Confira as principais notícias que movimentaram o mercado nesta semana

Chegamos ao fim de mais uma semana. Perdeu alguma coisa? Quer rever algum assunto? Se manter atualizado sobre tudo que aconteceu de mais importante nos últimos dias? Para te manter bem informado, separamos as principais notícias dessa semana que influenciaram o mercado financeiro. 

Quer acompanhar as principais notícias desta sexta-feira (10), em tempo real, sobre a B3, a bolsa de valores brasileira, e os mercados de seguros, previdência privada, além de ter acesso a diversos conteúdos que vão te auxiliar a criar o melhor planejamento financeiro?

Então conheça os canais Bolsa de Valores e Proteção e Futuro, do portal SpaceMoney, que têm patrocínio da Blue3.

Confira:

Segunda-feira – 06/09

Poupança tem retirada líquida de R$ 5,467 bilhões em agosto

Após quatro meses de resultado positivo, o saldo da aplicação na caderneta de poupança voltou a cair com o registro de mais saques do que depósitos. No mês passado, as retiradas superaram os depósitos em R$ 5,467 bilhões, de acordo com relatório divulgado pelo Banco Central (BC). 

O resultado negativo contrasta com o registrado em agosto do ano passado, quando os brasileiros tinham depositado R$ 11,402 bilhões a mais do que retiraram da poupança.

No mês passado, foram aplicados R$ 295,901 bilhões, contra saques de R$ 301,369 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas de poupança somaram R$ 2,719 bilhões.

Com o desempenho de agosto, a poupança acumula retirada líquida de R$ 15,629 bilhões nos oito primeiros meses do ano. Já de janeiro a agosto de 2020, houve captação líquida de R$ 123,981 bilhões.

Bolsonaro edita MP que combate “remoção arbitrária” de contas e conteúdos por provedores

O presidente Jair Bolsonaro assinou a edição de uma medida provisória que altera o marco civil da internet para combater a “remoção arbitrária e imotivada de contas, perfis e conteúdos por provedores”, disse a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom).

Segundo a Secom no Twitter, a MP quer garantir maior clareza quanto a “políticas, procedimentos, medidas e instrumentos” utilizados pelos provedores de redes sociais para cancelamento ou suspensão de conteúdos e contas”.

Terça-feira – 07/09

Por conta do Feriado de Independência, comemorado em 07/09, não houve negociação de ativos na B3, bolsa de valores brasileira.

Quarta-feira – 08/09

Cade recomenda aprovação da fusão entre Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) mediante a remédios

Prédio Cade

Em parecer, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a aprovação da fusão entre Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) mediante ‘remédios’.

Agora, o negócio segue para avaliação do Tribunal do Cade, com prazo até os primeiros dias de janeiro de 2022.

IGP-DI recua 0,14% em agosto com queda no minério de ferro, diz FGV

Os preços do minério de ferro recuaram expressivamente e o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,14% em agosto, de uma alta de 1,45% em julho, mas a inflação pressiona tanto o produtor quanto o consumidor, de acordo com dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira.

O resultado ficou bem aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,10% no mês passado, e levou o índice a acumular em 12 meses avanço de 28,21%.

Segundo a FGV, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que responde por 60% do indicador geral, passou a cair 0,42% em agosto, contra alta de 1,65% antes. As Matérias-Primas Brutas cederam 4,17%, ante salto de 1,79% no mês anterior.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — que responde por 30% do IGP-DI — desacelerou a alta a 0,71% no período, de 0,92% em julho.

O Índice Nacional de Custo de Construção (INCC) registrou em agosto alta de 0,46%, contra avanço de 0,85% em julho.

O IGP-DI é usado como referência para correções de preços e valores contratuais. Também é diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e das contas nacionais em geral.

Cesta básica sobe em 13 das 17 capitais pesquisadas, aponta estudo

O custo médio da cesta básica em agosto teve alta em 13 das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O levantamento, divulgado hoje (8), mostra que os maiores aumentos foram em Campo Grande (3,48%), Belo Horizonte (2,45%) e Brasília (2,10%).

As quedas nos preços foram registradas em Aracaju (-6,56%), Curitiba (-3,12%), Fortaleza (-1,88%) e João Pessoa (-0,28%).

A cesta mais cara é a de Porto Alegre que custa R$ 664,67 e teve alta de 1,18 % em agosto. A de Florianópolis é a segunda mais cara (R$ 659), com elevação de 0,7% no mês. A de São Paulo ficou em R$ 650,50, com variação de 1,56%.

A cesta básica mais barata é a de Aracaju, no valor de R$ 456,40, seguida pela de Salvador (R$ 485,44) e de João Pessoa (R$ 490,93).

Ibovespa fecha em queda de 3,78%, marcando a maior queda diária em seis meses; dólar sobe 2,89%

O Ibovespa, principal índice acionário da B3, a bolsa brasileira, fechou em queda nesta quarta-feira (8).

