Por que é o momento exato para internacionalizar os investimentos?

A importância de internacionalizar os investimentos não é novidade para o mercado. Há tempos essa necessidade tem sido falada por profissionais da área como analistas e assessores de investimentos.  Mas por que é o momento exato para internacionalizar os investimentos?

No entanto, o cenário atual e o que está por vir, acendeu ainda mais essa necessidade. E agora, quem não diversificar sua carteira com ativos internacionais provavelmente vai ter seus rendimentos atingidos pelo Risco-Brasil 2022. 

Porque uma coisa é certa: diversificar não significa apenas investir em ativos brasileiros diferentes. A essência da diversificação verdadeira vai além e precisa atravessar regiões e nacionalidades. 

O intuito de diversificar é exatamente esse: alocar em ativos que sejam descorrelacionados um do outro, ou seja, que se movem de maneiras e com interferências externas diferentes. Assim, a carteira de investimentos fica equilibrada mesmo que um dos ativos esteja indo mal. 

Aliás, em um dos nossos dias do BlueTalks, o estrategista-chefe da Blue3 fez a seguinte colocação: “Uma boa carteira de investimentos sempre vai ter um ativo que está indo mal”.

Você pode, inclusive, clicar aqui e assistir

Por que é necessário investir no exterior?

O motivo principal é esse que citamos acima: diversificar os investimentos para uma performance equilibrada da carteira de ativos. 

Em outras regiões, como Europa e Estados Unidos, essa já é uma cultura bastante comum. Principalmente porque quando ocorre uma crise doméstica, os investimentos são diretamente impactados e expostos à volatilidade. 

Dessa maneira, a alocação internacional em economias mais estáveis, garantem a segurança que o investidor precisa no momento, evitando os riscos sistêmicos e conjunturais. 

O mesmo acontece com a desvalorização da moeda local. Por exemplo, em 2020 o Real foi a moeda com pior desempenho em comparação com os demais países emergentes do mundo. 

Essa desvalorização e volatilidade da moeda brasileira é puxada naturalmente pela incerteza política e pelo quadro fiscal delicado. Dessa forma, a pessoa que investe em moedas fortes está protegendo também o seu poder de compra. 

Para você visualizar melhor, listamos os tópicos que demonstram os benefícios do investimento no exterior:

  • Exposição aos principais temas de investimentos em todo o mundo;
  • Exposição à moedas fortes, imunes dos problemas inerentes aos países emergentes;
  • Adição de ativos com descorrelação dos investimentos no Brasil;
  • Melhora da relação risco x retorno, através da diversificação.

Além disso, é importante lembrar que hoje o Brasil representa aproximadamente 3% do PIB mundial, sendo 2% de renda fixa e 1% das ações. 

Dessa forma, é possível entender que investir no exterior não é apenas um luxo, mas sim, parte de uma estratégia de acessar boas oportunidades para  os seus investimentos. 

O que é o Risco-Brasil 2022?

A instabilidade nos investimentos, a incerteza econômica e a inflação já nos avisam sobre como será o cenário do próximo ano. 

Além do risco fiscal iminente, a crise hídrica e o país tentando se reerguer a todo custo dos impactos causados pela Covid-19, teremos o plus das eleições presidenciais.

Como todos já sabem, as eleições têm deixado uma nuvem de dúvidas e não sabemos o que irá acontecer, mas sabemos que essa insegurança política pode causar estragos no mercado financeiro. 

Todo país tem um risco soberano, que no nosso caso, é chamado Risco-Brasil. E, por esse motivo, uma pesquisa realizada pela XP Investimentos mostrou que 51% dos clientes pretendem diminuir a exposição ao mercado acionário em 2022. 


Mas, existe uma saída?

Existe sempre uma saída, mesmo em cenários muito ruins. Na última semana de novembro, a Blue3 realizou uma Webinar com nosso chefe-estrategista Thiago Nemézio e Daniel Haddad, diretor de investimentos da Avenue, uma corretora dos Estados Unidos.

Na Webinar com o tema “A grande oportunidade em um 2022 incerto?”, os profissionais falaram sobre o comportamento do mercado e investimentos no exterior, que é a principal saída para superarmos o cenário do ano que se aproxima. 

Primeiramente, Haddad já deixou uma reflexão de suma importância: “O mercado financeiro não é só sobre o que você sabe, mas de como você se comporta”. Por isso, o caminho para a porta de saída da crise é sempre o da calma.

É essencial entender que existe a crise, mas que o emocional e a ansiedade não podem tomar conta do investidor nesse momento, pois elas podem ser muito prejudiciais e fazer com que várias decisões equivocadas sejam tomadas. 

Inclusive, Haddad citou uma pesquisa que analisou um grupo de investidores que tinham e que não tinham uma assessoria de investimentos, e que o grupo com assessoria se destacou em quase 3 pontos percentuais. 

Ele explicou que, mesmo com toda a estratégia usada pela assessoria na alocação de ativos, o ponto crucial para a melhor performance do grupo foi o papel do assessor “acalmando o cliente em momentos de crise e de euforia”.

Internacionalizar os investimentos é arriscado?

Seguindo com o raciocínio, o primeiro passo para atravessar uma crise é a calma e o segundo é encontrar oportunidades em meio às turbulências para amenizar os impactos. Como falamos desde o início, os investimentos no exterior são essenciais nessas estratégias. 

Mas, muitas pessoas ainda pensam que internacionalizar os investimentos é arriscado. Principalmente quando falamos em dolarizar carteiras. Mas, Daniel Haddad ainda destaca que essa é uma falsa impressão, visto que “no Brasil, os mercados de renda fixa e ações estão expostos a riscos muito semelhantes, resultando em uma correlação muito alta dos ativos locais”.

E para completar, fez uma provocação: “será que faz sentido ter uma cesta de produtos que não é 100% em real e os investimentos não?”, ou seja, as pessoas consomem produtos globais, como o iphone, combustível, carne, mas os investimentos não.

O risco está exatamente aí, porque se você é um consumidor global, a desvalorização do real faz com que você perca seu poder de compra perante ao mundo, o que é muito negativo. 

São muitas as opções e as diversidades de investimentos no exterior. A nossa assessoria, inclusive, conta com mais de 100 produtos disponíveis na maior plataforma do país, como BDRs, fundos internacionais, fundos cambiais, ETFs, entre outros. 

Para entender o que vai se encaixar melhor nos seus propósitos e perfil de risco, tenha ao lado um assessor de investimentos. Porque, segundo o Haddad, “se você não sabe quem você é, o mercado é um lugar muito caro para descobrir”.

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O que todo investidor deve saber sobre as Commodities?

Frequentemente ouvimos, em jornais ou em análises econômicas, falarem sobre as commodities e a sua influência no mercado nacional e internacional.

