Alta da Selic: como preparar seus investimentos para esse cenário?

A taxa Selic é um dos principais indexadores da economia brasileira e é ela que direciona os demais indicadores do mercado, considerada uma das maiores ferramentas do Banco Central para o controle da inflação. Atualmente, vivemos um movimento de alta de juros, por isso é importante nos atentarmos a ela e mais ainda: como preparar nossos investimentos diante desse cenário? 

O que é a taxa Selic? 

Para isso, primeiramente vamos relembrar os conceitos básicos. A taxa Selic é a taxa de juros básica da economia e é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, um programa virtual onde, diariamente, instituições financeiras compram e vendem títulos do Tesouro Nacional. Ela também está diretamente ligada aos juros dos títulos públicos que o governo oferece neste sistema. 

Mas o que a alta da Selic significa na prática? 

Quando o Banco Central anuncia um aumento da taxa SELIC, por exemplo, consequentemente, os empréstimos, financiamentos e demais operações financeiras também ficam mais caros. Isso acarreta juros maiores e favorece a queda da inflação, visto que o poder de compra das pessoas diminui. 

Um dos maiores referenciais que temos quando trabalhamos seja na renda fixa ou no multimercado é o CDI, pois ele representa a taxa de depósito interbancário e acaba também demonstrando uma correlação fortíssima com a Selic.

Assim, com a taxa Selic subindo para 4,25% ao ano, o CDI anual passa a subir também para 4,15%.

Tendo em vista este cenário, vamos agora ao que pode ser feito nos seus investimentos a fim de aproveitar esse momento de alta. 

Mas precisamos ressaltar que não é um motivo para você voltar a colocar todo o seu patrimônio em renda fixa. 

O ponto principal a ser compreendido nestes momentos é apenas que agora, talvez seja hora de transferir um percentual alocado em um mercado específico que pode acabar sendo prejudicado, para um outro que, num horizonte de médio ou longo prazo, passará a se apresentar como mais interessante. 

Mas claro que o mais recomendado é que você converse primeiro com um assessor de investimentos Blue3 para receber o auxílio adequado na implementação de qualquer mudança.

Vamos agora para as soluções disponíveis no mercado financeiro.

Renda Fixa

Começando para aquele público mais conservador que não está disposto a aceitar um maior risco para aumentar seus retornos, os títulos do Tesouro NTN-B, também conhecido como Tesouro IPCA+ podem ser uma boa opção diante do aumento da inflação oficial ( IPC-A ) que alcançou o patamar de 8,06% acumulada de 12 meses segundo os cálculos do IBGE.

No geral, quando se aposta numa alta da inflação futura e o que se deseja é preservar o poder de compra, aplicar em investimentos que tenham o IPCA como seu indexador é sempre interessante. 

Sendo assim, visando a preservação do juro real do seu investimento, além dos títulos públicos federais ligados a inflação, temos outras opções de investimentos com bastante atratividade na renda fixa devido a sua isenção para pessoa física LCAs, LCIs, CRAs e CRIs ;

Para esclarecer, tanto as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), como os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), são títulos de dívida que se destinam ao financiamento do Agronegócio. 

As LCIs (Letras de Crédito Imobiliária) e CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) são títulos voltados ao financiamento do setor imobiliário. A diferença entre esses títulos são as instituições que emitem a dívida. No caso das Letras de Crédito, as instituições emitentes são os bancos e nos Certificados de Recebíveis, são as Companhias Securitizadoras.

Em ambos os casos, nós conseguimos obter uma excelente rentabilidade atrelada ao IPCA, isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas e, no caso das Letras de Crédito (LCI e LCA), contamos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), tão valioso para conferir maior segurança aos seus investidores.

Outra opção bastante comum no mercado são as Debêntures, um representativo de dívida emitido por ações, que assegura a seus detentores o direito de crédito contra a companhia emissora.

Assim como CRA e CRI, as Debêntures incentivadas também possuem o benefício de isenção para pessoa física e para pessoa jurídica imposto de 15%, além de rentabilizar os seus investimentos, investindo em Debêntures incentivadas, você ajudar a fomentar o setor de infraestrutura do país.

Além disso, o investidor pode também utilizar ativos atrelados ao CDI para acompanhar o aumento da taxa Selic.

Multimercado

Para investidores que estejam um pouco mais propensos a correr risco e fugir da renda fixa com este novo patamar de rentabilidade, os fundos multimercado se configuram como boa opção para quem deseja buscar um meio termo entre a renda fixa e a renda variável.

