Por que é o momento exato para internacionalizar os investimentos?

A importância de internacionalizar os investimentos não é novidade para o mercado. Há tempos essa necessidade tem sido falada por profissionais da área como analistas e assessores de investimentos.  Mas por que é o momento exato para internacionalizar os investimentos?

No entanto, o cenário atual e o que está por vir, acendeu ainda mais essa necessidade. E agora, quem não diversificar sua carteira com ativos internacionais provavelmente vai ter seus rendimentos atingidos pelo Risco-Brasil 2022. 

Porque uma coisa é certa: diversificar não significa apenas investir em ativos brasileiros diferentes. A essência da diversificação verdadeira vai além e precisa atravessar regiões e nacionalidades. 

O intuito de diversificar é exatamente esse: alocar em ativos que sejam descorrelacionados um do outro, ou seja, que se movem de maneiras e com interferências externas diferentes. Assim, a carteira de investimentos fica equilibrada mesmo que um dos ativos esteja indo mal. 

Aliás, em um dos nossos dias do BlueTalks, o estrategista-chefe da Blue3 fez a seguinte colocação: “Uma boa carteira de investimentos sempre vai ter um ativo que está indo mal”.

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Por que é necessário investir no exterior?

O motivo principal é esse que citamos acima: diversificar os investimentos para uma performance equilibrada da carteira de ativos. 

Em outras regiões, como Europa e Estados Unidos, essa já é uma cultura bastante comum. Principalmente porque quando ocorre uma crise doméstica, os investimentos são diretamente impactados e expostos à volatilidade. 

Dessa maneira, a alocação internacional em economias mais estáveis, garantem a segurança que o investidor precisa no momento, evitando os riscos sistêmicos e conjunturais. 

O mesmo acontece com a desvalorização da moeda local. Por exemplo, em 2020 o Real foi a moeda com pior desempenho em comparação com os demais países emergentes do mundo. 

Essa desvalorização e volatilidade da moeda brasileira é puxada naturalmente pela incerteza política e pelo quadro fiscal delicado. Dessa forma, a pessoa que investe em moedas fortes está protegendo também o seu poder de compra. 

Para você visualizar melhor, listamos os tópicos que demonstram os benefícios do investimento no exterior:

  • Exposição aos principais temas de investimentos em todo o mundo;
  • Exposição à moedas fortes, imunes dos problemas inerentes aos países emergentes;
  • Adição de ativos com descorrelação dos investimentos no Brasil;
  • Melhora da relação risco x retorno, através da diversificação.

Além disso, é importante lembrar que hoje o Brasil representa aproximadamente 3% do PIB mundial, sendo 2% de renda fixa e 1% das ações. 

Dessa forma, é possível entender que investir no exterior não é apenas um luxo, mas sim, parte de uma estratégia de acessar boas oportunidades para  os seus investimentos. 

O que é o Risco-Brasil 2022?

A instabilidade nos investimentos, a incerteza econômica e a inflação já nos avisam sobre como será o cenário do próximo ano. 

Além do risco fiscal iminente, a crise hídrica e o país tentando se reerguer a todo custo dos impactos causados pela Covid-19, teremos o plus das eleições presidenciais.

Como todos já sabem, as eleições têm deixado uma nuvem de dúvidas e não sabemos o que irá acontecer, mas sabemos que essa insegurança política pode causar estragos no mercado financeiro. 

Todo país tem um risco soberano, que no nosso caso, é chamado Risco-Brasil. E, por esse motivo, uma pesquisa realizada pela XP Investimentos mostrou que 51% dos clientes pretendem diminuir a exposição ao mercado acionário em 2022. 


Mas, existe uma saída?

Existe sempre uma saída, mesmo em cenários muito ruins. Na última semana de novembro, a Blue3 realizou uma Webinar com nosso chefe-estrategista Thiago Nemézio e Daniel Haddad, diretor de investimentos da Avenue, uma corretora dos Estados Unidos.

Na Webinar com o tema “A grande oportunidade em um 2022 incerto?”, os profissionais falaram sobre o comportamento do mercado e investimentos no exterior, que é a principal saída para superarmos o cenário do ano que se aproxima. 

Primeiramente, Haddad já deixou uma reflexão de suma importância: “O mercado financeiro não é só sobre o que você sabe, mas de como você se comporta”. Por isso, o caminho para a porta de saída da crise é sempre o da calma.

É essencial entender que existe a crise, mas que o emocional e a ansiedade não podem tomar conta do investidor nesse momento, pois elas podem ser muito prejudiciais e fazer com que várias decisões equivocadas sejam tomadas. 

Inclusive, Haddad citou uma pesquisa que analisou um grupo de investidores que tinham e que não tinham uma assessoria de investimentos, e que o grupo com assessoria se destacou em quase 3 pontos percentuais. 

Ele explicou que, mesmo com toda a estratégia usada pela assessoria na alocação de ativos, o ponto crucial para a melhor performance do grupo foi o papel do assessor “acalmando o cliente em momentos de crise e de euforia”.

Internacionalizar os investimentos é arriscado?

