para isso, a Vasta é detentora das quatro maiores editoras de livros didáticos do país. A plataforma tecnológica também está presente neste modelo, bem com a plataforma de capacitação de professores. 

Vale dizer que para ambos os casos, a plataforma de ensino dos alunos oferece diversas opções. Se um aluno estiver com dificuldade em resolver determinado exercício, é oferecido à ele a oportunidade de assistir uma vídeo aula sobre o assunto. Caso a dificuldade ainda persista, ele poderá acionar um tutor da Vasta, que estará disponível de segunda a sábado das 7h às 23h. Aos domingos existe um suporte das 7h às 13h.

Todos esse ecossistema potencializa a capacidade da escola em prover as mais diferentes oportunidades de ensino aos seus alunos. A qualidade é comprovada com o dado que em mais de 500 cidades, escolas com algum sistema de ensino da Vasta estiveram no Top 3 do município no ENEM. 

A Vasta ainda oferece em seu primeiro bloco de auxílio, atividades ligadas à línguas estrangeiras e à modalidade STEM, acrônimo do inglês que significa Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

Todas essas características são ofertadas ou estão em desenvolvimento para auxiliar a escola a prover a melhor solução de ensino possível às famílias e seus filhos. 

O segundo bloco busca ajudar a escola a ser melhor gerida e a gerar mais valor aos seus donos. 

Atualmente a empresa oferece apenas um serviço neste bloco, mas promete entregar diversas outras funcionalidades ao longo do ano. 

A solução oferecida na plataforma de gestão é a de e-commerce. As escolas têm um problema fiscal em comprar livros didáticos para revender aos alunos, uma vez que o cadastro estadual delas é de provedor de serviços. 

A Vasta oferece, através da Livro Fácil, o maior marketplace de ensino básico do país, com mais de 167 mil itens em seu catálogo. Repentinamente a escola se livrou de problemas de organização, logística e fiscal, através de um serviço oferecido pelas Vasta. 

A empresa ainda está desenvolvendo soluções para as frentes de matrícula online, marketplace de bolsas de estudos, marketing digital e CRM, ERP Financeiro e Acadêmico. 

Estas soluções ajudarão as escolas a atrair cada vez mais alunos, oferecê-los uma educação de excelência, não apenas segundo o currículo básico exigido pelo MEC, mas os preparando para os desafios da vida adulta e consequentemente conseguirão um maior grau de retenção de sua base de clientes. 

Modelo de negócios

As escolas que decidem por operar com serviços oferecidos pela Vasta, assinam contratos que vão de três a sete anos, o que garante uma grande previsibilidade de receita pela empresa. 

Hoje, mais de 4 mil escolas são clientes de algum serviço oferecido pela companhia, dentre um universo possível de mais de 17 mil. 

Os serviços oferecidos são customizáveis, então existe uma grande oportunidade de cross-sell, visto que as escolas que são parceiras atualmente, nem sempre adquirem todos os pacotes possíveis. Se o atual cliente está satisfeito com o serviço (conforme os níveis de NPS da empresa), ele tem mais chance de adquirir outras ofertas da Vasta. 

A Cogna acertou em cheio em dividir suas unidades de negócio, pois permite que o mercado precifique de maneira mais adequada a holding como um todo. 

Ao olharmos para a Vasta, temos uma empresa de plataform as a service (paas), que funciona em um modelo de assinaturas, onde o cliente pode montar seu pacote e paga mensalmente para a companhia de acordo com as funcionalidades escolhidas. Estamos diante de um negócio ainda com receitas recorrentes e previsíveis. 

O modelo é todo baseado em tecnologia, como foi possível observar através das novidades apresentadas aqui e serão ainda mais latentes com o passar do tempo e o lançamento de novas features

A Vasta é uma unidade asset light, visto que demanda pouco investimento em capital físico pois ela não tem o custo de criar e administrar uma escola do zero, com o pagamento de salários de professores, etc. 

Ela fornece soluções com viés tecnológico, fazendo com que os investimentos tenham que ser em profissionais da área e em grandes servidores. O custo disso tudo é muito menor e a escalabilidade é alta. 

Desenvolvido o sistema, ele precisa apenas de manutenção e de melhorias contínuas. Mas pouco importa se haverá uma ou mil escolas conectadas a esse sistema. A receita cresce muito mais rápido do que o custo. 

Essas características de asset light e alta escalabilidade, conferem ao negócio um grande potencial de crescimento.