Inclusive, falando em influência, o Brasil é referência quando o assunto é agronegócio e somos um dos maiores produtores de commodities do mundo. 

Um estudo divulgado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) constatou que o Brasil é o 4º maior produtor mundial de grãos – arroz, cevada, soja, milho e trigo – ficando atrás somente da China, dos Estados Unidos e da Índia.

As commodities são referência de influência nos preços do mercado, como também são negociadas diretamente na Bolsa de Valores como em contratos futuros, por exemplo. 

Por isso, nesse artigo vamos explicar exatamente o que são e como se comportam dentro de todo o cenário econômico e mercado financeiro

Em primeiro lugar, o que são commodities?

A tradução livre da palavra commodity (singular) significa “mercadoria”, mas nesse caso, sua definição é um pouco mais específica. 

As commodities são matérias-primas naturais comercializadas em sua forma mais bruta, com baixo grau de transformação e industrialização. Por exemplo: soja, milho, café, petróleo, ouro, trigo, entre outros. 

Essas matérias-primas são consideradas como bens de consumo mundial, possibilitando o desenvolvimento de diversos outros produtos. 

Uma característica interessante das commodities, em geral, e que auxilia na sua identificação, é o fato de serem produzidas em larga escala e sem variações, ou seja, não apresentam diferença independente de onde e por quem tenham sido produzidas. Além disso, podem ser estocadas sem que percam sua qualidade.

Isso justifica o fato de que o seu valor depende diretamente da demanda. Seguindo, então, a lei da oferta e da procura do mercado. Um exemplo prático disso é o ouro. 

Ouro é ouro em qualquer lugar do mundo, certo? Independente do seu processo de produção, o seu estado bruto não tem alteração. 

E da mesma forma, o valor dele oscila de acordo com a procura. Quando a procura está alta, o ouro sobe, e quando está baixa, consequentemente o valor cai também. 

Como as commodities são classificadas?

  • Agrícolas 
  • Químicas
  • Minerais
  • Financeiras
  • Ambientais 
  • Energéticas 

Por terem essas características, possuem alta importância em nível mundial, principalmente pelo fato da comercialização, que é feita entre os países. 

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Como as commodities impactam o mercado?

Para começar, podemos relacionar as commodities com o processo de colonização que acontecia antigamente, em que as matérias-primas eram extraídas para o benefício dos colonizadores. 

Ao decorrer da história, com a evolução do comércio e da economia global, as commodities se tornaram (como citamos acima) bens de consumo mundial e são comercializadas internacionalmente por meio da Bolsa de Valores. 

E exatamente por isso, o movimento econômico acaba se conectando de alguma forma. Assim, podemos entender que todos os países do mundo precisam de matéria-prima para desenvolver seus produtos. Logo, os países que são “ricos” de produção, se beneficiam com a prática da exportação. 

No caso do Brasil, mais especificamente, as produções são comercializadas internamente e também no exterior, geralmente para países mais desenvolvidos. As commodities representam mais de 60% das exportações feitas por nosso país.  

Inclusive, um relatório da XP Investimentos de junho deste ano, constatou que o PIB brasileiro é fortemente correlacionado com o ciclo de commodities, e os profissionais da empresa ainda afirmaram que “não há Brasil sem commodities”.

Superciclo das commodities

As commodities na economia são marcadas por momentos de hiperciclo. E o que isso significa? Os hiperciclos são alternâncias que acontecem na economia entre períodos fortes e de crescimento, podendo haver depois, períodos de baixa e de recessão econômica.

O último superciclo das commodities foi há quase uma década, mais especificamente entre os anos de 2002 e 2008. Naquela época, foi resultado da combinação de diversos fatores, como a expansão na demanda global derivada do intenso processo de urbanização e de crescimento na renda em países emergentes, principalmente a China.

Em 2020, vimos a economia global ser fortemente impactada pela crise do novo coronavírus. No entanto, os analistas do mercado já estão apontando para um superciclo se iniciando novamente com a retomada econômica, impulsionado pela demanda vinda da China e dos EUA. 

Isso é um sinal de que, com o fortalecimento da atividade econômica nos países desenvolvidos, a demanda deve continuar crescendo no Brasil. Outro ponto forte desse fenômeno é a influência na cotação da moeda. 

Se temos dólar entrando no país, pela lei da oferta e procura, ele acaba se desvalorizando um pouco mais frente ao real. Por outro lado, como não há possibilidade da oferta também crescer na mesma velocidade, os preços acabam subindo

Quando o cenário está otimista para as commodities, vemos muitos investidores interessados em investir nessa categoria. Você sabe como investir?

Vamos seguir, então, para o próximo tópico. 

Como investir em commodities?

Quando o preço das commodities sobem, torna-se cada vez maior o número de investidores interessados em investir nessa categoria. Principalmente, aqueles que desejam fazer hedge, ou seja, proteger a carteira de investimentos da inflação ou como reserva de valor no caso do investimento em ouro ou prata.

Confira as principais opções de investimentos desta área: 

Investir em ações de empresas de commodities 

Nessa opção, o investidor investe de forma indireta, ou seja, compra papéis na Bolsa de empresas que são do segmento das commodities (como a Vale S.A, por exemplo, que é exportadora de minério de ferro). 

A Bolsa de Valores brasileira, a B3, tem bastante opções nesse sentido com ações de empresas expostas a commodities. Nesse caso, o investimento é feito como em qualquer ação.

Leia mais sobre o mercado de ações aqui.

Contrato futuro e de opções

O mercado futuro é um espaço na Bolsa de Valores em que ocorrem as negociações de contratos de derivativos de commodities, índices, taxas de juros ou moedas, com o vencimento em uma data futura.  

Mas, existe uma regra que precisa ser cumprida: o produto especificado no contrato precisa ter o mesmo padrão, condições e características para que seja negociado entre os investidores. 

Assim como em muitas outras operações, o preço de cada contrato varia de acordo com a lei de oferta e demanda. A compra do contrato garante ao investidor o direito em cima das oscilações que ocorrem sobre o ativo. 

É importante destacar que essas oscilações acontecem todos os dias e em “real time”, então caso haja uma valorização do ativo, o valor é acrescentado a sua conta e caso haja uma desvalorização, é descontado. 

E os resultados vêm de oscilações negativas ou positivas da cotação do contrato, tudo depende do polo de movimentação que você estiver operando, podendo ser na compra de um ativo para ganhar na valorização da venda, ou na venda para comprar a um preço menor depois. 

Contrato de opções 

Já as opções, por sua vez, dão o direito de comprar ou vender o ativo, mas não obrigação de exercer o contrato, e o investidor paga por este direito. Isso significa que o titular do contrato de opções pode optar por exercê-lo ou não. 

Já a contra parte, ou seja, quem vendeu o direito, de compra ou venda, terá a obrigação de honrar o contrato e, logicamente, recebe por assumir este risco. 