Seguindo com o raciocínio, o primeiro passo para atravessar uma crise é a calma e o segundo é encontrar oportunidades em meio às turbulências para amenizar os impactos. Como falamos desde o início, os investimentos no exterior são essenciais nessas estratégias. 

Mas, muitas pessoas ainda pensam que internacionalizar os investimentos é arriscado. Principalmente quando falamos em dolarizar carteiras. Mas, Daniel Haddad ainda destaca que essa é uma falsa impressão, visto que “no Brasil, os mercados de renda fixa e ações estão expostos a riscos muito semelhantes, resultando em uma correlação muito alta dos ativos locais”.

E para completar, fez uma provocação: “será que faz sentido ter uma cesta de produtos que não é 100% em real e os investimentos não?”, ou seja, as pessoas consomem produtos globais, como o iphone, combustível, carne, mas os investimentos não.

O risco está exatamente aí, porque se você é um consumidor global, a desvalorização do real faz com que você perca seu poder de compra perante ao mundo, o que é muito negativo. 

São muitas as opções e as diversidades de investimentos no exterior. A nossa assessoria, inclusive, conta com mais de 100 produtos disponíveis na maior plataforma do país, como BDRs, fundos internacionais, fundos cambiais, ETFs, entre outros. 

Para entender o que vai se encaixar melhor nos seus propósitos e perfil de risco, tenha ao lado um assessor de investimentos. Porque, segundo o Haddad, “se você não sabe quem você é, o mercado é um lugar muito caro para descobrir”.

Para descobrir seu perfil de investidor e falar com um assessor Blue3, clique aqui. 

Insights: seus investimentos em 2020

Feita a introdução na semana passada, onde discorri sobre os principais fatos econômicos e políticos que devem acontecer ao longo de 2020, chegamos hoje a um maior nível de detalhe sobre as influências nas principais classes de ativos. 

É importante fazer novamente o disclaimer de que não quero aqui acessar o futuro e tentar adivinhar o que irá acontecer nos seus investimentos em 2020. O futuro é por definição física e mitológica, inacessível. Não se trata também de um exercício de adivinhação, visto que como já disse aqui, sou péssimo em fazer previsões, principalmente sobre o futuro. 

O que quero nas próximas linhas, é dar a minha opinião sobre o que acho mais provável que aconteça neste ano, sempre com a ciência de que na verdade, não temos certeza de nada e que por mais belo que possa parecer os acontecimentos abaixo narrados, eles podem simplesmente não acontecer e devemos estar preparados também para este cenário. 

Renda Fixa

O ano de 2019 foi atípico para os investimentos de renda fixa. A mais famosa classe de ativos de um país que sempre conviveu com juros nas alturas, foi definhando ao longo do ano e parece finalmente estar condizente com o resto do mundo. Explico. 

O histórico de juros alto no Brasil sempre fez com que o investidor pudesse ter ganhos da ordem de até 15% ao ano, basicamente sem correr nenhum risco, comprando títulos do governo através da plataforma do Tesouro Direto. 

Acredite você ou não, 15% sem qualquer forma de risco, é algo surreal e demasiadamente difícil de se alcançar, mesmo quando partimos para os investimentos com um pouco mais de risco. 

Não é difícil se deparar com um gráfico em que o CDI bate o Ibovespa ao longo da história. O Brasil era o país onde o investidor que não corria riscos, na média ganhava mais do que o investidor que corria os riscos da bolsa de valores. 

A literatura de finanças diz que quanto mais arriscado um investimento, maior deve ser o retorno esperado. No Brasil, o investidor que optava por mais risco, pagava ao invés de receber. 

A normalização da taxa de juros, aliado a uma extensa plataforma de reformas estruturais, fez com que a renda fixa, em especial as emitidas pelo governo, voltassem ao seu lugar normal, pagando nada mais do que retornos marginalmente acima da inflação, como deve ser. 

O Banco Central trouxe a Selic para seu menor patamar na história, aos 4,5%. Ao longo de 2020, pode haver um outra queda de 0,25%, o que encerraria o ciclo de quedas e deixaria o mercado esperando para um novo ciclo de alta, que não deve ocorrer este ano. 

Dito isso, para obter retornos que façam a diferença na sua rentabilidade final, o investidor terá de alongar os prazos e correr mais riscos. Em especial os vencimentos intermediários e longos ainda apresentam um gordurinha que pode fazer a diferença no final do ano. 

Prefira títulos com vencimento a partir de 2024. Existem diversas oportunidade de títulos prefixados e indexados à inflação a partir deste vencimento que apresentam um bom retorno.

A exposição ao risco em renda fixa pode ser feita a partir dos títulos de crédito privado, desde que de forma pulverizada, em diversos títulos. Além disso, é importante a exposição à bons emissores, que estão emitindo dívida para crescimento e não simplesmente para pagar outras dívidas. 

Ainda existem boas opções de títulos prefixados e indexados à inflação que estão mal precificados pelo mercado. Além de boa rentabilidade, caso sejam carregados até o vencimento, estes títulos podem apresentar uma boa oportunidade de lucro antes do vencimento, através do mercado secundário. 

Em certo momento do ano, a NTB-B50, título de inflação do governo em 2050, apresentava valorização superior a 50% no ano. Isso não acontecerá novamente, visto que o ciclo de corte de juros está próximo do fim e diversas opcionalidades já estão incorporadas no preço. 