Conclusão

A Vasta Educação é apenas uma das linhas de negócios da Cogna. A empresa também promete entregar um mindset mais voltado à tecnologia em suas outras áreas de negócios, mas certamente a Vasta se mostrou algo sem precedentes, em um mercado altamente fragmentado e com muitas oportunidades de melhorias. São características que gosto muito em uma empresa. 

Ainda precisa ser observado se os desenrolares serão como a empresa espera, mas me parece uma ótima oportunidade de longo prazo.  

Insights: a você, saúde!

O ano de 2019 foi o momento em que as operadoras de saúde presentes na bolsa de valores caíram na graça dos investidores. Tanto NotreDame Intermédica, quanto Hapvida vivenciaram altas de mais de 100% no ano. 

Depois de ver substancial valorização, o investidor pode se perguntar se ele já perdeu a chance de entrar ou ainda pode investir nessas empresas. 

O modelo de negócios

As duas operadoras são caracterizadas por operarem de forma verticalizada, o que garante a maior vantagem competitiva dela, frente aos outros operadores de saúde. 

Quando dizemos que uma empresa é verticalizada, isso quer dizer que ela detém ao menos dois processos em sua cadeia de produção ou de serviços. 

Uma empresa que produz e vende roupas ao consumidor final é verticalizada, visto que ela recebe a matéria prima, confecciona as peças, tem o trabalho de logística para que os produtos cheguem às suas lojas e as vende aos seus consumidores, elaborando os devidos planos de estratégia de marketing e colocação, por exemplo. 

Hapvida e Intermédica são verticalizadas pois vendem aos seus clientes planos de saúde onde o paciente pode passar por consultas, realizar exames de laboratório e fazer cirurgias através de operações próprias. 

Isso quer dizer que o operador não tem de pagar à clínica ou ao laboratório por um exame pré-operatório, o que reduz o custo e da maior poder à empresa. Além disso, a empresa pode criar protocolos internos que funcionem de maneira ágil, diminuindo o tempo de espera do paciente entre exames e internação. 

Também é possível criar rotinas de exames preventivos, a fim de diminuir o índice de sinistralidade, que é o quanto a empresa gasta com solicitações dos pacientes, comparado ao faturamento com planos de saúde. 

A inflação médica é um grande problema e as operadoras verticalizadas excluem este ponto, uma vez que boa parte de seus médicos são contratados e não conveniados. Médicos e clínicas ganham por complexidade do exame e quantidade de visitas do paciente, enquanto que os mesmos contam com dados limitados sobre o cliente. 

Os hospitais também ganham mais quando os clientes ficam por mais tempo internado, além de verem suas receitas aumentarem quando os procedimentos aos quais os pacientes são submetidos são mais complexos. 

Como o operador consegue ter um maior controle sobre os custos de atendimento, essas empresas podem oferecer planos mais baratos, que ofereçam soluções completas para seus beneficiários. Além disso, a margem de lucro é maior, visto que a maior parte dos custos estão dentro de casa. 

Saúde no Brasil

O Brasil é o terceiro país que mais gasta no mundo com saúde, atrás apenas de EUA e China. Apesar disso, apenas 24% da população brasileira têm acesso à planos de saúde. 

O primeiro ponto que quero destacar, é que o sistema de saúde pública em nosso país é precário e está fadado ao fracasso. O governo já aprovou diversos planos de contenção de gastos e simplesmente não conseguirá arcar com toda a demanda de saúde que ocorrerá nos próximos anos. 

As filas de espera são enormes, não há agilidade nos atendimentos e pessoas com demandas urgentes não são atendidas. Infelizmente esta é a situação que mais de ¾ da população está submetida. 

O alto desemprego no país corrobora para a situação. Apesar de ser um gasto importante para as famílias, o custo com plano de saúde é alto e é muitas vezes cortado do orçamento em momento de crise. 

Além disso, diversas famílias só utilizam planos de saúde por conta do empregador, que muitas vezes concede o benefício aos seus funcionários. Quando o sujeito perde o emprego, perde também o plano de saúde e acaba não fazendo um novo plano individual ou familiar. 

Acontece que estamos no início de um ciclo de recuperação forte da economia. Com a recuperação da economia, diversos empregos serão gerados, como os dados recentes já estão mostrando. 

A recuperação dos empregos faz com que diversos planos corporativos passem a ser gerados novamente. Intermédica e Hapvida oferecem a solução para os planos corporativos, com a amenização da inflação médica. O empregador não tem mais que se preocupar com funcionários insatisfeitos com um plano de saúde ruim. 

E acredite, isso faz toda a diferença dentro de uma empresa. Oferecer o melhor suporte aos seus funcionários faz com que uma empresa saia de boa para excelente. Além disso, os melhores benefício atraem os melhores talentos. Como já diria André Ribeiro, da Brasil Capital: gente boa faz diferença. E gente ruim também faz. 