Os fundos multimercado são fundos de investimento que possuem uma alta flexibilização para escolha da alocação dos seus ativos. Então, não existe uma limitação para composição da sua carteira, e os mesmos têm flexibilidade total para escolha dos seus ativos entre títulos de renda fixa, moeda, ações e commodities, seja no mercado nacional ou internacional.

Dentre a esfera dos multimercados, existem muitos tipos diferentes em que eles podem ser classificados. 

No Brasil, temos quatro classificações principais, são elas: Macro; Long & Short; Quantitativa e Arbitragem.

É importante se atentar e procurar o fundo mais compatível com as características do próprio investidor. Como existe um espectro muito grande de abrangência entre os fundos multimercado, acabamos por conseguir encontrar fundos com perfis de risco e rentabilidade diversos. 

Cabe a cada um buscar, dentre os perfis de fundos multimercado disponíveis aquele que considera mais compatível ao seu perfil.

Renda Variável

Apesar da Selic estar subindo, o patamar atual ainda é favorável para o mercado de ações. Ativos em renda variável também seriam uma boa opção para acompanhar o aquecimento da economia, com projeções bastante otimistas para o PIB brasileiro. 

Mas, obviamente, o que se recomenda é que se passe a alocar um percentual neste segmento visando captar esta valorização, que vai depender necessariamente do seu perfil de investidor e vai permitir que você obtenha um ganho de juro real sobre a sua carteira.

Por exemplo, é possível você seguir o modelo de investimento de Warren Buffet: comprar ações no longo prazo e esperar pacientemente que elas cheguem a um bom preço de empresas consideradas sólidas, e tentar não se desfazer dos papéis, essa estratégia é popularmente conhecida como buy and hold. 

Mais uma vez, tudo vai depender do seu perfil de investidor e estratégia utilizada.

E claro, se você ainda tiver alguma dúvida, clique aqui e fale com um assessor Blue3.

Juros negativos: como eles podem impactar os investimentos

Já pensou na possibilidade do valor em dinheiro que está na sua carteira hoje valer mais amanhã, apenas deixando ele parado na sua carteira?! Pois é, em um primeiro momento isso aparenta ser algo muito bom, porém a verdade é que na realidade esta situação pode não ser tão boa assim. 

Mas antes de entrarmos no tema de juros negativos é importante relembrarmos o que eles significam. 

O que é a taxa de juros? 

É importante saber que cada país tem uma taxa básica de juros. No caso do Brasil estamos falando da Selic, também conhecida como “o custo primário do dinheiro”. Isso porque todos os outros juros de alguma forma derivam dela, o que significa dizer que as instituições financeiras levam em consideração o valor da Selic na estimativa de quanto de juros eles irão cobrar em um determinado empréstimo ou pagamento a prazo.

Portanto, a Selic é chamada de taxa “nominal”. Outra taxa que deve ser considerada é a de juros “real”, que calcula o rendimento da operação, subtraindo a inflação, demonstrando o ganho real do investidor. 

A taxa de juros é uma ferramenta que os bancos centrais utilizam para “controlar” a inflação ou “fomentar” o consumo. Em um primeiro momento isso parece muito simples, porém a teoria acaba divergindo da prática em algumas situações.

Nos últimos anos tem ocorrido um movimento de baixas das taxas de juros no mundo, inicialmente motivado por uma expectativa de aumento do consumo. No entanto, é aqui que retomamos a situação que foi imposta no começo deste texto. Para exemplificar com mais clareza, vamos estudar o caso da Dinamarca, que atualmente tem uma taxa de -0,5%. O resultado disto pode levar à deflação, o que ainda não é o caso atual da Dinamarca.

Acontece que a deflação pode acabar provocando um desincentivo do consumo. O que gerará um efeito contrário ao esperado inicialmente, com a redução dos juros, induzindo as pessoas a consumirem menos, interessante não é mesmo? 

Isto pode ser algo mais perigoso, porque diferente do cenário de inflação, os bancos centrais perdem autonomia sobre este parâmetro, pois é como se eles ficassem “sem munição”, uma vez que a taxa de juros chega a zero. 

Quais os efeitos da taxa de juros negativa? 

O resultado disto pode ser uma estagnação ou declínio econômico. Além disso, fatores como a queda da taxa de natalidade, longevidade, substituição do tipo de mão de obra em função do desenvolvimento tecnológico, e competição com outros países em melhores momentos econômicos podem contribuir ainda mais para esse cenário de deflação. 