A questão é que o mercado parece ter ficado relativamente pessimista com a inflação nos últimos meses de 2019. Isso fez com que o mercado passasse a enxergar altas nos juros ainda em 2020. 

Mas o que levou a inflação a acelerar no final do ano foram os choques de preços, os quais o Banco Central não está incomodado, visto que eles está de olho nos núcleos de inflação, que não consideram choques e ainda estão ancorados, corroborando para uma taxa Selic baixa. 

Multimercados

A classe que é representada por fundos de investimentos, é caracterizada por poder investir em qualquer ativo. 

Desde o início do milênio, estes fundos ganharam muita relevância, com ganhos vertiginosos no primeiro governo Lula, onde houve um grande queda de juros e os fundos puderam aproveitar isso através de apostas macro. 

Isso fez com que a fama dos Multimercados fosse de que eles só conseguem ganhar dinheiro em cenário de queda de juros, salvo raras exceções, como o Verde de Luis Stuhlberger, que também tinha maestria quando o assunto era câmbio. 

A verdade é que o cenário não é esse atualmente e os multimercados passaram a aproveitar cada vez mais o desenvolvimento da bolsa de valores para compor seus retornos. 

Vale dizer ainda que muitos fundos também sabem aproveitar a globalização e investem em diferentes países, principalmente em juros e moedas. 

Como estes veículos são livres para investir nas mais variadas classes de ativos, é importante que o investidor conheça o estilo de gestão no momento em que for investir em um destes. 

Não será difícil encontrar fundos com retorno excelente e pouca volatilidade nos últimos dois anos. O problema é que o cenário do último biênio foi de queda de juros e valorização massiva de ativos. 

Os juros não irão cair vertiginosamente a partir de agora e a valorização de ativos reais deve acontecer, mas deve ser feita a devida diligência para escolher os melhores cavalos. 

Não adianta, portanto, investir naquele fundo que apresentou um ótimo retorno nos últimos anos, investindo apenas na reprecificação dos títulos de renda fixa. Isso não irá mais acontecer e se o gestor não mudar sua alocação, o retorno do fundo será medíocre. 

O momento é de apostar em fundos multimercados com um viés maior de bolsa. Procure saber o background dos gestores e prefira os veículos que apresentam mais transparência. Se o fundo teve um retorno passado bacana, mas não apresentou de que forma isso aconteceu, então é melhor ficar de fora pois podem haver milhares de riscos escondidos. 

Prefira também os fundos com mandato para maior volatilidade, visto que os veículos que não têm este mandato, ficam muito amarrados e não podem colocar a estratégia para trabalhar a pleno vapor. 

Renda Variável

Esta é a classe que julgo ser a mais provável ganhadora de dinheiro dos próximos anos, através de ações e fundos imobiliários. 

Os ativos reais ganham muito valor quando os juros estão baixo e o governo deixa de por a mão onde não deve. Este é justamente o cenário atualmente. 

Em 2019 o Ibovespa apresentou uma bela valorização, mas ela foi causada totalmente pelos acontecimento de Brasília e a queda de juros. A partir de agora, devemos observar as ações se valorizando pelo crescimento de lucros das empresas, que deve vir de forma menos tímida a partir deste ano. 

Nos anos de crise, as empresas fizeram seu dever de casa e se tornaram mais enxutas e eficientes. Elas agora saem deste período ruim melhores do que entraram, uma vez que diversos concorrentes ficaram pelo caminho ou então foram incorporados. 

Isso faz com que o lucro potencial seja gigantesco. O país está na cabeceira da pista para decolar em 2020, o desemprego começa a diminuir, o consumo voltou de forma contundente após a Black Friday e o governo deve continuar fazendo sua parte em deixar a economia andar com as próprias pernas. 

Com este cenário, cada vez mais empregos serão gerados, os empresários irão tirar do papel os planos de investimentos das empresas e a roda da economia como um todo irá girar. Isso gera mais consumo, que aumenta o lucro das companhias e assim sucessivamente. 

O que é diferente de outras recuperações de crise, é que o principal motor da economia será justamente a economia privada. Com o governo fora da jogada, nenhuma demanda artificial será criada e o país pode crescer em seu ritmo adequado. 

Os juros baixos farão com que as pessoas possam ter acesso ao crédito, o que impulsiona o consumo e faz as empresas terem mais confiança para investir em projetos de expansão. 

Se em 2019 Brasília foi a responsável pela alta da bolsa, agora ela será coadjuvante. Se o governo ajudar e conseguir endereçar outras reformas em 2020, isso funcionará como catalisador para o crescimento e para a valorização dos ativos reais, como é o caso das ações e dos fundos imobiliários. 

Para o caso dos FIIs, também houve uma grande valorização em 2019, motivada por boas expectativas e queda de juros. Mas a procura por imóveis começará de verdade em 2020. 

A questão é que os projetos imobiliários são longos, a ponto que a demanda chega muito mais rápida que a oferta. Se a oferta permanece a mesma e a demanda aumenta, os preços irão subir. 