Some a isso o fato de que mesmo que as empresas não ofereçam o benefício, o cidadão que sai do desemprego e passa a ter renda, pode novamente fazer a aquisição de um plano de saúde individual ou familiar, o que gera um fluxo de receita para dentro da empresa. 

Novo panorama etário do brasileiro

A tendência demográfica brasileira tem mudado cada vez mais para um padrão mais próximo do observado nos países desenvolvidos, onde a população acima de 60 anos ganhou maior volume. 

Além disso, observamos nas últimas décadas um aumento substancial na expectativa do brasileiro, que ao viver mais, gastará mais com saúde. 

No geral, essa categoria é a que mais gasta com saúde. Ou seja, o mercado potencial está em expansão para as operadoras de saúde. A demanda será cada vez maior e vencerá a disputa as empresas de excelência que estiverem melhor preparadas. 

Oportunidade de consolidação

O setor de saúde é extremamente fragmentado no Brasil, com mais de 700 operadores espalhados por todo o país. De todo o mercado, Hapvida tem uma participação de 7,1%, sendo a segunda maior empresa em market share e Intermédica tem uma participação de 6,8%, na quarta colocação. 

Como já foi apresentado, o modelo de negócios das duas empresas é o vencedor neste mercado com inflação médica controlada, estrutura de incentivos alinhada e qualidade no atendimento. E elas já saíram na frente dos concorrentes, ganhando uma grandiosa escala sobre o restante. 

Tanto Hapvida, quanto NotreDame já saíram às compras em diversas vezes. A excelência operacional aparece também neste momento. Depois de fazer uma aquisição, a empresa deve realizar um trabalhoso processo de integração a fim de capturar sinergias. 

Podemos dizer que ambas as empresas fazem o estado da arte neste processo. Os processos de integração guiados por elas foram capazes de capturar sinergias em tempo recorde. 

A NotreDame foi uma empresa que surgiu dentro de um fundo de Private Equity da Bain&Co, uma das três maiores empresas de consultoria estratégica do mundo. Sabe aquela história da gente boa? 

Quando você tem ao seu lado os melhores consultores do mundo, pessoas que já passaram por diversos processos empresariais e já ajudaram as maiores empresas do país com suas demandas, essas integrações ficam mais fáceis e nisso a NotreDame tem vantagem frente à Hapvida. 

Isso não é, no entanto, uma crítica à Hapvida, que também tem um processo muito bem estruturado e consegue capturar sinergias de forma ágil. Apesar de um background de empresa familiar, a companhia tem diversos conselheiros independentes, além de um time de gestão altamente capacitado. 

Mas qual comprar?

Não é incomum encontrarmos ambas as empresas juntas nos portfólios dos mais renomados gestores de ações do Brasil. Então por que não as duas?

A Hapvida tem uma presença mais forte no nordeste, apesar de, através de seu processo de expansão, ter colocados os pés já nas cinco regiões do país. 

Além disso, o posicionamento de mercado da empresa tem um foco maior em vender planos de saúde baratos, acessíveis a qualquer um, o que configura à empresa um dos menores ticket médio do setor. Além disso, a empresa também tem força nos planos corporativos. 

Por oferecer planos mais acessíveis, a empresa tem um crescimento endereçável gigantesco, visto que a renda per capita do brasileiro ainda é baixa. Por ter sua operação verticalizada, a Hapvida consegue mitigar custos e por conta disso oferecer soluções mais baratas. 

A NotreDame por sua vez tem um foco de expansão em cinturões, fazendo aquisições ao seu redor e ir aumentando cada vez mais o raio deste cinturão. A empresa surgiu no estado de São Paulo e está ganhando cada vez mais relevância no sudeste. 

A empresa tem um foco muito forte nos planos corporativos, que oferecem uma fonte de receita mais previsível, o que ajuda no planejamento para outras aquisições, por exemplo. Atualmente, mais de 85% dos planos da empresa são corporativos. 

Os planos individuais ou familiares da Intermédica são mais caros, o que é possível pela presença massiva no sul/sudeste. Isso, no entanto, diminui o mercado potencial da empresa. 

Agora trago uma opcionalidade longuíssimo prazo. Em diversos conversas com gestores, já me foi ventilado a possibilidade de uma fusão entre as duas empresas. O smart money diz fazer sentido a fusão, visto que as empresas seriam complementares e teriam sinergias gigantescas a serem capturas. 