No encerramento dos negócios, às 17h, o índice fechou em queda de 3,78%, aos 113.413 pontos, marcando a maior queda diária em seis meses, refletindo preocupações com a pauta econômica do país diante do aumento da tensão político-institucional, após declarações do presidente Jair Bolsonaro durante manifestações no Dia da Independência, na véspera.

O dólar se valorizou em 2,89% e fechou cotado a R$ 5,325. A sessão também foi marcada pela tensão gerada com as falas do presidente brasileiro, incitando a desobediência e aumentando ainda mais a crise entre os poderes, impactando diretamente o câmbio.

Quinta-feira – 09/09

IPCA: inflação fica em 0,87% em agosto, maior resultado para o mês desde 2000

A inflação registrou alta de 0,87% em agosto, a maior para o mês desde o ano 2000. Com isso, o indicador acumula altas de 5,67% no ano e de 9,68% nos últimos 12 meses, acima do registrado nos 12 meses imediatamente anteriores (8,99%).

Em agosto do ano passado, a variação mensal foi de 0,24%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Banco Central Europeu reduz suporte, mas não sinaliza fim do estímulo

O Banco Central Europeu (BCE) reduzirá ligeiramente suas compras de títulos de emergência ao longo do próximo trimestre, disse a autoridade monetária, dando um passo simbólico para desfazer a ajuda econômica de emergência que sustentou o bloco durante a pandemia.

No entanto, o movimento foi modesto e o BCE não deu nenhum sinal de seu próximo movimento, incluindo como desfazer o Programa de Compra de Emergência da Pandemia (PEPP) de 1,85 trilhão de euros, que manteve os custos de empréstimos baixos para governos e empresas.

EUA: pedidos por seguro-desemprego caíram na semana passada

Os pedidos iniciais por seguro-desemprego da semana passada nos EUA ficaram novamente abaixo da previsão dos economistas do mercado e do número revisado da semana anterior, segundo dados do Departamento de Trabalho publicados nesta quinta-feira (09).

Foram solicitados 310 mil benefícios, contra os 345 mil da semana passada. A previsão do mercado era de 335 mil pedidos.

No entanto, o número de solicitações contínuas ficou levemente acima da previsão de 2,744 milhões, com 2,783 milhões de benefícios solicitados, também abaixo do número revisado da semana passada, que foi de 2,805 milhões.

Banco Central Europeu eleva projeções de crescimento e inflação

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu  Foto: Ralph Orlowski/Reuters

O Banco Central Europeu elevou nesta quinta-feira (9) suas projeções de crescimento e inflação para este ano e mais além, com a economia da zona do euro se recuperando mais rapidamente da pandemia do que a maioria esperava.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que a zona do euro está a caminho de um forte crescimento no terceiro trimestre e que o BCE prevê a atividade econômica de volta ao seu nível pré-pandemia até o final do ano.

Ela disse que embora as perspectivas para a inflação para este ano tenham sido revistas para cima, superior à meta de 2% do BCE, o aumento atual deve ser temporário e acrescentou que a inflação de médio prazo ainda está bem abaixo da meta.

Índice da Construção Civil registra alta de 0,99% em agosto

O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) avançou 0,99% em agosto. O resultado ficou 0,90 ponto percentual (p.p) abaixo da taxa de julho, quando registrou 1,89% e é a menor variação desde agosto de 2020.

No acumulado dos últimos 12 meses, a taxa atingiu 22,74%, pouco acima dos 22,60% anotados nos 12 meses imediatamente anteriores. O acumulado de janeiro a agosto ficou em 14,61%. Em agosto de 2020, o índice foi 0,88%.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Inflação acumulada em 12 meses passa de 10% em oito capitais

Com a alta de 0,87% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, a inflação oficial do país chegou a 9,68% nos últimos 12 meses, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as 16 regiões metropolitanas pesquisadas, oito apresentaram taxas acumuladas em 12 meses superiores a 10%.

A maior inflação acumulada foi verificada em Curitiba, com taxa de 12,08%, seguida de Rio Branco (11,97%), Campo Grande (11,26%) e São Luís (11,25%). O menor acumulado de 12 meses foi registrado no Rio de Janeiro, com inflação de 8,09%.

Para o mês de agosto de 2021, todas as áreas pesquisadas tiveram inflação, sendo o maior índice registrado em Brasília (1,40%), influenciado pelas altas de 7,76% no preço da gasolina e de 3,67% na energia elétrica. O menor resultado foi verificado na região metropolitana de Belo Horizonte, com inflação mensal de 0,43%. A região foi influenciada pela queda nos preços das passagens aéreas (-20,05%) e da taxa de água e esgoto (-13,73%).

Brasil tem novas regras para pagamento e transferência internacionais

O Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC) alteraram a regulamentação cambial e de capitais internacionais para alinhá-las às inovações tecnológicas e aos novos modelos de negócios sobre pagamentos e transferências internacionais. “As novas regras buscam promover um ambiente mais competitivo, inclusivo e inovador para a prestação de serviços aos cidadãos e empresas que enviam ou recebem recursos do exterior”, informou o BC.