Para comprar uma opção, o investidor precisa pagar antecipadamente um prêmio, que reflete uma certa quantidade do ativo em questão, geralmente uma porcentagem do valor do valor do ativo de referência conforme a validade e a condição de exercício do contrato. 

Em outras palavras, o prêmio é a taxa pela qual o ativo pode ser comprado ou vendido até a data de vencimento.

Existem dois tipos de contratos de opções: de compra e de venda. As opções de compra representam uma oferta para comprar um ativo. Enquanto as opções de venda representam uma oferta para vender um ativo.

Quais são os riscos e quem geralmente opera nesse mercado?

Existem dois tipos de investidores, os especuladores e os hedgers. Os especuladores são a maioria no mercado. Eles estão interessados em ganho de capital com as variações de preço e possuem um papel fundamental para dar liquidez aos contratos. 

É por meio deles que os produtores conseguem se proteger das oscilações de preços.  Os produtores, então, são os hedgers, diretamente ligados ao mercado físico.  

Eles usam o mercado financeiro como uma ferramenta de proteção contra uma eventual baixa de preços, comprando contratos futuros.

No entanto, é um investimento de alto risco, especialmente por permitir alavancagens, por isso, é mais indicado aos investidores de perfil arrojado e experientes.

Para investir em commodities, conte com o auxílio de profissionais do mercado. Dessa forma, você estará assistido por quem estuda diariamente os cenários e os ativos. 

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China x EUA: será que estamos vivendo uma nova guerra fria?

China EUA

Atualmente, a incessante busca por hegemonia é o que vem tornando as nações mais competitivas e, consequentemente, cada vez melhores naquilo que são especialistas em produzir. 

Ocorre que, nestes últimos tempos, as duas maiores potências mundiais – China e EUA – mesmo com políticas completamente opostas, vêm dominando esta nova “guerra” para saber qual delas se tornará a potência hegemônica do século. 

Antigas previsões realizadas por economistas estimaram que o PIB Chinês iria ultrapassar o PIB americano, em termos absolutos, durante os próximos anos. No entanto, alguns fatores vêm alterando este cenário, trazendo aos EUA à frente desta provável conquista. 

Quais são os fatores que tornam um país, como a China e os EUA, uma grande potência? 

Antes de tudo, vamos dar uma passada nos principais quesitos que influenciam o crescimento de uma nação. 

O primeiro deles é o capital, que nada mais é do que o número de trabalhadores daquele país. Quanto mais pessoas trabalhando, maior a riqueza produzida. 

O segundo principal quesito é a produtividade, que diz respeito à eficiência destes trabalhadores em produzir o que precisa ser entregue. Por exemplo: no País 1, cerca de 10 trabalhadores utilizam o tempo de 5 minutos para produzir uma calça. 

Por outro lado, o País 2, não tão populoso, porém muito tecnológico, utiliza uma máquina (produtividade) para produzir a mesma calça nos mesmos 5 minutos. 

Mesmo que os países produzam a mesma calça no mesmo período de tempo, o País 2 teve que se adaptar às suas condições de baixo nível populacional, enquanto o País 1 se utiliza do alto nível populacional em substituição de uma eficiência tecnológica.

Assim, fica intuitivo entender que, se um país possui mão de obra e tecnologia, o mesmo se destaca dentre os demais. 

O pode deixar os EUA à frente da China nesta guerra comercial?

O fato é que, na China, o fluxo de informações é sempre muito duvidoso, uma vez que se trata de uma economia fechada. Além disso, atualmente, sabemos que a China é o país mais populoso do mundo, com cerca de 1,4 bilhões de habitantes. 

Porém, nestes últimos tempos, houve uma sobrevalorização deste número populacional. Como consequência, a população jovem passará a ser menor do que se estimava, e por fim, haverá uma redução da quantidade de mão de obra no futuro. 

Acho que deu para entender um pouco do impacto, certo?

Vamos aos exemplos do País 1 novamente, supondo que ocorreu uma redução populacional nesta nação. Assim, se antes os 10 trabalhadores demoravam 5 minutos para produzir uma calça, a escassez de mão de obra obriga os 4 trabalhadores a realizarem esta produção, fazendo com que os mesmos demorem cerca de 10 minutos, ao invés de 5. 

Neste caso, o País 1 passou a produzir com menor eficiência quando comparado ao País 2.

Voltando à China, de maneira geral, esperava-se que as taxas de natalidade estivessem maiores do que o patamar atual, uma vez que estas evidenciam um declínio dessa população.

Ademais, vale relembrar que, em meados da década de 70, foi implantada na China a Política do filho único, já que, o que ocorria na verdade era um crescimento populacional muito acelerado. 

No entanto, no ano de 2015, esta política foi erradicada, tendo em vista uma redução do número de habitantes existentes no País. Mesmo assim, casais chineses ainda optam por possuir poucos filhos, uma vez que tal ocorrência tornou-se cultural.

Incontestavelmente, o impacto disso para a competitividade Chinesa frente aos EUA e aos demais Países do mundo é visto por meio de uma redução da mão de obra, já que adultos se tornarão idosos no futuro, e haverá poucas crianças para suprir um aumento na produção, dada a diminuição nas taxas de natalidade.

Além disso, a escassez na mão de obra chinesa virá acompanhada do custo que os idosos produzem à uma nação, devendo ser planejado previamente. No entanto, o país atentou-se a este declínio populacional de forma tardia, de modo que este é o primeiro registro de diminuição dos habitantes após 5 décadas.

Por fim, é possível observar que, países como Brasil e EUA possuem taxas de natalidade próximas às atuais da China.

Leia também sobre Neoeconomia Brasileira

Os EUA podem perder a guerra comercial pelos mesmos motivos que a China?

Atualmente, não há tendência para que estes Países (Brasil e EUA) sofram desvantagens na competitividade por conta do fator natalidade, uma vez que, como já dissemos, a China explorou o problema de declínio populacional de forma tardia. 

Enquanto isso, os EUA recebem muitos imigrantes, de forma que o baixo nível de natalidade é compensado pela entrada de novos habitantes, que migram constantemente aos Estados Unidos em busca de oportunidades no mercado de trabalho. 

Dessa forma, mesmo que esta taxa seja baixa, o número de imigrantes preenche a lacuna que pode faltar para completar a mão de obra. 

Por outro lado, o Brasil, assim como a China, não recebe grande fluxo de imigrantes. Mas, por tratarmos de uma economia aberta, nossos dados possuem maior transparência, fator que permitiu ao País um alerta e também um planejamento prévio das possíveis consequências, bem como, a reforma da Previdência, e outros programas sociais.

Quais são as consequências para a China nesta competição?

Em suma, o que vêm ocorrendo na China é na verdade reflexo de um longo período no passado, mas que está começando a surtir os efeitos no presente. Estes devem fazer com que previsões, que estimavam uma ultrapassagem por parte da China, em termos de PIB absoluto, aos EUA, sejam revisadas. 