Se vai acontecer ou não, não tenho a capacidade de te dizer. É uma opcionalidade justamente por ser algo difícil de se prever e, consequentemente, a expectativa não está no preço de nenhuma das duas ações. 

O que já sabemos de antemão, é que saúde continuará a ser um serviço essencial. 

Insights: montando sua carteira para 2020 Pt. III

Depois de apresentar a você o racional que nosso portfólio deve ter para os próximos anos e passar mais detalhadamente sobre a composição de renda fixa e fundos multimercados, chego hoje ao final desta série de três artigos. 

Nos resta dissecar os outros 50% da nossa carteira e onde ela deve ser alocada. 

Ações

O ano de 2019 foi de muito aprendizado no ambiente macro brasileiro. Iniciamos o ano lotados de otimismo, que se esvaiu conforte o calendário foi girando. 

Uma valorização de quase 10% da bolsa no primeiro mês do ano, acompanhado do recorde dos 100 mil pontos do Ibovespa em fevereiro nos fez trazer mais cedo do que deveríamos o discurso de que this time is different. 

Realmente fazia sentido, mas precisávamos passar por algumas provações antes que isso concretamente se materializasse. 

Com o passar do ano passamos a ter menos medo do que Jair Bolsonaro e sua trupe falam, aprendemos a lidar com o medo da Guerra Comercial entre as duas maiores potências do mundo e a possível recessão global que isto poderia causar – quando foi que isso acabou mesmo? 

Também aprendemos a confiar um pouco mais no pessoal do congresso, que claro, fez seu show e apareceu na mídia, apenas para aprovar com uma aceitação maior do que a esperada da Reforma da Previdência. 

O crescimento não veio, felizmente a inflação também não. O que veio e veio forte foi a queda de juros. Quatro reuniões consecutivas do Copom com corte de juros de 0,5% e repentinamente – será? – temos a Selic no menor patamar de sua história. 

Teríamos que passar por estes aprendizados ao longo do ano para que o caminho esteja pavimentado a partir de agora. Não vamos colocar o carro na frente dos bois, como se costuma falar no interior. 

Qual o efeito quase que imediato disso tudo? O número de investidores na bolsa dobrou em apenas um ano. Calma, ainda estamos abaixo do patamar de 1% da população brasileira investindo em ações, mas novamente, calma. 

Enquanto isso, o número de investidores em fundos imobiliários triplicou. Parabéns aos envolvidos. Estamos no caminho. 

Todos estes pequenos problemas, alguns meses atrás, assim que vieram à mídia anunciá-los, eram grandes demais para serem resolvidos. Ah esses poetas do apocalipse…

Indo ao que interessa, a grande beneficiada das mudanças estruturais que estão acontecendo no Brasil é justamente a renda variável. Ativos reais se valorizam na veia de juros estruturalmente baixos. 

Primeiro porque os projetos que eram inviáveis com taxas de juros acima de 10%, ficam muito mais palpáveis quando estamos no patamar de 4,5%. E não se deixe levar pela boa nova dos pessimistas. A inflação do último mês até assustou ao levar a projeção para a casa dos 3,8% – o que fizeram com o Brasil?

A questão é que esse aumento na expectativa de inflação foi causado principalmente pelos alimentos, que devem se normalizar em questão de preços ao longo dos próximos meses. O núcleo de inflação, que é o que importa no fundo, ainda está ancorado e corrobora para um patamar baixo de juros. 

Voltando às ações, as empresas tiveram que fazer a lição de casa na última crise. Na mesma narrativa de que precisávamos passar por uma provação em 2019 para que pudéssemos evoluir, os executivos que tocam as maiores companhias do país tiveram de quebrar a cabeça em planos estratégicos para sobreviver à crise. 

Em um esquema de antifragilidade, depois de ter passado por este período de dificuldades, estas empresas saem da crise ainda melhores do que entraram, pois agora sabem sobreviver caso a adversidade volte. O mesmo vale para o time de gestão, que foi forçado a usar a cabeça de formas inimagináveis e agora estão ainda mais preparados para os desafios que surgirão à frente. 

Uma parte do dever de casa das empresas foi enxugar ao máximo suas estruturas de custos, principalmente cortando gastos com mão de obra e desligando máquinas. 

Com o retorno da demanda prometido e esperado para 2020, as empresas começaram a contratar, mas terão um mão de obra mais barata em termos reais do que no passado, visto que o estoque de trabalho está muito alto. A famosa lei da oferta e demanda. 

A partir do momento em que as pessoas passarem a demandar produtos, é só ligar as máquinas novamente e a produção volta a acontecer a pleno vapor. Os custos continuarão baixos, mas a receita tende a aumentar, o que aumenta o lucro exponencialmente. 