As novas medidas permitirão que as instituições de pagamento (IPs), as fintechs, autorizadas a funcionar pelo BC, também possam operar no mercado de câmbio, atuando exclusivamente em meio eletrônico. Atualmente, somente bancos e corretoras podem fazer as operações. Essa permissão entrará em vigor em 1º de setembro de 2022 e as demais medidas em 1º de outubro deste ano.

ABC do Mercado – Relatório Focus projeta inflação a 7,27% em 2021. Entenda como é calculado o IPCA

As projeções para a inflação em 2021 não estão otimistas. Segundo a pesquisa semanal realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras do Brasil e disponibilizada no relatório Focus da última segunda-feira (27/08), a expectativa é que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), considerado o índice oficial de inflação do país, termine este ano acumulado em 7,27%. 

Esse nível de inflação, caso se confirme, representaria o maior aumento anual de preços no Brasil desde 2015, quando o índice encerrou o ano com acumulado de 10,67%.

Mas o que isso significa?

A inflação é um dos grandes fantasmas da economia brasileira. Nos anos 1980, o país foi obrigado a conviver com um fenômeno chamado “hiperinflação”, em que o dinheiro perdia valor rapidamente (muitas vezes em questão de dias ou até horas). Naquele tempo, era comum as pessoas receberem o salário e — às vezes, literalmente — correrem para o supermercado para comprar o que fosse possível, uma vez que os preços eram constantemente remarcados diretamente nas prateleiras. Felizmente, esse tempo passou e hoje a economia brasileira desfruta de relativa estabilidade. Mas isso não quer dizer que nosso dinheiro tenha parado de se desvalorizar.

Para medir a perda do poder de compra do nosso dinheiro, o governo brasileiro utiliza a pesquisa mensal de preços do varejo e serviços, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em dez grandes cidades brasileiras. O cálculo é feito em cada região e, depois, somam-se os valores apurados para compor o índice nacional. Entre os dados utilizados pela entidade estão desde preços de alimentos básicos, como arroz, feijão, frutas e legumes nos supermercados, até custos com transporte, vestuário, educação, saúde e serviços, como concessão de energia elétrica e água encanada.

A partir das variações de preços é possível entender se, com o mesmo montante de dinheiro, a população conseguiu consumir mais ou menos. Se a balança pender para o lado negativo, o resultado é chamado de inflação. Por outro lado, se o dinheiro “ganhou valor”, diz-se que o cenário foi “deflacionário”.

Seu dinheiro poderá valer menos no final deste ano

Voltando à previsão do mercado financeiro, caso ela seja certeira, no final deste ano teremos menor capacidade de consumo que no começo. Com o IPCA a 7,27%, caso você tenha guardado R$ 100 embaixo do colchão em janeiro, em dezembro você continuará com a mesma cédula azul, mas agora ela terá o poder de compra equivalente de R$ 92,73 no início do ano. Ou seja: depois de doze meses, você precisará de sete reais a mais para comprar os mesmos itens no supermercado. Esse é o poder (negativo) da inflação.

Ninguém gosta de perder dinheiro, mas como se proteger da inflação?

Não é possível proteger-se totalmente da inflação. Afinal, todos os dias vamos à padaria, ao supermercado, compramos uma roupa, almoçamos fora… Enfim, existe sempre uma influência da inflação sobre o nosso dia a dia.

Porém, é possível proteger o futuro!
Como?
O melhor caminho é utilizar investimentos que tragam rentabilidade acima da inflação, para que o patrimônio cresça sem se desvalorizar.

Um dos melhores exemplos é o Tesouro Direto IPCA+. O título, emitido pelo tesouro nacional, é indexado à inflação oficial, isto é, tem seu rendimento atrelado a ela, além de uma pequena taxa de crescimento mensal. No caso da opção com vencimento para 2045, por exemplo, o investidor recebe juros equivalentes ao IPCA no período mais 4,63% ao ano.  

Diferentemente de quem deixou o dinheiro no colchão, ao final de 2021 um investidor que tivesse investido R$ 100 no Tesouro IPCA+ 2045 não terminaria o ano com R$ 92,73, mas com R$ 104,63.  Na prática, entre o que deixou de perder e o que rendeu, esse investidor “embolsou” R$ 11 em 12 meses.

Parece pouco, mas é sempre melhor ganhar do que perder!

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O que é a inflação e como ela afeta o aumento dos preços?

Você provavelmente já percebeu que com o passar dos anos, aqueles mesmos itens que comprávamos com frequência acabam sofrendo certo aumento nos preços. Bem, você sabia que esse fenômeno tem um causador?
O nome dele é inflação.

Mas o que isso significa?

De maneira geral, a inflação é um termo utilizado por economistas para se referir ao aumento generalizado dos preços de produtos e serviços em um país.

Este índice é calculado a partir de uma cesta de bens, mantida pelo IBGE, e apurada por meio de uma análise nas alterações dos preços, dentro desta cesta. No Brasil o índice oficial para medir esta variação é o IPCA.