As vacâncias irão cair ainda mais e os aluguéis serão revisados para cima, aumentando o fluxo de aluguéis para o fundo e, consequentemente, para os cotistas. 

Dólar

Existe um ditado que diz que as previsões do câmbio foram criadas para humilhar os economistas. Se isso é verdade ou não, não nos cabe a discussão neste espaço. Fato é que previsões sobre o dólar são as mais difíceis e sem sentido de se fazer. 

O que quero oferecer a você, é uma das muitas explicações para um câmbio mais valorizado do que foi visto nos governos do PT. 

Como o Brasil sempre teve um juros muito alto, o investidor estrangeiro captava dinheiro lá fora e investia aqui para ter um alto ganho, sem riscos. Aquele mesmo cenário que foi discorrido na seção de renda fixa. 

Se o gringo capta lá fora e investe aqui, ele precisa trazer o dinheiro para o Brasil, onde ele irá vender seus dólares em troca de reais. Se há uma grande oferta de dólares no mercado, o preço dele cai e isso faz com que o câmbio brasileiro fique mais apreciado. 

Hoje o diferencial de juros entre Brasil e EUA é baixíssimo, ao ponto em que não compensa mais captar lá fora e investir aqui apenas para pegar este ganho sem risco. O real deixou de ser uma moeda de carrego, pois os ganhos sem riscos não existem mais por aqui. 

Outro fator que explica o dólar mais valorizado é o diferencial de crescimento. A economia dos EUA vai de vento em popa há 10 anos e ainda não mostrou sinais de que irá parar. Enquanto isso, a década perdida de 2010-19 apresentou crescimento real próximo a zero. 

Em um país com crescimento, os investimentos em ativos reais, como ações, por exemplo, costumam andar melhor, visto que o mercado acionário fica altista em períodos de expansão do produto. 

Por fim, o mundo anda meio nebuloso, com tensões geopolíticas espalhadas pelo globo terrestre. Os países emergentes estão sofrendo com guerras civis e situações econômicas críticas. O gringo tenta uma vez e toma porrada, tenta a segunda e toma outra porrada. Depois disso, ele quer um pouco de paz e volta para os países desenvolvidos, onde não há altos retornos, mas também não há risco de quebra. 

Quando o investidor estrangeiro tira dinheiro dos emergentes, ocorre o que é chamado de flight to quality, onde o investidor passa a alocar apenas em países de alta qualidade, ainda que tenha baixo retorno. 

Essas são três das milhares de explicações para um câmbio brasileiro mais depreciado. Dito isso, a taxa de câmbio de equilíbrio deve variar entre 3,90 e 4,20 realmente. 

Note que é uma banda relativamente alta e não estou nem dizendo que o câmbio terminará 2020 dentro deste intervalo. Como disse, as previsões para o dólar só nos fazem passar vergonha e o que devemos tentar fazer é apenas entender o que causa isso. 

O dólar funciona como uma boa proteção para sua carteira, visto que em momentos de estresse nos mercados, ele costuma se valorizar. Além disso, dólar é uma moeda forte e se tudo der errado, dólar ainda continua sendo dólar. E acredite, tudo pode dar errado. O que nos resta é estar devidamente protegidos. 

Insights: montando sua carteira para 2020 Pt. III

Depois de apresentar a você o racional que nosso portfólio deve ter para os próximos anos e passar mais detalhadamente sobre a composição de renda fixa e fundos multimercados, chego hoje ao final desta série de três artigos. 

Nos resta dissecar os outros 50% da nossa carteira e onde ela deve ser alocada. 

Ações

O ano de 2019 foi de muito aprendizado no ambiente macro brasileiro. Iniciamos o ano lotados de otimismo, que se esvaiu conforte o calendário foi girando. 

Uma valorização de quase 10% da bolsa no primeiro mês do ano, acompanhado do recorde dos 100 mil pontos do Ibovespa em fevereiro nos fez trazer mais cedo do que deveríamos o discurso de que this time is different. 

Realmente fazia sentido, mas precisávamos passar por algumas provações antes que isso concretamente se materializasse. 

Com o passar do ano passamos a ter menos medo do que Jair Bolsonaro e sua trupe falam, aprendemos a lidar com o medo da Guerra Comercial entre as duas maiores potências do mundo e a possível recessão global que isto poderia causar – quando foi que isso acabou mesmo? 

Também aprendemos a confiar um pouco mais no pessoal do congresso, que claro, fez seu show e apareceu na mídia, apenas para aprovar com uma aceitação maior do que a esperada da Reforma da Previdência. 

O crescimento não veio, felizmente a inflação também não. O que veio e veio forte foi a queda de juros. Quatro reuniões consecutivas do Copom com corte de juros de 0,5% e repentinamente – será? – temos a Selic no menor patamar de sua história. 

Teríamos que passar por estes aprendizados ao longo do ano para que o caminho esteja pavimentado a partir de agora. Não vamos colocar o carro na frente dos bois, como se costuma falar no interior. 

Qual o efeito quase que imediato disso tudo? O número de investidores na bolsa dobrou em apenas um ano. Calma, ainda estamos abaixo do patamar de 1% da população brasileira investindo em ações, mas novamente, calma. 