Sabemos que no longo prazo, o preço das ações segue o lucro das empresas. Portanto podemos aguardar uma ótima valorização para este próximo ciclo.

Para os que possam argumentar que a bolsa já subiu muito e que, no geral, a bolsa já está cara, podemos pegar por exemplo a relação de preço/lucro do Ibovespa. Atualmente este múltiplo está no nível da média histórica. 

Acontece que o ciclo atualmente é sem precedentes e deveria negociar com prêmio para a média histórica. O Brasil nunca teve o potencial que tem agora, com o corte de gastos públicos e abertura cada vez maior da economia. 

Este cenário é inédito e o potencial é gigantesco. Se é algo nunca antes visto, o múltiplo de preço/lucro também deve ser de algo nunca antes visto. Existe um bom crescimento de lucro projetado para as companhias para os próximos anos, o que diz que para chegar neste ponto de máxima histórica, os preços devem subir ainda. 

Dado o cenário descrito acima, realmente julgo a renda variável como a classe que mais vai se beneficiar e deve ser muito ganhadora de dinheiro neste ciclo que está apenas começando. Esta é a justificativa para uma exposição de 35% às ações. 

Esta exposição pode ser feita de duas formas: comprando os papéis a vista no mercado, fazendo um stock picking; ou fazer a alocação através de fundos de investimentos em ações. 

O primeiro caso é indicado para quem já tem experiência no mercado e tem a disposição tempo e muita vontade de aprender. Investir em ações não é difícil, mas está longe de ser fácil. Exige muita dedicação e muito controle emocional para fugir das trapalhadas quando ver sua ação caindo 5% em um único dia. Quando cair 10%, 15% então…

Apesar disso, se você se sentir confortável, a exposição direta nas ações te livra de pagar as taxas de administração e performance presente nos fundos de ações. 

A segunda forma de exposição é feita via fundos e é indicado à maioria das pessoas, visto que em geral os investidores trabalham em outras atividades durante o dia, além de ter de alocar tempo para a família, capacitações, lazer, etc. 

Se este for o seu caso, o ideal é alocar estes 35% em, no mínimo, três fundos de ações. É interessante contar com três fundos long only, aqueles que podem operar apenas na ponta compradora devem ter ao menos 67% do patrimônio comprado em ações. 

Também vale a pena ter um ou dois fundos long biased, que em geral operam comprados, mas podem operar vendidos em ações também. Estes fundos tendem a se valorizar menos em momento de euforia na bolsa, mas sofrem bem menos quando a bolsa cai. 

Apesar do otimismo com as ações, o Brasil é o país onde os cisnes negros passam férias, pelo nosso passado, parece que as férias brasileiras e as europeias, dado a quantidade deles ao longo do ano…

Portanto, é sempre interessante estar alocado em ações, mas com um pouco de proteção, já dentro desta classe. 

Fundos Imobiliários

Assim como a relação entre ações em empresas, os FIIs são lastreados em ativos reais, mais precisamente imóveis. 

Essa classe ganhou muito em 2019, visto que os juros caíram 2% apenas neste ano. 

O próximo ano tem um ótima perspectiva para os fundos imobiliários. Tratando apenas das três maiores classes de fundos imobiliários, a volta do crescimento econômico deve impulsionar muito os aluguéis. 

Falando primeiramente dos fundos de shoppings, com o desemprego começando a diminuir e os juros em patamares baixos, o consumo das famílias deve explodir, visto que a renda disponível irá aumentar e a maior visibilidade econômica torna o acesso ao crédito mais fácil. 

Os shoppings no Brasil são verdadeiros centros urbanos onde se pode fazer tudo: compras, ir ao cinema, ir à agência bancária e ter uma consulta médica. Resumindo, as pessoas conseguem resolver grande parte de suas demandas dentro de um shopping. 

A abertura de lojas em shoppings em 2020 deve aumentar, o que irá aumentar a procura e logicamente, aumentará os preços cobrados nos aluguéis. 

A retomada da economia também impulsiona a abertura e expansão das empresas, que precisarão alocar seus funcionários dentro de escritórios. A procura por lajes corporativas também ajuda na revisão dos aluguéis para cima. 

Por fim, a procura por galpões logísticos também deve aumentar muito nos próximos anos, visto que uma economia aquecida demanda muito espaço para bens materiais, que serão alocados em grandes galpões para estarem preparados para atender a demanda das lojas. 

Todo o cenário ajuda a revisar aluguéis para cima, o que aumenta a distribuição por cota. Por ser obrigado a distribuir 95% de sua renda obtida de aluguéis, os FIIs são uma ótima opção para renda mensal. 

