Pre x Pós: Qual a diferença entre os títulos do Tesouro Direto?

Com menos de 50 reais já é possível aplicar seu dinheiro no Tesouro Direto. A plataforma disponibiliza ativos para quem pretende obter retorno financeiro tanto para curto prazo, quanto para médio ou longo prazo. 

Emitidos pelo Tesouro Nacional, órgão do Governo Federal, os títulos do Tesouro Direto são considerados investimentos seguros, isso porque são parte da dívida do governo federal, ou seja: o risco de “calote” é praticamente nulo.

No site oficial do programa estão disponíveis diferentes tipos de títulos e é interessante conhecer a diferença entre cada um deles antes de aplicar. Para cada objetivo ou prazo de investimento, existe um título ideal para incluir na sua carteira. 

A seguir, confira a diferença entre as opções disponíveis no “cardápio” do Tesouro Direto e qual atende melhor às suas necessidades:

Tesouro Direto pós-fixado

O Tesouro Direto disponibiliza três tipos de títulos distintos. São eles: o Tesouro Prefixado, o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA +.

O Tesouro Selic possui rentabilidade atrelada à taxa básica de juros, isto é: conforme o índice se movimenta, ele pode render mais ou menos. 

Neste mês, o Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central (Copom), estabeleceu a Selic em 6,25% ao ano. Com isso, a taxa segue seu ciclo de alta iniciado em março, quando partiu da mínima histórica (2% a.a.).

Segundo o relatório Focus divulgado na última segunda-feira (27/09), produzido também pelo Banco Central com base em pesquisa com analistas financeiros das principais empresas do mercado financeiro, a taxa deve chegar a 8,25% ao ano ainda em 2021. Se for esse o caso, o Tesouro Selic terá essa taxa de rendimento, acrescida ainda de uma pequena rentabilidade adicional, de acordo com o vencimento do título escolhido. 

Segundo o site do Tesouro Direto, este é um bom investimento para quem tem objetivos de curto prazo e para adquirir reservas financeiras emergenciais.

Outro título pós fixado é o Tesouro IPCA+, que é atrelado a outro índice macroeconômico: a inflação medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), por meio do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Também segundo o último relatório Focus, a projeção para a inflação ao final de 2021 é de 8,45%. Da mesma forma que no Tesouro Selic, o título atrelado ao IPCA também adiciona uma pequena rentabilidade além da fixada pelo índice. Segundo o portal do Tesouro Direto, a modalidade é recomendada para aplicações de longo prazo, como instrumento para proteção do patrimônio contra a desvalorização trazida pela alta dos preços.

Tesouro direto prefixado

Já nos títulos do tesouro prefixado, como o próprio nome diz, é possível saber, no momento de investir, quanto você receberá no vencimento da aplicação, variando entre 10% e 11% nos títulos disponíveis atualmente. Por isso, segundo a página do tesouro, é indicado para estratégias de médio e longo prazos.

Quais são os títulos oferecidos pelo Tesouro Direto?

Atualmente, existem dez tipos de títulos disponíveis no Tesouro Direto para aplicações financeiras. Eles são divididos entre os prefixados, Selic e IPCA +. Saiba, a seguir, quais são esses investimentos e qual a rentabilidade anual de cada um.

  • Tesouro Prefixado 2024: rentabilidade anual de 10,12%.
  • Tesouro Prefixado 2026: rentabilidade anual de 10,43%.
  • Tesouro Prefixado com juros semestrais de 2013: rentabilidade anual de 11,06%.
  • Tesouro Selic 2024: rentabilidade diária vinculada à taxa Selic + 0,1565%.
  • Tesouro Selic 2027: rentabilidade diária vinculada à taxa Selic + 0,2853%.
  • Tesouro IPCA + 2026: rentabilidade vinculada ao IPCA + 4,54%.
  • Tesouro IPCA + 2035: rentabilidade vinculada ao IPCA + 4,76%.
  • Tesouro IPCA + 2045: rentabilidade vinculada ao IPCA + 4,76%.
  • Tesouro IPCA + com juros semestrais 2030: rentabilidade vinculada ao IPCA + 4,67%.
  • Tesouro IPCA + com juros semestrais 2040: rentabilidade vinculada ao IPCA + 4,81%.
  • Tesouro IPCA + com juros semestrais 2055: rentabilidade vinculada ao IPCA + 4,88%.

A plataforma do Tesouro Direto também disponibiliza um simulador para o investidor ter uma ideia de quanto seu dinheiro pode render dependendo de qual tipo de aplicação investir. Dessa forma, é possível ter uma ideia de quanto você pode adquirir de acordo com seu objetivo.

Cuidados que o investidor deve ter

Por ter um preço acessível para investir e estar quase certo de que as aplicações renderão frutos, muitos acreditam que é praticamente impossível “perder” dinheiro no Tesouro Direto. Mas, se considerarmos que o ganho real de qualquer investimento é apurado depois de descontada a inflação do período, é possível “perder” dinheiro.

Outro fator importante que pode resultar em “prejuízo” é resgatar a aplicação antes do previsto. Vender um título com menos de um mês após a sua aquisição, por exemplo, será cobrado taxa de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Outra forma que pode te fazer “perder dinheiro” com o Tesouro Direto é a “marcação a mercado”, atualização diária do preço que sofrem os títulos prefixados. De acordo com contexto econômico (inflação, taxa Selic, cenário político etc.), esses ativos “ganham” ou “perdem” demanda no mercado, o que influencia diretamente no seu valor caso o investidor decida vendê-lo. 