Um exemplo prático sobre esta situação seria o caso da “Amanda”, uma cidadã dinamarquesa hipotética que trabalhou sua vida toda visando acumular uma reserva em uma conta de poupança com a expectativa de, em um futuro não muito distante, aproveitar a aposentadoria. 

Inicialmente, Amanda estimou que seria necessário trabalhar por 40 anos, considerando uma taxa média de juros igual à 2,0%, com a finalidade de acumular renda suficiente para aproveitar a tão sonhada aposentadoria. 

Porém, caso a taxa de juros durante o período seja -0,5% isto significa que não será mais possível para a Amanda alcançar seu objetivo inicial. Já que a premissa de juros negativos implica em um pagamento para a instituição reter o depósito a prazo. 

Isso mesmo, a Amanda deverá pagar para investir em sua poupança. 

Como a taxa de juros negativa afeta o investidor? 

A partir do momento em que a taxa de juros se tornar negativa, o investidor começará a perder tal reserva para o banco em que fez sua poupança. Isto ocorre, pois, juros negativos implicam na valorização do dinheiro “não aplicado a juros” em relação ao dinheiro “aplicado em juros negativos”. 

O banco não pagará mais juros para ter o dinheiro do cliente em custódia, mas sim cobrará para receber esse dinheiro.

Este é um exemplo de situações reais que já estão acontecendo em alguns países da Europa e no Japão.

E a pergunta que não quer calar é “o que eu posso fazer com o meu dinheiro nesta situação?” 

Uma solução simples para a pessoa física é justamente colocá-lo debaixo do colchão. Mas para as instituições isto não é possível, afinal de contas, faltaria colchões, não é mesmo? 

Um movimento natural para este tipo de situação é justamente a busca por investimentos mais arriscados e uma eventual migração para títulos públicos. Uma vez que a dívida pública tenderá a ficar mais cara a cada dia, caso a taxa de juros adentre ainda mais no campo negativo. Ou seja, o estado poderá se endividar ainda mais. 

Uma motivação que leva instituições financeiras a comprarem títulos a juros negativos hoje em dia é justamente a expectativa de que os juros fiquem ainda mais negativos, levando a um ganho de capital com o título que inicialmente foi emitido a uma taxa de juros “menos negativa” em relação ao que está sendo emitido a uma taxa menor. 

Mas, claro, nada do que foi comentado neste último parágrafo é necessariamente um presságio de um futuro certo, porque afinal de contas a economia em si é uma ciência humana de variáveis inimagináveis e de resultados de iguais proporções. 

A resposta para algumas das questões levantadas neste texto podem ser comprovadas, ou não, com a passagem do tempo e os desdobramentos de eventos futuros.

Mas como se proteger diante desse cenário? 

Como dissemos anteriormente, a melhor forma de se proteger dos juros baixos/negativos é investindo em ativos que não sejam atrelados a ele, como por exemplo investimentos de renda variável. 

A renda variável envolve uma cartela muito grande de investimentos. Por isso, procure a assessoria da Blue3 para te ajudar a buscar as melhores oportunidades do mercado e gerenciar o seu patrimônio da melhor forma.

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Uma Breve Introdução ao Crédito Privado

No cenário econômico atual, com a taxa de juros (Selic) extremamente baixa, no nível de 2% ao ano, investimentos de renda fixa convencionais não têm dado o retorno esperado pelos investidores.

Assim, muitos investidores estão em busca de novas oportunidades. Com isso, ativos de crédito privado têm ganhado cada vez mais visibilidade.

Mas antes de falar sobre tais ativos, vamos voltar um pouco. Afinal, você sabe o que é renda fixa?

O que é renda fixa

Renda fixa nada mais é do que um título de dívida. O que significa que, quando empresas, bancos ou até mesmo o governo precisam de dinheiro, um dos modos de se capitalizar é por meio da emissão de títulos, que remuneram aqueles que bancarem o tal título, com uma taxa previamente acordada.

Essa taxa pode ser pós-fixada, ou seja, atrelada a um indexador (os mais comuns são CDI ou IPCA) ou uma taxa nominal prefixada, como 10% ao ano, por exemplo.

Os investimentos de renda fixa podem ser classificados de três formas:

Títulos públicos

São aqueles emitidos pelo governo, com o intuito de financiar ações públicas, como obras, programas assistencialistas, entre outros projetos governamentais.

Por ser um investimento em ativos garantidos pelo governo brasileiro, o risco é considerado muito baixo. São representados por títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, alguns exemplos disso são Tesouro Direto e NTNs.