A destinação da renda fica a seu critério. O mais interessante seria o reinvestimento nesta ou em outras classes de ativos, mas não serei eu que te julgarei caso opte por gastar os proventos na sua próxima viagem. 

Proteções

Ah, como eu queria poder prever com exatidão o que acontecerá no futuro. Seria muito fácil, eu venderia tudo que tenho, iria ao banco pedir dinheiro emprestado e investiria tudo na ação que mais se valorizaria. 

Mas o futuro insiste em ficar lá na frente, inacessível aos meros mortais como eu e, presumo que, você. Nem mesmo o passado é um bom indicativo do que acontecerá no futuro. Novos fatos aparecem a todo momento para nos provar algo que sequer havíamos pensado. 

Se eu estou otimista com o ciclo econômico atual? Muito. Se eu acho que ele é inédito e tem um potencial gigantesco de geração de valor? Sem dúvidas. 

Mas é tudo exatamente isso. Eu acho. Eu não tenho certeza. E se você conhece alguém que diz ter certeza, fuja enquanto há tempo pois você acabou de encontrar um charlatão. Provavelmente ele nem investe, não tem skin in the game como eu e você. 

Se pudéssemos, de alguma forma, acessar o futuro e conhecer os ativos que mais se valorizaram, isso configuraria um almoço grátis e, em geral, eles não estão disponíveis. 

Assumida a nossa incapacidade em prever o futuro com exatidão, partimos então para nos proteger, caso o nosso cenário base não se concretize. 

Vamos então esclarecer o cenário base que eu tenho e que motivou a criação deste portfólio: Acredito que nos próximos anos os juros permanecerão baixos, acontecerá uma onda de concessões e privatizações, a economia brasileira irá se abrir cada vez mais, as reformas serão aprovadas, o Brasil ganhará novamente o selo de grau de investimento e caminharemos à liderança entre os países emergentes. 

Olha, é muito otimismo, inclusive para mim. É até provável que de tudo que falei acima, algumas coisas não se mostrem verdadeiras, mas nada que atrapalhe a tese. 

Mas se algo inesperado ocorrer a ponto de anular a tese de investimentos, é necessário que estejamos preparados. Por conta disso sugiro uma alocação de 5% em ativos que nos protegem em um cenário que as coisas saiam dos trilhos. 

O ouro é universalmente aceito como reserva de valor em todo o mundo. Onde quer que você vá, o ouro será aceito como moeda. Isso não é uma discussão, é uma verdade. Além disso, o metal precioso já mostrou que tem correlação negativa com o dólar, a ponto de ganhar valor em momentos de tensões mundiais. 

Pasmem, mas o ouro foi uma das classes de ativos que mais se valorizou globalmente em 2019. 

O dólar é a moeda fiduciária mais segura do planeta e também é ganhadora de dinheiro contra todas as outras moedas em momentos de tensão. Isso porque no pior dos casos, os investidores ao redor do mundo vendem tudo e correm para os Estados Unidos. Isso causa uma onda compradora no dólar, que joga o preço da divisa para cima. 

Lembre-se que o objetivo não é especular com o dólar e ganhar dinheiro. O que se diz é que as previsões do câmbio foram criadas para que os economistas fossem mais humildes – ou seria mesmo para humilhá-los sempre que tentam prever para onde vai a moeda? 

Desta forma, compre dólar e não se preocupe com o preço. Se cair um pouco ok, mas se tudo der errado, isso vai se valorizar muito e você vai agradecer a si mesmo por ter comprado dólares. 

Por fim, existe a possibilidade de fazer proteções com opções de venda fora do dinheiro, que se valorizam no cenário de queda expressiva das ações. 

Vale dizer que é interessante ter um pouco dos três. O ouro e o dólar podem ser acessados via fundos de investimentos, enquanto que as opções terão de ser compradas a parte. 

Esteja preparado para ver essa parcela do seu portfólio cair ou não sair do lugar. É inclusive interessante que isso aconteça, visto que isso é um indicativo de que o restante da carteira está indo de vento em popa. 

Ouro e dólar tem um carácter de convexidade muito interessante. Esses ativos nunca irão valer zero, mas em momentos de estresses eles se valorizam de forma expressiva. 

As opções podem virar pó, mas se forem acionadas, proporcionam um ganho exponencial. 

Insights: montando sua carteira para 2020

Com o fim do ano chegando, é comum que as pessoas já estejam com a cabeça na próxima década. Essa também é uma boa hora para você investidor repensar a forma como está investindo e se sua carteira está preparada para os anos vindouros. 