Enquanto isso, o número de investidores em fundos imobiliários triplicou. Parabéns aos envolvidos. Estamos no caminho. 

Todos estes pequenos problemas, alguns meses atrás, assim que vieram à mídia anunciá-los, eram grandes demais para serem resolvidos. Ah esses poetas do apocalipse…

Indo ao que interessa, a grande beneficiada das mudanças estruturais que estão acontecendo no Brasil é justamente a renda variável. Ativos reais se valorizam na veia de juros estruturalmente baixos. 

Primeiro porque os projetos que eram inviáveis com taxas de juros acima de 10%, ficam muito mais palpáveis quando estamos no patamar de 4,5%. E não se deixe levar pela boa nova dos pessimistas. A inflação do último mês até assustou ao levar a projeção para a casa dos 3,8% – o que fizeram com o Brasil?

A questão é que esse aumento na expectativa de inflação foi causado principalmente pelos alimentos, que devem se normalizar em questão de preços ao longo dos próximos meses. O núcleo de inflação, que é o que importa no fundo, ainda está ancorado e corrobora para um patamar baixo de juros. 

Voltando às ações, as empresas tiveram que fazer a lição de casa na última crise. Na mesma narrativa de que precisávamos passar por uma provação em 2019 para que pudéssemos evoluir, os executivos que tocam as maiores companhias do país tiveram de quebrar a cabeça em planos estratégicos para sobreviver à crise. 

Em um esquema de antifragilidade, depois de ter passado por este período de dificuldades, estas empresas saem da crise ainda melhores do que entraram, pois agora sabem sobreviver caso a adversidade volte. O mesmo vale para o time de gestão, que foi forçado a usar a cabeça de formas inimagináveis e agora estão ainda mais preparados para os desafios que surgirão à frente. 

Uma parte do dever de casa das empresas foi enxugar ao máximo suas estruturas de custos, principalmente cortando gastos com mão de obra e desligando máquinas. 

Com o retorno da demanda prometido e esperado para 2020, as empresas começaram a contratar, mas terão um mão de obra mais barata em termos reais do que no passado, visto que o estoque de trabalho está muito alto. A famosa lei da oferta e demanda. 

A partir do momento em que as pessoas passarem a demandar produtos, é só ligar as máquinas novamente e a produção volta a acontecer a pleno vapor. Os custos continuarão baixos, mas a receita tende a aumentar, o que aumenta o lucro exponencialmente. 

Sabemos que no longo prazo, o preço das ações segue o lucro das empresas. Portanto podemos aguardar uma ótima valorização para este próximo ciclo.

Para os que possam argumentar que a bolsa já subiu muito e que, no geral, a bolsa já está cara, podemos pegar por exemplo a relação de preço/lucro do Ibovespa. Atualmente este múltiplo está no nível da média histórica. 

Acontece que o ciclo atualmente é sem precedentes e deveria negociar com prêmio para a média histórica. O Brasil nunca teve o potencial que tem agora, com o corte de gastos públicos e abertura cada vez maior da economia. 

Este cenário é inédito e o potencial é gigantesco. Se é algo nunca antes visto, o múltiplo de preço/lucro também deve ser de algo nunca antes visto. Existe um bom crescimento de lucro projetado para as companhias para os próximos anos, o que diz que para chegar neste ponto de máxima histórica, os preços devem subir ainda. 

Dado o cenário descrito acima, realmente julgo a renda variável como a classe que mais vai se beneficiar e deve ser muito ganhadora de dinheiro neste ciclo que está apenas começando. Esta é a justificativa para uma exposição de 35% às ações. 

Esta exposição pode ser feita de duas formas: comprando os papéis a vista no mercado, fazendo um stock picking; ou fazer a alocação através de fundos de investimentos em ações. 

O primeiro caso é indicado para quem já tem experiência no mercado e tem a disposição tempo e muita vontade de aprender. Investir em ações não é difícil, mas está longe de ser fácil. Exige muita dedicação e muito controle emocional para fugir das trapalhadas quando ver sua ação caindo 5% em um único dia. Quando cair 10%, 15% então…

Apesar disso, se você se sentir confortável, a exposição direta nas ações te livra de pagar as taxas de administração e performance presente nos fundos de ações. 

A segunda forma de exposição é feita via fundos e é indicado à maioria das pessoas, visto que em geral os investidores trabalham em outras atividades durante o dia, além de ter de alocar tempo para a família, capacitações, lazer, etc. 

Se este for o seu caso, o ideal é alocar estes 35% em, no mínimo, três fundos de ações. É interessante contar com três fundos long only, aqueles que podem operar apenas na ponta compradora devem ter ao menos 67% do patrimônio comprado em ações. 

Também vale a pena ter um ou dois fundos long biased, que em geral operam comprados, mas podem operar vendidos em ações também. Estes fundos tendem a se valorizar menos em momento de euforia na bolsa, mas sofrem bem menos quando a bolsa cai. 

Apesar do otimismo com as ações, o Brasil é o país onde os cisnes negros passam férias, pelo nosso passado, parece que as férias brasileiras e as europeias, dado a quantidade deles ao longo do ano…

Portanto, é sempre interessante estar alocado em ações, mas com um pouco de proteção, já dentro desta classe. 