Títulos Bancários

Como o próprio nome diz, são emitidos por bancos quando eles precisam financiar suas operações. Para operações voltadas ao mercado de crédito imobiliário, temos o LCI e para operações de crédito do agronegócio, o LCA. Já o CDB, não tem uma destinação específica.

Os dois primeiros são isentos de imposto de renda (IR) para pessoas físicas e todos os três são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura o valor investido caso a instituição emissora do título venha a falir.

Títulos de Crédito Privado

Para financiar suas operações, as empresas de capital aberto emitem esses títulos de dívida, que podem ser CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), para financiamento de operações destinadas ao agronegócio, ou CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) para operações voltadas ao mercado imobiliário.

Temos também as debêntures para financiamentos sem fins específicos. Os dois primeiros são isentos de IR para pessoas físicas, e o terceiro pode ter tal isenção, mas falaremos sobre isso mais tarde. De toda forma, não possuem garantia do FGC.

Como os Títulos de Crédito Privado funcionam

Agora vamos focar no principal tema desta publicação, os títulos de crédito privado.

Os títulos de créditos privados são investimentos de renda fixa, que podem proporcionar retornos maiores do que os já consolidados CDBs e títulos públicos.

A maior rentabilidade desses títulos está diretamente atrelada ao maior risco envolvido na operação, geralmente relacionado ao risco de crédito no caso de a empresa não pagar o valor devido.

Como tais produtos não possuem garantia do FGC, esse risco acaba sendo relevante na emissão do título e na sua rentabilidade.

Os investimentos em crédito privado se dão na forma de CRIs, CRAs e debêntures. Os dois primeiros precisam ser emitidos por meio de companhias securitizadoras, que atuam como intermediadoras nesse processo de lançamento ao mercado.

Porém, para trazer mais segurança aos investidores, existem empresas de rating – que em tradução literal significa “avaliação”.

Essas empresas classificam as instituições que disponibilizam produtos no mercado, assim os investidores podem ter uma visão melhor sobre onde estão alocando seus investimentos e qual a chance de a empresa não honrar com seus credores.

Moody’s, Fitch e S&P são exemplos de empresas de rating internacionalmente conhecidas que classificam os emissores, como o que foi apresentado na figura 1.

Como podemos ver na figura 1, as classificações variam de empresa para empresa, mas a ideia geral é a mesma: os ratings que estão no topo (AAA) classificam as empresas que possuem menor risco, logo, as probabilidades de honrar com as dívidas adquiridas são maiores.

Normalmente, são empresas financeiramente estáveis e com bom histórico perante o mercado.

Conforme o rating diminui, o risco de investir nas empresas aumenta, sendo assim, pode-se observar o retorno atrelado ao risco do ativo e compará-lo à rentabilidade do ativo de menor risco do Brasil (Tesouro Direto) para saber a atratividade de tal investimento.

Já as debêntures, podem ser emitidas pela própria empresa, mas precisam da aprovação de agentes regulatórios para distribuição.

Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs)

São um modo de financiar o mercado imobiliário e funcionam da seguinte forma: a construtora (XYZ) precisa levantar capital para seu próximo empreendimento.

Sendo assim, ela vai até uma companhia securitizadora e acerta as condições do financiamento, como por exemplo, o montante total a ser financiado, o prazo de pagamento (ex.: nov/2030) e a taxa de juros (ex.: IPCA + 4,0%).

Com essas informações, a companhia securitizadora divide o valor a ser financiado em diversas cotas e as lança ao mercado na forma de CRI (empresa X), com taxa de investimento IPCA + 4,0% e vencimento em novembro/2030.

Os investidores que se interessarem por tal oferta adquirem cotas desse CRI com o intuito de ter o retorno oferecido pela empresa ao final do prazo (já líquido) de imposto de renda (IR), no caso de pessoas físicas.

Caso os investidores queiram resgatar o montante investido antes do prazo, podem fazê-lo por meio do mercado secundário, porém, estão suscetíveis a ágio (valorização) ou deságio (desvalorização) de tal investimento.

Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs)

Assim como os CRIs, servem para financiar empresas com operações em um setor específico, no caso, o agronegócio, como frigoríficos e produtores agrícolas. O investimento em CRA possui as mesmas características e especificidades dos CRIs, alterando somente o setor de destinação dos recursos.

Debêntures

Debêntures são uma forma para que sociedades de ações e não pertencentes ao setor financeiro possam fazer captação de recursos, fugindo das altas taxas de juros cobradas por bancos. Elas podem ser comuns ou incentivadas.