Porém, nem sempre é simples de entender — principalmente para quem não tem experiência com o mercado financeiro — como a marcação a mercado e outros fatores podem influenciar a rentabilidade dos títulos. Por isso é sempre importante contar com uma assessoria de investimentos, como a da Blue3.

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Quer saber mais sobre o tesouro direto? leia o artigo: o que é preciso saber antes de investir no Tesouro Direto?

Confira as principais notícias que movimentaram o mercado nesta semana

Chegamos ao fim de mais uma semana. Perdeu alguma coisa? Quer rever algum assunto? Se manter atualizado sobre tudo que aconteceu de mais importante nos últimos dias? Para te manter bem informado, separamos as principais notícias dessa semana que influenciaram o mercado financeiro. 

Quer acompanhar as principais notícias desta sexta-feira (10), em tempo real, sobre a B3, a bolsa de valores brasileira, e os mercados de seguros, previdência privada, além de ter acesso a diversos conteúdos que vão te auxiliar a criar o melhor planejamento financeiro?

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Confira:

Segunda-feira – 06/09

Poupança tem retirada líquida de R$ 5,467 bilhões em agosto

Após quatro meses de resultado positivo, o saldo da aplicação na caderneta de poupança voltou a cair com o registro de mais saques do que depósitos. No mês passado, as retiradas superaram os depósitos em R$ 5,467 bilhões, de acordo com relatório divulgado pelo Banco Central (BC). 

O resultado negativo contrasta com o registrado em agosto do ano passado, quando os brasileiros tinham depositado R$ 11,402 bilhões a mais do que retiraram da poupança.

No mês passado, foram aplicados R$ 295,901 bilhões, contra saques de R$ 301,369 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas de poupança somaram R$ 2,719 bilhões.

Com o desempenho de agosto, a poupança acumula retirada líquida de R$ 15,629 bilhões nos oito primeiros meses do ano. Já de janeiro a agosto de 2020, houve captação líquida de R$ 123,981 bilhões.

Bolsonaro edita MP que combate “remoção arbitrária” de contas e conteúdos por provedores

O presidente Jair Bolsonaro assinou a edição de uma medida provisória que altera o marco civil da internet para combater a “remoção arbitrária e imotivada de contas, perfis e conteúdos por provedores”, disse a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom).

Segundo a Secom no Twitter, a MP quer garantir maior clareza quanto a “políticas, procedimentos, medidas e instrumentos” utilizados pelos provedores de redes sociais para cancelamento ou suspensão de conteúdos e contas”.

Terça-feira – 07/09

Por conta do Feriado de Independência, comemorado em 07/09, não houve negociação de ativos na B3, bolsa de valores brasileira.

Quarta-feira – 08/09

Cade recomenda aprovação da fusão entre Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) mediante a remédios

Prédio Cade

Em parecer, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a aprovação da fusão entre Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) mediante ‘remédios’.

Agora, o negócio segue para avaliação do Tribunal do Cade, com prazo até os primeiros dias de janeiro de 2022.

IGP-DI recua 0,14% em agosto com queda no minério de ferro, diz FGV

Os preços do minério de ferro recuaram expressivamente e o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,14% em agosto, de uma alta de 1,45% em julho, mas a inflação pressiona tanto o produtor quanto o consumidor, de acordo com dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira.

O resultado ficou bem aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,10% no mês passado, e levou o índice a acumular em 12 meses avanço de 28,21%.

Segundo a FGV, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que responde por 60% do indicador geral, passou a cair 0,42% em agosto, contra alta de 1,65% antes. As Matérias-Primas Brutas cederam 4,17%, ante salto de 1,79% no mês anterior.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — que responde por 30% do IGP-DI — desacelerou a alta a 0,71% no período, de 0,92% em julho.

O Índice Nacional de Custo de Construção (INCC) registrou em agosto alta de 0,46%, contra avanço de 0,85% em julho.

O IGP-DI é usado como referência para correções de preços e valores contratuais. Também é diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e das contas nacionais em geral.

Cesta básica sobe em 13 das 17 capitais pesquisadas, aponta estudo

O custo médio da cesta básica em agosto teve alta em 13 das 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O levantamento, divulgado hoje (8), mostra que os maiores aumentos foram em Campo Grande (3,48%), Belo Horizonte (2,45%) e Brasília (2,10%).

As quedas nos preços foram registradas em Aracaju (-6,56%), Curitiba (-3,12%), Fortaleza (-1,88%) e João Pessoa (-0,28%).

A cesta mais cara é a de Porto Alegre que custa R$ 664,67 e teve alta de 1,18 % em agosto. A de Florianópolis é a segunda mais cara (R$ 659), com elevação de 0,7% no mês. A de São Paulo ficou em R$ 650,50, com variação de 1,56%.

A cesta básica mais barata é a de Aracaju, no valor de R$ 456,40, seguida pela de Salvador (R$ 485,44) e de João Pessoa (R$ 490,93).

Ibovespa fecha em queda de 3,78%, marcando a maior queda diária em seis meses; dólar sobe 2,89%

O Ibovespa, principal índice acionário da B3, a bolsa brasileira, fechou em queda nesta quarta-feira (8).

No encerramento dos negócios, às 17h, o índice fechou em queda de 3,78%, aos 113.413 pontos, marcando a maior queda diária em seis meses, refletindo preocupações com a pauta econômica do país diante do aumento da tensão político-institucional, após declarações do presidente Jair Bolsonaro durante manifestações no Dia da Independência, na véspera.