Entretanto, a cesta de bens generalizada não serve para situações específicas, já que nem todo cidadão consome tudo que está presente na cesta de bens do IBGE. Mesmo assim, essa é uma técnica adotada por muitos países para que seja possível medir o aumento generalizado nos preços.
Nos EUA, por exemplo, o índice semelhante ao IPCA é denominado CPI.

Bom, mas de que forma este aumento de preço representa realmente impacta o nosso dia a dia? Ele tem alguma relação com a redução do poder de compra do consumidor? 

Na verdade, a inflação representa apenas uma diminuição do poder aquisitivo para o consumidor quando o salário do mesmo não é reajustado na mesma proporção em que os preços aumentam. Ou quando os investimentos na economia possuem uma rentabilidade abaixo do aumento inflacionário.

Mas então, será que a inflação é ruim para nós?

Realmente, de modo geral, a inflação é vista como um acontecimento ruim. No entanto, o que muitos não sabem é que níveis controlados de inflação são saudáveis à economia, e portanto, desejáveis.

Curva de Phillips 

  Para exemplificar melhor, podemos tomar como base a teoria da curva de Phillips, criada pelo economista neozelandês William Phillips, que relaciona inflação ao nível de emprego e demonstra que aumentos inflacionários, “ceteris paribus” (tudo o mais constante), geram uma diminuição nos níveis de desemprego

Isto ocorre porque uma das consequências do aumento do consumo é a inflação. Portanto, fica intuitivo imaginar que se há mais pessoas consumindo, faz-se necessário mais mão de obra para produzir e ofertar, de forma que, há também mais pessoas empregadas, e vice-versa.

O que é a deflação?

Por outro lado, quando um país apresenta deflação (inflação negativa), isto demonstra que os indicadores da economia não estão de acordo com um fluxo econômico ativo. E isso acaba gerando, muitas vezes, um nível maior de desemprego, uma diminuição dos salários nominais e do consumo, e um ciclo de estagnação econômica

Este evento, foi visto recentemente pela primeira vez no Brasil. A chegada da pandemia da Covid-19 culminou em uma estagnação dos fluxos econômicos, e consequentemente, demonstrou uma má performance da economia.

 Observe no gráfico abaixo, referente ao IPCA mensal nos anos de 2020 e 2021. Conforme o fluxo de mobilidade e consumo foram aumentando, e a economia aos poucos apresentando sinais de recuperação, a inflação voltou a subir, surtindo os efeitos.

 Em suma, o ideal é possuir uma inflação controlada, não representando uma hiperinflação, nem uma desinflação. No entanto, isto nem sempre ocorre, e por isso é tão importante entender as causas e consequências que podem alterar este índice.

Diante de todos os fatos apresentados acima, fica claro que a inflação é um indicador “atrasado”, uma vez que se trata de um sintoma, cuja as causas estão no passado e as consequências repercutem no presente

Fatores que afetam a inflação

Dessa forma, os efeitos inflacionários possuem causas já conhecidas, e que são denominadas “conjunturais”, quando se tratam de eventos passageiros. E o “estruturais” quando os eventos ocorridos são contínuos, tendo sido ambos datados de alguns meses ou até anos atrás.

Um fator conjuntural pode ser exemplificado com uma ausência de equivalência entre oferta e demanda. Esse evento trata-se de um acontecimento passageiro uma vez que, em algum momento as cadeias se acomodam, os preços voltam a patamares mais razoáveis, dado o ajustamento entre consumidores e produtores

Este fato é tão recorrente em nosso cotidiano que podemos citar, por exemplo, um ocorrido recente com o preço do petróleo, milho, soja e outras commodities. Nos EUA, as geadas destruíram os depósitos em que estes produtos eram armazenados. O que fez com que a demanda permanecesse em altos patamares, sem a devida equivalência na oferta dos produtos. Dessa forma, o custo do insumo para se fabricar alguns produtos, bem como a gasolina, foi repassado ao consumidor final

Vale ressaltar que muitas vezes este fator conjuntural pode perdurar por alguns anos.

Por outro lado, fatores estruturais fazem parte da estrutura da economia, como o próprio nome diz. Portanto, são recorrentes e não passageiros, tal como a impressão de moeda. 

Sendo assim, como disse Milton Friedman a “inflação é um fenômeno monetário”, uma vez que no geral, a irrupção entre demanda e oferta, e outros fatores, terminam por se ajustar, mas, a impressão de moeda de maneira ininterrupta, é capaz de fazer com que o poder de compra seja corroído constantemente.

Mas se a inflação é um fenômeno recorrente, então como podemos nos proteger dela?

Como se proteger da inflação?

Bom, como não somos nós, na maioria das vezes, quem determina o aumento do nosso salário nominal. A única maneira que temos para se proteger da inflação é investindo em ativos que rendem mais do que ela.

Sabendo disso, já fica o aviso: se o seu dinheiro que está alocado na poupança e parece estar gerando rendimentos, na verdade ele está sendo corroído pela inflação!! 