Não que devamos pensar em 2020 para o ano para fazer a vida e ficar milionário. Pode até ser que aconteça, mas o sucesso nos investimentos não se ganha em apenas um ano. Se trata de boas performances ano após ano, deixando com que a mágica dos juros compostos aconteçam. 

Todos gostariam de escolher uma ação que se valorizará 100% no próximo ano. Mas você já parou para pensar em uma carteira que rende 20% por cinco anos? Com os juros compostos, ao final do período o rendimento terá sido de 249%. Interessante, certo? 

Um rendimento de 20% ao ano é difícil de se conseguir, mas não é impossível. O segredo está na alocação. Se uma carteira estiver bem diversificada nas mais diferentes classes de ativos, além de diversificar também dentro dessas classes – não dá para escolher apenas uma ação e alocar todo seu capital nela – certamente estaremos mais perto de atingir o objetivo. 

A partir de hoje teremos uma série de artigos que te ajudarão a estar mais preparado para revisitar sua mente e a forma como você investe, além de lhe auxiliar a montar uma boa carteira para surfar os próximos anos. Tenha sempre em mente: investir é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. 

Diversificação

A regra número um para uma carteira ser julgada como boa é a diversificação. Ela é nosso único almoço grátis disponível, da qual devemos usar e abusar. 

A diversificação deve ser utilizada como uma forma de mitigar riscos e angariar retornos caso nosso cenário base não se concretize. E acredite, dentro os diversos cenários base que iremos traçar, uma parte considerável deles não irá se materializar. 

Uma carteira pulverizada nos ajuda a dormir tranquilo em um mundo que não entendemos. O futuro é incerto e insiste em ficar no… futuro. Como já dizia um velho sábio: “é difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro”.

Ora, eu mesmo tenho um cenário interessante para 2020. Neste cenário as reformas passariam com alguma resistência no congresso – como sempre acontece -, o crescimento do PIB viria de forma mais surpreendente e a inflação convergiria para o piso da meta do BC. 

Apesar de uma inflação um pouco mais forte, o BC se sentiria confortável para manter os juros baixos, visto que o desemprego ainda continuaria alto e ainda haveria um hiato de produto. 

Neste cenário, as ações e o juro longo seriam novamente grandes vencedores.

Acontece que o nosso presidente pode simplesmente desandar a falar bobagens a ponto de atrapalhar o andamento das reformas no próximo ano. Paulo Guedes pode ficar de saco cheio e se decidir que depois de tudo que já fez na vida, não quer ficar aguentando desaforo e se despede do ministério da economia. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos pode não se resolver a tempo de salvar o mundo de uma recessão, o que prejudicaria muito o Brasil, uma vez que em momentos de recessão, o capital sai dos emergentes em um movimento conhecido como fly to quality, indo para o terreno seguro dos EUA.

Diversas coisas podem acontecer apenas neste próximo ano, sem falar de 2021, 2022… 

O que nos resta, portanto? Diversificar! Se tivermos uma carteira bem diversificada, conseguiremos nos expor aos mais diferentes cenários de retorno. Claro, se estamos mais otimistas com o Brasil e o mundo no próximo ano, iremos nos expor a ativos reais de forma mais contundente. 

Para o caso da renda variável, a diversificação fica ainda mais importante. Além do que já foi citado acima, o preço das ações no curto prazo obedecem a regras aleatórias, algo como o caminhar de um bêbado. Não significa, no entanto, que determinada ação seja boa ou ruim. 

No longo prazo, no entanto, o preço das ações acompanha o lucro das empresas que estão por trás delas. Se uma empresa gera lucro constantemente e tem boas perspectivas para o futuro, é comum que suas ações acompanhem no longo prazo. 

No curto prazo, no entanto, elas são afetadas pelos mais diferentes problemas técnicos e notícias. 

As empresas obedecem a ciclos empresariais, que são mais longos do que gostaríamos que fossem. Não é lógico pensarmos que uma nova direção em determinada companhia irá efetuar as mudanças necessárias e colher os resultados em apenas 3 meses. Essas mudanças demoram anos para terem efetividade. 

Esses são apenas alguns motivos para que você opte por uma carteira diversificada para os próximos anos. Em um futuro incerto, como sempre é, a única forma de conseguirmos enriquecer tranquilos, é diversificando. 

Sua carteira, portanto, deve ter títulos de dívida, ações, fundos imobiliários, fundos multimercados, dólar, opções e ouro. Se tiver a oportunidade, é interessante também ter participação em fundos de private equity. Com o atual patamar de juros, estes veículos passarão a ter mais representatividade e se mostram uma boa forma de angariar retornos. 