O dólar se valorizou em 2,89% e fechou cotado a R$ 5,325. A sessão também foi marcada pela tensão gerada com as falas do presidente brasileiro, incitando a desobediência e aumentando ainda mais a crise entre os poderes, impactando diretamente o câmbio.

Quinta-feira – 09/09

IPCA: inflação fica em 0,87% em agosto, maior resultado para o mês desde 2000

A inflação registrou alta de 0,87% em agosto, a maior para o mês desde o ano 2000. Com isso, o indicador acumula altas de 5,67% no ano e de 9,68% nos últimos 12 meses, acima do registrado nos 12 meses imediatamente anteriores (8,99%).

Em agosto do ano passado, a variação mensal foi de 0,24%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Banco Central Europeu reduz suporte, mas não sinaliza fim do estímulo

O Banco Central Europeu (BCE) reduzirá ligeiramente suas compras de títulos de emergência ao longo do próximo trimestre, disse a autoridade monetária, dando um passo simbólico para desfazer a ajuda econômica de emergência que sustentou o bloco durante a pandemia.

No entanto, o movimento foi modesto e o BCE não deu nenhum sinal de seu próximo movimento, incluindo como desfazer o Programa de Compra de Emergência da Pandemia (PEPP) de 1,85 trilhão de euros, que manteve os custos de empréstimos baixos para governos e empresas.

EUA: pedidos por seguro-desemprego caíram na semana passada

Os pedidos iniciais por seguro-desemprego da semana passada nos EUA ficaram novamente abaixo da previsão dos economistas do mercado e do número revisado da semana anterior, segundo dados do Departamento de Trabalho publicados nesta quinta-feira (09).

Foram solicitados 310 mil benefícios, contra os 345 mil da semana passada. A previsão do mercado era de 335 mil pedidos.

No entanto, o número de solicitações contínuas ficou levemente acima da previsão de 2,744 milhões, com 2,783 milhões de benefícios solicitados, também abaixo do número revisado da semana passada, que foi de 2,805 milhões.

Banco Central Europeu eleva projeções de crescimento e inflação

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu  Foto: Ralph Orlowski/Reuters

O Banco Central Europeu elevou nesta quinta-feira (9) suas projeções de crescimento e inflação para este ano e mais além, com a economia da zona do euro se recuperando mais rapidamente da pandemia do que a maioria esperava.

A presidente do BCE, Christine Lagarde, disse que a zona do euro está a caminho de um forte crescimento no terceiro trimestre e que o BCE prevê a atividade econômica de volta ao seu nível pré-pandemia até o final do ano.

Ela disse que embora as perspectivas para a inflação para este ano tenham sido revistas para cima, superior à meta de 2% do BCE, o aumento atual deve ser temporário e acrescentou que a inflação de médio prazo ainda está bem abaixo da meta.

Índice da Construção Civil registra alta de 0,99% em agosto

O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) avançou 0,99% em agosto. O resultado ficou 0,90 ponto percentual (p.p) abaixo da taxa de julho, quando registrou 1,89% e é a menor variação desde agosto de 2020.

No acumulado dos últimos 12 meses, a taxa atingiu 22,74%, pouco acima dos 22,60% anotados nos 12 meses imediatamente anteriores. O acumulado de janeiro a agosto ficou em 14,61%. Em agosto de 2020, o índice foi 0,88%.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Inflação acumulada em 12 meses passa de 10% em oito capitais

Com a alta de 0,87% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, a inflação oficial do país chegou a 9,68% nos últimos 12 meses, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as 16 regiões metropolitanas pesquisadas, oito apresentaram taxas acumuladas em 12 meses superiores a 10%.

A maior inflação acumulada foi verificada em Curitiba, com taxa de 12,08%, seguida de Rio Branco (11,97%), Campo Grande (11,26%) e São Luís (11,25%). O menor acumulado de 12 meses foi registrado no Rio de Janeiro, com inflação de 8,09%.

Para o mês de agosto de 2021, todas as áreas pesquisadas tiveram inflação, sendo o maior índice registrado em Brasília (1,40%), influenciado pelas altas de 7,76% no preço da gasolina e de 3,67% na energia elétrica. O menor resultado foi verificado na região metropolitana de Belo Horizonte, com inflação mensal de 0,43%. A região foi influenciada pela queda nos preços das passagens aéreas (-20,05%) e da taxa de água e esgoto (-13,73%).

Brasil tem novas regras para pagamento e transferência internacionais

O Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC) alteraram a regulamentação cambial e de capitais internacionais para alinhá-las às inovações tecnológicas e aos novos modelos de negócios sobre pagamentos e transferências internacionais. “As novas regras buscam promover um ambiente mais competitivo, inclusivo e inovador para a prestação de serviços aos cidadãos e empresas que enviam ou recebem recursos do exterior”, informou o BC.

As novas medidas permitirão que as instituições de pagamento (IPs), as fintechs, autorizadas a funcionar pelo BC, também possam operar no mercado de câmbio, atuando exclusivamente em meio eletrônico. Atualmente, somente bancos e corretoras podem fazer as operações. Essa permissão entrará em vigor em 1º de setembro de 2022 e as demais medidas em 1º de outubro deste ano.

Café com investimentos – Qual é o melhor indicador para os investimentos agora?

IPCA e Selic são dois grandes balizadores dos investimentos no Brasil. O primeiro, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE, mede mensalmente o ganho ou a perda do poder de compra. Para entender o cálculo, confira este texto do nosso blog! 