Fundos Imobiliários

Assim como a relação entre ações em empresas, os FIIs são lastreados em ativos reais, mais precisamente imóveis. 

Essa classe ganhou muito em 2019, visto que os juros caíram 2% apenas neste ano. 

O próximo ano tem um ótima perspectiva para os fundos imobiliários. Tratando apenas das três maiores classes de fundos imobiliários, a volta do crescimento econômico deve impulsionar muito os aluguéis. 

Falando primeiramente dos fundos de shoppings, com o desemprego começando a diminuir e os juros em patamares baixos, o consumo das famílias deve explodir, visto que a renda disponível irá aumentar e a maior visibilidade econômica torna o acesso ao crédito mais fácil. 

Os shoppings no Brasil são verdadeiros centros urbanos onde se pode fazer tudo: compras, ir ao cinema, ir à agência bancária e ter uma consulta médica. Resumindo, as pessoas conseguem resolver grande parte de suas demandas dentro de um shopping. 

A abertura de lojas em shoppings em 2020 deve aumentar, o que irá aumentar a procura e logicamente, aumentará os preços cobrados nos aluguéis. 

A retomada da economia também impulsiona a abertura e expansão das empresas, que precisarão alocar seus funcionários dentro de escritórios. A procura por lajes corporativas também ajuda na revisão dos aluguéis para cima. 

Por fim, a procura por galpões logísticos também deve aumentar muito nos próximos anos, visto que uma economia aquecida demanda muito espaço para bens materiais, que serão alocados em grandes galpões para estarem preparados para atender a demanda das lojas. 

Todo o cenário ajuda a revisar aluguéis para cima, o que aumenta a distribuição por cota. Por ser obrigado a distribuir 95% de sua renda obtida de aluguéis, os FIIs são uma ótima opção para renda mensal. 

A destinação da renda fica a seu critério. O mais interessante seria o reinvestimento nesta ou em outras classes de ativos, mas não serei eu que te julgarei caso opte por gastar os proventos na sua próxima viagem. 

Proteções

Ah, como eu queria poder prever com exatidão o que acontecerá no futuro. Seria muito fácil, eu venderia tudo que tenho, iria ao banco pedir dinheiro emprestado e investiria tudo na ação que mais se valorizaria. 

Mas o futuro insiste em ficar lá na frente, inacessível aos meros mortais como eu e, presumo que, você. Nem mesmo o passado é um bom indicativo do que acontecerá no futuro. Novos fatos aparecem a todo momento para nos provar algo que sequer havíamos pensado. 

Se eu estou otimista com o ciclo econômico atual? Muito. Se eu acho que ele é inédito e tem um potencial gigantesco de geração de valor? Sem dúvidas. 

Mas é tudo exatamente isso. Eu acho. Eu não tenho certeza. E se você conhece alguém que diz ter certeza, fuja enquanto há tempo pois você acabou de encontrar um charlatão. Provavelmente ele nem investe, não tem skin in the game como eu e você. 

Se pudéssemos, de alguma forma, acessar o futuro e conhecer os ativos que mais se valorizaram, isso configuraria um almoço grátis e, em geral, eles não estão disponíveis. 

Assumida a nossa incapacidade em prever o futuro com exatidão, partimos então para nos proteger, caso o nosso cenário base não se concretize. 

Vamos então esclarecer o cenário base que eu tenho e que motivou a criação deste portfólio: Acredito que nos próximos anos os juros permanecerão baixos, acontecerá uma onda de concessões e privatizações, a economia brasileira irá se abrir cada vez mais, as reformas serão aprovadas, o Brasil ganhará novamente o selo de grau de investimento e caminharemos à liderança entre os países emergentes. 

Olha, é muito otimismo, inclusive para mim. É até provável que de tudo que falei acima, algumas coisas não se mostrem verdadeiras, mas nada que atrapalhe a tese. 

Mas se algo inesperado ocorrer a ponto de anular a tese de investimentos, é necessário que estejamos preparados. Por conta disso sugiro uma alocação de 5% em ativos que nos protegem em um cenário que as coisas saiam dos trilhos. 

O ouro é universalmente aceito como reserva de valor em todo o mundo. Onde quer que você vá, o ouro será aceito como moeda. Isso não é uma discussão, é uma verdade. Além disso, o metal precioso já mostrou que tem correlação negativa com o dólar, a ponto de ganhar valor em momentos de tensões mundiais. 

Pasmem, mas o ouro foi uma das classes de ativos que mais se valorizou globalmente em 2019. 

O dólar é a moeda fiduciária mais segura do planeta e também é ganhadora de dinheiro contra todas as outras moedas em momentos de tensão. Isso porque no pior dos casos, os investidores ao redor do mundo vendem tudo e correm para os Estados Unidos. Isso causa uma onda compradora no dólar, que joga o preço da divisa para cima. 

Lembre-se que o objetivo não é especular com o dólar e ganhar dinheiro. O que se diz é que as previsões do câmbio foram criadas para que os economistas fossem mais humildes – ou seria mesmo para humilhá-los sempre que tentam prever para onde vai a moeda? 