Além disso, a China terá que lidar com um planejamento previdenciário e social mais elaborado do que aquele aplicado até então, além de uma escassez de mão de obra, que forçará a mesma a buscar outros meios de produção.

As consequências deste cenário só saberemos com o passar do tempo.

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Commodities: a peça-chave do mercado financeiro brasileiro

Muito tem se falado sobre commodities nas últimas semanas devido aos recordes nas cotações desses produtos. Toda essa popularidade se justifica pelo fato delas serem mercadorias fundamentais aos países (principalmente os emergentes) e pelo seu preço impactar diretamente a economia e a Bolsa de Valores brasileira.

Mas afinal, o que são commodities?

O que são commodities?

A palavra significa ‘mercadoria’, em uma tradução livre do inglês. No mercado financeiro, ela é utilizada para caracterizar produtos de matéria-prima que possuem algumas características, entre elas:

  • Produção em larga escala;
  • Passível de estocagem sem perda de qualidade;
  • Pouco industrializados;
  • Possuem padrões de qualidade e produção.

Por serem produtos comercializados mundialmente e com um volume muito grande, quando seus preços oscilam o mercado financeiro mundial sofre seus impactos, e alguns países sentem mais essas variações do que outros.

Um bom exemplo foi a alta do Bovespa na última semana (21/05), puxada pelo aumento nos preços das commodities, que se contrapôs às quedas de bolsas ao redor do mundo.

Grupos de commodities

As commodities englobam vários produtos, e por isso elas são divididas em quatro grandes grupos: as agrícolas, minerais, ambientais e financeiras.

O Brasil é uma superpotência quando o assunto é produção de alimentos, nossos principais produtos são as commodities agrícolas como soja, milho, café, açúcar, cacau e laranja. Além disso, somos destaque na produção de petróleo, minério de ferro e boi gordo.

Esses produtos correspondem a mais da metade das exportações do país, e não é difícil enxergar a relação entre eles e a bolsa brasileira.

As commodities na Bolsa de Valores brasileira

Na carteira teórica que compõe o índice Bovespa, cerca de um terço das empresas listadas tem relação direta com commodities, sendo Petrobras, Vale, JBS e Suzano as quatro maiores companhias relacionadas. Quando comparamos índices de commodities como o CRB (Core Commodity Index) com BOVA11 graficamente, percebemos a forte relação entre esses dois índices.

Fonte: tradingeconomics

O momento atual de retomada da economia de países como China, EUA e Índia e o crescimento do PIB global, impulsionam as commodities e seguindo essa onda, o mercado começa a migrar as ações de crescimento (como empresas de tecnologia) para empresas de valor (como bancos e commodities).

Bancos como o Bank of America, o Goldman Sachs e o UBS projetam alto crescimento para os próximos seis meses, ou seja, apesar de já termos visto uma grande alta do setor, ainda há espaço para avanço.

Estes são apenas alguns dos sinais de que este segmento apresenta boas oportunidades para o Brasil e claro, para os investidores.

Como está a exposição da sua carteira às commodities?

O time da BlueTrade se empenha diariamente para ajudar o investidor a encontrar as melhores oportunidades do mercado. Entre em contato com um de nossos assessores e entenda mais sobre esse produto.

Fontes: infomoney, nubank, rico, veja

Previdência Privada: qual a importância para sua carteira?

Quando pensamos em Previdência Privada é automático pensarmos em aposentadoria, e está certo, mas ela também pode estar presente em vários outros momentos da vida.

É uma escolha interessante para obter benefícios tributários no longo prazo, fonte de reserva para educação dos filhos, a tão sonhada viagem, compra da casa própria ou mesmo para planejamento sucessório. Além disso, tem sido cada vez mais utilizada como estratégia de diversificação para a carteira de investimentos.

Em relação a aposentadoria, sabemos que não podemos depender totalmente do governo. E é aqui que entra os planos de previdência. Eles existem para facilitar essa fase da vida e trazer maior tranquilidade financeira.

Há quem diga que o momento de “pendurar as chuteiras” está longe e a notícia ruim é que esse momento vai sim chegar. Já a notícia boa, é que não existe idade certa para iniciar seu plano de previdência, porém quanto mais cedo melhor.

Um ponto curioso no planejamento sucessório é que podem ser indicados beneficiários para o recebimento do valor em um possível momento de falta do contribuinte, e o melhor: não entra em inventário. 

Além disso, em um fundo “normal” há incidência de come-cotas (aquela antecipação no recolhimento do Imposto de Renda que ocorre duas vezes ao ano), na previdência não possui.

E se eu quiser mudar de um fundo conversador para outro mais agressivo, quanto pago por isso? Nada!

Na previdência privada é possível portabilizar sem custos, o que garante uma liberdade maior de mudança de estratégia e adequação as suas necessidades.

Previdência Privada: Indicada para quem?

Diante dessas informações, os fundos de previdência são indicados para todo tipo de investidor. Para uma escolha assertiva de quais fundos investir é importante considerar o perfil do cliente, entretanto para um horizonte maior da aplicação, vale a pena buscar por alternativas com maiores exposições, dado que em eventuais quedas há tempo de recuperação. Além disso, para determinar o valor de contribuição, é importante definir quanto você gostaria de receber lá na frente.

Agora que você entendeu o que é a previdência privada e para o que ela serve, vou te apresentar algumas outras informações muito importantes para escolha adequada ao seu perfil.

Modalidades

Existem duas modalidades disponíveis no mercado atualmente: PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres) e VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres).

Como saber qual a melhor opção?

No quadro abaixo constam as principais diferença entre elas:

Previdência Privada – Tributação

Ao contratar esse produto é possível escolher entre dois regimes tributários:

Tabela Progressiva

Tributação de Imposto de Renda no momento do resgate:
No momento do resgate, a tributação ocorre na fonte, à alíquota de 15%, com ajuste posterior na Declaração Anual do Imposto de Renda.

Tributação de Imposto de Renda no momento do recebimento da aposentadoria:
Conforme Tabela Progressiva vigente do Imposto de Renda.

Regime tributário da tabela progressiva anual

Perfil


Ideal para quem tem objetivos de curto ou possui renda anual tributável nas faixas mais baixas.

Tabela Regressiva

Tributação de Imposto de Renda no momento do resgate:
Alíquota inicial de 35%, nos primeiros 2 anos, podendo chegar até 10%, após 10 anos de permanência no plano.

Tributação de Imposto de Renda no momento do recebimento da aposentadoria:
As alíquotas são decrescentes em função do tempo de permanência de cada contribuição no plano.

Regime tributário da tabela regressiva

Perfil


Ideal para quem tem objetivos de longo prazo.