Já a Selic, conhecida como “taxa básica de juros”, é um mecanismo de controle do governo para segurar a escalada dos preços. Ela sobe (ou desce) por decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias. 

Atualmente, a economia brasileira está pressionada pela inflação, o que motivou o BC a subir a Selic quatro vezes em sequência nos últimos seis meses. Após a reunião do dia 05 de agosto, a autoridade econômica fixou a taxa de juros em 5,25% ao ano, bastante acima dos 2% a.a. de janeiro, patamar mais baixo já alcançado pelo índice na história. Segundo os economistas pesquisados pelo Relatório Focus, também do Banco Central, em 27 de agosto, a expectativa é que ela chegue a 7,5% ao ano ainda em 2021.

O mercado financeiro conta com aplicações de renda fixa atreladas a esses dois indicadores, cujo desempenho também torna modalidades como a renda variável e fundos de investimento imobiliários mais, ou menos, atrativas.

Tomamos um café rápido com o Thiago Nemésio, estrategista-chefe da Blue3, para saber como os investidores podem pensar a carteira levando em consideração a atual conjuntura econômica.

Thiago, na conjuntura atual, o investidor deve olhar mais para o IPCA ou para a Selic?

A pergunta não deve ser inflação ou Selic, mas por que abrir mão de um dos dois? A escalada do IPCA mostra, mais do que nunca, como é importante diversificar a carteira, com um percentual importante atrelado à inflação, especialmente em CRIs, CRAs, debêntures e, claro, títulos públicos. Com isso ele consegue se manter protegido independentemente da alta inflacionária.

Já quem está na Selic, aproveita essa alta, já que ela tem que subir para controle da inflação. Portanto, no longo prazo, esses investidores vão se sair bem. Quando a inflação recuar no futuro, ele terá um juro real bom. Por isso, é bom ter os dois.

Essa é uma estratégia pensada para o logo prazo. Mas, o que é possível fazer para o curto prazo?

Para 2021, melhor apostar na inflação. Não deve ser possível neste ano entregar juros reais positivos em aplicações relacionadas à Selic, mesmo com esses aumentos consecutivos.

Existem outras opções que podem entrar no radar para proteger os investimentos da inflação?

Além dos produtos de renda fixa que citei, a bolsa de valores é uma classe de ativos que protege bem da inflação, assim como os fundos imobiliários. Além disso, outra opção é investir no exterior, com parte do patrimônio rentabilizando em dólar. O mais importante é sempre pensar em longo prazo, independentemente da conjuntura econômica momentânea.

Ainda ficou com dúvida sobre como seguir com seus investimentos? Fale com um assessor Blue3.

ABC do Mercado – Relatório Focus projeta inflação a 7,27% em 2021. Entenda como é calculado o IPCA

As projeções para a inflação em 2021 não estão otimistas. Segundo a pesquisa semanal realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras do Brasil e disponibilizada no relatório Focus da última segunda-feira (27/08), a expectativa é que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), considerado o índice oficial de inflação do país, termine este ano acumulado em 7,27%. 

Esse nível de inflação, caso se confirme, representaria o maior aumento anual de preços no Brasil desde 2015, quando o índice encerrou o ano com acumulado de 10,67%.

Mas o que isso significa?

A inflação é um dos grandes fantasmas da economia brasileira. Nos anos 1980, o país foi obrigado a conviver com um fenômeno chamado “hiperinflação”, em que o dinheiro perdia valor rapidamente (muitas vezes em questão de dias ou até horas). Naquele tempo, era comum as pessoas receberem o salário e — às vezes, literalmente — correrem para o supermercado para comprar o que fosse possível, uma vez que os preços eram constantemente remarcados diretamente nas prateleiras. Felizmente, esse tempo passou e hoje a economia brasileira desfruta de relativa estabilidade. Mas isso não quer dizer que nosso dinheiro tenha parado de se desvalorizar.

Para medir a perda do poder de compra do nosso dinheiro, o governo brasileiro utiliza a pesquisa mensal de preços do varejo e serviços, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em dez grandes cidades brasileiras. O cálculo é feito em cada região e, depois, somam-se os valores apurados para compor o índice nacional. Entre os dados utilizados pela entidade estão desde preços de alimentos básicos, como arroz, feijão, frutas e legumes nos supermercados, até custos com transporte, vestuário, educação, saúde e serviços, como concessão de energia elétrica e água encanada.

A partir das variações de preços é possível entender se, com o mesmo montante de dinheiro, a população conseguiu consumir mais ou menos. Se a balança pender para o lado negativo, o resultado é chamado de inflação. Por outro lado, se o dinheiro “ganhou valor”, diz-se que o cenário foi “deflacionário”.

Seu dinheiro poderá valer menos no final deste ano

Voltando à previsão do mercado financeiro, caso ela seja certeira, no final deste ano teremos menor capacidade de consumo que no começo. Com o IPCA a 7,27%, caso você tenha guardado R$ 100 embaixo do colchão em janeiro, em dezembro você continuará com a mesma cédula azul, mas agora ela terá o poder de compra equivalente de R$ 92,73 no início do ano. Ou seja: depois de doze meses, você precisará de sete reais a mais para comprar os mesmos itens no supermercado. Esse é o poder (negativo) da inflação.

Ninguém gosta de perder dinheiro, mas como se proteger da inflação?