Desta forma, compre dólar e não se preocupe com o preço. Se cair um pouco ok, mas se tudo der errado, isso vai se valorizar muito e você vai agradecer a si mesmo por ter comprado dólares. 

Por fim, existe a possibilidade de fazer proteções com opções de venda fora do dinheiro, que se valorizam no cenário de queda expressiva das ações. 

Vale dizer que é interessante ter um pouco dos três. O ouro e o dólar podem ser acessados via fundos de investimentos, enquanto que as opções terão de ser compradas a parte. 

Esteja preparado para ver essa parcela do seu portfólio cair ou não sair do lugar. É inclusive interessante que isso aconteça, visto que isso é um indicativo de que o restante da carteira está indo de vento em popa. 

Ouro e dólar tem um carácter de convexidade muito interessante. Esses ativos nunca irão valer zero, mas em momentos de estresses eles se valorizam de forma expressiva. 

As opções podem virar pó, mas se forem acionadas, proporcionam um ganho exponencial. 

Insights: montando sua carteira para 2020

Com o fim do ano chegando, é comum que as pessoas já estejam com a cabeça na próxima década. Essa também é uma boa hora para você investidor repensar a forma como está investindo e se sua carteira está preparada para os anos vindouros. 

Não que devamos pensar em 2020 para o ano para fazer a vida e ficar milionário. Pode até ser que aconteça, mas o sucesso nos investimentos não se ganha em apenas um ano. Se trata de boas performances ano após ano, deixando com que a mágica dos juros compostos aconteçam. 

Todos gostariam de escolher uma ação que se valorizará 100% no próximo ano. Mas você já parou para pensar em uma carteira que rende 20% por cinco anos? Com os juros compostos, ao final do período o rendimento terá sido de 249%. Interessante, certo? 

Um rendimento de 20% ao ano é difícil de se conseguir, mas não é impossível. O segredo está na alocação. Se uma carteira estiver bem diversificada nas mais diferentes classes de ativos, além de diversificar também dentro dessas classes – não dá para escolher apenas uma ação e alocar todo seu capital nela – certamente estaremos mais perto de atingir o objetivo. 

A partir de hoje teremos uma série de artigos que te ajudarão a estar mais preparado para revisitar sua mente e a forma como você investe, além de lhe auxiliar a montar uma boa carteira para surfar os próximos anos. Tenha sempre em mente: investir é uma maratona, não uma corrida de 100 metros. 

Diversificação

A regra número um para uma carteira ser julgada como boa é a diversificação. Ela é nosso único almoço grátis disponível, da qual devemos usar e abusar. 

A diversificação deve ser utilizada como uma forma de mitigar riscos e angariar retornos caso nosso cenário base não se concretize. E acredite, dentro os diversos cenários base que iremos traçar, uma parte considerável deles não irá se materializar. 

Uma carteira pulverizada nos ajuda a dormir tranquilo em um mundo que não entendemos. O futuro é incerto e insiste em ficar no… futuro. Como já dizia um velho sábio: “é difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro”.

Ora, eu mesmo tenho um cenário interessante para 2020. Neste cenário as reformas passariam com alguma resistência no congresso – como sempre acontece -, o crescimento do PIB viria de forma mais surpreendente e a inflação convergiria para o piso da meta do BC. 

Apesar de uma inflação um pouco mais forte, o BC se sentiria confortável para manter os juros baixos, visto que o desemprego ainda continuaria alto e ainda haveria um hiato de produto. 

Neste cenário, as ações e o juro longo seriam novamente grandes vencedores.

Acontece que o nosso presidente pode simplesmente desandar a falar bobagens a ponto de atrapalhar o andamento das reformas no próximo ano. Paulo Guedes pode ficar de saco cheio e se decidir que depois de tudo que já fez na vida, não quer ficar aguentando desaforo e se despede do ministério da economia. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos pode não se resolver a tempo de salvar o mundo de uma recessão, o que prejudicaria muito o Brasil, uma vez que em momentos de recessão, o capital sai dos emergentes em um movimento conhecido como fly to quality, indo para o terreno seguro dos EUA.

Diversas coisas podem acontecer apenas neste próximo ano, sem falar de 2021, 2022… 

O que nos resta, portanto? Diversificar! Se tivermos uma carteira bem diversificada, conseguiremos nos expor aos mais diferentes cenários de retorno. Claro, se estamos mais otimistas com o Brasil e o mundo no próximo ano, iremos nos expor a ativos reais de forma mais contundente. 

Para o caso da renda variável, a diversificação fica ainda mais importante. Além do que já foi citado acima, o preço das ações no curto prazo obedecem a regras aleatórias, algo como o caminhar de um bêbado. Não significa, no entanto, que determinada ação seja boa ou ruim. 

No longo prazo, no entanto, o preço das ações acompanha o lucro das empresas que estão por trás delas. Se uma empresa gera lucro constantemente e tem boas perspectivas para o futuro, é comum que suas ações acompanhem no longo prazo. 

No curto prazo, no entanto, elas são afetadas pelos mais diferentes problemas técnicos e notícias. 