É possível realizar a troca do regime apenas de Progressivo para Regressivo e é importante lembrar que, no momento dessa troca o tempo de permanência do antigo regime será desconsiderado e o montante será alocado na maior alíquota começando a contar o tempo a partir do dia da troca.

Agora que você sabe de todos os benefícios e como escolher a melhor opção para o seu perfil, procure um assessor da BlueTrade e comece a investir em Previdência, o seu “eu” do futuro vai lhe agradecer!

Investir no Exterior: BDRs ou Corretora Internacional?

Em outubro do ano passado, os investimentos em Brazilian Depositary Receipts (BDRs) ficaram acessíveis a todos os investidores brasileiros.

Com isso, investimentos em ativos internacionais têm ganhado bastante destaque nos noticiários, seja pela alta do dólar, pela diversificação da carteira ou até mesmo pela oportunidade de investir nas maiores empresas do mundo.

No entanto, muitas pessoas ainda estão em dúvida sobre como funciona esse tipo de investimento.

Assim, aqui vamos falar sobre o que são BDRs, quais suas vantagens e desvantagens, bem como comparar este produto com o investimento em ativos por meio de uma corretora internacional.

O que são BDRs?

BDRs são certificados de depósito de valores mobiliários lastreados em ações de empresas sediadas fora do Brasil. Ou seja, são certificados que representam o ativo, mas não são o ativo em si.

O ativo, propriamente dito, fica sob posse de uma instituição depositária, a qual realiza a compra dos ativos no mercado em que elas se encontram e comprova sua propriedade junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Com isso, emite o certificado de depósito, e os coloca à venda no mercado brasileiro. Essa operação pode contar ou não com o auxílio da companhia.

Sendo assim, as BDRs podem ser classificadas como:

  • Patrocinadas: São aqueles recibos emitidos por interesse da própria companhia, que procura uma instituição depositária para realizar a operação e lançamento no mercado. Hoje, contamos com poucas BDRs patrocinadas no mercado, cerca de quatro ativos.
  • Não Patrocinadas: São aqueles recibos nos quais a instituição depositária realiza a operação, por livre e espontânea vontade. Sem a necessidade de apoio da companhia a qual o recibo é lastreado.

Representa a maior parte dos ativos disponíveis no mercado brasileiro, inclusive, o grupo conhecido como FAANGs, composto pelas gigantes: Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google.

Ao serem emitidas, as BDRs contam com um formulário de identificação, no qual são expostas informações a respeito da companhia, as características dos recibos perante o mercado, bem como a identificação da instituição depositária.

Para ficarem mais acessíveis aos investidores brasileiros, os certificados podem representar frações de valores mobiliários, tal informação também pode ser encontrada no formulário de identificação.

Um exemplo disso são as BDRs da Amazon (AMZO34), gigante da tecnologia norte-americana, cujos certificados estão sendo negociados na proporção 1/157. Ou seja, 1 ação da Amazon representa 157 BDRs.

Para monetizar essa operação, as instituições depositárias costumam reter um percentual dos dividendos e outros proventos pagos, de aproximadamente 5% (essa informação também está disponível no formulário de identificação).

Benefícios de investir via BDRs

  • Praticidade: Você investe diretamente do home broker da corretora que possui conta;
  • Investimento realizado em reais (BRL): Apesar das BDRs serem uma forma de dolarizar a carteira, por terem suas cotações lastreadas em dólar (USD), o investimento é feito em reais. O que dispensa o pagamento do imposto sobre operações financeiras (IOF) e o spread para conversão de BRL para USD;
  • Familiaridade com a tributação: Por ser um produto nacional, a forma de tributação é mais conhecida entre investidores (15% sobre o lucro), assim como a forma de declaração no IR.

        Desvantagens dos BDRs:

  • Parte dos proventos ficam retidos pela instituição depositária (5%);
  • Menor liquidez: Mesmo após as mudanças de regra para investimentos em BDR, e com a procura por esses ativos em alta, sua liquidez ainda é pequena, comparada ao volume movimentado diretamente na bolsa americana;
  • Menos opções: Nem todas as empresas disponíveis para investimento na bolsa americana emitiram BDR, logo, a quantidade de ativos disponíveis é reduzida;
  • Feriados: As BDRs seguem o calendário brasileiro, com isso, não podem ser negociadas em feriados nacionais. Caso aconteça um fato relevante sobre a empresa que a BDR é lastreada em um feriado nacional no Brasil, os ativos só poderão ser negociados no próximo dia útil.

Corretoras Internacionais

Outra forma de investir em ativos no exterior é por meio de corretoras internacionais, que te permitem acesso às bolsas de valores locais.

Essa prática tem se tornado tão comum que hoje existem corretoras voltadas especificamente para o público estrangeiro.

Investimentos nessa modalidade costumam ser um pouco mais burocráticos, e contam com algumas despesas operacionais, mas também possuem vantagens, conforme demonstrado abaixo:

Vantagens de investir via corretora internacional:

  • Liquidez: Investir diretamente na bolsa de valores em que o ativo é negociado, te proporciona um volume de negociação maior do ativo do que quando negociado na forma de BDR, na bolsa de valores brasileira;
  • Dividendos integrais: Você tem o recebimento integral dos proventos pagos pela companhia, ainda na moeda de origem;
  • Diversificação 100% dolarizada: Ao investir no exterior, você proporciona para sua carteira uma diversificação 100% internacional, sem correlação com o Brasil;
  • Feriados: Ocalendário de negociação dos ativos acompanha o calendário de funcionamento das empresas;
  • Produtos: Investindo em uma corretora internacional, você tem acesso a mais produtos, como fundos, ETFs e até mesmo ações.

        Desvantagens de investir via corretora internacional:

  • Taxas e spreads na hora de converter a moeda: Para realizar os investimentos, é necessário converter o montante desejado de BRL para USD. O que acaba deixando o investidor suscetível aos spreads cambiais da corretora, além de gerar a cobrança de IOF (imposto sobre operações financeiras);
  • Burocracias: Ter que abrir conta em uma nova corretora, precisar de aportes via transferências internacionais e as diferenças na forma de tributação são fatores que acabam sendo um empecilho para quem opta por investir dessa forma;
  • Em caso de morte, o imposto sob ativos sediados nos EUA pode chegar a 40% do patrimônio.

Conclusão

Diante do vimos no artigo, podemos observar que ambos os modelos de investimento possuem suas vantagens e desvantagens.

As BDRs acabam sendo optadas por investidores menores, que buscam uma forma fácil e rápida de investimento em ativos estrangeiros.

Já as corretoras internacionais são preferíveis àqueles que já possuem um montante maior de capital. E ainda, interesses que vão além dos investimentos em ações, para buscar diferentes títulos públicos, privados e ETFs.

Porém, fica a critério de cada investidor tomar a decisão do que é mais relevante na hora de realizar os investimentos, de acordo com seus objetivos.