Não é possível proteger-se totalmente da inflação. Afinal, todos os dias vamos à padaria, ao supermercado, compramos uma roupa, almoçamos fora… Enfim, existe sempre uma influência da inflação sobre o nosso dia a dia.

Porém, é possível proteger o futuro!
Como?
O melhor caminho é utilizar investimentos que tragam rentabilidade acima da inflação, para que o patrimônio cresça sem se desvalorizar.

Um dos melhores exemplos é o Tesouro Direto IPCA+. O título, emitido pelo tesouro nacional, é indexado à inflação oficial, isto é, tem seu rendimento atrelado a ela, além de uma pequena taxa de crescimento mensal. No caso da opção com vencimento para 2045, por exemplo, o investidor recebe juros equivalentes ao IPCA no período mais 4,63% ao ano.  

Diferentemente de quem deixou o dinheiro no colchão, ao final de 2021 um investidor que tivesse investido R$ 100 no Tesouro IPCA+ 2045 não terminaria o ano com R$ 92,73, mas com R$ 104,63.  Na prática, entre o que deixou de perder e o que rendeu, esse investidor “embolsou” R$ 11 em 12 meses.

Parece pouco, mas é sempre melhor ganhar do que perder!

Venha para a Blue3 e transforme seu futuro por meio dos melhores investimentos!

Alta da Selic: como preparar seus investimentos para esse cenário?

A taxa Selic é um dos principais indexadores da economia brasileira e é ela que direciona os demais indicadores do mercado, considerada uma das maiores ferramentas do Banco Central para o controle da inflação. Atualmente, vivemos um movimento de alta de juros, por isso é importante nos atentarmos a ela e mais ainda: como preparar nossos investimentos diante desse cenário? 

O que é a taxa Selic? 

Para isso, primeiramente vamos relembrar os conceitos básicos. A taxa Selic é a taxa de juros básica da economia e é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, um programa virtual onde, diariamente, instituições financeiras compram e vendem títulos do Tesouro Nacional. Ela também está diretamente ligada aos juros dos títulos públicos que o governo oferece neste sistema. 

Mas o que a alta da Selic significa na prática? 

Quando o Banco Central anuncia um aumento da taxa SELIC, por exemplo, consequentemente, os empréstimos, financiamentos e demais operações financeiras também ficam mais caros. Isso acarreta juros maiores e favorece a queda da inflação, visto que o poder de compra das pessoas diminui. 

Um dos maiores referenciais que temos quando trabalhamos seja na renda fixa ou no multimercado é o CDI, pois ele representa a taxa de depósito interbancário e acaba também demonstrando uma correlação fortíssima com a Selic.

Assim, com a taxa Selic subindo para 4,25% ao ano, o CDI anual passa a subir também para 4,15%.

Tendo em vista este cenário, vamos agora ao que pode ser feito nos seus investimentos a fim de aproveitar esse momento de alta. 

Mas precisamos ressaltar que não é um motivo para você voltar a colocar todo o seu patrimônio em renda fixa. 

O ponto principal a ser compreendido nestes momentos é apenas que agora, talvez seja hora de transferir um percentual alocado em um mercado específico que pode acabar sendo prejudicado, para um outro que, num horizonte de médio ou longo prazo, passará a se apresentar como mais interessante. 

Mas claro que o mais recomendado é que você converse primeiro com um assessor de investimentos Blue3 para receber o auxílio adequado na implementação de qualquer mudança.

Vamos agora para as soluções disponíveis no mercado financeiro.

Renda Fixa

Começando para aquele público mais conservador que não está disposto a aceitar um maior risco para aumentar seus retornos, os títulos do Tesouro NTN-B, também conhecido como Tesouro IPCA+ podem ser uma boa opção diante do aumento da inflação oficial ( IPC-A ) que alcançou o patamar de 8,06% acumulada de 12 meses segundo os cálculos do IBGE.

No geral, quando se aposta numa alta da inflação futura e o que se deseja é preservar o poder de compra, aplicar em investimentos que tenham o IPCA como seu indexador é sempre interessante. 

Sendo assim, visando a preservação do juro real do seu investimento, além dos títulos públicos federais ligados a inflação, temos outras opções de investimentos com bastante atratividade na renda fixa devido a sua isenção para pessoa física LCAs, LCIs, CRAs e CRIs ;

Para esclarecer, tanto as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), como os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), são títulos de dívida que se destinam ao financiamento do Agronegócio. 

As LCIs (Letras de Crédito Imobiliária) e CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) são títulos voltados ao financiamento do setor imobiliário. A diferença entre esses títulos são as instituições que emitem a dívida. No caso das Letras de Crédito, as instituições emitentes são os bancos e nos Certificados de Recebíveis, são as Companhias Securitizadoras.

Em ambos os casos, nós conseguimos obter uma excelente rentabilidade atrelada ao IPCA, isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas e, no caso das Letras de Crédito (LCI e LCA), contamos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), tão valioso para conferir maior segurança aos seus investidores.

Outra opção bastante comum no mercado são as Debêntures, um representativo de dívida emitido por ações, que assegura a seus detentores o direito de crédito contra a companhia emissora.

Assim como CRA e CRI, as Debêntures incentivadas também possuem o benefício de isenção para pessoa física e para pessoa jurídica imposto de 15%, além de rentabilizar os seus investimentos, investindo em Debêntures incentivadas, você ajudar a fomentar o setor de infraestrutura do país.

Além disso, o investidor pode também utilizar ativos atrelados ao CDI para acompanhar o aumento da taxa Selic.