Por isso, é indispensável procurar um profissional que te ajude a alocar o seu capital nos melhores investimentos, a fim de protegê-los da inflação e de grandes perdas. 

E lembre-se: não trabalhe para o seu dinheiro, deixe que ele trabalhe para você. E isso só é possível quando investimos o nosso capital com responsabilidade e eficiência.

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FONTES:

Clube dos poupadores, Uoleconomia, IBGE.

Uma Breve Introdução ao Crédito Privado

No cenário econômico atual, com a taxa de juros (Selic) extremamente baixa, no nível de 2% ao ano, investimentos de renda fixa convencionais não têm dado o retorno esperado pelos investidores.

Assim, muitos investidores estão em busca de novas oportunidades. Com isso, ativos de crédito privado têm ganhado cada vez mais visibilidade.

Mas antes de falar sobre tais ativos, vamos voltar um pouco. Afinal, você sabe o que é renda fixa?

O que é renda fixa

Renda fixa nada mais é do que um título de dívida. O que significa que, quando empresas, bancos ou até mesmo o governo precisam de dinheiro, um dos modos de se capitalizar é por meio da emissão de títulos, que remuneram aqueles que bancarem o tal título, com uma taxa previamente acordada.

Essa taxa pode ser pós-fixada, ou seja, atrelada a um indexador (os mais comuns são CDI ou IPCA) ou uma taxa nominal prefixada, como 10% ao ano, por exemplo.

Os investimentos de renda fixa podem ser classificados de três formas:

Títulos públicos

São aqueles emitidos pelo governo, com o intuito de financiar ações públicas, como obras, programas assistencialistas, entre outros projetos governamentais.

Por ser um investimento em ativos garantidos pelo governo brasileiro, o risco é considerado muito baixo. São representados por títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, alguns exemplos disso são Tesouro Direto e NTNs.

Títulos Bancários

Como o próprio nome diz, são emitidos por bancos quando eles precisam financiar suas operações. Para operações voltadas ao mercado de crédito imobiliário, temos o LCI e para operações de crédito do agronegócio, o LCA. Já o CDB, não tem uma destinação específica.

Os dois primeiros são isentos de imposto de renda (IR) para pessoas físicas e todos os três são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura o valor investido caso a instituição emissora do título venha a falir.

Títulos de Crédito Privado

Para financiar suas operações, as empresas de capital aberto emitem esses títulos de dívida, que podem ser CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), para financiamento de operações destinadas ao agronegócio, ou CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) para operações voltadas ao mercado imobiliário.

Temos também as debêntures para financiamentos sem fins específicos. Os dois primeiros são isentos de IR para pessoas físicas, e o terceiro pode ter tal isenção, mas falaremos sobre isso mais tarde. De toda forma, não possuem garantia do FGC.

Como os Títulos de Crédito Privado funcionam

Agora vamos focar no principal tema desta publicação, os títulos de crédito privado.

Os títulos de créditos privados são investimentos de renda fixa, que podem proporcionar retornos maiores do que os já consolidados CDBs e títulos públicos.

A maior rentabilidade desses títulos está diretamente atrelada ao maior risco envolvido na operação, geralmente relacionado ao risco de crédito no caso de a empresa não pagar o valor devido.

Como tais produtos não possuem garantia do FGC, esse risco acaba sendo relevante na emissão do título e na sua rentabilidade.

Os investimentos em crédito privado se dão na forma de CRIs, CRAs e debêntures. Os dois primeiros precisam ser emitidos por meio de companhias securitizadoras, que atuam como intermediadoras nesse processo de lançamento ao mercado.

Porém, para trazer mais segurança aos investidores, existem empresas de rating – que em tradução literal significa “avaliação”.

Essas empresas classificam as instituições que disponibilizam produtos no mercado, assim os investidores podem ter uma visão melhor sobre onde estão alocando seus investimentos e qual a chance de a empresa não honrar com seus credores.

Moody’s, Fitch e S&P são exemplos de empresas de rating internacionalmente conhecidas que classificam os emissores, como o que foi apresentado na figura 1.

Como podemos ver na figura 1, as classificações variam de empresa para empresa, mas a ideia geral é a mesma: os ratings que estão no topo (AAA) classificam as empresas que possuem menor risco, logo, as probabilidades de honrar com as dívidas adquiridas são maiores.

Normalmente, são empresas financeiramente estáveis e com bom histórico perante o mercado.

Conforme o rating diminui, o risco de investir nas empresas aumenta, sendo assim, pode-se observar o retorno atrelado ao risco do ativo e compará-lo à rentabilidade do ativo de menor risco do Brasil (Tesouro Direto) para saber a atratividade de tal investimento.

Já as debêntures, podem ser emitidas pela própria empresa, mas precisam da aprovação de agentes regulatórios para distribuição.

Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs)

São um modo de financiar o mercado imobiliário e funcionam da seguinte forma: a construtora (XYZ) precisa levantar capital para seu próximo empreendimento.