Mas o fato é que a recente facilitação de investimentos em BDRs para todos os investidores foi um avanço para a estrutura de investimentos brasileira.

Para saber mais sobre o assunto, contate agora mesmo seu assessor de investimentos Bluetrade.

FONTES:

https://www.itaucustodia.com.br/

Insights: a economia em 2020

Passada a euforia da virada de ano, chegamos ao início, de fato, de 2020. Oficialmente o ano comercial começou na última quinta-feira, mas naquele espírito macunaímico preguiçoso, símbolo destacado por Mário de Andrade, o ano parece dar seu pontapé inicial apenas na segunda-feira que precede a primeira semana completa. O azar parece morar em anos de virada aos finais de semana. Sigamos. 

Como você deve ter ouvido das mais diversas fontes, 2019 foi um ano transformacional e foi responsável pelo alicerce da economia brasileira. Observamos diversas classes de ativos com valorizações expressivas. 

O que aconteceu em 2019

Fazendo uma síntese do que aconteceu, observamos o desenrolar dos fatos em Brasília e ficamos animados com os resultados obtidos. Apesar dos ruídos, a equipe econômica conseguiu endereçar aquela que talvez seja a principal reforma de nossa história republicana, com a aprovação da Reforma da Previdência. 

O tema dominou o noticiário por boa parte do ano e mudanças de cunho microeconômico ficaram para 2020. 

Enquanto isso, o crescimento esperado no início de 2019 não veio. Felizmente, a inflação também ficou ancorada. Tais feitos corroboraram para um corte de 2% na taxa Selic, que terminou o ano em seu menor patamar da história, em 4,5% ao ano. 

Este revisional de Selic para baixo foi outro fator que explicou a alta valorização dos ativos brasileiros. Ibovespa e IFIX, os dois principais índices de renda variável do país, representando as principais ações e fundos imobiliários, respectivamente, apresentaram valorizações superiores a 30% no ano. 

Enquanto isso, ao longo do ano tivemos diversos acontecimentos na disputa comercial entre China e Estados Unidos. As trocas de farpas ocorreram, mas ao que tudo indica, estamos perto da assinatura da fase um do acordo comercial. 

Os temores de recessão global aos poucos vão se afastando, com índices PMIs ainda tímidos, mas no campo positivo. 

Com os temores globais ao longo do ano de 2019, o ouro foi outra classe de investimentos que se beneficiou e teve uma valorização superior a 28%. 

No geral, para os ativos brasileiros, observamos uma valorização massiva, mas muito em função de expectativas dos acontecimentos em Brasília. Ações e fundos imobiliários se beneficiam muito de uma economia aquecida e de juros baixos e a antecipação do futuro guiou as valorizações observadas. 

Mas agora é o momento de olhar para 2020 e tentar entender o que podemos fazer com nossos investimentos. 

Não me entenda mal, não estou tentando fazer previsões sobre o ano. Tenho muita dificuldade em fazer previsões, principalmente sobre o futuro. O objetivo aqui é apenas discorrer sobre fatos que acredito que poderão impactar o mercado financeiro. Se eles vão mesmo acontecer ou se vão impactar de forma positiva ou negativa, só o futuro dirá. 

O segredo para viver em um mundo em que não entendemos já foi dado aqui: diversificação e noção de que entendemos pouco sobre o que ocorre daqui pra frente. 

Economia brasileira

O final de 2019 foi de otimismo com a economia brasileira. Guiado pelos resultados da Black Friday e do Natal, o consumo finalmente voltou a acelerar e o varejo comemorou o resultado destas duas datas de compras. 

O ano começou com as expectativas altas por parte dos agentes econômicos, mas o cenário não se desenhou como o esperado, já que os empresários estavam menos otimistas do que se esperava. Foi um primeiro semestre bem morno, com os desenrolares políticos tomando conta da agenda econômica. 

O segundo semestre foi mais interessante e semanalmente o crescimento do PIB foi sendo revisado para cima. O resultado oficial ainda será divulgado, mas o crescimento deve ser confirmado acima de 1%, algo que parecia difícil em meados de agosto. 

A confiança da indústria e do comércio aumentou e confirmamos isso com a criação de empregos formais, que a partir de setembro passou a aparecer de forma menos tímida. 

Esperamos que o crescimento acima de 2% finalmente apareça em 2020, apoiados nos dados apresentados acima. 

Enquanto isso, algumas reformas ainda devem ser aprovadas pelo governo para colocar o país de vez nos trilhos. Destaco três delas: Reforma Tributária, Pacto Federativo e Reforma Administrativa. 

As duas últimas ajudarão o governo em seu problema fiscal, enquanto a primeira será muito bem recebida pelos empresários. Uma simplificação tributária tornará o ambiente de negócios no país mais fácil, o que ajudará a se criar novos concorrentes, tanto nacionais, quanto internacionais. 

Este ambiente de competição é extremamente benéfico para o povo, uma vez que garante excelência nos produtos e serviços vendidos, sendo cobrado um preço justo. Além disso, gera novos empregos e arrecadação para o governo investir em área de alta necessidade, como educação, saúde e segurança. 

O governo também deve seguir com a privatização de algumas empresas, o que ajudará a limpar ainda mais sua folha de gastos e deixará à iniciativa privada o papel de dirigir empresas – que grande ideia, não?

O BNDES também deve começar a fazer desinvestimentos em suas empresas investidas, o que gerará um fluxo enorme de capital para dentro do banco, que poderá passar a dar crédito subsidiado à quem realmente necessita, que são as pequenas e médias empresas, ao passo que as grandes empresas devem se financiar através do mercado de capitais. 

A inflação assustou um pouco nos últimos meses do ano, mas deve terminar 2020 ainda abaixo da meta de 4,25% estabelecida pelo Banco Central. Vale dizer que o núcleo de inflação, que é uma medida para capturar a inflação, desconsiderando-se os choques de preços temporários, continua intacto e ancorado. 

A alta na inflação de novembro e dezembro de 2019 foi causada por choques nos preços de alimentos e de energia elétrica, que em geral obedecem a ciclos sazonais. Não houve uma mudança fundamental na dinâmica de oferta e demanda e os preços destes bens devem se normalizar ao longo do ano. 

Dito isso, o Banco Central não tem motivos aparentes para subir a Selic ao longo de 2020. Isso também não quer dizer que ela deve cair mais. Um corte adicional de 0,25% até é esperado pelo mercado em algum momento, mas não se surpreenda se ele não vier. 

Por mais que Roberto Campos Neto diga que o BC não olha para o dólar no momento de decidir sobre nossa taxa de juros, os constantes leilões de divisas feitos pelo Banco Central em momentos de alta expressiva da moeda levantam uma bandeira amarela. 