Diferentemente dos investimentos acima, a empresa não necessita de uma companhia securitizadora para fazer a emissão de tais títulos. Ela pode fazê-lo por conta própria, mas para isso, precisa cumprir alguns pré-requisitos:

  • Convocar uma assembleia geral dos cotistas para autorizar a emissão;
  • Elaborar uma escritura de emissão, sendo definidos neste o montante total a ser captado, a destinação dos recursos, o prazo de pagamento (ex.: nov/2030), a taxa juros (ex.: IPCA + 4,0%) e o agente fiduciário (que representa os investidores (debenturistas) perante a empresa);
  • Efetuar o registro dessa emissão na CVM;
  • Emitir e providenciar, junto a uma instituição financeira, a negociação das debêntures ao mercado comprador.

Durante a emissão, as debêntures são classificadas da seguinte forma:

  • Incentivadas: têm como objetivo o financiamento de melhorias na infraestrutura (ex.: construção de ponte, transmissão de energia elétrica), esses títulos contam com a isenção de IR para seus rendimentos, no caso de pessoas físicas;
  • Comuns: têm como objetivo a captação de recursos que não estejam relacionados a infraestrutura da empresa, tais investimentos são tributados conforme a tabela regressiva de tributação de renda fixa.

Os investidores que tiverem interesse por tais ofertas, adquirem cotas dessa debênture, se tornando assim “debenturistas”. Eles passam a auferir os rendimentos divulgados pela empresa ao final do prazo líquido de IR, no caso de pessoas físicas.

Caso os debenturistas queiram o resgate do valor investido antes do prazo, podem fazê-lo, porém estão sujeitos à variação de mercado para tal investimento.

Títulos de crédito privado são considerados uma boa forma de diversificação de carteira com ativos indexados ao IPCA, ou seja, que garantem um retorno real, acima da taxa de inflação, e por isso é recomendado o uso de aproximadamente 15% da carteira para esse fim.

Com isso, concluímos nossa introdução aos investimentos relacionados ao crédito privado. Caso ainda tenha dúvidas, entre em contato com seu assessor BlueTrade.

Insights: juros negativos

Certamente o fenômeno de juros negativos desafia a lógica econômica. O comum é que ganhemos juros ao emprestar nosso dinheiro a alguém. Essa é uma lição que os economistas aprendem em seu primeiro ano de graduação. 

Em um cenário de juros negativos, na verdade pagamos para que possamos emprestar nosso dinheiro. Sim, contraintuitivo. 

Apesar de estranho, o fenômeno tem acontecido em alguns países desenvolvidos, com o Japão e a Europa liderando a turma. Após a crise de 2008, na sede de recuperar suas economias, os países desenvolvidos passaram aplicar as mais diferentes formas de estímulo econômico. 

A principal arma para um país que está se recuperando de uma crise, é a política monetária a partir da taxa básica de juros. Em geral, os bancos centrais sobem a taxa de juros em momentos de economia aquecida para que consigam manter a inflação em patamares razoáveis. 

Uma alta das taxas de juros faz com que as pessoas e as empresas gastem menos, o que diminui o estímulo à inflação. 


O contrário também é verdadeiro, já que em momentos em que a atividade econômica está baixa, os bancos centrais baixam suas taxas de juros, a fim de que as pessoas e as empresas gastem mais, gerando mais empregos e aumentando um pouco a inflação. 

Em um mundo de juros negativos, os investidores de títulos de dívida, investem tendo a certeza de que no futuro, no momento do resgate, terão menos dinheiro do que hoje. 

Com o banco central definindo uma taxa básica negativa, isso guia todas as outras classes de dívidas a tender também para o campo abaixo de 0.

Só para se ter uma noção, segundo a Bloomberg, mais de 17 trilhões de dólares do mercado de crédito estão em títulos com juros negativos. O montante aumenta para US$35,7 trilhões quando falamos de juros reais negativos, quando já descontamos a inflação. 

Por que alguém iria comprar um título com juros negativos?

Os motivos são vários, mas abaixo listarei alguns.

As pessoas podem ter medo do futuro da economia no que diz respeito a recessões, crises no mercado de crédito, quedas adicionais no juros básico, dentre outros. Isso faz com que eles prefiram títulos de alta qualidade, o que garante uma perda, mas seguros de que apenas perderão uma pequena quantia. 

Outro motivo que pode guiar os investidores a adquirir títulos de dívida com juros negativos é uma crença de que os juros cairão ainda mais, o que apreciaria seus títulos que foram comprados quando a taxa estava negativa, mas maior. 