Sendo assim, ela vai até uma companhia securitizadora e acerta as condições do financiamento, como por exemplo, o montante total a ser financiado, o prazo de pagamento (ex.: nov/2030) e a taxa de juros (ex.: IPCA + 4,0%).

Com essas informações, a companhia securitizadora divide o valor a ser financiado em diversas cotas e as lança ao mercado na forma de CRI (empresa X), com taxa de investimento IPCA + 4,0% e vencimento em novembro/2030.

Os investidores que se interessarem por tal oferta adquirem cotas desse CRI com o intuito de ter o retorno oferecido pela empresa ao final do prazo (já líquido) de imposto de renda (IR), no caso de pessoas físicas.

Caso os investidores queiram resgatar o montante investido antes do prazo, podem fazê-lo por meio do mercado secundário, porém, estão suscetíveis a ágio (valorização) ou deságio (desvalorização) de tal investimento.

Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs)

Assim como os CRIs, servem para financiar empresas com operações em um setor específico, no caso, o agronegócio, como frigoríficos e produtores agrícolas. O investimento em CRA possui as mesmas características e especificidades dos CRIs, alterando somente o setor de destinação dos recursos.

Debêntures

Debêntures são uma forma para que sociedades de ações e não pertencentes ao setor financeiro possam fazer captação de recursos, fugindo das altas taxas de juros cobradas por bancos. Elas podem ser comuns ou incentivadas.

Diferentemente dos investimentos acima, a empresa não necessita de uma companhia securitizadora para fazer a emissão de tais títulos. Ela pode fazê-lo por conta própria, mas para isso, precisa cumprir alguns pré-requisitos:

  • Convocar uma assembleia geral dos cotistas para autorizar a emissão;
  • Elaborar uma escritura de emissão, sendo definidos neste o montante total a ser captado, a destinação dos recursos, o prazo de pagamento (ex.: nov/2030), a taxa juros (ex.: IPCA + 4,0%) e o agente fiduciário (que representa os investidores (debenturistas) perante a empresa);
  • Efetuar o registro dessa emissão na CVM;
  • Emitir e providenciar, junto a uma instituição financeira, a negociação das debêntures ao mercado comprador.

Durante a emissão, as debêntures são classificadas da seguinte forma:

  • Incentivadas: têm como objetivo o financiamento de melhorias na infraestrutura (ex.: construção de ponte, transmissão de energia elétrica), esses títulos contam com a isenção de IR para seus rendimentos, no caso de pessoas físicas;
  • Comuns: têm como objetivo a captação de recursos que não estejam relacionados a infraestrutura da empresa, tais investimentos são tributados conforme a tabela regressiva de tributação de renda fixa.

Os investidores que tiverem interesse por tais ofertas, adquirem cotas dessa debênture, se tornando assim “debenturistas”. Eles passam a auferir os rendimentos divulgados pela empresa ao final do prazo líquido de IR, no caso de pessoas físicas.

Caso os debenturistas queiram o resgate do valor investido antes do prazo, podem fazê-lo, porém estão sujeitos à variação de mercado para tal investimento.

Títulos de crédito privado são considerados uma boa forma de diversificação de carteira com ativos indexados ao IPCA, ou seja, que garantem um retorno real, acima da taxa de inflação, e por isso é recomendado o uso de aproximadamente 15% da carteira para esse fim.

Com isso, concluímos nossa introdução aos investimentos relacionados ao crédito privado. Caso ainda tenha dúvidas, entre em contato com seu assessor BlueTrade.

Insights: a economia em 2020

Passada a euforia da virada de ano, chegamos ao início, de fato, de 2020. Oficialmente o ano comercial começou na última quinta-feira, mas naquele espírito macunaímico preguiçoso, símbolo destacado por Mário de Andrade, o ano parece dar seu pontapé inicial apenas na segunda-feira que precede a primeira semana completa. O azar parece morar em anos de virada aos finais de semana. Sigamos. 

Como você deve ter ouvido das mais diversas fontes, 2019 foi um ano transformacional e foi responsável pelo alicerce da economia brasileira. Observamos diversas classes de ativos com valorizações expressivas. 

O que aconteceu em 2019

Fazendo uma síntese do que aconteceu, observamos o desenrolar dos fatos em Brasília e ficamos animados com os resultados obtidos. Apesar dos ruídos, a equipe econômica conseguiu endereçar aquela que talvez seja a principal reforma de nossa história republicana, com a aprovação da Reforma da Previdência. 

O tema dominou o noticiário por boa parte do ano e mudanças de cunho microeconômico ficaram para 2020. 

Enquanto isso, o crescimento esperado no início de 2019 não veio. Felizmente, a inflação também ficou ancorada. Tais feitos corroboraram para um corte de 2% na taxa Selic, que terminou o ano em seu menor patamar da história, em 4,5% ao ano. 

Este revisional de Selic para baixo foi outro fator que explicou a alta valorização dos ativos brasileiros. Ibovespa e IFIX, os dois principais índices de renda variável do país, representando as principais ações e fundos imobiliários, respectivamente, apresentaram valorizações superiores a 30% no ano. 