De qualquer forma, palmas para esta equipe do BC que foi capaz de trazer os juros para a mínima histórica. Na ausência de um período parecido em nosso passado, qualquer passo dado por esta turma deverá ser feito com base em muito estudo e de forma cautelosa. Não aguardamos muitas novidades neste campo ao longo de 2020. 

Economia mundial

Aqui a análise começa a ficar mais complicada, dada a quantidade de variáveis que se deve observar. O intuito aqui não será uma análise tão profunda, visto que existem tantos cenários possíveis, que provavelmente erraríamos feio se tentássemos prever algo com exatidão. 

Apesar disso, o Brasil não é uma ilha e os acontecimentos lá fora impactam o nosso país. 

A primeira coisa que devemos ficar de olho é a eleição americana em novembro. Apesar de parecer longe, em março já devemos começar a observar os acontecimentos referentes ao processo eleitoral, afetando os preços dos ativos no Brasil. 

Donald Trump parece ser o favorito para uma reeleição. Enquanto isso, o Partido Democrata deve ter eleições primárias conturbadas para escolher seu candidato. No momento, quatro concorrentes merecem destaque: Bernie Sanders e Elizabeth Warren, senadores e representantes da ala mais radical do partido; Joe Bidden, vice-presidente americano durante o mandato de Barack Obama e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York. 

Os ruídos sem dúvidas irão aparecer. Prever qual presidente o mercado espera que seja eleito e qual o impacto da eleição de cada um é uma tarefa que eu não irei me propor a fazer, com o risco de virar piada com o fiasco dos meus palpites. 

Além disso, dizer que o resultado das eleições irá afetar a trajetória de crescimento brasileira me parece exagerado, ao menos neste momento. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos parece ter dado uma trégua. Era de se esperar. Na iminência de um processo eleitoral e com a necessidade de fazer Wall Street feliz, Donald Trump não poderia levar essa guerra para outro patamar. Não faria sentido algum. 

O FED também parece ter encerrado seu ciclo de corte de juros, visto que a economia americana não para de crescer. Abaixar ainda mais as taxas de juros seria correr muito perigo inflacionário e Jerome Powell parece não estar pronto para correr este risco. 


Na Europa, o crescimento insiste em ficar ancorado, mesmo com o juros no campo negativo – ou o correto seria: principalmente por conta dos juros negativos? – mas os índices de atividades parecem começar a apresentar um tímido crescimento. 

A saúde da economia global como um todo, apesar de não estar viril como esperávamos, não apresenta tantos motivos para preocupação de recessão, como era no início do ano passado. 

Aos poucos a economia vai se levantando da cama. A grande questão é o que ela fará após levantar. Mais do que nunca, existe uma névoa sobre o futuro econômico mundial. Se as pessoas já não estão mais pessimistas, elas estão longe de estarem otimistas. 

Novamente, os acontecimentos impactam sim, mas acredito que seja difícil um fato externo quebrar o atual bull market brasileiro, apesar de que certamente aparecerão manchetes que te farão acreditar que sim. 

O último acontecimento foi a morte de um importante general iraniano pelos EUA. As tensões e ameaças se elevaram e o temor agora se volta para um guerra não comercial, mas sim bélica. 

Como bom especialista em conflitos militares que sou, não irei tentar explicar a você os diversos motivos que podem ou não acarretar em uma guerra. Eu até acredito que possa sim acontecer, mas não apostaria nisso. 

Por mais que o ataque pode ter sido uma manobra eleitoral por parte de Trump, acredito que isto deva sair do noticiário conforme caminharmos ao longo deste ano. 

Mas isso nos lembra mais uma vez da importância de sempre termos proteções à nossa carteira. Na presença de um caos mundial, nada irá se valorizar mais do que o ouro. E não podemos descartar de forma alguma que um caos mundial pode acontecer a qualquer momento. 

No campo dos países emergentes, o Brasil se mostra cada vez mais como líder em potencial de crescimento, com uma robusta plataforma de reformas, mão de obra abundante e capacidade ociosa. 

Apesar disso, o gringo olha o cenário na América Latina e se espanta um pouco. Em diversos países estamos vendo crises nos governos e a população tem se revoltado em nossos países vizinho. 

A Argentina recentemente elegeu novamente um Kirchnerista em Alberto Fernández, indicando a volta da esquerda ao comando do país.

Como já dito, o Brasil não é uma ilha e depois de apanhar tanto nos emergentes nos últimos dois anos, o gringo certamente irá aguardar o desenrolar dos fatos no Brasil antes de voltar a olhar para o país, mesmo que isto signifique que ele irá perder a primeira pernada de valorização dos ativos. 

Outro fato que ainda afasta o estrangeiro do Brasil é a ausência do grau de investimento das agência de classificação de risco. Esta nota de crédito é requisito para muitos investidores institucionais estrangeiros. O panorama é positivo para a recuperação da nota, mas não podemos garantir que será em 2020. 

Conclusão

Conseguimos fazer aqui um resumo do que aconteceu em 2019 e nos preparar para os acontecimento econômicos em 2020. Ao longo do mês teremos um outro artigo explicando como estes acontecimentos poderá atingir cada classe de ativos.

Ainda há tempo de entrar na festa?

Depois de ver o Ibovespa superar os 100 mil pontos, a pergunta pode começar a pesar para algumas pessoas. Afinal, ainda dá tempo de pegar essa alta da bolsa?

Na atual conjuntura econômica do Brasil, considero sim que a bolsa seja o melhor ativo para os próximos anos. Alguns investidores podem até duvidar da capacidade da renda variável bater os outros tipos de investimentos após assistir o principal índice da bolsa brasileira triplicar desde o Impeachment da ex-presidente Dilma.

O que pode faltar aos olhos de alguns é a mudança estrutural que o país se propôs a passar e inclusive já deu início. É um momento único em nossa história e ao que parece, os astros estão alinhados para que o Brasil finalmente dê certo.

Dito isso, é racional pensar que a bolsa de valores é o lugar que apresenta a chance de multiplicação de capital e que estará mais preparada para capturar os grandes avanços que este ciclo trará para o Brasil.

Antes de entrar na argumentação, vale repetir a célebre frase de João Luiz Braga na Expert 2019: “O Brasil não perde a chance de perder uma chance”. Apenas para ilustrar que, apesar do otimismo com a bolsa, a boa diversificação da carteira jamais deverá ser descartada.

Mas então, quais são os motivos pelos quais acredito que a bolsa é o melhor ativo do momento, mesmo após ter rompido a barreira dos 100 mil pontos?

Rebalanceamento de carteiras

É clichê dizer que o Brasil é o país da renda fixa. Também não é passível de julgamento o investidor que nunca foi para a renda variável. No tripé de alto retorno, liquidez e baixa volatilidade, o investidor podia ter os três através do CDI.

Pois os tempos mudaram e o que eu disse na introdução sobre a conjuntura econômica quer dizer exatamente isso. Se no passado tivemos uma taxa básica de juros a 14,25%, hoje isso já não existe mais. A selic se encontra em 6% ao ano, com todo o consenso indicando que ela irá para 5% até o final de 2019.