As empresas obedecem a ciclos empresariais, que são mais longos do que gostaríamos que fossem. Não é lógico pensarmos que uma nova direção em determinada companhia irá efetuar as mudanças necessárias e colher os resultados em apenas 3 meses. Essas mudanças demoram anos para terem efetividade. 

Esses são apenas alguns motivos para que você opte por uma carteira diversificada para os próximos anos. Em um futuro incerto, como sempre é, a única forma de conseguirmos enriquecer tranquilos, é diversificando. 

Sua carteira, portanto, deve ter títulos de dívida, ações, fundos imobiliários, fundos multimercados, dólar, opções e ouro. Se tiver a oportunidade, é interessante também ter participação em fundos de private equity. Com o atual patamar de juros, estes veículos passarão a ter mais representatividade e se mostram uma boa forma de angariar retornos. 

O gráfico acima mostra a alocação que julgo a ideal para surfar a onda de recuperação da atividade econômica brasileira. Para mim, essa é a solução ideal de carteira para qualquer que seja seu perfil de investidor. 

Não estou falando que escolhendo estas proporções, você terá um retorno garantido, mas certamente existe mais chance para que sim do que não. 

Para você que se julga com perfil mais agressivo nos investimentos, você pode subir mais sua fatia em ações, diminuindo a exposição em fundos multimercado e renda fixa. No entanto, não tenha menos do que 15% de cada um. Isso significa que você deve alocar no máximo 55% em bolsa, algo que já é bem arrojado e não indicado para a maioria. 

Caso não se sinta tão confortável com a alocação acima, você pode abaixar um pouco a alocação em ações e aumentar em renda fixa e fundos multimercados. Não deixe, no entanto, que seu medo te impeça pegar a grande onda de alta que a bolsa deve ter nos próximos anos. 

Cada classe de ativo presente em nossa carteira será melhor trabalhada ao longo das próximas semanas. Mas antes de finalizarmos, acredito que seja importante destacar um ponto. 

Saudosismo que atrapalha

O investidor um pouco mais velho pode se sentir incomodado com a alocação proposta acima. Ele pode julgar que os riscos sejam muito elevados, com uma alocação em renda variável de 45%. 

Tudo bem, eu não julgo. Esse mesmo investidor viu, por anos, a renda fixa pagar 12% ano ano, sem riscos e sem chacoalhadas de preço. Ao mesmo tempo, viu a bolsa de valores sofrer para bater a renda fixa e ainda contar com marcações a mercado instantâneas. 

A questão é que o que acontecia no Brasil, era, na verdade, uma anomalia de mercado. O correto segundo a teoria econômica é a renda variável pagar mais, justamente porque ela tem mais riscos. 

O movimento que aconteceu nos últimos meses veio justamente para corrigir esta falha. Ao mesmo tempo, a reforma da previdência foi aprovada e pelo menos mais três reformas estão engatilhadas para o próximo ano.

Estas reformas tiram do governo uma centena de gastos obrigatórios e dão mais liberdade orçamentária para colocar as dívidas em dia. A onda de privatizações também colabora para o fim dos gastos do governo em empresas. 

Tudo isso corrobora para uma maior abertura econômica e melhora muito o ambiente de negócios no Brasil. Com as engrenagens azeitadas, a taxa básica de juros pode permanecer em patamares baixos por um período prolongado de tempo. 

Com os juros baixos, a renda fixa irá pagar menos, visto que os títulos do governos estarão pagando muito pouco. Já foi falado aqui que alguns fundos de renda fixa apresentarão rendimentos reais negativos. 

Além disso, um menor patamar de juros torna diversos projetos mais viáveis, visto que o crédito estará disponível de forma mais barata. Isso impulsiona o consumo das famílias e beneficia, por exemplo, o setor de construção civil, que deve se aquecer nos próximos meses, junto com uma revisão para cima dos aluguéis. 

Com o cenário acima, os rendimentos de 1% ao mês sem riscos, se tornam inviáveis. A partir de agora, o investidor terá que se tornar menos avesso a riscos, assim como já é na vida. Cada escolha uma renúncia. 

Se na vida temos de arriscar para conquistarmos mais, nos investimentos é estritamente a mesma regra. 

Além disso, voltamos àquela velha máxima que prego aqui de que risco não é volatilidade. Utilizando o mesmo exemplo, uma debênture da Rumo tem exatamente o mesmo risco de perda de capital que uma ação da Rumo, apesar de a segunda ter uma volatilidade muito maior. 

Volatilidade é apenas um conceito técnico que é usado, de forma errada, como uma medida para risco. Não é porque não se mexe que não que é arriscado. 

Portanto, meu caro investidor, se acostume à assunção de risco. O que acontecia com a renda fixa no Brasil era um almoço grátis e na grande maioria das vezes, eles não estão disponíveis. 

Esta solução definitiva de carteira é diversificada justamente para a mitigação de riscos. 

Quando finalmente virarmos a chave de que o 1% ao mês está enterrado, poderemos dar o próximo passo rumo à uma melhor forma de se investir. 

Investir pode até parecer difícil e diversas vezes irão te fazer acreditar que realmente o é. Apesar disso, é mais ou menos como a vida. Se você realmente tiver vontade de fazer acontecer, estudar e saber fugir das grandes encrencas, o crescimento virá.