Multimercado

Para investidores que estejam um pouco mais propensos a correr risco e fugir da renda fixa com este novo patamar de rentabilidade, os fundos multimercado se configuram como boa opção para quem deseja buscar um meio termo entre a renda fixa e a renda variável.

Os fundos multimercado são fundos de investimento que possuem uma alta flexibilização para escolha da alocação dos seus ativos. Então, não existe uma limitação para composição da sua carteira, e os mesmos têm flexibilidade total para escolha dos seus ativos entre títulos de renda fixa, moeda, ações e commodities, seja no mercado nacional ou internacional.

Dentre a esfera dos multimercados, existem muitos tipos diferentes em que eles podem ser classificados. 

No Brasil, temos quatro classificações principais, são elas: Macro; Long & Short; Quantitativa e Arbitragem.

É importante se atentar e procurar o fundo mais compatível com as características do próprio investidor. Como existe um espectro muito grande de abrangência entre os fundos multimercado, acabamos por conseguir encontrar fundos com perfis de risco e rentabilidade diversos. 

Cabe a cada um buscar, dentre os perfis de fundos multimercado disponíveis aquele que considera mais compatível ao seu perfil.

Renda Variável

Apesar da Selic estar subindo, o patamar atual ainda é favorável para o mercado de ações. Ativos em renda variável também seriam uma boa opção para acompanhar o aquecimento da economia, com projeções bastante otimistas para o PIB brasileiro. 

Mas, obviamente, o que se recomenda é que se passe a alocar um percentual neste segmento visando captar esta valorização, que vai depender necessariamente do seu perfil de investidor e vai permitir que você obtenha um ganho de juro real sobre a sua carteira.

Por exemplo, é possível você seguir o modelo de investimento de Warren Buffet: comprar ações no longo prazo e esperar pacientemente que elas cheguem a um bom preço de empresas consideradas sólidas, e tentar não se desfazer dos papéis, essa estratégia é popularmente conhecida como buy and hold. 

Mais uma vez, tudo vai depender do seu perfil de investidor e estratégia utilizada.

E claro, se você ainda tiver alguma dúvida, clique aqui e fale com um assessor Blue3.

O que é a inflação e como ela afeta o aumento dos preços?

Você provavelmente já percebeu que com o passar dos anos, aqueles mesmos itens que comprávamos com frequência acabam sofrendo certo aumento nos preços. Bem, você sabia que esse fenômeno tem um causador?
O nome dele é inflação.

Mas o que isso significa?

De maneira geral, a inflação é um termo utilizado por economistas para se referir ao aumento generalizado dos preços de produtos e serviços em um país.

Este índice é calculado a partir de uma cesta de bens, mantida pelo IBGE, e apurada por meio de uma análise nas alterações dos preços, dentro desta cesta. No Brasil o índice oficial para medir esta variação é o IPCA.

Entretanto, a cesta de bens generalizada não serve para situações específicas, já que nem todo cidadão consome tudo que está presente na cesta de bens do IBGE. Mesmo assim, essa é uma técnica adotada por muitos países para que seja possível medir o aumento generalizado nos preços.
Nos EUA, por exemplo, o índice semelhante ao IPCA é denominado CPI.

Bom, mas de que forma este aumento de preço representa realmente impacta o nosso dia a dia? Ele tem alguma relação com a redução do poder de compra do consumidor? 

Na verdade, a inflação representa apenas uma diminuição do poder aquisitivo para o consumidor quando o salário do mesmo não é reajustado na mesma proporção em que os preços aumentam. Ou quando os investimentos na economia possuem uma rentabilidade abaixo do aumento inflacionário.

Mas então, será que a inflação é ruim para nós?

Realmente, de modo geral, a inflação é vista como um acontecimento ruim. No entanto, o que muitos não sabem é que níveis controlados de inflação são saudáveis à economia, e portanto, desejáveis.

Curva de Phillips 

  Para exemplificar melhor, podemos tomar como base a teoria da curva de Phillips, criada pelo economista neozelandês William Phillips, que relaciona inflação ao nível de emprego e demonstra que aumentos inflacionários, “ceteris paribus” (tudo o mais constante), geram uma diminuição nos níveis de desemprego

Isto ocorre porque uma das consequências do aumento do consumo é a inflação. Portanto, fica intuitivo imaginar que se há mais pessoas consumindo, faz-se necessário mais mão de obra para produzir e ofertar, de forma que, há também mais pessoas empregadas, e vice-versa.

O que é a deflação?

Por outro lado, quando um país apresenta deflação (inflação negativa), isto demonstra que os indicadores da economia não estão de acordo com um fluxo econômico ativo. E isso acaba gerando, muitas vezes, um nível maior de desemprego, uma diminuição dos salários nominais e do consumo, e um ciclo de estagnação econômica

Este evento, foi visto recentemente pela primeira vez no Brasil. A chegada da pandemia da Covid-19 culminou em uma estagnação dos fluxos econômicos, e consequentemente, demonstrou uma má performance da economia.

 Observe no gráfico abaixo, referente ao IPCA mensal nos anos de 2020 e 2021. Conforme o fluxo de mobilidade e consumo foram aumentando, e a economia aos poucos apresentando sinais de recuperação, a inflação voltou a subir, surtindo os efeitos.

 Em suma, o ideal é possuir uma inflação controlada, não representando uma hiperinflação, nem uma desinflação. No entanto, isto nem sempre ocorre, e por isso é tão importante entender as causas e consequências que podem alterar este índice.