Enquanto isso, ao longo do ano tivemos diversos acontecimentos na disputa comercial entre China e Estados Unidos. As trocas de farpas ocorreram, mas ao que tudo indica, estamos perto da assinatura da fase um do acordo comercial. 

Os temores de recessão global aos poucos vão se afastando, com índices PMIs ainda tímidos, mas no campo positivo. 

Com os temores globais ao longo do ano de 2019, o ouro foi outra classe de investimentos que se beneficiou e teve uma valorização superior a 28%. 

No geral, para os ativos brasileiros, observamos uma valorização massiva, mas muito em função de expectativas dos acontecimentos em Brasília. Ações e fundos imobiliários se beneficiam muito de uma economia aquecida e de juros baixos e a antecipação do futuro guiou as valorizações observadas. 

Mas agora é o momento de olhar para 2020 e tentar entender o que podemos fazer com nossos investimentos. 

Não me entenda mal, não estou tentando fazer previsões sobre o ano. Tenho muita dificuldade em fazer previsões, principalmente sobre o futuro. O objetivo aqui é apenas discorrer sobre fatos que acredito que poderão impactar o mercado financeiro. Se eles vão mesmo acontecer ou se vão impactar de forma positiva ou negativa, só o futuro dirá. 

O segredo para viver em um mundo em que não entendemos já foi dado aqui: diversificação e noção de que entendemos pouco sobre o que ocorre daqui pra frente. 

Economia brasileira

O final de 2019 foi de otimismo com a economia brasileira. Guiado pelos resultados da Black Friday e do Natal, o consumo finalmente voltou a acelerar e o varejo comemorou o resultado destas duas datas de compras. 

O ano começou com as expectativas altas por parte dos agentes econômicos, mas o cenário não se desenhou como o esperado, já que os empresários estavam menos otimistas do que se esperava. Foi um primeiro semestre bem morno, com os desenrolares políticos tomando conta da agenda econômica. 

O segundo semestre foi mais interessante e semanalmente o crescimento do PIB foi sendo revisado para cima. O resultado oficial ainda será divulgado, mas o crescimento deve ser confirmado acima de 1%, algo que parecia difícil em meados de agosto. 

A confiança da indústria e do comércio aumentou e confirmamos isso com a criação de empregos formais, que a partir de setembro passou a aparecer de forma menos tímida. 

Esperamos que o crescimento acima de 2% finalmente apareça em 2020, apoiados nos dados apresentados acima. 

Enquanto isso, algumas reformas ainda devem ser aprovadas pelo governo para colocar o país de vez nos trilhos. Destaco três delas: Reforma Tributária, Pacto Federativo e Reforma Administrativa. 

As duas últimas ajudarão o governo em seu problema fiscal, enquanto a primeira será muito bem recebida pelos empresários. Uma simplificação tributária tornará o ambiente de negócios no país mais fácil, o que ajudará a se criar novos concorrentes, tanto nacionais, quanto internacionais. 

Este ambiente de competição é extremamente benéfico para o povo, uma vez que garante excelência nos produtos e serviços vendidos, sendo cobrado um preço justo. Além disso, gera novos empregos e arrecadação para o governo investir em área de alta necessidade, como educação, saúde e segurança. 

O governo também deve seguir com a privatização de algumas empresas, o que ajudará a limpar ainda mais sua folha de gastos e deixará à iniciativa privada o papel de dirigir empresas – que grande ideia, não?

O BNDES também deve começar a fazer desinvestimentos em suas empresas investidas, o que gerará um fluxo enorme de capital para dentro do banco, que poderá passar a dar crédito subsidiado à quem realmente necessita, que são as pequenas e médias empresas, ao passo que as grandes empresas devem se financiar através do mercado de capitais. 

A inflação assustou um pouco nos últimos meses do ano, mas deve terminar 2020 ainda abaixo da meta de 4,25% estabelecida pelo Banco Central. Vale dizer que o núcleo de inflação, que é uma medida para capturar a inflação, desconsiderando-se os choques de preços temporários, continua intacto e ancorado. 

A alta na inflação de novembro e dezembro de 2019 foi causada por choques nos preços de alimentos e de energia elétrica, que em geral obedecem a ciclos sazonais. Não houve uma mudança fundamental na dinâmica de oferta e demanda e os preços destes bens devem se normalizar ao longo do ano. 

Dito isso, o Banco Central não tem motivos aparentes para subir a Selic ao longo de 2020. Isso também não quer dizer que ela deve cair mais. Um corte adicional de 0,25% até é esperado pelo mercado em algum momento, mas não se surpreenda se ele não vier. 

Por mais que Roberto Campos Neto diga que o BC não olha para o dólar no momento de decidir sobre nossa taxa de juros, os constantes leilões de divisas feitos pelo Banco Central em momentos de alta expressiva da moeda levantam uma bandeira amarela. 

De qualquer forma, palmas para esta equipe do BC que foi capaz de trazer os juros para a mínima histórica. Na ausência de um período parecido em nosso passado, qualquer passo dado por esta turma deverá ser feito com base em muito estudo e de forma cautelosa. Não aguardamos muitas novidades neste campo ao longo de 2020. 