Outro ponto que justifica a compra de títulos com juros negativos são as expectativas de inflação. Desta forma, se o investidor define que deseja um retorno real de 3% ao ano, e a expectativa de inflação for de 2%, isso faz com que um título deva pagar 5% ao investidor. 

No entanto, em um cenário de expectativa de deflação de 4%, o título deveria pagar -1% e o investidor teria seu objetivo garantido, preservando seu poder de compra. 

Por fim, o investidor também pode acreditar que a moeda do título irá se apreciar mais do que o juros negativo, o que garantiria um lucro a ele na operação. 

Quais os motivos dos juros negativos

Neste campo, surgirão as mais variadas explicações, mas a verdade mesmo é que ninguém sabe ao certo o que causa este fenômeno nos países desenvolvidos. O motivo para a incerteza é óbvio: isso nunca aconteceu na história. 

Ora, se algo nunca aconteceu no passado, como podemos ter a certeza do motivo que o causou agora?

Apesar disso, acredita-se que existam algumas explicações mais plausíveis que outras. 

A primeira e mais óbvia, é que os bancos centrais querem estimular a economia, o que não foi alcançado com os juros próximos a zero. A solução então seria abaixar ainda mais e entrar no campo negativo. 

O objetivo é que as empresas passassem a colocar em prática seus planos de investimentos, uma vez que se o dinheiro ficasse parado no banco, ele teria um rendimento negativo. O mesmo vale para as pessoas, que teriam de consumir para não perder dinheiro. 

Ainda é muito difícil dizer se a medida surtiu efeito, nos forçando a esperar para assistir ao desfecho da história. 

Nesta mesma linha de estímulo à economia, os bancos centrais ao redor do mundo têm um plano em andamento chamado de quantitative easing, que consiste na recompra de títulos por parte dos BCs. Isso tem jogado dinheiro na economia e feito com que o preço dos títulos suba, o que diminui seu rendimento.

Outro motivo que pode ser possível é que com a economia de vários países patinando, investidores simplesmente não estão querendo investir em qualquer tipo de ativo com riscos. Este fato aumenta a procura por ativos livre de risco, jogando os preços para cima e diminuindo o rendimento futuro. 

Além disso, o pessimismo que ronda tais países pode estar afastando os investidores dos ativos reais, com medo de desdobramentos piores no futuro. 

Estariam os bancos centrais reféns?

Um ponto muito importante, que talvez mostre que a tendência é de um mundo inteiro de juros baixos e até negativos, diz respeito às configurações tecnológicas e demográficas. 

Uma verdade econômica é que a tecnologia torna o mundo mais deflacionado. Isso acontece porque a tecnologia consegue substituir diversos postos de trabalho, a um custo muito menor. Se a empresa consegue substituir 10 trabalhadores que ganhariam R$5 mil reais cada, por uma tecnologia que lhe custa apenas R$1 mil por mês para manter, ela acaba de destruir 10 postos de trabalho e tira de circulação R$50 mil reais por mês. 

Se estes trabalhadores perdem seu emprego, eles não conseguem consumir, a demanda diminui e a pressão nos preços é menor também. Ou seja, a empresa está tirando dinheiro da economia, o que está fazendo com que o consumo também diminua.

Outro fator, é que com a tecnologia, diversos produtos e serviços tiveram seus custos de produção diminuídos, uma vez que se um produto precisa de 5 trabalhadores para que ficasse pronto, hoje é necessário apenas um, para acompanhar o funcionamento das máquinas. 

Se os custos diminuem, os preços geralmente acompanham. Com isso, o profit pool de diversos setores não acompanhou a inflação e continuou estagnado, o que tira pressão inflacionária do mercado. 

Com uma taxa de juros alta, as empresas têm mais receio de projetos e investimentos de longo prazo, o que também diminui a atividade e não cria novos empregos. Sendo assim, os trabalhadores que foram demitidos da empresa que adotou um robô, terão muito mais dificuldade em conseguir outro emprego e voltarem a consumir e girar a roda da economia. 

Desta forma, se os BCs decidem por deixar a taxa de juros elevada, a economia não anda. Mas agora, este estímulo deve ser ainda maior, o que pode estar trazendo as taxas de juros para patamares muito próximo a zero, tanto no campo positivo, quanto no campo negativo. 

A demografia também tem um papel importante na explicação dos juros baixos. Devemos considerar que a expectativa de vida de um cidadão hoje é muito maior do que 50 anos atrás. 