Diante de todos os fatos apresentados acima, fica claro que a inflação é um indicador “atrasado”, uma vez que se trata de um sintoma, cuja as causas estão no passado e as consequências repercutem no presente

Fatores que afetam a inflação

Dessa forma, os efeitos inflacionários possuem causas já conhecidas, e que são denominadas “conjunturais”, quando se tratam de eventos passageiros. E o “estruturais” quando os eventos ocorridos são contínuos, tendo sido ambos datados de alguns meses ou até anos atrás.

Um fator conjuntural pode ser exemplificado com uma ausência de equivalência entre oferta e demanda. Esse evento trata-se de um acontecimento passageiro uma vez que, em algum momento as cadeias se acomodam, os preços voltam a patamares mais razoáveis, dado o ajustamento entre consumidores e produtores

Este fato é tão recorrente em nosso cotidiano que podemos citar, por exemplo, um ocorrido recente com o preço do petróleo, milho, soja e outras commodities. Nos EUA, as geadas destruíram os depósitos em que estes produtos eram armazenados. O que fez com que a demanda permanecesse em altos patamares, sem a devida equivalência na oferta dos produtos. Dessa forma, o custo do insumo para se fabricar alguns produtos, bem como a gasolina, foi repassado ao consumidor final

Vale ressaltar que muitas vezes este fator conjuntural pode perdurar por alguns anos.

Por outro lado, fatores estruturais fazem parte da estrutura da economia, como o próprio nome diz. Portanto, são recorrentes e não passageiros, tal como a impressão de moeda. 

Sendo assim, como disse Milton Friedman a “inflação é um fenômeno monetário”, uma vez que no geral, a irrupção entre demanda e oferta, e outros fatores, terminam por se ajustar, mas, a impressão de moeda de maneira ininterrupta, é capaz de fazer com que o poder de compra seja corroído constantemente.

Mas se a inflação é um fenômeno recorrente, então como podemos nos proteger dela?

Como se proteger da inflação?

Bom, como não somos nós, na maioria das vezes, quem determina o aumento do nosso salário nominal. A única maneira que temos para se proteger da inflação é investindo em ativos que rendem mais do que ela.

Sabendo disso, já fica o aviso: se o seu dinheiro que está alocado na poupança e parece estar gerando rendimentos, na verdade ele está sendo corroído pela inflação!! 

Por isso, é indispensável procurar um profissional que te ajude a alocar o seu capital nos melhores investimentos, a fim de protegê-los da inflação e de grandes perdas. 

E lembre-se: não trabalhe para o seu dinheiro, deixe que ele trabalhe para você. E isso só é possível quando investimos o nosso capital com responsabilidade e eficiência.

Para gerenciar o seu patrimônio da melhor forma, conte com a ajuda da Blue3. 

Clique aqui e fale com um de nossos assessores. 

FONTES:

Clube dos poupadores, Uoleconomia, IBGE.

Uma Breve Introdução ao Crédito Privado

No cenário econômico atual, com a taxa de juros (Selic) extremamente baixa, no nível de 2% ao ano, investimentos de renda fixa convencionais não têm dado o retorno esperado pelos investidores.

Assim, muitos investidores estão em busca de novas oportunidades. Com isso, ativos de crédito privado têm ganhado cada vez mais visibilidade.

Mas antes de falar sobre tais ativos, vamos voltar um pouco. Afinal, você sabe o que é renda fixa?

O que é renda fixa

Renda fixa nada mais é do que um título de dívida. O que significa que, quando empresas, bancos ou até mesmo o governo precisam de dinheiro, um dos modos de se capitalizar é por meio da emissão de títulos, que remuneram aqueles que bancarem o tal título, com uma taxa previamente acordada.

Essa taxa pode ser pós-fixada, ou seja, atrelada a um indexador (os mais comuns são CDI ou IPCA) ou uma taxa nominal prefixada, como 10% ao ano, por exemplo.

Os investimentos de renda fixa podem ser classificados de três formas:

Títulos públicos

São aqueles emitidos pelo governo, com o intuito de financiar ações públicas, como obras, programas assistencialistas, entre outros projetos governamentais.

Por ser um investimento em ativos garantidos pelo governo brasileiro, o risco é considerado muito baixo. São representados por títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, alguns exemplos disso são Tesouro Direto e NTNs.

Títulos Bancários

Como o próprio nome diz, são emitidos por bancos quando eles precisam financiar suas operações. Para operações voltadas ao mercado de crédito imobiliário, temos o LCI e para operações de crédito do agronegócio, o LCA. Já o CDB, não tem uma destinação específica.

Os dois primeiros são isentos de imposto de renda (IR) para pessoas físicas e todos os três são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura o valor investido caso a instituição emissora do título venha a falir.

Títulos de Crédito Privado

Para financiar suas operações, as empresas de capital aberto emitem esses títulos de dívida, que podem ser CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), para financiamento de operações destinadas ao agronegócio, ou CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) para operações voltadas ao mercado imobiliário.

Temos também as debêntures para financiamentos sem fins específicos. Os dois primeiros são isentos de IR para pessoas físicas, e o terceiro pode ter tal isenção, mas falaremos sobre isso mais tarde. De toda forma, não possuem garantia do FGC.

Como os Títulos de Crédito Privado funcionam

Agora vamos focar no principal tema desta publicação, os títulos de crédito privado.