O gráfico acima mostra a alocação que julgo a ideal para surfar a onda de recuperação da atividade econômica brasileira. Para mim, essa é a solução ideal de carteira para qualquer que seja seu perfil de investidor. 

Não estou falando que escolhendo estas proporções, você terá um retorno garantido, mas certamente existe mais chance para que sim do que não. 

Para você que se julga com perfil mais agressivo nos investimentos, você pode subir mais sua fatia em ações, diminuindo a exposição em fundos multimercado e renda fixa. No entanto, não tenha menos do que 15% de cada um. Isso significa que você deve alocar no máximo 55% em bolsa, algo que já é bem arrojado e não indicado para a maioria. 

Caso não se sinta tão confortável com a alocação acima, você pode abaixar um pouco a alocação em ações e aumentar em renda fixa e fundos multimercados. Não deixe, no entanto, que seu medo te impeça pegar a grande onda de alta que a bolsa deve ter nos próximos anos. 

Cada classe de ativo presente em nossa carteira será melhor trabalhada ao longo das próximas semanas. Mas antes de finalizarmos, acredito que seja importante destacar um ponto. 

Saudosismo que atrapalha

O investidor um pouco mais velho pode se sentir incomodado com a alocação proposta acima. Ele pode julgar que os riscos sejam muito elevados, com uma alocação em renda variável de 45%. 

Tudo bem, eu não julgo. Esse mesmo investidor viu, por anos, a renda fixa pagar 12% ano ano, sem riscos e sem chacoalhadas de preço. Ao mesmo tempo, viu a bolsa de valores sofrer para bater a renda fixa e ainda contar com marcações a mercado instantâneas. 

A questão é que o que acontecia no Brasil, era, na verdade, uma anomalia de mercado. O correto segundo a teoria econômica é a renda variável pagar mais, justamente porque ela tem mais riscos. 

O movimento que aconteceu nos últimos meses veio justamente para corrigir esta falha. Ao mesmo tempo, a reforma da previdência foi aprovada e pelo menos mais três reformas estão engatilhadas para o próximo ano.

Estas reformas tiram do governo uma centena de gastos obrigatórios e dão mais liberdade orçamentária para colocar as dívidas em dia. A onda de privatizações também colabora para o fim dos gastos do governo em empresas. 

Tudo isso corrobora para uma maior abertura econômica e melhora muito o ambiente de negócios no Brasil. Com as engrenagens azeitadas, a taxa básica de juros pode permanecer em patamares baixos por um período prolongado de tempo. 

Com os juros baixos, a renda fixa irá pagar menos, visto que os títulos do governos estarão pagando muito pouco. Já foi falado aqui que alguns fundos de renda fixa apresentarão rendimentos reais negativos. 

Além disso, um menor patamar de juros torna diversos projetos mais viáveis, visto que o crédito estará disponível de forma mais barata. Isso impulsiona o consumo das famílias e beneficia, por exemplo, o setor de construção civil, que deve se aquecer nos próximos meses, junto com uma revisão para cima dos aluguéis. 

Com o cenário acima, os rendimentos de 1% ao mês sem riscos, se tornam inviáveis. A partir de agora, o investidor terá que se tornar menos avesso a riscos, assim como já é na vida. Cada escolha uma renúncia. 

Se na vida temos de arriscar para conquistarmos mais, nos investimentos é estritamente a mesma regra. 

Além disso, voltamos àquela velha máxima que prego aqui de que risco não é volatilidade. Utilizando o mesmo exemplo, uma debênture da Rumo tem exatamente o mesmo risco de perda de capital que uma ação da Rumo, apesar de a segunda ter uma volatilidade muito maior. 

Volatilidade é apenas um conceito técnico que é usado, de forma errada, como uma medida para risco. Não é porque não se mexe que não que é arriscado. 

Portanto, meu caro investidor, se acostume à assunção de risco. O que acontecia com a renda fixa no Brasil era um almoço grátis e na grande maioria das vezes, eles não estão disponíveis. 

Esta solução definitiva de carteira é diversificada justamente para a mitigação de riscos. 

Quando finalmente virarmos a chave de que o 1% ao mês está enterrado, poderemos dar o próximo passo rumo à uma melhor forma de se investir. 

Investir pode até parecer difícil e diversas vezes irão te fazer acreditar que realmente o é. Apesar disso, é mais ou menos como a vida. Se você realmente tiver vontade de fazer acontecer, estudar e saber fugir das grandes encrencas, o crescimento virá.