Para os mais ousados, as projeções chegam ainda mais abaixo dos 5%. Novamente, não passível de julgamento. Em tempos de taxas de juros negativas ao redor do mundo, temor por recessão e mudanças demográficas e tecnológicas, pode ser sim que tenhamos chegado ao tempo do juros baixo.

Dito isso, o investidor que antes tinha o CDI como seu melhor amigo, deixa agora de contar com o alto retorno. Caso queira angariar um retorno consideravelmente acima da inflação, terá que assumir mais riscos para isso.

Outro ponto neste mesmo assunto, é que o Brasil é sub-alocado em renda variável comparado ao resto do mundo. Enquanto que em nosso país a exposição em renda variável é de apenas 7% do total de investimentos, a média do mundo é de 40% e nos EUA esse número passa dos 60%.

É uma diferença brutal e esse gap tende a se fechar com o atual cenário macro do país. Além disso, o mercado financeiro tem se transformado e as grandes plataformas catalisaram tal transformação. Cada vez mais o brasileiro está se educando financeiramente e migrará para a renda variável.

O último tópico de rebalanceamento de carteira diz respeito ao investidor institucional, que é a classe que mais movimenta dinheiro na bolsa diariamente. Os fundos de ações long only e long biased representam apenas 12% da indústria de fundos no Brasil. Enquanto isso, esse número é de 37% nos EUA.

No país da renda fixa, os fundos macro representam a maioria. No entanto, o investidor está mudando sua cabeça e está aprendendo a fazer contas. A partir do momento em que ele concluir que não vale a pena pagar taxa de administração e performance para tem um juro real quase zero, o pêndulo irá mudar para a renda variável. Com essa classe injetando dinheiro na bolsa, o preço das ações tende a se ajustar a essa nova normal.

Reclassificação de múltiplos

Como já foi dito, a economia do país começa a dar sinais de que agora será diferente. A Reforma da Previdência já foi aprovada na Câmara e em breve deve passar sem maiores problemas pelo Senado.

Com a Previdência no passado, o Brasil resolve parcialmente seus problemas fiscais e sinaliza para quem quiser ouvir que as coisas mudaram. Com os gastos fiscais resolvidos, a percepção externa muda e o grau de investimento passa a ser uma realidade.

A partir do momento em que as agências de classificação de risco começarem a olhar para o país novamente, o investidor estrangeiro que se machucou muito com os emergente no passado recente, começa a olhar novamente com algum carinho para o Brasil.

Se a visão do estrangeiro muda, ele entra pesado na bolsa, uma vez que as oportunidades que ele está tendo lá fora não são das melhores. Com o perigo de desaceleração em diversos países do mundo, ele pega o inverso do ciclo em um novo Brasil que agora parece estar caminhando.

País estável, com boa visibilidade e boas oportunidades de crescimento, é tudo que o estrangeiro quer nesse momento de inverno nos mercados no exterior.

Novamente, questão de oferta e demanda, se vem muito dinheiro do estrangeiro para a bolsa, o preço das ações sobe e as empresas passam a negociar em valuations mais altos realmente.

Com a oportunidade que as empresas brasileiras têm em suas mãos, elas devem negociar com prêmio sobre seu pares emergentes. Se temos um governo liberal, uma economia que vem de um de seus piores ciclos da história e nenhuma pressão inflacionária, estamos falando de uma oportunidade que não vemos lá fora, onde grandes players estão em final de ciclo.

Outro ponto sobre esse assunto é uma questão de dívida das empresas. Se estamos falando de uma selic a 5%, estamos falando também de redução do custo da dívidas das empresas. Se imaginarmos que tínhamos 14,25% ao ano poucos anos atrás, com um novo patamar de taxa de juros, automaticamente deve vir um novo patamar de múltiplos.

Crescimento de lucros

Por fim, podemos falar das empresas propriamente dito. Para contextualizar, devemos imaginar que o universo de empresas da bolsa ainda é muito restrito, com aproximadamente 400 empresas. O alto custo de listagem e manutenção faz com que na bolsa estejam apenas as melhores empresas do país.

Essas vencedoras passaram por uma das piores crises econômicas do Brasil em um exercício de administração de empresas extremamente exemplar. Elas ficaram enxutas, melhoraram processos e agora estão prontas para retomar o crescimento.

Note que os dois tópicos citados anteriormente se tratam apenas de uma mudança na forma de investir e na forma com que o investidor estrangeiro olha para o Brasil. Este tópico, no entanto, fala das grandes estrelas da bolsa.

Como dito, passamos por uma crise em que o crescimento de PIB nesta década foi próximo de zero. Isso não significou, no entanto, que as empresas também não tiveram crescimento de lucro.

As grandes vencedoras foram capazes de fazer suas manobras para que conseguissem entregar crescimento de lucro, mesmo com todo esse ambiente hostil. Agora estão com capacidade produtiva ociosa e estoque de mão de obra abundante.

As nossas empresas da bolsa poderão então passar a produzir sem aumentar seus custos fixos e aumentando pouca coisa o custo variável, visto a abundância de mão de obra barata. É a chamada alavancagem operacional.

Nossas empresas já mostraram que são capazes de entregar crescimento de receita. Com o crescimento de PIB dando as caras, as receitas continuarão a crescer, só que em ritmo mais acelerado. Como o custo fixo continuará o mesmo e o variável aumentará pouco, o lucro será exponencial.

Para coroar a questão de lucro das empresas, a diminuição do custo da dívida melhora o resultado financeiro, o que faz com que o lucro se multiplique ainda mais.

Conectando os pontos, no longo prazo, o preço das ações acompanha o lucro das empresas. Assim sendo, crescimento de lucro significa preço das ações para cima. Some isso aos outros dois tópicos acima e temos a oportunidade de finalmente decolarmos.

Conclusão

No final, tudo se trata de oferta e demanda. Como foi dito, a bolsa brasileira deve ganhar um número expressivo de investidores, tanto brasileiros, quanto estrangeiros. Com mais pessoas entrando na bolsa, a demanda por ações aumenta, o que gera uma alta no preço das mesmas.

É inegável a oportunidade que temos a frente. A bolsa definitivamente é o melhor ativo para surfar a recuperação da economia. Você até pode pegar essa recuperação com ágios nos títulos de renda fixa, a medida que as taxas de juros forem abaixando. No entanto, o crescimento de lucros, alavancagem operacional e reclassificação de múltiplos, só a bolsa pode lhe oferecer.

Como já dito no início, isso não significa, no entanto, que você deve migrar 100% do seu capital para a renda variável. Se informe, busque oportunidades de aprendizado e só então tome sua decisão.

É sempre importante lembrar: “No Brasil até o passado é incerto”.