Apesar disso, a vida de trabalhador do cidadão geralmente dura o mesmo tempo ou teve uma melhora pequena quando comparada com o passado. Ora, se hoje eu vivo mais tempo, mas trabalho o mesmo tanto do que no passado, isso significa que eu devo guardar mais dinheiro, para que consiga ter uma aposentadoria boa por um longo período de tempo. 

Antes eu precisava guardar dinheiro apenas para aproximadamente 10 anos, já que eu pararia de trabalhar aos 60 e morreria por volta dos 70. Hoje eu irei parar de trabalhar aos 65 anos, mas viverei até os 90. Isso significa que eu devo guardar dinheiro para 25 anos de aposentadoria. 

Se analisarmos o fato, isso mostra que a tendência de consumo pode ser menor por conta disso. 

Agora um questionamento interessante: considerando que devo guardar dinheiro para uma aposentadoria de 25 anos. Sei que o cenário é nebuloso e que não tenho certeza de nada economicamente falando. 

A minha decisão deverá ser de consumir e fazer a economia girar ou guardar dinheiro em casa (já que os títulos do governo pagam juros negativos)? 


Note que não há nada que faça este cidadão consumir, já que o que está em jogo é o bem estar dele durante a aposentadoria. Neste caso, o BC pode trabalhar o juros da forma que for, ela não conseguirá estimular este cidadão a consumir. 

Os juros negativos chegarão ao Brasil?

Pode até ser que sim, mas não deve ser algo que iremos presenciar vivos. Se um país emergente colocar seus juros no campo negativo, isso pode ter duas explicações: o mundo entrou em um colapso produtivo e os juros negativos reinam em todo o mundo ou o Banco Central perdeu a cabeça e deixou de lado sua política cambial. 

Nenhuma das duas alternativas me parece razoável atualmente, portanto acredito que não acontecerá. 

Além disso, o Brasil vem se recuperando de uma crise muito forte e já está com juros nas mínimas históricas, no patamar de 5%. Neste ciclo o juros deve chegar até 4% no máximo, o que ainda é muito longe do negativo. 

Também não existe perigo de deflação, o que talvez forçasse os juros a irem para o patamar negativo. Mesmo o desemprego altíssimo não fez com que houvesse perigo de deflação. 

Mas algo que estamos presenciando de forma inédita no Brasil são os juros reais negativos. Algumas formas de investimento já apresentam essa característica. Isso significa que o investimento até tem um rendimento positivo, portanto o investidor vê sua conta aumentar. 

O que por muitas vezes o investidor não vê, é que na verdade ele está perdendo poder de compra, já que a inflação foi maior do que o rendimento dele. 

Conclusão

Entender os juros negativos ajuda a entender o atual cenário da economia mundial. Como dito, não acredito que o fenômeno chegue ao Brasil no médio-longo prazo. Talvez um dia ele chegue, mas é muito além do que nossos olhos podem ver. 

O assunto também é de difícil resolução e divide inclusive especialistas. O nosso papel de investidores é estarmos informados sobre o fenômeno. Além disso, vale a pena checar nossos investimentos para entendermos se estamos ficando com um poder de compra maior ou menor. 

O que são FIPs?

Os fundos de investimentos (FIPs) em participações podem soar como um instrumento de investimentos estranho para os investidores em geral, mas é um veículo de alocação bem conhecido entre os investidores institucionais. 

Os FIPs são uma classe de investimentos alternativos, que participam de investimentos não tradicionais, como imóveis, infraestrutura e capital privado. Este tipo de veículo também é comumente conhecido como private equity

Como funcionam?

Basicamente, os FIPs compram uma participação relevante em uma ou mais empresas, empreendimentos e projetos, para que possam participar ativamente do planejamento e execução das atividades operacionais destes investimentos. 

Usemos como exemplo um FIP que compra participações em empresas privadas. Ao contrário dos fundos de ações, que compram participações em empresas negociadas na bolsa de valores e geralmente detêm participações pequenas nestas empresas, o FIP compra uma participação relevante, capaz de torná-lo parte do bloco de controle dessas empresas. 

Ao fazer parte do grupo controlador, o fundo então terá poder de decisão na empresa e poderá indicar membros para a diretoria executiva, como CEO, diretor financeiro e diretor de operações, por exemplo. 