Economia mundial

Aqui a análise começa a ficar mais complicada, dada a quantidade de variáveis que se deve observar. O intuito aqui não será uma análise tão profunda, visto que existem tantos cenários possíveis, que provavelmente erraríamos feio se tentássemos prever algo com exatidão. 

Apesar disso, o Brasil não é uma ilha e os acontecimentos lá fora impactam o nosso país. 

A primeira coisa que devemos ficar de olho é a eleição americana em novembro. Apesar de parecer longe, em março já devemos começar a observar os acontecimentos referentes ao processo eleitoral, afetando os preços dos ativos no Brasil. 

Donald Trump parece ser o favorito para uma reeleição. Enquanto isso, o Partido Democrata deve ter eleições primárias conturbadas para escolher seu candidato. No momento, quatro concorrentes merecem destaque: Bernie Sanders e Elizabeth Warren, senadores e representantes da ala mais radical do partido; Joe Bidden, vice-presidente americano durante o mandato de Barack Obama e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York. 

Os ruídos sem dúvidas irão aparecer. Prever qual presidente o mercado espera que seja eleito e qual o impacto da eleição de cada um é uma tarefa que eu não irei me propor a fazer, com o risco de virar piada com o fiasco dos meus palpites. 

Além disso, dizer que o resultado das eleições irá afetar a trajetória de crescimento brasileira me parece exagerado, ao menos neste momento. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos parece ter dado uma trégua. Era de se esperar. Na iminência de um processo eleitoral e com a necessidade de fazer Wall Street feliz, Donald Trump não poderia levar essa guerra para outro patamar. Não faria sentido algum. 

O FED também parece ter encerrado seu ciclo de corte de juros, visto que a economia americana não para de crescer. Abaixar ainda mais as taxas de juros seria correr muito perigo inflacionário e Jerome Powell parece não estar pronto para correr este risco. 


Na Europa, o crescimento insiste em ficar ancorado, mesmo com o juros no campo negativo – ou o correto seria: principalmente por conta dos juros negativos? – mas os índices de atividades parecem começar a apresentar um tímido crescimento. 

A saúde da economia global como um todo, apesar de não estar viril como esperávamos, não apresenta tantos motivos para preocupação de recessão, como era no início do ano passado. 

Aos poucos a economia vai se levantando da cama. A grande questão é o que ela fará após levantar. Mais do que nunca, existe uma névoa sobre o futuro econômico mundial. Se as pessoas já não estão mais pessimistas, elas estão longe de estarem otimistas. 

Novamente, os acontecimentos impactam sim, mas acredito que seja difícil um fato externo quebrar o atual bull market brasileiro, apesar de que certamente aparecerão manchetes que te farão acreditar que sim. 

O último acontecimento foi a morte de um importante general iraniano pelos EUA. As tensões e ameaças se elevaram e o temor agora se volta para um guerra não comercial, mas sim bélica. 

Como bom especialista em conflitos militares que sou, não irei tentar explicar a você os diversos motivos que podem ou não acarretar em uma guerra. Eu até acredito que possa sim acontecer, mas não apostaria nisso. 

Por mais que o ataque pode ter sido uma manobra eleitoral por parte de Trump, acredito que isto deva sair do noticiário conforme caminharmos ao longo deste ano. 

Mas isso nos lembra mais uma vez da importância de sempre termos proteções à nossa carteira. Na presença de um caos mundial, nada irá se valorizar mais do que o ouro. E não podemos descartar de forma alguma que um caos mundial pode acontecer a qualquer momento. 

No campo dos países emergentes, o Brasil se mostra cada vez mais como líder em potencial de crescimento, com uma robusta plataforma de reformas, mão de obra abundante e capacidade ociosa. 

Apesar disso, o gringo olha o cenário na América Latina e se espanta um pouco. Em diversos países estamos vendo crises nos governos e a população tem se revoltado em nossos países vizinho. 

A Argentina recentemente elegeu novamente um Kirchnerista em Alberto Fernández, indicando a volta da esquerda ao comando do país.

Como já dito, o Brasil não é uma ilha e depois de apanhar tanto nos emergentes nos últimos dois anos, o gringo certamente irá aguardar o desenrolar dos fatos no Brasil antes de voltar a olhar para o país, mesmo que isto signifique que ele irá perder a primeira pernada de valorização dos ativos. 

Outro fato que ainda afasta o estrangeiro do Brasil é a ausência do grau de investimento das agência de classificação de risco. Esta nota de crédito é requisito para muitos investidores institucionais estrangeiros. O panorama é positivo para a recuperação da nota, mas não podemos garantir que será em 2020. 

Conclusão

Conseguimos fazer aqui um resumo do que aconteceu em 2019 e nos preparar para os acontecimento econômicos em 2020. Ao longo do mês teremos um outro artigo explicando como estes acontecimentos poderá atingir cada classe de ativos.