Os títulos de créditos privados são investimentos de renda fixa, que podem proporcionar retornos maiores do que os já consolidados CDBs e títulos públicos.

A maior rentabilidade desses títulos está diretamente atrelada ao maior risco envolvido na operação, geralmente relacionado ao risco de crédito no caso de a empresa não pagar o valor devido.

Como tais produtos não possuem garantia do FGC, esse risco acaba sendo relevante na emissão do título e na sua rentabilidade.

Os investimentos em crédito privado se dão na forma de CRIs, CRAs e debêntures. Os dois primeiros precisam ser emitidos por meio de companhias securitizadoras, que atuam como intermediadoras nesse processo de lançamento ao mercado.

Porém, para trazer mais segurança aos investidores, existem empresas de rating – que em tradução literal significa “avaliação”.

Essas empresas classificam as instituições que disponibilizam produtos no mercado, assim os investidores podem ter uma visão melhor sobre onde estão alocando seus investimentos e qual a chance de a empresa não honrar com seus credores.

Moody’s, Fitch e S&P são exemplos de empresas de rating internacionalmente conhecidas que classificam os emissores, como o que foi apresentado na figura 1.

Como podemos ver na figura 1, as classificações variam de empresa para empresa, mas a ideia geral é a mesma: os ratings que estão no topo (AAA) classificam as empresas que possuem menor risco, logo, as probabilidades de honrar com as dívidas adquiridas são maiores.

Normalmente, são empresas financeiramente estáveis e com bom histórico perante o mercado.

Conforme o rating diminui, o risco de investir nas empresas aumenta, sendo assim, pode-se observar o retorno atrelado ao risco do ativo e compará-lo à rentabilidade do ativo de menor risco do Brasil (Tesouro Direto) para saber a atratividade de tal investimento.

Já as debêntures, podem ser emitidas pela própria empresa, mas precisam da aprovação de agentes regulatórios para distribuição.

Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs)

São um modo de financiar o mercado imobiliário e funcionam da seguinte forma: a construtora (XYZ) precisa levantar capital para seu próximo empreendimento.

Sendo assim, ela vai até uma companhia securitizadora e acerta as condições do financiamento, como por exemplo, o montante total a ser financiado, o prazo de pagamento (ex.: nov/2030) e a taxa de juros (ex.: IPCA + 4,0%).

Com essas informações, a companhia securitizadora divide o valor a ser financiado em diversas cotas e as lança ao mercado na forma de CRI (empresa X), com taxa de investimento IPCA + 4,0% e vencimento em novembro/2030.

Os investidores que se interessarem por tal oferta adquirem cotas desse CRI com o intuito de ter o retorno oferecido pela empresa ao final do prazo (já líquido) de imposto de renda (IR), no caso de pessoas físicas.

Caso os investidores queiram resgatar o montante investido antes do prazo, podem fazê-lo por meio do mercado secundário, porém, estão suscetíveis a ágio (valorização) ou deságio (desvalorização) de tal investimento.

Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs)

Assim como os CRIs, servem para financiar empresas com operações em um setor específico, no caso, o agronegócio, como frigoríficos e produtores agrícolas. O investimento em CRA possui as mesmas características e especificidades dos CRIs, alterando somente o setor de destinação dos recursos.

Debêntures

Debêntures são uma forma para que sociedades de ações e não pertencentes ao setor financeiro possam fazer captação de recursos, fugindo das altas taxas de juros cobradas por bancos. Elas podem ser comuns ou incentivadas.

Diferentemente dos investimentos acima, a empresa não necessita de uma companhia securitizadora para fazer a emissão de tais títulos. Ela pode fazê-lo por conta própria, mas para isso, precisa cumprir alguns pré-requisitos:

  • Convocar uma assembleia geral dos cotistas para autorizar a emissão;
  • Elaborar uma escritura de emissão, sendo definidos neste o montante total a ser captado, a destinação dos recursos, o prazo de pagamento (ex.: nov/2030), a taxa juros (ex.: IPCA + 4,0%) e o agente fiduciário (que representa os investidores (debenturistas) perante a empresa);
  • Efetuar o registro dessa emissão na CVM;
  • Emitir e providenciar, junto a uma instituição financeira, a negociação das debêntures ao mercado comprador.

Durante a emissão, as debêntures são classificadas da seguinte forma:

  • Incentivadas: têm como objetivo o financiamento de melhorias na infraestrutura (ex.: construção de ponte, transmissão de energia elétrica), esses títulos contam com a isenção de IR para seus rendimentos, no caso de pessoas físicas;
  • Comuns: têm como objetivo a captação de recursos que não estejam relacionados a infraestrutura da empresa, tais investimentos são tributados conforme a tabela regressiva de tributação de renda fixa.

Os investidores que tiverem interesse por tais ofertas, adquirem cotas dessa debênture, se tornando assim “debenturistas”. Eles passam a auferir os rendimentos divulgados pela empresa ao final do prazo líquido de IR, no caso de pessoas físicas.

Caso os debenturistas queiram o resgate do valor investido antes do prazo, podem fazê-lo, porém estão sujeitos à variação de mercado para tal investimento.

Títulos de crédito privado são considerados uma boa forma de diversificação de carteira com ativos indexados ao IPCA, ou seja, que garantem um retorno real, acima da taxa de inflação, e por isso é recomendado o uso de aproximadamente 15% da carteira para esse fim.

Com isso, concluímos nossa introdução aos investimentos relacionados ao crédito privado. Caso ainda tenha dúvidas, entre em contato com seu assessor BlueTrade.