Desta forma, o fundo consegue mudar os rumos da empresa que investe, melhorando a operação da mesma a fim de gerar mais lucro para a companhia. Ao gerar mais lucro, a empresa distribuirá seu lucro para seus acionistas. O fundo como um grande acionista da empresa terá uma boa parte deste lucro distribuído. Após isso, dividirá seus rendimentos entre seus cotistas.

Note que mesmo que a empresa seja de capital fechado, ela têm ações. A única diferença é que essas ações não são negociadas em bolsa de valores e geralmente estão nas mãos de poucos controladores. Por isso dizemos que um FIP é acionista da empresa. 

Tipos de FIPs

Os fundos de participações são classificados em quatro tipos: 

  • FIP – Capital Semente: Essa classe investe em empresas que tenham faturamento anual de até R$16 milhões. 
  • FIP – Empresas Emergente: Essa classe pode investir em empresas que tenham faturamento anual de até R$300 milhões. 
  • FIP – IE / FIP – PD&I: Essa classe é destinada a fundos que invistam em projetos de infraestrutura ou pesquisa, desenvolvimento e inovação no setores de energia, água e saneamento básico, transporte etc.
  • FIP – Multiestratégia: Essa classe se destina a fundos que não se enquadram em nenhuma das classes descritas acima. 

Período de investimentos

Os fundos de investimentos em participações são, por natureza, de longo prazo. Isso porque a participação na gestão de empreendimentos, com a execução de mudanças e com novos projetos, pode demorar a demonstrar resultados.  

O impacto das mudanças operacionais que existem nas empresas obedece a ciclos empresariais, os quais são bem longos, podendo chegar a até 10 anos. Desta forma, o investidor até pode vender sua participação no fundos em um curto espaço de tempo, uma vez que as cotas dos FIPs são negociadas em bolsa. No entanto, o investidor não deve participar deste modelo de investimentos se não estiver apto a esperar para que os frutos da boa gestão apareçam. 

A cota do fundo sendo negociada em bolsa de valores pode assustar, mas o preço da cota não deve oscilar muito e o investidor não deve se prender a isso. O mindset neste caso deve estar nas operações das empresas investidas pelo fundo. 

Desinvestimento

Os FIPs geralmente compram participações em empresas e projetos ainda em sua fase inicial, com muitas mudanças a serem feitas e muitas estratégias a serem desenvolvidas. Após fazer todo este trabalho, é comum que os FIPs vendam uma parte ou a totalidade de suas participações nas empresas.

Após o desinvestimento, o fundo pode distribuir o dinheiro a seus cotistas ou então partir para um novo ciclo de investimentos, onde tentará encontrar novamente boas oportunidades de investimentos a longo prazo. 

A venda da participação do fundo nas companhias pode ser feita de forma direta para um comprador interessado ou então pode ser feita via IPO, vendendo a sua parte da empresa na bolsa de valores, tornando a empresa uma companhia de capital aberto.

Vantagens de se investir nos FIPs

No atual ciclo econômico brasileiro, com taxas de juros estruturalmente baixas e historicamente nas mínimas, passa a ser cada vez mais necessário o investimento em ativos reais, como participações em imóveis, empresas e projetos de infraestrutura. 

A primeira grande vantagem desta modalidade de investimentos é que no caso dos ativos reais, eles geram mais resultados com um ambiente de juros baixos. Os projetos ficam mais viáveis, as empresas têm mais aptidão para investir em expansão de parques fabris e o mercado imobiliário fica mais aquecido. Tudo isso em um ciclo virtuoso que é retroalimentado pelas relações econômicas. 

Assim sendo, a expectativa de retorno de ações e participações em geral são maiores em tempos de juros baixos. Como o cenário deve permanecer assim por um bom tempo, o investimentos nos FIPs se mostram uma ótima forma de capturar mais retorno. 

Uma outra grande vantagem é que nos casos dos FIPs de Infraestrutura, os cotistas contam com um incentivo do governo, que não tributa as pessoas físicas no recebimento de dividendos e nem no ganho de capital no caso de venda da cota. 

Vale dizer que o investidor geralmente recebe proventos regularmente nos FIPs e como eles não são tributados no caso dos FIP – IE, todo o rendimento chega líquido ao cotista. O cotista pessoa física também não precisa pagar IR caso venda as suas cotas na bolsa de valores.

Por fim, os fundos de participações são conhecidos por fazer investimentos em empresas e setores que ainda estão em seus estágios iniciais, precisando de bastante desenvolvimento. Isto faz com que os retornos possam ser bem maiores, uma vez que os rendimentos demorarão mais tempo para amadurecerem, mas por conta do forte trabalho de gestão, são melhores.